sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Como evitar a fadiga de inverno e falta de ânimo

Aqui na Europa estamos nos aproximando de um longo inverno, com dias curtos, noites longas, neblina, chuva e/ou neve. 
Si os europeus já sofrem com isso, imaginem os brasileiros?

Muita gente adora o outono e as suas cores, mas para mim, assim como para uma boa parte dos franceses, o mês de novembro (pleno outono!) é um dos mais críticos, com seus dias cinzentos e curtos.


O cansaço parece permanente, é difícil sair da cama pela manhã e falta motivação para realizar as tarefas e demais atividades que antes fazíamos com dedicação e/ou prazer.
Esse cansaço é normal segundo os especialistas, mas é melhor prevenir para evitar que ele prejudique outras esferas da nossa vida (atividades sociais, trabalho, família). E toda atenção é pouca, pois muitas pessoas sofrem realmente de depressão sazonal.

Entendendo o fenômeno para agir sobre ele:

Luminosidade:
O principal responsável desse estado é a falta de luminosidade, já que os dias são curtos e o sol desaparece às 17h (ou antes), isso quando ele deu as caras... A luz bloqueia a secreção de melatonina, que essa provoca a vontade de dormir. Esses dias escuros atrapalham a produção da serotonina (um hormônio ligado à sensação de bem-estar e saciedade) e a luz solar tem um papel muito importante na ativação da vitamina D (que auxilia a produção de serotonina, por sua vez) . 
O jeito é captar o máximo de luminosidade, como abrir as persianas desde cedo para deixar entrar o dia (mesmo nublado), caminhar ao ar livre (evitar os transportes escuros que nunca veem a luz do dia, como o metrô), passeios aos finais de semana em lugares abertos.
Para os casos mais "graves", existe a luminoterapia, umas lâmpadas específicas que podemos comprar e instalar em casa para suprir essa falta de luminosidade externa.
Se no outono as cores são relativamente quentes (como na imagem à esquerda), nos dias cinzentos o que vemos é a imagem à direita. Ou seja, até mesmo a imagem que os olhos vêem depende da luminosidade.

Repouso:
Com os ataques de frio, o corpo precisa realmente descansar, porém é necessário respeitar um ritmo regular e evitar de ir dormir muito cedo. Não adianta nada dormir às 20h e acordar no dia seguinte às 8h da manhã, mesmo se já escureceu faz tempo. O corpo não precisa de 12 horas de sono e acordamos ainda mais cansados. Se bater um cansaço durante o dia, a soneca pode ser uma boa alternativa (se compatível com as atividades diárias), mas nunca deve ser LONGA, par não entrarmos no sono profundo, pois nesse caso a sensação será ainda pior ao acordar.

Atividade física:
Com os dias frios e cinzentos temos tendência a abandonar o esporte, o que é um enorme erro. O corpo precisa de movimento de forma regular e é isso que vai garantir a estimulação da sua tonicidade e melhorar a qualidade do sono. Ou seja, o corpo precisa "cansar" de forma positiva, por estímulos físicos e mentais, e não por falta deles. 
Lembrando que o esporte é um excelente anti-depressivo pois ajuda a produzir endorfinas e dopaminas, os neurotransmissores do prazer. Se é difícil praticar atividades esportivas ao ar livre devido às condições climáticas, aqui existem as piscinas municipais e as academias, que são bem quentinhas!


Alimentação:
Um outro erro é substituir os pratos leves por pratos bem pesados, ditos "de inverno". Não vamos abusar (olha quem falando, mas eu tento!) e usar a desculpa do frio para negligenciar uma alimentação equilibrada. 

Frutas e legumes frescos
Para enfrentar um inverno rigoroso o corpo precisa de alimentos ricos em ferro (a carne vermelha é uma das principais fontes), em vitamina C (legumes verdes, salsa e frutas cítricas), vitamina D (leites e derivados) e magnésio (frutos do mar, nozes, banana).

 Que tal um delicioso suco de laranja, cenoura e gengibre?


