sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Inverno e passeio de trenó puxado por cachorros

Quando fiz um passeio nos Alpes Franceses em 2013, fiquei com muita vontade de fazer um passeio de trenó puxado por cachorros. Na ociasião não tivemos tempo e nem sabíamos direito onde procurar, teriamos que pesquisar. 
O tempo foi passando e esse ano surgiu a oportunidade. Uma vez tudo agendado para ontem há mais de um mês, estava faltando a neve, já que esse ano o inverno não queria dar as caras de jeito nenhum! 

Para a minha felicidade, semana passada resolveu esfriar para valer e começou a nevar na região da Lozère, prevista para o meu passeio. A 3h30 de trem de Paris e mais umas 2 horas de carro, a Lozère é a região MENOS povoada da França e possui uma altitude média habitável de 1100 metros. Essencialmente agricola, a região fica no coração do Massivo Central, é cheia de pequenas montanhas (nada tão alto quanto nos Alpes), vales, campos, vilarejos e bosques.

E foi essa paisagem que nos esperava:



E uma grossa camada de neve.

Mas os nossos anfitriões estavam ansiosos nos esperando:

Nosso guia (musher, condutor de cachorros) Mathieu, apaixonado por cachorros e proprietario do dominio e de mais de 20 cachorros para essa atividade, nos apresentou ao grupo composto de huskies siberianos, huskies do Alaska (bem diferente dos huskies que a gente conhece), cachorro esquimó da Groenlândia e mesmo um fino e atlético European Sled Dog, especialista em velocidade.

Apresentações feitas e todas as regras de segurança explicadas, partimos para 2 horas de passeio no meio da floresta coberta de neve, que incluia guiar seu próprio trenó.

 No inicio os cachorros saem correndo feito loucos e me deu um certo medo, cabe ao condutor controlar os cães e ir freiando. A inda mais para quem não tem experiência, as curvas podem ser bem perigosas.
Os cães podem atingir entre 20 e 30 km/h se for uma corrida, mas o nosso objetivo não era correr.

Em uma curva bem fechada, os cães com o trenó foram para a esquerda e eu vooei uns 5 metros para a direita, mas como a neve é bem fofinha, não tive nenhum machucado e pude continuar. 

A minha sensação (e das 3 pessoas que estavam comigo) o frio intenso, pois com a velocidade a sensação de vento é forte, os pés sobre duas espéces de "patins" vão acumulando neve (e umidade), e como a gente pouco mexe os pés, pernas e mãos, eles vão congelando! Melhor estar bem equipado, ainda mais se for um passeio longo como este. 
Em outros momentos os cães têm mais dificuldade, como quando a neve estah muito fofa ou nas subidas, e então temos que dar um impulso como ao andar de patinete. Em nenhum momento os guias se servem da violência para avançar os cachorros.

Fiquei impressionada pois quando o guia gritava "esquerda!" os cães viravam à esquerda, e a mesma coisa para a direita! Fiquei fascinada com tanta inteligência, mesmo se adoro cachorros, sempre convivi com eles e sei do mutio que eles são capazes! Mas os meus não sabiam distinguir esquerda da direita!!!

Apos 2 horas de muita emoção, tranquilidade naquela paisagem branca, longe da cidade, dos carros, da civilização, so tenho a agradecer à esses seres especiais que me deram muitas lambidas e beijos babados:


Uma experiência emocionante e inesquecível! 

Registrei um pouco dessa aventura! Esperam que gostem!

video

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Corolle, bonecas de criação francesa.

Uma vez alguém comentou que não existia brinquedos ou lojas de brinquedos na França... 

Não sou especialista no assunto, por não ter filhos, mas eu achei estranho, pois a França é o segundo país da Europa que mais faz bebês (o primeiro é a Irlanda), e resolvi olhar mais de perto esse assunto.

Existem muitas lojas de brinquedos, mas também podemos encontrar brinquedos em quaisquer supermercados. E tudo é muito barato comparando com os preços absurdos praticados no Brasil!

