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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Os franceses e o hábito dos objetos de segunda mão

Existem várias coisas que admiro nos franceses, e uma delas é a paixão deles pelas feirinhas de objetos de segunda mão e a capacidade de recuperar coisas que para outros seriam lixo e iriam para o mesmo (sem volta).

Explico melhor:

- Além das feiras de antiguidades, com objetos de um certo valor, aqui é muito comum os  "vide-grenier" ("esvaziar-sotão"). O principio é bem simples: os moradores se inscrevem na data estipulada (geralmente 2 vezes por ano) e montam seu stand e vendem tudo que é tipo de coisas que não servem mais. Pode ser roupas de criança (ou de adultos), bichos de pelucia, discos, livros, artigos de decoração, TUDO. Os preços são geralmente irrisorios (tudo vai depender da qualidade/tempo de uso).
Já ouvi muitas brasileiras que moram aqui chocadas com essa prática, elas não entendem a razão de vender roupas de bebê por 2 euros, não estão "precisando a esse ponto", e dizem que preferem doar.
Eh verdade que na nossa cultura brasileira temos o costume de doar o que não serve mais e pensamos que vender seria coisa de "pessoas passando por dificuldades", e ainda por cima quem iria querer comprar? Sem falar na falta de higiene, para muitos...
Questão de cultura mesmo! Eu jah acho muito legal vender por um preço irrisorio, pois acredito que muitas vezes quando algo é recebido de mão beijada não se valoriza. Sem contar que o objeto recebe uma segunda vida, é escolhido por alguém que gostou e que deseja aquele objeto. 
Ainda por cima é um momento de integração social esse de passar o domingo no seu stand vendendo seus objetos e conversando com os vizinhos, comendo uma linguiça grelhada... Classe média brasileira não entende mesmo.
(Vale lembrar que tem muita gente que doa também.)

- Uma vez, no Brasil, meu marido precisava de papelão para uma atividade de lazer/pintura que estava realizando com as crianças e como não tinha nada na casa dos meus pais, saimos para dar uma voltinha e voltamos com umas caixas de papelão que os vizinhos tinham jogado fora. 
Minha mãe (que é uma pessoa simples), achou o nosso comportamento muito estranho, "o que os vizinhos vão pensar, que eu venho de Paris para catar lixo?"
Ela não chegou a formular o preconceito completo, mas imagino que ela ficou com vergonha que os vizinhos pensem que virei "papeleira" na Europa!

No inicio eu também devo ter achado estranho, até me dar conta que realmente é um crime a quantidade de coisa que se joga fora, uma catastrofe ecologica!!! Objetos em bom estado, para que jogar fora?
Na nossa mudança há alguns anos, todas as caixas que usamos foram recuperadas na calçada, que as pessoas deixam bem organizadinhas e limpas. Alguns amigos nossos pagaram uma fortuna por caixas "novas" que são vendidas no comércio. Soh que o problema é que quem não se importa em pagar também não se importa com o meio ambiente!

Até mesmo onde eu trabalho, que é um bairro bem chiquezinho, todos os dias por volta das 19h as pessoas passam e vão recuperando tudo: caixas de papelão e de madeira, cabides (bons), tudo que é tipo de artigos de papeis e decoração. Tem coisas que nem sei para que serviria, mas meu marido sempre tem idéia para alguma coisa. Hoje comentei com ele que vi pessoas bem arrumadas pegando tudo que era tipo de cartazes e ele me disse que o papel é de excelente qualidade e muito bom para pintar por cima. 

O que você acha dessas praticas? Comprar/vender objetos usados e recuperar objetos jogados fora fazem ou poderiam fazer parte da sua realidade?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Questão de pontos de vista

Hoje cheguei na academia e uma mulher estava comentando com outra que não foi malhar ontem pois seu filho, que mora na China, tinha chegado de viagem. Uma outra interrompe a conversa para perguntar onde ele morava. Em Shanghai. E ela diz:
- Meus filhos gêmeos foram visitar um amigo expatriado em Shanghai e odiaram a China! Os chineses são de uma vulgaridade!!!
- Sim, sim, são muito vulgares! Meus filhos são loiros de olhos claros e eram apontados nas ruas, todos queriam fotografá-los! Sem contar que os chineses cospem nas ruas!!!
- Mas é necessario conhecer a cultura e entender o contexto.
- Não me interesso por essa cultura e não quero colocar os meus pés lá!

