quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Das coisas que me tiram do sério...

Existem muitas coisas que eu detesto na vida (teria uma para cada dia do ano, no mínimo!), mas uma delas é quando acham que devo "conhecer", manter relações ou ir falar com alguém simplesmente porque a pessoa é brasileira ou porque eu sou brasileira.

Não me entendam mal: adoro conhecer pessoas e adoro contato com brasileiros! Mas não é todo brasileiro que vai se tornar meu amigo de verdade e odeio é o tipo de apresentação: "eu te apresento Milena, que é brasileira..." Pois aí a conversa já fica meio que direcionada: falar sobre o Brasil!

E o pior é quando esse raciocínio vem do meu marido!!! Ele está sempre me "armando" dessas.
A última vez foi um vernissage para o qual fomos convidados. Desde que pode ele foi me apresentar a uma brasileira que ele conhece: "essa é minha esposa Milena, que também é brasileira. Ela é psicóloga, mas no Brasil trabalhava em RH e aqui na França ainda não conseguiu fazer as equivalências".

Será que precisava mesmo uma introdução dessas? O que resta para eu falar após tudo isso? E então, ao invés de falar sobre o assunto que EU QUERIA FALAR, que era sobre arte (lembrando que estávamos em um vernissage), ou o fato de estarmos no local que por quase 20 anos foi o atelier de Picasso e onde ele pintou sua obra maior, Guernica, o tema da conversa foi sobre o Brasil, minha adaptação na França, minha corrida pelas equivalências e minhas dificuldades... E ainda por cima não tenho vontade nenhuma de chamar a atenção sobre mim falando em uma outra língua, em um evento desses, onde os presentes são em sua maioria franceses de origem francesa. Prefiro me misturar à multidão e não me sobressair dela.

E ainda por cima perdi a paciência no segundo minuto da conversa. A pessoa me perguntou para que empresas eu tinha trabalhado no Brasil, quando falei que minha experiência principal tinha sido para o setor de informática (nem usei o termi TI, que pode ser complicado para alguns) e empresas como HP e Dell, ela disse que não conhecia, afinal tinha ido embora do Brasil há muitos anos. Hein? Desde quando essas empresas são recentes, e ainda mais brasileiras? Ainda tentei explicar que, dentre outras coisas, são empresas que produzem computadores e existem muitos computadores e artigos de informática dessa marca. tentei a pronúncia que usamos no Brasil e usada na França. Mas nenhuma reação do outro lado.

Depois ainda tive que aguentar as reações do marido, do tipo: "nunca mais te apresento ninguém, você é mesmo antissocial*"

* como ele, muita gente utiliza discriminadamente a palavra antissocial para descrever uma pessoa tímida, introvertidas ou reservadas, quieta-no-seu-canto e que não vai muito falar com os outros se as pessoas néao vêem falar com elas. Porém, fica aqui a informação: antissocial é um tipo de transtorno de personalidade, também conhecido como psicopatia ou sociopatia e o sentido é bem mais negativo, já que os "sintomas" são não respeitar regras da sociedade, não ter empatia e manifestar desrespeito e desprezo para com o bem-estar dos outros, manipular e prejudicar, sem remorsos. O objetivo não é uma explanação sobre o assunto, que exigiria uma abordagem e linguagem mais profissionais sobre o assunto, o que não vem ao caso nos objetivos do blog.

13 comentários:

Luana disse...

Eu tambem detesto isso, pelos mesmos motivos que voce deu! Porque as perguntas sao as mesmas, os comentarios os mesmos... No meu caso, uma vez, a oura brasileira perguntou onde eu tinha estudado no Brasil, eu falei que na USP ela disse "nunca ouvi falar"

hahahahahahahaa

Ai, gente... como assim nunca ouviu falar?

Eu te contei aquele dia, do cafe, que eu costumo fingir que nao sou brasileira... porque dai as pessoas conversam "normal" comigo... E so depois eh que eu conto...

Nao eh por vergonha (imagina!), nao eh por receio... Eh so para nao ter que ouvir esse tipo de coisa e ficar falando apenas do Brasil.

