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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dunas Merzouga: o Sahara marroquino

Nesta viagem ao Marrocos, além de visitar cidades incríveis, o que mais eu queria era me aproximar do deserto. Não sei vocês, mas eu sempre sonhei com o Deserto do Sahara e um dia ainda queria colocar meus pés lá!!!

Quem vai para o Marrocos e sonha com esse tipo de paisagem precisa se aproximar da fronteira com a Argélia. Um dos locais mais bonitos (e mais turísticos, mesmo se nos deparamos apenas com uns 20 turistas) é com certeza as Dunas de Merzouga, a cerca de 40km de Erfoud (no Marrocos) e 50km da Argélia. Para chegar até lá é necessário um veículo adaptado, somente os 4X4 enfrentam essas estradas, e como não existe sinalização, é melhor ir com um "profissional":


Temos que contar com a forcinha da natureza, pois no dia anterior todos os acessos estavam interrompidos devido a uma intensa tempestade de areia. Os melhores momentos são ao pôr do sol ou ao amanhecer do dia. Eu queria muito passar a noite no deserto, mas as noites do final de fevereiro desse ano foram muito frias e nos desaconselharam fortemente, além dos riscos de tempestade.


As Gigantescas Dunas de Merzouga estão às portas do deserto de areia do Sahara. Nunca imaginei que a areia ali fosse tão vermelha, tão diferente de tudo que eu tinha visto até então (mesmo no Egito).

Ao contrário do que muita gente pensa, somente 20% do Sahara é composto de areia (dunas), os outros 80% são de paisagens áridas, mas não de dunas.

Você pode subir nas dunas à pé, ou tentar o dromedário. Devidamente preparada para o deserto, qual das opções você acha que escolhi?


Eu e um desconhecido
 Meu amigo dromedário
Os "guias" são descendentes dos touaregs, esse povo que vive no deserto e que fala a língua berbere. Segundo o meu guia, já não existem mais "nômades", devido ao fechamentos das fronteiras pelos países da região. O que ainda encontramos são semi-nômades, que vão aos poucos se sedentarizando e aprendendo a viver do turismo.





Um dos momentos mais fantásticos foi observar o pôr do sol em Merzouga e ver a transformação das cores.

Eu quis deixar minhas pegadas na areia, mesmo sabendo que elas são efêmeras... 
Como a vida e o instante presente.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Fez: centro espiritual e cultural do Marrocos

Fez é a mais antiga das cidades imperiais do Marrocos e uma das mais belas medinas do Mundo Arabe. Ela atravessou 1200 anos de história sem mudar muito e é o centro cultural e espiritual do país. Mais do que Marrakech, eu diria que o coração do Marrocos bate realmente em Fez.
Não lembro quando ouvi falar pela primeira vez dessa cidade, talvez tenha sido em uma aula de história, mas lembro que desde a adolescência ela mexia com o meu imaginário:

Olhando de cima, do alto da colina, temos a impressão de uma cidade fantasma, sem nenhum movimento, mas na cidade, tudo se passa sob as ruas  que são geralmente cobertas. E tudo soa bem mais autêntico:



Sua parte antiga é um labirinto de corredores intermináveis de ruelas e de souks. Nenhum carro entra ali, somente bicicletas, algumas motos pequenas e muitos burros e mulas! Ouvimos o tempo inteiro a interjeição "balak", que quer dizer "cuidado" (saia da frente!)
Impossível não se perder e por isso aconselha-se visitá-la com um guia e evitar a noite desacompanhado, principalmente se for mulher. Também não se recomenda ficar hospedado dentro da medina, somente mesmo para quem é muito aventureiro e olhe lá: as instalações são geralmente muito velhas, vetustas, e deixam a desejar em termos de higiene aos nossos padrões. Atualmente cerca de 150 mil pessoas vivem ali, exercem seus comércios, vão à feira, à mesquita... Uma outra vida, inimaginável para muitos de nós.

Contrastando com todas essas ruelas cobertas que para muitos parecem tão pobres, encontramos maravilhas!


Dizem que em Fez foi fundada a primeira universidade do mundo, muito antes da de Oxford ou Cambridge. Trata-se da Universidade-Mesquita Karaouine, proibida aos não-muçulmanos, podemos observar do lado de fora.
O verde, cor do Islã, é também a cor de Fez, e a vemos nos tetos, azulejos e portas. Não confundir com o "azul de Fez", que é a cor da cerâmica.

 Mais bela escola corânica de Fez é sem dúvida a Médersa Bou Anania, que esta, sim, pode ser visitada:



A medina de Fez conta mais de 60 fontes, geralmente situadas perto das mesquitas. 