Essa mulher que não amava a China (e que tem todo o direito!!!) continuou largando o seu veneno, enquanto a outra passou a ignorá-la completamente e continuou a conversa com a amiga do início. Ainda ouvi que seu filho vem à França 4 vezes por ano e a cada vez ele diz que não troca a China por nada, que adora o povo, que é acolhedor e sorridente. Ela esteve várias vezes na China ao longo desses ultimos anos e também comentou o quanto ela gosta de observar as pessoas dançando à noite nas praças ou praticando Qi Kong pela manhã.

Durante todo o tempo fiquei me coçando e quis entrar na conversa, mas fiquei só escutando. O objetivo não é falar da China, mas exemplificar o que para mim é muito importante: viajar exige uma grande abertura de espírito. Ainda mais se for para visitar locais com costumes e culturas tão diversificadas!!!

Por isso sempre aconselho uma boa preparação antes da viagem, através de leituras (livros, guias de turismo, blogs, etc) e conversas com pessoas que moram ou estiveram lá, para termos uma idéia de que terreno estaremos pisando. Evita muitos mal-entendidos!

Meu marido recebeu uma colega em formação, e quando ele disse que era casado com uma brasileira, ela disse que teve uma relação de 3 anos com um brasileiro, que esteve no Brasil e odiou as pessoas! Ele, muito surpreso, tentou descobrir a razão, já que a imagem que se tem é dos brasileiros como um povo muito agradável! Mas para ela, os brasileiros eram MUITO sorridentes, MUITO simpáticos e tentando agradar, que na cabeça dela era tudo falso!!! Ela achava que não era normal que brasileiros que ela via pela primeira vez já a abraçassem demoradamente, dissessem "você é linda", e "a casa é sua" (ela fala português)

E sobre os chineses, realmente viajei pensando que encontraria pessoas cuspindo para todos os lados, mas para a minha surpresa eram poucos que faziam isso, geralmente pessoas que víamos que não eram "da cidade", mas de origem camponesa. São hábitos que aos poucos vão se perdendo. E por falar nisso, aqui na França vejo muitos estrangeiros (não chineses) de origem mais humilde fazendo isso, sem contar que também vi esse mesmo comportamente em todas as cidades brasileiras que tive a oportunidade de visitar a trabalho, estudo ou lazer. Quem nunca viu e acha que é um comportamento exclusivo dos nossos amigos asiáticos, provavelmente nunca saiu da sua bolha!!!

#pronto#falei#

Mas como eu disse, são pontos de vistas diferentes. Uma mesma experiência pode ser vivida e sentida de formas diferentes para cada um dos envolvidos. Enquanto os tais dois loirinhos se sentiam muito mal com os olhares e holofotes sobre eles, nós levamos tudo numa boa e jogamos o jogo, sorrindo, fotografando, trocando palavras ou gestos. 


E posso dizer que aprendi muito com essa experiência, que foi uma das mais enriquecedoras da minha vida.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Rata de biblioteca e as bibliotecas na França

Etes-vous comme moi un véritable petit rat de bibliothèque ? J'y passerais des heures !*
*Você é como eu, uma verdadeira rata de biblioteca? Eu passaria horas e horas em uma!
Não esqueca de visitar a biblioteca Strahovsky de Praga!

