terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Hiroshima, meu amor"*

Para quem se interessa pela História recente da humanidade, Hiroshima aparece como um destino evidente de quem vai ao Japão. Como todo mundo deve lembrar, essa cidade foi alvo do primeiro bombardeamento atômico (o segundo foi Nagasaki).

A-Bomb Dome é como é chamado o que sobrou da antiga prefeitura. Sem dúvida é o símbolo da destruição da cidade e uma triste lembrança do que a bomba fez (e pode fazer). 

Na manhã do dia 6 de agosto de 1945, exatamente às 8h15, a bomba explodiu no céu (a 600 metros do solo) praticamente sobre esse prédio e não é preciso dizer que todas as pessoas ali presentes morreram no ato, assim como 80 mil civis. Corpos literalmente derreteram.

A temperatura no solo ultrapassou os 3 mil graus e praticamente tudo no perímetro de 3km do epicentro foi destruído. Nos meses seguintes o numero de vítimas aumentou devido aos resultados da irradiação (hemorragias subcutâneas, náuseas, vômitos, etc), atingindo mais de 140 mil pessoas. Sem contar os efeitos mais lentos (mas não menos terríveis), como o desenvolvimento de diversos tipos de câncers e muitas outras de doenças. Todas esses efeitos, é claro, muito bem estudados e catalogados pelo centro americano que ali foi instalado, mas cujo objetivo era simplesmente "estudar" os  seres humanos como cobaias e em nenhum momento tratar os doentes, mesmo se poderiam ter salvo milhares de vidas ou amenizado o sofrimento.
 À noite a atmosfera era muito propícia à reflexão. O efeito das luzes e sombras parecia nos transportar dentro desse cenário (real) e não nos deixou indiferentes. 
Durante o dia não sentimos exatamente o mesmo efeito.

Sabemos hoje que os EUA estavam bem cientes da capitulação próxima do Japão, mas lançaram as duas bombas atômicas mesmo assim. Segundo muitos especialistas e após muita pesquisa, na verdade seria um alerta à URSS que pretendia estender o comunismo nessa região da Ásia. Os EUA, com intenção de ocupar o país (o que foi feito, pela mão-de-ferro do General MacArthur), precisavam mostrar poder e força (a Guerra Fria estava começando!)
 Ontem e hoje. Na foto acima uma imagem da destruição e um dos prédios que sobreviveu. Abaixo ele aparece à direita e esta completamente inserido na principal rua comercial.

O Parque do Memorial da Paz é repleto de momumentos e serve para lembrar esse dia trágico.


No parque encontramos o Cenotaphe, um monumento funerário que contém todos os nomes das vítimas conhecidas e Flama da Paz está sempre acesa e ficará enquanto houver armas nucleares no mundo. Infelizmente ainda estamos longe do dia em que elas acabarão.

O Monumento das Crianças é sem duvida o mais emocionante, inspirado da pequena Sadako, conhecida em todo o Japão. Esta menina sobreviveu à bomba aos 2 anos de idade, mas alguns anos depois desenvolveu uma leucemia (como milhares de outros sobreviventes). Ela acreditava que se fizesse mil passarinhos em origami (Tsuru) conseguiria se curar. Essa ave é o símbolo da longevidade e da felicidade no Japão. Falecendo antes de conseguir atingir esse objetivo, seus colegas terminaram o que faltava.

 Os minúsculos origamis de Sadako no Museu da Paz, maiúsculos em fé.

Museu do Memorial da Paz

Mesmo tendo lido muito e visto muitas imagens sobre Hiroshima, o museu mexe com a gente. O objetivo não é de se deleitar com o horror dos outros, mas de tomar consciência do que a inhumanidade foi capaz de fazer e continua fazendo por ai, pois as guerras continuam existindo e milhares de pessoas morrem e sofrem com elas (na Síria e na Ucrânia nesse momento, somente para citar os países que aparecem atualmente na mídia). Uma aula de história fundamental.

Não fossem todos esses monumentos para nos lembrar, facilmente esqueceríamos que a cidade foi um imenso campo de ruínas há 70 anos. Uma verdadeira história de sobrevivencia.
Caminhando pelas suas agradáveis ruas em um lindo dia do final de julho de 2015, com um céu de um azul magnifico, não consegui parar de pensar que provavelmente foi em um dia assim que o horror começou.

Mas Hiroshima é muito mais do que o seu memorial e suas memórias tristes: trata-se de uma cidade arborizada, animada e convivial.