Prontos para enfrentar o outono-inverno?



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Templo de Edfu

Edfu é uma cidade às margens do Nilo entre Luxor e Assuã cuja celebridade se deve ao magnífico Templo de Hórus, protetor direto do Farao, um dos santuários mais bem conservados do Egito. A localidade é bem pobre e vive do turismo e da agricultura. Não tivemos muita escolha e esse foi o nosso meio de transporte até o templo:
Em Edfu os vendedores são ainda mais agressivos que em outras localidades no Alto Egito, então melhor evitar de ficar passeando no meio da multidão, ou em uma manhã inteira você não conseguirá andar 300 metros.

Construído em 237 a.C., esteve durante séculos coberto de areia, por isso o excelente estado, ao contrário do Templo de Karnak, que foi encontrado em péssimas condições e praticamente não tinha nenhuma parede em pé! 
Trata-se de um templo jovem (somente pouco mais de 2 mil anos), uma cópia da arquitetura antiga, que já estava ultrapassada na época. Mas foi devido a ele que foi possível aos arqueólogos e historiadores de preencher diversas lacunas presentes até então. 
E o Deus Falcão Hórus está presente em cada detalhe!

 
 Nos muros estão gravados os rituais, cerimônias e costumes do Egito Antigo.

 Porém houve muito degradação, sobretudo nas paredes externas, aparentemente pelos coptas. Principalmente os rostos dos personagens foram destruídos.
A deusa Hátor, sua esposa, é representada 365 para preservar o templo das influências nefastas todos os dias do ano. Ela é representada tanto com a sua forma humana (e com chifres), ou na sua forma animal, a de uma vaca divina (daí os cornos, não pensem bobagem!)


Nas salas mais escuras, quando estamos sozinhos, até podemos sentir uma parte desse mistério dos ritos antigos.

Seus pilones principais se elevam à 36 metros de altura!



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Comer bem em Nápoles

Em Nápoles, os locais costumam jantar tarde, não antes de 21h, e no hotel me falaram que aos sábados ainda mais tarde. Isso quer dizer que para se misturar com os napolitanos melhor jantar mais tarde, ou então chegar cedo para ter certeza de ser atendido rapidamente.

A cidade não chega a ser extremamente turística, então a maioria dos restaurantes conta com uma clientela local ou então sobretudo italiana. Isso significa que nem sempre existe um cardápio ou preços visíveis...

Pizzarias imperdíveis:

Da Michele
Considerada a "Meca" da Pizza, uma verdadeira instituição, fundada em 1870 e que passa de pai para filho.
Ali podemos pedir somente 2 tipos de pizzas: a margherita e a marinara (com alho), uma mais suculenta do que a outra.
Não é possível reservar, temos que chegar, pegar um ticket com o atendente que fica na porta fazendo só isso. Sempre tem gente, mas como o serviço é rápido, significa que rapidamente teremos uma mesa (provavelmente compartilhada com outros).

Outro detalhe: é ali que Julia Roberts aparece no filme "Comer, Rezar e Amar" (se o título não é esse no Brasil, corrijam-me), que eu adoro!!!

As opções são de pizza normal (4€), grande (4,50€) ou extra (5€). Os dois casais de italianos ao nosso lado encomendaram a normal, então fiquei com vergonha e encomendei a mesma coisa. E o resultado foi esse:



Endereço:
Via Cesare Sersale 1. Não muito longe da Via dei Tribunali (mas quando ela se aproxima da estação de trem).
Fecha aos domingos.

Port'Alba
Considerada a mais antiga pizzaria do mundo, foi fundada em 1738.
Chegamos cedo pois estávamos saindo do Museu Arqueológico e ela ficava no nosso caminho (e tem a vantagem de abrir aos domingos), então não tivemos que esperar, mas quando saímos já estava bem cheia.
Ali as opções de pizzas são muitas, assim como massas e outros pratos.



Endereço:
Via Port'Alba 18, uma rua de pedestres cheia de sebos. Abre aos domingos.

