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sábado, 19 de janeiro de 2013

Dicas de leitura: escritores chineses

Em termos literários, 2012 foi basicamente um ano que dediquei a ler muito sobre a China, e grande parte das minhas leituras tinham esse objetivo preparatório. Ou "pós-operatório", pois continuei fascinada pelo tema e buscando respostas após o meu retorno para tudo o que vi e senti nesse país tão contraditório, complexo e talvez por isso mesmo fascinante.

Na biblioteca em frente à minha casa me aconselharam a escritora WANG Anyi, que faz muito sucesso na China. 

Esse livro, "Le chant des regrets éternels" (não vou me aventurar a escrever em chinês e não sei com que nome foi eventualmente traduzido no Brasil), recebeu um dos mais importantes prêmios da literatura chinesa.  Nele, o principal personagem é a cidade de Shanghai, começando pelo final dos anos 30, passando pela promulgação da República Popular da China, a Revolução Cultural, e a retomada e abertura econômica dos anos 80. Mas fala igualmente da consição feminina, tema preferido da autora e que faz dela uma verdadeira sensação entre as chinesas, que se reconhecem de uma forma ou de outra em seus personagens. Realmente gostei muito do livro, que começa como um ensaio, mas é verdade que algumas passagens do livro me irritavam, creio que era porque a forma de pensar dos chineses é muito diferentes da nossa! Uma excelente descoberta!


Esse livro "Les Lumières de Hong-Kong" já se situa principalmente em Hong Kong como o próprio nome diz. Fala desses chineses que vão tentar a vida em Hong Kong, em busca de fortuna, de luxo, ou simplesmente de liberdade ou uma outra forma de viver. Fala dos descendentes de chineses que, mesmo nascidos em outro país, para os outros serão sempre chineses, mas para os chineses não o são mais... E fala sobre uma relação de amor e ódio para com essa cidade. 
Não fui até lá, mas fiquei com muita vontade de mergulhar nessa atmosfera!!!

Eu já tinha falado de QIU Xiaolong, muito conhecido por suas histórias policiais. Normalmente vamos encontrar em sua escritura uma China e principalmente uma Shanghai (que ele conhecia como a palma da sua mão) de antes dos anos 1990, quando ele imigrou para os EUA. Por exemplo, o bairro moderno de Pudong, com seus arranha-céus, não existia ainda na sua época, apesar se já ser um país em forte transformação.

Porém esse livro é muito diferente: são dezenas de histórias bem curtinhas que se passam nesse conjunto habitacional popular de Shanghai que desafiou as diferentes épocas, e principalmente de seus moradores, que souberam sobreviver e se adaptar a tudo. De 1949 aos dias atuais, as histórias falam de personagens de diversas categorias sociais, mas cada uma mais tocante do que a outra, sempre em relação direta com eventos importantes da história recente do país. Um recito fácil de ler sobre as transformações sociais na China! Um olhar sobre uma China não muito conhecida e nem compreendida.



Também gostei muito dessa escritora Zhang Xinxin, muito conhecida (e lida) na China dos anos 80. Em seu livro "Sob a mesma linha do horizonte", ela fala da juventude atual chinesa e fala PARA essa nova geração: a história banal de um casal, seus encontros e desencontros. A cada capítudo eles vão alternando o papel de narrador, e vamos entrando na intimidade desses dois. Seus sonhos e ambições não são lá muito diferentes dos nossos, mas a forma como eles vivem, ah, isso é um pouco diferente sim! 



Também li esse outro livro dela (ambos bem fininhos e de leitura fluida), porém esse último é bem intrigante: uma história um pouco fantástica, irreal, inspirada livremente de uma verdadeira "febre" que houve na China nos anos 80, quando algumas pessoas pensavam que podiam enriquecer cultivando uma variedade muito especial de orquídeas. Surpreende! Mas fica a mensagem do quanto as vidas podem mudar quando o que mais importa é o dinheiro... vale lembrar que para um povo que não podia comprar o que queria durante décadas, nem vestir ou comer o que queria (quanto menos morar onde desejasse!), quando eles vêem essas possibilidades praticamente ilimitadas do dinheiro, eles ficam um pouco perdidos... 

(Como se a corrida pelo dinheiro e poder fosse um tema puramente chinês e não deturpasse bem outras sociedades mais próximas de nós...)

 Cisnes selvagens
A escritora Jung Chan conta a história de sua avó, nascida em 1909 em plena China Feodal, dada em concubinato a um "Senhor da Guerra", muito comum naquela época. Com a chegada do comunismo, essas e outras práticas foram abolidas (como o horrível costume de impedir que os pés das meninas cresçam através de métodos extremamente dolorosos, fazendo com que elas tenham pés defomados e atrofiados!) passando pela história de sua mãe, pertencente à juventude comunista e seu pai, um um revolucionário comunista do grupo dos intelectuais. No início elite desse sistema, durante a revolução cultural eles são denunciados e vão sofrer o exílio, a separação e os trabalhos forçados. Ela mesma (a escritora), no início fervente defensora do regime do do presidente Mao, aos poucos vai se revoltando contra o sistema. Mais tarde ela consegue retomar seus estudos e imigrar para a Europa, onde transforma essas lembranças de família em um livro de repercussão mundial. As transformações políticas, culturais e econômicas são bem marcantes a partir da vida dessas três mulheres. Incrível como o mais simples indivíduo viu a sua vida fortemente influenciada por cada uma dessas mudanças. 

Croquants de Chine são duas histórias. A primeira é um pouco humorística até: um camponês vai até a cidade grande visitar e ajudar o irmão. Mas ele não entende nada desses códigos sociais da "cidade", se sente completamente perdido, mais aos poucos vai fazendo seu aprendizado. mas o que reina na cidade é o poder do dinheiro e os prazeres da carne... Quase uma história de vender a sua alma ao diabo... Em uma linguagem crua e cortante. 
Porém a segunda história foi realmente triste e chocante para mim. Fala de uma realidade nas províncias mais afastadas que é o comércio de mulheres. Quando mais longe da civilização é a localidade, maior a disproporção entre o número de homens e mulheres. E os homens são capazes de pagar o que podem e o que não podem para se casarem!!! Algumas dessas uniões são vividas de forma muito satisfatória por ambas as partes, história de unir o útil ao agradável, mas quando uma jovem é sequestrada, violentada das piores formas possíveis, humilhada, depois vendida e finalmente recuperada por seu pai, sua vida nunca mais será a mesma... um caminho sem volta em direção a um dos piores fins. 
Lembro que na época fiquei muito tocada pelo tema, não conseguia dormir com aquelas imagens horríveis na minha memória. Muito triste saber  que as mulheres sofrem as piores violências em todos os cantos do mundo e não poder fazer nada...

Outra escritora imperdível para quem se interessa pelo país: Xinran. Imperdível!


