domingo, 15 de maio de 2016

Fundação Louis Vuitton em Paris

Inaugurada em 2014, na Fundação Louis Vuitton não se vai para ver uma retrospectiva da famosa marca de luxo nem alguma exposição de moda.

Na verdade se trata de um novo local de descoberta da criação artística contemporânea, onde diversas experiências culturais como exposições temporárias e eventos multidisciplinares acontecem ao longo do ano.

O tempo ia passando e ainda não tínhamos tido a ocasião de ir verificar com nossos próprios olhos, mesmo se fica a poucas estações de metrô da avenida des Champs Elysées, ou seja, de fácil acesso para qualquer turista, ainda mais para moradores. 

Aproveitamos o calor e sol escaldante que fez aqui em Paris na semana passada (o que não acontece sempre) para ir conhecer. Mas por que escolher um dia de sol para visitar um museu, tudo o contrário do que sempre disse aqui?


Simplesmente porque a Fundação fica em pleno Bois de Bologne (um grande bosque à esquerda de Paris), dentro do Jardim d'Acclimatation e apresenta uma arquitetura incrível!!!
Ou seja, tudo ainda mais impressionante em um dia lindo!

 De um lado vemos o bairro ultra-moderno de La Défense, e de outro a Torre Eiffeil.

Quem está por trás dessa verdadeira obra arquitetural é Frank Gehry, um dos mais importantes arquitetos vivos no mundo, se não o mais importante da nossa época. Porém, normalmente, os 3600 vidros do prédio, em formato de 12 velas, são incolores e transparentes, mas qual não foi a nossa surpresa ao encontrar todas essas cores!!!

Trata-se se uma obra temporária do artista Daniel Buren, que propõe um novo olhar sobre o edifício, em um jogo de cores, transparências e contrastes. Ele trabalha sobre o espaço e seu contexto. 

Não preciso nem dizer que adorei!!!
Atualmente a exposição temporária nos espaços da Fundação é sobre artistas contemporâneos chineses que particularmente eu não conhecia, mas que gostei de conhecer um pouquinho. 

O preço da entrada custa 14€, o que considero não muito barato, mas vale a pena principalmente para apreciar a arquitetura única do prédio projetado por Frank Gehry e interagir com ela. Além disso, a entrada também inclui o Jardim d'Aclimattation (que já custa 3€). 

A visita foi bem completa mas vou ter que voltar para ver o prédio em suas cores "normais", que sacrifício!!! :D

Informações práticas:
Fechado às terças;
Abre à partir do meio dia e fecha entre 19h et 20h, dependendo da estação do ano e dos dias da semana. Noturna às sextas (fecha às 23h de maio à agosto);
Acesso pelo metrô linha 1, estação "Les Sablons". Ao sair do metrô, basta seguir as indicações e caminhar cerca de 15 minuto entre bairro nobre e natureza.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Vale a pena viajar de low cost pela Europa?

A resposta é que pode ser muito avantajoso em termos financeiros ou não, tudo depende!!! Mas não se desespere se a resposta é ambivalente, aqui seguem alguns pontos a avaliar na hora de fazer a sua escolha:

- Preço:
Pesquise no sites das empresas low cost fazendo a simulação das datas para ver se o preço inicial vale a pena. Se você comprar com antecedência e datas fora de período de "rush" (feriados europeus, finais de semana, etc), provavelmente encontrará preços desafiando toda a concorrência.
Pesquise ao mesmo tempo os valores para as mesmas datas com as companhias aéreas covencionais, você pode ter boas surpresas e encontrar uma opção ainda melhor!

- Bagagem:
Vale lembrar que a tarifa básica de uma passagem low cost não inclui bagagem despachada, SOMENTE a bagagem de cabine.
A bagagem de cabine já é bem grandinha e é o suficiente para as viagens de 4/5 dias ou mesmo mais para os mais inventivos!
Geralmete elas não citam "QUILOS", mas um tamanho específico que não pode ser ultrapassado de jeito nenhum, não tem jeitinho brasileiro. Bagagens maiores do que as estipuladas devem ser pagas, o que pode aumentar consideravelmente o preço da passagem. na maioria dos casos vale mais a pena incluir a bagagem no momento da compra ou do check in pela internet, se deixar para comprar na hora, no guichê da companhia, é mais caro.
Cabe então ao passageiro, na simulação, calcular se o preço "avantajoso" compensa ter que pagar a bagagem despachada.

