terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ano Novo na Normandia

          Eh meu terceiro reveillon na França, e pela segunda vez consecutiva comemoramos na Normandia com a familia do Sylvain (parte dela). Mais uma vez saio do trabalho correndo, pegamos o trem lotado e 2h40min mais tarde chegamos em Carentan, uma cidadezinha próxima, melhor equipada e com uma Gare. La Haye du Puits, nosso destino final, fica a cerca de 30 minutos de carro. Existia uma gare há alguns anos, mas a mesma foi fechada pois segundo as autoridades não era muito lucrativa. Da mesma forma foram fechados hospitais e outros serviços importantes, o que faz com que a população tenha que se deslocar muitas vezes até Carentan, Valognes ou mesmo Cherbourg para uma consulta médica!
          Foi nessa cidade que Sylvain viveu até seus 15 anos, quando foi estudar em Caen, mais tarde em Rennes e depois Paris. Boa parte da sua família continua na região e não pensa em sair de jeito nenhum.

Mas mesmo se tratando e uma família do interior com hábitos simples, toda vez que ocorre uma reunião de família, ainda mais em festas e ocasiões especiais, aproveita-se esse momento para comer bem!
Chegamos por volta das 20h e não me chocou em nada as pessoas vestidas com cores escuras (na terceira vez já nos acostumamos!), na maioria preto para as meninas. Mas nada de um "pretinho básico", pois aqui existem milhares e milhares de variações do tradicional vestidinho preto. Sempre tem um decote diferente, um babado diferente, um detalhe em renda, em cetim ou algo para diferenciar do básico.
          As comilanças começaram com pequenas tartines (pão com diversos tipos de patês, fois gras, salmão, etc) e verrines (pequenos copinhos com diversas composições, no caso aqui era salmão e outros frutos do mar, que se come com colher). Tudo isso acompanhado de champagne puro ou com creme de cassis (kir royal)
          A mesa estava decorada de forma bem simples, o jantar foi na casa de Nicolas e Elodie, que são pessoas simples e que sempre recebem com o maior carinho e atenção, não medem esforços com a comida, mas não gastam praticamente nada com decoração. Detalhe que sempre me chama a atenção: os lugares à mesa são sempre marcados em festas, mesmo as mais simples!
          As pré-entradas foram em várias etapas. Foram servidos ostras e escargots farcis. Eu deixo passar as ostras, mas não abro mão dos escargots!!! Não tenho os dados estatísticos oficiais, mas posso dizer que entre os 12 convidados adultos, apenas 3 comeram ostras e apenas 5 comeram escargots. Disseram-me que geralmente as mulheres não comem escargots, acham nojentos. Mas ao menos desta forma, recheados e ao forno, são uma delícia!
          A entrada mesmo foi praticamente um prato, servido quente, já que as temperaturas estavam bem baixas lá fora. Dois tipos de peixes com alho-poró e camarão para decorar ou comer, a escolher.

          Felizmente no momento do prato principal eu já tinha comido mais do que o suficiente e não tinha mais fome... Pois o prato praticamente não consegui tocar:

          Pois é, para o meu desespero, carne de gado aqui se come assim... Mesmo que a gente peça "bem-passada", não muda muito do resultado... Que saudade do churrasco de domingo do meu pai!!!

          A sobremesa chegou depois da meia noite e após os devidos beijos e abraços de meia noite. E quem fala em sobremesa, fala novamente em champagne... J'adore!!! (acho que fui francesa e metida em uma outra vida!)

          O que eu acho engraçado é que a sobremesa é apresentada inteira aos convidados, depois ela volta à cozinha e quando volta à mesa, transformou-se em lindos pratinhos decorados com a sobremesa no meio! Peços desculpas, mas não tenho fotos dos pratos de sobremesa e posso explicar: meu fotógrafo de plantão perde o norte quando vê uma sobremesa de chocolate! Ele se esqueceu completamente das suas funções! Entre um doce ao chocolate e eu, ele escolhe o chocolate, é claro!

          E para finalizar, muita guerra de bolinhas, olho de sogra, enfeites de carnaval... Cansada da minha jornada de trabalho e da viagem de trem, fui dormir por volta das 2 horas... Todos os outros continuaram até 4h30 da manhã... Com direito à sopa de cebola e tudo... Mas eu perdi essa parte!

          Como nunca é tarde para desejar Feliz Ano Novo (aqui a gente deseja Bonne Année apenas quando o novo ano já chegou, lógico, não? ), seguem os meus mais sinceros votos de Feliz Ano Novo a todos os meus amigos reais e virtuais, brasileiros no Brasil, na França e no mundo!!! E não posso esquecer dos meus amigos estrangeiros que se aventuram na língua de Camões!!!

Bonne Année à tous*!!!