Bem pertinho do Memorial também podemos visitar o Castelo de Hiroshima (Hiroshima-jo): completamente destruído pela bomba, foi totalmente reconstruído em 1958 e é muito agradável passear por ali.



Além disso, a vida norturna é bem animada e a cidade conta com bons restaurantes. 

Para variar escolhi um restaurante sem pretensões, pequeno, com o cozinheiro preparando a comida atrás de um balcão e servindo os clientes ao mesmo tempo.
Não queriamos correr riscos e optamos por pratos básicos, porém dois japoneses ao nosso lado começaram a conversar conosco e fizeram questão de nos oferecer alguns pratos para provar, dentre eles esse acima à direita, à base de tofu e com um molho picante. Apesar da aparência suspeita, sabiamos que seria uma enorme falta de educação recusar e para a nossa surpresa era delicioso! Infelizmente eles se empolgaram e queriam que a gente provasse outros pratos e no meio alguns legumes condimentados em pequenas porções que eu comi mas que não era nada agradavel para o meu paladar! Eles também estavam muito curiosos em saber porque tinhamos escolhido aquele restaurante e não qualquer outro. Dissemos que achamos o lugar acolhedor assim como o sorriso do cozinheiro. Eles riram (assim que o cozinheiro), mas não sei se nossa resposta foi satisfatória.



Não existe metrô na cidade, mas uma rede eficaz de tramway. Como bons "caminhantes", preferimos usar os pés e é muito agradavel andar pela cidade, mas cuidado com as bicicletas, rainhas em Hiroshima!


* Titulo inspirado do filme de 1958 "Hiroshima mon amour", dirigido por Alain Resnais e escrito por Marguerite Duras.

Procurando uma hospedagem em Hiroshima? Muitas opções AQUI.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quanto custa morar na França?

Não existe uma resposta única para essa pergunta, pois tudo vai depender do padrão de vida de cada um e do grau de consumo individual.

Uma diferença fundamental com o Brasil é que aqui as pessoas não costumam pagar tudo em prestação. Quem quer trocar o sofá, comprar um Iphone, uma bolsa de marca cara ou sair de férias vai economizar um pouco e pagar tudo à vista. Cartão de crédito também é usado raramente, as compras são pagas no débito. Outra diferença é que os franceses não costumam ir ao banco pagar contas: as contas são pagas em débito automatico ou então enviando um cheque pelos correios ao credor. 

Muitas pessoas me escrevem perguntando sobre quais seriam os gastos básicos, então vou tentar responder com base nas minhas contas, que ilustram um casal sem filhos de classe média na França:

1. Moradia:
As despesas com moradia são as mais altas aqui na França, principalmente para quem mora em Paris e sua região. O ideal é que o aluguel ou prestação da casa propria não ultrapasse 1/3 (33%) da renda mensal.
O valor exato é muito pessoal, pode ser de 300 € por mês por um "quarto de empregada" ou de 800€ por um estudio em Paris. Porém com 500€ por mês, em uma cidade do interior é possivel encontrar um casarão com um jardim enorme! Temos amigos que pagam mais de 2 mil euros por mês na prestação da casa. Tudo depende da localização e da superficie, como em qualquer país do mundo.

2. Condomínio:
Como moramos em apartamento e somos proprietários, temos que pagar o condomínio. Essa taxa nos é cobrada a cada trimestre e atualmente é de cerca de 705€, ou seja, uma média de 235€ por mês. Particularmente eu acho que pagamos muito caro (em comparação com amigos que pagam muito menos), mas encarece pois o aquecimento central está incluso nesse valor, assim como água e a manutenção do elevador. 

3. Eletricidade: 41,84€ por mês (antes pagavamos mais, nosso consumo baixou). Vale lembrar que nossos equipamentos de cozinha são elétricos, como forno e fogão, a água da torneira e chuveiro também é aquecida pela energia elétrica, mas não temos despesas com ar condicionado e usamos um pouco de ventilador no verão (esse ano fez mais calor que nos verões anteriores e usamos mais)
Essa despesa aumenta bastante se o tipo de aquecimento da residência for elétrico.

4. Seguro do apartamento: 16,41€ por mês para um apartamento de 2 quartos em uma zona que não é livre de risco (pois na França existem roubos de casa).

5. Transporte: 70€ por mês (140€ para os dois). Recentemente os preços baixaram para incentivar ainda mais deixar o carro em casa. Esse valor nos autoriza a utilizar de forma ilimitada os transportes de Paris e região (trens, metrô, ônibus e mesmo os ônibus noturnos). E ainda por cima o empregador reembolsa a METADE na folha de pagamento. 