          Sempre adorei bibliotecas e nesse aspecto a França é o paraíso para mim!!! Se antes era um prazer, aqui para mim é uma necessidade... Pois apesar dos livros serem baratos em comparação aos preços no Brasil (sem contar as opções de livros usados por preços muitas vezes irrisórios), com o espaço físico reduzido aqui em casa, não posso ficar acumulando... E também como quem tira o pó sou eu, então penso mais de duas vezes antes de comprar! Praticamente todo parisiense (ou que mora em Paris) tem a sua carteirinha da biblioteca, até mesmo as crianças!
         Paris conta 58 bibliotecas municipais, algumas delas especializadas (cinema, línguas, música), e podemos nos inscrever gratuitamente e levar para casa livros, revistas, partições e métodos de idiomas. Basta apresentar um documento de identidade e um comprovante de residência.
         Já para ter acesso aos DVDs e Cds, o preço anual (em paris) é de 61€ para o primeiro e 30,50 € para o segundo, o que, convenhamos, não é nenhuma fortuna! (ainda temos sorte que por Sylvain ser funcionário municipal em Paris, ele é isento dessa taxa). Os horários de atendimento são geralmente bons, bem variados (alguns dias fica aberto até mais tarde, abre aos sábados, e algumas abrem mesmo aos domingos). 
         E como se não bastasse, ainda moro BEM em frente a uma biblioteca/ mediateca bem equipada, e aqui na minha cidadezinha todos os empréstimos são 100% gratuitos!
São disponibilizadas obras para todos os gostos, desde os mais simples até os mais requintados: obras filosóficas, artisticas, grandes romances ou auto-ajuda, turismo, história... Até mesmo decoração, costura, tricô...

          Esses eu trouxe para casa ontem... difícil não voltar com os braços cheios! Alguém aqui já tinha me perguntado como escolho livros... Acho que vou por associação livre... Gosto de tocar os livros, as vezes escolho pela capa ou pelo título... geralmente nunca leio o resumo atrás...

           Escolhi o filme "Orgulho e Preconceito" pois recentemente li o livro da Jane Austen de mesmo nome que tinha recebido como presente, não posso dizer que gostei... Amei!!! Fiquei grudada do início ao fim, chorei... e fiquei tão triste que tenha terminado, pois não queria me separar nunca do livro...
           Cabrel em DVD porque sou apaixonada por esse cantor francês (ops, quero dizer, por suas músicas e sua voz)... Shakira recentemente regravou uma de suas canções (je l'aime à mourir), metade em francês e metade em espanhol. Prefiro ainda mil vezes a versão de Francis Cabrel!
           Dona Léon cujos livros sempre via nos cartazes de lançamentos no metrô parisiense... Americana, ela mora há anos em Veneza e todos os seus livros (policiais) se passam nessa cidade... A gente começa a conhecer Veneza como a palma da mão! Seus livros são mesmo vendidos nas boutiques dos museus de Veneza.
         Do Irvin Yalom adorei "Mentiras no Divã" e "A Cura de Schopenhauer", mas esse "Quando Nietzche chorou"  alguém tinha me emprestado no Brasil, mas nunca consegui terminar (comecei a ler durante um final de semana, o livro estava disponível na casa dela, de pois fui embora), e agora quero realmente ler do início ao fim.
          A Bela do Senhor li quando tinha uns 14 anos, então não posso dizer que captei tudo... Livro difícil para mim na época, mas que me fez sonhar em conhecer Genebra. Recentemente quando li "Heureux évenement", em determinado momento citava essa obra literária. Fiquei com ainda mais vontade de reler... mais de 700 páginas, espero sobreviver!
       Queria ler algo de filosofia, estava em dúvida entre Wittgenstein (de quem lembrei visitando recentemente um museu em Munique) e Schopenhauer, ambos me marcaram muito em minhas aulas de Epistemologia da Psicologia (principalmente pela minha nota "limite"!). Mas escolhi o segundo e da próxima vez fico com uma obra de Wittgenstein e uma biografia sua.
          O guia da Alemanha foi o um dos que usei em Munique, renovei para não esquecer os nomes dos lugares e poder contar tudo aqui para vocês! E não riam de mim com o russo, mas provavelmente precisarei dizer "bom dia", "obrigada" e, se não for pedir muito, assimilar o alfabeto russo, dito "cyrillique" em menos de 2 meses! Ao trabalho!!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Moda Gestante da França

Bem, não chego a estar obcecada por esse assunto mesmo que o último post sobre o tema possa ter deixado transparecer, mas há tempos queria escrever sobre o quanto eu me espantei, chegando na França e encontrando em todos os cantos referências à maternidade! 

Também sempre fiquei surpresa que em muitas lojas existem sessões específicas para as futuras mamães, para a pura felicidade delas! Encontramos roupas adequadas à esse período da vida da mulher desde lojas baratinhas como H&M, C&A, até lojas de maior qualidade e preços menos bon marché (barato), como GAP. isso apenas para citar algumas!

