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terça-feira, 14 de junho de 2016

Uma nova aventura em vista!

Fiquei pensando milhões de vezes se falaria aqui no blog, ou de que forma contaria a novidade. 
Estou grávida. Pronto, falei, para que enrolar ainda mais para contar?

















Primeiro pensei esperar os 3 meses para anunciar (o que se costuma fazer aqui na França), mas foi sempre acontecendo alguma coisa e eu achava que nunca era o momento.

A minha gravidez causou muita surpresa ao meu redor, tanto da família, dos amigos quanto dos colegas de trabalho.
Muitos vieram me dizer: "mas eu achei que voces não quisessem ter filhos!"

Bom, não é questão de me justificar, mas acho bom colocar os "pontos nos is":

Eu nunca gostei dessa pressão para engravidar assim que a gente se casa ou atinge uma certa idade, e foi sinceramente o que senti desde o casamento. Se antes eu nunca tinha pensado muito no assunto "ter filhos ou não tê-los", quando me casei, no início o mais importante era curtir o marido, a casa, nossa vida à dois, e ao mesmo tempo desenvolver a minha carreira aqui na Franca.

E a gente estava tão bem na nossa vida que o assunto filhos nunca foi tema de debate no nosso casal. Muito rápido as pessoas vinham nos perguntar e a gente respondia que ainda não era hora, e aos poucos acho até que comecei a ser totalmente meio grossa, pois sinceramente para mim essa é uma decisão do casal. Para a maioria da população é tão "natural" ter filhos, como se fosse impossível para um casal imaginar a vida sem, como se não tivessem muitas vezes nenhum outro interesse em comum.

Sem contar que se a gente não tem filhos, somos logos rotulados de "egoístas", e para mim egoístas eram mais as pessoas que diziam "com filhos nunca mais vou me sentir sozinha; deixarei algo para a posteridade", e por aí vai. Eu sempre gostei de estar sozinha e a vida de casal nem sempre foi fácil para mim por causa disso. Então, nenhum medo de ficar sozinha. Meu marido é bem "grude", muito conversador, não me deixa tranquila nem um minuto, toda hora precisa me contar alguma coisa, colocar uma música, me mostrar algo. Imagina uma criança full time?

Talvez também por ter começado a aproveitar a vida relativamente tarde e ter me tornado "independente" mais tarde, eu ainda queria viver muitas coisas, e uma delas era viajar.
Sei que muita gente viaja com crianças ou mesmo com bebês, mas tanto meu marido quanto eu achamos que algumas viagens a gente evitaria fazer com crianças (no inicio), tanto pelo ritmo cansativo quanto pelas dificuldades locais. Se quando você está na sua casa não vai a um aniversário porque o filho amanheceu com febre, diarréia ou vômitos, imagina estar com um vôo programado ou já estar do outro lado do mundo sem conhecer nenhum médico ou hospital de confiança, e as vezes sem falar a língua? E assim a cada vez a gente tinha um projeto e adiava a decisão.

Alguns ainda me diziam: um dia vai cair a ficha, vai bater "aquela vontade". Esperei até os 35 anos e não caiu a ficha. Na minha cabeça me sentia superjovem e poderia esperar ainda uns 5 anos, mas como mulher, a gente vai lendo e vê que não temos "todo o tempo do mundo". Sim, algumas mulheres têm o primeiro filho aos 42 anos, mas isso é muito mais a exceção que confirma a regra, e não é sem riscos. Foi então que começamos a pensar seriamente e dia 1o. de janeiro tomamos a nossa decisão: vamos começar a tentar, se der certo é porque era para a ser, se não der certo não seremos infelizes sem filhos.

15 dias depois a menstruação não veio. 
Depois vieram todas as confirmações: teste de farmácia, de laboratorio, ecografia... E a ficha ainda não caia que eu estava "supergrávida". 
Hoje já se passaram alguns meses, estou com 25 semanas e posso dizer que estou vivendo uma gravidez muito tranquila, estou muito de bem com a vida e comigo mesma, não tive náuseas, enjôos, a tal ponto que a minha vida segue praticamente tão normal que não fosse a barriga (e seios) que não entram mais nas minhas roupas, os movimentos, um pouco mais de cansaço e vontade de comer algumas coisas outras não, tudo pareceria igual.

Tenho me sentido tão "zen", antes coisas que me preocupavam sobre a gravidez ou ter filhos agora nem me passam pela cabeça ou então eu penso "isso não é tão importante". Tenho a impressão que estou vivendo o momento presente, não consigo ainda me projetar para o futuro e nem quero que as pessoas me apressem.

Tudo no seu tempo.
Parece que de novo tenho todo o tempo do mundo...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Paris by foot (ou Paris para pedestres)

Uma das coisas que adoro na França é que aqui praticar esportes não é considerado coisa de rico, nem de esquerda, nem é coisa de quem não tem o que fazer.

Você pode ir em cidades do interior onde não existe hospital, praticamente não tem médico em um raio de muitos quilômetros, mas com certeza você encontra uma piscina pública (coberta e aquecida), além de muitas atividades esportivas para crianças e adolescentes.

Inclusive sempre fico impressionada com os velhinhos com mais de 80 anos, firmes e fortes praticando esportes!

Sabemos que a prática de atividade física regular e adaptada desempenha um papel importante na prevenção de diversas doenças (inclusive cancer!). As principais causas de morte no Rio Grande do Sul (de onde eu venho) são o câncer e problemas cardiovasculares, cuja melhor prevenção é a prática de atividades fisicas (assim como uma alimentação com menos sal, menos carnes vermelhas, etc, ou seja, coisas que estão ao alcance de qualquer um). Estima-se de 4 de cada 10 câncers poderiam ser evitados com uma boa higiene de vida.

Se as pessoas tivessem uma vida menos sedentária ficariam menos doentes e os gastos com saúde (médicos, medicamentos, etc) seriam muito menores. Simples assim. Todo mundo sai ganhando, não acham?

Já o Brasil tem fama de todo um culto e preocupação com o corpo, e realmente vimos muitas academias de Norte à Sul, 
Mas eu também já vi muita gente que vive em academia, com um corpo lindo, mas que não consegue subir as escadarias da Basílica do Sacre-Coeur ou mesmo do metrô e que não conseguem ficar muito tempo sem sentar. Cansamos muito mais após uma jornada na frente do computador, e 12 horas de sono nos deixam menos dispostos do que 7! Não estamos geralmente mortos de fome sem ter queimado muitas calorias?

Hoje fiz um vídeo para compartilhar sobre como foi o dia "Paris sem carros", mas não sou jornalista nem tenho experiência em falar para a câmera, tenham um pouco de paciência.



Não foi em toda a cidade, somente algumas zonas foram delimitadas entre 11h e 18h, e em outras a velocidade estava limitada em 20km/h. Mas para muitos adictos ao petróleo e em velocidade esse tipo de proposta não é bem-vinda.

E eu que não gostava de correr, comecei no ano passado timidamente e foi a segunda vez que corri a "Parisienne", uma corrida somente para mulheres em Paris, há duas semanas. Emagreci? Não, mas me sinto muito melhor no meu próprio corpo, muito mais disposta e menos cansada no dia a dia.

Mas não se iludam, não corro com um imenso prazer. Para mim o melhor momento de uma corrida é quando ela termina! Nada melhor do que a sensação de ter cumprido um objetivo, de ter ultrapassado a linha de chegada! A cada vez que corro, durmo com a maior facilidade, me sinto realizada. A cada vez é uma vitória.

