sábado, 25 de fevereiro de 2012

O que ando fazendo por aqui, querendo ou não...

Estava fazendo uma atividade muito chata e aí lembrei do post recente da Glenda do Coisa Parecida. Não pelos mesmos motivos, mas me identifiquei um pouco porque realmente pouquíssimas pessoas sabem o que estou fazendo aqui na França. A curiosidade vai desde "como ocupo os meus dias" até "como ganho a minha vida.

O mais engraçado é que muitos comentários in off das pessoas que não me conhecem realmente, mas que tiveram contato (direta ou indiretamente) comigo pelo defunto orkut, que dão uma olhadinha no blog ou que simplesmente me viram uma vez de longe em um evento por aqui vão em dois sentidos extremamente opostos: a) Existe uma parte que acha que sou dondoca, que era rica no Brasil ou então que me casei com europeu rico!!! Ah, e que não faço nada o dia inteiro; b) Existe também uma outra parte que acha que passo trabalho aqui na Europa, catando lixo para sobreviver (essa estou exagerando!), trabalhando em subempregos mal-pagos e/ou clandestinos.

Infelizmente terei que decepcionar esses dois públicos! Madame aqui só no estado civil, já que em francês toda mulher casada é Madame (e agora até querem que só exista essa opção de "madame" nos fomulários oficiais, como você pode ler bem explicadinho no blog da Mirelle). Mas também não estou aqui fazendo faxina para sobreviver (mesmo que admire quem o faça, pois além de ser um trabalho digno e cansativo, ainda é bem-pago por essas bandas). Faxina já chega a da minha casa!!! Se um dia eu precisar, farei, mas até hoje pude escolher e me sinto contente de trabalhar em um grande grupo francês, com um salário correto e diversos benefícios interessantes, apesar de ter lá os seus "contras" do sistema francês e de não estar exercendo exatamente o que eu gostaria. Na empresa em que eu trabalho para crescer além de ter que ter uma formação em uma Grande Escola de Comércio (as mais reputadas são caríssimas, difíceis de entrar, mas é lá que são formados os futuros diretores nos diversos setores e dirigentes de empresa), ainda temos que ter um perfil top model fashion, o que não é exatamente meu perfil... 

Então, nem milionária nem pobretona, faço parte da classe média francesa. Somos um casal onde os dois trabalham, o que nos permite de aproveitar um pouco em termos de passeios e atividades culturais de certa forma que no Brasil o mesmo padrão de vida exigiria provavelmente um "supersalário". Por outro lado, sem filhos estamos na classe que paga mais imposto (em janeiro ainda tivemos mais um susto!) e para aproveitar de outras formas abrimos mão de certos confortos que muito brasileiro de classe média tem, como faxineira, manicure e cabelereiro toda semana!

Para manicure e cabelereiro me falta paciência mesmo! Para mim o serviço tem que ser rápido e eficiente, e o tempo vai passando e esqueço de telefonar para marcar hora... Ou então temos que ir sem hora marcada e esperar com toda as mães que levam toda a criançada que faz a maior bagunça no salão... Ou então me falta tempo mesmo (por exemplo, quero ir na sexta antes de viajar, mas na última hora acabo saindo muito tarde do trabalho e o salão está fechado!)

Mas já uma faxineira eu adoraria ter, não porque sou uma exploradora de escravos modernos, mas porque se tem alguém procurando trabalho em uma área na qual não sou qualificada ou que não quero trabalhar, prefiro dar o trabalho a essa pessoa... Mas além de pensar duas vezes antes de desembolsar no mínimo 10 euros por hora para esses serviços domésticos, tenho muita dificuldade em confiar em alguém na minha casa. Minha mãe sempre tentou e sempre fomos testemunhas das decepções, de gente que roubava calcinha e meia-calça vestindo umas sobre as outras na hora de ir embora, ou uma que roubou 50 reais da minha reserva. Outra vez voltamos de um feriadão de carnaval e a pessoa tinha "desaparecido" com tudo que tinha no congelador, geladeira e despensa, sem contar todas as garrafas de vinho, espumantes e whisky! A última foi uma nova que veio indicada, alguém da família dela disse que ela precisava trabalhar, o marido estava desempregado há meses. Minha mãe entra em um acordo financeiro com ela, que aceita, mas que pediu um adiantamento pois não tinha dinheiro para o transporte nem para nada. Minha mãe que nunca foi boba, não é de fazer caridade mas ficou penalizada, deu o dinheiro e está esperando a moça até hoje...

E nessas atividades domésticas que querendo ou não tenho que fazer, se tem uma coisa que me tira fora do sério (ok, sou muito intolerante mesmo, admito que tem muita coisa que me tira do sério!) é ter que pregar botões!!! 

E por aqui, até mesmo nas marcas consideradas de boa qualidade, sempre preciso reforçar os botões! Eh verdade que praticamente nada mais em vestuário é fabricado na França, na etiqueta vem geralmente escrito "criação francesa", mas "fabricado no Marrocos, Tunisia, Turquia, China, Paquiatão, Sri Lanka... Mas pro que não ensinam esse povo a pregar botões? (seu um dia eu ficar desempregada, mesmo com meu péssimo desempenho na atividade de pregar botões e total desconhecimento da profissão, quem sabe consigo uma vaguinha da área?)