Posso estar muito mal informada, mas até alguns anos no Brasil era muito difícil encontrar roupas para gestantes, tudo estando concentrado em pouaquíssimas (e caras) lojas especializadas. A maioria das grávidas que eu conheci tinham a escolha entre tentar se virar com roupas fabricadas para mulheres em estado de "não-gravidez" ou então os macacões de gestantes caríssimos e que elas nunca mais usariam na vida!

Bom saber que se um dia eu decidir engravidar, ao menos poderei me vestir bem sem ir à falência!!! Vai a dica para quem precisa dar uma equipada no guarda-roupa!

Vitrine da Gap de setembro/2011 (para provar que a idéia do post é meio antiguinha!)

Uma particularidade que vejo por aqui é que raramente veremos uma gestante de barriga de fora. mesmo na praia é raro... Tenho a impressão que os franceses até acham um pouco "obsceno". Eles nunca me falaram isso diretamente, foi apenas uma impressão vendo a cara deles e os comentários cada vez que viam uma grávida mostrando a barriga. E aquelas fotos de estúdio, tão famosas no Brasil mostrando a evolução da gravidez ou os últimos momentos. Já comentei sobre filmar o parto com alguns, que me olharam boquiabertos...

E então, o que vocês acham? A moda evoluiu no Brasil para as gestantes? E como funciona onde vocês vivem.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O que não pode falta aqui em casa!

A idéia de escrever esse tópico surgiu ao ler o blog da Amanda que fala de Paris e da vida na França. Não é o meu gênero "copiar" assim, mas achei a idéia tão legal que não resisti!!! Copiei a idéia, mas o conteúdo é diferente, espero que ela não leve a mal !?!

1. Lardons: prefiro o defumado ! Eh bem baratinho e serve para tudo, e mesmo para quebrar o galho quando não tenho tempo e estou sem inspiração para cozinhar. Uso sempre que "faço" feijão: refogo os lardons com cebora e alho, depois misturo a lata de feijão vermelho já pronto e se tiver coloco também um cubinho de caldo de feijão. Fica uma delícia, feijão com gosto de novinho (pois sempre só comi feijão no primeiro dia) e rapidinho de fazer. Acompanho com arroz branco e até Sylvain e a minha cunhada viraram fãs e me pedem para fazer!
Também refogo da mesma forma mas depois acrescento crème fraîche (como creme de leite) e fica um excelente molho para massas. Eu olho bem a etiqueta para ver o que eles misturam dentro para dar esse gostinho de defumado. Atenção quem não gosta ou tem preconceito em relação aos porquinhos, pois é carne de porco.

2. Feijão em lata: aqui se acha facilmente em lata o feijão vermelho e o branco, mas sempre uso o vermelho para a "receita" acima. Não pode faltar na minha despensa!!! Enxaguar bem antes de usar para retirar o excesso de sodio.

3. Salada em saquinho: Como só eu como salada aqui, não vale a pena comprar um pé de alface ou uma outra salada, pois em 2 dias ela está velha e murcha... Então eu compro a salada já lavadinha, às vezes picada (como eu gosto!) e com a vantagem de ter varios tipos de saladas misturadas.

4. Saumão defumado: adoro salmão, e defumado é bem pratico e pode ser utilizado de diversas formas. Corto em tirinhas para as minhas saladas (que então é meu prato principal e único na refeição). Também pode ser servido como entrée (entrada) acompanhado de pão ou sobre o pão. Uso em salada fria de massa, sem molho, ou quente com creme de leite como molho para massas quentes. Também faço risotto de salmão!!!
5. Haricots Verts (vagem) congelado: prefiro os da marca Picard, vendidos na loja do mesmo nome. A vagem é o acompanhamento por excelência no prato dos franceses! Gosto de ter os meus congelados e assim uso quando quero! Geralmente vai ser quando almoço sozinha, então cozinho a vagem como acompanhamento de um peixe ou peito de frango, ainda mais agora que voltei a me preocupar com o peso. Eh superprático de usar, e a minha forma preferida é reforgar a vagem com um pouco de cebola picada e uma colher de azeite de oliva e comer quente. Também dá para colocá-los alguns segundos em água fervente e depois escorrer, servindo frio ou quente. Ou então fazer uma mistura com batatas, excelente acompanhamento para peixes!
6. Salada de atum: acho "uma mão na roda" quando decidimos fazer um pique-nique (e agora com o bom tempo acontece seguido!), ou então quando não tenho tempo para almoçar, saindo da academia ou outro compromisso e indo direto para o trabalho. Existem de vários tipos: de arroz, massa, batatas, vários tipos de legumes e são bem equilibradas, além de conter em torno de 300 calorias. Procuro marcas sem conservantes ou com ingredientes "do bem".