- Aéroportos:
Muitas vezes as companhias low cost operam em aeroportos secundários, mais afastados e cujo tempo de trajeto é mais longo e o preço do deslocamento MAIS CARO.
Eu por exemplo evito viajar pela Ryanair, pois em Paris os vôos saem (e chegam) de Beauvais, que fica longe de Paris, o trajeto dura cerca de 1h15 de ônibus direto e custa 15,90€ (comprando com antecedência pela internet). Ou seja, eu adiciono 15,90€ em cada trecho nas minhas contas para ver se ainda assim o preço continua interessante.
Ontem mesmo voltei da Lituânia pela Ryanair, paguei 75€ ida e volta (com o trajeto em ônibus o total ficou em 107€), o que achei muito avantajoso, pois as outras companhias cobravam à partir de 250€ pelas mesmas datas e para horários menos bons.

- Horários:
Muitas vezes (mas nem sempre!) os horários dos vôos low cost são muito cedo ou muito tarde, o que "obriga" o viajante a gastar uma noite à mais de hotel. Verificar se ainda assim vale a pena!!!
Quando faço vôos curtos pela Europa, prefiro decolar de manhã (não muito cedo, para ter tempo de chegar no aeroporto com os transportes públicos e assim evitar o taxi, que "encarece" a fatura total). E, da mesma forma, prefiro voltar no final da tarde ou início da noite, evitando igualmente chegar muito tarde e precisar chamar um taxi.
Por exemplo, um vôo às 6h não é legal, você vai acordar à que horas e ainda ter que pegar um taxi? 
Mas se eu tenho a opção de um às 9h e outro ao meio dia, prefiro esse das 9h, pois assim chego mais cedo no destino. Nesse do meio dia, a manhã sera toda perdida, a não ser que o objetivo seja aproveitar de uma boa e longa noite de sono!

- Quais companhias escolher?
Quando se opta por uma low cost, opta-se por um preço ou outras vantagens (horários, etc), não especialmente pela empresa. Todas elas seguem normas de segurança européias e os acidentes são raros (assim como para as outras).
As companhias low cost com as quais mais viajo são a EasyJet e a Ryanair.
Existe também a Vueling (do grupo Iberia), Transavia et Hop! (do grupo Air France), Germainwings (da Lufthansa).

Algumas não são exatamente low cost, como a AirBerlin et Niki (adorei as duas, tinha lanche e/ou bebidas gratuitas e às vezes incluiu bagagem despachada pelo mesmo preço, à verificar), ou a SAS (dos países da escandinávia) e Aer Lingus (Irlandesa) que não são low cost para as longas distâncias, mas praticam as regras de bagagem e lanche nos vôos curtos. Também não tenho nada a reclamar de nenhuma delas.

Como eu disse mais acima, evito a Ryanair devido à localização do aeroporto, mas já usei 5 vezes e nunca tive problemas. Para quem não tem passaporte europeu, a Ryanair também exige a apresentação no guichê, mesmo que não tenha bagagem à despachar, para verificarem o passaporte e carimbarem o cartão de embarque. Acho um pouco chatinho, pois nos obriga fazer fila e chegar um pouco mais cedo
.
A minha preferida é sem dúvida a EasyJet. Saio de casa com o cartão de embarque impresso (que pode ser feito  gratuitamente 30 dias antes da viagem) e então chego direto no aeroporto sem muita antecedência, tempo suficiente para passar o contrôle e chegar na hora indicada na porta de embarque. Com ela devo ter viajado mais de 30 vezes, nunca tive atrasos significativos (20 minutos não cosidero um atraso considerável a assinalar) muito menos vôos cancelados.

