segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Por onde andei em 2015

De uma forma geral não posso reclamar do ano que terminou, mesmo se para a minha família e alguns amigos 2015 foi um ano de muitas dificuldades em muitos sentidos.

Apesar de não ser muito religiosa, só tenho a agradecer por estar em boa saúde (nem mesmo uma gripe o ano inteiro!), viver ao lado da pessoa que eu amo, continuar em um emprego estável que paga as minhas contas e meus prazeres. Inclusive muitas pessoas que me seguem no Facebook podem achar que mostro uma vida "falsa", mas sinceramente não tenho muito do que reclamar, a não ser do marido que come meus chocolates, me deixa de vez em quando sem pão para o café da manhã, da chefe que de vez em quando pega no meu pé. Na maior parte do tempo trabalho MUITO (= muitas horas), tenho uma carga de responsabilidades relativamente alta, então quer dizer que a minha vida não é moleza, não levo vida de dondoca, mas aproveito muito bem meus momentos livres, as minhas férias e folgas, então consigo manter um certo equilíbrio.

Então venho mais um ano fazer um balanço dos melhores momentos de 2015:

- Janeiro começou com uma viagem à Italia, ocasião de enfim conhecer Florença e me maravilhar com tudo o que li nos livros e vi em imagens. Realmente Florença é tudo aquilo que me contaram, que eu imaginava, e muito mais.

Ainda pude dar uma esticadinha e conhecer Pisa.

- Janeiro foi ainda a época que escolhi para ir ao Brasil, há muito tempo não visitava minha terra natal durante o verão e queria curtir um pouco da família com praia e sol. 

- De volta à Europa, em fevereiro aproveitamos um final de semana para conhecer mais uma cidade francesa, o que sempre procuramos fazer. Como é inverno optamos por Grenoble, em meio às montanhas, que para mim combina com frio. Algumas cidades faço questão de conhecer no inverno.

Em março desta vez foi o marido que planejou uma viagem (coisa rara!) e me levou de surpresa para o Luxemburgo, que realmente eu queria conhecer há muitos anos e nunca dava certo!
- Em abril fomos de férias para o Portugal, que conhecíamos muito pouco, e passamos dias excelentes na cidade do Porto, Braga e Guimarães.



Ainda exploramos os arredores de Paris, o castelo de Breteuil e a Abadia de Vaux de Cernay...

- No início de julho resolvemos curtir o verão nas águas azul turquesa de Ibiza

Julho também foi o mês em que começou nossas grandes férias de verão e nossas aventuras no Japão!


- Em agosto ainda estávamos no Japão. Não dava vontade de voltar!

Subi no monte Fuji, voltamos para que eu retome o trabalho e ainda fomos um final de semana para Vannes, na Franca, história de descansar um pouco das férias que foram bem intensas!

- Outubro começou com seminario da empresa no Château Villiers-le-Mahieu, a cerca de 1h de carro de Paris.

E tiramos mais uma semana de férias e fomos para a Grécia.

Também fomos para Lausanne e o marido pôde enfim se conciliar com a Suiça (com a qual ele tinha uma certa implicância desde nossas viagens à Genebra e Zurique, isso já há alguns anos).

Dezembro é um mês de muito trabalho e não tenho tempo para nada, então nunca viajamos nesse mês, mas conseguimos descansar na Normandia logo após o natal, curtir um pouco a natureza e recarregar as baterias para dar conta do recado esperando as próximas folgas ou férias!!!!

Esse ano, devido ao meu trabalho, tinhamos aceitado viajar menos, o que nos possibilitou de explorar destinos mais caros (como o Japão) e aproveitar um pouco mais da vida parisiense (shows de Charles Aznavour e meu cantor preferido, Francis Cabrel, teatro, exposições, restaurantes).


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Koyasan: em meio às montanhas verdejantes e sagradas do Japão

O Monte Koya é a segunda montanha sagrada do Japão (o primeiro é o Fuji). Atualmente ali residem cerca de 3 mil habitantes, dentre eles 700 monges que vivem em 117 templos! Impressionados? No momento de maior expansão, o Monte Koya chegou a acolher 90 mil monges distribuídos em 1812 templos!

O local conta cerca de 15km2 e é rodeado de 8 picos de montanhas, evocando uma flor de lotus com suas 8 pétalas. Desde 2004 faz parte da lista do Patrimônio Mundial da Unesco. 
Sem duvida um lugar unico para se retirar do mundo, em meio às montanhas e às florestas de cedres, ciprestes e pinheiros...

Foi aqui uma etapa importante da história do Budismo no Japão. No ano 816, Kukai (também conhecido como Kobo Daishi, seu nome póstumo), um monge formado na China retorna ao Japão e se instala como ermita na solidão dessas montanhas.