E foi espiando as prateleiras de brinquedos que descobri a marca Corolle (eu não conhecia antes de morar na França), que se trata de uma marca francesa criada em 1979 e mais tarde comprada pelo grupo Mattel, mas que mantém a "french touch" e seu design continua sendo francês e inspirado na moda infantil (francesa) e usando os tecidos e tendências.

Aqui na França, ela é considerada uma marca de qualidade e não é considerada barata. Então é um excelente presente à uma menina! Custa entre 20€ e 60€, dependendo do tamanho e do modelo. Acessórios e roupas também são vendidos separadamente.

Existem para todas as idades, desde o nascimento, passando pelas bonecas que imitam "bebês" e outras que imitam as crianças. 





Não curto muito os "bebês". Acho "feio" esse tipo de brinquedo e morro de medo, independente da marca e modelo! Mas adoro as "meninas" e as versões mais "simples" para os recém-nascidos.

Essa é a minha (presente do marido no ano passado):


Mas o que está na "moda" para as crianças?
Atualmente as meninas são loucas pela Frozen (e outras princesas da Disney), pelas Monster High, Pet Shop, Poneys e a Barbie, é claro.

Em jogos de construção, além do Lego, o Kapla (pedaços de madeira) fazem parte da infância francesa há anos.

Playmobil existe para todos os gostos e bolsos.

E você conhece a Sofia, a Girafa?
Lançada em 1961 na França, no dia de Santa Sofia, ela conquistou os bebês (e mães) do mundo inteiro!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Por onde andei em 2015

De uma forma geral não posso reclamar do ano que terminou, mesmo se para a minha família e alguns amigos 2015 foi um ano de muitas dificuldades em muitos sentidos.

Apesar de não ser muito religiosa, só tenho a agradecer por estar em boa saúde (nem mesmo uma gripe o ano inteiro!), viver ao lado da pessoa que eu amo, continuar em um emprego estável que paga as minhas contas e meus prazeres. Inclusive muitas pessoas que me seguem no Facebook podem achar que mostro uma vida "falsa", mas sinceramente não tenho muito do que reclamar, a não ser do marido que come meus chocolates, me deixa de vez em quando sem pão para o café da manhã, da chefe que de vez em quando pega no meu pé. Na maior parte do tempo trabalho MUITO (= muitas horas), tenho uma carga de responsabilidades relativamente alta, então quer dizer que a minha vida não é moleza, não levo vida de dondoca, mas aproveito muito bem meus momentos livres, as minhas férias e folgas, então consigo manter um certo equilíbrio.

Então venho mais um ano fazer um balanço dos melhores momentos de 2015:

- Janeiro começou com uma viagem à Italia, ocasião de enfim conhecer Florença e me maravilhar com tudo o que li nos livros e vi em imagens. Realmente Florença é tudo aquilo que me contaram, que eu imaginava, e muito mais.

Ainda pude dar uma esticadinha e conhecer Pisa.

- Janeiro foi ainda a época que escolhi para ir ao Brasil, há muito tempo não visitava minha terra natal durante o verão e queria curtir um pouco da família com praia e sol. 

- De volta à Europa, em fevereiro aproveitamos um final de semana para conhecer mais uma cidade francesa, o que sempre procuramos fazer. Como é inverno optamos por Grenoble, em meio às montanhas, que para mim combina com frio. Algumas cidades faço questão de conhecer no inverno.

Em março desta vez foi o marido que planejou uma viagem (coisa rara!) e me levou de surpresa para o Luxemburgo, que realmente eu queria conhecer há muitos anos e nunca dava certo!
- Em abril fomos de férias para o Portugal, que conhecíamos muito pouco, e passamos dias excelentes na cidade do Porto, Braga e Guimarães.



Ainda exploramos os arredores de Paris, o castelo de Breteuil e a Abadia de Vaux de Cernay...

- No início de julho resolvemos curtir o verão nas águas azul turquesa de Ibiza

Julho também foi o mês em que começou nossas grandes férias de verão e nossas aventuras no Japão!


- Em agosto ainda estávamos no Japão. Não dava vontade de voltar!

Subi no monte Fuji, voltamos para que eu retome o trabalho e ainda fomos um final de semana para Vannes, na Franca, história de descansar um pouco das férias que foram bem intensas!

