quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Amizades não correspondidas

(Preâmbulo)
Quem não tem histórias para contar de Amores não correspondidos?

Dos 8 aos 12 anos estive "apaixonada" por um rapaz da outra rua, que não sabia da minha existência, mesmo eu passando 38 vezes por dia na frente da casa dele, fazendo toda uma volta desnecessária para ir na padaria ou visitar alguém. 
Até que um dia, uma amiga (minha e dele) penalizada pela minha situação, resolveu interceder a meu favor:
- você não sabia que a Milena é louca por você?
- quem? quem é Milena?
(ela aponta de longe para onde eu estava e ele responde:)
- qual? a gordinha? nunca vi...

Dos 12 aos 16 foi uma história não correspondida com um rapaz que eu via na praia, nos meses de verão... Até que aos 16 anos ele percebeu que eu existia e durante MUITOS verões fomos namorados... de verão. 
Uma história tão bonita quantos as noites estreladas de verão e que "do riso fez-se o pranto" que foi derramado na primeira chuva de outono... No Sul do Brasil temos outono, infelizmente o verão não durava o ano inteiro...

Bem mais tarde, aos 24 anos, foi amor à primeira vista... da minha parte. Alguns meses depois ele escreveu à meu respeito:

"a mais pura tradução da doçura em uma mulher. Seus encantos não estão somente nesta cor morena maravilhosa que Deus lhe deu, mas no seu íntimo, calmo e sereno, doce e decidido, capaz de abdicar de tudo pela felicidade de quem está ao seu redor. Mas nem por isso deixa de ser ela mesma, de ter sua opinião formada, de saber exatamente o que quer. Só uma pessoa forte, com muita autoconfiança, consegue servir sem esperar retribuição. Retribuição esta que deve vir de forma espontânea como esta que estou fazendo.
Muito obrigado, Milena, por querer ser minha amiga e confidente... e por ter me ensinado tanta coisa através da simplicidade e da doçura de suas palavras. "

"E de repente, não mais que de repente, fez-se do amigo próximo o distante".

Também tive três relacionamentos que duraram bastante tempo e "posso dizer dos amores que tive, que não foram imortais, mas que foram infinitos enquanto duraram". E terminaram não por minha escolha.

Não posso reclamar, pois não fosse o fim da penúltima história não teria tido coragem de largar tudo e hoje viver plenamente uma história de amor que espero que seja a mais bela e a última...

(Entrando no assunto)
Mas se hoje o meu amor encontrou uma correspondência, não posso dizer o mesmo para as amizades.
Será que todo mundo vive amizades não correspondidadas?

Ok, sempre fui muito tímida e introvertida e tinha dificuldades em fazer amigos. Na universidade fui tentando trabalhar esse aspecto da minha personalidade, com menos ou maior sucesso.

Lembro que estava fazendo um estágio de Psicopatologia, éramos umas 6 estagiárias de Psicologia e tínhamos que chegar às 8h para "nos integrarmos" até às 8h30 quando de fato as atividades começavam. Um momento de bate-papo, descontração mas igualmente de troca de experiências. Eu tentava entrar nas conversas e interagir com as meninas da seguinte forma: por exemplo, se elas falavam de um filme que tinha visto, eu entrava na conversa para perguntar mais detalhes, ou para dizer que tinha gostado ou não. Para mim nada de mais banal. Até que no "amigo secreto" (ou oculto) de final de ano uma menina descreveu assim a sua "amiga" secreta: "ela sempre entra nas conversas em que não foi chamada..." 

Não preciso dizer que estavam me descrevendo. 

Eu que já tinha um certo receio de procurar interação com as pessoas, depois disso pensei que fosse melhor mesmo ficar no meu canto, se quisessem falar comigo que viessem e pronto. O que não facilitou muito as minhas amizades futuras. 

Vivendo aqui na Europa considero ainda mais difícil fazer amizades. Os "locais" geralmente já fazem parte de um grupo de amigos e não se abrem tanto e os outros estrangeiros acabam se fechando entre eles.

Acabamos conhecendo muitos brasileiros, um vai chamando ou apresentando o outro, e eu adoro. Conhecemos pessoas tão diferentes do meio e região de onde viemos e com quem nunca teríamos dialogado, e acho o máximo essa abertura. Mas ao mesmo tempo, como muitos dizem e eu concordo, acabamos encontrando pessoas com quem não temos nenhuma compatibilidade e a "relação" realmente não vai para a frente. 