Para se chegar até lá o trajeto é bem demorado e é necessário trocar várias vezes de trem. O trajeto final não está incluso no JR pass, então deve ser pago separadamente, e o trem anda bem devagar, nada a ver com os famosos "trem-bala". A viagem em si até Koyasan é uma aventura, e a ultima étapa é um "vagão" que sobe com uma inclinação de quase 45 graus! Emoção garantida! Ali a gente se sente longe do Japão moderno em meio a toda essa natureza verdejante e  montanhas espetaculares.
A gente entende porque esse local foi escolhido pelos monges em busca de tranquilidade e de paz para meditar.

Uma vez lá em cima, é obrigatório pegar um ônibus até o "centrinho", pois a primeira parte do percurso é proibida aos pedestres (curvas perigosas).

No local não existem hotéis no senso próprio do termo, mas sim hospedagem em um templo ou monastério, chamado shukubõ. Atenção, pois geralmente o local fecha uma certa hora (o nosso às 21h) então é necessário voltar antes. De qualquer forma, a cidade é calma e não acho que tenha muita coisa para fazer à noite.
Entrada de nosso shukubo, onde fomos acolhido por um monge.

Existem várias regras a respeitar, dentre elas retirar o calçado desde a entrada, colocá-los no lugar e posição certos, usar o calçado de interior, caminhar no solo em madeira tentando não fazer barulho e esse calçado deve ser retirado ao entrar no quarto, não se pode pisar no tatami com ele. E para o banheiro é um outro calçado!

Os quartos são de estilo japonês, dorme-se em futon que é preparado por volta das 18h. Era muito fofinho e confortável. As portas são de estilo japonês e no nosso templo sem fechadura, mas havia um cofre para os objetos de valor. O banheiro era separado e compartilhado, assim como o lugar para tomar banho, igualmente em estilo japonês, mas tudo muito limpo Banho delicioso!

A roupa tradicional, Yukata em algodão é disponibilizada aos hospedes e pode ser utilizada nas dependências do templo, dentro e fora do quarto.

Poucos restaurantes no local e os que existem fecham bem cedo, por isso os turistas reservam as refeições no monastério. Nesse tipo de hospedagem a comida é vegetariana budista (shojin-ryori), sem carne, peixe, cebola ou alho. O budismo recomenda uma alimentação vegetariana pois condena o sacrificio de toda forma de vida dotada de consciência. A cozinha dos monges é baseada em 3 principios: 5 sabores, 5 modos de cozimento e 5 cores. Cada refeição deve conter um prato grelhado, um frito, um marinado, um à base de tofu e uma sopa. O tofu é uma importante fonte de proteína para os monges budistas.

Porém preferimos jantar fora, já que o meu marido é meio chato para comer e encontramos um restaurante chinês (ainda era cedo) e com gestos conseguimos encomendar, pois nenhum restaurante tem cardápio em inglês.

Fomos convidados (ou intimados, não sei se nos davam a escolha) à oração da manhã. Em japonês, é claro, não entendi nada, mas me senti muito bem. Na parte final cada um se aproximava, fazia alguns gestos que pareciam preces e agradecimentos, e eu imitei os gestos dos outros hospedes japoneses e aproveitei para agradecer mentalmente diversas coisas e "pedir" outras. Mal não deve fazer.

Para provar a comida dos monges deixamos para o café da manhã:

 Essas duas estrelinhas, com agua quente se transformavam em sopa diante dos nossos olhos!

O café da manhã nos foi servido em uma sala comum com os demais hospedes. Para mim o mais difícil era ficar sentada na posição deles! O meu marido, coitadinho, só comeu o arroz!

O que fazer:
Dormir cedo para acordar cedo e visitar os diversos templos e trilhas, e um excelente ponto de partida é a Porta Daimon, antiga porta de entrada da montanha sagrada. Reconstruida em 1705, mede 25 metros de altura e as divindades guardam a entrada de Koyasan.


Em seguida o Complexo Danjo Garan, constituido de diversos prédios, dentre eles a eclatante pagoda Daitô, que é elemento arquitetural central do complexo.

Infelizmente sofreu diversos incêndios ao longo dos séculos, mas a cada vez foi reconstruída, assim comos os demais prédios, com exceção do Fudô-dô (abaixo), construido em 1197 e considerado tesouro nacional.


Kongobu-ji é atualmente o monastério principal em Koyasan, ele gerencia toda a parte administrativa e ali os interessados podem realizar diversos cursos ligados ao budismo.