Então, gostou das dicas? Interessou-se por algum desses livros ou temas? 
E o que você mais gostou de ler em 2012?

sábado, 28 de julho de 2012

Leituras Chinesas: Qiu Xiaolong

Sempre via anúncios dos livros desse autor no metrô de Paris e quando fui à biblioteca procurar alguns livros cujas histórias se passam na China, foi ele que me indicaram! Bem popular, atinge um público mais abrangente. Ele é classificado nos livros policiais, mas para mim é bem diferente dos que eu tinha lido até então!!!

Qiu Xiaolong nasceu na China nos anos 50 mas vive nos EUA. Ele é poeta e amador do Tai Chi Chuan. Seu personagem principal, o inspetor principal Chen é fortemente inspirado nele mesmo pelo que pude perceber, já que ele é igualmente poeta. Seus livros descrevem em detalhes a cidade de Xangai dos anos 90, fazendo muitas referências ao passado. Os livros são recheados de poesia e de história, sem contar a riquíssima gastronomia, as dificuldades de moradia, de transportes, a corrupção e a política, que fazem parte do dia a dia dos chineses. 

Li em ordem os seguintes livros (não tive tempo de procurar as traduções dos títulos em português, quem souber pode me ajudar!):

Morte de uma Heroína Vermelha (Death of a Red Heroine, 2000)

O corpo de uma mulher de cerca de 30 anos é descoberto em um lugar isolado de um rio próximo de Xangai. Sem nenhuma identificação, algumas semanas depois descobre-se que se tratava de uma "trabalhadora modelo da nação". As autoridades com receio de que o crime fosse considerado político, dicecionam a investigação ao inspetor Chen. Descobrimos nessa viagem um pouco dessa cidade de Xangai em constante movimento, além do universo dos personagens e suas formas de ver a vida.   Fiquei com muita vontade de conhecer as Montanhas Amarelas e me senti no Canton, no sul da China, onde se come para lá de esquisito!

Visa pour Shanghai (A Loyal Character Dancer, 2002)

Uma inspetora americana chega em Xangai para uma missão de colaboração entre os dois países que consiste em "buscar" uma chinesa, esposa de um imigrante chinês ilegal nos EUA. Tendo participação com a máfia, ele aceitou testemunhar nos EUA em troca da sua permanência regular no país, mas para isso exige que a esposa possa vir também. Enquanto isso, ela desapereceu como fumaça em uma cidade do interior da China e um outro crime foi cometido em Xangai, aparentemente ligado à máfia.
O inspetor Chen vai tentar encontrá-la e esclarecer essa história!!!


Encres de Chine (When Red Is Black, 2004)

Uma escritora dissidente é encontrada morta no seu quarto. Ela teve uma relação com um poeta e escritor chinês durante a Revolução Cultural, uma relação condenada pelo governo, ele não resistiu às difículdades no campo de "reeducação" onde estavam e morreu. Ela nunca mais refez sentimentalmente a sua vida e publicou a história desse relacionamento, assim como um livro de poemas do defunto. 
Mais uma vez cabe ao inspetor Chen montar esse quebra-cabeça, mesmo que ele esteja de férias, ocupado em ganhar um dinheiro extra traduzindo um documento!

O Corruptível Mandarim (Red Rats, a Case of Two Cities, 2006)
O governo decidiu caçar abertamente a corrupção, um assunto muito sensível e perigoso. Para quem sobra essa missão quase impossível? isso, para ele mesmo, o super-inspetor Chen que é uma pessoa comum, não tem nada do policial que a gente imagina dos livros e filmes!!! 
Vale lembrar que por algumas décadas (inclusive até pouco tempo atrás) o povo não podia decidir o que estudar e com o que trabalhar. Os empregos eram decidimos pelo partido, e mesmo quando as universidades foram reabertas após a Revolução Cultural, o governo decidia o que cada estudante iria estudar e dizia que isso não influenciaria em nada a carreira! Então, o inspetor Chen, que fez estudos em literatura inglesa, esperava trabalhar em algo com o idioma, mas se viu nomeado como inspetor de polícia! Seu colega e subalterno, o inspetor Yu sempre quis ser policial como o pai e conseguiu essa façanha pois naquela época se um parente próximo morria ou se aposentava um de seus descendentes poderia ocupar o seu cargo!!! Tão diferente da nossa realidade que nem consigo compreender direito a lógica!

As histórias têm sempre um fim, mas nunca exatamente como esperávamos... Como se nada pudesse terminar tão bem assim na China. Afinal, tudo é política! Para quem gosta de livros policiais e deseja descobrir um pouco mais desse país fascinante, recomendo!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Leituras chinesas: Xinran

Descobri essa escritora chinesa há alguns anos atrás através de um colega que me emprestou esse livro:

As Boas Mulheres da China



A jornalista e escritora manteve durante anos um programa de rádio na China entre 1989 e 1997 no qual recebia telefonemas de mulheres que contavam a sua história. ela viajou os 4 cantos do país para entrevistar muitas dessas mulheres e deparou-se com realidades muito difíceis e muitas vezes até mesmo incompreensíveis mesmo para ela, que nasceu e cresceu no país. 

As história nos machucam como um punhal e falam da condição feminina nessa país que vivenciou e sofreu tantos momentos complicados ao longo da história.
Ao mesmo tempo em que conta a história de algumas dessas mulheres, marcadas pelo sofrimento e violência, ela vai revelando um pouco da sua história, não sem menos preconceito e opressão. 
Um livro fantástico para quem se interessa pela causa feminina e/ou para quem se interessa em conhecer outras culturas. 
Confesso que nunca mais fui a mesma após essa leitura e ela cristalizou a minha vontade de conhecer esse país tão misterioso.
Recentemente li outros livros da mesma escritora:

Enterro Celestial (Sky Bureal)
Xinran encontra uma chinesa que voltou do Tibet, onde passou os últimos 30 anos. Jovem médica, ela foi em busca do marido, dado como morto poucos meses após o casamento do casal nos anos 50, ele também jovem médico militar enviado ao Tibet.
Pode ser uma história de amor, mas a história retrata as relações entre a China e o Tibet, ainda mais o que era nos anos 50 e todas as dificuldades da época.
A verdade é que o mundo ocidental tem UMA visão do Tibet, mas para o povo chinês da época, a informação era extremamente controlada e eles tinham outra idéia do Tibet, como um povo muito violento e com costumes bárbaros. Durante os 30 anos em que a médica viveu ensse território, completamente longe da civilização, ela teve contato com diversos costumes que até mesmo para os olhos dela eram indescritíveis. Um dos mais chocantes é sem dúvida o "enterro celestial", em que o defundo é exposto para ser comido pelas águias, podendo ter inclusive sido preparado separando a carne dos ossos! O livro fala desse choque de culturas, já que tudo que ela conhecia e que valorizava não tinha mais nenhum sentido na sua vida no Tibet, e mais tarde o seu choque cultural ao voltar à China nos anos 80 e se deparar com todas as mudanças sofridas pelo país!