No ano passado fiz só pelo "prazer" e nem me importei com o tempo. Desta vez não estava muito motivada, o dia amanheceu feio, com previsão de chuva, e eu sabia que não tinha me preparado como deveria. Esse ano não pude evitar de ficar um pouquinho decepcionada com o meu desempenho, mesmo tendo terminado 3 minutos mais rapido que há um ano. Fica o desejo de fazer melhor da próxima vez, com ou sem chuva!



 No trem, ainda me preparando antes de corrida e depois, com a agradável sensação de ser uma vencedora.

Paris merece mais do que somente carros e poluição. A sua cidade também!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Como é morar no exterior?

Todos os dias recebo dezenas de mensagens de pessoas que dizem que não aguentam mais morar no Brasil e querem deixar o país.
No meu caso não foi assim. Nunca tive nada contra o Brasil e apesar de ter uma origem simples e ter estudado em escola publica, tinha sido aprovada em uma excelente universidade publica, esforcei-me bastante, fiz diversos estágios, me formei, consegui um emprego na área que eu buscava e ainda atendia paralelamente no meu consultorio. Conseguia economizar e viajava um pouco, e provavelmente se tivesse ficado no Brasil hoje eu teria uma carreira estabilizada, meu carro e teria financiado uma moradia (pois tinha o sonho de morar sozinha, contudo não queria pagar aluguel).

Porém o que aconteceu comigo foi uma insatisfação interior, eu era (e sou) uma eterna insatisfeita. Quando cheguei onde sempre quis estar, já não era mais isso que eu queria. Queria ver o mundo, fazer alguma coisa diferente. Freud já tinha me alertado.

Durante toda a minha adolescência sonhei com o Japão ou os EUA, mais tarde com a França e a Alemanha, e também sempre quis conhecer a China ou a Russia (não exatamente morar nesses lugares).

Era uma insatisfação comigo mesma e com a vida que eu levava, e um conjunto de circunstâncias me trouxeram à França. Poderia ter sido a Alemanha, a Inglaleterra ou a Itália, mas foi a França, não sei explicar direito, foi algo que aconteceu naturalmente e eu decidi agarrar essa oportunidade, "pagar para ver", voltar mais tarde. Era uma experiência que eu PRECISAVA viver. Desejo ou necessidade? Provavelmente os dois.

Algumas pessoas tiveram comentários maldosos do tipo "em dois anos vai voltar com o rabinho entre as pernas e dois filhos debaixo dos braços" (?!?). Justamente eu que saia de um relacionamento sério de 3 anos, então acho que eu não tinha lá essa fama de "avoada". Mas algumas pessoas falam e são maldosas mesmo, e pelo que tenho visto nesse mundo afora, infelizmente tenho a impressão que é no Brasil onde as pessoas mais cuidam da vida dos outros. 

Para mim foi tão natural chegar aqui na França, me virar no meu francês muito básico, aprender a cada dia palavras novas. Tive a sorte de conhecer um amigo, um companheiro que se tornou o meu marido e que me ajudou nessa adaptação. 

Eu sou o tipo de pessoa que prefere fazer as coisas sozinha e gosto de estar sozinha, então essa forma de "exilio" nunca me incomodou. Muitas pessoas não gostam da minha personalidade, por essa auto-suficiência. Vivo a minha vida de forma a tentar não depender dos outros e consequuentemente sou menos disponível aos outros. 

Quando cheguei aqui passava muito tempo nos transportes diariamente para ir à Universidade, eu sozinha com os meus livros, e os contatos multiplos (mas superficiais) que ali realizava era suficientes para mim. Passava boa parte do meu tempo livre passeando pela cidade, visitando museus ou olhando vitrines, atividades que nunca me importei de fazer sozinha. Gostava de ir ao supermercado e passava horas descobrindo os produtos que para mim eram novidade e gostava de observar o que as pessoas colocavam no carrinho (uma prática que sempre repito nas minhas viagens). Ia à piscina e gostava de ler nas bibliotecas de Paris, aprendi que não é o fim do mundo ir ao cinema desacompanhada ou sentar em um café, mas ainda não gosto de ir ao restaurante sozinha. 

Como em uma corrida, podemos estar rodeados de milhares de pessoas, mas estamos sozinhos, cada um diante de seus próprios limites. 
Vai depender de nós mesmos desistir ou avançar, de ninguém mais. 
E isso é genial.

Gosto de estar sozinha, gosto do silêncio. 
Ha muitos anos não preciso ligar a tv para sentir uma "presença".

Em outubro de 2009 começei a trabalhar na minha empresa atual, mas no inicio era apenas um emprego temporário, queria entrar na vida produtiva, ganhar um pouco de dinheiro, mas na época trabalhava menos, conciliando com os estudos. 
No trabalho não foi fácil no inicio, não fui muito bem aceita por algumas pessoas, mas hoje olho para trás e percebo que não era "preconceito", mas sim porque eu tinha uma forma diferente de trabalhar e de pensar que não combinava com a forma de trabalhar da empresa e da França em geral. Comecei a ter mais auto-confiança e fui observando os outros e aprendendo com alguns comportamentos que achava bons, e jogando fora outros que eram ruins, e aos poucos fui sendo não apenas aceita, mas apreciada e mesmo elogiada. Recebi diversas promoções e novas responsabilidades nos ultimos anos e fui ficando, pois mesmo se o que faço hoje não tem relação direta com a minha formação de Psicóloga, gosto do meu trabalho e sou feliz assim. 


Paralelamente, fui ficando na França pois o meu casamento está dando certo e aqui escolhemos para viver. Tenho 6-7 semanas de férias por ano, nas quais sempre viajamos e nas outras 45-46 semanas trabalho, curto a vida parisiense tão rica em atividades culturais, gastronomia e lazer e não tenho tempo de reclamar nem de sentir falta do Sol do Brasil nem do calor humano brasileiro, que sinceramente, nunca foi tão evidente para mim. 

Não vejo o Brasil tão ruim assim como alguns dizem, mas sempre repito que não me encaixo numa certa mentalidade brasileira para a qual tudo é feito para os ricos, que só os ricos são valorizados. Não quero viver em uma sociedade em que somente o médico, engenheiro e advogado sejam considerados pessoas de valor. Na qual para se ter um emprego "correto" é necessario ter doutorado. Em que as pessoas são julgadas pelo carro que têm ou o lugar onde passam as férias. 
Sim, como eu entendo que muitas pessoas não apreciem a minha personalidade!!!

Sinto falta da minha família, e muito,  de alguns amigos e alguns lugares, mas aprendi que no meu caso, saudade dói mas não mata. Não podemos evitar a dor, mas depende de cada um sofrer ou não.

Passei 28 an os da minha vida no Brasil. Não tenho a pretensão de ser vista como "uma francesa", inclusive o meu diferencial aqui é ter uma outra bagagem. E no meu dia a dia (que é bem carregado) de trabalho, obrigações e lazer nem dá tempo de sofrer preconceito.

Essa é a minha historia com a Europa, que esta dando certo há quase 7 anos. Não quer dizer que seja a melhor, nem tem nada de especial, mas é a minha. 
E nem digo que seja melhor viver na França. Eh o melhor para mim e por enquanto. 

Quem sabe o que é melhor para você é você mesmo, não é?

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Cadeados em Paris

Os tais "cadeados" do amor andam tomando conta não soh de Paris, mas de diversas outras cidades européias.

Essa semana foram retiradas 45 toneladas de cadeados foram retiradas da Pontes das Artes (Pont des Arts), em Paris.

Vocês têm idéia do que representa 45 toneladas de LIXO, somente em UMA ponte? Sem contar as milhares de chaves que são jogadas do rio Sena diariamente?




Fico realmente chocada que os turistas sigam repetindo essa ação sem se questionar. Não passa pela cabeça das pessoas que essa pratica é uma grande falta de respeito com o patrimônio historico, arquitetônico e com o meio ambiente dos outros?