7. Gosto muito de ter molho de tomate pronto para quando me falta tempo, mesmo se prefiro fazer eu mesmo o meu molho fresquinho. Uso várias marcas, mas aquela que realmente não pode faltar é a da marca Panzani, do tipo Provençale, bem simples e tradicional. Gosto dessa marca pois o gosto é bem natural e também não tem conservantes.
8. Compota de maçã: gosto de comprar o pacote com essas embalagens individuais, muito usada para crianças mas muito prática para adultos, pois podemos comer em qualquer lugar, não precisamos de colher. Costumo ter sempre uma na bolsa para comer como sobremesa (após a minha salada de atum!), ou para lanchar no meio da tarde. Existem várias marcas, mas prefiro a da marca Andros, e compro o pacote com 20, sabores misturados (maça sozinha ou misturada com pera, damasco, morango). Sem convervantes, igualmente.

9. Mostarda: creio que a mais conhecida é a moutarde de dijon (em referência à cidade), mas ela é muito forte na minha opinião, da primeira vez eu não consegui comer e saí soltando fogo pelas ventas como um dragão!!! Então comecei a comer a moutarde douce (não, não é doce, mas "suave"). Logo passei para a moutarde à l'ancienne (com grãos, bem fácil de reconhecer na embalagem), a minha preferida, mas adoro todas, e agora até como a de Dijon, sem problemas! A mostarda é sempre acompanhada com a carne (mas tem gente que gosta e outros não, eu já me acostumei e agora vou até comer o churrasco gaúcho com mostarda, coitado do meu pai, ficará horrorizado!).
Mas ela é muito usada de outras formas: no molho vinagrette para saladas (azeite, vinagre e mostarda, geralmente), no cozimento de escalopes de frango com creme de leite (fica o molho mostarda). Tem um prato muito conhecido, lapin à la moutarde (coelho com mostarda), nunca comi, mas acho que deve ser bom esse tipo de forma de cozinhar: lambuza-se o bichinho com mostarda (morto, claro!) e depois coloca-se para assar. Também uso a mostarda para substituir a maionese ou manteiga/margarina no sanduíche. Para quem nunca provou a mostarda francesa, o gosto não tem nada a ver com o gosto químico da mostrada americana. Agora nem consigo mais comer a mostrada americana.

10. Suco de laranja pronto: muita gente já ficou escandalizada pois eu consumo suco de "caixinha", ou seja, pronto! Mas não qualquer um, claro! Diferente do Brasil, onde os sucos "em caixinha" de boa qualidade são raros, na França encontramos facilmente sucos 100% frutas, nada de concentrado, nada de água e sem adição de açucar. Os meus preferidos são de laranja da marca Tropicana e Innocent, mas outras marcas boas são Joker, Pampryl e Andros. Quando elas não estão em promoção, compro da marca Carrefour ou Monoprix. E também gosto de suco de uva (100% natural), mesmo a marca mais barata do supermercado Leader Price é boa.
Porém cuidado, evitem sucos à base de concentrado ou o que eles chamam "néctar", que de suco natural não tem mais nada. 
Calculei esse mês (do 20 de abril ao 20 de maio) os nossos gastos com supermercado e o mesmo ficou em 250 euros. Achei um valor bem irrisório, considerando que somos (atualmente) 3 adultos, compro muitos produtos de marca e considerados caros, e realmente compro muita coisa, sou compulsiva em supermercado! Por exemplo, comprei mais de 30 saladas de atum pois estavam em promoção, 24 litros de suco de laranja... Então tenho um estoque considerável aqui em casa...

E você, o que não pode faltar na sua lista de compras, e você gasta muito com supermercado?