As filhas sem nome
Si o primeiro livro da lista e o mais conhecido fala de um ponto de vista pessimista sobre a situação feminina, esse livro é completamente o oposto. Ele mostra a "força" dessas mulheres que conseguiram concretizar o que muitos homens não conseguiram! Ele fala de um fenômeno que praticamente todos os povos conhecem, que é sobre a migração do interior para as grandes cidades, mas que por muitas décadas foi impossível na China. Principalmente durante a Revolução Cultural. Em um país em que o analfabetismo era a regra, os jovens letrados foram obrigados a ir para o campo para serem reeducados pelos camponeses. Mao chegou até mesmo a dizer que "quanto mais se lê livros mais nos tornamos burros". Era realmente uma tentativa de fazer uma lavagem cerebral no povo, tentativa essa que atingiu uma boa dose dos objetivos. Milhões de pessoas morreram ou foram mortas, outros milhões foram "silenciados". No livro 3 irmãs (o que é possível, já que a política do "filho único" teve apenas uma parte de sucesso) largam a sua região miserável para ir trabalhar na cidade. Cada uma vence da sua maneira. 
Se o livro chega a ser engraçado e um pouco como um conto de fadas, apesar do tema ser bem sério, o Postscriptum me deixou um pouco tristonha... Eu queria que elas fossem "felizes para sempre", mas a vida não é esse conto de fadas todo, e quem sabe se tivessem escrito um postscriptum da Cinderela no fim das contas ela e o príncipe não tivessem sido tão felizes assim! Além disso, como eu posso julgar o que é ser feliz do meu ponto de vista mas analisando a vida de um outro?

Então, o que acham? Com vontade de viajar comigo para a China?

sábado, 26 de maio de 2012

O segredo do Perfume

Durante toda a minha vida não fui muito de gostar de perfume. "Herdei" esse costume da minha mãe, que sempre preferiu um sabonete ou leite corporal perfumado a um perfume de fato. Mas para alguém que nunca se perfumava, até que evolui... Ossos do oficio!
Mas é verdade que no Brasil perfume de qualidade custa caro, e quando digo qualidade, falo dos perfumes franceses, considerados os melhores do mundo. E claro que a qualidade do perfume vai depender do "nez" (nariz) como é chamado em linguagem de perfumaria e que se refere ao profissional que cria a fórmula de um parfum.

Uma fórmula, ou receita de um parfum pode conter uma dezena de notas diferentes ou mesmo centenas, formando o que chamamos de pirâmide olfativa. Nessa pirâmide encontramos: 
- as notas de tête (topo, cabeça), geralmente notas bem leves efêmeras e voláteis, ou seja, que desaparecem rapidamente, como as notas de agrumes, por exemplo.
- as notas de coeur (coração do perfume), com as notas que vão predominar, composto pelos ingredientes-chave do perfume.
- notas de fond (fundo, base do perfume), geralmente notas amadeiradas e que ficam até horas e horas após a aplicação.

Um perfume é um produto delicado e deve ser mantido ao abrigo do sol e do calor, que transformam todos os elementos odorantes. 

Para testar, jamais sentir diretamente no frasco, o que nos dá uma idéia prematura do perfume que não é a sua verdadeira natureza. Além disso, ele não deve jamais ser sentido no seu estado concentrado (ou seja, direto no frasco, por exemplo), mas deve ser sentido no ar, em um tecido ou mesmo em um papel. Depois basta aguardar alguns segundos que o álcool evapore (sim, pois perfume de verdade sempre vai ter álcool, que é o que permite que as notas em seu estado concentrado sejam diluídas e ao mesmo tempo "fixa" o perfume, o que não seria o mesmo da água). Não adianta "frotar" a pele para "sentir melhor o perfume", como vejo centenas e centenas de pessoas fazerem, pois o perfume sendo delicado, as moléculas se quebram com esses movimentos e o cheiro/ resultado não é mais o mesmo!

Então temos uma primeira impressão do perfume. Mas apenas alguns minutos ou poucas horas após o seu  "corpo" vai ser revelado, quando as notas voláteis se evaporarem. Ou então horas depois (no final do dia, por exemplo), quando as notas leves desaparecem e deixam espaço as suas notas mais profundas.

Então, diz a regra que um perfume vive no tempo, que ele tem a sua juventude, sua maturidade e sua velhice, e que ele só pode ser considerado bom se ele sente bem nessas três idades.

Além disso, também vai depender da qualidade da matéria-prima, ou seja, as essências perfumadas que constituem o perfume, que podem ser naturais ou sintéticas. Notas naturais existem apenas umas 300 e sintéticas mais de 3 mil. Assim, os perfumes apenas com notas naturais são bem mais "básicos", enquanto que misturando as notas sintéticas o perfumista (nez) consegue criar algo bem mais sofisticado. Por exemplo, o "muguet", uma flor emblemática (uma florzinha branca que se presenteia no dia 1º de maio), até o momento é impossivel de "capturar" a sua nota natural. Da mesma forma, pelo menos na Europa, os ingredientes de origem animal são proibidos, então nenhum perfumista vai usar o ambre e musc naturais, que são proibidos já há uns bons anos. Mesmo grandes maisons do perfume como Guerlain e Chanel reconhecem que utilizam igualmente notas sintéticas por essa razão e também muitas vezes pela constância dos ingredientes (caso contrário cada lote de Chanel nº 5 seria diferente, só para ilustrar).
Mas é claro que existem sintéticos e sintéticos, pois as notas sintéticas de grandes perfumistas como os dois citados acima são de excelente qualidade e imitam perfeitamente a verdadeira, mas já existem outras marcas e perfumes de baixa qualidade cujas imitações sintéticas são muito artificiais!!!

E como eu disse acima, o que vai fixar o perfume é o álcool. O nível de concentração do perfume final, em si, depende se se trata de uma eau de parfum (pode chegar até 15%, o perfume vai durar mais), eau de toilette (na faixa dos 10-12%, o perfume se sente na tal zona de proximidade, quando as pessoas se aproximam). Depois existem os ainda mais leves como eau frâiche ou eau de cologne, ainda mais leves e a utilizar em abundância, sem medo. Mais do que esses 15% de concentração em perfume o mesmo vai se tornando mais enjoativo e fica impossível de sentir o que quer que seja! 

Além disso, muita gente pensa que o álcool do perfume vai manchar a pele, mas na verdade o que pode manchar são algumas moléculas de perfume, como alguns agrumes, que são fotosensíveis. Atualmente as grandes marcas isolam e retiram essa molécula. Mas não é aconselhado se perfumar diretamente na pele antes de uma exposição prolongada ao sol.

