quinta-feira, 21 de março de 2013

Os franceses são grossos ou mal educados?

Para as pessoas que comentam que os franceses são grossos, mal-humorados ou algo parecido, eu proponho um questionário:

1. Quando você entra em um estabelecimento (francês, mas pode ser em qualquer lugar do mundo), a pessoa diz "bom dia", você não se dá ao trabalho de responder?
Lembrando que "responder a um bom dia" pode ser com palavras, mas caso não fale o idioma, vale um sinal de cabeça ou um sorriso...

2. Você acha que é mais importante do que o seu interlocutor vendedor, garçon, recepcionista?

3. Ok, talvez não seja tão explícito assim, mas você acha que o seu tempo é mais importante e vale mais do que o dele?

4. Você acha que sempre precisam abrir uma exceção para você? Por exemplo, o restaurante está lotado mas precisam encontrar uma vaga para você, o cozinha está fechando e o cozinheiro indo embora, mas você precisa ser servido! O café da manhã é servido às 10h, mas você quer o café às 10h30! As lojas, as atrações ou os museus estão fechando, mas você quer entrar!

5. Você acha que o empregado que atende tem um cérebro de ameba? Muitas vezes são pessoas que estudaram em grandes escolas de Comércio (umas das mais reputadas) ou Hotelaria da França, ou pessoas com diplomas do ensino superior (ou estudantes) que trabalham para arredondar o final do mês ou porque ainda não encontraram um emprego na sua área. Ou seja, a maioria estudou, sim. Não é analfabeto.

6. Você acha que o empregado é um "zé ninguém" que é mal pago, passa fome e vive mal? Você pode se surpreender com tanta gente que tem casa própria, viaja várias vezes por ano ao exterior, tem uma vida cultural rica e diversificada... tem até mesmo o estudante de medicina filhinho de papai que trabalha para não pedir dinheiro aos pais!

7. Você diz que os franceses adoram "ralhar" ou "bufar", mas é o primeiro a reclamar de tudo e de todos na sua vida pessoal, muitas vezes levando isso para as redes sociais? O primeiro a soltar fogo pelas ventas em uma fila e bater insistentemente o pé quando acha que está demorando mais do que o devido? Na fila do banco, se o bancário pergunta à vovozinha como ela vai, você começa a bufar e revirar os olhos porque a consideração do funcionário com a vovozinha faz você perder o seu tempo?

8. Você só fala português, mas acha que se falar BEM alto as pessoas vão te entender? E aí começa a ficar BEM irritado quando percebe que ninguém te entende?

9. Ou você tenta falar seu francês macarrônico, mas acha que as pessoas estão de má vontade e não querem te entender?
Em francês, a pronúncia do e, é ou è, por para citar apenas esse exemplo, são muito diferentes, e um problema de pronúncia pode complicar todo o entendimento da frase! Eu agora já estou acostumada com as dificuldades específicas dos brasileiros com a língua francesa e consigo entender o que a pessoa "queria dizer", mas meu marido, com toda a sua boa vontade e convivendo atualmente com muitos brasileiros, mesmo ele me diz de vez em quando "não consigo entender metade das coisas que diz a sua amiga!" Não dá para ficar brabinho ou se sentir perseguido porque o francês não consegue entender o que se passa na sua cabeça e que você não consegue expressar com palavras!!!!

Você respondeu afirmativamente a pelo menos uma das questões?
Então a situação se inversa, você faz parte dos clientes mal-educados, grossos ou mal-humorados!!! 

Os franceses são geralmente tão educados, aprenderam a cumprimentar e de despedir de alguém com educação e usar sempre as fórmulas mágicas do respeito e consideração que esperam ser tratados da mesma maneira!!!

A verdade é que francês não leva desaforo para casa. O cliente foi estúpido? Vai ser tratado da mesma maneira. Muitas vezes o brasileiro não percebe que cometeu alguma "gafe" feia, pois não faz parte da sua cultura. Estou aqui há mais de 4 anos e posso contar nos dedos de 1 só mão o número de brasileiros (mesmo os que vivem aqui e já deveriam ter aprendido!) que usam a palavrinha mágica "por favor". Para muita gente no Brasil essa fórmula está em desuso, a gente ensina às crianças e depois esquece. Mas aqui é coisa séria!!! A gente pede uma garrafa de água, por favor, 2 passagens, por favor, a conta, por favor

Essa história do "bom dia" também é muito complexa! O vendedor diz bom dia, se não obtem resposta, ele insiste um pouco mais alto (vai ver a pessoa não entendeu), mas aí se é realmente ignorado, ele começa a ser sarcástico.

Convenhamos, o que tem de mais mal-educado do que chegar atropelando "onde fica a torre Eiffeil?", sem nem ao menos dizer bom dia antes?

"Bom dia, você saberia me informar, por gentileza, onde fica a torre eiffeil? Estou um pouco perdida" (com um sorrisinho). Já testei centenas e centenas de vezes essa fórmula e tenho certeza que ninguém resiste!!!