* Feliz ano novo à todos!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Le Père Noël Brésilien*

          Aproveito esses dias antes do final do ano para ainda falar do Natal, já que achei o assunto muito interessante e não queria esperar o próximo Natal!!!
          Muitos de nós aqui nessas terras frias já fomos surpreendidos com as seguintes questões:
- No Brasil também se comemora o Natal?
- No mesmo dia?
         Essas curiosidades, quando são curiosidades mesmo e colocadas de forma respeitosa sempre me deixam com bom humor. Adoro quando se interessam pelo meu país e os nossos costumes!
          Mas uma coisa que tenho dificuldades em fazer francês entender é que no Brasil (como em todo o hemisfério sul do planeta), as estações do ano são invertidas! Por exemplo, quando é verão aqui, é inverno no Brasil (ops, esqueci que em algumas regiões do Brasil não é inverno nunca!!!), e consequentemente, no final de ano, pleno inverno europeu, no Brasil é verão. Quando enfim consigo fazê-los entender essa diferença, eles ficam ainda mais curiosos e nos fazem ainda mais perguntas...
          A mais engraçada que tive que responder nesse sentido foi a dúvida do Sylvain em relação ao Papai Noel. Ele me olhou bem sério e me disse (tradução aproximada do francês original):
- Se faz geralmente um calorão no Brasil, não é meio rídiculo o Papai Noel chegar de trenó, vestido com roupas de pólo norte e descer pela chaminé?
          Hmmm, nessa ele me pegou!
          Trocando experiências na minha comunidade orkutiana preferida, surgiu-me a idéia de pedir ao Sylvain um desenho de como ele imaginava o Papai Noel brasileiro. Não fiquem bravos com ele, juro que ele é do bem!
Aqui vai o desenho:
* O papai noel em francês.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

31 de dezembro: onde ir?

           Festejar o reveillon em Paris é caro... Seja uma discoteca para os mais descolados, seja um jantar para os mais tranquilos, os preços sobrem de forma absurda, e é dificílimo conseguir um lugar de última hora sem reservar com uma (boa) antecedência.
          Mas por que todo mundo sonha em passar a virada do ano em Paris? Talvez sonhem com a torre Eiffeil e com a Champs-Elysées iluminadas e com fogos de artifício... Vale lembrar que isso só mesmo em sonho! Dezenas e dezenas de pessoas que foram para as ruas nesta data me contaram que não houve fogos...  Parece que por aqui é proibido dentro das cidades (também não se encontra para vender e queimar fogos no jardim de casa! Outra medida de segurança)
          No meu primeiro reveillon aqui, eu tinha a intenção de jantar em casa e depois ir à Paris "ver o movimento", mas as temperaturas negativas me tiraram rapidinho essa idéia da cabeça. Foi aí que começaram a me contar que na verdade não tem fogos, apenas milhares e milhares de pessoas aglomeradas nas ruas, boa parte delas bêbadas, transportes lotados, estações fechadas por questão de segurança, e muito roubo, pois muita gente desonesta aproveita a ocasião para roubar bolsas e carteiras de turistas e outros desavisados no meio da multidão. Tô fora!!!
          Mas para quem está aqui na data, a minha dica é conseguir um convite para uma legítima ceia de Natal na casa de alguém. A comida geralmente não vai decepcionar, mas outros quesitos podem deixar a desejar... Para quem não teve essa sorte, o jeito é "garimpar" um restaurante de acordo com seu bolso e expectativas.
          Sugestões:
Le Calife: jantar e cruzeiro no Sena. Menu à 98 euros, sem as bebidas, com festa Rock após o jantar. Estive neste restaurante em 2009 e adorei o serviço e a comida! Uma decoração simples, mas a magia de Paris iluminada faz o resto!!!
Les Ministères: jantar à 135 euros, com festa dançante até o amanhecer. Inclui vinho durante as refeições e uma garrafa de champagne para duas pessoas. Já estive nesse restaurante a muitas reprises, adorei igualmente o serviço e a comida. Decoração requintada do início do século (passado).

          O dia 1º de janeiro é infelizmente dia também para fazer o balanço de quantos carros foram queimados e outros atos de vandalismo foram realizados na virada do ano. Meus anos e anos de estudos ainda não me fizeram compreender (muito menos aceitar!) esse fenômeno. Mas o que faço é esperar que 2011 seja diferente!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Com que transporte eu vou?