Porém, o que mais tem acontecido comigo são amizades não correspondidas. A gente sai, conversa durante horas sobre tudo, passamos um bom momento... Eu fico achando que temos muitas coisas em comum, que com essa pessoa podemos conversar... E nunca mais nos vemos. Algumas somem, como os homens que não ligam nunca mais, mas outras nos deixam ali no banho-maria (para usar em caso de necessidade, talvez, ou falta coragem para dizer que "não bateu"?)

Lembro que tive um grupo de "amigas", até que um dia elas se encontraram entre elas, colocaram as fotos no facebook e escreveram: só faltou a Milena. Não resisti e escrevi: "talvez eu tivesse ido se tivesse sido convidada", afinal não tenho sangue de barata e pode ser que estivesse na TPM também. Sempre aquela desculpinha "não te convidamos porque você mora longe, sendo que para mim não tem distância, não tem tempo feio, se estiver disponível eu vou.

E todas as outras que convidam e desconvidam na última hora (ou não dão notícias, não confirmam), que nunca têm tempo e aí se aficham no facebook (mais uma vez) em companhia de outras amigas na festa para a qual você foi desconvidada?

Tenho a escolha de retirar da minha lista de amigos, mas ao mesmo tempo simplesmente eu só queria entender.

Mas talvez assim como o rapaz que a gente encontrou em uma festa e que nunca mais ligou, simplesmente não tenha nenhuma explicação.

13 comentários:

Beth Blue disse...

Nossa, Milena...você nem imagina como eu te entendo! Me deu até vontade de pegar um trem e ir bater um longo papo com você em Paris!

Eu posso estar errada (e andei errando muito com amizades de brasileiros por aqui), mas acho que a gente teria muito assunto pra falar. EU moro há 19 anos na Holanda, conheço muitos brasileiros por aqui (muitos mesmo), não apenas em Amsterdam.

Também tive não amizades não correspondidas mas grandes decepções mesmo no quesito amizade. Mas a gente vai aprendendo (na marra) a separar o joio do trigo. Só sei que eu já me vi obrigada a dar Unfriend em um monte de gente no Facebook (e eu conhecia todos pessoalmente, gente que considerava amigo até ...).

Enfim, a fila anda, né? Beijos e boa sorte pra gente...

Eve disse...

pois trate de vir morar aqui iem Berlin, que aqui vc nao teria esse problema. Pelo menos, nao comigo. :)

Karla Gê disse...

oi, Milena!
Já passei muito por isso! De ser considerada "intrometida", de ser desconvidada para um encontro que aconteceu sem mim, de nem ser convidada por aqueles amigos que eu considerava fiéis! Já pararam de falar comigo do nada e passei anos para descobrir o motivo (em geral bobo).
Por isso que, hj em dia, prefiro fazer amizades pela internet, em algum grupo com o qual eu tenha interesses em comum, assim a vida fica mais fácil.
A verdade tbm é que cheguei em uma idade que a perda das amizades já não me magoa tanto (magoa, claro, mas não me deixa mais arrasada!) e passei a achar que isso faz parte da vida. Pessoas vão, pessoa vêm e o que vale são os bons momentos ue podemos passar com elas.
beijos

Sandra disse...

Ai Milena, tb concordo com vc que amizades são complicadas, mas não deveriam ser. Tb já me senti no "banho maria". Chegar a ser decepcionante, quando você gosta da pessoa, a ajuda de todas as maneiras, mas ela nunca lembra de vc, quando faz, por exemplo, um jantar na casa dela e convida outros amigos, mesmo tendo ela participado (mais de uma vez) de um almoço ou um jantar na sua casa. A gente não faz algo esperando uma troca, mas uma delicadeza todo mundo gosta, não é verdade?

Eu não corro atrás de ninguém, na verdade, depois de algumas decepções ando bem calejada para novas amizades. Mas amizade de verdade, faz falta sim. Tenho duas boas amigas por aqui, que sei que posso contar, mas é aquilo, todo mundo tem a sua vida, seus compromissos, nem sempre a gente consegue se encontrar, mas quando acontece é sempre bom, sem cobranças. Mas bem que eu gostaria de conhecer mais gente legal por aqui.

Bruxa do 203 disse...

Também sempre fui muito tímida, mas com facilidade de fazer novos amigos. Talvez por ser filha única, aprendi a ir atrás e a ser mais aberta, sem panelinhas.

Se a pessoa fica quieta, é muito tímida, se fala, está se metendo onde não foi chamada!!!! Nunca vamos saber o que os outros querem e esperam de nós.