6. Telefone Fixo + Internet + pacote basico de canais de TV (que a gente não usa): 28,90€. Lembrando que o fixo inclui ligações ilimitadas para telefones fixos da França inteira e mais diversos países, dentre eles o Brasil. 

7. Telefone celularMeu marido paga 18,29€ por mês para 1G de internet e 2 horas de comunicação, e eu tinha um plano de 2€ para o mesmo tempo de comunicação, mas praticamente sem internet (pois não queria passar meu tempo conectada). Esse mês acabei cedendo à tentação de trocar de telefone e assim pagarei 6,99€ por mês por um contrato de 2 anos sem poder trocar de operadora. Em todos esses casos, SMS ilimitado. Existem planos um pouco mais caros para comunicação ilimitada, alguns para o exterior também.

8. Saúde: O sistema de saúde pública na França é muito bom, mas é muito importante ter o equivalente a um plano de saúde (Mutuelle). Como funciona? As consultas e procedimentos básicos custam muito barato (23€ uma consulta com médico generalista, por exemplo) e a saúde publica reembolsa o usuario em 70% desse valor (mais ainda para quem mora na região da Alsace). Ou seja, ninguém vai se arruinar tendo que arcar do próprio bolso a diferença. Porém a coisa complica quando se trata de procedimentos mais caros, hospitalizações, diária em UTI... Quem não tem uma Mutuelle pode sair do hospital com uma dívida de mais de 20 mil euros!  Melhor se prevenir! 
No nosso caso usamos a Mutuelle da minha empresa (que é excelente) e pago 49,45€ descontado em folha de pagamento. A empresa do meu marido reembolsa em 200€ por ano.

Eh importante ler bem as condições de cada mutuelle (os preços variam muito). As que reembolsam melhor e TUDO incluem tratamentos dentários caros, oculos, obséquios e até mesmo funcionam como seguro de vida em caso de falecimento. Geralmente sai mais em conta optar pela Mutuelle da empresa, pois a mesma paga uma parte importante da mensalidade.
Com o Sistema de Saúde Pública + Mutuelle, nossas despesas com medicamentos são praticamente ZERO.

9. Taxas bancárias: 21,20€ por mês. Temos uma conta conjunta, com dois cartões Visa, um normal e outro Premier, que usamos para compras de passagens e outras despesas do tipo para estarmos assegurados. Aqui na França não é comum os bancos oferecerem cartão sem anuidade nem conta de graça, somente para jovens/estudantes já vi algumas vantagens.
O Banco dos Correios (La Banque Postale) oferece serviços bem mais em conta e com menos burocracia (por isso muitos estrangeiros em situação irregular optam por ela), mas geralmente existe limite no uso do cartão (por semana ou por mês), limites de saque, ou as vezes conta sem cartão, o que não é nada prático.

10. Alimentação: há alguns anos escrevi um texto aqui no blog dizendo que gastava em média 250€ por mês em supermercado, o que muitas pessoas achavam impossível, mas era a pura verdade. De lá para ca nossos hábitos de compras mudaram e infelizmente não consegui ainda fazer uma estimativa. Antes eu comprava para o mês em hipermercados, procurando pelas promoções mas há cerca de 1 ano vou mais nos pequenos comerciantes de bairro ou supermercados de médio porte (desde que mudei de local de trabalho). Faço as compras para o dia ou no máximo para a semana. Sem ficar paranoica pelos preços mais baixos, para mim é natural e meus olhos são hipnotizados pelas promoções, mesmo comprando com qualidade (excelente carne bovina direto no açougue, peixe fresco e legumes e frutas orgânicos. Continuamos gastando pouco em alimentação pois detestamos desperdício então nada aqui em casa vai fora. Também quase nunca compramos refrigerante e vinho e outras bebidas alcoolicas somente quando recebemos visitas. Mesmo o meu marido diminuiu bastante o consumo de chocolate e porcarias, pensando na saúde.

11. Imposto de Renda
Na França o Imposto de Renda não é descontado em folha de pagamento, como é o caso para quem é assalariado no Brasil. A declaração é feita anualmente em relação ao ano anterior. Por exemplo, em abril/maio de 2015 entregamos a declaração relativa ao ano de 2014, e em setembro recebemos a cartinha dizendo quanto temos que pagar. Algumas pessoas preferem pagar tudo de uma vez (uma parcela geralmente em outubro), em 3 parcelas (outubro, novembro e dezembro), mas outras pessoas, como é o nosso caso, preferem pagar antecipadamente desde janeiro. Para isso basta fazer uma estimativa e mensalizar o pagamento.
Então em setembro recebemos o documento oficial que calculou direitinho se pagamos demais (e nesse caso recebemos a diferença de volta) ou não o suficiente (e assim a diferença pode ser paga nos 3 meses que faltam para terminar o ano).