Outra particularidade: notas amadeiradas e orientais duram muito mais tempo do que notas efêmeras e frescas, como o limão, bergamota, etc, mesmo sendo naturais. 

Eu tive a oportunidade de sentir as verdadeiras essências concentradas e conservadas em minúsculos frascos (para se ter uma idéia é necessário 10 mil rosas colhidas à mão cedo pela manhã para uma grama de extrato de rosas!), e o cheiro é normalmente insuportável. Quando o diluimos com álcool e água reencontramos o cheio de todo um jardim de flores...

Quem se interessa um pouco mais pelo tema, recomendo o filme Le Parfum, Histoire d'un Meurtrier (Perfume: the Story of a Murderer), uma co-produção franco-alemã de 2006, que se passa em Paris e em Grasse (a cidade francesa do perfume por excelência) no século XVIII. Ela conta a história de um estranho personagem que nasceu com o dom de sentir e reconhecer todos os tipos de cheiros, mas ele mesmo não possuia nenhum tipo de cheiro. Convencido de que não possuir nenhum perfume era uma das razões da sua triste existência e de não ser amado, ele utiliza todas as suas faculdades para criar o perfume capaz de fazer com que todas as pessoas o idolatrem, a partir do perfume natural de jovens que ele sentia de longe. 

O filme foi baseado no livro do mesmo nome, do alemão Patrick Süskind (1985) que retrata o universo olfativo como nenhum outro!!! Comecei pelo livro e sentia os cheiros e a podridão que ele descreve, como se eu tivesse realmente ficado impregnada daquele cheiro! Eu que sempre fui uma pessoa muito sensível aos cheiros, quase que os vi materializados! 
Fiquei fascinada!
Assisti ao filme logo após. Apesar de ser uma adaptação e não 100% conforme o livro (como sempre, e nem seria possível), não deixou nada a desejar! Muito bem realizado, percebemos um ambiente sombrio como a época e de acordo com a história. Porém como o assassino é muito instrospectivo, para podermos realmente entrar no personagem foi necessario a utilização de uma fonte narrativa (eu que não gosto de filmes narrativos não cheguei a ficar incomodada) e pode chocar o publico em suas cenas de sujeira e podridão, sem contar uma cena mais ao fim que não é recomendada a menores.

E você gosta de se perfumar? Eh fiel a um ou costuma variar ?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cemitério de Praga e outras leituras

Estava sem conseguir postar sobre os livros, mas realmente ando sem tempo para nada, nem para ler... Ainda por cima acabei escolhendo umas leituras mais complicadinhas, aí já viram, não dá para começar e terminar rapidinho, exige muita concentração!

Cemitério de Praga, de Umberto Eco

Enfim chegou na biblioteca! Eu tinha sugerido como nova aquisição, e não é que eles compraram???
Um livro muito complexo e que acredito que não é para qualquer leitor! Fica clara a erudição do escritor e o grande trabalho de pesquisa, para resgatar momentos que marcaram a história européia, envolvendo maçonaria, anti-semitismo e intrigas políticas, mas que provavelmente são desconhecidos para a maior parte dos brasileiros.
A história se passa no século XIX (da metade ao fim) em alguns pontos da Italia e em Paris, com uma passagem rápida por Munique, mas não chega em Praga (para quem esperava encontrar algo alem do cemitério dessa cidade)! 
Eu gostei muito das intrigas, dos fatos históricos, da descrição de Paris do século XIX (com as ruazinhas que frequento ainda hoje, como a rue de la Bûcherie, perto da Notre-Dame), o diálogo do personagem principal com o seu duplo... Mas confesso que o livro fica um pouco repetitivo e cansativo em muitos momentos. Contente e aliviada de ter chegado ao fim!

O Farol, de Virginia Woolf

Uma história simples: uma família e amigos em uma casa de praia na Escócia.
O tempo que passa, o retorno ao ponto de partida, mas nada mais é como era, nem será.
Mas o brilhantismo está na forma como Virgínia Woolf descreve os sentimentos e pensamentos dos personagens, ou seja na sua narrativa. Ela consegue esmiuçar e descrever com perfeição o processo de construção do pensamento. 

Acredito que quem busca ler as obras dessa autora será, assim como eu, muito mais pelo estilo da sua narrativa do que pela história.

A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

Para mim ainda mais do que Virgínia Wool, Milan Kundera é capaz de descrever a complexidade do espírito humano. O estilo na narrativa é poético e belo. 
Já tinha lido há muitos anos, mas confesso que não me lembrava de todas essas subtilidades, e apenas hoje, mais madura e tendo adquirido outros conhecimentos , consegui captar toda a beleza do romance.
Desta vez o que mais me marcou (e o que mais apreciei) foram as reflexões históricas e filosóficas, tendo como pano de fundo a primavera de Praga. Além de fazer uma análise do comunismo, no final ele fala do capitalismo. 
Ainda consegui entrar mais profundamente na história, tendo conhecido um pouco Praga, Zurique, Genebra e Paris, cidades em que se passa praticamente toda a história. ele também faz uma breve mas fascinante descrição de Amsterdam. Outros momentos me marcaram, como quando os personagens vão embora de Praga e se instalam na Suiça. fala da identidade e identificação de acda um com seu país, e o que o mesmo significava para cada um. Não fui embora do Brasil por motivos políticos, mas me identifiquei com muitas passagens! Depois houve o retorno e a readaptação ao país invadido Outra passagem que me fez mesmo chorar foi quando o personagem, médico, neurocirurgião conceituado, torna-se lavador de vidros! Não desci tanto assim na escala social, simplesmente não trabalho mais como "psicóloga" (mas a identidade de psicóloga nunca perdi), mas a forma como ele vive essa nova condição é emocionante... Poderiamos imaginar que ele se tornaria o homem mais infeliz do mundo deixando de lado uma carreira que para ele era como se fosse uma missão, algo sem o qual ele não se imaginava antes. Mas não, não é nada disso o que acontece.
O leitor pode ficar em muitos momentos desestabilizado, pois o autor vem para quebrar com as nossas certezas. Ao mesmo tempo, não nos traz respostas (resta no questionamento).
Também apreciei a forma como ele conta a história, a partir do ponto de vista de cada um dos personagens (o mesmo momento é revisto, mas sob uma outra ótica). A visão política está lá nua e crua para quem quer ver (ou ler, assim como eu gosto), mas acima de tudo se trata do sentido da vida, ou seja, muito mais filosófico do que político, sem ser, é claro, uma obra de filosofia!
Quem ler somente procurando uma história provavelmente vai se decepcionar, pois pode acabar classificando alguns personagens em frívolos e perdidos nas suas reflexões. Para mim, eles são todos ambivalentes diante da existência. Em nenhum momento são julgados pelo narrador (alguns leitores provavelmente julgarão seus comportamentos). Humanos, enfim, como cada um de nós.