Fonte an-Nejjarine data do século XVIII.

Os curtumes (onde se trabalha o couro) de Fez são uns dos locais mais emblemáticos. O couro do Marrocos é considerado um dos mais bonitos do mundo e em Fez seu processo é totalmente artesanal e "natural". Vale lembrar que as bolsas e outros artigos de couro que vemos nos souks em Marrakech, por exemplo, podem ser de má qualidade e made in China! Eh necessário tomar muito cuidado.
Ao caminharmos pelas ruelas, impossível imaginar que ao lado encontram-se esse tipo de atividade.

A imagem é fantástica, mas o cheiro é forte, e quanto mais quente, mais fedorento é. Na entrada eles nos propõem folhas de menta fresca para cheirarmos durante a visita e minimizar o problema. Vemos o couro secando, à esquerda os tanques esbranquiçados são para lavar, e esses coloridos para tingir.
O couro ainda é transportado por asnos, depois limpos com a ajuda de cocô de pombo e urina de vaca (pelo potássio). Para as cores, utiliza-se o índigo, o safrão, coquelicot e folhas verdes, tudo dependendo da cor que se deseja! Para a nossa surpresa, as lojas dos curtumes propõem uma quantidade incrível de modelos em cores e cortes bem modernos. Não resistimos e compramos uma jaqueta para cada um e já nos pararam na rua diversas vezes desde então para nos perguntar onde compramos. Nenhum cheiro estranho.




Outra tradição é a cerâmica de Fez, considerada de excelente qualidade, mas mesmo as pequenas fábricas ficam há muito tempo fora dos muros da cidade devido aos riscos de incêndios. 
 O trabalho em mosaicos também é muito bonito e minucioso. Primeiro quebra-se a forma que se deseja e depois se monta tudo do avesso, dando a forma que se deseja.


Na verdade Fez foi completamente diferente do que eu imaginava, mas talvez justamente por isso eu tenha ido embora de lá ainda mais fascinada!








P.S.: Existe também uma Fez mais "moderna", a cidade nova, que fica fora dos muros da Medina. Largas avenidas, carros, grandes hotéis, mansões e lojas de luxo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Volubilis: ruínas romanas no Marrocos


Após todas as cores, o barulho e os aromas de Marrakech, mudamos completamente de cenário e fomos em direção à Volubilis, as ruínas romanas mais importantes do Marrocos:


 Para algumas pessoas são apenas velhas pedras (e até fiz inimigos mortais durante a viagem por isso), mas aí é que entra a diferença da história e da imaginação: saber que há muito tempo atrás Volubilis foi uma cidade próspera e animada, e utilizar a cabeça para se transportar a esse tempo.


Calígula teria ido a Volubilis diversas vezes. Por volta do século III da nossa era, a pressão das tribos berberes sobre os romanos seria uma das causas do declínio da cidade, que contava com 20 mil habitantes. Após a fundação da cidade de Fez, Volubilis foi completamente abandonada.

 
  Podemos observar seu Arco do Triunfo de Caracalla, seus banhos romanos, a basílica, o capitólio... 



E sua rua principal rodeada de "villas" ainda decoradas de preciosos mosaicos. 



A cidade tirava a sua riqueza das oliveiras, e foram identificadas mais de 35 pontos de produção de óleo de oliva.

Em 1755, um grande terremoto conhecido pelo nome de "Terremoto de Lisboa" também destruiu os prédios de Volubilis que insistiam em permanecer em pé, apesar dos séculos. Foi somente no século XVIII que o sítio arqueológico foi redescoberto e começou a ser investigado por arqueólogos franceses.

Hoje as cegonhas tomaram conta do local.

Pertinho de Volubilis fica o Vilarejo Santo de Moulay Idriss, construída sobre 2 montes rochosos. Um alto lugar de peregrinação para os muçulmanos, já que está enterrado ali "moulay Idriss", fundador da cidade de Fez. Os muçulmanos mais modestos fazem a sua peregrinação a esse vilarejo, pois para ir a Meca é muito caro e existem cotas anuais por país (não é qualquer um que pode ir). 
Minha opinião: a cidade é mais interessante vista de longe, e já que a tumba de moulay Idriss (principal "atração") não pode ser visitada por não-muçulmanos, ficamos sem ter muito o que fazer. Além disso, infelizmente temos que tomar muito cuidado com os batedores de carteira, que ficam à espreita dos turistas.

Informações práticas: 
Volubilis fica a 31km da cidade imperial de Meknes. De lá, as opções de transporte são taxis ou ônibus de turismo