Você é gourmet ou gourmand ? Então podera gostar dos outros tópicos relacionados à alimentação:

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

França rural

O salão da Agricultura que terminou ontem em Paris mostra um lado da França que muita gente não conhece e muitas vezes nem imagina, que é o lado rural e o homem (ou mulher, ou criança) do campo francês. A verdade é que mesmo a agricultura tendo perdido seu peso econômico nos últimos 40 anos (como aconteceu no mundo todo), 35% da população francesa (ainda) vive em cidades com menos de 3500 habitantes, enquanto apenas 15% vive em cidades com mais de 100 mil habitantes.

Candy, essa linda vaquinha de 4 anos e 650 quilos de raça vosgienne (da região des Vosges, na França), foi a escolhida para representar o Salão Internacional da Agricultura de 2011.

Quando a gente pensa em França, imagina direto Paris e a sua banlieue (periferia), a loucura do trânsito, dos transportes públicos, pessoas apressadas, etc., mas essa é a realidade de uma pequena parcela dos franceses. Existe uma outra parcela (muito maior) de franceses que vivem em suas cidadezinhas e morrem de medo da "cidade grande", que nunca vieram à Paris, ou se vieram, evitam de voltar, que não gostam da agitação da capital e das cidades maiores e preferem continuar a viver no interior.
O mais engraçado é que eu que não sou daqui, acabo virando guia turistica para francês do interior!!! Volta e meia quando vem alguém da família ou amigos do Sylvain à Paris, eu que acabo tendo que ajudá-los a se virarem por aqui... E engraçado também é que cada vez que viajamos na França, para os moradores locais eu sou uma parisiense. Isso não chega a ser um elogio da parte deles, mas muda um pouco o meu quotidiano, pois aqui em Paris eu sou sempre um ser de outro mundo uma estrangeira (e quando temos que dar satisfação da nossa vida e origem 50 vezes por dia acaba cansando!), e quando me consideram uma "deles", mas de outra região, até que fico bem contentinha!!!

P.S.: Eu que sempre quis negar minha infância "rural", hoje sinto uma falta imensa principalmente do contato com os animais e a natureza.

Fonte:
Revista Le Point do dia 13/01/2011, Spécial Les Français (número 2000).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Rainha por um dia

          Épiphanie é o dia em que se comemora  a visita dos Reis Magos ao menino Jesus. Seria o nosso dia de Reis, que no Brasil é comemorado no dia 6 de janeiro. Até aí tudo bem!
          Acontece que para a minha surpresa, esse ano l'Épiphanie caiu no domingo 2 de janeiro! Depois de uma certa discussão, pois metade das pessoas com quem falei juravam que era no dia 6, metade dizia que era mesmo nesse domingo, vimos uma reportagem nos noticiários com representantes da igreja católica (na França) que dizia que devido ao fato de o dia 6 de janeiro não ser um dia feriado, ao longo dos anos pouquíssimos fiéis assitiam à missa nessa data. Então, estratégicamente a data passou a ser celebrada no segundo domingo após o Natal!

          Mas qual é a importância do dia de Reis? Para quem não é muito religioso, nenhuma. Mas mesmo a França sendo um país que perde aos poucos a sua tradição cristã, uma tradição persiste nesta ocasião: a Galette des Rois (torta ou bolo dos Reis)! Gulosa como eu sou, não pode faltar na minha mesa a cada início de ano!

         
          Trata-se de um "bolo" de massa folhada, recheado normalmente à la frangipane (com amêndoas, mas pode ter outros recheios, como maçã, morango, framboesa, etc). A galette é cortada em diversas partes e existe um pequeno bonequinho (fève) escondido no bolo. Geralmente a pessoa mais jovem à mesa decide a quem distribuir cada parte. O premiado com a fève recebe uma coroa e deve utilizá-la.
          Posso dizer que já participei desse jogo muitas vezes, e mesmo bobinho, é bem divertido! Dessa última vez, eu fui a sorteada, fui rainha por um dia!!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Le Père Noël Brésilien*

