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sábado, 18 de abril de 2020

Quarentena na França

Já estamos em quarentena há mais de 1 mês e isso vai durar no mínimo até o dia 11 de maio.

Pelo que vejo na TV e na internet a impressão que tenho é que todo mundo está adorando, tudo é maravilhoso, nunca existiu nada comparável à ter a oportunidade de ficar em casa e ai daquele que reclama, sempre vem alguém nos lembrar da Anne Frank, dos que foram lutar em guerras, ou nos dizer que temos um problema se não gostamos de ficar em casa (e propor um psicológo online). 

Ninguém parece tampouco se preocupar com o futuro das crianças, atualmente privadas de qualquer outro contato humano que não seja o do seu lar, nenhuma outra criança e quase nada de atividades ao ar livre. 

Sem contar os idealistas, para os quais sairemos de tudo isso mais justos, mais solidários, respeitando a ecologia. O mundo após o coronavírus será tão lindo! Ainda estou esperando para ver mas por enquanto estamos produzindo mais lixo e reciclando menos, o que não me anuncia nada de bom.

Ainda faço parte dos nostalgicos, para quem o mundo era melhor antes do que agora, apesar de suas injustiças. Ir e vir sem ser controlado pela polícia, fazer uma longa caminhada (ou bicicleta) até cansar as pernas, tomar um sorvete numa ensolarada tarde de primavera, ouvir (e ver!) as crianças que brincam, riem e correm, se reunir com os familiares e amigos, ir ao cinema (ou qualquer outra atividade cultural)... Parece que sou a única pessoa da França inteira que tem vontade de voltar ao trabalho (ou escola).

Prazeres que antes eram tão banais e hoje temos que aprender a viver sem, cada um na sua família nuclear e todo outro contato passando pelas tecnologias. Vivemos de imagens virtuais em fluco contínuo. Os ecos e reflexos  que nos chegam do mundo exterior nos parecem tão irreais do fundo da nossa caverna. Talvez a idade, mas para mim um jantar por vídeo não tem o mesmo sabor...

Tento imaginar como será esse mundo de amanhã (após o 11 de maio) e mesmo com muita imaginação não consigo vê-lo e o que vejo não me agrada. 
Talvez eu seja uma pessoa muito pragmática, para cada situação que solução? 

A primeira, o que faremos das crianças? Os pais deixarão seus filhos brincar livremente com as outras? Usarão máscaras, quando poderão voltar à escola e suas outras atividades?

Como trabalharemos? Além das máscaras, os intervalos para alimentação? 

Como nos comportaremos nos transportes públicos? Se o privilégio for pelos transportes individuais lá se vai para o beleléu o sonho de cidades menos congestionadas e menos poluídas... E os outros transportes como aviões e ônibus, se reduzirem a capacidade serão ainda mais poluentes (já que para o meio ambiente é mais interessante encher um avião ou ônibus  do que fazer circular dois)

Como consumiremos? Compras não serão mais um prazer (para os olhos), compraremos e sairemos de casa somente por extrema necessidade? Quem não tem dinheiro e "só quer dar uma olhadinha" (pelo prazer dos olhos ou para sonhar, pensar) será privado desse "prazer"?

Será o fim de todas as atividades coletivas ou lugares que recebam o público, bares, museus, cursos, academias, teatros? Será o fim de viagens, hotéis, restaurantes?

Como nos relacionaremos? Além de máscaras, não poder encostar nem nos aproximar? Perdidos de contatos humanos, o que ficará de humano?

Hoje nenhuma certeza. Amanhã talvez a gente possa ver mais claro. Talvez.

terça-feira, 17 de março de 2020

Restrições na França (COVID-19 ou Coronavírus)

Desde hoje, 17 de março ao meio dia, a população deve ficar em casa. Em caso de qualquer tipo de saída temos que apresentar uma autorização (em caso de controle, 100 mil policiais estão mobilizados). 
Podemos sair para trabalhar (quando o trabalho presencial é necessário) com autorização do empregador, compras de primeira necessidade (somente comércios alimentares e farmácias estão abertos, consultas médicas, por um motivo failiar realmente importante (as reuniões de familia ou com amigos estão proibidas), saídas breves para a prática de esportes individuais ou para atender às necessidades dos animais de companhia.
Medidas válidas ao menos por 15 dias.
O governo anunciou diversas medidas para ajudar empresas em dificuldades e garantiu que nenhum cidadão ficará em dificuldades (entenda-se financeiras). Mas não explicou bem e não sei como vai funcionar, ele também disse antes que não faltaria alcool em gel nas farmácias (mas não tem desde janeiro e mesmo hospitais não estão tendo) e que iria distribuir máscaras para os profissionais de saúde que nunca nem viram a cor dessas máscaras e parece que irão receber amanhã (mas estão fora da data de validade). Inútil de precisar que não são vendidas nos comércios, em primeiro lugar porque não existe e em segundo porque após um decreto elas devem ser utilizadas somente por profissionais de saúde e doentes sob prescrição médica.


Desde ontem (segunda 16 de março), estamos em casa. Escolas do país inteiro fechadas, então nossa filha não tem aula e meu marido que é professor também não. Ontem ele teve convocação da escola e se portou voluntário para o atendimento mínimo aos filhos dos profisisonais de saúde mas foi descartado por morar mais longe (risco multiplicado nos transportes, e os transportes estão bem reduzidos). Eu também não trabalho desde ontem já que com o fechamento de todos os comércios do país, todas as lojas da minha empresa estão fechadas e não tenho mais atividade. Ainda não nos explicaram como ficará o meu salário (meu marido sendo funcionário concursado da prefeitura de Paris "imaginamos" que não será penalizado).

Ontem foi como um dia de feriado, não fizemos muita coisa, brincamos de boneca, assistimos um pouco de TV, um pouco de arrumação da casa e só.

Hoje foi o segundo dia em casa.


De manhã queria ir no meu supermercado preferido mas dei com a cara na porta (fechado por falta de funcionários). Fui no outro e deixavam entrar somente 10 pessoas por vez. Tudo calmo e as pessoas bem civilizadas (na TV nos mostram pessoas brigando por macarrão e papel higiênico). Faltava muita coisa mas eu preferi comprar produtos frescos. Saladas, frutas e legumes tinha quase tudo, comprei frango e peixe também. Carne vermelha estava muito feia (queria aproveitar que tinha tempo e fazer uma boa carne de panela mas não vai ser desta vez).

Imprimi a autorizacao para sair de casa e depois vou dar uma volta no quarteirão para fazer um pouco de esporte enquanto ainda podemos (de forma individual), na Espanha nem isso pode e considero fundamental para a saúde mental e física também.

