Mostrando postagens com marcador Franceses. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Franceses. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Homens franceses

Certa vez algumas meninas na França comentaram que os franceses não são bonitos, que são sem graça, sem sal...

Bom, tudo é questão de gosto e gosto não se discute...
Porém existe uma infinidade de formas físicas

Mas resolvi fazer uma listinha dos meus franceses preferidos (em termo de beleza):


Alain Delon, que dispensa apresentações

Christopher Lambert: agora está um pouco acabadinho, mas sempre achei muito lindo esse ator franco-americano.

 Lambert Wilson, um gatão quando era jovem, e mesmo agora que já está um pouco passadinho, ainda arranca suspiros!
Um outro homem que sempre achei muito bonito e charmoso é o cantor Marc Lavoine (e que voz!!!). Mas como a idade chega e pesa para todo mundo, esse ano ele tem aparecido bem magro e envelhecido. Espero que não seja nada grave!

Vincent Cassel (ator e ex Monica Bellucci) é um outro que tem lá o seu sex appel e uma grande presença em cena. Ele e Monica Bellucci representavam o casal sexy por excelência!

Gilles Lellouch tem aparecido em quase todos os atuais filmes franceses e a sua cotação tem aumentado... Não é o meu tipo, para mim tem uma cara de "mulherengo", mas confesso que não me deixa indiferente.

O cantor Christophe Maé me dá vontade de levar para casa e dar colinho... Tem um ar tão meiguinho!
Os franceses odeiam, mas as francesAs (jovens) geralmente adoram.

 Não só ator, mas realizador de sucesso, Guillaume Canet é muito apreciado no círculo do cinema.

Não faz muito o meu tipo, mas a mulherada está correndo atrás do Jean Dujardin (do filme mudo The Artist)!

Jean Galfione, um esportista de alto nível... Ahhh

Mesmo François-Henri Pinault, uma das maiores fortunas francessas não é tão mal assim. No lugar da Salma Hayak eu também não teria pensado duas vezes, mesmo se muita gente acredita que ela se casou por interesse.

Pelo mundo afora os franceses têm uma reputação de infidéis... E muito disso se deve ao que pregava toda uma era de intelectuais franceses (só para citar Sartre e Simone que Beauvoir).
Ao mesmo tempo, a infidelidade dos políticos não é vista de forma tão negativa na França, como no caso do ex-presidente François Miterrand que levava uma vida dupla com a esposa e a amante, com quem teve uma filha ilégítima, e mais tarde Jacques Chirac, que confessou em suas "memórias" que amou muitas mulheres, o mais discretamente possível. para os franceses, o que o político faz em casa não tem nada a ver com o que ele pode fazer pelo país.
Fala-se que 34% dos homens e 24% das mulheres francesas já traíram o companheiro em algum momento da vida... Os sites de relacionamentos (extra-conjugais) adoram lançar dados chocantes, mas todos os estudos sérios apontam que a fidelidade é mais importante do que nunca, e os franceses são cada vez menos tolerantes às infidelidades.

Sinceramente, não creio que entre os brasileiros e brasileiras essas estatísticas sejam muito mais baixas.

Então, o que acharam da minha seleção de homens franceses? Levariam algum para casa?
Acrescentariam algum à lista?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tem pobre em Paris?

Paris atrai milhões de turistas anualmente, é uma das cidades mais visitada no mundo (se não a mais visitada), e a maioria volta para casa  com as expectativas atendidas ou mesmo superadas, mas cada vez mais tenho me deparado com brasileiros que não gostaram ou mesmo odiaram Paris. Tentei esmiuçar bem, conversando com quem pude ou lendo (blogs, relatos de viagens, foruns da internet) as razões e as principais que encontrei são as seguintes:

- Afinal, tem pobre em Paris?