Outros pontos a considerar:
Em uma tarifa básica low cost nenhum tipo de modificação é possível, ou se for, nada será oferecido gratuitamente. Um erro no sobrenome, data de nascimento, nacionalidade e número de documento pode ser fatal, ou seja, o embarque torna-se impossível. Cancelamentos ou mudanças de vôo também não são possíveis (somente um seguro pode resolver o problema).

Vocês podem se dizer que não sou muito exigente, por isso não tenho nada a reclamar. E é a pura verdade! Quando opto por um vôo econômico o importante é que a empresa honre a sua palavra de me levar do ponto A ao ponto B com segurança e pontualidade. Quanto aos comissários, eles sempre dizem "bom dia" e "obrigada, adeus". Eu sento no meu lugar e nunca espero nem peço nada extra à eles.
Quando compro a passagem, sei que ela não é modificável nem reembolsável e até a data presente nunca precisei entrar em contato com o Serviço Cliente por conta disso. Tenho consciência que no dia em que não puder viajar (problemas de saúde, atrasos ou outros de ordem pessoal), o problema "será meu" e terei que entrar em contato com o meu seguro para tentar obter alguma coisa.

E você, qual foi a sua experiência com as low cost?

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dentista na Franca

Parece ser uma unanimidade, brasileiros reclamam muito dos dentistas franceses e de uma forma geral dos dentes dos franceses, que não seriam tão brancos ou tão bem cuidados quanto os dos brasileiros.

De um lado eu me "surpreendo" com esse tipo de comparação, pois sabemos que existe muita desigualdade no Brasil, e que dentista no Brasil ainda é um artigo de luxo. Nos bairros mais pobres, é muito comum encontrar pessoas sem dentes ou com dentes em péssimo estado.

Mas por outro lado eu "entendo" essa comparação, pois da classe média brasileira para cima, a busca pelos dentes perfeitos virou, no meu entendimento, uma obsessão.

Na Franca "de uma forma geral" os cuidados são mais com a saúde bucal e pensa-se um pouco menos no lado estético. Então ainda não é muito comum o clareamento e a maioria dos dentistas não propõe. Eles propõe os tratamentos que julgam necessários para a saúde.

As vezes a gente também vê francês com bom carro na garagem e casa legal, pensa que ele tem dinheiro mas não cuida dos dentes. Também conheço muitos casos assim no Brasil, mas na França a pessoa pode ter carro e moradia legal e nem por isso ter muito dinheiro nem um plano de saúde. Também raramente veremos um adulto usando aparelho, que ainda é visto com muito estranhamento se não for em crianças ou adolescentes, e o uso de aparelhos e muito mais pelo lado terapêutico que estético. Um exemplo é o ator francês Jean Dujardin, que ganhou o Escar em 2012 e que teria tentado carreira nos EUA, mas que segundo as mas linguas, não foi aceito em Hollywood pois seus dentes não seriam perfeitamente alinhados!

E como depoimento, eu posso dizer que tive trauma de dentista toda a minha vida, e foi somente na Franca que pude me reconciliar com a profissão, com os meus dentes, e enfim me olhar no espelho.

No inicio da adolescência tive um problema de saude que exigiu um uso prolongado de corticoïdes. Na época se falava que engordava, mas não era nada em comparação com o risco que eu tinha, que era um risco iminente de perder a visão, então em nenhum momento foi questionado o tratamento (que, diga-se de passagem, deu certo!)

Acaso ou influência do tratamento, eu parei de crescer aos 13 anos, comecei a ter formas de adulta (seios, etc), mais pelos e não demorou muito para as cáries aparecerem. A cada vez que eu ia no dentista era uma tortura, eles meio que me faziam um terrorismo: "se não cuidar dos dentes vai estar banguela antes dos 18 anos e aos 30 anos não vai sobrar nenhum dente na boca". Perdi as contas de quantas vezes me disseram isso de forma menos ou mais pedagógica. Eu queria saber o que eles queriam dizer com cuidar melhor, pois eu escovava os dentes cuidadosamente após cada refeição, usava fio dental ("sem parar quando sangrava", como me recomendavam), praticamente não consumia doces, balas e chicletes, não comia fora das refeições e nunca fumei. Na minha casa eu passava muito tempo escovando os dentes e minhas irmãs e mesmo os meus pais me mandavam parar, que eu iria "estragar" ainda mais os meus dentes, que iria fragilizar o esmalte, etc. Minha irmã mais velha que nunca usava fio dental e escovava rapidamente os dentes não tinha nenhuma cárie.