E você, como está vivendo com o COVID-19 entre nós? 




quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dentista na Franca

Parece ser uma unanimidade, brasileiros reclamam muito dos dentistas franceses e de uma forma geral dos dentes dos franceses, que não seriam tão brancos ou tão bem cuidados quanto os dos brasileiros.

De um lado eu me "surpreendo" com esse tipo de comparação, pois sabemos que existe muita desigualdade no Brasil, e que dentista no Brasil ainda é um artigo de luxo. Nos bairros mais pobres, é muito comum encontrar pessoas sem dentes ou com dentes em péssimo estado.

Mas por outro lado eu "entendo" essa comparação, pois da classe média brasileira para cima, a busca pelos dentes perfeitos virou, no meu entendimento, uma obsessão.

Na Franca "de uma forma geral" os cuidados são mais com a saúde bucal e pensa-se um pouco menos no lado estético. Então ainda não é muito comum o clareamento e a maioria dos dentistas não propõe. Eles propõe os tratamentos que julgam necessários para a saúde.

As vezes a gente também vê francês com bom carro na garagem e casa legal, pensa que ele tem dinheiro mas não cuida dos dentes. Também conheço muitos casos assim no Brasil, mas na França a pessoa pode ter carro e moradia legal e nem por isso ter muito dinheiro nem um plano de saúde. Também raramente veremos um adulto usando aparelho, que ainda é visto com muito estranhamento se não for em crianças ou adolescentes, e o uso de aparelhos e muito mais pelo lado terapêutico que estético. Um exemplo é o ator francês Jean Dujardin, que ganhou o Escar em 2012 e que teria tentado carreira nos EUA, mas que segundo as mas linguas, não foi aceito em Hollywood pois seus dentes não seriam perfeitamente alinhados!

E como depoimento, eu posso dizer que tive trauma de dentista toda a minha vida, e foi somente na Franca que pude me reconciliar com a profissão, com os meus dentes, e enfim me olhar no espelho.

No inicio da adolescência tive um problema de saude que exigiu um uso prolongado de corticoïdes. Na época se falava que engordava, mas não era nada em comparação com o risco que eu tinha, que era um risco iminente de perder a visão, então em nenhum momento foi questionado o tratamento (que, diga-se de passagem, deu certo!)

Acaso ou influência do tratamento, eu parei de crescer aos 13 anos, comecei a ter formas de adulta (seios, etc), mais pelos e não demorou muito para as cáries aparecerem. A cada vez que eu ia no dentista era uma tortura, eles meio que me faziam um terrorismo: "se não cuidar dos dentes vai estar banguela antes dos 18 anos e aos 30 anos não vai sobrar nenhum dente na boca". Perdi as contas de quantas vezes me disseram isso de forma menos ou mais pedagógica. Eu queria saber o que eles queriam dizer com cuidar melhor, pois eu escovava os dentes cuidadosamente após cada refeição, usava fio dental ("sem parar quando sangrava", como me recomendavam), praticamente não consumia doces, balas e chicletes, não comia fora das refeições e nunca fumei. Na minha casa eu passava muito tempo escovando os dentes e minhas irmãs e mesmo os meus pais me mandavam parar, que eu iria "estragar" ainda mais os meus dentes, que iria fragilizar o esmalte, etc. Minha irmã mais velha que nunca usava fio dental e escovava rapidamente os dentes não tinha nenhuma cárie.

O tempo foi passando, um dia um dentista resolveu trocar uma obturação que estava amarelada segundo ele. Alguns dias depois não aguentava a dor e tive que fazer um tratamento de canal. Posso estar enganada, mas acredito que foi o fato de "limpar" mais profundo do que deveria que atingiu o canal do dente. O tratamento de canal foi um "sucesso", mas com o passar do tempo o dente foi escurecendo, o que me causava muito incomodo, principalmente na faculdade relativamete "selecionada" onde eu estudava, no meio de tantos dentes perfeitos e branquinhos.

Ao mesmo tempo, a cada vez que eu ia no dentista me davam um orçamento astronômico "só para começar", pois segundo os dentistas eu "tinha tratamento para fazer durante anos e anos.

Acabei me voltando para um dentista de "pobre" e fiz o que segundo ele era realmente importante e necessário. Ele criticava essa nova forma de ver a odontologia, um pouco como a cirurgia plástica segundo ele: tem que ter os dentes perfeitos, branquinhos, assim como se tem que ter o corpo perfeito, fazer lipo, colocar silicone, passar ácidos, laser, etc...
Eu já comecei a me sentir muito melhor, mas o meio não ajudava. Ouso mesmo dizer que por muitos anos eu evitava de sorrir (ou rir) pois tinha vergonha dos meus dentes.

Foi quando cheguei na Franca que pude enfim me conciliar com os dentistas e readquirir a minha auto-estima.
Como uma parte dos tratamentos dentários são cobertos pela saúde pública, uma outra parte pelo meu "plano de saúde", e estabilizada financeiramente, decidi fazer o que tinha que fazer.

Para a minha surpresa o dentista não fez nenhum terrorismo comigo, nunca me disse que meus dentes eram perfeitos, mas assinalou as "coisinhas" que tinha para fazer, que tudo estava bem controlado, não tinha nenhum problema evolutivo. Ele propôs fazer alguma coisa pelo meu dente do tratamento de canal, que ficou da cor dos outros, trocou duas outras obturações que segundo ele riscavam de quebrar e volto desde então todos os 6 meses para a limpeza.

Tenho os dentes perfeitos? Não, mas hoje não almejo mais tê-los, para mim não sou mais julgada por eles. Posso rir e sorrir sem nenhuma vergonha. E ao contrário das predições dos dentistas brasileiros, cheguei aos 36 anos com todos os meus dentes! 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Corolle, bonecas de criação francesa.

Uma vez alguém comentou que não existia brinquedos ou lojas de brinquedos na França... 

Não sou especialista no assunto, por não ter filhos, mas eu achei estranho, pois a França é o segundo país da Europa que mais faz bebês (o primeiro é a Irlanda), e resolvi olhar mais de perto esse assunto.

Existem muitas lojas de brinquedos, mas também podemos encontrar brinquedos em quaisquer supermercados. E tudo é muito barato comparando com os preços absurdos praticados no Brasil!

E foi espiando as prateleiras de brinquedos que descobri a marca Corolle (eu não conhecia antes de morar na França), que se trata de uma marca francesa criada em 1979 e mais tarde comprada pelo grupo Mattel, mas que mantém a "french touch" e seu design continua sendo francês e inspirado na moda infantil (francesa) e usando os tecidos e tendências.