          Aproveito esses dias antes do final do ano para ainda falar do Natal, já que achei o assunto muito interessante e não queria esperar o próximo Natal!!!
          Muitos de nós aqui nessas terras frias já fomos surpreendidos com as seguintes questões:
- No Brasil também se comemora o Natal?
- No mesmo dia?
         Essas curiosidades, quando são curiosidades mesmo e colocadas de forma respeitosa sempre me deixam com bom humor. Adoro quando se interessam pelo meu país e os nossos costumes!
          Mas uma coisa que tenho dificuldades em fazer francês entender é que no Brasil (como em todo o hemisfério sul do planeta), as estações do ano são invertidas! Por exemplo, quando é verão aqui, é inverno no Brasil (ops, esqueci que em algumas regiões do Brasil não é inverno nunca!!!), e consequentemente, no final de ano, pleno inverno europeu, no Brasil é verão. Quando enfim consigo fazê-los entender essa diferença, eles ficam ainda mais curiosos e nos fazem ainda mais perguntas...
          A mais engraçada que tive que responder nesse sentido foi a dúvida do Sylvain em relação ao Papai Noel. Ele me olhou bem sério e me disse (tradução aproximada do francês original):
- Se faz geralmente um calorão no Brasil, não é meio rídiculo o Papai Noel chegar de trenó, vestido com roupas de pólo norte e descer pela chaminé?
          Hmmm, nessa ele me pegou!
          Trocando experiências na minha comunidade orkutiana preferida, surgiu-me a idéia de pedir ao Sylvain um desenho de como ele imaginava o Papai Noel brasileiro. Não fiquem bravos com ele, juro que ele é do bem!
Aqui vai o desenho:
* O papai noel em francês.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Experiências de Natal

           O Natal chegou e foi embora com uma rapidez inacreditável! Todo ano é assim, nada mudou, mas eu esqueço! Tanta expectativa, tanta programação, tanta correria... Para algumas horas que passam tão rapidamente e deixam na boca um gostinho de "quero mais". Mais um motivo para aguardar com impaciência o próximo final de ano!
          Mas aqui em casa já é o terceiro ano que se repete o mesmo problema: sonhamos com uma linda árvore de natal, queremos enviar cartões aos amigos e familiares, mas o tempo passa tão rápido, estamos tão absorvidos no trabalho, atividades mil e em correrias administrativas que acabamos deixando de lado esses detalhes simples da vida (que fazem a diferença), como montar a árvore de Natal e reservar um tempo para escrever palavras de carinho aos próximos (então, se você não recebeu a sua cartinha de Natal, o problema não é com você, mas conosco aqui do outro lado!)
          O que tem mudado ao longo dos últimos anos é a forma de festejar o Natal (e todas as festas, enfim). No meu primeiro ano, tudo era novo, e fomos festejar a data com a familia do Sylvain* na Normandia. Foi minha primeira vez lá, apaixonei-me pela região, pelas pessoas e pelos costumes. Mas um detalhe não me escapa: não é a minha família, e mesmo agora, ao fio dos anos, não vejo como tal. Passamos o Natal na casa de Nicolas e Elodie, respectivamente irmão e cunhada do Sylvain. O jantar estava impecável, como poderíamos imaginar, pois Nicolas é cozinheiro! Como previsto, meu presente de natal a todas as mulheres foram écharpes confeccionadas por mim mesma. Todas ficaram muito contentes, algumas usaram no mesmo dia, outras preferiram vestir o acessório no dia seguinte.
          Para combinar com meu vestido simplezinho que comprei na Zara (único elemento que consegui comprar na Zara até então), fiz uma écharpe especialmente para a ocasião... Na minha opinião, foi o acessório que faltava!
Ops!!! Esse outro acessório foi fundamental!!!

No ano seguinte não teve festa na família do Sylvain, já que um ano eles comemoram em familia, no ano seguinte na belle famille (família do companheiro). Como ficava um pouco longe e caro passar a noite de Natal com a minha família, resolvemos ficar em casa e fizemos um pequeno jantar para nós dois.

Desta vez eu queria que fosse diferente! Tinhamos a possíbilidade de ir novamente à Normandia, mas como eu trabalhava até o último minuto do segundo tempo, decidimos não correr para pegar o último trem e chegar supertarde na ceia de Natal. E fizemos uma excelente escolha, pois fomos convidados para passar o Natal com amigos brasileiros, um ambiente bem descontraído que me lembrou um pouco os Natais de outros tempos... Mas com um toque francês, é claro!

* Sylvain = meu chéri, para quem ainda não conhece!