Sim, é verdade, tem. Mas a pobreza aqui é diferente da que vemos no Brasil. Aqui ainda existem muitas ajudas sociais, quem está desempregado tem um longo seguro desemprego, quem não tem direito ao seguro desemprego tem uma renda garantida pelo governo (RSA), existe ajuda para pagar aluguel, existe ajuda para tudo. Então quando vemos pessoas nas ruas em situações muito difíceis, geralmente elas não estão em situação regular na França para poder contar com todas essas ajudas, ou estão em uma situação transitória até conseguir dar entrada na papelada, ou são pessoas em situação de conflito com a sociedade, que se recusam a ter um domicílio fixo, emprego ou prestar contas. Existem exceções, mas de uma forma geral é isso que indicam as associações especializadas.
Então, encontramos sim muita gente que pede dinheiro na rua (geralmente ciganos da Romênia e Bulgária, conhecido como "rooms"), no metrô, nos sinais de trânsito e tem muitos SDFs (sem domicílio fixo) que vivem nas ruas. Alguns são bem limpinhos e bem-vestidos com o seu animal de companhia (que fazem geralmente parte desse grupo que não quer se submeter às regras da sociedade), outros se encontraram na rua por N outras razões (como explicado acima) e a situação é complicada e não é simples de ser resolvida!

- Gente feia e mal-encarada, "senti medo em Paris"

Essa tenho ouvido ou lido cada vez mais. Acontece que para os muitos brasileiros (e não só) o padrão de beleza é o "europeu", ou então tem que ser uma mulata estilo dançarina de escola de samba, ou uma índia estilo Pocahontas. Se o negro chegou direto da Africa, ainda mais vestido com as roupas do vilarejo, entra automaticamente na classificação de "feio". Também associamos muito a questão da cor com a criminalidade ou violência. E nem falo só de negros, mas árabes e indianos também acabam entrando nesse rótulo. Faz parte da "história da feiúra" (recentemente li o livro do Umberto Eco que leva esse nome e que explica muito bem ao longo da história o que era considerado feio e bonito). Como quem viaja para a Russia "branca e loira" se espanta com a quantidade de mulheres "bonitas". Quem definiu esses padrões de beleza?

Uma amiga brasileira chegou na França há 20 anos, ela morava em uma cidade do interior do Paraná e foi aqui em Paris que viu um negro pela primeira vez na frente dela. 
Mas vamos concordar, gente, não é porque alguém é negro, árabe, indiano, chinês e pobre que é bandido!!!
Apesar do aumento da violência na Europa, Paris continua sendo uma cidade muito segura. O que mais acontecem são os roubos de celulares ou bolsas/carteiras, sem que a pessoa veja. Mas uma agressão a mão armada para roubar alguma coisa resta ainda um fato raro!!! 
Não dá para dar bobeira, os batedores de carteiras estão em todos os lugares, mas principalmente perto dos pontos turísticos.
A Europa está mudando, ela viveu e vive uma imigração muito forte e no futuro a imagem do francês não será mais a mesma. Só espero que a mentalidade dos povos também evolua!!!

- Paris é uma cidade suja e fedorenta

Talvez eu tenha me acostumado, mas desde a primeira vez em que estive aqui, nunca vi essa sujeira da qual todos falam. Mesmo comparando com outras cidades européias ou brasileiras que conheci. 
Em lugares com um fluxo muito grande de passantes (turistas, em sua maioria), é verdade que a cidade não é "um brinco". Mais uma vez o exemplo da Champs Elysées, que por medidas de segurança possui poucas lixeiras!!! Então os turistas deixam o lixo em qualquer lugar mesmo. 
O metrô é um outro tema de controvérsias. O metrô de Paris é muito antigo (a primeira linha foi inaugurada em 1900)  e atualmente são 16 linhas, num total de mais de 200km. Mais de 4 milhões de pessoas utilizam o metrô todos os dias. Se o número de passageiros é praticamente o mesmo do metrô de São Paulo, uma diferença básica é que em Paris, pela idade e construções dos túneis, existe muito pouca aeração. O ar não circula, o cheiro de multidão fica. Sem contar tudo o que se passou nesse solo durante séculos e séculos... O cheiro não vai embora assim!