A preguiça me impede de reforçar sistematicamente, mas então é aquele "corre-corre" quando o botão cai no mau momento. Como em pleno passeio pela Ilha de Murano, na Itália. E eu que não era nada disciplinada e nunca tive kit de costura na vida, tive sorte de encontrar um no supermercado da ilha!!!

 Eu ali completamente sem jeito vendo que dois botões estavam por um fio só, tentando ao mesmo tempo manter o casado fechado com o friozinho que estava fazendo... 
Um desconforto só até conseguir resolver esse probleminha!

Desta vez ataquei um casaco que ainda não tinha usado esse inverno pois tinha caído um botão no ano passado! (mais 2 casacos, sem contar uma camisa do marido que ele veio todo queridinho me pedir para pregar um botão da manga, acho que tenho trabalho por mais de uma hora!!!)

E você, o que não gosta de fazer mas não consegue evitar no dia a dia?

17 comentários:

ana disse...

Adorei o post!! Eu também protelo ao máximo a hora de pregar botões!!! Não tenho o menor jeito.
Um abraço.
Ana Mota

Juliana Beaup disse...

Hahahaahahahhaa estava ontem mesmo pensando que porra de botoes sao esses! Pago 145 mangos num manteau de marca e estou com tres botoes faltando......sem vontade nenhuma de prega-los mas cansada de andar com ele semi aberto disfarçando a falta dos redondinhos.....pior, nao sei onde enfiei o botao adicional e nem os que cairam.......os casacos das crianças ficam sem nenhum no fim do inverno, ainda bem que sempre tem ziper por baixo!

Jorge Fortunato disse...

Milena
Seu post foi um belo "bom dia de domingo!". Você tem um humor muito bom e isso faz a diferença. Atualmente, me considero um sujeito sem classes aqui no Brasil, posto que estou sem trabalho e buscando meu lugar ao sol. Opa, tem vaga pra um faxineiro fluente em francês????kkkkk Aqui no rio eu pago R$ 80 para minha passadeira - ela fica o dia inteiro passando roupas e vem a cada 15 / 20 dias. Faxina eu faço. Em geral,todos meus amigos franceses não tem empregados, nomínimo alguém para passar a roupa. C'est la vie.
Bom domingo e ótima semana!

Vanessa à Paris disse...

Acho q é passar roupa.
Nao levo o menor jeito.
Passo "horas" numa mesma peça.
Pior é q tenho horror a usar roupa amassada.

Entao qdo tem uns frufrus na peça ela vai p lavanderia...risos
E o unico jeito.

Ma Petite Lima disse...

Verdade Milena! Huahauahua.. Infelizmente, quem mora fora, tem esse rotulo.. Bom fds pra vc..
Bjinhos
Joanna

Lari disse...

Pois é, muita gente acha que a vida por essas bandas é a mais fácil do mundo. Não estou falando que a vida é ruim, pelo contrário, a qualidade de vida aqui é melhor, mas tudo tem seus prós e contras mesmo né... Eu por exemplo ODEIO passar roupa. Não tem atividade em casa que mais me irrite, não tenho a mínima paciência. E tive uma conhecida lá do Brasil que ainda me perguntou "Nossa, você tb tem que passar roupa por aí?"... Fazer o quê né, não dá pra andar amassado rsrs... Beijo!

Sandra disse...

Eu bem que gostaria de ter uma pessoa para me ajudar na faxina, mas como você, não confio em deixar uma pessoa na minha casa! Eu não gosto de passar roupas, antes eu passava TUDO: regatas que vão por dentro da blusa, camisetas de ficar em casa, fronhas, etc..., mas agora eu aboli tudo... tem roupa que não importa se está passada ou não porque ninguém percebe...rs... Outra coisa é que como agora eu estou morando em uma casa, eu detesto com todas as minhas forças limpar a neve. Quando morava em apto nem ligava se nevasse 2 metros, por mim... mas agora quando começa a nevar eu rezo para que seja bem pouquinho.

Inaie disse...

me lembrei de quando me mudei pra Australia. fabio fazia um MBA em periodo integral e eu ano trabalhava. E as meninas tinham 2 e 3 anos. Todo mundo perguntava pelas nossas costas... mas, mas, mas como eles sobrevivem?

Ai eu pedi pruma amiga dizer que o fabio era traficante e eu garota de programa. Pronto - assunto resolvido, ne?

Liza disse...

Tem gente que nao tem mais o que inventar da vida dos outros, ne!?!

Qt a pergunta sobre o q deve ser feito no dia a dia (bom pra mim de 20 em 20 dias + ou-) seria depilacao. No inicio ia em salao de brasileiros, casas mas nao dei sorte. Dai aprendi fazer sozinha e faco tudo direitinho. Mas eh um saco!!!

Beijos

Milena F. disse...