Explicando melhor sobre os cadeados (tradução aproximativa): "O peso do seu amor pesa sobre o patrimônio e coloca em perigo os visitantes da capital. Paris retira os cadeados porque nossas pontes não resistirão ao seu amor. Desde 2008 vocês foram numerosos a trocar promessas de amor e colocar seus cadeados em uma ponte parisiense. Essa pratica degrada duravelmente o patrimônio e causa problemas de segurança."

Os painéis são em francês e inglês, mas acho que mesmo quem não lê nenhuma dessas linguas pode compreender.

Existem muitas outras formas de manifestar o amor. 
Viajar para Paris com o seu amor jah é uma delas, ninguém precisa de cadeado!

Ja escolheu sua hospedagem em Paris? Pesquise agora mesmo AQUI.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

O que é bom saber antes de casar com um estrangeiro

Sei bem que ninguém gosta de conselho, mas cada vez tenho visto mais casos de casais de nacionalidades diferentes que terminam de forma bem traumática, então acredito que seja ainda mais importante considerar alguns pontos antes de tomar a decisão de deixar tudo para trás para viver uma história de amor (ou de conveniência).

- Sim, tem muita história de amor que começa e termina todos os dias, algumas mais ou menos traumáticas do que as outras, mas morando longe da família e amigos complica. Não dá para correr para o colo da mãe ou ir dormir na casa da melhor amiga em caso de problemas.

- O amor pode ser o mais importante em uma relação, mas eu sempre digo que só ele não é o suficiente
E a gente ama o outro pelo que ele realmente é, pelo que ele nos mostrou, ou ainda pelo que gostaríamos que ele fosse? Na verdade, um pouco de tudo, mas não raras vezes esse amor é baseado no "engano". A pessoa vem com um discurso com o qual a gente se identifica, mas com o tempo a gente descobre que era tudo da boca para fora, ou nem era verdade, ou vai ver que ele muda com o tempo.
Como se proteger? Conversar, conversar e conversar sobre vários assuntos. E querem saber? Quando existe um limite muito grande na comunicação (pessoas que não falam a mesma língua), é bem mais difícil fazer as boas perguntas e bem fácil de se enganar.
Pode parecer bobagem?  Quando você "ama" e para você fidelidade é fundamental, a vida será muito difícil se o outro acha que fidelidade (a dele) não existe em um relacionamento...
Ou você conheceu o seu companheiro em uma situação de infidelidade? Ele ficou com você quando ainda estava comprometido? As chances são de que ele repita esse comportamento no futuro...
Ele tem 45 anos, nunca foi casado nem morou com ninguém... será que ele pode se adaptar a uma vida à dois? Desde coisas simples como dar satisfação quando vai chegar mais tarde (até por medida de segurança).

- Você conhece realmente o outro?
Questão complexa, pois dizem que a gente nunca pode conhecer completamente o outro. Mas podemos ter indícios.
Hoje em dia com a internet fica fácil colocar um nome do google e descobrir algumas coisas.  Uma vez descobri que o homem com quem eu estata saindo era na verdade bem mais velho do que ele dizia... Ou então ele tinha se formado em medicina com 15 anos!!! Facebook também pode ser útil. Ele diz que vocês estão juntos e vão se casar, mas não coloca nenhuma foto de vocês juntos? Não mudou de status? O marido mulherengo de uma conhecida tem várias "amigas" facebook em fotos semi-nuas... Um tanto estranho...
Olha que já conheci tanta gente por aqui! Uma menina começou a apanhar do noivo e não podia sair de casa, até que um dia o convenceu que precisava visitar a familia no Brasil e nunca mais voltou, mas não são todas as mulheres que conseguem sair de uma relação patológica assim.

- Situação financeira:
No Brasil é considerado "chique" casar com um gringo. Dá status. Muita gente fica impressionada com o namorado que ganha 2500 euros por mês, já que convertendo dá quase 7500 reais. Por mais que seja um salário correto aqui na Europa, uma renda familiar desse valor aqui na França não permite pagar faxineira, manicure e cabelereiro toda semana... também não permite viajar para o Brasil todo ano... Se for o seu desejo de se tornar dona-de-casa, o salário do marido permite a vida que vocês dois gostariam de ter? Ele não se importa de ter uma mulher que não trabalha fora? Na França principalmente, o cidadão "médio" espera que a companheira trabalhe para ajudar nas despesas da casa e no alcance dos sonhos.
Ou você não tem nenhuma idéia do que ele ganha e como ele ganha a vida, se ele tem economias guardadas ou dívidas? Cuidado!

- Adaptação:
Muita gente acha lindo e romântico viver "no estrangeiro", mas nem tudo são rosas. Vai ser necessário se adaptar a tudo. Ao clima, ao modo de vida, à comida, às pessoas... O quanto você é capaz de se adaptar?
Algumas amigas nunca se adaptaram ao frio, ou a comida, ou ao povo a ponto de todos os dias ser um sofrimento.

- Domínio do idioma:
Fala-se que em 6 meses no novo país estará falando fluentemente o idioma. Quem dera fosse assim para todo mundo!!! Mas tudo depende do idioma, da facilidade (ou não) em aprendê-lo, do esforço dispensado... são tantos fatores! E já encontrei muita brasileira que mora aqui na França há quase 10 anos e que fala muito mal, sem contar que praticamente não escreve.
Além disso, quem já não gostava de estudar, de ler e tinha dificuldades na escola no Brasil, provavelmente terá ainda mais dificuldades nos seus estudos no exterior (em outra língua e com outras regras).

- Situação profissional:
Essa é uma das principais frustrações que tenho visto nas brasileiras casadas com estrangeiros. A dificuldade de adaptação (falta de confiança em si mesma), dificuldades com o idioma, experiência inadaptada à realidade do mercado de trabalho local e a crise econômica dificultam essa etapa. O quanto você é capaz de recomeçar de mais baixo, ou mesmo do zero? 
Eu tive a sorte de sempre gostar de muitas coisas e poderia ser feliz em muitas profissões. Já quis ser arqueóloga, professora de história, geografia, matemática, psicóloga, farmacêutica, engenheira, arquiteta, jornalista, geóloga, bibliotecária, etc. Mas conheço pessoas que só se imaginam felizes em uma determinada profissão e pronto (como um amigo que tentou 10 vezes vestibular para medicina). Uma menina, morando há alguns anos na França e nunca tendo conseguido emprego na sua área acabou largando o marido e voltando ao Brasil quando obteve uma proposta na sua área. No caso dela, a vontade de ser uma "profissional" e desenvolver a sua carreira foi mais forte do que o amor pelo marido e a vontade de fundar uma família.
Outras foram ficando em casa, no início "se adaptando", aprendendo a língua... e continuaram, ficam vendo a vida passar pela janela e o tempo passar. A gente se acostuma a não fazer nada e depois é ainda mais trabalhoso recomeçar.

- Família:
São poucos os maridos europeus que decidem viver com a esposa no Brasil, geralmente é a mulher que vem morar com ele na Europa. Nesse caso, é necessário ter em mente que você verá muito pouco a sua família, a não ser que tenham uma situação financeira muito privilegiada e que  não trabalhe para viajar diversas vezes por ano ao Brasil. Então provavelmente você não conseguirá estar presente em todas as situações de família como Natal, casamentos, aniversários, nascimentos, falecimentos, doenças...