Um livro que ficará para sempre guardado no meu coração e que provavelmente relerei em alguns anos!

L'amour dans le sang, de Charlotte de Valandrey
Esse livro foi bem fácil de ler em relação ao estilo da narrativa e assimilação do conteúdo. Eu tenho lá as minhas manias de ler tudo que cai na minha mão e nem sabia de quem se tratava. Na verdade a escritora é um atriz francesa que foi descoberta aos 15 anos e recompensava no mesmo ano no Festival de Berlim pela sua participação no filme Rouge Baiser. Na evrdade o livro apareceu em 2005 e nessa autobiografia a atriz conta a sua vida a partir do seu ponto de vista e revela ao público que é portadora do vírus HIV desde seus 18 anos! Uma história (real, infelizmente) muito triste de alguém que para os meus conceitos poderia ter tido "tudo na vida", mas que fez as escolhas e atos errados e colocou tudo a perder! Inconseqüencia? provavelmente... Não dizem que todos os jovens são inconseqüentes e se consideram imortais? O livro me fez pensar mais ainda que somos frutos de nossas escolhas e atos, e que infelizmente não podemos voltar atrás em muitas das nossas decisões (ou não-decisões).
Vejo muitos pais que educam seus filhos em um total "laissez-faire" e que dizem que os mesmos devem quebrar a cara por si mesmos, que assim eles vão aprender, mas quando uma jovem de 18 anos, com talento, beleza e todo um futuro pela frenta descobre que é soropositiva, o que ela pode fazer? Claro, felizmente existem tratamentos que aumentaram a qualidade e o tempo de vida dos pacientes, mas não venham me dizer que é uma vida "normal" como a minha e a sua (viver com dezenas e dezenas e comprimidos por dia?)... Papéis que foram recusados pois a seguradora não queria assegurá-la, amores impossíveis pois, convenhamos, não deve ser fácil encontrar alguém que aceite correr o risco. Ainda por cima ela teve problemas cardíacos e aos 35 anos sofreu um transplante de coração. Ao final, sem carreira e sem dinheiro.
Não é fácil e não desejaria um desenrolar assim nem para o meu pior inimigo (se eu tivesse!). Mas reforçou a minha convicção de que as crianças precisam ser criadas com amor, sim, mas igualmente com limites.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Desvendando o mistério russo


Não deu para pesquisar muito desde que programamos a viagem, primeiro com um mês de dezembro corridíssimo, o início do ano que começou com MuniqueDijonLondresNormandiaReims, Eurodisney, espetáculos e exposições...

E no meio disso tudo a gente precisa trabalhar, pois as contas não deixam de chegar...
Peguei meus dias de férias que restavam do ano passado e vamos conhecer uma cidade com a qual sempre sonhei! Maridão reticente durante um segundo, mas sua vontade de visitar o Hermitage (um dos mais importantes museus do mundo) falou mais alto!

Sou apaixonada pelos escritores russos, li Ana Karenina, Dr Jivago, Crime e Castigo, etc... Mas um que mora no meu coração e que marcou a minha vida foi um livro de Aleksander Solzhenitsyn chamado "Pavilhão de Cancerosos" (em dois volumes). O livro escrito nos anos 60 se passa em um serviço de oncologia de uma cidade soviética. Através da experiência do câncer, passando pelo sofrimento e a morte, seguimos os pontos de vista dos médicos, infermeiros e doentes, onde cada um se indaga sobre o sentido da vida. São personagens muito diferentes e posições sociais que se misturam e é claro que o pano de fundo é o sistema político e o contexto soviético. Li este livro na minha adolescência e há alguns anos tive a sorte de encontrá-lo em um sebo!!!

Não sei explicar porque a Rússia sempre me interessou... Mas meu interesse vai muito mais longe do que os filmes de espionagem e guerra fria (que adoro!). Quando comento por aqui que passarei alguns dias pisando o solo desse país que considero fascinante quase todo mundo me chama de louca!!! Engraçado que a visão dos franceses em relação à Rússia e aos russos é bem diferente da minha...

Primeiramente eles vêem a Rússia como um país superatrasado, onde nada funciona, pobre e subdesenvolvido... Eu já não tenho essa mesma imagem pois sempre estudei cientistas russos famosos (como Pavlov, por exemplo) que mostram que a pesquisa sempre foi muito valorizada, sem contar o cpmplexo sistema de espionagem e de tudo que envolveu a engenharia espacial. Também tenho uma imagem de um lugar onde muito cedo as mulheres começaram a ser independentes e ter uma carreira! 

Muito antes disso, teve a imperatriz Catarina da Rússia, que além de ser muito famosa por colecionar amantes (mais jovens do que ela!), era muito culta e inteligente, fez de São Petersbourgo  uma cidade seguindo os modelos europeus, estabeleceu a língua francesa na corte, frequentava e recebia grandes personagens como os filósofos da sua época. Durante seu reinado, a cidade se tornou capital da cultura e das artes (era apaixonada pelo mundo da arte e sua coleção particular é a origem da Museu Hermitage).

Outra imagem que se tem por aqui é que os russos são extremamente frios e desagradáveis! Os brasileiros acham que os franceses são frios e mau-humorados, os franceses acham que são os russos!!!

Além disso, visitar a Rússia é visto como algo muito complicado pelos franceses! Primeiro é necessário um visto para europeu (brasileiro não precisa!), e para pedir o visto é necessário um tipo de carta convite do hotel (para turista), que é paga, ou de quem convidou. Todos os guias de turismo dirão que o procedimento é muito complicado, o que no caso aqui de casa foi bem simples, seguindo todos os passos do site do consulado da Rússia.

Como dizem que é muito difícil se localizar e conseguir se comunicar confortavelmente em inglês, até tentei encarar esse desafio, mas confesso que não ultrapassei a terceira lição!
Resolvi "estudar" um outro livro, assim pelo menos não devo morrer de fome!!!
(os nomes dos pratos são em russo e explica os ingredientes!)

Bem, veremos tudo isso e em breve estarei aqui falando das minhas impressões...
Já imagino que o choque não será muito grande pois ficarei em São Petersbourgo, que  é considerada a cidade mais ocidentalizada e européia da Rússia... Mas veremos em relação às pessoas!

Por enquanto fico aqui tentando desvendar esses mistérios do alfabeto cirílico 


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Rata de biblioteca e as bibliotecas na França

Etes-vous comme moi un véritable petit rat de bibliothèque ? J'y passerais des heures !*
*Você é como eu, uma verdadeira rata de biblioteca? Eu passaria horas e horas em uma!
Não esqueca de visitar a biblioteca Strahovsky de Praga!