O tempo foi passando, um dia um dentista resolveu trocar uma obturação que estava amarelada segundo ele. Alguns dias depois não aguentava a dor e tive que fazer um tratamento de canal. Posso estar enganada, mas acredito que foi o fato de "limpar" mais profundo do que deveria que atingiu o canal do dente. O tratamento de canal foi um "sucesso", mas com o passar do tempo o dente foi escurecendo, o que me causava muito incomodo, principalmente na faculdade relativamete "selecionada" onde eu estudava, no meio de tantos dentes perfeitos e branquinhos.

Ao mesmo tempo, a cada vez que eu ia no dentista me davam um orçamento astronômico "só para começar", pois segundo os dentistas eu "tinha tratamento para fazer durante anos e anos.

Acabei me voltando para um dentista de "pobre" e fiz o que segundo ele era realmente importante e necessário. Ele criticava essa nova forma de ver a odontologia, um pouco como a cirurgia plástica segundo ele: tem que ter os dentes perfeitos, branquinhos, assim como se tem que ter o corpo perfeito, fazer lipo, colocar silicone, passar ácidos, laser, etc...
Eu já comecei a me sentir muito melhor, mas o meio não ajudava. Ouso mesmo dizer que por muitos anos eu evitava de sorrir (ou rir) pois tinha vergonha dos meus dentes.

Foi quando cheguei na Franca que pude enfim me conciliar com os dentistas e readquirir a minha auto-estima.
Como uma parte dos tratamentos dentários são cobertos pela saúde pública, uma outra parte pelo meu "plano de saúde", e estabilizada financeiramente, decidi fazer o que tinha que fazer.

Para a minha surpresa o dentista não fez nenhum terrorismo comigo, nunca me disse que meus dentes eram perfeitos, mas assinalou as "coisinhas" que tinha para fazer, que tudo estava bem controlado, não tinha nenhum problema evolutivo. Ele propôs fazer alguma coisa pelo meu dente do tratamento de canal, que ficou da cor dos outros, trocou duas outras obturações que segundo ele riscavam de quebrar e volto desde então todos os 6 meses para a limpeza.

Tenho os dentes perfeitos? Não, mas hoje não almejo mais tê-los, para mim não sou mais julgada por eles. Posso rir e sorrir sem nenhuma vergonha. E ao contrário das predições dos dentistas brasileiros, cheguei aos 36 anos com todos os meus dentes! 


segunda-feira, 7 de março de 2016

Auschwitz - Birkenau

Estivemos semana passada em Cracóvia, na Polônia, e mesmo se não tínhamos planejado com antecedência a visita de Auschwitz, chegando lá e após visitar a antiga fábrica de Oskar Schindler, o bairro judeu e o antigo gueto, sentimos a necessidade e fomos.

Em alta temporada (de abril à outubro) a visita deve ser agendada previamente pela internet ou em uma das agências e deve ser feita em grupo. Como estávamos em baixa temporada tivemos a opção de fazer a visita individualmente, e foi o que fizemos.

Portões de Auschiwitz

O antigo campo de concentração nazista de Auschwitz fica a 66km de Cracóvia, na cidadezinha de Oswiecim.

Tecnicamente existe uma diferença entre campos de concentração e campos de exterminação, e Auschwitz é mundialmente conhecido pelas duas funções. Se no início essa antiga caserna militar foi recuperada pelos nazistas para receber prisioneiros políticos e de guerra que eram reduzidos ao trabalho forçado, muito rápido sua capacidade foi esgotada e os nazistas julgaram necessário construir um anexo localizado à 3km, chamado de Auschwitz II - Birkenau, com capacidade para 100 mil prisioneiros. Foi dali que a grande maioria nunca mais voltou.
A partir de 1942 os judeus e outras minorias eram direcionados a esse campo de exterminação, de fácil acesso para praticamente toda a Europa.


