terça-feira, 15 de outubro de 2013

Le Chalet Savoyard ou para quem gosta de queijos

Já comentei por aqui de um prato muito apreciado no inverno francês: a raclette. Se incialmente a origem é suiça, há muito tempo ele foi se afrancesando e se incorporando nas mesas francesas.

Nada mais simples: queijo derretido que colocamos sobre batatas e presuntos. Para muitos brasileiros pode parecer estranho, mas além dos franceses apreciarem queijos e presuntos, eles adoram esse tipo de comida que é bem convivial e que não exige muito tempo de preparação. O anfitrião não passa o dia inteiro na cozinha, e sim um bom momento na mesa com os convidados. Acompanhado de conservas (pepino, cebola, etc).

Se existem uns aparelhos simples e queijos próprios para isso vendidos em fatias no supermercado, para mim nada substitui uma verdadeira raclette tradicional, com queijo de verdade, que é assim:

 A metade de um queijo enorme é inserida nesse aparelho e um dos lados vai aquecendo (resistência elétrica), derretendo o queijo.
Os queijos utilizados são os das regiões das montanhas. 
  Um dos tradicionais é a "tomme de montagne", esse que aparece à esquerda, com a casca "envelhecida" e o outro é ao laite cru (lait cru), à direita. Ambos têm sabor relativamente leve.

 Um casal de amigos preferiu o queijo defumado (esquerda), que é muito bom mas é forte para o meu paladar, não dá para comer muito. Um outro escolheu o morbier, esse queijo com uma linha "verde/azul" no meio.
 
Esses restaurantes ficam lotados no inverno, mas da última vez que fomos o tempo estava ameno, não tinha muito gente às 19h, mas meia hora depois estava lotado!

Gosta de queijo? Com o friozinho chegando por aqui, não deixe de fazer uma boquinha!

P.S.: o único problema desse tipo de refeição é que no início estamos super-felizes e animados, mas no final bate uma tristeza... Ainda mais quando saindo do restaurante me deparo com essa publicidade: não é comendo raclette que terei esse corpinho! :(

Le Chalet Savoyard 
58 rue de Charonne – 75011
Metrô: Ledru-Rolin ou Charonne

Para quem passa por Annecy ou Chambery, excelentes raclettes por lá!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A Cidade Real de Senlis

A 40 km de Paris, Senlis é uma cidadezinha de cerca de 20 mil habitantes perfeita para ser visitada por quem gosta de arte e história. 

No interior de seus muros galo-romanos predomina uma arquitetura medieval, Renascença e séculos XVII-XVIII.

 Apesar de ter sofrido graves danos durante a invasão alemã (2ª Guerra Mundial), Senlis continua em pé, bela e formosa.
Ao longo dos séculos ela viu desfilar pelas suas ruas pitorescas: Hugues Capet (rei dos Francs), Saint Louis, Marechal Foch (figura importante para a França na 1ª Guerra Mundial), Anne de Kiev e Séraphine de Senlis (artista, 1864-1942), entre outros personagens. 



Vestígios do Castelo Real. Hugues Capet, o primeiro Rei dos "Francs" foi consagrado em 987 no local.



Catedral Notre Dame (séculos XII-XVI)

 Vista do Parc du palais royal
 Vista dos jardins (e museu de arte e arqueologia)
 Vista do outro lado
Uma das portas (uma parte da catedral está em reformas)

Prieuré de St -Maurice fundado por São Luís em 1262.

Jardin du Roy, com a muralha galo-romana erguida no século III.

 Um passeio agradável ao longo da muralha e do riacho Nonette.

A construção da Abadia de São Vicente (assim como a igreja) foi ordenada em 1065 por Anne de Kiev, viúva de Henri 1º. O local serviu como hospital militar, caserna, fábrica de fios. Atualmente é um liceu particular, mas é possível entrar no pátio e certas dependências para visitar.


Vistas internas (acima) e externa (abaixo)

Entre os séculos XVII e XVIII diversas residências de luxo foram construídas, algumas munumentais:




Alguma dúvida de que Senlis merece uma visitinha?

sábado, 5 de outubro de 2013

Solitude em Paris

Quando você vê uma pessoa sentada em um banco de jardim LENDO um livro, o que você pensa?

(a) Trata-se de uma funcionária de Informações Turísticas de plantão, vou correndo pedir uma informação!

(b) Ela deve estar louca para jogar conversa fora!

(c) Ela não está fazendo NADA, vamos ocupá-la tirando fotos.

(d) Não vou incomodar quem está concentrado na sua leitura.


Ontem tive a tarde de folga e decidi ler um livro em uma linda paisagem de Paris. Não queria ficar trancada em casa.

Mas de posse do meu livro, em duas horas não consegui ler nem mesmo 30 páginas, sendo interrompida:

- 22 vezes com perguntas do tipo: Where is the Eiffel Tower? Notre-Dame? Boulevard St-Michel? Louvre Museum?

- Fui solicitada 18 vezes a fotografar os turistas.

- 5 pessoas se aproximaram para falar da vida e perguntar o que eu estava lendo.

- 2 pessoas se sentaram ao meu lado para melhor falar ao telefone alto em uma língua estrangeira (#frustrada por além de ser perturbada, não conseguir entender a conversa!!!)

- E de quebra, ainda fui chamada para participar de um documentário para um canal da TV Angolana...


Impossível ter um pouco de paz em Paris! 
Quando eu conseguir concluir a minha leitura venho contar para vocês as minhas impressões!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pelas ruas de Liverpool

Cinza e decadente? Liverpool não é nada disso!!!


Uma réplica do Superlambanana (mas na verdade é para ser um cordeiro-banana!!!). O verdadeiro (amarelo e maior)  foi concebido pelo artista japonês Taro Chiezo, falando da história dos docks da cidade, onde ovinos e bananas eram carga recorrente, e dos perigos da engenharia genética. 
Podemos ver essas criaturinhas espalhadas por todos os cantos.

Basta dar uma voltinha pela cidade para percebemos seu renascimento: seu cais do porto reabilitado e fazendo parte do patrimônio da Unesco (desde 2004).

Uma cidade  na qual a modernidade arquitetural soube perfeitamente se integrar ao que já estava presente. Passado, presente e futuro andando juntos!

Albert Dock (Cais do Porto)
Inaugurado em 1846, hoje  é patrimônio cultural. Pela primeira vez em um cais de porto se utilizou tijolos, pedras e metais para proteger dos ventos glaciais. A partir da Segunda Guerra esse complexo foi sendo progressivamente abandonado, sendo reabilitado nos anos 80. Atualmente ele abriga diversos museus, lojas, restaurantes e hotéis. 

Flanando pelas ruas de Liverpool





 Rainha Vitória representada em amazona

Igreja Anglicana de Liverpool
Apesa de seu estilo gótico e suas dimensões gigantescas, a obra é recente! A Igreja começou a ser construída em 1904 e foi consagrada em 1978. Eh é maior catedral anglicana do Reino Unido e uma das maiores do mundo. 





Catedral Metropolitana (católica, finalizada em 1967)
Por fora ela não me atraia em nada e até me pareceu com a Catedral de Brasília. Mas olhando de perto, e ainda mais por dentro, realmente ela surpreende pela atmosfera que emana dela e o quanto na verdade ela é enorme!

Ela se eleva a 88 metros de altura através da sua "coroa de espinhos"

 St John's Gardens

Liverpool também conta com uma vida noturna das mais animadas e um dinamismo cultural incrível, mas isso é assunto para uma próxima leitura!

Adorei e recomendo para quem quer conhecer um pouco mais da Grã-Bretanha!