- Outubro começou com seminario da empresa no Château Villiers-le-Mahieu, a cerca de 1h de carro de Paris.

E tiramos mais uma semana de férias e fomos para a Grécia.

Também fomos para Lausanne e o marido pôde enfim se conciliar com a Suiça (com a qual ele tinha uma certa implicância desde nossas viagens à Genebra e Zurique, isso já há alguns anos).

Dezembro é um mês de muito trabalho e não tenho tempo para nada, então nunca viajamos nesse mês, mas conseguimos descansar na Normandia logo após o natal, curtir um pouco a natureza e recarregar as baterias para dar conta do recado esperando as próximas folgas ou férias!!!!

Esse ano, devido ao meu trabalho, tinhamos aceitado viajar menos, o que nos possibilitou de explorar destinos mais caros (como o Japão) e aproveitar um pouco mais da vida parisiense (shows de Charles Aznavour e meu cantor preferido, Francis Cabrel, teatro, exposições, restaurantes).


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Koyasan: em meio às montanhas verdejantes e sagradas do Japão

O Monte Koya é a segunda montanha sagrada do Japão (o primeiro é o Fuji). Atualmente ali residem cerca de 3 mil habitantes, dentre eles 700 monges que vivem em 117 templos! Impressionados? No momento de maior expansão, o Monte Koya chegou a acolher 90 mil monges distribuídos em 1812 templos!

O local conta cerca de 15km2 e é rodeado de 8 picos de montanhas, evocando uma flor de lotus com suas 8 pétalas. Desde 2004 faz parte da lista do Patrimônio Mundial da Unesco. 
Sem duvida um lugar unico para se retirar do mundo, em meio às montanhas e às florestas de cedres, ciprestes e pinheiros...

Foi aqui uma etapa importante da história do Budismo no Japão. No ano 816, Kukai (também conhecido como Kobo Daishi, seu nome póstumo), um monge formado na China retorna ao Japão e se instala como ermita na solidão dessas montanhas.

Para se chegar até lá o trajeto é bem demorado e é necessário trocar várias vezes de trem. O trajeto final não está incluso no JR pass, então deve ser pago separadamente, e o trem anda bem devagar, nada a ver com os famosos "trem-bala". A viagem em si até Koyasan é uma aventura, e a ultima étapa é um "vagão" que sobe com uma inclinação de quase 45 graus! Emoção garantida! Ali a gente se sente longe do Japão moderno em meio a toda essa natureza verdejante e  montanhas espetaculares.
A gente entende porque esse local foi escolhido pelos monges em busca de tranquilidade e de paz para meditar.

Uma vez lá em cima, é obrigatório pegar um ônibus até o "centrinho", pois a primeira parte do percurso é proibida aos pedestres (curvas perigosas).

No local não existem hotéis no senso próprio do termo, mas sim hospedagem em um templo ou monastério, chamado shukubõ. Atenção, pois geralmente o local fecha uma certa hora (o nosso às 21h) então é necessário voltar antes. De qualquer forma, a cidade é calma e não acho que tenha muita coisa para fazer à noite.
Entrada de nosso shukubo, onde fomos acolhido por um monge.

Existem várias regras a respeitar, dentre elas retirar o calçado desde a entrada, colocá-los no lugar e posição certos, usar o calçado de interior, caminhar no solo em madeira tentando não fazer barulho e esse calçado deve ser retirado ao entrar no quarto, não se pode pisar no tatami com ele. E para o banheiro é um outro calçado!

Os quartos são de estilo japonês, dorme-se em futon que é preparado por volta das 18h. Era muito fofinho e confortável. As portas são de estilo japonês e no nosso templo sem fechadura, mas havia um cofre para os objetos de valor. O banheiro era separado e compartilhado, assim como o lugar para tomar banho, igualmente em estilo japonês, mas tudo muito limpo Banho delicioso!

A roupa tradicional, Yukata em algodão é disponibilizada aos hospedes e pode ser utilizada nas dependências do templo, dentro e fora do quarto.