12. Outros impostos e taxas
Taxe d'habitation: essa taxa é paga por quem mora no local (locatario ou proprietario). A taxa vai ser emitida no nome da pessoa que ocupou o imovel no dia 1o. de Janeiro do ano em questão. O valor vai depender do tamanho da moradia, da localização e da renda dos usuarios. Pode ser para em parcela unica ou em mensalidades, seguindo a regra da estimativa explicada acima no Imposto de Renda.
Contribution à l'audiovisuel public (redevance télé): essa taxa é atualmente de 136€ por ano para todos que possuem uma televisão (ou aparelho semelhante) no dia 1o. de Janeiro do ano em questão. Paga-se jun o com a Taxe d'habitation.

Taxe foncière: taxa paga pelos proprietarios de imoveis. Depende do tamanho e localização, sem interferência com a renda. Assim como a taxe d'habitation, pode ser paga em uma unica parcela ou dividindo em mensalidades.

13. Lazer: os nossos gastos são importantes em atividades de lazer, foi a escolha que fizemos. Nossa vida é rica em atividades culturais, encontro com amigos e viagens. Ainda assim custa muito mais barato ir a um show internacional ou opera na França do que no Brasil. A entrada individual ao cinema custa caro, mas existem cartões de uso ilimitado (pagando 20€ por mês), cartões para 5 sessões e as empresas vendem ingressos mais baratos (entre 3 e 6 euros).

14. Carro: para quem tem carro as despesas sobem consideravelmente. Como moramos em cidade grande não vemos necessidade de ter um veículo e em nenhum momento ele nos faz falta. Se necessário, podemos usar um Autolib (carro elétrico disponibilizado pelas prefeituras e pagamos pelo tempo de uso) que inclusive o mais perto fica a menos de 10 minutos à pé da minha casa. Podemos igualmente alugar um carro para uso mais longo (final de semana, férias), ou optar por um taxi para um deslocamento pontual.
Os preços dos carros na França são bem baratos, mas o que custa relativamente caro é o seguro (obrigatorio) e depois temos que ficar perdendo tempo procurando estacionamento e pagando por ele. E se o carro for usado (por mil euros você compra um carrinho usado!), qualquer despesa com oficina custa uma fortuna!

15. Crianças
Vocês podem dizer que as despesas com crianças aumentariam muito. Eu não compartilho dessa opinião, pois em primeiro lugar aqui na França mesmo as pessoas de boa condição financeira colocam os filhos em escolas públicas. As atividades extra-escolares como esporte, música e lazer também são muito baratas. E em tudo que é consumo, é possivel encontrar roupas de boa qualidade (e até de "marca") por preços muito atrativos. Quanto ao material escolar, aqui não se costuma comprar cadernos e outros acessórios caríssimos. Acho inclusive que nunca se passou pela cabeça de um francês que um caderno pudesse custar uma fortuna (como no Brasil).
Quanto às Universidades, elas são todas gratuitas (paga-se somente a taxa de inscrição anual). O que custa caro são as Grandes Escolas Especializadas (mesmo se existem bolsas e financiamentos).


Ficou claro?
Caso vocês tenham pensado em alguma despesa não colocada aqui, fiquem à vontade para perguntar que tentarei atualizar o texto. 
Contribuam igualmente trazendo exemplos de despesas nos locais onde vocês moram!

domingo, 30 de agosto de 2015

A Ilha Sagrada de Miyajima

Uma viagem ao Japão começa geralmente por Tóquio e para mim não seria diferente, mas falarei dela mais tarde, com mais tempo. De Tóquio fomos a Hiroshima, onde passamos 3 noites e de lá fizemos um bate-e-volta até a ilha sagrada de Miyajima.



Os turistas são numerosos em Miyajima há muitos séculos, e o motivo principal da visita é o Tori (porta de satuário) de Itsukushima-jinja, um dos cartões postais do Japão, que parece flutuar sobre as águas. Antigamente o povo não podia pisar na ilha e só era possível atingir o santuário de barco, passando pelo tori
Essa é a primeira imagem quando chegamos de barco

Uma das surpresas é que essa imagem dele sobre as águas na verdade só acontece durante a maré alta. Quando chegamos pela manhã, ele estava bem plantado no chão e foi muito legal estar bem pertinho e mesmo tocá-lo. De longe não temos idéia do diâmetro de cada tronco de ávore com o qual foi construído. 