Mas outra diferença é se a gente pega uma linha que passa pelas localidades mais pobres (= maior número de imigrantes pobres) ou uma que passa pelas zonas nobres da cidade (pode ter imigrante, mas vai ser imigrante rico), em que os passageiros geralmente são clarinhos e limpinhos... O cheirinho e a limpeza são longe de serem os mesmos...
E mesmo para os parisienses a cidade se tornou suja e fedorenta, eles reclamam medidas junto à prefeitura, reclamam em fóruns de dediscussão e em mesas de cafés ou bar... Segundo eles, o problema se agrava com o turismo (muitos turistas que jogam lixo em qualquer lugar e utilizam as ruas como banheiro público) e com uma imigração desenfreada de pessoas que não possuem os mesmos hábitos. Pode parecer exagero, mas basta verificar que os locais mais sujos são habitados justamente por essa categoria.
Lembro que quando morava em outro apartamento, uma família africana tinha mania de jogar o lixo pela janela! Era caixa de leite, pacote de cereais, restos de comida... Um horror! O síndico (gardien) tentava falar com eles, mas quem diz que entrava na cabeça deles que tinha um lugar específico para colocar o lixo?

- Os franceses são grossos, antipáticos ou mal-educados

Eu sempre digo que quem passou somente alguns dias aqui como turista provavelmente viu ou teve contato com pouquíssimos franceses!!! A cidade conta com uma imigração bem forte e geralmente os empregos da área do turismo (hotelaria, restaurantes) são ocupados massivamente por estrangeiros. Eh uma realidade, pois são considerados empregos relativamente precários, onde é necessário trabalhar em horários malucos e alternados, com salários baixos. Quem tem escolha cai fora, e geralmente quem não tem escolha acabam sendo os estrangeiros... A gente vai em um restaurante ou loja em Paris e praticamente todos os funcionários são estrangeiros (ou "filhos de", com uma cultura ainda muito forte ligada ao país de origem, muito mais ligada à ele do que à França). Exceções para os estabelecimentos de luxo, onde geralmente os funcionários vêem de grandes escolas de gastronomia ou hotelaria, mas nesses casos o atendimento é geralmente perfeito.
Outra coisa que acontece muito na França é que existem muitos contratos de trabalho para "estudantes". Então também encontraremos muitos jovens estudantes que precisam ou querem trabalhar e fazem um "bico". Nesse caso eles mesmo dizem que o trabalho é "puramente alimentar" (= para pagar as contas) e alguns não fazem o menor esforço. Além disso alguns trabalham apenas um dia por semana, então nem conseguem se manter atualizados de tudo o que se passa na empresa. No verão (julho e agosto), época de férias européias, praticamente só vemos estudantes e contratos temporários, e na minha opinião o atendimento é mais precário.
Tudo isso para dizer que cada vez que alguém me citou um caso em que foi mal-atendido, perguntando daqui ou dali, ou quando estive presente, o tal mal-educado nem francês era!!!

E o pior lugar onde fui atendida foi justamente... em um restaurante brasileiro!!! Chegamos às 21h conforme reservado, pediram a nossa identidade (que não devolveram até o final da refeição, mesmo que a mesma já estivesse paga antecipadamente) e nos deixaram 40 minutos esperando, ninguém veio nos ver, nem perguntar se queríamos uma bebida, nada. Fui falar com jeitinho com uma atendente, que, para a minha surpresa, não falava francês (ops, estamos na França) nem português, mas espanhol (?!?). O dono veio falar comigo, um tapinha nas costas e disse que enviaria alguém... Que não chegou! Quando ele passou, minha amiga estava um pouco irritada e disse que já estávamos esperando há mais de 40 min, e ele respondeu bem arrogante "é mentira, vocês não estão aqui há 40 minutos". Eu disse que sim, que a reserva era às 21h e já eram quase 22. Ele disse que teríamos que esperar, que tinha muita gente. Então chega um grupo na mesa ao lado que é servido antes de nós!!! Aí sim falei que não era normal que servissem quem estava chegando agora enquanto estávamos ali há muito mais tempo, e ele disse que se não estávamos contentes, poderíamos ir embora. Mas como já estava pago, acabamos ficando. A nossa felicidade foi que um dos garçons (que não era brasileiro, ele só falava francês com uma pronunciação perfeita) que passava o rodízio de carnes fez de tudo para nos servir bem e passamos um momento agradável com a carne no prato.