Poucos restaurantes no local e os que existem fecham bem cedo, por isso os turistas reservam as refeições no monastério. Nesse tipo de hospedagem a comida é vegetariana budista (shojin-ryori), sem carne, peixe, cebola ou alho. O budismo recomenda uma alimentação vegetariana pois condena o sacrificio de toda forma de vida dotada de consciência. A cozinha dos monges é baseada em 3 principios: 5 sabores, 5 modos de cozimento e 5 cores. Cada refeição deve conter um prato grelhado, um frito, um marinado, um à base de tofu e uma sopa. O tofu é uma importante fonte de proteína para os monges budistas.

Porém preferimos jantar fora, já que o meu marido é meio chato para comer e encontramos um restaurante chinês (ainda era cedo) e com gestos conseguimos encomendar, pois nenhum restaurante tem cardápio em inglês.

Fomos convidados (ou intimados, não sei se nos davam a escolha) à oração da manhã. Em japonês, é claro, não entendi nada, mas me senti muito bem. Na parte final cada um se aproximava, fazia alguns gestos que pareciam preces e agradecimentos, e eu imitei os gestos dos outros hospedes japoneses e aproveitei para agradecer mentalmente diversas coisas e "pedir" outras. Mal não deve fazer.

Para provar a comida dos monges deixamos para o café da manhã:

 Essas duas estrelinhas, com agua quente se transformavam em sopa diante dos nossos olhos!

O café da manhã nos foi servido em uma sala comum com os demais hospedes. Para mim o mais difícil era ficar sentada na posição deles! O meu marido, coitadinho, só comeu o arroz!

O que fazer:
Dormir cedo para acordar cedo e visitar os diversos templos e trilhas, e um excelente ponto de partida é a Porta Daimon, antiga porta de entrada da montanha sagrada. Reconstruida em 1705, mede 25 metros de altura e as divindades guardam a entrada de Koyasan.


Em seguida o Complexo Danjo Garan, constituido de diversos prédios, dentre eles a eclatante pagoda Daitô, que é elemento arquitetural central do complexo.

Infelizmente sofreu diversos incêndios ao longo dos séculos, mas a cada vez foi reconstruída, assim comos os demais prédios, com exceção do Fudô-dô (abaixo), construido em 1197 e considerado tesouro nacional.


Kongobu-ji é atualmente o monastério principal em Koyasan, ele gerencia toda a parte administrativa e ali os interessados podem realizar diversos cursos ligados ao budismo.



Porém sem dúvida o ponto alto de Koyasan é a visita do misterioso cemitério budista Oku-no-in, com sua floresta de árvores centenárias e milhares de tumbas tão diferentes de nossos cemitérios ocidentais. Ali se encontra o mausoléu de Kukai, que segundo os fiéis não estaria morto, mas apenas em meditação pela eternidade.

 Jizo é uma divindade venerada pelos budistas e shintoístas, considerado protetor das crianças e viajantes. Os babeiros vermelhos ou brancos são oferecidos pelos fiéis que perderam uma criança e que pedem à Jizô que a proteja no lado de lá e/ou acordem uma longa vida às demais. Porém esse costume tornou-se tão popular que os babeiros podem ser encontrado em outras estátuas.
 Estupas de 5 andares (gorin-tô), que fazem referência aos cinco elementos: terra, água, fogo, vento e espaço, de baixo para cima. 


São 2km de caminhada e há séculos é um local de peregrinagem. Não precisamos ser budistas nem religiosos para sentimos uma paz imensa. Desde os séculos XI ou XII as familias nobres e samurais enterravam os cendros perto da tumba de Kukai, e mais tarde essa tradição foi adotada pelas familias mais modestas, nem que seja enterrar ali ao menos uma mecha de cabelo.

Quem diria que em país tão pequeno veríamos tantas maravilhas?
E a viagem estava apenas no começo...

Já tinha ouvido falar de Koyasan? O que achou?
Se gostou, talvez goste também de outros lugares que visitamos no Japão:

Hiroshima
A Ilha Sagrada de Miyajima
Himeji-jo, o castelo mais bonito do Japão

Ou na China:
As inesquecíveis Grutas de Yungang
O Monastério Suspenso de Xuankong
Montanhas Huangshan