Conferimos os horários das marés (disponível no local) e naquele dia a maré alta seria às 15h, ocasião de ver não apenas o tori como imaginamos, mas também o santuário completamente rodeado pelas águas. 

A pequena ilha de Miyajima fica perto de Hiroshima e é Patrimônio Mundial da Unesco. Apesar do seu tamanho reduzido, conta com diversas outras atrações: muitos templos, trilhas na montanha e parque com animais selvagens. No início pretendiamos nos hospedar na ilha, mas durante o planejamento decidimos ficar em Hiroshima (o que evitaria o leva e traz de bagagens) e fazer apenas o bate-e-volta. Saímos de Hiroshima cedo e chegamos por volta das 9h, durante  a maré baixa. Aproveitamos o final da manhã para fazer a trilha  enquanto a maré estava baixa e voltar para admirar a paisagem com a maré alta.

São muitas atrações na ilha e na minha opinião é melhor reservar um dia inteiro da sua viagem para ela. Algumas delas:

O santuário Itsukushima-jinja (de onde pertence o tori) existe desde o século VI, e foi reconstruído na sua forma atual em 1168 !



Senjo-kaku, essa enorme estrutura com um trabalho incrível de marcenaria e com detalhes no teto. Dela temos uma vista privilegiada da Pagoda de 5 andares




Taho-to: essa pagoda traz como agradável supresa uma das vistas mais incríveis do Tori, e longe da confusão dos turistas, já que para chegar até ela é necessário subir uma escadaria de pedras (nada muito longa nem incômoda, mas já serve para espantar a multidão).

Daisho-in, esse foi na nossa opinião o templo mais emocionante e em plena efervescência. Ele fica no começo da trajeto para ascensão do Monte Misen, e em pleno funcionamento. Ou seja, não é simplesmente um local frequentado por turistas, mas por fiéis.




Aproveitamos para tentar atingir o topo do Monte Misen, e o tempo estimado era de 90 minutos (existe um teleférico que economiza as energias dos turistas até um certo ponto, mas optamos pela caminhada). Muito agradável em plena natureza, mas existem alguns alertas contra serpentes venenosas e vimos uns lagartos estranhos, de cauda azul brilhante que davam medo! A descida é estimada em uma hora. Tanto para subir quanto para descer vai depender do desempenho físico de cada um. Nós fizemos em bem menos tempo.



Dizem que o Parque de Momijidani é muito bonito principalmente no outono quando as cores das folhas das árvores adquirem tons incríveis, mas ele já era muito bonito mesmo no verão. Coberto por uma vasta floresta primitiva, os animais também estão em liberdade.



Quando achamos que já tínhamos visto tudo, impossível ir embora apesar do cansaço: o pôr-do-sol proporciona um outro espetáculo imperdível.


Uma outra atração da ilha é a sua gastronomia: as ostras de Miyajima são realmente famosas e são feitas de diversas maneiras: grelhadas, fritas, cruas. Outra especialidade local são as deliciosas enguias (Anago-meshi), servidas sobre o riz ou acomodadas de outras formas. Também encontramos o que eles chamam de "bolo de peixe", com diversos frutos do mar e servidos em espetinhos. 

Momiji Manju é um biscoito típico e encontramos em todas as esquinas da ilha. O cheiro é delicioso, mas o gosto... O recheio é de feijão vermelho (muito usado nos doces japoneses e de outros países da Asia) e tinha a escolha entre com ou sem casca no recheio de feijão. Sem casca achamos realmente ruim, mas para a nossa surpresa, com casca era bem melhor!
Só mesmo provando para tirar as próprias conclusões!

Informações práticas

Existem diversas formas de ir até Miyajima, mas no nosso caso fomos de Hiroshima (onde nos hospedamos) de trem (linha JR Sanyo, cerca de 15 minutos de trajeto) até Miyajima-guchi e lá pegamos o ferry (da empresa JR). A travessia dura em torno de 10 minutos.

Se a intenção é de fazer trilha, é importante ir com roupa e calçado confortáveis.
Os restaurantes da Ilha não nos davam muita vontade de ir, bem turísticos e os preços mais elevados. Quem deseja levar o que comer deve prever conservar o lixo, pois como reserva natural as lixeiras são quase inexistentes.

Cansada mas feliz, foi assim que se terminou o passeio!

sábado, 15 de agosto de 2015

Quanto custa viajar para o Japão?