          Sempre adorei bibliotecas e nesse aspecto a França é o paraíso para mim!!! Se antes era um prazer, aqui para mim é uma necessidade... Pois apesar dos livros serem baratos em comparação aos preços no Brasil (sem contar as opções de livros usados por preços muitas vezes irrisórios), com o espaço físico reduzido aqui em casa, não posso ficar acumulando... E também como quem tira o pó sou eu, então penso mais de duas vezes antes de comprar! Praticamente todo parisiense (ou que mora em Paris) tem a sua carteirinha da biblioteca, até mesmo as crianças!
         Paris conta 58 bibliotecas municipais, algumas delas especializadas (cinema, línguas, música), e podemos nos inscrever gratuitamente e levar para casa livros, revistas, partições e métodos de idiomas. Basta apresentar um documento de identidade e um comprovante de residência.
         Já para ter acesso aos DVDs e Cds, o preço anual (em paris) é de 61€ para o primeiro e 30,50 € para o segundo, o que, convenhamos, não é nenhuma fortuna! (ainda temos sorte que por Sylvain ser funcionário municipal em Paris, ele é isento dessa taxa). Os horários de atendimento são geralmente bons, bem variados (alguns dias fica aberto até mais tarde, abre aos sábados, e algumas abrem mesmo aos domingos). 
         E como se não bastasse, ainda moro BEM em frente a uma biblioteca/ mediateca bem equipada, e aqui na minha cidadezinha todos os empréstimos são 100% gratuitos!
São disponibilizadas obras para todos os gostos, desde os mais simples até os mais requintados: obras filosóficas, artisticas, grandes romances ou auto-ajuda, turismo, história... Até mesmo decoração, costura, tricô...

          Esses eu trouxe para casa ontem... difícil não voltar com os braços cheios! Alguém aqui já tinha me perguntado como escolho livros... Acho que vou por associação livre... Gosto de tocar os livros, as vezes escolho pela capa ou pelo título... geralmente nunca leio o resumo atrás...

           Escolhi o filme "Orgulho e Preconceito" pois recentemente li o livro da Jane Austen de mesmo nome que tinha recebido como presente, não posso dizer que gostei... Amei!!! Fiquei grudada do início ao fim, chorei... e fiquei tão triste que tenha terminado, pois não queria me separar nunca do livro...
           Cabrel em DVD porque sou apaixonada por esse cantor francês (ops, quero dizer, por suas músicas e sua voz)... Shakira recentemente regravou uma de suas canções (je l'aime à mourir), metade em francês e metade em espanhol. Prefiro ainda mil vezes a versão de Francis Cabrel!
           Dona Léon cujos livros sempre via nos cartazes de lançamentos no metrô parisiense... Americana, ela mora há anos em Veneza e todos os seus livros (policiais) se passam nessa cidade... A gente começa a conhecer Veneza como a palma da mão! Seus livros são mesmo vendidos nas boutiques dos museus de Veneza.
         Do Irvin Yalom adorei "Mentiras no Divã" e "A Cura de Schopenhauer", mas esse "Quando Nietzche chorou"  alguém tinha me emprestado no Brasil, mas nunca consegui terminar (comecei a ler durante um final de semana, o livro estava disponível na casa dela, de pois fui embora), e agora quero realmente ler do início ao fim.
          A Bela do Senhor li quando tinha uns 14 anos, então não posso dizer que captei tudo... Livro difícil para mim na época, mas que me fez sonhar em conhecer Genebra. Recentemente quando li "Heureux évenement", em determinado momento citava essa obra literária. Fiquei com ainda mais vontade de reler... mais de 700 páginas, espero sobreviver!
       Queria ler algo de filosofia, estava em dúvida entre Wittgenstein (de quem lembrei visitando recentemente um museu em Munique) e Schopenhauer, ambos me marcaram muito em minhas aulas de Epistemologia da Psicologia (principalmente pela minha nota "limite"!). Mas escolhi o segundo e da próxima vez fico com uma obra de Wittgenstein e uma biografia sua.
          O guia da Alemanha foi o um dos que usei em Munique, renovei para não esquecer os nomes dos lugares e poder contar tudo aqui para vocês! E não riam de mim com o russo, mas provavelmente precisarei dizer "bom dia", "obrigada" e, se não for pedir muito, assimilar o alfabeto russo, dito "cyrillique" em menos de 2 meses! Ao trabalho!!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Leituras para terminar o ano

Fechando 2011 com chave de ouro nas leituras!!!

Un heureux événement, de Eliette Abecassis (um feliz acontecimento)
Como a gravidez é um tema que não sai da minha cabeça, consegui ler esse livro que estava querendo encontrar há algum tempo! O filme (francês) saiu não faz muito tempo nos cinemas daqui, mas infelizmente não pude ver).
Adorei o livro, achei muito bem escrito... E as "idéias" bem que poderiam ter sido minhas, já que nada me surpreendou e TODAS as questões que ela coloca já passaram pela minha cabeça... Se eu escrevesse tão bem assim (ainda mais em francês!). Porém confesso que não imaginava esse final (fiquei um pouco decepcionada.
Livro totalmente contra-indicado para quem já está grávida!


Le Chat du Rabbin, de Joann Sfar (o gato do rabino)
Adoro histórias em quadrinhos, ainda mais nos formatos daqui... E me apaixonei pelo Chat du Rabbin, esse gatinho muito fofo que pertence ao rabino Sfar e que mora na Argélia! O gato começa a falar, depois fica sem poder falar e por aí vai, e ele vai contando suas aventuras no início do século XX... Lindo!!!
A história foi transformada em desenho animado, lançado no ano passado; assisti recentemente em DVD, mas não chega aos pés do texto!


 Les enfants terribles, de Jean Cocteau (as crianças terríveis)
Aparentemente um livro que se lê aqui na escola... E eu acabo lendo tudo que possa entrar na cultura francesa para me sentir parte, entendem? Seria como no Brasil em uma discussão nunca ter ouvido falar de Machado de Assis, de "A Moreninha", "O cortiço", etc...
Todo mundo conhece esse livro (mesmo que não tenha lido, já ouviu falar). Trata-se de um irmão e de uma irmã que se encontram em casa, sem ir à escola, órfãos de pai e mãe, sustentados por amigos da família. Um terceiro e mais tarde um quarto personagem se introduzem na história, mas não conseguem fazer o corte entre os irmãos, que fazem do quarto um santuário. E tudo termina mal!
Mas eu não gostei do livro não!
 Les "larmes" de Marie-Antoinette, de Juliette Benzoni (as lágrimas de Maria Antonieta)
Esse livro comecei a ler por engano!
Tenho a estranha mania de não ler a descrição dos livros, e pelo título pensei que falasse de Maria Antonieta, rainha da França, esposa de Luís XVI, executada em 1793 por ocasião da Revolução Francesa 4 anos mais cedo. Mas o livro se passa no início do século XX, e fala de uma exposição de jóias da rainha no Château de Versailles (no Trianon, residência da rainha, para ser mais exata) durante a qual crimes são cometidos. Então, era uma história de crime e mistério! E as tais "larmes" nada mais eram do que diamantes em forma de lágrimas!
Mas gostei do livro, pois tem uma descrição incrível da cidade de Versailles, do castelo, da história do lugar...