Aqui na França, ela é considerada uma marca de qualidade e não é considerada barata. Então é um excelente presente à uma menina! Custa entre 20€ e 60€, dependendo do tamanho e do modelo. Acessórios e roupas também são vendidos separadamente.

Existem para todas as idades, desde o nascimento, passando pelas bonecas que imitam "bebês" e outras que imitam as crianças. 





Não curto muito os "bebês". Acho "feio" esse tipo de brinquedo e morro de medo, independente da marca e modelo! Mas adoro as "meninas" e as versões mais "simples" para os recém-nascidos.

Essa é a minha (presente do marido no ano passado):


Mas o que está na "moda" para as crianças?
Atualmente as meninas são loucas pela Frozen (e outras princesas da Disney), pelas Monster High, Pet Shop, Poneys e a Barbie, é claro.

Em jogos de construção, além do Lego, o Kapla (pedaços de madeira) fazem parte da infância francesa há anos.

Playmobil existe para todos os gostos e bolsos.

E você conhece a Sofia, a Girafa?
Lançada em 1961 na França, no dia de Santa Sofia, ela conquistou os bebês (e mães) do mundo inteiro!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Como enfrentar o friozão europeu?

Não sentimos frio todos da mesma maneira, e com o tempo inclusive sinto cada vez menos no meu dia a dia por aqui na Europa. Mas a situação muda de figura quando viajamos, pois "turistar" por ai geralmente é sinônimo de passar muito tempo ao ar livre e expostos ao frio, umidade, vento e mesmo neve!

Como aproveitar da melhor forma possível seu passeio no inverno?

Sempre aposto em um bom casaco, realmente quente, que não deixe passar o frio (tem gente que prefere "doudone", casacos de lã, de peles, cada um escolhe o seu) e para mim tem que cobrir o bumbum, onde sinto muito frio!

Além disso, tenho que enrolar algo no pescoço (se passo frio no pescoço fico com dor de garganta na certa). Pode parecer um pouco sufocante para quem não está acostumado, mas a gente se acostuma. Muita gente que vem morar na Europa, volta para o Brasil usando lenços no pescoço em qualquer época do ano.
Também é importante cobrir as mãos.

E a vantagem é que quando entramos em lugares aquecidos, como museus, restaurantes e outros, basta tirar o casaco e os acessórios.

Quando fico muito tempo na rua (passeios e/ou viagens, por exemplo) gosto de usar calçados com sola grossa e posso incluir uma palmilha de lã, que não deixe passar frio ou umidade. Nada pior do que o frio que começa a subir pelos pés e toma conta da gente. Acaba com qualquer sensação de conforto. 

E não vamos esquecer de cobrir a cabeça. Quando faz muito frio, parece que a cabeça gela e ficamos com dores de cabeça ou ouvido, se não tomamos esses cuidados.

Algumas pessoas acham feio, o jeito é provar vários acessórios e ver qual deles combina melhor conosco. Mas mesmo que você não se sinta uma "bomba", o mais importante é se sentir confortável, conseguir aproveitar e não ficar doente, não parece lógico?

Algumas meninas com cabelos crespos me disseram que não usam pois o cabelo ficaria "élétrico" com isso.
Bom, não tenho cabelo crespo, mas o meu cabelo nunca foi liso e sempre foi muito indisciplinado e elétrico, e posso garantir que com um gorro na cabeça, o cabelo fica "no lugar". Quando tiro o gorro, o cabelo está lisinho, não tem nada que saia do lugar.


Uso meia calça fio à partir de 80 com saia no inverno e não sinto frio. Existem meias até mesmo com fio 200! Acho mais fácil fazer entrar a meia nas botas do que uma calça, por mais slim que ela seja! Mas para quem não consegue nem imaginar usar saia no inverno europeu, podem optar por outras calças quentinhas, como de lã, de veludo, etc. Evite o jeans, mesmo com a classica meia calça de "nylon" por baixo, que não esquenta nada!

Outros indispensáveis:
- Creme bem nutritivo para rosto e mãos, pois o frio parece "cortar a pele.
- Protetor labial


E você, qual o segredo para não passar frio no inverno?
E como faz para manter um toque feminino e um pouquinho de charme?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Viajar para Paris depois dos atentados?

Des os terríveis atentados, tenho recebido muitas mensagens de pessoas que estavam com passagens compradas para a França ou com um projeto de viagem e agora não sabem se mantém, cancelam ou mudam de planos.

Quem vive aqui não está deixando de viver suas vidas, trabalhar, ir ao cinema, ao restaurante. A vida continua. Não podemos nos desesperar e nos deixar vencer pelo medo e pelo pânico. Temos mais chances de morrer em um acidente de trânsito ou de câncer do que em um ataque terrorista. Isso é fato. Ontem mesmo estive em uma exposição no Petit Palais, passei pela Ponte Alexandre III e depois Chatelet et Saint-Michel e tudo estava normal, muitos turistas nas ruas.

Mas eu entendo que os turistas estejam apreensivos e tenham perdido uma boa parte da motivação. Quem vem para curtir férias, aproveitar, viver uma experiência unica não precisa passar por tudo isso, por isso a decisão é individual, de cada um.

Na minha concepção não podemos viver em uma democracia e liberdade sem riscos, enquanto existem pessoas que justamente condenam a liberdade e a democracia. O proprio Primeiro Ministro francês disse que não existe "risco zero". 

Particularmente eu acredito muito em destino, e para sofrer um atentado todas as condições do azar devem estar reunidas, como estar no lugar errado e na hora errada. 

Atualmente todos os lugares turísticos estão abertos, assim como bares, restaurantes e lojas. Os transportes também funcionam normalmente. 

Houveram diversos ataques terroristas reivindicados por Islamistas nos ultimos anos. Não quero relativizar,  o problema é grave, deve ser combatido, mas ao mesmo tempo esses lugares são ainda muito turísticos e turistas vão e voltam todos os dias com toda a segurança: Nova Iorque em 2001, Bali em 2002 e 2005, Madri em 2004, no metrô de St Michel (Paris) em 1995, em Luxor (Egito) em 1997, varios atentados no metrô de Londres em 2005, diversos atendados na India nos ultimos 15 anos que nem pude contar, Jordânia em 2005, Glasgow (Escocia) em 2007, metrô de Moscou em 2010, Estocolmo em 2010, Frankfurt em 2010, 2014 na Bélgica, 2 na Australia em 2014... A lista não é completa, nem coloquei os lugares menos atraentes para os turistas brasileiros, como recentemente a Tunísia, outros países da Africa, Líbano, Paquistão, Iraque, Síria, etc...