Helô Righetto disse...

concordo plenamente!

(e respondendo seu comentário lá no blog: a feirinha de natal no hyde park nao e muito meu "cup of tea" -fui uma vez e nao gostei nao. MUITO lotada, e MUITA gente com carrinhos de bebe, mal da pra andar. tem gente que ama o winter wonderland, mas eu nao recomendo nao!!!)

Gabriela disse...

Milena, acho que pouquíssimas vezes comentei por aqui, apesar de sempre ler seus posts, que diga-se são muito pertinentes e interessantes.

Também sou casada com um francês, só que ao contrário de você, ele que veio morar aqui!! sempre me policio pra não agir desta forma...restringi-lo a sua nacionalidade ou ficar apresentando franceses para ele...acho que seu marido faz isso com a intenção de que ao te apresentar uma brasileira possa haver uma identificação entre vocês, o que nem sempre é possível...e digo isso, pois acho que as "conexões" entre as pessoas independe de nacionalidade, raça ou credo.Enfim, o que quero dizer com isso é que uma pessoa pode ter a nacionalidade que for, brasileira, francesa,venezuela, etc que não é isso que irá defini-la e sim modo como se comporta... e definitivamente não conseguiria me imaginar troncando idéia com uma pessoa como a que citou no seu post!
beijos!
Quem sabe um dia não nos cruzamos por aí na frança?! feliz natal e ano novo!
Gabi

Daiana Azevedo disse...

Realmente a pessoa que se esposo lhe apresentou não merecia nem a sua intenção. Como assim não conhece HP e Dell . rsrsrsrsrs

Mas comigo também acontece a mesma coisa, não que eu more no exterior. Não, ainda nem tive essa oportunidade, mas me mudei de cidade a pouco tempo e sempre vem uns que fazem as mesmas perguntas. Chato.

Adoroo seu blog querida.

Um beijoooo

http://vidaaposdezoito.com/

Enaldo Soares disse...

Eu sou super "antissocial". Uma vez em uma festa os convidados fizeram uma roda para falar de suas qualidades e defeitos.

Fui embora.

Jorge Fortunato disse...

Sou solidário a você, embora não tenha a mesma experiência. Deve ser meio chato mesmo ficar falando sempre sobre esses assuntos. Claro que muitos brasileiros quando encontram outros morando na França ficam um pouco curiosos sobre. Eu mesmo acho que te perguntei sobre isso, etc. Mas tivemso um papo bem legal sobre assuntos diversos.
abraços

Helen disse...

Tambem penso assim! Acho um saquinho...entendo a motivacao, mas ainda nao gosto,principalmente pq so por vc ser do mesmo pais de origem, nao quer dizer q tenha os mesmos interesses! Eu ja falei ao meu marido que estou um pouco cansada disso...ha cinco anos, quando reunimos aguns amigos (um italiano, um dinamarques, e maisum brasileiro) o papo sempre cai no "o brasil e assim...", " na dinamarca eh assado", e " na italia eh coisado..." No inicio achava interessante aprender sobre as outras culturas, mas depois de cinco anos do mesmo papo, acho um PORRE!!!

Josy disse...

Ainda não passei por isso aqui na Suécia, aqui onde moro também não tem muitos brasileiros mas os que conheci eram bem "normais".

Beijos

Georgia Aegerter disse...

Milena, o Christian no comeco tb tinha essa mania, era infernal pelos mesmos motivos que os teus.

Uma vez discutindo sobre o assunto com o meu marido eu disse a ele:

Me faz um favor? Nao me apresenta a ninguém como brasileira, essa sessao na minha vida é minha. Nao é porque a outra pessoa é brasileira que eu queira conhecê-la. Eu mesma sou capaz de escolher minhas amizades.

Ele ficou surpreso com a minha atitude.

