segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O que fazer em um domingo chuvoso em Paris - parte 2


Após uma exposição, que tal sentar em um lugar bonito e deliciar-se com um verdadeiro  chocolate quente?

Um endereço imperdível, ainda mais se você estiver nos arredores do Museu do Louvre, é o Angelina. Esse "salon de thé" (salão de chá) fundado em 1903 é uma marca de luxo que representa a forma de viver à la française (à francesa). Desde a sua fundação foi considerado um local refinado para encontrar os amigos ao redor de uma xícara de chocolate quente e degustar uma das maravilhosas pâtisseries (doces) que os franceses sabem fazer tão bem. Foi ponto de encontro dos grandes estilistas, dentre eles Coco Chanel, e escritores.

Se atualmente o local é igualmente muito frequentado por turistas (a fama exige!), nem por isso deixamos de encontrar franceses que são clientes habituais ou alguns ocasionais, que chegam igualmente pela reputação do Angelina. E nem por isso perde o seu charme... 


Angelina é mundialmente conhecido pelo seu chocolate quente que, dizem, é fabricado da mesma forma desde 1903! Muito cremoso, uma delícia! Mas eu não consigo terminar a minha parte (não sou muito de doce, como apenas em pequenas porções), pois ele é bem servido e deve ter umas 3 mil calorias!!! Quem deseja pode levar essa maravilha para casa:

10 € a garrafa.
Outra especialidade é o Mont Blanc:

Não quis provar pois por dentro ele tem uma camada de merengue, chantilly e creme de marrons (castanhas), e como eu não gosto de merengue... 
Contam que a receita é guardada em segredo desde a sua criação!

Eh possível comprar na lojinha para comer em casa, na rua, ou para presentear, porém o charme é fazer parte desse ambiente da belle epoque... Mas para viver esse momento mágico, claro que os preços no salon são mais caros do que na lojinha, e ainda é necessário enfrentar uma fila básica.

A fila pode assustar, mas sempre que estive lá o tempo de espera não foi absurdo... Uma meia hora desta última vez, um domingo realmente muito feio, horário de fechamento do Louvre... O tempo realmente pedia um chocolate quente! Estive outras vezes durante a semana com colegas e a fila era bem mais mais rápida.

Escolhi o éclair au chocolat, que estava uma delícia, mas confesso que da próxima vez ficarei apenas na bebida mesmo, pois é muito doce para mim, realmente não gosto... Coitadinho do marido, teve que se sacrificar e terminar os meus restos... (ele não ficou nem um pouco bravo!)

Muita gente acha que os doces franceses não são doces... Eu discordo, acho quase tudo extremamente doce! Pode ser devido à minha vivência antes de chegar aqui, pois na minha família não se exagerava no açucar como outras brasileiras contam que era o caso na região de onde vinham.

Nunca consigo terminar sozinha a minha sobremesa aqui na França, a não ser que opte por alguma menos doce, como uma crème brulée ou algo envolvendo frutas vermelhas... Mas uma mousse au chocolat, un fondant au chocolat, por exemplo, isso vai ser sempre muito doce!!!

E para finalizar, o local ainda conserva seus ares sofisticados na decoração, na apresentação impecável dos empregados, na qualidade dos produtos... e na nota! Na minha opinião vale a pena, mas aqui em casa não podemos nos dar ao luxo de fazer isso todos os dias... 

Angelina
226 rue de Rivoli
75001 PARIS

domingo, 4 de dezembro de 2011

O que fazer em um domingo chuvoso em Paris - parte 1

Ainda mais se for no primeiro domingo do mês? Sem pensar duas vezes, a minha resposta é visitar um dos museus que é gratuito nesse dia!

Quando o tempo está meio curto que não consigo chegar cedo ao museu, sempre opto pelo Louvre, pois devido ao tamanho (enorme!), pode ter uma fila básica, mas que anda! Então a fila pode ser gigante, mas em 15 minutos sempre conseguimos entrar, e uma vez lá dentro, a multidão se dispersa nas diversas galerias, e se você abrir mão de ver a Monalisa, então provavelmente não será perturbado pela multidão. E como o Louvre é gigante, com suas galerias que, contam, podem atingir 24km, sempre existe algo para ver que não conseguimos ver nas vezes precedentes.

Desta vez decidimos fazer a ala Richelieu, com as suas maravilhosas esculturas. Coloquei na minha cabeça que hoje procuraria os cães em esculturas... Nada difícil!


 Mas como sou fascinada pelas figuras mitológicas, dentre elas o centauro, desviei-me do meu objetivo principal com essa obra magnífica:


Apaixonada pelos animais, não poderia deixar de apreciar Louis Barye, uma referência em escultura de animais. Toda uma grande sala do Louvre é decicada às suas obras:


Eu já tinha ficado muito impressionada com esse famoso Leão do escultor, cuja "cópia-molde" tinha visto recentemente no museu de Belas Artes de Lyon, mas essa versão em bronze é ainda mais "forte"!

E para finalizar, não sei como me deparei com o famoso código de Hammurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis jamais encontrados, e em excelente estado de conservação! Hammurabi foi um soberano que reinou na Babilônia entre os anos 1792 e 1750 antes da era de Cristo! Essa pedra inteiramente gravada é de uma importância imensa para o entendimento e estudo dos povos mesopotâmicos! Lembram da Mesopotâmia das aulas de História? Incrível como tudo era tão abstrato para mim, e agora vendo de tão perto obras dessa civilização tão antiga e complexa, tudo fica mais fácil!