Para quem pretende manter a viagem à França (mas vale para qualquer lugar), vale algumas recomendações:
Não recuse cooperação à policia ou outras Forças de Ordem. Muitas pessoas podem responder de forma agressiva do tipo "eu não tenho nada a ver com isso, sou brasileira!", quando na verdade eles estão fazendo o trabalho deles. Se precisar, mostre bolsas, tire o casaco, deixe-se revistar (homem por homem, mulher por mulher).
- Ao entrar em um lugar fechado, sempre localizar as saídas de emergência. Para o meu marido isso é automático, inclusive no Japão a primeira coisa que ele fazia chegando no hotel era localizar todas as saídas, escadas, lanternas de emergência, etc (em caso de terremoto). Infelizmente muitos morreram ou ficaram feridos na casa de show Bataclan pois não encontraram as saídas. Na hora do pânico, as pessoas iam para qualquer lado, portas sem saída, quando tudo isso está muito bem indicado. 
- Em lugares abertos, estar atento à pessoas de comportamento suspeitos. Isso vale também para evitar roubos.
- Chegue mais cedo aos aeroportos ou estações de trem, pois os controles estão reforçados, evitando assim qualquer atraso. Coopere.
- Caso atravesse fronteiras de carro, esteja pronto para um controle mais reforçado. Coopere.
- Evite piadinhas do tipo "acham que tenho uma bomba?" Lembre-se com essas coisas não se brinca, ainda mais nesse momento!
- Cuide muito bem de seus pertences, por favor!!! Todos os dias, mesmo antes dos atentados, os transportes param prejudicando muita gente ou fechando lugares públicos porque alguém simplesmente esqueceu uma mochila, sacola ou pacote. Além de prejudicar o trabalho da polícia, gerar movimentos de pânico e medo, atrasar a vida de moradores e outros turistas, você ainda corre o risco de ser multado ou ter seus pertences destruídos. E caso note um objeto abandonado, informe.
- Informe amigos ou parentes sobre suas datas e roteiros, e tente mandar notícias regularmente. Assim evita que a família entre em pânico desnecessariamente caso um problema ocorra em uma cidade e o viajante esteja nesse dia em outra. Se possível confie à alguém as datas, números e horários de vôos e deslocamentos. Isso vale para qualquer tipo de problema.

- Mas o mais importante de tudo, fiquem sossegados, Paris continua linda!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A vida continua... tem que continuar

Hoje, 3 dias após os atentados que mexeram com a França e com o mundo, a vida teve que continuar.

O que mais me chamou a atenção foi o silêncio no metrô. Geralmente é aquela muvuca, tem sempre os mal-educados falando alto no celular, fazendo questão de mostrar a música que estão escutando para todo mundo. Nada disso, hoje as pessoas pareciam se olhar umas para as outras com um olhar de interrogação, ou então olhar para o vazio. Eu que sempre reclamava do barulho, senti tanta tristeza com esse silêncio.

Tudo parecia muito lento. Os passos geralmente tão apressados dos parisienses pareciam no modo "camera lenta".

Fui encontrar o meu marido às 16h30 na saída da escola (uma das 4) em que ele trabalha, que fica  a poucos metros dos locais dos atentados. Há 6 anos ele passa praticamente todos os dias diante de dois dos locais onde houveram os atentados.
 Os dois restaurantes ficam de frente um para o outro, cortados por uma rua.
Ao contrário do que andaram dizendo em alguns artigos brasileiros, o bairro não é classe média ou classe média-alta, é sobretudo um bairro popular, com muita imigração. Inclusive essa escola em que trabalha o meu marido é considerada em uma zona de educação prioritária, com muitas famílias em condições sociais ou econômicas precárias, os alunos falam mais de 60 línguas diferentes. Mas ao lado disso tudo famílias com melhores condições que gostam de morar no meio de toda essa diversidade de culturas. Franceses de espírito mais aberto e que frequentam ambientes populares e sem frescura. E as crianças de todas essas familias tão diferentes estudam nas mesmas escolas, brincam nos mesmos jardins e tomam banho na mesma piscina municipal.

5 minutos à pé fica a Place de la Republique, palco de manifestações e homenagens. Ali muito silêncio e emoção.

Seguimos em direção à casa de espetaculos Bataclan, onde 89 pessoas perderam a vida, passando por dois outros locais de atentados. Ali não dava para se aproximar, a policia bloqueou toda rua, o que não impediu as homenagens.
Tudo ali pertinho, foi uma caminhada bem curta, fica fácil entender como os criminosos conseguiram atingir tantos pontos e tanta gente em tão pouco tempo.

Anda circulando por aqui uma mensagem que teria sido publicada em um comentário sobre os atentados no jornal New York Times, que deixou os franceses ainda mais orgulhosos de seu modo de vida. Segue uma tradução aproximativa:

"A França representa tudo o que os fanaticos religiosos odeiam: curtir a vida de diversas pequenas maneiras diferentes: uma xícara de café perfumado com um croissant, mulheres bonitas em vestido curto que sorriem livremente, o cheirinho de pão quente, uma garrafa de vinho compartilhada com amigos, crianças que brincam no Jardin du Luxembourg, o direito de não acreditar em Deus, de paquerar, fumar e fazer sexo sem casamento, ler qualquer tipo de livro, ir à escola gratuitamente (e eu acrescentaria meninos e meninas!), brincar, rir, discutir, fazer piadas de religiosos e homens políticos, deixar aos mortos a preocupação sobre o que existe no lado de la. Nenhum país aproveita melhor a vida do que a França."

Ninguém merece morrer porque gosta de sentar em um bar para beber uma cerveja (ou vinho), sexta à noite! Nem porque gosta de sair, escutar musica, dançar e se divertir.

E para aqueles que se perguntam, eu não tenho nenhuma dúvida, Paris nunca sera destruída! E o que não mata, nos deixa ainda mais fortes.

Inclusive o lema de Paris é "Fluctuat nec mergitur" (battue par les flots, mais ne sombre pas), o que significa: sacudida pelas ondas, mas não afunda.

sábado, 14 de novembro de 2015

Atentados Terroristas em Paris

Paris amanheceu chocada e de luto. 
Já são 128 mortos e mais de 250 feridos, dentre eles 99 em estado bem grave. 
Mas não vamos nos desesperar, não podemos ceder ao objetivo do terrorismo e nos aterrorizar, a vida tem que continuar. 