- na França ninguém fala inglês

Se os franceses possuem realmente um dos piores resultados da Europa no domínio de línguas estrangeiras, mais uma vez em qualquer lugar turístico vamos encontrar quem fale um pouco de inglês! A começar pelos hotéis, a não ser que seja um hotel bem simples e que não pertença a nenhuma rede. Mas para se ter uma idéia, estive algumas vezes no Novotel Paris Chatelet-Les Halles, e o pessoal da recepção, além de falar inglês e espanhol, ainda tinha alguém que falava português, justamente porque o número de brasileiros tem aumentado consideravelmente todos os anos. Nas lojinhas de lembrancinhas perto dos pontos turísticos, eles falam tudo que é lingua, e até arranham o português. Existem muitos indianos nesse tipo de comércio, e eles são bilíngues (inglês), apesar de às vezes ser um pouco difícil de entender. Em grandes avenidas comerciais como Champs Elysées, se o vendedor não fala inglês ou enrolou na entrevista ou veio tapar-furo de último minuto. Muitas marcas até preferem contratar estrangeiros para trabalhar em lojas turísticas, mesmo que não fale francês. Por exemplo na Ladurée, famosa por seus macarons, sempre que vou ali é até difícil encontrar alguém que fale francês!!! Certa vez eu queria perguntar quanto tempo poderia conservar os macarons, e quem disse que a menina falava francês? Ela era russa (lembrando que os russos são um dos turistas que mais gastam dinheiro na França durante a estadia). Ou seja, se um francês hoje em dia deseja comprar macarons, melhor ele falar inglês, ou até mesmo russo! Inversão da história!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Os franceses são grossos ou mal educados?

Para as pessoas que comentam que os franceses são grossos, mal-humorados ou algo parecido, eu proponho um questionário:

1. Quando você entra em um estabelecimento (francês, mas pode ser em qualquer lugar do mundo), a pessoa diz "bom dia", você não se dá ao trabalho de responder?
Lembrando que "responder a um bom dia" pode ser com palavras, mas caso não fale o idioma, vale um sinal de cabeça ou um sorriso...

2. Você acha que é mais importante do que o seu interlocutor vendedor, garçon, recepcionista?

3. Ok, talvez não seja tão explícito assim, mas você acha que o seu tempo é mais importante e vale mais do que o dele?

4. Você acha que sempre precisam abrir uma exceção para você? Por exemplo, o restaurante está lotado mas precisam encontrar uma vaga para você, o cozinha está fechando e o cozinheiro indo embora, mas você precisa ser servido! O café da manhã é servido às 10h, mas você quer o café às 10h30! As lojas, as atrações ou os museus estão fechando, mas você quer entrar!

5. Você acha que o empregado que atende tem um cérebro de ameba? Muitas vezes são pessoas que estudaram em grandes escolas de Comércio (umas das mais reputadas) ou Hotelaria da França, ou pessoas com diplomas do ensino superior (ou estudantes) que trabalham para arredondar o final do mês ou porque ainda não encontraram um emprego na sua área. Ou seja, a maioria estudou, sim. Não é analfabeto.

6. Você acha que o empregado é um "zé ninguém" que é mal pago, passa fome e vive mal? Você pode se surpreender com tanta gente que tem casa própria, viaja várias vezes por ano ao exterior, tem uma vida cultural rica e diversificada... tem até mesmo o estudante de medicina filhinho de papai que trabalha para não pedir dinheiro aos pais!

7. Você diz que os franceses adoram "ralhar" ou "bufar", mas é o primeiro a reclamar de tudo e de todos na sua vida pessoal, muitas vezes levando isso para as redes sociais? O primeiro a soltar fogo pelas ventas em uma fila e bater insistentemente o pé quando acha que está demorando mais do que o devido? Na fila do banco, se o bancário pergunta à vovozinha como ela vai, você começa a bufar e revirar os olhos porque a consideração do funcionário com a vovozinha faz você perder o seu tempo?