Porém sem dúvida o ponto alto de Koyasan é a visita do misterioso cemitério budista Oku-no-in, com sua floresta de árvores centenárias e milhares de tumbas tão diferentes de nossos cemitérios ocidentais. Ali se encontra o mausoléu de Kukai, que segundo os fiéis não estaria morto, mas apenas em meditação pela eternidade.

 Jizo é uma divindade venerada pelos budistas e shintoístas, considerado protetor das crianças e viajantes. Os babeiros vermelhos ou brancos são oferecidos pelos fiéis que perderam uma criança e que pedem à Jizô que a proteja no lado de lá e/ou acordem uma longa vida às demais. Porém esse costume tornou-se tão popular que os babeiros podem ser encontrado em outras estátuas.
 Estupas de 5 andares (gorin-tô), que fazem referência aos cinco elementos: terra, água, fogo, vento e espaço, de baixo para cima. 


São 2km de caminhada e há séculos é um local de peregrinagem. Não precisamos ser budistas nem religiosos para sentimos uma paz imensa. Desde os séculos XI ou XII as familias nobres e samurais enterravam os cendros perto da tumba de Kukai, e mais tarde essa tradição foi adotada pelas familias mais modestas, nem que seja enterrar ali ao menos uma mecha de cabelo.

Quem diria que em país tão pequeno veríamos tantas maravilhas?
E a viagem estava apenas no começo...

Já tinha ouvido falar de Koyasan? O que achou?
Se gostou, talvez goste também de outros lugares que visitamos no Japão:

Hiroshima
A Ilha Sagrada de Miyajima
Himeji-jo, o castelo mais bonito do Japão

Ou na China:
As inesquecíveis Grutas de Yungang
O Monastério Suspenso de Xuankong
Montanhas Huangshan

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Dá para viajar para a Europa sem falar inglês?

Essa é uma das principais perguntas que me fazem, e vou falar a verdade: a maioria dos turistas aqui pela Europa não fala nada de inglês e no final tudo dá certo!

Porém não é por isso que devemos ir na cara e na coragem sem nenhum planejamento nem o mínimo de organização.

Primeira etapa, antes de viajar: 
Pesquise tudo antes, como sair do aeroporto e chegar ao hotel, como ir do hotel aos principais lugares que pretende visitar. 

Não chegue sem a mínima idéia de como ir para o Big Ben e já querendo perguntar (em português) qual metrô pegar, onde descer, isso pode atirar caras feias, pois os locais pensam direto "por que ele não se informou antes se nem entende a língua?"

Na minha primeira viagem à França, aluguei carro e pesquisei todos os trajetos via um site e imprimi tudo. Cada detalhe de sinalização, onde dobrar, tudo estava disponível e segui à risca, em nenhum momento me perdi.

Se você não gosta de planejar viagens, não tem tempo ou prefere não usa-lo para isso, as agências e consultorias em turismo servem para suprir essa demanda! Pode-se escolher um pacote completo com guia falando português, visitas e deslocamentos inclusos, ou então contratar cada serviço separadamente.

No avião:
Nem sempre as companhias aéreas estrangeiras disponibilizam funcionários em número suficiente que falem português, mesmo em vôos saindo do Brasil. 
Aprenda palavras básicas do cardápio como chicken (frango), beef (carne de gado), pasta (massa) e isso vai ajudar igualmente nos restaurantes.

No aeroporto/imigração: 
Na imigração, para evitar perguntas em inglês ou na língua do país que você não vai entender nem saber responder, tenha todos os documentos em mãos em caso de necessidade. Além do passaporte (é claro): a passagem de volta, as reservas dos hotéis (ou onde vai ficar), seguro viagem. 
Se realmente tiver um problema eles vão encontrar alguém que fale português. 
No aeroporto, basta seguir as indicações e conhecer palavras importantes, como saida (exit), porta de embarque (gate), bagagem (luggage), etc.

No destino:
Facilite sua vida, anote tudo, salve no celular ou imprima. Tenha sempre consigo o endereço (no idioma local) do seu hotel, pois caso se perca fica mais fácil encontrar alguém que entenda ou mesmo pegar um taxi. Tenha também o endereço do consulado do Brasil (para casos de real necessidade).

Use a abuse dos mapas, aplicativos e tradutores.
Se você gosta de conhecer a historia dos lugares que visita, não abra mão de um bom guia de viagens impresso ou em download, pois dificilmente vai encontrar explicações no local em português.