- Filhos:
Eu tenho lá a minhas opiniões quanto a colocar filho no mundo sem pensar muito e para passar dificuldades. Porém isso acontece e nem sempre a gente pode prever e muitos casais se separam com filhos pequenos. Normal, quando é para o bem dos adultos e das crianças. Mas nesse tipo de casamento, na maioria das vezes, quando a mulher não está adaptada, acaba voltando ao Brasil. E como fica a criança nessa história? As brasileiras nesses casos pensam que o filho pertence à mãe e que o pai é uma mera fonte de ajuda financeira, e quanto mais distante melhor. Eu já acredito que uma criança precisa dos dois para se desenvolver, e os franceses, principalmente, estão cada vez mais participativos em todas as atividades do dia a dia da criança.

No início eu achava estranho que muitas francesas não amamentavam seus bebês, até que comecei a prestar mais atenção e ouvia sempre a mesma resposta: durante 9 meses elas estabeleceram uma relação única com o bebê da qual o pai estava excluído. Com a amamentação esse fenômeno persistiria, deixando muito pouco espaço ao pai. Então, no caso da mamadeira (não digo que eu concorde), o pai pode prepará-la e estabelecer uma ligação com a criança através da alimentação, o que de outra forma seria impossível ao pai. Além disso, o casal pode se revezar durante a noite.
Inclusive um colega de trabalho resolveu utilizar seu direito de uma licença paternidade de longa duração, mesmo perdendo uma parte muito significativa do rendimento, para acompanhar o desenvolvimento do filho!
Temos também muitos amigos divorciados e na maioria dos casos a guarda é compartilhada, tendência atualmente.
Vale lembrar que em alguns países, inclusive, como alguns países árabes, em caso de separação os filhos ficam com o pai e a mãe não tem praticamente nenhum direito... Incidente diplomático na certa e muito difícil de resolver.

Ninguém casa pensando em se separar, mas é bom ter em mente que a guarda dos filhos não vem automaticamente para a mãe, ainda mais se ela não apresentar condições financeiras, psicológicas e sociais (adaptação, integração, idioma, etc.) conformes ao que se espera de um responsável.

Ou seja, criança é assunto muito sério e na minha opinião, melhor pensar muito. Bom seria que a relação entre o casal seja sólida, baseada no respeito e em objetivos comuns.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Costumes franceses que me irritam

Quem acompanha um pouco o blog sabe que já "defendi" muito os franceses e seus costumes e que já me acostumei com muitas coisas que atualmente fazem parte da minha conduta.

Porém hoje quero falar de alguns hábitos franceses com os quais não consigo que acostumar e que (alguns deles!) me irritam. Vamos lá:

- A mania das francesas não divulgarem o nome do bebê antes do nascimento
Na maioria dos casos que acompanhei, o nome do bebê é segredo! Ninguém soube me explicar bem, em alguns casos é para criar a expectativa mesmo, para que todo mundo fique curioso e conjecturando "qual será o nome do bebê?", em outros casos é por "medo" mesmo, medo de que a gravidez não chegue ao final. 
Sei lá, para mim é importante o bebê já ter um nome, e mesmo se realmente os pais venham a perdê-lo faz parte do processo do luto, mas parece que os franceses não pensam assim.

Recentemente, na família do meu marido um bebê nasceu com 25 semanas e 950 gramas, eainda está no hospital, lutando pela sobrevivência, e ninguém quer nos falar o nome pois não sabem se o bebê vai sobreviver. Cada dia eu pergunto como vai o bebê, mas eu preferia perguntar "como vai o "Fulaninho"? Imaginem, um serzinho que apesar de frágil ele está ali, respirando, vivendo!!! Eh um ser e merece ser chamado pelo seu nome...
Bom, já fiz tanta gafe... Quantas vezes o bebê nascia, eu perguntava "correu tudo bem? a Fulana(mãe) está bem? E o bebê está bem? Então tá..." E aí as pessoas me olhavam chocadas: "você não vai perguntar o nome do bebê?"
Talvez de tanto chamar o bebê de "bebê" eu tenha perdido completamente o interesse pelo nome.
E se o objetivo é causar expectativas, comigo não funciona, não fico morrendo de curiosidade!

- De uma forma geral os franceses fumam e inclusive os jovens acham bonito! Uma coisa que no Brasil está ficando fora de moda.
(Porém, mesmo se eu odeio cigarro, cheiro e fumaça de cigarro, além de todos os problemas de saúde que estão CONFIRMADOS que ele causa, eu respeito quem fuma e acho que o fumante tem que ter o direito de fumar em algum lugar.)

O problema é que aqui na França fumar ganha toda uma dimenção social e se você não fuma meio que fica de fora do grupo, da panelinha...
Quando fui promovida e fui convidada para um Seminário da empresa, a minha chefe me deu algumas "dicas" e disse que no Seminário todo mundo é "cool", todo mundo fuma... Hein? Como assim? Eu disse que fora de questão de fumar, eu que nunca coloquei um cigarro na boca e tenho horror disso. Ela disse que cada um fazia o que queria, mas que era uma forma de estar mais próxima das "conversas" e das pessoas. Ela que não fuma estava lá fumando com os "poderosos" na "pause cigarrette" (pausa cigarro) e é claro que a pessoa que não fuma não vai ficar ali do lado e aí as pessoas se aproximam mais se elas fumam... Felizmente acabei me aproximando de duas pessoas que são muito respeitadas e que não fumam, mas cujos cargos não são nada estratégicos.


- No início me irritava o costume dos franceses de cumprimentarem com beijinhos (geralmente 2, 4 para os mais velhos, para as pessoas do interior ou para os gourmands). Acho um saco ter que chegar no trabalho e sair beijando todo mundo... Mas não é que fiz um esforço enorme para ser beijoqueira, afinal temos que ser "cool" e aí, volta e meia chego querendo beijar as pessoas e sempre tem alguém para dizer "não, não vou te beijar pois estou doente". A primeira vez senti como se fosse um tapa na cara, uma "cortada". Mas não, parece que é normal, as pessoas evitam de sair por aí distribuindo micróbios e acham que os beijinhos no rosto são muito perigosos para isso. O jeito é me acostumar, temos que sair beijando todo mundo, mas sabendo que alguem vai te dizer não pois está doente. Não podemos levar para o lado pessoal!

- Na França ser prolixo é considerado uma qualidade e as pessoas adoram um monologo! As vezes pego um trem e tem alguém falando durante 2 horas e seus companheiros de viagem soh escutando e invervenindo ocasionalmente.
Se eu estou de acordo que é falta de educação sair interrompendo as pessoas, para mim também faz parte de um dialogo uma boa interação, e todo mundo pode falar. Geralmente a gente costuma interremper as pessoas no Brasil para dizer que não estamos de acordo, ou para dar a nossa opinião, ou compartilhar uma experiência semelhante... Mas aqui isso é um pecado mortal!
Resultado: depois de 15 minutos da pessoa falando sozinha eu jah não consigo mais me concentrar ao tom monotono do dialogo e não consigo evitar de pensar em outra coisa.

- Mania de "discutir" sobre tudo... Francês adora uma discussão acirrada! Para mim fica parecendo que é briga mesmo, com exposição de opiniões bem fortes, emoções exaltadas, as pessoas dizem o que pensam sem medo... Mas ai a discussão termina e ninguém ficou de mal, tudo isso faz parte, ninguém leva para o lado pessoal. Eu fico muito cansada com esse tipo de discussão, parece que não me sobra nenhuma energia (uma das coisas mais dificeis para mim é discutir em uma lingua estrangeira!)
Porém na França existem duas palavras diferentes: "Discuter" tem o sentido de um debate, troca de pontos de vista (o que para eles é normal) e "se disputer" seria o conflito, briga (e esse sim é negativo). Na pratica não sei onde termina um e começa o outro.
Mas o pior é que até sou meio assim também e costumo agir dessa forma no meu circulo de brasileiros... Mas o problema é que depois os brasileiros ficam brabinhos e não falam mais comigo!!!