8. Você só fala português, mas acha que se falar BEM alto as pessoas vão te entender? E aí começa a ficar BEM irritado quando percebe que ninguém te entende?

9. Ou você tenta falar seu francês macarrônico, mas acha que as pessoas estão de má vontade e não querem te entender?
Em francês, a pronúncia do e, é ou è, por para citar apenas esse exemplo, são muito diferentes, e um problema de pronúncia pode complicar todo o entendimento da frase! Eu agora já estou acostumada com as dificuldades específicas dos brasileiros com a língua francesa e consigo entender o que a pessoa "queria dizer", mas meu marido, com toda a sua boa vontade e convivendo atualmente com muitos brasileiros, mesmo ele me diz de vez em quando "não consigo entender metade das coisas que diz a sua amiga!" Não dá para ficar brabinho ou se sentir perseguido porque o francês não consegue entender o que se passa na sua cabeça e que você não consegue expressar com palavras!!!!

Você respondeu afirmativamente a pelo menos uma das questões?
Então a situação se inversa, você faz parte dos clientes mal-educados, grossos ou mal-humorados!!! 

Os franceses são geralmente tão educados, aprenderam a cumprimentar e de despedir de alguém com educação e usar sempre as fórmulas mágicas do respeito e consideração que esperam ser tratados da mesma maneira!!!

A verdade é que francês não leva desaforo para casa. O cliente foi estúpido? Vai ser tratado da mesma maneira. Muitas vezes o brasileiro não percebe que cometeu alguma "gafe" feia, pois não faz parte da sua cultura. Estou aqui há mais de 4 anos e posso contar nos dedos de 1 só mão o número de brasileiros (mesmo os que vivem aqui e já deveriam ter aprendido!) que usam a palavrinha mágica "por favor". Para muita gente no Brasil essa fórmula está em desuso, a gente ensina às crianças e depois esquece. Mas aqui é coisa séria!!! A gente pede uma garrafa de água, por favor, 2 passagens, por favor, a conta, por favor. 

Essa história do "bom dia" também é muito complexa! O vendedor diz bom dia, se não obtem resposta, ele insiste um pouco mais alto (vai ver a pessoa não entendeu), mas aí se é realmente ignorado, ele começa a ser sarcástico.

Convenhamos, o que tem de mais mal-educado do que chegar atropelando "onde fica a torre Eiffeil?", sem nem ao menos dizer bom dia antes?

"Bom dia, você saberia me informar, por gentileza, onde fica a torre eiffeil? Estou um pouco perdida" (com um sorrisinho). Já testei centenas e centenas de vezes essa fórmula e tenho certeza que ninguém resiste!!!

P.S.: Ninguém está livre de se deparar com uma pessoa mal-amada, em Paris ou qualquer lugar do mundo, se isso acontecer, aconselho a seguir o seu caminho sem dar atenção. A não ser que você seja realmente uma alma muito boa e queira ajudar, já que uma pessoa assim obviamente tem problemas!!!

Quer saber mais sobre os franceses? Se eles tomam banho?

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Francês toma banho? A pergunta que não quer calar

Morando há praticamente 4 anos na França o que mais atiça a curiosidade dos brasileiros são os hábitos higiênicos dos franceses!!! Vira e mexe, a pergunta está lá. E ninguém é discreto não, nem tenta comer pelas beiradas... A pergunta chega assim mesmo, de supetão:

"E aí, me conta: é verdade que os franceses não tomam banho?"

Já refleti muito sobre a questão nesses 4 anos, já toquei no assunto com franceses e já participei muito de grupos de discussão com brasileiros sobre o assunto. 