Nos restaurantes você pode se virar na base da mímica, mas é bom conhecer as palavras dos ingredientes básicos de qualquer cozinha, e se for alérgico ou não comer alguma coisa, também! Meu marido sempre diz "no salad" em qualquer lugar, pois ele não come salada de jeito nenhum. Pode ajudar olhar discretamente os pratos ao redor e tentar pedir o mesmo.
Aprenda a forma de pedir água, vinho, cerveja ou outra coisa que deseja beber.


Em qualquer lugar e situação:
Tente aprender as palavras mágicas do idioma local (bom dia, olá, por favor, muito obrigado, desculpa ...) 
Seja educada/o, sorria, e agradeça sempre.

Falta de educação total:
Ir falando português como se os outros tivessem obrigação de entender, ainda mais se for BEM alto, quase gritando, como vejo muitos brasileiros fazendo por aqui. Lembre-se que o morador ou trabalhador não é surdo (salvo exceções), simplesmente ele não fala e não entende o nosso português. Simples assim. (Será que se um japonês falar com você bem alto você vai entender melhor a língua dele?)

Chegar falando inglês sem perguntar antes se a pessoa fala o idioma ou ao menos dar bom dia na língua local... Se for falar inglês, faça-o inicialmente devagar e evitando palavras rebuscadas até conferir o nivel de inglês de seu interlocutor.

Conclusão: 

É possível SIM se virar sem inglês, mas é melhor pesquisar tudo antes, pois perguntar em português e esperar entender uma resposta vai ser difícil.

E sem falar inglês ou a língua do país fica difícil interagir com os locais, toda comunicação é bem limitada, assim como aprender sobre a cultura. Mas para visitar pontos turísticos e comer dá!


E você, como foi a sua experiência sem falar inglês ou o idioma local?
Quais dicas gostaria de compartilhar com a gente?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Como enfrentar o friozão europeu?

Não sentimos frio todos da mesma maneira, e com o tempo inclusive sinto cada vez menos no meu dia a dia por aqui na Europa. Mas a situação muda de figura quando viajamos, pois "turistar" por ai geralmente é sinônimo de passar muito tempo ao ar livre e expostos ao frio, umidade, vento e mesmo neve!

Como aproveitar da melhor forma possível seu passeio no inverno?

Sempre aposto em um bom casaco, realmente quente, que não deixe passar o frio (tem gente que prefere "doudone", casacos de lã, de peles, cada um escolhe o seu) e para mim tem que cobrir o bumbum, onde sinto muito frio!

Além disso, tenho que enrolar algo no pescoço (se passo frio no pescoço fico com dor de garganta na certa). Pode parecer um pouco sufocante para quem não está acostumado, mas a gente se acostuma. Muita gente que vem morar na Europa, volta para o Brasil usando lenços no pescoço em qualquer época do ano.
Também é importante cobrir as mãos.

E a vantagem é que quando entramos em lugares aquecidos, como museus, restaurantes e outros, basta tirar o casaco e os acessórios.

Quando fico muito tempo na rua (passeios e/ou viagens, por exemplo) gosto de usar calçados com sola grossa e posso incluir uma palmilha de lã, que não deixe passar frio ou umidade. Nada pior do que o frio que começa a subir pelos pés e toma conta da gente. Acaba com qualquer sensação de conforto. 

E não vamos esquecer de cobrir a cabeça. Quando faz muito frio, parece que a cabeça gela e ficamos com dores de cabeça ou ouvido, se não tomamos esses cuidados.

Algumas pessoas acham feio, o jeito é provar vários acessórios e ver qual deles combina melhor conosco. Mas mesmo que você não se sinta uma "bomba", o mais importante é se sentir confortável, conseguir aproveitar e não ficar doente, não parece lógico?

Algumas meninas com cabelos crespos me disseram que não usam pois o cabelo ficaria "élétrico" com isso.
Bom, não tenho cabelo crespo, mas o meu cabelo nunca foi liso e sempre foi muito indisciplinado e elétrico, e posso garantir que com um gorro na cabeça, o cabelo fica "no lugar". Quando tiro o gorro, o cabelo está lisinho, não tem nada que saia do lugar.


Uso meia calça fio à partir de 80 com saia no inverno e não sinto frio. Existem meias até mesmo com fio 200! Acho mais fácil fazer entrar a meia nas botas do que uma calça, por mais slim que ela seja! Mas para quem não consegue nem imaginar usar saia no inverno europeu, podem optar por outras calças quentinhas, como de lã, de veludo, etc. Evite o jeans, mesmo com a classica meia calça de "nylon" por baixo, que não esquenta nada!

Outros indispensáveis:
- Creme bem nutritivo para rosto e mãos, pois o frio parece "cortar a pele.
- Protetor labial


E você, qual o segredo para não passar frio no inverno?
E como faz para manter um toque feminino e um pouquinho de charme?