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domingo, 8 de novembro de 2015

Himeji-jo, o castelo mais bonito do Japão

O mais bonito, o mais suntuoso e o castelo melhor preservado do Japão é segundo muitas fontes o Castelo de Himeji, que fica na cidade do mesmo nome, a meio caminho entre Osaka e Okayama/Hiroshima pela rede ferroviária.

Deixo vocês tirarem suas próprias conclusões:

Impressionante do alto da colina, ele foi residência de 68 senhores (feudais). Se não bastasse a sua imponência, ele também é famoso por ser um dos únicos a ter sobrevivido na sua construção de origem, que data de 1580 (mesmo se foi aumentado algumas décadas mais tarde, em 1609). Seu projeto é em madeira (recoberto de alvenaria) sobre fundações em pedra. Um exemplo de arquitetura de defesa do período feudal japonês, com suas torres de guarda, suas fossas, labirinto para chegar até a entrada do castelo e subir todos os andares. Na prática suas funções nunca foram testadas, pois coincidiu com uma longa época de paz no território.

Tivemos muita sorte, pois o castelo de Himeji (também conhecido como o castelo da "garça branca", em referência à sua cor) passou por um longo período de reformas e quando o visitamos em julho deste ano estava visível em todo o seu esplendor, branquinho e ainda mais lindo que qualquer outra imagem vista anteriormente!


Porém, não espere ser o único visitante. Além de muito célebre para turistas do mundo inteiro, os japoneses também adoram visitá-lo, ainda mais nesse momento para conferir os resultados das reformas. Aliado a isso, nossa visita caiu em um lindo domingo de verão.


O acesso ao parque do castelo é gratuito, mas ao Castelo em si é pago. Existe muita fila e mesmo se a construção é enorme e dividida em 6 andares (ou 5 ou 7, depende do seu ponto de vista!), não tem como acolher todos ao mesmo tempo e gera muito tempo de espera. No auge do verão alguns ventiladores foram instalados na parte externa (mais quente do lado de dentro), assim como bruma de água para refrescar os turistas. Parece que a prefeitura limita o acesso diário à 15 mil pessoas, então melhor não chegar tarde e prever no minimo 4 horas, para poder ver tudo (contando com o tempo de espera).

Por apenas alguns yens a mais, prefira o ingresso com acesso ao jardim Koko-en, que mesmo se é um jardim recente (porém nos modelos tradicionais), não resta menos agradável, e com uma vista privilegiada do castelo.


Mas vale a pena visitar o interior do castelo?
Em primeiro lugar você atravessa uma boa parte do planeta para chegar até lá, seria uma pena ficar somente olhando do lado de fora. Mesmo se o interior é relativamente vazio (sem movéis, decoração), o que impressiona são as estruturas em madeira para suportar esse colosso, os labirintos de salas e corredores, as escadas... Um exemplo de arquitetura japonesa que não temos oportunidade de ver de perto todos os dias.

Quem é cinéfilo certamente já o viu em algum filme de Akira Kurosawa e um James Bond de 1967 (Com 007 só se vive duas vezes). Sim, ele é uma das arquiteturas mais filmadas do Japão!


Apesar dos terremotos, tufões, incêndios e os bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial, ele continua em pé. Ainda por muitos e muitos séculos, eu espero.

Informações práticas:
A cidade de Himeji nos pareceu muito agradável, bonitinha e segura, como a maioria das cidades do país, mas optamos por não ficar nenhuma noite, usando-a somente como passagem. O castelo fica a cerca de 20 minutos à pé da estação de trem (em linha reta) do mesmo nome Himeji, e pode ser visitado de Osaka, Kyoto ou mesmo Hiroshima. 
Para evitar o bate-e-volta e ganhar tempo, incluímos essa visita após Hiroshima (de onde saímos cedo pela manhã) e deixamos nossa bagagem no guarda-volumes da estação de trem (seguro e pratico).

Gostou dessa viagem? Então você podera gostar de:
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domingo, 30 de agosto de 2015

A Ilha Sagrada de Miyajima

Uma viagem ao Japão começa geralmente por Tóquio e para mim não seria diferente, mas falarei dela mais tarde, com mais tempo. De Tóquio fomos a Hiroshima, onde passamos 3 noites e de lá fizemos um bate-e-volta até a ilha sagrada de Miyajima.