Então aqui vai a minha análise pessoal:

1. A França conta com 68 milhões de habitantes, então não tenho a ambição de conhecer os hábitos de todo mundo.

2. Os brasileiros geralmente me falam que tomam ou tomavam 3 ou 4 banhos diariamente no Brasil. Se for com base nessa contagem, então os franceses tomam muito menos, é verdade! Não tem nem comparação, nunca encontrei um francês aqui que tomasse 4 banhos por dia. 
Mas será que é realmente necessário tomar 4 banhos para estar limpo?
- Primeiramente, o clima é muito diferente, a transpiração é muito menor, então a necessidade de banhos é muito menor.. 
- O Brasil, por suas dimensões enormes e climas diferentes, também não é uniforme. No Sul, de onde venho, no inverno a gente toma banho uma vez por dia, e muitas vezes o banho rápido. Já no verão, muitas pessoas podem até se levantar no meio da noite para "jogar uma água" pelo corpo, e até tenho vergonha de dizer que já fiz muito isso. Mas por quê vergonha? Pois se formos pensar, que desperdício de água! O planeta não possui recursos hídricos suficientes e infinitos!
- Será que no sertão nordestino ou demais lugares onde a água é limitada, as pessoas se dão ao luxo de tomar vários banhos por dia?

3. A França é um país antigo. E antigamente não existia tratamento de água. Se pensarmos nas épocas de peste, a água era um meio de contaminação, e na época se tinha muito medo de água, o que fez com que a nobreza evitasse. Tudo isso foi antes de descobrirem que existem microorganismos vivos na água (e em tudo) e que transmitem doenças. E que água fervida destrói esses organismos, assim como outros tratamentos. 

4. Agua encanada também é algo relativamente recente. Enquanto no Brasil conhecemos praticamente moradias novas e recentes, com tudo ali prontinho, basta abrir a torneira, a França conta com moradias que não contavam com essa invenção na época da sua construção. Mais tarde foram adaptando as antigas residências, mas talvez os costumes foram passando de geração para geração. Quem não tinha água em casa, se lavava com uma toalhinha, esfregando o corpo inteiro, e utilizavam as duchas públicas uma vez por semana. Então, o nosso conceito brasileiro de jogar água corrente sobre o corpo, se ensaboar e depois enxaguar com água corrente, para os antigos franceses era diferente, mas sem agua corente. Se o processo for bem feito, como dizer que um é mais limpo do que o outro? Pela quantidade de água gasta? Quem gastou 50 litros de água está mais limpo do que quem gastou 5 litro? Vocês acham mesmo que é a água que lava? O que lava é o produto lavante (sabão, etc) que é utilizado.

5. Atualmente quase todo mundo tem acesso a água encanada e tratada, mas outras questões são levantadas na atual conjuntura:
- preço: muitas pessoas economizam pois o preço da água é um peso no orçamento.
- ecologia: cada vez mais as pessoas por aqui se preocupam com o meio ambiente.
- qualidade da água: mesmo sendo considerada de excelente qualidade, a água principalmente em Paris é muito calcária e tem por efeitos destruir a proteção natural da pele, que é chamada filme hidrolipídico. Sem essa proteção, a pele se fragiliza. Quando cheguei aqui com meus produtos brasileiros, eu ia perdendo a pele, parecia uma cobra, mas a pele nova era em carne viva. Também tive alergias no rosto, que parecia "queimado". Até que encontrei os produtos que se adaptaram a minha pele, que estava mudando. São geralmente produtos que limpam, mas sem ingredientes "decapantes" para a pele, e com propriedades nutritivas. Certa vez até falei de alguns deles aqui.

6. Se os franceses de fato não se lavassem, não sei como todas essas marcas de produtos de higiene sobreviveriam!!! A variedade aqui é imensa e para todos os bolsos! Como se não bastasse os supermercados que vendem embalagens enormes e lotes de 3 até 6 produtos, existem produtos de limpeza corporal nas farmácias (marcas como La Roche Posay, Avene, Uriage, Klorane, etc.), e lojas de marcas próprias, como Yves Rocher, The Body Shop e L'Occitane, que vendem toneladas e toneladas de gels ducha e sabonetes (bem menos, sabonete é considerado fora de moda). Nunca vi tanta variedade e quantidade de produtos de higiene no Brasil.