A França é o país da democracia, dos direitos, da liberdade e da cultura, e são esses valores que estão sendo atacados! Não podemos aceitar! Algumas pessoas que pensam que o mundo é Disneyland vão dizer "mas é culpa da França devido às suas intervenções militares na Síria ou no Iraque". 

Mas vocês sabem mesmo o que acontece lá? 
Al-Qaeda é inimigo de todos (e mais ainda dos direitos humanos), o Daesh (Estado Islâmico) ataca o mundo inteiro, inclusive sua própria população, que foge todos os dias por milhares tentando entrar na Europa. São cruéis, são bárbaros, fanáticos. 
E a França (assim como outros países) não pode deixar que eles continuem ganhando terreno e "dominando" o mundo com a sua violência e intolerância, até porque tudo acontece não muito longe daqui, a Europa é muito pequena, são poucas horas de voo! 

Será que alguém pensa mesmo que os outros países podem ficar só olhando de fora, de braços cruzados, enquanto eles se matam e destroem o Oriente Médio? Hoje é a França, amanhã pode ser o mundo inteiro!



Fotos pessoais das manifestações de janeiro/2015 em Paris

 P.S.: Ontem estavamos em casa no momento dos atentados, um acaso, pois sexta à noite gostamos de ir jantar em algum restaurante (inclusive na rue de Charonne, onde os terroristas atacaram), ir ao cinema ou teatro, e ainda essa semana fomos a um show no Olympia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Paris by foot (ou Paris para pedestres)

Uma das coisas que adoro na França é que aqui praticar esportes não é considerado coisa de rico, nem de esquerda, nem é coisa de quem não tem o que fazer.

Você pode ir em cidades do interior onde não existe hospital, praticamente não tem médico em um raio de muitos quilômetros, mas com certeza você encontra uma piscina pública (coberta e aquecida), além de muitas atividades esportivas para crianças e adolescentes.

Inclusive sempre fico impressionada com os velhinhos com mais de 80 anos, firmes e fortes praticando esportes!

Sabemos que a prática de atividade física regular e adaptada desempenha um papel importante na prevenção de diversas doenças (inclusive cancer!). As principais causas de morte no Rio Grande do Sul (de onde eu venho) são o câncer e problemas cardiovasculares, cuja melhor prevenção é a prática de atividades fisicas (assim como uma alimentação com menos sal, menos carnes vermelhas, etc, ou seja, coisas que estão ao alcance de qualquer um). Estima-se de 4 de cada 10 câncers poderiam ser evitados com uma boa higiene de vida.

Se as pessoas tivessem uma vida menos sedentária ficariam menos doentes e os gastos com saúde (médicos, medicamentos, etc) seriam muito menores. Simples assim. Todo mundo sai ganhando, não acham?

Já o Brasil tem fama de todo um culto e preocupação com o corpo, e realmente vimos muitas academias de Norte à Sul, 
Mas eu também já vi muita gente que vive em academia, com um corpo lindo, mas que não consegue subir as escadarias da Basílica do Sacre-Coeur ou mesmo do metrô e que não conseguem ficar muito tempo sem sentar. Cansamos muito mais após uma jornada na frente do computador, e 12 horas de sono nos deixam menos dispostos do que 7! Não estamos geralmente mortos de fome sem ter queimado muitas calorias?

Hoje fiz um vídeo para compartilhar sobre como foi o dia "Paris sem carros", mas não sou jornalista nem tenho experiência em falar para a câmera, tenham um pouco de paciência.



Não foi em toda a cidade, somente algumas zonas foram delimitadas entre 11h e 18h, e em outras a velocidade estava limitada em 20km/h. Mas para muitos adictos ao petróleo e em velocidade esse tipo de proposta não é bem-vinda.

E eu que não gostava de correr, comecei no ano passado timidamente e foi a segunda vez que corri a "Parisienne", uma corrida somente para mulheres em Paris, há duas semanas. Emagreci? Não, mas me sinto muito melhor no meu próprio corpo, muito mais disposta e menos cansada no dia a dia.

Mas não se iludam, não corro com um imenso prazer. Para mim o melhor momento de uma corrida é quando ela termina! Nada melhor do que a sensação de ter cumprido um objetivo, de ter ultrapassado a linha de chegada! A cada vez que corro, durmo com a maior facilidade, me sinto realizada. A cada vez é uma vitória.

No ano passado fiz só pelo "prazer" e nem me importei com o tempo. Desta vez não estava muito motivada, o dia amanheceu feio, com previsão de chuva, e eu sabia que não tinha me preparado como deveria. Esse ano não pude evitar de ficar um pouquinho decepcionada com o meu desempenho, mesmo tendo terminado 3 minutos mais rapido que há um ano. Fica o desejo de fazer melhor da próxima vez, com ou sem chuva!



 No trem, ainda me preparando antes de corrida e depois, com a agradável sensação de ser uma vencedora.

Paris merece mais do que somente carros e poluição. A sua cidade também!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quanto custa morar na França?

Não existe uma resposta única para essa pergunta, pois tudo vai depender do padrão de vida de cada um e do grau de consumo individual.

Uma diferença fundamental com o Brasil é que aqui as pessoas não costumam pagar tudo em prestação. Quem quer trocar o sofá, comprar um Iphone, uma bolsa de marca cara ou sair de férias vai economizar um pouco e pagar tudo à vista. Cartão de crédito também é usado raramente, as compras são pagas no débito. Outra diferença é que os franceses não costumam ir ao banco pagar contas: as contas são pagas em débito automatico ou então enviando um cheque pelos correios ao credor. 

Muitas pessoas me escrevem perguntando sobre quais seriam os gastos básicos, então vou tentar responder com base nas minhas contas, que ilustram um casal sem filhos de classe média na França:

1. Moradia:
As despesas com moradia são as mais altas aqui na França, principalmente para quem mora em Paris e sua região. O ideal é que o aluguel ou prestação da casa propria não ultrapasse 1/3 (33%) da renda mensal.
O valor exato é muito pessoal, pode ser de 300 € por mês por um "quarto de empregada" ou de 800€ por um estudio em Paris. Porém com 500€ por mês, em uma cidade do interior é possivel encontrar um casarão com um jardim enorme! Temos amigos que pagam mais de 2 mil euros por mês na prestação da casa. Tudo depende da localização e da superficie, como em qualquer país do mundo.