Outras pizzarias famosas:
Di Matteo (na Via dei Tribunali), igualmente muito famosa e considerada muito boa. Ficou ainda mais famosa quando Bill Clinton esteve ali durante um G7.
Sorbillo e Decumani, igualmente na via dei Tribunali, que fazem igualmente sucesso.

Trattoria da Nenella



Um lugar mítico e bem animado que desde 1949 não fica vazio nunca. Ao chegar temos que dar o nome e o atendente nos chama pelo nome assim que uma mesa se libera. Parece que eles trabalham ali na maior festa.
Entretanto, o cardápio é apenas em italiano (que eu entendo), mas não tem preço!!!

Pedimos uma grande salada, um prato de massa aos 4 queijos e anchovas fritas, uma grande água mineral  e tudo veio certinho. Mas na hora de pagar... Um dos garçons fala ao senhor que fica na porta o que tínhamos pedido e ele nos diz 20€. Bom, achamos um pouco estranho, assim 20€ redondinhos... Muita coincidência!


Endereço:
Vico Lungo Teatro 103-105, no bairro espanhol. Mesmo se essa trattoria fica escondida em uma ruazinha, podemos descobrir facilmente pela quantidade de gente esperando na frente e a movimentação. Fecha aos domingos.

Vontade de adoçar a vida? Opções não faltam em Nápoles:

Apesar do Sfogliatella ser o doce de Napoli, fiquei fã do Baba, tão molhadinho e macio, ainda mais com chantilly e moranguinhos!

 E como ir à Italia sem tomar um sorvete?

Ou um café? Aqui ele é servido bem forte. O chocolate é bem cremoso, quase como um verdadeiro "creme". E o croissant italiano normalmente é recheado... e dos recheiros prefiro com creme de confeiteiro.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Le Chardenoux, de Cyril Lignac

Cyril Lignac é um dos grandes nomes da nova geração da gastronomia francesa e é considerado o "chef" preferido dos franceses há alguns anos. Atualmente ele conta com um restaurante gastronômico (Le Quinzième, com uma estrela pelo guia Michelin) em Paris e dois bistrots (restautante mais simples).
Semana passada estive no seu bistrot Le Chardenoux, cujo local por si só merece uma visita por estar inscrito aos Monumentos Históricos. Trata-se de um antigo bistrot aberto em 1908. Ali Cyril Lignac retoma as raízes da culinária francesa e atualiza receitas tradicionais do interior dando um toque de modernidade. Ou seja, uma cozinha simples e autêntica.

Os muros são decorados de espelhos, o teto é trabalhado, e o espaço é dividido entre "bar" e a sala mais íntima.

O bar é todo trabalhado em 14 tipos diferentes de mármore, espetacular.

Podemos escolher à la carte (individualmente no cardápio), ou no almoço optar por um menu simples e de preço bem acessível:
 As entradas do menu:
A salada
 A sopa

Os pratos:
 O peixe (lieu jaune)
A carne de porco (servida em cocotte com macarrão)

Desta vez preferimos não pedir sobremesa e atravessar a rua para escolhermos nosso doce na pâtisserie do mesmo Cyril Lignac!
Vale lembrar que no início da sua carreira ele trabalhou com o famoso pâtissier francês Pierre Hermé, então ele entende do assunto!


Os pratos são deliciosos, sempre com um gostinho surpreendente. Os doces então, o quê dizer?

O único inconveniente foi que achamos o atendimento um tanto frio... Eficaz, mas distante, se vocês entendem o que quero dizer. Os dois atendentes vestidos com seus ternos modernos e de qualidade tinham um ar branché, diferente do que geralmente esperamos de um bistrot.

Escolhemos o Le Chardenoux que fica entre a estação de metrô Charonne e Faidherbe-Chaligny, no 11º arrondissement de Paris, uma região bem pouco explorada pelos turistas.
Mas para quem prefere locais mais turísticos, existe o equivalente, com a mesma cozinha: Le Chardenoux des Près, no famoso bairro St Germain (metrô St Germain des Près), no 6º arrondissement.