 A pedra contendo as "leis" atinge 2.25m de altura...

Esse código fala tanto de "eqüidade", mas quando a gente lê o parágrafo 129 entende que o poder dos homens sobre as mulheres é bem antigo... e acredito que ainda não está perto de desaparecer por completo!


§ 129 "Se a esposa de um homem é surpreendida "dormindo" com um outro macho (poderia ser um animal também?), eles serão amarrados e jogados na água. Si o proprietário da esposa lhe permete de viver, então o rei dará a graça ao seu servidor" (tradução livre).
Mas se for o marido que trai a mulher, então é normal, não?

E vocês, o que gostam de fazer em um domingo feio e chuvoso?

sábado, 3 de dezembro de 2011

Shéhérazade: As 1001 noites

Ontem estive na mítica sala do teatro musical "Folies-Bergère" em Paris para conferir o novo espetáculo sobre a obra "As 1001 Noites", com ênfase no personagem feminino Shéhérazade. 

Apesar de um pouco kitsch (algo entre démodé e brega, "popular"), estava lindo! Não são um pouco "bregas" todas as histórias de amor e contos de fadas? Uma história de amor, o malvado e o bonzinho... Mas não podemos negar que os Contos das 1001 Noites, de origens persa e indiana, fazem parte da cultura popular e considero importantíssimo continuar passando de geração em geração.

O espetáculo conta com excelentes dançarinos (as), dança do ventre (belas dançarinas!). Inclusive uma cena muito bonita com as dançarinas dançando com enormes candelabros na cabeça!

Recomendo para quem deseja mergulhar nessa atmosfera das 1001 noites e nos mistérios do oriente!


Nada mal esse sultão! 

 Eu já tinha estado no Folies-Bergère no ano passado para assistir "Zorro" (com músicas do Gipsy Kings) e realmente é um teatro cuja beleza nos tira o fôlego! Desde a "belle époque" até os "années folles" simbolizou a vida parisiense, com seus espetáculos. Porém, se a decoração da entrada está em excelente estado de conservação, na minha opinião os assentos precisam de uma restauração!



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Coisas do lado de cá...

Uma das coisas que sempre me chocou "do lado" de cá foram os suicídios... Todo dia alguém se suicida nos transportes parisienses, todo dia tem uma nota no jornal em relação a alguém que se suicidou...
Se no Brasil eu confrontei muitos suicícios, era bem mais devido ao contexto profissional, mas sabia que em termos estatísticos, o suicidio no Brasil está longe de ser um problema nacional.

Mas o meu objetivo aqui não é fazer uma análise psico ou sociológica do suicídio, mas apenas um desabafo mesmo: porque um dos meios mais escolhidos é se jogar na frente de um trem, prejudicando o deslocamento de milhares de pessoas? (porque aqui na França, se houve um "acidente de viajante", como eles chamam, todos os trens são interrompidos por no mínimo 3 horas! Um último desafio do suicidário no sentido de atrair a atenção para si mesmo? Se ele acha que não importa para o mundo, pelo menos seu último gesto fará com que milhares de pessoas tenham sua rotina transformada?

Tudo isso porque já era para eu ter chegado em casa há horas, mas devido a (mais um) um suicídio no meu trajeto, só consegui chegar em casa às 23h57... à pé!!!

Eu já sabia que a França estava em 9º lugar no ranking dos paises com maior índice de suicídio... E fazendo umas pesquissinhas em sites especializados, encontrei que 10 mil pessoas se suicidam todos os anos, o equivalente a uma a cada 50 minutos! Eh duas vezes mais que as mortes do trânsito! Eh um dos principais problemas de saúde pública na França, que retrata um grande problema de mal-estar social.

Se as causas são múltiplas, eu destacaria a degradação dos laços familiares e de amizade... sem falar na ausência de qualquer tipo de crença...
Sabemos também que existe uma correlação muito grande entre suicídio e desemprego, pressão profissional, alcoolismo (ou outras drogas) e precariedade...

Um problema muito sério, que deveria ser tratado muito antes que essa pessoa se jogasse nos trilhos de um trem. Depois disso não adianta todo esse circo de todas as autoridades que são chamadas ao local, o procurador que deve estar presente... Na minha opinião todo o trabalho deveria ter sido feito BEM lá atrás!

Mas é apenas uma opinião pessoal e um desabafo mesmo... Boa noite à todos, eu estou cansada da minha caminhada noturna!

Fontes:

DURKHEIM, Emile. O Suicício. Ed. Martins Fontes (livro editado pela primeira vez em 1897, original em francês.). Li para a faculdade e realmente foi uma leitura que me marcou!


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Comer, comer!

Quem me conhece sabe que uma das formas de me conquistar é pelo estômago... E meu marido jura que não, mas eu acho que ele está querendo se fazer deculpar pelas últimas semanas em que ele estava trabalhando muito e, mesmo em casa, estava concentrado em seus livros e outros materiais necessários para o bom desempenho do seu trabalho.

Foi assim que cheguei em casa e ele tinha preparado esse prato a base de poireaux (alho-poró), que nunca tentei fazer e nunca tinha comido antes de chegar na França, mas que ele sempre comeu na sua família:


 Muito simples (parece!) e barato: basta cozinhar o alho-poró em uma água levemente salgada, depois retirá-los ainda ligeiramente durinhos e deixar esfriar. Enrolar em fatias de presunto e levar ao forno com creme de leite e queijo ralado (aqui geralmente usamos emmental), com um pouco de ervas de provença!

Será que desculpo o moço ou faço beicinho para que ele continue preparando o jantar?