P.S.: Ninguém está livre de se deparar com uma pessoa mal-amada, em Paris ou qualquer lugar do mundo, se isso acontecer, aconselho a seguir o seu caminho sem dar atenção. A não ser que você seja realmente uma alma muito boa e queira ajudar, já que uma pessoa assim obviamente tem problemas!!!

Quer saber mais sobre os franceses? Se eles tomam banho?

12 comentários:

Luana disse...

"Você respondeu afirmativamente a pelo menos uma das questões?" Não... Jamais!
Mas ja trombei com pessoas muito grossas na Franca sim... como tb aqui na Bélgica e na Suécia e, claro, no Brasil.

Line disse...

Bom, a única experiência que tenho com franceses é no aeroporto Charles de Gaulle e olha, foram todas experiências ruins. Entendo que deve sr cahto ter que ficar ajudando gente perdida no aeroporto, mas acho que se não estão felizes, não deveriam estar ali.

Já na Holanda o atendimento na grande maioria dos restaurantes é um lixo. A maior parte dos atendentes são estudantes que estão ali por estar, apenas pra ter um reforço no final do mês e geralmente são pessoas sem treinamento e o pior: desinteressadas, não estão nem aí se o cliente está satisfeito.

Eu acho que um bom atendimento é tudo, é o grande diferencial, e lidar com pessoas não é fácil mesmo: nem no restaurante, nem em projetos, nem em escolas, nem na França e nem em lugar nenhum no mundo.

Aqui no trabalho às vezes tenho vontade de mandar o cliente pra bem longe, mas me seguro porque no final das contas é dali que vem o lucro. Então eu penso 2x, respiro fundo e sigo em frente.

Perder a paciência, dar respostas mal educadas, não levar desaforo pra casa…só em último caso. E ainda correria o risco de ser mandada embora, rs.

Na minha opinião lidar com pessoas é uma arte dominada por poucos...

Claudia Kazete disse...

Oi Mi!

Escuto muito falarem dos franceses... que eles são grossos, que eles não gostam de falar em inglês com os estrangeiros, que isso, que aquilo... Entretanto, este seu post mostra realmente o dia a dia... não é que eles são grossos, é que eles, em geral, são educadíssimos! E dependendo da cultura (como a nossa brasileira em que a gente já chega falando, sem falar bom dia) vai claramente existir o conflito.

bjs

Helen disse...

Acho que é mais um dos momentos de "diferenças culturais"...
Vivo lembrando aos meus pais que, aqui nos EUA, a gente precisa colocar o "please" e usar "may" ao invés de "can" quando pedimos algo para alguém ("May I please have bottled water?" ao invés de "Can I have bottled water?") Minha mãe, que é uma das pessoas mais gentis que conheço, até hoje tem dificuldade com isso, pois no Brasil, o tom que a pessoa usa muitas vezes já é o suficiente para o pedido ser educado...principalmente no Rio, cidade super informal.
Me lembro que vários amigos meus latinos comentaram que acharam o povo alemão e suiço bem grosso...Eu (que, em geral, sou vista como "grossa" no Brasil), adoro interagir com suiços e alemães! Pelo seguinte: eles não são grossos, são objetivos e diretos! (assim como eu) e no Brasil, muitas vezes isso é visto como mal-educado/grosso...o educado é puxar papo, trocar algumas amenidades, e só depois responder a pergunta. Já na Alemanha/Suiça, jogar papo fora é visto como uma falta de respeito com o tempo do outro...
Enfim, são diferenças culturais...Particularmente, gosto de observar essas diferenças :) Acho que é uma das coisas interessantes de conhecer o mundo e outros povos.
Beijinhos e bom final de semana!

Enaldo Soares disse...

Eu achei os parisienses bem educados e simpáticos quando aí estive. Os londrinos o são ainda mais.

Mas não sei se poderia dizer o mesmo dos italianos e moscovitas...

Gisley Scott disse...

Eu também escuto muitas coisas dos americanos, que são isso e aquilo, mas os americanos tb não aceitam certas coisas do tipo a pessoa chegar atrasada em reuniões/eventos/almoços ou jantares.Para eles é extremamente falta de educação ou chamar para vir almoçar na sua casa e ele chega e vc ainda nem começou o almoço. Isso muitas vezes é visto como que eles não investem nos relacionamentos porque tem hora para tudo, mas na cultura deles,é um desrespeito ao tempo pois eles não tem só você o dia todo na agenda deles.

Trabalham e estudam a semana inteira, então o tempo que tem é preciso dividir entre lazer,igreja[caso ele professe uma determinada fé/filosofia],coisas de casa e todas as outras obrigações que ele não teve tempo de fazer na semana.

Também já ouvi os brasieiros dizerem que eles são mal educados[americanos],mas os americanos vêem os brasileiros por aqui como gente que não quer crescer profissionalmente, não quer falar inglês, se acham os donos da verdade e só querem ficar naquela bolha brasileira dentro do país.Uma vez uma brasileira veio para o processo de seleção na empresa onde eu trabalho e meu chefe estava fazendo a orientação e explicando certas coisas sobre como a cultura americana ver o conceito de dinheiro, educação, etc. Bom ela simplesmente ficou cortando ele no meio da apresentação, querendo falar,discordando dele, começou a arrumar as coisas dela e meu chefe diz: você precisa ir? sem problema! Bom, pegou as coisas dela e se mandou!