O primeiro campo é bem menor, e é nele que encontramos a famosa frase "o trabalho liberta", quanta ironia, quando sabemos que o trabalho só contribui para matá-los mais depressa. Os prédios são todos de tijolos vermelhos e uniformes, quem não conhece a história e não entra não sabe os horrores dos quais aquelas paredes foram testemunhas. 



Alguns prédios são abertos à visitação e contam o que se passou ali. No Bloco 4 podemos ver os cabelos dos deportados, que eram vendidos, ainda que 7 toneladas fossem encontradas pelos soviéticos na liberação! Também podemos ver latas do Zyklon B, o pesticida que era utilizado nas câmaras de gás. 

Em outro bloco (5) ficamos sem voz diante de montanhas de calçados das vitimas, próteses, armaduras de óculos e outros objetos pessoais.

Entre os blocos 10 e 11 ocorria o pelotão de execução. Aquele muro fala e sua sangue.

No bloco 11 encontravam-se celas de isolamento, algumas em que os prisioneiros não podiam sentar nem deitar, de tão pequenas, sufocando sem janelas. Se sobreviviam a uma noite ali, ainda tinham que sair para trabalhar mais de 10 horas. No subsolo foram realizadas as primeiras tentativas com o Zyclon B, antes da construção da câmara de gás, do outro lado do campo, onde até 500 pessoas por dias eram executadas, depois incineradas nos fornos ali presentes e cujas cinzas eram utilizadas como adubo.

Em um dos 2 blocos antes utilizados como enfermaria, o que nos interpela desdo o inicio é o cheiro de hospital. Difícil contar quantas experiências foram realizadas ali.

Outros blocos mostram fotos, documentos, imagens ou reconstituição da época. 

Se para alguns a visita parece um pouco light até ali, ela se termina com a câmara de gás, testemunha muda dos massacres onde as vitimas deixaram suas marcas:


Impossível descrever meus sentimentos diante de uma amostra da monstruosidade que os seres humanos foram capazes de cometer. E pensar que muitos outros atos cruéis e desumanos são cometidos todos os dias, não muito longe de nós, alguns mais, outros menos evidentes.

Depois da visita do primeiro campo, fomos até Birkenau. A paisagem é desoladora. 

Em um terreno umido e sem nenhum abrigo do vento, o trem entrava diretamente no campo. Mais de 1000 prisioneiros poderiam chegar em cada grupo, e ali descendo eles eram selecionados pelo Dr. Mengele ou um de seus assistentes.
Entrada de Birkenau

Alguns eram selecionados para trabalhar, outros para experiências, enquanto outros, as vezes 900 (dos mil que chegaram) eram enviados diretamente às câmaras de gás, em grande parte mulheres, crianças e idosos. 5 mil podiam ser executados e incinerados por dia. Claro que ninguém dizia que eles seriam executados, mas que teriam que passar por uma sala de desinfecção, e existiam mesmo falsas duchas para enganá-los. 
Nesse campo os galpões eram de madeira, no total mais de 300, espalhados de forma geométrica, e das torres de controle se tinha uma visão geral do campo. Himmler, o chefe da SS que ordenou a construção do campo e decidiu fazer dele um local de exterminação em massa sabia o que estava fazendo: ele possuia um abatedouro de frangos antes da Segunda Guerra.

As latrinas de passagem coletiva, onde até mesmo o tempo era cronometrado nos mostra um pouquinho as condições inumanas. 

Se durante a visita do primeiro campo eu consegui me sentir "normal", foi em Birkenau que eu senti permanenetemente um frio na espinha, a garganta apertada, um mal-estar horrivel e só conseguia pensar em ir embora. As distâncias são enormes, e mesmo na hora de sair, o tempo necessário para caminhar até os portões parecia uma eternidade, e a gente se dá conta que os prisioneiros realmente não tinham nenhuma chance

A visita é realmente muito triste, mas eu considero fundamental pois não podemos esquecer esses crimes que foram cometidos há nem tanto tempo atrás. Além disso, nem sempre as pessoas conseguem ter uma idéia do que realmente se passou naquela época. Infelizmente o mundo nunca foi Disneyland e não podemos fechar os olhos para o que se passa ou se passou ao nosso redor. 