2. Condomínio:
Como moramos em apartamento e somos proprietários, temos que pagar o condomínio. Essa taxa nos é cobrada a cada trimestre e atualmente é de cerca de 705€, ou seja, uma média de 235€ por mês. Particularmente eu acho que pagamos muito caro (em comparação com amigos que pagam muito menos), mas encarece pois o aquecimento central está incluso nesse valor, assim como água e a manutenção do elevador. 

3. Eletricidade: 41,84€ por mês (antes pagavamos mais, nosso consumo baixou). Vale lembrar que nossos equipamentos de cozinha são elétricos, como forno e fogão, a água da torneira e chuveiro também é aquecida pela energia elétrica, mas não temos despesas com ar condicionado e usamos um pouco de ventilador no verão (esse ano fez mais calor que nos verões anteriores e usamos mais)
Essa despesa aumenta bastante se o tipo de aquecimento da residência for elétrico.

4. Seguro do apartamento: 16,41€ por mês para um apartamento de 2 quartos em uma zona que não é livre de risco (pois na França existem roubos de casa).

5. Transporte: 70€ por mês (140€ para os dois). Recentemente os preços baixaram para incentivar ainda mais deixar o carro em casa. Esse valor nos autoriza a utilizar de forma ilimitada os transportes de Paris e região (trens, metrô, ônibus e mesmo os ônibus noturnos). E ainda por cima o empregador reembolsa a METADE na folha de pagamento. 

6. Telefone Fixo + Internet + pacote basico de canais de TV (que a gente não usa): 28,90€. Lembrando que o fixo inclui ligações ilimitadas para telefones fixos da França inteira e mais diversos países, dentre eles o Brasil. 

7. Telefone celularMeu marido paga 18,29€ por mês para 1G de internet e 2 horas de comunicação, e eu tinha um plano de 2€ para o mesmo tempo de comunicação, mas praticamente sem internet (pois não queria passar meu tempo conectada). Esse mês acabei cedendo à tentação de trocar de telefone e assim pagarei 6,99€ por mês por um contrato de 2 anos sem poder trocar de operadora. Em todos esses casos, SMS ilimitado. Existem planos um pouco mais caros para comunicação ilimitada, alguns para o exterior também.

8. Saúde: O sistema de saúde pública na França é muito bom, mas é muito importante ter o equivalente a um plano de saúde (Mutuelle). Como funciona? As consultas e procedimentos básicos custam muito barato (23€ uma consulta com médico generalista, por exemplo) e a saúde publica reembolsa o usuario em 70% desse valor (mais ainda para quem mora na região da Alsace). Ou seja, ninguém vai se arruinar tendo que arcar do próprio bolso a diferença. Porém a coisa complica quando se trata de procedimentos mais caros, hospitalizações, diária em UTI... Quem não tem uma Mutuelle pode sair do hospital com uma dívida de mais de 20 mil euros!  Melhor se prevenir! 
No nosso caso usamos a Mutuelle da minha empresa (que é excelente) e pago 49,45€ descontado em folha de pagamento. A empresa do meu marido reembolsa em 200€ por ano.

Eh importante ler bem as condições de cada mutuelle (os preços variam muito). As que reembolsam melhor e TUDO incluem tratamentos dentários caros, oculos, obséquios e até mesmo funcionam como seguro de vida em caso de falecimento. Geralmente sai mais em conta optar pela Mutuelle da empresa, pois a mesma paga uma parte importante da mensalidade.
Com o Sistema de Saúde Pública + Mutuelle, nossas despesas com medicamentos são praticamente ZERO.

9. Taxas bancárias: 21,20€ por mês. Temos uma conta conjunta, com dois cartões Visa, um normal e outro Premier, que usamos para compras de passagens e outras despesas do tipo para estarmos assegurados. Aqui na França não é comum os bancos oferecerem cartão sem anuidade nem conta de graça, somente para jovens/estudantes já vi algumas vantagens.
O Banco dos Correios (La Banque Postale) oferece serviços bem mais em conta e com menos burocracia (por isso muitos estrangeiros em situação irregular optam por ela), mas geralmente existe limite no uso do cartão (por semana ou por mês), limites de saque, ou as vezes conta sem cartão, o que não é nada prático.

10. Alimentação: há alguns anos escrevi um texto aqui no blog dizendo que gastava em média 250€ por mês em supermercado, o que muitas pessoas achavam impossível, mas era a pura verdade. De lá para ca nossos hábitos de compras mudaram e infelizmente não consegui ainda fazer uma estimativa. Antes eu comprava para o mês em hipermercados, procurando pelas promoções mas há cerca de 1 ano vou mais nos pequenos comerciantes de bairro ou supermercados de médio porte (desde que mudei de local de trabalho). Faço as compras para o dia ou no máximo para a semana. Sem ficar paranoica pelos preços mais baixos, para mim é natural e meus olhos são hipnotizados pelas promoções, mesmo comprando com qualidade (excelente carne bovina direto no açougue, peixe fresco e legumes e frutas orgânicos. Continuamos gastando pouco em alimentação pois detestamos desperdício então nada aqui em casa vai fora. Também quase nunca compramos refrigerante e vinho e outras bebidas alcoolicas somente quando recebemos visitas. Mesmo o meu marido diminuiu bastante o consumo de chocolate e porcarias, pensando na saúde.

11. Imposto de Renda
Na França o Imposto de Renda não é descontado em folha de pagamento, como é o caso para quem é assalariado no Brasil. A declaração é feita anualmente em relação ao ano anterior. Por exemplo, em abril/maio de 2015 entregamos a declaração relativa ao ano de 2014, e em setembro recebemos a cartinha dizendo quanto temos que pagar. Algumas pessoas preferem pagar tudo de uma vez (uma parcela geralmente em outubro), em 3 parcelas (outubro, novembro e dezembro), mas outras pessoas, como é o nosso caso, preferem pagar antecipadamente desde janeiro. Para isso basta fazer uma estimativa e mensalizar o pagamento.
Então em setembro recebemos o documento oficial que calculou direitinho se pagamos demais (e nesse caso recebemos a diferença de volta) ou não o suficiente (e assim a diferença pode ser paga nos 3 meses que faltam para terminar o ano).

12. Outros impostos e taxas
Taxe d'habitation: essa taxa é paga por quem mora no local (locatario ou proprietario). A taxa vai ser emitida no nome da pessoa que ocupou o imovel no dia 1o. de Janeiro do ano em questão. O valor vai depender do tamanho da moradia, da localização e da renda dos usuarios. Pode ser para em parcela unica ou em mensalidades, seguindo a regra da estimativa explicada acima no Imposto de Renda.
Contribution à l'audiovisuel public (redevance télé): essa taxa é atualmente de 136€ por ano para todos que possuem uma televisão (ou aparelho semelhante) no dia 1o. de Janeiro do ano em questão. Paga-se jun o com a Taxe d'habitation.