Fiquei morrendo de vergonha pois eu tinha dito à ele que ela era brasileira.Às vezes os próprios brasileiros dão má fama à si mesmos e não sabem porque os nativos respondem da maneira que respondem.Entendo que nem todo nativo é santinho, tem americano, francês, alemão, suíco, e estrangeiro que não vale o que gato enterra mas eu acho que é de surprema importância que a pessoa compreenda a dinâmica naquela cultura ao invés de esperar que os outros se adequem à cultura deles.

Bjos

S. W disse...

Olha, eu já fui a França duas vezes e não tive lá uma certa boa impressão com o humor dos franceses. Uma vez uma velhinha começou a nos xingar na rua, apontar e eu juro que não entendi porque, depois ela olhava pra tráz e xingava mais ainda.

E outra estava com marido e uns amigos tomando sorvete na porta do supermercado e aparentemente uma senhora ficou nervosa porque era na porta, e também começou a gesticular, rosnar, xingar...

Mas sei lá, talvez seja só saco cheio dos turistas.

beijos

Vania Wolf disse...

Falou tudo!! concordo plenamente com vc, antes de ir pra Paris, lendo dicas de blog, fiquei um pouco assustada e com medo, pois só lia coisas super negativas sobre o humor dos parisienses.
Já que cheguei lá, na imigração do Charles de Gaulle, cheguei dando um Bonjour Monsieur!! O cara abriu um sorrisão e quando entregou meu passaporte, vendo que eu era brasileira ainda me deu um "Bom dia" cheio de sotaque rsrs
Mas foi assim durante a semana toda, eles extremamente simpáticos e bem educados (coisa que muitos brasileiros não são e muitos turistas se acham na razão de tudo), e não precisa fazer curso de francês não (eu fiz, mas pq adoro!) só decorar: bonjour, s'il vous plait, pardon e até um bonne journée !!
realmente tudo o que eu já tinha lido sobre eles veio abaixo, totalmente outra coisa, seu post é perfeito, é o que eu tento explicar pra todo mundo que vem com essa história de francês mal educado pro meu lado, defendo eles com unhas e dentes sempre!!!

Parabéns!

Beth Blue disse...

Ótimo post, Milena! E nas duas vezes que estive em Paris (duas semanas ao todo), não tive nenhuma experiência com francês mal educado!

Por outro lado (tenho até medo de dizer), o que tem de turista brasileiro mal educado aqui em Amsterdam não é brincadeira. Daqueles que tem dinheiro mas a educação passa longe. Arrogantes e tratam os funcionários da loja como empregados mesmo (a tal cultura brasileira). Muito triste isso.

Eu como moro há 18 anos na Europa, quando ouço como os brasileiros falam das empregadas domésticas fico surtada! E quando vejo como alguns tratam as empregadas no Brasil, fico triste mesmo. Enfim, são resquícios da escravidão né?

O mesmo ocorre com a forma como tratam os funcionários no comércio e em restaurantes. Dá até vergonha de ser brasileiro. Felizmente, existem exceções!

Muito bom este post, viu?

Beth Blue disse...

Vania Wolf disse tudo: trate as pessoas como deseja ser tratado. Aqui é regra fundamental de sobrevivência, cliente que chega gritando e exigindo isso e aquilo eles nem atendem!

O segredo é mesmo chegar com um sorisso no rosto e dar logo um Bom Dia. Daí pra frente, tudo se resolve. Eu não tive problema algum em Paris, até porque sempre tentava falar meu francês enferrujado e eles apreciam o esforço do turista!

Jeh disse...

Oi Milena, tem alguns dias que eu vi esse teu post e ainda não tinha conseguido responder...

É complicado...a mais pura verdade. Brasileiro adora falar mal da cultura dos outros e não olha seu umbigo. Semana que vem já vai completar 3 meses que cheguei e meu nivel de frances é bem básico, ainda estou terminando o nivel debutant mas até agora não tive problemas com os franceses, as palavras mágicas bom dia, por favor e obrigada aparecem em meu vocabulario e nunca fui alvo de má educação... pelo contrário, vira e mexe ainda ouço um: sem problemas eu te entendo muito bem, de onde vc é?...
Ultimamente ando aprendendo até um pouco do costume suíço também...


enfm...

beijo

Crigina disse...

Fico mais tranquila sabendo disso, Milena, porque fica muito bem explicado que os franceses são as "vítimas" taxadas de "algozes" da educação. De fato, há muito brasileiro mal educado. Em geral são aqueles de classe média alta que acreditam viver como uma classe social que deve ser sempre tratada como V.i.P, claro. Uma lástima e revoltando ter que lidar com gente sem-noção e arrogante.