Ana e Juliana, agora me sinto menos ET, sabendo que outras pessoas como eu tb têm aversão a essa tarefa! Ju, comprei um manteau da loja 123 que é considerada "classe", e o mesmo problema! E um da NA NAF que quando usei pela primeira vez, cairam 11 botões! Consegui recuperar tudo, e indignada levei na loja! Eles recolocaram os botéoes, mas pedi para reforçarem os restantes, o que néao foi o caso! Na segunda "usada", cairam os outros! Ainda não costurei e estou sem poder usar o casaco! Costumo usar fechado e não gosto quando falta um botão, imagina 3???

Milena F. disse...

Jorge, vc então faz parte dessa geração de homens que colocam a mão nas tarefas domésticas... Boa sorte na sua recolocação!!!

Vanessa, Jorge, Lari e Sandra, parece que passar roupa ganha o título de tarefa mais chata!!! Roupas simples nunca me importei de passar, mas minha mãe tinha uma peça da casa com uma grande mesa só para passar roupa e um ferro à disposição (ela confecciona roupas), então tudo era fácil... Mas aqui detesto, pois quando preciso passar tenho que buscar o ferro (o meu é uma "estação vapor" grande e pesada!!!), encontrar um local para instalar a tábua de passar... e depois guardar tudo, é isso que me cansa!

Milena F. disse...

Inaie, uma forma hilariante de resolver o problema! Mas do jeito que as pessoas adoram falar, se faço algo do genero em pouco tempo a história vai parar na boca do povo! Morando longe até não me importo, mas penso pela minha família, que de vez em quando tem que ouvir as coisas mais absurdas.
Uma pessoa com a qual a minha familia mantém relações sociais por respeito a alguém (que pertence às duas famílias!) já me falou na cara que em dois anos eu voltaria com uma mão na frente e outra atrás e com duas crianças nos braços para sustentar... Já estou aqui há mais de 3 anos e parece que está longe de acontecer... E pessoas assim adorar dar uma "alfinetada" sempre que podem! Para mim, a minha melhor vingança é o meu "sucesso"!

Liza, a depilação eu tb odeio! Faço quando não tenho outra alternativa, fico de mau humor e o resultado deixa (muito) a desejar!

Anônimo disse...

Caraca Mi, esse lance dos botões é super verdade!!! kkkkk... tenho uma raiva disso!!
Bjkas Fla (alsace)

Fernanda Souza disse...

Viver na Europa é viver sem mordomias! Não só na questão de não ir fazer as unhas toda semana - por aqui eu mesma faço, pois esse serviço é caro, mas a maioria classe média faz sua própria faxina, diferente do Brasil. E não falo só desse tipo de mordomia, serviço aqui custa caro pois o salário mínimo é alto e é para todos. Sem frentista no posto de gasolina, todo mundo mete a mão na bomba, para lavar os vidros do carro é a mesma coisa. No ski, fiquei pensando, se fosse no Brasil ia ter uma gurizada para carregar o equipamento em troca de alguns trocados... Esses dias no super peguei a manteiga errada e só me dei conta no caixa, avisei que não ia levar, já que era um produto fresco, tava pronta para largar num cantinho quando ela disse para mim ir devolver na prateleira! E todo mundo ficou esperando na fila. Foi quando meio que acordei hehe no Brasil a gente tem quem faça tudo pra gente! Até móveis, tudo na Ikea por exemplo é do tipo monte você mesmo.

Bom e essa semana aumentei nossa caixinha de costura que só tinha linha preta, caiu botões dos nossos casacos. Odeio pregar botões, principalmente nesses casacões de inverno que normalmente são por dentro do tecido. Afe! Mas aqui todo mundo faz tudo, nem pensar em levar em algum lugar para pregar um botão!

Mas a diferença que sinto é que aqui lazer não custa tão caro como no Brasil e também a classe média brasileira gasta muita grana em futilidades!

Lú Azevedo disse...

Foi sem querer que eu encontrei seu blog, mas é querendo que sempre passo por aqui. Que sensibilidade e Bom humor para escrever o dia-a-dia !

Adorei, também me candidato à vaga de pegradora de botões caso a vida me demande! kkkk

Ótima semaninhaa!!!

Gisley Scott disse...

Oie, eu diria que uma das coisas das quais faço toda semana mas não gosto é meu cabelo, rs! Seja chapinha ou encaracolando, eu preferiria ir à um salão, mas ao mesmo tempo não tenho coração para pagar $30 só pra uma pessoa ajeitar meu cabelo.

Unhas aqui tb são muito caras.

Se pudesse, pagaria alguém para engomar roupas, pois detesto, principalmente as de mangas compridas do meu esposo, rs!!!!

Bjs

Vânia Wolf disse...

Nossa, você tá precisando de uma empregada!!! Eu me candidato hahah e falo um pouco de francês também, nem precisa me pagar salário só moradia e refeição, o que acha??? hihi
Estou amando ler o seu blog, parabéns, continue assim trabalhadora, lutadora, sonhadora (também sou pisciana !!!) e lindas suas viagens!!