E você, tem algum costume que incomoda onde você mora?

sábado, 17 de janeiro de 2015

A delicada arte de viver

Esses dias assisti a um filme que muito mexeu comigo e que me fez chorar do inicio ao fim, não apenas algumas lágrimas perdidas, escondidas ou de emoção, mas lágrimas e choro de verdade.

Mas por que esse filme mexeu tanto assim comigo?

Tentando analisar, primeiro ele trata de um tema no qual penso muito: não é possivel que tudo corra sempre tão bem assim. Eh que na verdade não tenho graves problemas, ao contrário de pessoas que cruzo todos os dias que passam por uma doença grave, perderam uma pessoa importante ou passam por dificuldades financeiras. Mas a vida não pode ser sempre simples e fácil assim, pode? Um dia a roda da fortuna muda de lado, não é?

O filme começa dessa forma, com um casal que se ama, auto-suficiente, até que um acidente os separa...

O tempo passa, a mulher refaz a vida dela se concentrando no trabalho mas sem muita vida pessoal, até que ela encontra um colega de trabalho com quem se sente bem. Mas as pessoas ao seu redor não veem essa historia com bons olhos, ela tão bonita e o homem tão feio e "insignificante"!!!

Nunca fui bonita nem simpática, sempre vivi uma certa inadaptação social e não sabia direito o que fazer para ter amigos ou ter um amor correspondido. Até mesmo a minha avo me disse recentemente no telefone que eu parecia bonita nas fotos, eu que sempre fui tão feinha e sem graça!!!

Felizmente isso nunca me impediu de amar e ser amada algumas vezes de volta. 

Tive alguns amores não correspondidos, como o G, que povoou minhas fantasias durante boa parte da minha adolescência. Até o dia em que uma amiga contou que eu gostava dele, e a sua reação foi "Quem?" Realmente ele não sabia quem eu era, a tal amiga explicou em detalhes e ele respondeu "aquela gordinha?"

Depois teve o D, amor de verão durante anos a fio, mas a nossa historia nunca avançou, nunca evoluiu na "cidade grande". Eu poderia ter me perdido naqueles olhos verdes que fixavam o fundo da minha alma, mas a vida quis de outra forma.

Então apareceu o C, com quem realmente me senti amada, mas que assim como chegou na minha vida, cheio de amor, planos e projetos, desapareceu  2 anos depois.

Muita gente não acredita ou não acreditou nos meus sentimentos sinceros pelo O, afinal era tanta diferença de idade e de experiência de vida. Durante 2 anos vivi um sonho, mas quando fui obrigada a acordar vi que nada daquilo era verdade. Se tudo o que eu vivi foi uma grande decepção ou uma mentira, não posso reclamar, pois o mais importante é que ele esteve ao meu lado em um dos momentos mais dificeis da minha vida, quando minha mãe passou por uma cirugia importante e esteve muito ruim. Ele foi a minha força naquele momento e por isso não guardo rancores,n nem mágoas, e até consigo lembrar dele com um sorriso e desejo seu bem.

Eu poderia ter amado o C e vivido uma linda historia, mas eu nunca soube expressar meus sentimentos, tinha medo de dizer o que eu queria (um grande erro, aprendi mais tarde). Creio que o perdi porque ele achou que eu não queria nada sério, que soh queria curtir o momento. Quando percebi que dei bobeira já era muito tarde.

Mas então conheci o C E, que me trouxe tanta paz de espirito e com ele eu não me sentia nem inferior nem superior, lá estava eu em um momento da vida em que já não me preocupava tanto com os olhares dos outros. Aprendemos e vivemos muitas coisas juntos, como minha evolução profissional, minha primeira viagem internacional. Mas ele estava saindo de um longo problema de saude e esteve muito fechado para o mundo, acredito mesmo que fui sua primeira abertura apos muito tempo. Tendo em vista o meu passado, eu queria ir mais longe, não queria perder tempo, mas 3 anos de namoro e ele não estava pronto para "crescer". Para "seguir em frente" muitas vezes temos que deixar algumas pessoas para trás.

Nunca pensei em morar especialmente na Europa ou na França, mas queria aprender um outro idioma e entre o francês e o alemão, consegui um bom preço na Aliança Francesa e horários que coincidiam com o meu (pouco) tempo livre. Quando surgiu pela primeira vez a possibilidade de vir morar na França eu conversei com ele, um pouco na esperança de que ele me fizesse uma proposta mais interessante para eu ficar em Porto Alegre. Proposta essa que nunca veio. 

Será que se eu tivesse aprendido alemão hoje estaria morando na Alemanha e casada com um alemão?
(mais uma dessas questões que a gente se faz pela vida afora e que que ficará sem resposta)

De vez em quando acontece de me dizer que a hesitação dele mudou toda a minha vida. Mas agora me parece que se ele não tivesse tido esse ataque de pânico ai sim minha vida teria sido verdadeiramente transformada. 

Foi então que o Sylvain entrou na minha vida. E nunca mais voltei a morar no Brasil. Vou como turista, como vista, e me sinto estrangeira. Apesar de me considerar ainda psicologa nunca mais exerci diretamente a profissão (sempre fui atraida por numeros, tabelas, objetivos e metas), mesmo se ela está presente no meu quotidiano. Quando eu estudava matemática (bacharelado) na UFRGS era uma das piores aspirantes ao titulo de "matemático", mas fora desse circulo restrito as pessoas ficam surpresas com a minha facilidade para os numeros! Tudo depende do ponto de partida, não é verdade?

Muitas pessoas acreditam que a vida não é pré-determinada e que todas as historias são uma rede de coincidências. Porém esses mesmos que compartilham desta convicção, quando em algum momento de suas existências eles retornam para contemplar o passado, eles se dizem que todos os acontecimentos vividos foram inevitáveis.


Ah, falei tanto e não falei que filme foi esse que tanto mexeu comigo:

Se você quiser chorar até se sentir completamente libertada(o) de todas as lagrimas que estavam presas no mais profundo do seu ser, assista ao filme.

Ou vai ver você assistira (ou mesmo jah viu) e não sentiu nada... Vai saber ?

domingo, 11 de janeiro de 2015

Ataque terrorista na França: de vitima a vilão

Vocês sabem qual era a pauta da reunião do dia em que os jornalistas/ caricaturistas de Paris foram assassinados? "COMO COMBATER O RACISMO".


Fico chocada com os comentarios odiosos dos BRASILEIROS que tenho ouvido em relação ao jornal de satiras Charlie Hebdo. Fico realmente revoltada.
Anda circulando por ai uma caricatura de uma ministra francesa em macaco. A charge foi realmente realizada pelo Charb, MAS o que parece que os brasileiros não entenderam, por pegarem o bonde andando, é que ela foi uma RESPOSTA a uma publicação da extrema direita, essa sim considerada racista. Para quem vê a charge isolada, sem contexto, não entende a mensagem que ela passou na época. Ai estah o problema de pegar o bonde andando e querer sentar na janela!!! Não sou leitora da Charlie Hebdo (não tenho senso de humor nenhum, nem consigo entender direito humor francês), mas não acho justo sair julgando sem conhecimento de causa. Essa revista defende a liberdade e denuncia todos os extremismos, dentre eles o ISLAMISMO RADICAL.

Os brasileiros andam confundindo "denunciar os extremistos, os fanatismos" com "rir do oprimido". Se fosse um problema com a interpretação de um texto, eu diria que se trata de analfabetismo funcional, mas como se trata de charges, eu chamo de analfabetismo cultural.