Ele tinha um amigo que tb namorava uma brasileira e ele tinha mania de ficar indo para barzinhos brasileiros aqui em Düsseldorf. Ir lá de vez em quando era legal, mas fazer disso um ritual nos meus fins de semana foi ficando infernal. Disse ao Christian que nao queria ficar indo lá. Mas ele queria acompanhar o amigo, eles estudaram juntos e ele queria estar lá.
Expliquei que aquele ambiente nao era o meu ambiente, que eu nao estava acostumada a esse tipo de coisa. Nossa a casa caiu aqui em casa. Isso foi bem no comecinho do nosso casamento. Expliquei a ele que seria bem dificil pra mim encontrar-me com essas pessoas na rua no dia seguinte quando ele estivesse viajando a servico. Naquela época ele viajava a semana toda e ai eu disse a ele assim: Olha, se um desses brasileiros durante a semana me verem na rua enquanto eu faco as compras eles vao vir falar comigo nao sei se vc vai gostar da idéia.

Ele comecou a ver o barzinho com outros olhos e conversou com o amigo. Resumo da ópera. Com o tempo ele viu o que o barzinho era na verdade...

Outras vezes tivemos algo assim na rua onde duas brasileiras iam pela rua chingando os maiores palavracoes, num maior barraco e eu pedi a ele: fale comigo somente em alemao. Ele entendeu na hora.

Mas vc Milena, precisa duramente falar com o teu marido sobre isso e no quanto a atitude dele te magoa. Diga a ele que vc nao gosta da forma como ele te vende. Sim, ele nao te apresenta a ninguém ele te vende. Diga isso a ele.

Um grande beijo

Flavia disse...

Milena, não me leve a mal, mas preciso falar sobre a HP, poxa já tivemos bem perto, ou talvez não.HP alameda rio negro alphaville, trabalhei alguns anos no centro comercial de alpha, na área de RH, mas em agência de emprego, quando cursava Psico.Depois sai e trabalhei com comunicação perto do residencial 6, empresa de seguros de veículos.Te entendo na sua colocação tudo bem a pessoa ter saído do Brasil, mas não conhecer a HP é demais nunca viu um computador.É pra acabar como dizem aqui no interior rsrsrs.Agora fazer equivalências quando li isso ri, esses marido são demais cada sinuca de bico.Me lembrei do meu quando cheguei aqui no interior e o mesmo ainda fala até hoje.Minha mulher fez Psicologia 3 anos, formada em Comunicação e Comissária de Bordo e no momento só falta ele me dizer que não consegui fazer as tals equivalências.Pensando em vc se lembrando de mim, enfim faz parte.

Mas passei aqui para te desejar um Feliz Natal ao lado do marido, um ano de 2013 maravilhoso e de muitas vitórias, te leio, te admiro e percebo nossos pontos em comum.bjs

Beth Blue disse...

Milena,
Concordo em gênero, número e grau! E já passei por cada situação aqui nesses 18 anos de Holanda que nem vou te contar.

O fato de ser brasileiro nunca foi nem será critério para ser meu amigo. Conhece muitos (muitos mesmo) brasileiros aqui em Amsterdã e por toda a Holanda mas a maioria são apenas conhecidos.

Pior é que teve época que eu até fugia de brasileiros por causa de uns traumas (o que admito ainda faço nos meus dias "ruins").

Então te entendo perfeitamente! beijos

Larissa disse...

Milena, é engraçado mesmo como as pessoas que não são brasileiras acham que todos os brasileiros
se dão bem e se entendem. Nosso país é imenso e nele mesmo temos culturas tão diferentes uma das outras. Conheço muitos brasileiros por aqui, mas são com poucos que tenho uma amizade sólida. Questão de afinidades mesmo, como seria com qualquer outra pessoa do mundo....
Bjos!

Anônimo disse...

Nossa adorei esse post, perfeito e pontual. Concordo plenamente com vc, ainda bem q não passo essa situações com meu marido, por ele tb ser brasileiro (naturalizado Suiço)ele entende bem e é o primeiro a não gostar desse tipo de coisa.
Tb amo conhecer pessoas novas, trocar experiências e etc, mas tem horas q realmente fica complicado.
Estou aqui há 3 anos e já passei situações com outras brasileiras q tive vergonha de dizer q sou brasileira, triste né, mas acontece.
Abraços e já estou seguindo seu blog. :-)
Thaísa