 É caro viajar para o Japão?

O Japão não é um país barato, logo vimos quando começamos a colocar as despesas no papel em 2014, mas acabamos optando na época pela Tailândia e decidimos economizar um pouco mais para o Japão em 2015.

Então em 2015 tomamos a difícil decisão de viajar menos e deixar a grande despesa para a grande viagem. Ou seja, com um pouco de organização e planejamento é possível viajar para e pelo país do sol nascente sem explodir as economias.

Mas então vamos ao que interessa, que é o orçamento! Vale lembrar que esse detalhe é muito pessoal e os gastos podem ser ilimitados para quem pode! Porém como meus fundos não são ilimitados, tentarei dar uma idéia dos gastos, depois cada um fica livre de economizar em algum ponto ou gastar mais. Minha moeda de referência é o euro, pois ganho em euros e é com essa moeda que calculo minhas despesas, então fique livre a converter em reais (ou a sua moeda de referência).

Passagem aérea

A viagem é longa e cara, principalmente para quem sai do Brasil, mas no nosso caso, que moramos na França, a passagem aérea para a Asia (e mesmo para o Japão) é mais barata que para o Brasil! 
Pesquisamos bastante e conseguimos encontrar passagem de ida e volta por 650 € por pessoa pela Qatar Airways, com escala no Qatar, companhia com a qual já viajamos no ano passado para a Tailândia.
Infelizmente para quem mora no Brasil os preços das passagens são mais altos que para a Europa ou EUA, mas pesquisando é possível encontrar alguma promoção. Algumas companhias aceitam parcelamento sem juros e pode ser interessante optar por uma companhia que permita fazer uma parada para conhecer outro país/cidade. Muita gente aproveita uma viagem à Asia para conhecer Dubai (pela Emirates) ou Istambul (pela Turkish) ou mesmo Doha (pela Qatar, mas cuidado, o visto para o Qatar é bem complicadinho para brasileiros!)
* Fiz uma pesquisa rapida e encontrei passagens de São Paulo para Tóquio por 3500 reais, taxas inclusas, então quer dizer que pesquisando bem é possivel encontrar por menos.

Hospedagem

(Procurando um hotel no Japão? Muitas opções AQUI)
Com as passagens em mãos, fomos atrás das reservas de hotel, pois como brasileira eu precisava de visto e o visto exige comprovante de hospedagem durante toda a viagem. Para isso tínhamos que ter nosso roteiro em mente (cidades a visitar e quanto tempo ficar em cada uma delas, assim como os deslocamentos). Essa etapa foi a mais demorada e cansativa. Meu marido demorou semanas para escolher as cidades (ele sempre fica com essa tarefa nas nossas "grandes viagens"), até que dei um ultimato, ele me mostrou o que tinha visto e o semi-roteiro, eu pesquisei e em 30 minutos inverti toda a ordem das coisas! Por exemplo, ele pensava começar em Tóquio e ir parando de cidade em cidade até Hiroshima, eu achei que era melhor ir de Tóquio direto até Hiroshima (o deslocamento mais longo) e de lá ir parando nas cidades na volta, para terminar em Tóquio.
Colocamos tudo em um calendário e pesquisando cada destino fomos decidindo quanto tempo em cada local, se partíamos de manhã ou no final do dia para otimizar e ganhar tempo. Optamos por reservar tudo pelo site Booking, com o qual já estou acostumada e NUNCA tive problemas, mas somente reservas que poderiam ser anuladas, caso tívessemos que mudar o roteiro ou, caso extremo, meu visto fosse recusado. Não temos muita frescura e escolhemos hospedagens equivalente a 2 ou 3 estrelas, variando o conforto e a média final por noite foi de 9.087 ienes, cerca de 68 euros por noite na cotação do dia, sem café da manhã (somente duas noites tinham café da manhã tradicional incluso, e como não é o tipo de café da manhã que nos agrada, preferimos a liberdade de poder comer outra coisa nos outros dias). Sei que alguns hóteis de padrão internacional servem café da manhã ocidental, mas não optamos por esse tipo de hospedagem.