Em uma entrevista logo apos a caricatura, Charb respondeu (a tradução é minha): "Quando "Minute" associa Taubira à imagem do macaco e da banana, nos caricaturamos Taubira para denunciar o racismo de "Minute". Alguns levavam o nosso desenho ao pé da letra. Minute é claramente de extrema-direita com toda a ideologia que vai com isso. Charlie Hebdo é um jornal engajado em ações anti-racistas. Para denunciar o racismo, é necessario as vezes representa-lo, ou pelo menos representar a imagem chocante que ele quer denunciar". (fonte: http://medialibre.info/face-a-faces/?tag=charb) .

Provavelmente os negros brasileiros que não vivenciaram o contexto se sentem ofendidos ao verem a charge nesse momento, mas vale lembrar que o contexto em que ela foi publicada na França era outro.

Como bem explicou o Luis Fernando Verissimo:
"O 'Charlie Hebdo'e outros, como o “Canard Enchainé”, pertencem a uma tradição de imprensa malcriada que vem desde antes da Revolução Francesa. É uma imprensa que não reconhece limites nem de alvos para o seu humor corrosivo nem de coisas vagas como 'bom gosto'. Jornais como o 'Charlie', impensáveis em qualquer outro lugar, se beneficiam de outra tradição francesa, a da tolerância com a contestação política e respeito à liberdade de expressão. "

Seu alvo principal é a direita cristã francesa, mas tem falado muito de outros assuntos, de todos os extremismos e fanatismos.

Morando aqui na França desde 2008, acompanhei de perto toda a polêmica na época. E sofri muito com os atos terroristas dos ultimos dias, inclusive o local onde o cumplice entrou e fez mais de 16 réfens (matando 4) na sexta-feira foi pertinho do meu local de trabalho e passei uma tarde de sexta horrivel, sem poder sair, sem saber o que poderia acontecer. Das 13h às 17h. Recebi centenas de telefonemas e mensagens de colegas franceses perguntando como eu estava e mostrando que "estavam comigo" naquele momento de sofrimento, mas NENHUM BRASILEIRO, nem do Brasil nem da França fizeram nenhum movimento nesse sentido. Parece que jah estavam mais preocupados em cumpabilizar as vitimas do que com a continuação dos atentados.  Muito triste.

Entendo que para a população brasileira esse tipo de publicação possa parecer chocante, pois no Brasil não se brinca com religião.

Mas o que esperar de uma sociedade que acredita que mulher com roupa provocante "merece" ser estuprada?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sobre morar no Brasil e Bicicletas

Se um dia eu voltar voltar a morar no Brasil acredito que uma das coisas mais dificeis a me readaptar seria a mentalidade das pessoas. O Brasil é aquele pais lindo, todo mundo é alegre, amigo, hospitaleiro, ninguém nunca quer te passar a perna e não existe preconceito. Não é isso?

Uma vez jah tinha comentado aqui algo que me chocou muito e volto a bater na mesma tecla: infelizmente uma parcela significativa da sociedade brasileira soh vive para julgar os outros pelo carro que se tem, pelo meio de transporte que se usa e por ai vai. 

Vocês leram a reportagem do Estadão sobre as ciclovias? Pior do que os moradores serem contra (ninguém é obrigado a ser a favor de tudo), foram alguns moradores que disseram frases do tipo:
"quem anda de bicicleta não presta"
"são pessoas não-qualificadas"
"se eu fizer um jantar na minha casa onde meus amigos irão estacionar?"
 Sinceramente, quando ouço ou leio frases desse tipo em um primeiro momento não acredito, penso que deve ser uma pegadinha, devo ter entendido errado. Não é possivel esse tipo de comentario tão preconceituoso e tão centrado no seu proprio umbigo.

Então, para mim, eu não poderia morar em um pais que soh valoriza os veiculos, onde a população soh acha bonito viadutos e rodovias com uma dezena de vias e onde uma pessoa que não tem carro proprio e que anda de transporte publico (ou bicicleta) é não qualificada. 

Cada vez que vou ao Brasil encontro mais carros, mais engarrafamentos, mais poluição. Mas as pessoas acham bonito. Claro que as cidades da Europa passaram por isso, mas houve um momento em que elas perceberam que não podiam continuar daquele jeito e que era necessario pensar outras formas de locomoção no meio urbano. Não digo que eu esteja certa e os brasileiros errados, mas simplesmente que nossos pontos de vista não batem e o quão seria dificil viver nesse ambiente hostil.

Aqui na Europa as pessoas usam bicicleta como lazer (inclusive a burguesia adora o patinete, eu achava muito engraçado!) e como meio de transporte, na cidade e no interior. Fazem 40km por dia para visitar os castelos de bicicleta, levam os filhos para andar de bicicleta e inclusive incluem um assento para os menorzinhos. 


Mas enquanto essa "elite" brasileira acredita que quem não tem carro não presta, a não qualificada aqui prefere continuar andando de bicicleta (ou de ônibus/metrô/trem) pelo mundo afora.




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Parisiense, eu?

Esportiva, eu?

Difícil de dizer... No passado nunca fui, mas há alguns anos decidi de me inscrever em uma academia e tenho conseguido seguir com uma certa regularidade... Se tenho preguiça de ir, quando estou lá adoro, me sinto muito bem e se tenho tempo fico horas e horas!

Mas se sempre gostei de caminhar (e sou capaz de caminhar 25km por dia quando estou viajando), nunca gostei de correr e antigamente achava a coisa mais chata e uma das mais nogentas do mundo (ficar toda molhada de suor, eca!). Mas isso foi mudando de uns anos para cá até que este ano enfim me inscrevi em uma corrida.

No ano passado tinha perdido as datas de inscrição para a La Pasisienne, uma tradicional corrida em Paris só para mulheres, mas esse ano recebi o e-mail da empresa lembrando das incrições e já era a data limite. sem tempo para pensar, respondi na hora que queria participar!

Assim que chegou a confirmação bateu aquele medo... Afinal, eu nunca tinha corrido 6,7km e teria menos de 3 meses para me preparar.

Em junho comecei a correr com o meu marido 2 vezes por semana. Coincidiu com a minha promoção no trabalho e comecei a trabalhar mais longe de casa e mais horas por semana... Chegando em casa após 20h, morta de fome, preparava o jantar e ia correr lá pelas 23h, nas ruas mesmo ao lado de casa. Desde os primeiros dias já percebi que a resistência aumentava visivelmente, e o meu objetivo era simplesmente conseguir realizar a prova, independente do tempo.

Mas aí em julho saímos 3 semanas de férias e mesmo se foram semanas intensas, não corremos. Algumas pessoas acham fácil correr quando estão viajando, eu não acho muito prático pois exige levar mais um calçado sem contar a roupa para a corrida, que precisa ser lavada diariamente! Quando estamos viajando como mochileiros, não podemos nos dar ao luxo de carregar mais peso, ainda mais roupa que se não for lavada todo dia fica fedendo na mochila e contaminando as outras, sem contar que já é cansativo esse tipo de viagem e não sobra muita energia para correr.

Voltando de férias foi bem cansativo retomar o ritmo intenso do trabalho, ainda recebemos 3 sobrinhos (crianças) de férias aqui em casa, então não tínhamos como deixá-los em casa sozinhos para ir correr*

Foi só no ínicio de setembro que me bateu o pânico da prova que se aproximava rapidamente e eu nem um pouco preparada! Retomamos o treinamento 2x por semana e eu outras 2x na academia. 

Pronta? Não, mas deu para fazer a corrida e curtir muito esse momento! (mesmo se hoje estou toda dolorida!)

Melhores momentos:
 Esse ano foram cerca de 35 mil participantes, de todas as idades e condições fisicas.

 A minha empresa foi representada por cerca de 40 "corredoras". 
Muitas empresas francesas incentivam a pratica de esportes e a minha inclusive reembolsa uma parte do preço da academia.