Não podemos esquecer que muitos desses criminosos terminaram suas vidas em liberdade, como um dos principais: o Dr. Mengele, que viveu no Brasil após a Guerra em completa liberdade e morreu em 1979.

Achei muito marcante essa esse texto que encontrei por la:

"Quando vieram buscar os comunistas, eu não fiz nada, pois não era comunista;
Quando vieram buscar os socialistas, eu não fiz nada, não era socialista;
Quando vieram buscar os judeus, eu não fiz nada pois não era judeu;
O mesmo aconteceu quando vieram buscar os ciganos, homossexuais, e todos os outros;
Quando vieram me buscar, ninguém pôde fazer nada. Não tinha sobrado mais ninguém."

Informações praticas:

Fomos de ônibus saindo da estação central (estação de ônibus ao lado da estação de trem). O trajeto custava 14zl (pagos diretamente ao motorista) e durou 1h30, nos deixando na entrada de Auschwitz. Realizamos a visita livre e gratuita (entre abril e outubro as visitas devem ser guiadas e custa 40zl). Existe uma cafeteria no local e banheiro (pago: 1,50 zl). 

Um ônibus gratuito leva os visitantes até Birkenau, à 3km de la, a cada 15 minutos. Não aconselho ir à pé pois o caminho inclui uma auto-estrada e um viaduto, não muito agradavel de caminhar, ainda mais no inverno, com neblina e visibilidade baixa.

Para o retorno basta seguir as instruções no sentido inverso.

Excursões são organizadas saindo de Cracóvia e buscando e direto no hotel, à partir de 99zl (79zl para estudantes, não conheço os detalhes). Eles buscam no hotel às 10h e retorno previsto às 17h. Cuidado! No serviço de turismo nos aconselharam a tomar cuidado e escolher excursões oficiais, pois muitas empresas não oferecem nenhuma segurança, existe muita desonestidade segundo a funcionaria. 

A maioria recomenda a visita guiada, mas eu acho legal somente se você entender muito bem a língua do guia (acho que não tem em português e no dia em que fui não tinha mais vaga em francês, a maioria sendo em inglês). Particularmente não gosto de um guia falando horas e horas sem parar, prefiro ler e usar o tempo para pensar, é uma preferência bem pessoal. 

quinta-feira, 3 de março de 2016

36 com Serenidade

Já me criticaram muito me chamando de "deslumbrada" como se fosse algo ruim ou negativo se deixar encantar pelo que a vida tem a oferecer...

março de 2016
Mas quer saber?
Me sinto muito feliz em completar 36 anos e ainda me "deslumbrar" com algum lugar que visito, pode ser o distante Japão, ou mais uma cidade francesa aqui pertinho, cada um tem seu charme e seus atrativos.
Nancy, França, fevereiro de 2016

Ainda consigo me emocionar com uma obra de arte, pode ser ver de perto a "Dama com Arminho", do Leonardo da Vinci, milhares de vezes vista nos livros e documentários, pode ser descobrir um novo artista que até então nunca tinha ouvido falar, como foi "entrar" na obra da artista japonesa Yayoi KUSAMA.

2016

Fico muito feliz (a balança menos) de provar uma nova comida ou sabor, ou de comer pela milésima vez algo que eu gosto.

Pode ser em passear com o meu marido, e apesar dos anos que passamos juntos (já se foram 7) sentir a mesma alegria dos primeiros encontros.


Levo uma vida simples, sem muitos luxos para os padrões de onde eu vivo, trabalho bastante, e só tenho a agradecer por nunca me faltar nada, nunca me entediar e sempre ir dormir com a sensação de que aquele dia, por mais que tenha sido ordinário, valeu a pena ter sido vivido.