Visto

O visto de turismo para o Japão não custa caro. O visto simples de entrada unica custa 65 reais no Brasil (mas eu fiz na França) e ficou pronto em menos de uma semana. Não adianta ir com MUITA antecedência, pois o visto começa a valer a partir da data de emissão e por 3 meses somente. Foi um pouco chatinho, o roteiro, os endereços dos hotéis, passagem de ida e volta e garantias financeiras (extrato de conta corrente e folha de pagamento ambos dos últimos 3 meses, folha de impostos do último ano e outras contas/aplicações datando de no máximo 1 mês, e de tudo isso eles não aceitam os extratos retirados nos caixas automáticos). O problema é que aqui na França, o extrato do equivalente deles da Poupança só é enviado em casa a cada 3 meses! Pedi ao meu marido para ir no banco e pedir um papel assinado e carimbado com a data atual (já que meus horários não coincidem com o banco) e ele voltou dizendo que no banco não podiam fazer isso, ele insitiu e imprimiram um papel, mas a data era de mais um mês (data de nossa última transação) ao qual o banco carimbou a data atual e assinou.

Bom, no consulado não aceitaram esse papel, disseram que eu poderia ter esvaziado a conta!!! Ainda insiti que na conta corrente tinha dinheiro suficiente para o pagamento dos hotéis, do transporte e mais uma boa quantia para a alimentação e comprinhas, mas a moça (francesa) foi falar com o responsável (japonês) e voltou dizendo que precisava de mais garantias financeiras (sem me dizer quanto, mesmo eu insistindo)! Ela me disse que abririam uma exceção e aceitariam o extrato do caixa automático, com a assinatura e carimbo do banco.
Para dizer que eles não brincam com as garantias financeiras,  melhor não ter estado no vermelho (mesmo por um esquecimento) nem nada do gênero!

Transportes

Com o visto em mãos, compramos o Japan Rail Pass de 21 dias, que dá acesso ilimitado aos transportes das linhas JR durante todo esse período, mas que deve ser comprado FORA do Japão e ativado uma vez lá, no dia em que pretendemos começar a utilizá-lo.
Muitas pessoas o consideram caro, mas nós achamos o preço interessante tendo em vista o número de deslocamentos que pretendíamos fazer (Tóquio- Hiroshima-Himeji-Osaka-Kyoto-Nara-Nikko-Tóquio, por exemplo), e ainda pela praticidade. Li que algumas pessoas preferem economizar pegando ônibus noturno para Kyoto (e ainda economizar o hotel), mas bom, se os trajetos são mais demorados, e ainda tem que encontrar o local de onde sai e chega o ónibus, deslocar-se para comprar a passagem, preferimos o trem que não exige reserva (mas pode ser feita em qualquer estação JR), são muito pontuais e as estação são bem indicadas e bem centrais. Além disso os horários podem ser consultados em inglês pelo site Hyperdia (foi o que usei e deu tudo certo).
Esse Pass existe em 7, 14 ou 21 dias, em segunda ou primeira classe. Podemos utilizar todas as linhas JR com exceção dos trens Nozomi e Mizuho, que são os mais rápidos, mas é válido para outros shinkansens (trens rápidos). Alguns trajetos não podem ser feitos pelas linhas JR, como foi o caso quando fomos à uma região montanhosa, até a cidade de Koyasan, mas as linhas JR cobrem muito bem o Japão.
Para 21 dias, em classe ordinaria (já muito confortável e espaçosa), o JR Pass custa 59.350 ienes por pessoa, 420 € na cotação do dia em que compramos.

Dinheiro

Preferimos trocar uma boa parte do dinheiro ainda aqui em Paris por ienes. Fiz um envelope com todo o dinheiro para os hotéis e um outro para as visitas, alimentação, outros transportes e comprinhas. Vale lembrar que os cartões Visa, Mastercard e Amex não são facilmente aceitos para pagamentos. O restante íriamos retirar lá. 
Não nos preocupamos em andar com dinheiro pois o Japão é um dos países mais seguros do mundo, mas é sempre bom evitar de deixar em uma carteira no bolso de trás, em uma bolsa aberta em lugares de muita afluência, assim como nos hotéis de estilo japonês com portas sem fechadura (nesse caso melhor deixar no cofre).
No final das contas, vimos que levar o dinheiro já em ienes foi bem mais avantajoso. Infelizmente nosso banco cobra uma taxa de 2,9% para cada saque ou pagamento em cartão no exterior (para quem reclama do IOF!!!) e o câmbio não foi mais avantajoso do que o que pagamos na casa de câmbio. Da mesma forma, no Japão não se encontra muitas casas de câmbio, e as que vi não tinham uma conversão avantajosa.