 Mesmo se a competição é aberta à outros paises, predomina (e de longe) as francesas. 
E como elas são esportivas! 
Quanto condicionamento fisico e quanta energia!
 A média das participantes é de 37 anos, elas são mães de familia e profissionais.
 Mas tem gente que corre para valer e para ganhar. A vencedora desse ano realizou os 6,7km em menos de 23 minutos!



 No inicio não senti cansaço nenhum, tudo ia bem até o km 4. Mas ai bateu uma vontade imensa de ir ao banheiro e eu não conseguia mais parar de pensar nisso. 
 A partir do km 5 começou a ficar dificil para mim, e vejam como eu estava me arrestando nos ultimos metros... O sorriso desapareceu!

 Mas quanta felicidade em ter terminado a prova. Foi realmente uma vitoria para mim, e realmente me sinto muito orgulhosa de mim mesma. Acredito que a gente pode sim mudar habitos, mesmo apos os 30 anos!

Com certeza um dia inesquecivel!

* Muitas mulheres correm sozinhas, é claro, mas meu marido acha muito perigoso uma mulher correr sozinha devido aos crimes ocorridos nos últimos anos aqui na França em que as vítimas eram mulheres fazendo jogging. O último foi justamente na semana passada, às 17h (ainda dia) em um parque não muito longe aqui de casa!)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Vivendo e aprendendo - fazendo arte

Se eu tivesse que escolher uma só coisa que mudou em mim nesse tempo que moro na França (em breve 6 anos), eu diria que foi a minha forma de ver o mundo. Só isso.

Só isso?
Morar na França pode proporcionar uma abertura imensa para os olhos, para a alma e estou sempre aprendendo. Aliado a isso acabei conhecendo quem hoje é meu marido e que também tem uma forma diferente de ver o mundo. Sua área de estudos e de trabalho envolve artes plásticas ou artes aplicadas e no Brasil tive muito pouco contato com pessoas com uma certa abertura para o universo artístico.

Algumas pessoas menos cultas acham que ter aula de artes na escola é a maior perda de tempo, "com tanta criança e adolescente que mal sabe ler e escrever corretamente e que não sabe calcular direito". Segundo a população que não teve acesso a esse tipo de aprendizado, é uma perda de tempo, dinheiro (ainda mais se for público) e energia.
Confesso com uma certa vergonha que por algum tempo também pensei assim.

Mas a gente vai vivendo e aprendendo e hoje entendo o que o meu marido sempre quis dizer que o mundo seria muito triste (e feio!) se fosse feito só de matemática, leitura, ortografia e gramática!

Só tenho que concordar!
Lembro que uma candidata à prefeita da minha cidade, perto de Porto Alegre, um dia conversando comigo me falou de seus projetos que tormar a cidade mais "bonita". Plantando flores, árvores, arrumando as calçadas, como ela tinha visto em cidades da Alemanha. Eu achei a idéia ótima, mas sabia que ela não iria ganhar, afinal o povo de cabeça pequena pensa que é desperdício de dinheiro público gastar dinheiro do contribuinte com essas coisas!
E mais tarde um outro prefeito, a primeira coisa que ele fez foi mandar pintar a prefeitura que há muitos anos estava em um péssimo estado. Não preciso dizer que foi altamente criticado por estar se preocupando com algo tão sem importância. Mas não é porque somos pobres que temos que viver no meio do lixo ou da feiúra!
(Bom, alguns vão dizer que a beleza e a feiúra são conceitos individuais. Não, meus caros leitores, são conceitos que variam de acordo com as épocas, determinadas culturas, existem certas diferenças individuais, mas existe um certo concenso. Mesmo se tenho a impressão que no Brasil muitas pessoas acham bonito autoestradas e viadutos, estacionamentos gigantes em detrimento de uma arquitetura urbana e paisagismo mais elaborados, com prédios bonitos e bem-cuidados, jardins e parques.)

Como se só isso não fosse suficiente, as aulas de artes (nas escolas) proporcionam um melhor desenvolvimento da motricidade fina, o senso de observação, podemos mais facilmente relacionar história, geografia, geometria, arquitetura e design. Fica mais fácil compreender o mundo! Ou seja, só temos a ganhar, mesmo se nunca vamos trabalhar diretamente com isso.

Sem contar que o nosso mundo está repleto de referências artísticas e não falo dos museus. Falo da vida real. Isso vai desde a garrafa de Coca-Cola, o vidro do seu perfume favorito, aquela jóia (ou bijouteria) que você adora, aquela roupa linda que você está namorando há dias em uma vitrine. Tudo o que você vê e toca, teve alguém que pensou naquilo antes. Mesmo os filmes que você vê (cheios de refências artísticas), os seus cantores preferidos e seus clipes.

Será mesmo que se você tivesse escolha escolheria morar no local que aparece na segunda foto?



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Para quem vem morar na França (ou já veio e ainda tem muita coisa para descobrir)

Todos os dias me deparo com questões, dúvidas e debates sobre a França da parte de brasileiros que pretendem morar aqui ou que aqui estão e continuam tendo dúvidas. Hoje vou tentar discorrer sobre os últimos assuntos levantados e que sempre voltam!

- Recentemente algumas meninas comentaram que eram enganadas nos comércios. Se do meu ponto de vista é raro, temos que tomar alguns cuidados quando não conhecemos as práticas ou não dominamos a língua:

1. Na hora de contratar um frete para um produto comprado (móvel, eletrodoméstico), se morar em apartamento é necessário informar o andar e se tem elevador. O preço é calculado em cima disso e se as informações dadas forem incorretas ou incompletas, você corre o risco dos entregadores deixarem sua geladeira no hall do prédio, pois não estava previsto subir até o 2º andar!

2. Na hora de fazer uma compra, fique atento ao seguro ou garantia estendida que é sempre uma OPCÃO, mas que muitas vezes podem ser vendidas como se tudo fosse um "pacote" e o cliente acaba achando que é obrigatório. Vale lembrar que alguns seguros são importantes (viagem, etc.), mas é bom ler atentivamente as cláusulas para não comprar algo inútil! Uma amiga me disse que acabou comprando sem perceber o seguro para os óculos de grau, o que não seria necessário no seu caso pois seu plano de saúde pagaria um novo em caso de problemas. E a minha sogra fez 2 seguros para pagar o enterro, nos dois bancos onde ela tem conta, sem se dar conta que ela só vai morrer uma vez e o segundo seguro é inútil. Comprei uma viagem e recusei de todas as formas o seguro (pois já tenho um), e quando ligaram para confirmar, a menina ainda insistiu com o meu marido que eu tinha recusado o seguro sem dúvida por não ter me dado conta da importância, querendo ainda convencê-lo!
se comprar o seguro, leia bem as cláusulas!

3. No momento não me ocorrem outros "abusos". Fora isso, o que gosto aqui é que a gente paga o preço que está afichado e nada a mais!!! Pode ser o de um jantar ou uma passagem/viagem, as tais taxas (de garçon, couvert, de aeroporto) já estão inclusas, não tem surpresas na hora de pagar a conta.