Os turistas são numerosos em Miyajima há muitos séculos, e o motivo principal da visita é o Tori (porta de satuário) de Itsukushima-jinja, um dos cartões postais do Japão, que parece flutuar sobre as águas. Antigamente o povo não podia pisar na ilha e só era possível atingir o santuário de barco, passando pelo tori
Essa é a primeira imagem quando chegamos de barco

Uma das surpresas é que essa imagem dele sobre as águas na verdade só acontece durante a maré alta. Quando chegamos pela manhã, ele estava bem plantado no chão e foi muito legal estar bem pertinho e mesmo tocá-lo. De longe não temos idéia do diâmetro de cada tronco de ávore com o qual foi construído. 



Conferimos os horários das marés (disponível no local) e naquele dia a maré alta seria às 15h, ocasião de ver não apenas o tori como imaginamos, mas também o santuário completamente rodeado pelas águas. 

A pequena ilha de Miyajima fica perto de Hiroshima e é Patrimônio Mundial da Unesco. Apesar do seu tamanho reduzido, conta com diversas outras atrações: muitos templos, trilhas na montanha e parque com animais selvagens. No início pretendiamos nos hospedar na ilha, mas durante o planejamento decidimos ficar em Hiroshima (o que evitaria o leva e traz de bagagens) e fazer apenas o bate-e-volta. Saímos de Hiroshima cedo e chegamos por volta das 9h, durante  a maré baixa. Aproveitamos o final da manhã para fazer a trilha  enquanto a maré estava baixa e voltar para admirar a paisagem com a maré alta.

São muitas atrações na ilha e na minha opinião é melhor reservar um dia inteiro da sua viagem para ela. Algumas delas:

O santuário Itsukushima-jinja (de onde pertence o tori) existe desde o século VI, e foi reconstruído na sua forma atual em 1168 !



Senjo-kaku, essa enorme estrutura com um trabalho incrível de marcenaria e com detalhes no teto. Dela temos uma vista privilegiada da Pagoda de 5 andares




Taho-to: essa pagoda traz como agradável supresa uma das vistas mais incríveis do Tori, e longe da confusão dos turistas, já que para chegar até ela é necessário subir uma escadaria de pedras (nada muito longa nem incômoda, mas já serve para espantar a multidão).

Daisho-in, esse foi na nossa opinião o templo mais emocionante e em plena efervescência. Ele fica no começo da trajeto para ascensão do Monte Misen, e em pleno funcionamento. Ou seja, não é simplesmente um local frequentado por turistas, mas por fiéis.




Aproveitamos para tentar atingir o topo do Monte Misen, e o tempo estimado era de 90 minutos (existe um teleférico que economiza as energias dos turistas até um certo ponto, mas optamos pela caminhada). Muito agradável em plena natureza, mas existem alguns alertas contra serpentes venenosas e vimos uns lagartos estranhos, de cauda azul brilhante que davam medo! A descida é estimada em uma hora. Tanto para subir quanto para descer vai depender do desempenho físico de cada um. Nós fizemos em bem menos tempo.



Dizem que o Parque de Momijidani é muito bonito principalmente no outono quando as cores das folhas das árvores adquirem tons incríveis, mas ele já era muito bonito mesmo no verão. Coberto por uma vasta floresta primitiva, os animais também estão em liberdade.



Quando achamos que já tínhamos visto tudo, impossível ir embora apesar do cansaço: o pôr-do-sol proporciona um outro espetáculo imperdível.


Uma outra atração da ilha é a sua gastronomia: as ostras de Miyajima são realmente famosas e são feitas de diversas maneiras: grelhadas, fritas, cruas. Outra especialidade local são as deliciosas enguias (Anago-meshi), servidas sobre o riz ou acomodadas de outras formas. Também encontramos o que eles chamam de "bolo de peixe", com diversos frutos do mar e servidos em espetinhos. 

Momiji Manju é um biscoito típico e encontramos em todas as esquinas da ilha. O cheiro é delicioso, mas o gosto... O recheio é de feijão vermelho (muito usado nos doces japoneses e de outros países da Asia) e tinha a escolha entre com ou sem casca no recheio de feijão. Sem casca achamos realmente ruim, mas para a nossa surpresa, com casca era bem melhor!
Só mesmo provando para tirar as próprias conclusões!

Informações práticas

Existem diversas formas de ir até Miyajima, mas no nosso caso fomos de Hiroshima (onde nos hospedamos) de trem (linha JR Sanyo, cerca de 15 minutos de trajeto) até Miyajima-guchi e lá pegamos o ferry (da empresa JR). A travessia dura em torno de 10 minutos.

Se a intenção é de fazer trilha, é importante ir com roupa e calçado confortáveis.
Os restaurantes da Ilha não nos davam muita vontade de ir, bem turísticos e os preços mais elevados. Quem deseja levar o que comer deve prever conservar o lixo, pois como reserva natural as lixeiras são quase inexistentes.

Cansada mas feliz, foi assim que se terminou o passeio!