Volto em 2012 com novas leituras! 

Nos próximos 3 dias é esse livro que não vai sair da minha mão!


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

De um livro a outro!

Le Château de ma Mère (o castelo de minha mãe):

Esse livro do escritor francês (e provençal) Marcelo Pagnol é o segundo volume do recito autobiográfico "Les souvenirs d'enfance" (lembranças da infância). A narração é em primeira pessoa e é ele na pele de seus 8 anos que conta a história de suas aventuras de infância e de família. O texto é lindo, a escritura perfeita e simples. A gente entra no personagem do pequeno Marcel, revive uma amizade e uma relação de família que raramente vemos hoje em dia... O epílogo melancólico que fala do tempo que passa encheu meus olhos de lágrimas, nem me dei conta que estava no trem voltando para casa! Imagino que seja facilmente encontrado em outros idiomas.

A história se passa antes da Primeira Grande Guerra, em uma França que a gente não imagina hoje em dia. E esse capítulo triste me fez pensar que as guerras  (mesmo que o livro não fale disso!) foram algo que construiu a personalidade dos franceses (e outros europeus, é claro). Para nós brasileiros foi algo distante, que não nos marcou diretamente. Mas ainda hoje vejo todos os dias pessoas nascidas no início dos anos 30, e fico pensando "ela tinha 7 anos quando a II Guerra começou, o que será que mudou na sua vida? será que seu pai sobreviveu? E seus irmãos?";

Marcelo Pagnol nasceu em 1895, estudou em Marselha e terminou seus estudos em Aix-en-Provence. Escreveu várias peças de teatro, romances, artigos literários. Mais tarde começou a fazer filmes. Todo francês conhece as suas obras (geralmente seus livros são lidos na escola) e conhece seus principais filmes. Uma de suas últimas obras adaptadas ao cinema foi "La fille du puisatier", um retrato da Provence da sua época. 

L'Impératrice de la Soie (Imperatriz da seda)

Uma trilogia do escritor francês José Frèches que concluí essa semana. Frèches é apaixonado pela civilização chinesa, além de outras civilizações orientais. Muito jovem ele passou em um concourso para conservador de museu e trabalhou no museu Guimet em Paris (arte asiátiaca), Louvre, dentre outros. Essa saga se passa no século VII d.C. na Rota da Seda, ligando diversas cidades da China da dinastia Tang, India, Tibet, etc. Envolve religião (as disputas de poderes entre as diversas correntes budistas e o cristianismo que tenta se inserir nessa conjuntura), poder e as diferentes raças e etnias que se encontram nesse caminho. Adoro romances desse tipo (história e aventura), baseado em elementos da realidade. Um aspecto que pode chocar os desavisados: as relações íntimas são descritas em detalhes... E com base nesses detalhes, podemos pensar que esse povo era bem safadinho!!! hahahah

Time of my life

A autobiografia de Patrick Swayze. Gostei muito de ler sobre a vida desse ator cuja luta contra o câncer foi uma lição de vida. O livro me fez pensar em muitas coisas... Por exemplo, eu sempre pensava que "essas pessoas" tinham "tudo": fama, dinheiro, etc... Mas a gente acaba entrando na cabeça deles e vê que a lógica dele não é a mesma que a nossa... O que para mim parecia suficiente, não o era para ele e nunca seria... Mesmo que eu continue não aprovando alguns comportamentos, fica mais fácil entender! A escritura não é lá uma Brastemp, mas para quem gosta de autobiografias, vale a pena! Claro que em uma biografia a pessoa conta o que quer...



Estou com uma dúvida cruel: o que quero ler agora? 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Quem conhece Patrícia Melo ?

Estava devendo para vocês a escritora brasileira cujos livros encontrei aqui em Paris. Confesso que nunca antes no Brasil tinha ouvido falar dela, mas é verdade que durante meus estudos universitários e pós que duraram de 1998 a 2008 fiquei meio afastada do universo da literatura (lia mesmo eram os best-sellers que todo mundo lia, não tinha tempo para procurar nada de diferente).
E então me deparo com toda uma coleção dessa escritora brasileira em uma biblioteca de Paris. Escolhi o livro "Valsa Negra" (traduzido para o francês como "Le diabo danse avec moi").
Como nunca a li em português, não posso falar do original, mas adorei a tradução, com frases profundas. A história fala de um maestro que vive um ciúme doentio em relação à sua nova esposa e vai revelando as suas obsessões e paranóias, nos levando para dentro da loucura do personagem. Não preciso dizer que esse tipo de leitura psicológica me envolve!!! O livro é contado a partir do ponto de vista do personagem, então a gente "vive" com ele a construção de seus delírios. 
Unico "porém", na reta final do livro esse tipo de discurso começou a me cansar (talvez para quem não tenha um conhecimento em psicologia ou interesse canse bem mais cedo!), pois eu via que as coisas só iam piorando e que não chegaria a lugar nenhum...


O outro livro que li logo após esse foi de uma das escritoras que está na moda aqui na França, Amélie Nothomb. escolhi o mais fininho da prateleira pois com tantos documentos que peguei emprestado, queria estar certa de entregar tudo em 4 semanas. Sabe que o livro me decepcionou um pouco? Li "Cosmétique de l'ennemi" e achei um estilo de escritura bem simples (esperava mais), e história fraquinha. Trata-se de um personagem que fica bloqueado no aeroporto devido a um atraso de avião. lá, ele é abordado por um estranho personagem... Toda a história se passa nesse saguão de aeroporto e refletida no diálogo entre os dois personagens...

Logo volto com mais leituras, mas no momento estou lendo apenas uma história em quadrinhos francesa (quem advinha?) que queria ler há tempos, e guias de viagem para meu final de semana que começa amanhã de manhã!!!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Livros: lendo e compartilhando!