7. "As roupas sentem mal, os franceses não lavam". Existem tantas opções de lavanderias  em todos os cantos, até mesmo em cidades pequenas, seja as lavanderias a seco muito utilizadas para casacos de inverno, ou lavanderias para quem não tem maquina de lavar roupa. E estão sempre lotados de roupas, sinal na minha concepção que o negocio funciona. Mas realmente tem gente que usa o mesmo casaco semanas a fio... Eu acredito que soh isso não "suja" ou causa "mau cheiro" ao casaco, pois a pessoa vai usar durante o seu trajeto casa-trabalho e intervalos, o resto do tempo o casaco não fica no corpo e também não tem nenhum contato com a pele, transpiração, etc. A maioria das pessoas são ponderadas e vão levar para lavar quando estah visivelmente sujo ou com um cheirinho. Lembro de Porto Alegre, no primeiro frio do ano, o cheiro nos transportes publicos era intoleravel: naftalina pura. Isso sim cheira mal!

8. "Os franceses cheiram mal". Morando aqui há 4 anos e pegando metrô, trem e trabalhando muito com o público, são raras as vezes que vi realmente uma pessoa fedida. Quando isso aconteceu, os casos eram nessa ordem: 
- moradores de rua que "empestam" o lugar onde estão, seja a rua, o ônibus ou o metrô (mas alguns moradores de rua são tão limpinhos que até me surpreendem!!!); 
- pessoas idosas geralmente modestas (com a idade o olfato diminui ou mesmo desaparece e a pessoa não sente o seu cheiro, além de problemas de incontinência fecal ou urinária, associado ao fato que geralmente essas pessoas moram sozinhas...);
- estrangeiros (já reparei que algumas culturas realmente não são chegadas em um banho, por outros problemas culturais ou mesmo econômicos).
- Sinceramente, nunca vi um homem engravatado indo ou voltando do trabalho de metrô fedendo por aí... Nem uma jovem classe média ou uma senhora burguesa. Pode acontecer afinal porquinho vai existir em qualquer lugar!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Palavras carinhosas em francês


Nesse dia dos namorados, um post dedicado a todos os gatinhos e gatinhas, pulgas, pintinhos, galinhas, coelhos, patinhos e corças. 
O quê? Não entendeu?
Vou tentar explicar!

Muita gente diz que os franceses são um pouco frios em relacionamentos, mas ao menos existem palavras carinhosas para usar no dia a dia com a pessoa amada, e sempre com muito "biquinho"!!! E grande parte delas são inspiradas no Reino Animal!!! 

Nem todas são exclusivas aos apaixonados, mas demonstram afeição (para com alguém da família, amigos). No início confesso que fiquei chocada com algumas, pois no Brasil não encontramos sempre a mesma conotação...

Ma puce
O quê, ele está me chamando de pulga??? Demorei a entender que não era uma ofensa!!! Não me perguntem como associaram esse bicho feio com o ser amado!
Ma biche, ma bichette (um pouco fora de moda)
Não é o que você está pensando!
Ao menos ela é bem bonitinha!!! 


Em francês existe o termo "yeux de biche" para se referir a olhos que chamam a atenção... Difícil de definir, mas seria um cumprumento! Existe até um tipo de maquiagem que se chama em "yeux de biche", que consiste em uma técnica para "aumentar os olhos".

Mon canard
Não, não é uma ofensa! Temos que encarar pelo lado positivo!

Mon lapin
Um animal que simboliza universalmente a fofurice!!! Ninguém pode se ofender!

Ma poule, ma poulette
Essa é mais difícil de engolir, mas a gente se acostuma...

Mon poussin

Mon chat (mas cuidado, tem que ser no masculino, mesmo se se trata de uma mulher, pois "chat" no feminino é outra coisa bem diferente! E que se não for usado entre 4 paredes é muito vulgar!)

Se todas essas formas de chamar a pessoa a quem direcionamos o nosso afeto são válidas e bonitinhas, outras outras não merecem nenhuma consideração! Se ouvirem alguém dizer morue ou thon (e não for contexto puramente culinário, já que o primeiro é o bacalhau e o segundo atum!), o sujeito e questão merece um tapa na cara no mesmo momento!!!

P.S.: as fotos não são minhas com exceção dos patinhos na lagoa. A pulguinha foi trabalhada no photoshop (cor e batom) a partir do "original" encontrado na internet. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Como reconhecer um francês em viagem?