          Sylvain sempre tentou me convencer de que o melhor meio para se locomover em Paris e banlieue perto de Paris é o transporte coletivo, como metrô, ônibus e RER. Ele argumenta que apesar de ser barato comprar um carro, as taxas que devemos pagar para manter um não compensam, e com os engarrafamentos absurdos acabaríamos perdendo muito mais tempo em deslocamento. Acredito!
          Além disso, ele sempre foi um defensor inveterado dos trasportes públicos e crítico fervoroso dos carros, que poluem, tornando o ar das cidades irrespirável. Verdade! Além disso pagamos cada um 72,40 euros por mês (metade reembolsada pelo empregador) para um trasporte ilimitado entre as zonas 1 (Paris intra-muros) e 3 (onde moramos), então melhor aproveitar mesmo esse benefício!
           Concordo que quando "tudo vai bem" e em condições normais melhor mesmo é deixar o carro na garagem (ou o dinheiro no banco e o carro na concessionária!), mas e quando tudo não vai tão bem assim e as condições não são tão normais assim?
          Isso mesmo, Paris tem um trasporte público muito regular e eficiente, mas nos deparamos frequentemente com certos probleminhas técnicos ou humanos que impedem que o trajeto seja executado com sucesso do início ao fim. E eu que não tenho muita paciência me estresso mesmo, bato o pé, fico de cara feia! Eu que detesto atrasos, quando me vejo chegar 30 minutos atrasada porque os trens foram anulados, é mau humor com certeza!
           Foi isso o que aconteceu na noite de Natal. Surpresa ao pegar o RER para festejar com amigos: uma greve de última hora dos trasportes, com vários trens anulados, principalmente todos após a meia noite.

O que fazer?!?!?
          O jeito foi voltar de táxi. Sempre me disseram que era impossível encontrar um taxi disponível na noite de Natal, mas com a G7 (empresa número 1 de taxis na Europa), ligamos e vieram ao nosso encontro em 20 minutos. 30 minutos depois e 50 euros a menos no bolso estávamos em casa, sãos e salvos e no quentinho do nosso lar doce lar. Com direito a um passeio Paris by night. Mas o melhor da história é que  agora Sylvain começa a pensar seriamente em rever os seus conceitos e quem sabe investir em um carro!
Um desses já me servia!

Contatos:
G7: pelo telefone, discando o 3607 ou pelo site http://www.taxisg7.fr/

Experiências de Natal

           O Natal chegou e foi embora com uma rapidez inacreditável! Todo ano é assim, nada mudou, mas eu esqueço! Tanta expectativa, tanta programação, tanta correria... Para algumas horas que passam tão rapidamente e deixam na boca um gostinho de "quero mais". Mais um motivo para aguardar com impaciência o próximo final de ano!
          Mas aqui em casa já é o terceiro ano que se repete o mesmo problema: sonhamos com uma linda árvore de natal, queremos enviar cartões aos amigos e familiares, mas o tempo passa tão rápido, estamos tão absorvidos no trabalho, atividades mil e em correrias administrativas que acabamos deixando de lado esses detalhes simples da vida (que fazem a diferença), como montar a árvore de Natal e reservar um tempo para escrever palavras de carinho aos próximos (então, se você não recebeu a sua cartinha de Natal, o problema não é com você, mas conosco aqui do outro lado!)
          O que tem mudado ao longo dos últimos anos é a forma de festejar o Natal (e todas as festas, enfim). No meu primeiro ano, tudo era novo, e fomos festejar a data com a familia do Sylvain* na Normandia. Foi minha primeira vez lá, apaixonei-me pela região, pelas pessoas e pelos costumes. Mas um detalhe não me escapa: não é a minha família, e mesmo agora, ao fio dos anos, não vejo como tal. Passamos o Natal na casa de Nicolas e Elodie, respectivamente irmão e cunhada do Sylvain. O jantar estava impecável, como poderíamos imaginar, pois Nicolas é cozinheiro! Como previsto, meu presente de natal a todas as mulheres foram écharpes confeccionadas por mim mesma. Todas ficaram muito contentes, algumas usaram no mesmo dia, outras preferiram vestir o acessório no dia seguinte.
          Para combinar com meu vestido simplezinho que comprei na Zara (único elemento que consegui comprar na Zara até então), fiz uma écharpe especialmente para a ocasião... Na minha opinião, foi o acessório que faltava!
Ops!!! Esse outro acessório foi fundamental!!!

No ano seguinte não teve festa na família do Sylvain, já que um ano eles comemoram em familia, no ano seguinte na belle famille (família do companheiro). Como ficava um pouco longe e caro passar a noite de Natal com a minha família, resolvemos ficar em casa e fizemos um pequeno jantar para nós dois.

Desta vez eu queria que fosse diferente! Tinhamos a possíbilidade de ir novamente à Normandia, mas como eu trabalhava até o último minuto do segundo tempo, decidimos não correr para pegar o último trem e chegar supertarde na ceia de Natal. E fizemos uma excelente escolha, pois fomos convidados para passar o Natal com amigos brasileiros, um ambiente bem descontraído que me lembrou um pouco os Natais de outros tempos... Mas com um toque francês, é claro!

* Sylvain = meu chéri, para quem ainda não conhece!