Atualmente tenho pouquíssimos amigos, mas é uma escolha. Também tive muitas amizades não correspondidas, daquelas que gostaria que tivessem durado.

Ana Maria Brogliato disse...

Oi Milena,

Pelo menos você sempre tentou vencer sua timidez, tentando se enturmar...

Eu ainda sou tímida, mas já fui muito pior. A diferença é que agora não sofro mais por isso.
Quando eu era adolescente eu era tão tímida, mas tão tímida que nem tentava fazer amizades. Ficava sempre no meu canto e fazia os trabalhos escolares sozinha.

Sempre tirava notas boas e muita gente me chamava para entrar nos trabalhos para se deitar nas minhas costas. Eu era tímida, mas não era burra e sempre que podia, dava desculpa e não aceitava. Uma total anti-social, hehehe...

Teve até gente que, anos depois, veio me falar que me achava muito antipática... Que nada, eu era muito reservada e tinha até medo de rejeição!
Mas agora, acho que já superei qualquer medo de rejeição ou de querer ser aceita. Sou como sou, não tento agradar ninguém só por agradar e se alguém gostar de mim, será porque me considera sincera e leal, mesmo sem meias palavras. Sou meio Ogra sim e até tenho muitos amigos, mas verdadeiros, pouqíssimos. Bjs
www.viagensebeleza.com

Eliana disse...

Milena, amizade é reciprocidade, troca, compreensão, dar e receber atenção...como bem a Sandra ilustrou. Sim, e a gente espera sim um retorno, todo mundo espera por um retorno. Trate bem e dê atenção a quem te dá atenção e te trata bem também. Claro que a gente tenta novas amizades, mas isto nos custa emoção, tempo, expectativas, energia. Temos sim que nos preservar pra quem vale a pena. Não se feche e nem tenha medo. Você fez o certo tentando puxar conversa. Se elas fizeram panelinha...problema delas. Eu não me importo de dar o primeiro passo mas se eu percebo indiferença eu fico na minha. De repente a pessoa não se identificou com meu jeito, não gostou de mim, sei lá. Agora abomino aquelas pessoas que te "esnobam"e quando lembram da gente, por algum motivo, vem atrás e, pior, cobrando de você uma postura de amiga, a íntima, fazendo chantagenzinha emocional...cara, isso pra mim é demais. Mas cabe a gente avaliar se convém ou não.
Ah e as pessoas tem que ponderar entre amizade e ter conhecidos. Não é tudo amizade como se fosse um oba oba...
Lindas recordações você tem...achei fofo a mensagem do seu amigo! rs
Bjs

Gisley Scott disse...

Milena,

Estou de alma lavada ao ouvir o seu relato porque eu achava que só acontecia comigo.Já no meu caso, sempre gostei de fazer novas amizades, mas essa politicagem das panelas e das amizades de longa data no exterior é que me tira do sério.

É meio que uma máfia.Parece que vc tem que provar algo pra alguém, o que pra mim, não rola. Assim como vc tb encontrei pessoas que pareciam que tudo iria decolar, gente que elogiou e que estava tão feliz de ter encontrado uma pessoa com qual elas poderiam se relacionar, mas ao mesmo tempo essas pessoas se transformaram no incrível Gasparzinho.

Você mencionou sobre aqueles que nos querem por perto quando é conveniente pra eles.Tb tive desses tb. Aliás, o meu marido tem um amigo[eu me recuso chamá-lo de amigo] que é assim.Só liga quando tá com problema.E nunca vem aqui, só quer que o marido vá onde ele estar.Assim é muito bom.

Eu acho que no mundo de hoje, tudo facilita para que as pessoas se isolem pois elas podem estar conectadas com 30,40 pessoas no fb sem nenhum senso de nutrir nada porque a vida da outra pessoa está toda exposta sem que o amigo tenha que mostrar interesse. Tem gente que deixa o fb aberto direto.

Creio que isso acaba causando falta de tolerância na vida real porque as pessoas estão perdendo a paciência por bobagem e deixando amigos de lado por pouca coisa devido a não saber se comunicar mais.As pessoas estão simplesmente tirando conclusões de coisas que não há conclusões para serem tirada. Tem gente que se recusa a fazer uma ligação e resolver o problema mas solta uma indireta no fb.Aonde vamos com isso?