Estou aqui com uma listinha de livros para compartilhar com vocês:

Millenium 2 e 3
Como tinha prometido e estava morrendo de vontade, terminei a leitura dos livros 2 e 3 da seqüência Millenium. O segundo demora a engranar, são vários personagems que vão aparecendo na história que eu não sabia onde isso iria levar, mas aos poucos as coisas são se encaixando e eu lia até tarde da noite, mesmo no banheiro, pois não queria perder nada! Gostei muito dos 3 livros e recomendo, mas como eu já tinha comentado aqui quando falei do primeiro, não considero uma "explosão litertária".
Mas também gostei porque eu literalmente "viajo" com os livros, vários lugares "conheci" através deles, e mais tarde quando efetivamente tive oportunidade de viajar, sentia como se realmente já conhecesse. E os livros de S Larsson me abriram os olhos para uma Suécia que sempre tive vontade de conhecer, mas que até então nada sabia além de Estocolmo. Agora outros nomes como Uppsala ou Göteborg, por exemplo, não são mais estranhos para mim...
Tinha surgido a dúvida no último post sobre livros sobre os filmes baseados nesse livros. A versão americana vai ser lançada em breve, treços já estão sendo divulgados. A assinatura é do David Fincher, e Daniel Craig estará no papel principal.
Mas antes já tinham sido lançados 3 filmes suecos de realizados diferentes pelo que entendi (Niels Arden Oplev para o primeiro e outros nomes para os outros) com Michael Nyqvist e Noomi Rapace nos papéis principais. Assisti os 3 e gostei muito, mesmo que não corresponda exatamente aos livros. Entretanto, fiquei muito decepcionada com o terceiro, pois ele dura 1h30 (nem isso) e não conclui a história! Fiquei sem saber porque eles fizeram isso, se vão lançar ou mesmo se já saiu um quarto filme. Mas é muito frustrante pois o filme termina na metade da história!

Também li uns livros francesinhos:
L'Ile des Gauchers:
Um casal inglês que larga a Inglaterra vitoriana para se instalar em uma ilha do Pacifico que não aparece nos mapas, mas onde se aprende a amar. Lá, o mundo funciona completamente diferente do mundo exterior. Para começar, todo mundo é canhoto ou aprende a funcionar com a mão esquerda, em uma época em que era praticamente pecado não ser "direito"! Mas se a idéia é muito interessante, não gostei do livro e da forma como se vive livremente o amor nessa ilha! Meu lado "direita" não está tão aberto para isso!!!

Coup-de-Fouet:
Uma história que começa pouco antes da primeira guerra mundial, descrevendo um mundo de grandes domínios, de condes e de famílias que amam a caça, passando pela primeira guerra e o que sobrou de tudo isso logo após... Não gostei, primeiro porque tive muita dificuldade em compreender (em francês!) os termos utilizados nesse ambiente de caça, mas também porque os capítulos faziam realmente um corto em relação ao que tinha sido lindo antes, e eu perdia completamente o chão... Mas descobri um outro "mundo" que sempre ignorei.

Les tisserands de la Licorne
Um romancesinho bem básico, mas gostei muito do pano de fundo como a Batalha de Sedan de 1870, na qual a França foi derrotada pela Prússia, melhor organizada e 2 vezes mais numerosa (informações de livros de história). No dia seguinte à batalha, o imperador Napoleão III foi capturado e 3 dias depois a terceita república foi programada. O livro também fala dos pequenos artesãos de tecelagem, um trabalho cansativo, minucioso e demorado, e como aos poucos, com a revolução industrial, vão sendo substituídos por máquinas. Todo um savoir-faire que foi desaparecendo...

E você, o que anda lendo? compartilhe conosco!

P.S.: Estou terminando um livro de uma escritora brasileira, traduzido para o francês, que encontrei em uma biblioteca. Encontrei diversos livros dela!  Quem advinha quem é a autora, ou mesmo o livro?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Encontros e Despedidas"

Nunca gostei de despedidas, como cada um de vocês, imagino. Geralmente a gente se jura "amor eterno" e que iremos nos encontrar para um almoço ou um happy hour um dia desses, que acaba nunca chegando, pois cada um segue o seu rumo, o seu caminho.

Ao longos dos anos sofri com muitas despedidas, como todo mundo,  mas tendo realizado muitos estágios e tendo trabalhado em muitos lugares no Brasil me fez ter que dizer adeus muitas vezes... Depois veio a formatura e claro que praticamente não vi mais ninguém desde então.

Mais tarde vim para a França e deixei tanta coisa para trás.

Mas fico contente pois mesmo que os anos passem, posso encontrar alguém 2, 3 ou mesmo muito mais anos após e ainda ser muito bem recebida e ter muita coisa para trocar!!! Como uma amiga da faculdade que encontrei pela ultima vez em uns eventos de Rh lá por 2007 e depois nos encontramos em paris no final do ano e recentemente em Porto Alegre, e que através dela por acaso reencontrei um amigo de infância que tinha visto pela última vez em 2005!

E atualmente aqui passei por muitas despedidas, como os colegas da universidade (mais uma vez!) , os amigos brasileiros que por uma razão ou outra decidiam seguir um outro rumo, e os colegas.

Mas agora são os colegas de trabalho que estão indo embora... Em julho foi uma colega e agora em setembro será a minha chefe. E hoje foi a minha estagiária favorita!!! Ela chegou em maio para pouco mais de 3 meses de estágio e por obra do destino a minha colega mais experiente estava de férias, a chefe em licença saúde e o chefão afastado por problemas de saúde. No meio desse período superturbulento tive que me virar com substitutos em contratos temporários e tive que formar a estagiária que não podia adiar o começo de seu estágio.

Foi muito enriquecedor, pois desde que cheguei aqui (na França) e que comecei a trabalhar não tinha assumido diretamente essa responsabilidade de formar alguém. E a menina se mostrou inteligente, superengajada,  competente e de confiança, toda a empresa ficou muito contente com os seus resultados e quem recebeu os parabéns ainda por cima fui eu!!!

Ego à parte, hoje foi seu último dia. Eu tinha preparado uma "minifestinha" e uma lembrancinha surpresas e ela, que aprendeu a me conhecer um pouco e que sempre me via lendo, me ofereceu esse livro:

Adorei o presente, ainda não tinha lido e lerei com certeza!!!

Em uma das nossas exaustivas trocas literárias ela me disse que adorava os escritores ingleses e que Jane Austen era a sua preferida. Acredito que não tenha nenhuma idéia escondida, mas na mesma semana ela tinha presenciado uma situação em que uma pessoa tinha feito comentários preconceituosos a meu respeito (ela ainda me ofereceu chocolates dizendo que não tinha o poder sobre o que as outras pessoas diziam e pensavam, mas que estava ao seu alcance me confortar e me alegrar! )

Não sei mais se as despedidas são para sempre, não prometo mais que iremos nos encontrar um dia desses e nem quero continuar a me nutrir de falsas esperanças, o mais importante foi o quanto essa troca foi importante para nós duas, ela ávida de aprendizagem e eu que agarrei com unhas e dentes essa oportunidade de assumir mais responsabilidades, e ainda por cima como coach... o que me fez um bem imenso!

No mais a vida continua! Novos colegas chegando para recomeçar o ciclo dos "encontros e despedidas".