Alimentação

Essa foi a surpresa positiva da viagem, pois gastamos muito menos do que imaginávamos. No Japão é possível comer bem sem gastar muito (em comparação com a Europa). A comida faz parte dos meus prazeres de viagem, mas meu marido tem sorte que eu prefira um restaurantezinho tradicional e simples de bairro a um restaurante "chique-caro-na moda". As vezes ele me dizia "escolhe o restaurante que você quiser hoje a noite sem pensar no preço!" e eu escolhia um restaurante enfumaçado com o garçon-cozinheiro-gerente que grelha os espetinhos atrás do balcão, com todos os clientes sentados ao redor. 
Quando a gente viaja sempre tem alguém para dizer "você TEM que ir ao restaurante X, no ultimo andar com aquela vista linda". Agradeço a dica, mas quer saber? Na maior parte do tempo não estou nem aí para o restaurante utra- mega-turístico.
Acho que não pagamos nenhuma refeição mais do que 1300 ienes por pessoa. (cerca de 10 euros)
Porém as pausas café + bolo podem aumentar e muito as despesas, pois tudo o que é "não-japonês" é bem mais caro do que comer "japonês".

Visitas

As entradas não chegam a ser tão caras, mas como são muitas coisas para visitar e praticamente tudo é pago (templos, jardins, museus), a gente vai adicionando 300, 500 ienes... No final do dia já viu o resultado!
Porém isso depende de cada um. Nós não economizamos nas visitas, partimos do princípio que atravessamos metade do mundo para estar ali, provavelmente não teremos ocasião de retornar tão cedo e então não vamos deixar de visitar um lugar que nos interessa para economizar um pouquinho. O nosso pensamento é "depois a gente volta ao trabalho para ganhar de novo tudo o que gastamos". Mas entendo que nem todo mundo tenha disposição para visitar diversos templos por dia, que depois de um momento nem todo mundo consiga ver a diferença entre eles, então se esse for o seu caso, pesquise antes para escolher as visitas que para você são imperdíveis.

Compras

De uma forma geral não tive nenhuma tentação e achei que não valia a pena comprar. Talvez para quem more no Brasil possa ser interessante (o Brasil é tão caro!) comprar tênis, eletrônicos, etc,  mas não achei que compensasse em compraração com os preços da França.
Lembrancinhas: não achei nada muito interessante sem contar que um simples chaveiro já custa caro! Quem deseja pode investir em um bonito Yukata (o quimono de algodão, para usar em casa) por à partir de 4 mil yens, os tecidos japoneses, lembrancinhas envolvendo os desenhos animados japoneses, etc

Estampas japonesas: os amadores podem se deliciar com as famosas estampas japonesas. Atenção, pois as mais baratas são cópias offset (impressas) sem nenhum valor artístico, as de preço intermediário são tiragens recentes, e as mais caras são tiragem antigas a partir do modelo original em madeira. Cada um escolhe quanto está disposto a pagar para decorar a casa, colecionar ou presentear.

Cosméticos: apesar de famosos, não achei nada muito revolucionário nas farmácias e acabei comprando apenas um pó (as japonesas são as rainhas do pó); fui com a intenção de testar muitas coisas novas e trazer outras para casa, mas fiquei um pouco decepcionada; os cosméticos franceses para mim são bem superiores!

Roupas: mais uma vez opinião pessoal, não achei que as japonesas e japoneses se vistam muito bem... Com exceção das marcas estrangeiras, nada que tenha nos chamado a atenção.
Entretanto, gosto muito da Uniqlo com seus básicos, suas jaquetas leves e quentinhas e suas camisetas originais, tudo isso com preços acessíveis!

Porém, achei interessante os preços das câmeras fotográficas e acessórios, principalmente da marca Nikon (à qual nos interessamos e pesquisamos melhor) e relógios de marcas japonesas.

No fim das contas, voltamos felizes pois gastamos menos do que o previsto!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Viajando por aí...

Gosto de ler e de viajar: os livros sempre me permitiram  viajar sem sair de casa, mas melhor ainda se os livros podem nos ajudar a preparar uma viagem, não acham?

Como assim? Sim, mesmo os livros que não são guias de viagens nem de Historia nos permitem uma imersão na cultura, na forma de pensar de um povo e podemos aprender muito com eles.

Podemos ter uma idéia dos valores e mudanças da sociedade de uma outra época e atual, podemos perceber o lugar das mulheres em uma determinada cultura, melhor entender o significado de algumas palavras tão importantes para alguns, como honra e disciplina.


Vamos ver o que encontrarei por lá!
Mas adianto que estou muito feliz, estou prestes a realizar mais um sonho!

Se alguém perguntar por mim, tirei um pouco minha cabeça dos livros e fui ver um pouco do mundo.