segunda-feira, 6 de maio de 2013

Impressões sobre o Egito

Sempre quis conhecer o Egito e dessa vez consegui, em parte. Não cheguei perto do Cairo ou das Pirâmides, devido aos problemas políticos que tem ocorrido desde a Revolução no Mundo Arabe, que no Egito começou em 2011. Desde então, o país que não era lá um dos mais seguros é considerado inseguro para os viajantes europeus.

Confesso que não sabia que era a esse ponto, mas chegando lá nos explicaram que o turismo (terceira principal fonte de renda do Egito) perdeu 90% de seus clientes!!! Dos 350 navios de turismo que circulavam pelo Nilo, menos de 30 estão atualmente em atividade. Muitas companhias aéreas suspenderam seus vôos indeterminadamente e as agências européias evitam de fazer negócios e enviar clientes devido aos riscos e ameaças terroristas. 



Parece que o povo não soube (e não sabe) o que fazer com a dita liberdade que a revolução proporcionou e o atual governo está sendo uma catástrofe para o país, mas permanece apoiado diretamente pelo Qatar (que tem interesses no Egito) e indiretamente pelos EUA. Obras estão paradas e dizem que nada funciona, até mesmo a policia não faz nada e fica bebendo cha o dia inteiro. O desemprego atingiu indices enormes e sem turistas o comércio não funciona. Os egípcios mais esclarecidos acreditam que esse governo atual não vai durar mais muito tempo e esperam que o país vai entrar em ordem em pouco tempo. Eu sou menos otimista e acredito que uma revolução leva anos e anos para trazer resultados postivos.


Não tivemos nenhum problema, mas vimos que o país está em ebulição (mesmo fora dos eixos onde a revolução é mais presente) e pode explodir a qualquer momento. 


O nível de pobreza também impressiona, ainda mais eu que sou muito sensível a esse ponto (meu marido, assim como muitos europeus, tem uma idéia romântica da pobreza e ignorância e desconhece o conceito de miséria). O ensino não é obrigatório e a maioria das famílias prefere ter o máximo de filhos possível para ajudarem desde cedo no trabalho. Assim, o indíce de analfabetismo é imenso. A maioria da população, mesmo trabalhando direta ou indiretamente com o turismo, não têm a menor idéia do que representou ou representa o Egito Antigo. O mundo inteiro é fascinado pela história do país, mas eles ainda recuperam pedras dos templos para construirem casas, morrem de medo das divindades e rabiscam as paredes. O cuidado com o patrimônio ainda é insuficiente e não fosse a ajuda da Unesco e da comunidade internacional (que ainda trabalha lá) muita coisa teria sido destruída (sem contar as dezenas de templos que seriam destruídos com a construção da barragem não fosse a ajuda internacional).

As técnicas agrícolas e no setor de construção também são ainda muito ultrapassadas.

Mas foi uma viagem onde aprendemos muito, vimos de perto muitas maravilhas e fizemos muitos amigos. Só espero que o Egito reencontre a sua glória um dia, e que esse dia não esteja muito longe!

Informações práticas:
- O visto pode ser obtido diretamente no aeroporto de chegada no Egito, mediante o pagamento de 15$. Para quem vem do Brasil, aparentemente seria necessário comprovação de vacina de febre amarela, mas o mesmo não é solicitado de quem vem da Europa (meu caso). Vale lembrar que o Egito (assim como a China) não é um país de risco de febre amarela, mas para a OMS o Brasil é. Ou seja, essa vacina não é para proteger o turista, mas para proteger a população local de turistas transportando a doença.
- Quem pretende visitar Israel, melhor pedir o visto fora do passaporte, em um papel (mas nesse caso levar foto), pois aparentemente Israel não concede visto a quem passou por um país "árabe). Da mesma forma, quem tem um visto israelita, melhor fazer um passaporte novo para evitar problemas.

8 comentários:

Bia disse...

Super informativo seu post, adorei! bjs

Kellen Bittencourt disse...

Oii Milena, que bacana essa sua viagem, eu tbém tenho vontade de conhecer o Egito, que legal, uma penas que a pobreza esteja tão presente na cultura deles, a ponto de terem filhos p trabalhar e não se preocuparem com estudos! Adorei a postagem! Bjooss

Marta FG disse...

Confesso que tinha uma imagem mais positiva deste país, mas aquilo que vc conta é mesmo muito triste. De qualquer das formas obrigada pela sua partilha! Bj grande

Jorge Fortunato disse...

Milena
que viagem! Dá vontade de ir, apesar de tudo.
Beijos

Anônimo disse...

Oi Milena, só para alertar que não há problema não em visitar Israel e países arábes como Egito, Turquia e Jordânia, eu morei em Israel e visitei todos esses países e eu tinha visto! O maior problema é questionarem na entrada o pq de tu ter ido em tal lugar, mas sabendo inglês para responder, não tem problema! Bjs!

Anne Tess Guimarães disse...

Olá Milena,

Que interessante o seu post! Estive no Cairo em 2010, um pouquinho antes da Primavera Árabe. A sensação de insegurança já era plena naquela época, eu fiquei em um ótimo hotel 4 estrelas que bem ao lado tinha uma montanha tão grande quando o edifício de lixo. Era triste ver a situação econômica do país afundando e as pessoas "esperando" pra ver no que dava. Fui ao mercado Khan al-Khalili o qual passei por uma das situações mais inseguras da minha vida e as pirâmides, esfinges, o rio Nilo e o museu só não foram mais tristes porque pra mim era um sonho estar ali. Em compensação vi no rosto de muitos a esperança de um dia viver melhores dias, pessoas com expressões que me marcaram muito, tradições e costumes exóticos. Enfim, espero assim como você que um dia eles voltem a ter a única coisa que eles sempre buscaram: "paz!". Parabéns pelo blog.

Milena F. disse...

Kellen, é uma pena sim, e infelizmente se parece com a realidade de localidades mais pobres do Brasil (e de outros países), inclusive essa mentalidade da ajuda dos filhos na lavoura e nas vendas. Mas o país é lindo, diferente de tudo o que eu tinha visto até então e merece ser visitado! E os egípcios precisam do turismo!

Marta, é com a abertura do país que aos poucos eles conseguirão mudar essa realidade.

Anônimo, obrigada por compartilhar. Espero que a sua informação seja ainda de atualidade, pois esses países vivem em guerra e nesse momento é ainda mais complicado na fronteira do Egito com Israel. Ou quando se pede um visto antes da viagem (como é necessário para alguns países), aí não adianta dar muita explicação, eles dão o visto ou não... Até visto para os EUA dizem que pode vir a ser recusado. Mas só estou repetindo o que me falaram no aeroporto (e li de outros blogs), pois realmente não vivi essa situação.

Anne, muito interessante e ilustrativo o seu depoimento. Também vi no olhar deles um desespero e uma esperança, difíceis deexplicar. Porém infelizmente parece que não mudou muita coisa desde que Agatha Christie visitou o país nos anos 30...

Beth Blue disse...

Muito informativo mesmo! Se bem que eu já tinha sacado que era assim, porque estive na Tunísia 4 meses antes da revolução explodir (tudo começou em Tunis, lembra?).

Enfim, viajar é um GRANDE privilégio...eu ainda pretendo viajar muito, mas com pouca grana é complicado né? :-(