Taxe foncière: taxa paga pelos proprietarios de imoveis. Depende do tamanho e localização, sem interferência com a renda. Assim como a taxe d'habitation, pode ser paga em uma unica parcela ou dividindo em mensalidades.

13. Lazer: os nossos gastos são importantes em atividades de lazer, foi a escolha que fizemos. Nossa vida é rica em atividades culturais, encontro com amigos e viagens. Ainda assim custa muito mais barato ir a um show internacional ou opera na França do que no Brasil. A entrada individual ao cinema custa caro, mas existem cartões de uso ilimitado (pagando 20€ por mês), cartões para 5 sessões e as empresas vendem ingressos mais baratos (entre 3 e 6 euros).

14. Carro: para quem tem carro as despesas sobem consideravelmente. Como moramos em cidade grande não vemos necessidade de ter um veículo e em nenhum momento ele nos faz falta. Se necessário, podemos usar um Autolib (carro elétrico disponibilizado pelas prefeituras e pagamos pelo tempo de uso) que inclusive o mais perto fica a menos de 10 minutos à pé da minha casa. Podemos igualmente alugar um carro para uso mais longo (final de semana, férias), ou optar por um taxi para um deslocamento pontual.
Os preços dos carros na França são bem baratos, mas o que custa relativamente caro é o seguro (obrigatorio) e depois temos que ficar perdendo tempo procurando estacionamento e pagando por ele. E se o carro for usado (por mil euros você compra um carrinho usado!), qualquer despesa com oficina custa uma fortuna!

15. Crianças
Vocês podem dizer que as despesas com crianças aumentariam muito. Eu não compartilho dessa opinião, pois em primeiro lugar aqui na França mesmo as pessoas de boa condição financeira colocam os filhos em escolas públicas. As atividades extra-escolares como esporte, música e lazer também são muito baratas. E em tudo que é consumo, é possivel encontrar roupas de boa qualidade (e até de "marca") por preços muito atrativos. Quanto ao material escolar, aqui não se costuma comprar cadernos e outros acessórios caríssimos. Acho inclusive que nunca se passou pela cabeça de um francês que um caderno pudesse custar uma fortuna (como no Brasil).
Quanto às Universidades, elas são todas gratuitas (paga-se somente a taxa de inscrição anual). O que custa caro são as Grandes Escolas Especializadas (mesmo se existem bolsas e financiamentos).


Ficou claro?
Caso vocês tenham pensado em alguma despesa não colocada aqui, fiquem à vontade para perguntar que tentarei atualizar o texto. 
Contribuam igualmente trazendo exemplos de despesas nos locais onde vocês moram!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Como é morar no exterior?

Todos os dias recebo dezenas de mensagens de pessoas que dizem que não aguentam mais morar no Brasil e querem deixar o país.
No meu caso não foi assim. Nunca tive nada contra o Brasil e apesar de ter uma origem simples e ter estudado em escola publica, tinha sido aprovada em uma excelente universidade publica, esforcei-me bastante, fiz diversos estágios, me formei, consegui um emprego na área que eu buscava e ainda atendia paralelamente no meu consultorio. Conseguia economizar e viajava um pouco, e provavelmente se tivesse ficado no Brasil hoje eu teria uma carreira estabilizada, meu carro e teria financiado uma moradia (pois tinha o sonho de morar sozinha, contudo não queria pagar aluguel).

Porém o que aconteceu comigo foi uma insatisfação interior, eu era (e sou) uma eterna insatisfeita. Quando cheguei onde sempre quis estar, já não era mais isso que eu queria. Queria ver o mundo, fazer alguma coisa diferente. Freud já tinha me alertado.

Durante toda a minha adolescência sonhei com o Japão ou os EUA, mais tarde com a França e a Alemanha, e também sempre quis conhecer a China ou a Russia (não exatamente morar nesses lugares).

Era uma insatisfação comigo mesma e com a vida que eu levava, e um conjunto de circunstâncias me trouxeram à França. Poderia ter sido a Alemanha, a Inglaleterra ou a Itália, mas foi a França, não sei explicar direito, foi algo que aconteceu naturalmente e eu decidi agarrar essa oportunidade, "pagar para ver", voltar mais tarde. Era uma experiência que eu PRECISAVA viver. Desejo ou necessidade? Provavelmente os dois.

Algumas pessoas tiveram comentários maldosos do tipo "em dois anos vai voltar com o rabinho entre as pernas e dois filhos debaixo dos braços" (?!?). Justamente eu que saia de um relacionamento sério de 3 anos, então acho que eu não tinha lá essa fama de "avoada". Mas algumas pessoas falam e são maldosas mesmo, e pelo que tenho visto nesse mundo afora, infelizmente tenho a impressão que é no Brasil onde as pessoas mais cuidam da vida dos outros. 

Para mim foi tão natural chegar aqui na França, me virar no meu francês muito básico, aprender a cada dia palavras novas. Tive a sorte de conhecer um amigo, um companheiro que se tornou o meu marido e que me ajudou nessa adaptação. 

Eu sou o tipo de pessoa que prefere fazer as coisas sozinha e gosto de estar sozinha, então essa forma de "exilio" nunca me incomodou. Muitas pessoas não gostam da minha personalidade, por essa auto-suficiência. Vivo a minha vida de forma a tentar não depender dos outros e consequuentemente sou menos disponível aos outros. 

Quando cheguei aqui passava muito tempo nos transportes diariamente para ir à Universidade, eu sozinha com os meus livros, e os contatos multiplos (mas superficiais) que ali realizava era suficientes para mim. Passava boa parte do meu tempo livre passeando pela cidade, visitando museus ou olhando vitrines, atividades que nunca me importei de fazer sozinha. Gostava de ir ao supermercado e passava horas descobrindo os produtos que para mim eram novidade e gostava de observar o que as pessoas colocavam no carrinho (uma prática que sempre repito nas minhas viagens). Ia à piscina e gostava de ler nas bibliotecas de Paris, aprendi que não é o fim do mundo ir ao cinema desacompanhada ou sentar em um café, mas ainda não gosto de ir ao restaurante sozinha. 

Como em uma corrida, podemos estar rodeados de milhares de pessoas, mas estamos sozinhos, cada um diante de seus próprios limites. 
Vai depender de nós mesmos desistir ou avançar, de ninguém mais. 
E isso é genial.