Eu poderia listar aqui uma seqüência de comportamentos que a gente vê tipicamente em franceses, mas o que me chama mais atenção é que eles estão sempre com um livro de viagem na mão! Calma, vocês dirão que em viagens todo mundo tem um guia de viagens, mas eu vejo uma sutil diferença, porém marcante, que tentarei explicar. Um dos livros de viagens preferido dos franceses é o Routard (palavra que equivale ao nosso "mochileiro"), e existe de tudo que é país e todas as cidades que os franceses gostam de visitar. Uma nova versão é lançada todos os anos. Nesse tipo de livro, o mais intrigante é que ele é completamente em preto e branco (com exceção da capa), impresso em papel jornal e não tem nenhuma foto!!! Ou seja, é só leitura mesmo! E isso eu acho que diferencia um francês de um outro turista comum: além de ler muito antes, ele lê durante a viagem!!!
Durante??? Isso!
A gente encontra o francês diante de um monumento ou parado em uma rua, lendo tudo sobre aquele local. Se ele está entre amigos ou família, um vai estar lendo em voz alta e explicando aos outros o que se passou ali. E imaginem a frustração se eles não encontram em nenhum livro ou nenhuma placa toda a história de tudo que se passou ou se passa por ali!!!

Em nossa viagem a Roma, lembro que eu estava sentada no pátio interno do museu do Vaticano e Sylvain estava intrigado com um globo terrestre exposto bem no meio do pátio. Ele não sossegou e foi procurar alguma informação, e eu fiquei ali sentada esperando. Vi centenas (ou milhares, pois fiquei quase uma hora ali!!!) de pessoas passarem por ali, fotografarem e partirem... Mas sempre que aparecia um francês, ele procurava no livro alguma informação sobre a obra, queria saber porquê ela estava lá, o que significava, etc... Eu ali sentada com um livro em francês na mão e todos vinham me perguntar se eu tinha alguma informação sobre o globo!!!

Então, eu diria que um francês não visita um momumento por visitar, ele se interessa porque em uma época se passou algo ali, porque tem toda uma história ou um ato de criação por trás.

E acho que esse tipo de curiosidade começa desde cedo. Mais tarde, nós estávamos na Igreja que abriga a escultura de Michelangelo (o Moisés), e um menino francês de uns 8 anos exclama maravilhado aos pais, em um francês rebuscado que não encontramos qualquer adulto:

"Eu já vi maravilhas nesses meus 8 anos, mas a beleza desta obra ultrapassa tudo que eu poderia imaginar..."

Na mesma viagem, mais tarde em Murano, visitando o museu do vidro, uma menina de uns 8 anos igualmente lia todas as fichas expostas e explicava para a mãe todo o processo de fabricação do vidro. A mãe a estimulava, fazia perguntas, a menina lia, buscava a resposta e respondia.

Para mim o livro de viagens (quando bem feito) é fundamental, pois vai me explicar, além de detalhes básicos (como os horários de abertura, dias e horários de gratuidade, por exemplo), os detalhes do que se passou naqueles locais, e então visitar o que mais me interessa! Um monte de pedras pode não significar nada para muita gente, mas quando sabemos que se tratam de ruínas de um local importante em um determinado momento da humanidade, esse "monte de pedras" começa a ter um outro significado no nosso imaginário.

No início confesso que achava esse tipo de livro (sem imagens) superchato, mas agora me acostumei tanto que não viajo sem!


Questões a debater (quero conhecer a sua opinião!):
- Vocês costumam pesquisar antes e/ou durante a viagem?
- Você acha que existe algo que se repete no comportamento dos viajantes do seu país (onde nasceu ou onde mora), ou reparou em algo típico de outros povos?

P.S.: Esse post não é um estudo sociológico do comportamento dos franceses, mas surgiu do que pude observar MUITO até então. Claro que vocês podem encontrar franceses por aí que não estão nem aí para o que se passou no local que estão visitando (ou então muitos que nem gostam de viajar, por exemplo), ou então um outro turista superconcentrado na sua leitura e em todos os detalhes...