- Segurança: mesmo se os problemas relacionados à (falta de) segurança têm aumentado nos últimos anos, ainda está longe dos dados alarmantes do Brasil, e isso mesmo levando-se em conta que o Brasil é muito maior em extensão e em número de habitantes. Existem aqui roubos de casas e de veículos, e se deixar alguma coisa de valor "dando sopa" visívelmente em um carro estacionado, o risco de quebrarem o vidro para roubar  é altíssimo. A diferença é que aqui os roubos são ainda (normalmente) sem violência à pessoa, e os seguros pagam os danos materiais. Por exemplo, em uma das minhas viagens, um casal de franceses recebeu a informação de que a casa tinha sido arrombada. O seguro pagou a passagem de volta, eles tiveram a viagem reembolsada e os artigos roubados. Não ficaram desesperados nem traumatizados, para eles não foi o fim do mundo.
No dia a dia, meu marido sempre me fez seguir estritamente algumas regras: optar pelos vagões de metrô e trem com outros passageiros, nunca vazio ou com pessoas duvidosas (já houve casos de agressão, mesmo se é raro), esperar os trens longe dos trilhos (já houve casos de empurrões). Evitar de mostrar objetos de valor ou telefones de valor em locais públicos. Infelizmente mulheres são as vítimas ideais.
Não me considero uma pessoa inconsequente, até sou meio paranóica segundo alguns, mas aqui saio a qualquer hora do dia ou da noite em transportes públicos e não tenho medo algum. Temos que parar de confundir probreza e diferença com violência. Não é porque o metrô ou bairro está cheio de estrangeiros originários de países pobres que são bandidos.
Tenho visto também que brasileiros têm uma imagem bem negativa dos chineses. Aqui na França turista chinês é rei (estão em grande quantidade e gastam bastante), junto com os russos. O reinado dos japoneses acabou e quem sabe a dos brasileiros vai chegar em breve. E quanto aos imigrantes chineses, estão entre os mais "adaptados", não causam problemas, não fazem "barulho", trabalham, as crianças trabalham bem na escola. Uma crítica a eles é que não se misturam muito com outros grupos étnicos, se casam entre eles, só dão empregos para chineses (são bem empreendedores). Fala-se de uma máfia chinesa, como uma tal pirâmide de "ajuda mútua", auxiliando financeiramente para abrir um negócio, o que faz que eles não passem por financiamentos bancários, e por isso os chineses estariam comprando tudo e invadindo tudo!

Não é fácil morar fora, e algumas pessoas realmente não conseguem se adaptar, sofrem muito não apenas com a ausência da família, mas também com com os hábitos e costumes e se sentem mesmo infelizes. Participo de grupos de brasileiros na França e tenho a impressão que sou uma das únicas felizes aqui com a vida que eu levo, mesmo se como tudo na vida existem altos e baixos. Mas faz parte da natureza humana nunca estar satisfeito do que se tem, e vivendo aqui a gente acha que a grama é mais verde no Brasil, e vivendo lá a gente vê que o pensamento é inverso, com tantos brasileiros reclamando de tudo e de todos (falta de segurança, transporte, saúde e educação precárias, corrupção, e tudo isso pagando impostos altíssimos).

Eu fiz a escolha de ser feliz AQUI e AGORA com o que tenho pois para mim o único tempo que conta é o presente. Não adianta passar todo o momento presente chorando o passado que não existe mais ou sonhando com o futuro (curtir a aposentadoria no Brasil) que ainda está longe, desperdiçando anos preciosos da vida.

E não pensem que é uma escolha fácil a de ser feliz onde muitos não conseguem e essa marca de ser aquele "do contra", o "traidor" que faz e vê tudo diferente dos outros vai sempre nos distinguir perante os outros compatriotas.

domingo, 6 de abril de 2014

Eu ando de ônibus!

Há poucos meses eu comentei por aqui o quanto me chocava o fato de sermos julgados no Brasil pelo tipo de transportes que usamos.

Uma parte significativa da sociedade fala mesmo! Quando eu morava lá, quantas vezes as pessoas me falavam que era absurdo eu, que tinha estudado, tinha um bom emprego, chegar no trabalho em transporte público. Uns amigos realmente cheios da grana diziam que eram "obrigados" a ter e trocar de carro de luxo todo ano, pois na área de trabalho/negócios deles avaliava-se o sucesso de alguém pela imagem (=carro, etc). Outro dia um amigo médico comentou no facebook que estava trabalhando em Canoas (uma "cidade dormitório" ao lado de Porto Alegre) e que ia ao trabalho de metrô (rápido, limpo e eficaz). Para quê... os comentários eram uns piores do que os outros, do tipo: "onde já se viu médico usando metrô?", "se a situação dele estava realmente tão ruim para ir trabalhar nessa cidade"... e por aí vai. 

(E são os mesmos que criticam o Programa mais Médicos, mas na verdade é raro encontrar um médico brasileiro que queira ir trabalhar em cidades que não sejam "da moda", ou mesmo se tem um que quer, é visto pelos colegas como inferior profissional e economicamente, mesmo se ele pode estar ganhando mais!)

Mas, e por que faz bem andar de transporte público?
- do ponto de vista ecológico, as grandes cidades não suportam mais tantos veículos e tanta poluição. 
- você caminha mais, o que faz bem para a saúde, pode ter certeza! 
- Durante o seu trajeto em ônibus/metrô, você pode ler, escutar música, notícias, aprender um idioma, navegar pela internet... Ou socializar-se se gosta de falar, ou observar as pessoas, o que também ajuda a conhecer o ser humano.

Não é só na França que utilizo transportes públicos. Sempre que vou ao Brasil também utilizo, pode ser em Porto Alegre, no Rio, Recife ou Curitiba, mas realmente as pessoas ficam chocadas que EU (que nem sou famosa nem rica) ande de ônibus ou metrô ao invés de alugar um carro ou andar de taxi. O brasileiro tinha que entender que não é vergonha nenhuma pegar ônibus e deveria ter mais o que fazer ao invés de JULGAR os outros pelo tipo de transporte que eles usam. Ou julgar alguém como pobre porque bebe água ao invés de refrigerante/suco, ou porque não usa uma roupa com um jacarézinho ou um jogador de pólo...

Quando surgiram as primeiras manifestações no Brasil pelos transportes públicos, sinceramente eu achei a maior piada porque justamente as pessoas que reinvicavam no meu facebook eram justamente aquelas que NUNCA pegaram um ônibus na vida, que desde os 18 anos tinham carro e que nem iam à faculdade se o pneu furava ou se tinham outro problema, onde já se viu "classe média se misturar com pobre"?
Acho que no Brasil um dia a classe média pode vir a andar de transporte público se proibirem a entrada de pobres, negros, índios, nordestinos... O pessoal não quer se misturar!

Se eu não preferiria andar de carro?

Um carro é importante quando se mora em um local de difícil acesso e com transportes limitados, o que sei que acontece em muitas localidades do Brasil, mas também aqui na Europa quando se sai dos grandes centros urbanos.
Igualmente quando os deslocamentos são longos e não tem hora marcada para terminar (reuniões e festas com amigos, famílias) e com crianças pequenas.

Mas outras coisas me chocam no Brasil:

- Nunca saio de casa sem uma garrafinha de água na bolsa e aqui na França é muito comum. No Brasil as pessoas acham que é coisa de pobre que não pode pagar o preço de uma água na rua;
- Se vamos ao restaurante e pedimos uma água mineral ou nada (afinal sempre aprendi que deveríamos beber antes ou depois das refeições, não durante), as pessoas acham que é por economia;
- Se você decide levar comida fresquinha de casa, feita de forma saudável para não comer em restaurante ao meio dia, é visto como um pobre-coitado que não pode se dar ao luxo de ir ao restaurante;
- no Brasil se levamos nossa comida à praia somos farofeiros, na Europa é normal sair de casa com o pique-nique.

Em resumo, o brasileiro se preocupa muito com a vida dos outros!

(a idéia desse post surgiu a partir da polêmica  sobre a atriz Lucélia Santos andando de ônibus: http://diversao.terra.com.br/gente/lucelia-santos-desabafa-apos-ser-flagrada-pegando-onibus,9b64a16a20db4410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html)