Gosto de estar sozinha, gosto do silêncio. 
Ha muitos anos não preciso ligar a tv para sentir uma "presença".

Em outubro de 2009 começei a trabalhar na minha empresa atual, mas no inicio era apenas um emprego temporário, queria entrar na vida produtiva, ganhar um pouco de dinheiro, mas na época trabalhava menos, conciliando com os estudos. 
No trabalho não foi fácil no inicio, não fui muito bem aceita por algumas pessoas, mas hoje olho para trás e percebo que não era "preconceito", mas sim porque eu tinha uma forma diferente de trabalhar e de pensar que não combinava com a forma de trabalhar da empresa e da França em geral. Comecei a ter mais auto-confiança e fui observando os outros e aprendendo com alguns comportamentos que achava bons, e jogando fora outros que eram ruins, e aos poucos fui sendo não apenas aceita, mas apreciada e mesmo elogiada. Recebi diversas promoções e novas responsabilidades nos ultimos anos e fui ficando, pois mesmo se o que faço hoje não tem relação direta com a minha formação de Psicóloga, gosto do meu trabalho e sou feliz assim. 


Paralelamente, fui ficando na França pois o meu casamento está dando certo e aqui escolhemos para viver. Tenho 6-7 semanas de férias por ano, nas quais sempre viajamos e nas outras 45-46 semanas trabalho, curto a vida parisiense tão rica em atividades culturais, gastronomia e lazer e não tenho tempo de reclamar nem de sentir falta do Sol do Brasil nem do calor humano brasileiro, que sinceramente, nunca foi tão evidente para mim. 

Não vejo o Brasil tão ruim assim como alguns dizem, mas sempre repito que não me encaixo numa certa mentalidade brasileira para a qual tudo é feito para os ricos, que só os ricos são valorizados. Não quero viver em uma sociedade em que somente o médico, engenheiro e advogado sejam considerados pessoas de valor. Na qual para se ter um emprego "correto" é necessario ter doutorado. Em que as pessoas são julgadas pelo carro que têm ou o lugar onde passam as férias. 
Sim, como eu entendo que muitas pessoas não apreciem a minha personalidade!!!

Sinto falta da minha família, e muito,  de alguns amigos e alguns lugares, mas aprendi que no meu caso, saudade dói mas não mata. Não podemos evitar a dor, mas depende de cada um sofrer ou não.

Passei 28 an os da minha vida no Brasil. Não tenho a pretensão de ser vista como "uma francesa", inclusive o meu diferencial aqui é ter uma outra bagagem. E no meu dia a dia (que é bem carregado) de trabalho, obrigações e lazer nem dá tempo de sofrer preconceito.

Essa é a minha historia com a Europa, que esta dando certo há quase 7 anos. Não quer dizer que seja a melhor, nem tem nada de especial, mas é a minha. 
E nem digo que seja melhor viver na França. Eh o melhor para mim e por enquanto. 

Quem sabe o que é melhor para você é você mesmo, não é?

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Os franceses e o hábito dos objetos de segunda mão

Existem várias coisas que admiro nos franceses, e uma delas é a paixão deles pelas feirinhas de objetos de segunda mão e a capacidade de recuperar coisas que para outros seriam lixo e iriam para o mesmo (sem volta).

Explico melhor:

- Além das feiras de antiguidades, com objetos de um certo valor, aqui é muito comum os  "vide-grenier" ("esvaziar-sotão"). O principio é bem simples: os moradores se inscrevem na data estipulada (geralmente 2 vezes por ano) e montam seu stand e vendem tudo que é tipo de coisas que não servem mais. Pode ser roupas de criança (ou de adultos), bichos de pelucia, discos, livros, artigos de decoração, TUDO. Os preços são geralmente irrisorios (tudo vai depender da qualidade/tempo de uso).
Já ouvi muitas brasileiras que moram aqui chocadas com essa prática, elas não entendem a razão de vender roupas de bebê por 2 euros, não estão "precisando a esse ponto", e dizem que preferem doar.
Eh verdade que na nossa cultura brasileira temos o costume de doar o que não serve mais e pensamos que vender seria coisa de "pessoas passando por dificuldades", e ainda por cima quem iria querer comprar? Sem falar na falta de higiene, para muitos...
Questão de cultura mesmo! Eu jah acho muito legal vender por um preço irrisorio, pois acredito que muitas vezes quando algo é recebido de mão beijada não se valoriza. Sem contar que o objeto recebe uma segunda vida, é escolhido por alguém que gostou e que deseja aquele objeto. 
Ainda por cima é um momento de integração social esse de passar o domingo no seu stand vendendo seus objetos e conversando com os vizinhos, comendo uma linguiça grelhada... Classe média brasileira não entende mesmo.
(Vale lembrar que tem muita gente que doa também.)

- Uma vez, no Brasil, meu marido precisava de papelão para uma atividade de lazer/pintura que estava realizando com as crianças e como não tinha nada na casa dos meus pais, saimos para dar uma voltinha e voltamos com umas caixas de papelão que os vizinhos tinham jogado fora. 
Minha mãe (que é uma pessoa simples), achou o nosso comportamento muito estranho, "o que os vizinhos vão pensar, que eu venho de Paris para catar lixo?"
Ela não chegou a formular o preconceito completo, mas imagino que ela ficou com vergonha que os vizinhos pensem que virei "papeleira" na Europa!

No inicio eu também devo ter achado estranho, até me dar conta que realmente é um crime a quantidade de coisa que se joga fora, uma catastrofe ecologica!!! Objetos em bom estado, para que jogar fora?
Na nossa mudança há alguns anos, todas as caixas que usamos foram recuperadas na calçada, que as pessoas deixam bem organizadinhas e limpas. Alguns amigos nossos pagaram uma fortuna por caixas "novas" que são vendidas no comércio. Soh que o problema é que quem não se importa em pagar também não se importa com o meio ambiente!

Até mesmo onde eu trabalho, que é um bairro bem chiquezinho, todos os dias por volta das 19h as pessoas passam e vão recuperando tudo: caixas de papelão e de madeira, cabides (bons), tudo que é tipo de artigos de papeis e decoração. Tem coisas que nem sei para que serviria, mas meu marido sempre tem idéia para alguma coisa. Hoje comentei com ele que vi pessoas bem arrumadas pegando tudo que era tipo de cartazes e ele me disse que o papel é de excelente qualidade e muito bom para pintar por cima. 

O que você acha dessas praticas? Comprar/vender objetos usados e recuperar objetos jogados fora fazem ou poderiam fazer parte da sua realidade?