Essa facilidade de saber da vida do outro sem ter que ter o telefone da pessoa tira um pouco da magia de até desenvolver uma amizade. Eu me lembro que há 10 anos atrás, se alguém lhe mandasse um e-mail ao invés de lhe ligar,isso era visto como falta de consideração. Hoje se alguém pára pra te escrever um email, isso quer dizer que "vc é importante".

A maioria das pessoas que considero amigas de verdade por aqui são mulheres de 39 pra cima porque estas não tem tempo para dramas, lenga lengas, competições e estão em busca de qualidade e não quantidade.

Desejo a vc os melhores amigos e não se feche por causa de gente retardada como essa pessoa com a qual vc trabalhou. Você é sim uma pessoa maravilhosa, pude ver isso nos emails que trocamos.

Bjos e sucesso por aí :)!

quebecquando disse...

Oi, Milena! Nossa, você não sabe como eu te entendo! Estou há quase 5 meses morando em Montréal e vivo tendo esse sentimento de amizade não correspondida... Tem vezes que eu encontro uma pessoa que eu acho tão divertida, tão engraçada e interessante, de quem eu queria ser amiga, mas a pessoa não acha o mesmo de mim... É chato, dói, fico me perguntando os motivos já que eu sou uma pessoa tão legal! Hehehe...

Mas aí eu lembro que o contrário também rola e rola direto! Só que a gente não repara quando está na outra posição, na posição de não querer levar uma amizade adiante porque não se sente tão atraída assim pela outra pessoa.

Eu sempre me sentia triste quando tinha amizade não correspondida por alguém até que eu comecei a reparar e a analisar quando alguém tinha uma amizade não correspondida por mim. E quando analisamos esse tipo de situação, fica menos dolorido, afinal c'est la vie!

Uma coisa que pesa muito é a faixa etária. Esses dias li um artigo, acho que foi no NY Times, que se chamava algo como "Por que é tão difícil fazer amigos depois dos 30?" Cheguei à conclusão que estou exatamente na faixa etária onde as pessoas começam a ter filhos e a se dedicar exclusivamente à família, quando a falta de tempo não as permite cultivar direito as outras relações... No meu caso, eu tenho feito amizade ou com pessoas mais jovens, que estão longe de ter filhos, ou com pessoas mais velhas que já têm filhos grandes (por que além de tudo eu não sou nem um pouco fã de criança!).

Enfim, outra coisa da qual gosto muito é de fazer amigos pela Internet. Ainda existe gente que acha estranho, mas para mim amigos servem principalmente para conversar e nada melhor que conversar com alguém que tem a ver com você. E a Internet te ajuda muito a filtrar quem tem a ver com você ou não... Eu já consigo identificar gente nada a ver com meio parágrafo do que ela escreve! =P

Beijos,
Lidia.

Allan Robert P. J. disse...

De perto ninguém é normal, mas que tem um bocado de gente estranha nesse mundo, ah, tem!

O problema é quando tentamos nos aproximar delas.

:)

/fulano de tal disse...

Milena,
Acho que nunca tive uma amizade não correspondida. Ultimamente, ando na fase do virtual para o real e no último fim de semana estive em Belo Horizonte conhecendo uma ex-virtual. Já rolava muita sintonia e o encontro ao vivo foi além das expectativas. Procuro sempre estar próximo aos amigos reais. Porém, nem sempre as agendas batem, mas quando nos encontramos a sensação é de ter encontrado no dia anterior.

Andréa de Azevedo Freitas disse...

Milena, eu já passei (e passo, ainda hoje) por muitas situações como as que você descreve. Realmente ninguém está interessado em fazer amigos, a menos que eles possam ser úteis pra alguma coisa. Ou seja, te colocam mesmo na geladeira. Me sinto um pouco desinteressante quando isso acontece, mas aprendi a conviver com a ideia de que não sou irresistível e que nem todo mundo vai querer minha companhia. Não se aborreça com isso (olha eu querendo dar conselhos pra uma psicóloga...), a única pessoa bacana que vale a pena manter a amizade é a nossa excelentíssima pessoa. Bjs.

Andréa de Azevedo Freitas disse...

Realmente esse comportamento "moderno" de não dar a mínima bola pros outros me escandaliza também. Gosto de conservar as amizades, e fico um pouco triste quando perco o contato com alguém que julgo interessante ou importante pra mim. Nesse ponto acho que Brasil e França estão quase iguais (pareil...), sendo a única diferença é na hora de iniciar o contato, pois os brasileiros se abrem mais facilmente. Mas na hora de descartar é igualzinho.