sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nepal, no teto do mundo

Costumo falar aqui no blog somente dos lugares que visitei pessoalmente, mas ouvi falar que os brasileiros estão se interessando ultimamente pelo Nepal, e resolvi abrir uma exceção. Desta vez vou falar de uma viagem que o marido fez a esse país fantástico antes de nos conhecermos.
Convido a todos a descobrir o Nepal através do olhar dele:

O Nepal se estende pela cordilheira do Himalaia e de lá podemos atingir 8 das 10 montanhas mais altas do mundo. Trata-se do primeiro país do mundo em altitude.
Situado ao nordeste da India e sudoeste da China (mais especificamente ao sul do Tibet), teve um papel importante de intermediário entre os dois países, mas também foi porta de entrada para as invasões.

Seu roteiro incluiu: Vale do Katmandu, Patan, Pokhara e Bhaktapur (onde ele visitou uma grande escola de pinturas especializada em tangka), diversas trilhas pelas montanhas (proximo à Pokhara e Annapurna) e cidadezinhas menores.

Stupa de Bodhnath
 
Macaquinhos se sentem em casa nos templos
Máscaras e mais máscaras!
 Festividades para todos os lados, todos os dias


O templo pagoda newar de Nyatapola em Bhaktapur e os moinhos de orações.

A maioria dos visitantes se interessam pelas montanhas (Evereste, que marca a fronteira com o Tibet, e Annapurna, principalmente), mas segundo o nosso ponto de vista, quem não busca descobrir a população, seus modos de vida e seu ambiente natural passa ao lado da essência do país. 

Apesar de ser um país pequeno, existe uma grande diversidade de etnias.

 Ainda segundo o maridão, os brasileiros que o perdoem, mas ele ainda não encontrou povo mais gentil que os nepaleses. Um povo que vive muitas adversidades e que apesar das dificuldades faz tudo o que pode para ajudar (o turista), e se não consegue ajudar se sente muito culpado. Sem contar essa espiritualidade incrível que a gente não "sente" em nenhum outro lugar do mundo além da Asia.


Sherpa é um grupo étnico oriundo do Tibet e que vive em alta altitude, renomado pela sua habilidade, força e lealdade. Porém esse nome ficou muito conhecido no decorrer do século XX como sinônimo dos guias (de alpinismo e treking) das montanhas. Nem todos os guias "sherpas" são de etnia Sherpa. Esses acima caminhavam o dia inteiro com 55 quilos nas costas, comendo apenas arroz e bolinho de arroz. Sylvain queria carregar ele mesmo a sua mochila, mas eles não aceitam de jeito nenhum, pois isso representa menos emprego.

O sinal acima à direita não tem o mesmo significado que teve na Segunda Guerra Mundial. Trata-se da Svastika, que simboliza a eternidade. Para os nepaleses trata-se de um símbolo de alegria, em nada ligado ao racismo. Na India e no Tibet o sentido é parecido, sempre positivo. 

Bom preparar o corpo e o espírito para essa viagem... Da qual com certeza você não volta o mesmo!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Cake Thé, Delícias de Bourges

Quando estivemos no ano passado na simpática cidade de Bourges, na França, no sábado à noite nos aventuramos por umas ruazinhas perto dos antigos muros da cidade e nos deparamos com o que parecia ser um adorável  "Salon de Thé" (Salão de Chá), infelizmente fechado naquele momento. 


Mas porque o local me chamou a atenção?
Primeiro porque ele não estava em nenhuma rua animada, e se "funciona" é porque os clientes são atraídos de outra forma (não são simplesmente clientes de passagem).
Segundo porque vimos pelos cartazes colados em frente que o local foi selecionado por diversos anos consecutivos pelos famosos guias de viagem franceses Le Routard e Le Petit Futé, sendo que praticamente nenhum francês interessado em história, arquitetura e bons endereços não viaja sem o primeiro deles. Geralmente essa indicação é coisa séria!
Então decidimos que não poderíamos ir embora sem passarmos para o "café da tarde" no domingo, quando abre das 15h às 18h.
 Localizada em uma antiga construção do século XIV, o local lembra a casa da vovó (não a minha!), com objetos espalhados para todos os lados, quadros, luminárias...

Se as pessoas vem durante o almoço para apreciar seus pratos salgados, à tarde a festa é ao redor de seus bolos caseiros, acompanhados de creme inglês ou chantilly. Para os mais gourmands, imperdível o chocolate quente à moda antiga, e para os mais "conscientes", uma excelente escolha de chás de excelente qualidade.


Tudo é delicioso, e o atendimento é ótimo, feito pela própria proprietária que é apaixonada pelo que faz. Bom chegar cedo ou reservar pois o local fica lotado (não tinhamos reservado e compartilhamos a mesa com duas senhoras).
Cake Thé
74 bis, rue Bourbonnoux
18000 BOURGES

domingo, 8 de setembro de 2013

Une journée à la parisienne*

Aqui em casa adoramos tirar o dia para bater perna em Paris, mas temos as nossas responsabilidades no dia a dia, então nem sempre podemos fazer isso sem que seja na correria. Geralmente tentamos aproveitar após o trabalho, antes ou depois de encontrar os amigos, e muitas vezes estamos fora passeando. Porém moramos na região porque gostamos e curtimos muito a vie à la parisienne* (vida que levam os parisienses).

Neste final de semana resolvemos ficar na cidade tiramos o dia só para passear!

O sábado começou acordando tarde e com uma visita à mediateca em frente à nossa casa. De lá seguimos para o Marché aux Puces (mercado das pulgas) de St-Ouen (ou conhecido como marché de Clignancourt). Esse "mercado" tem duas partes bem distintas, uma delas eu adoro e a outra eu odeio.

Uma delas é o tradicional mercado de antiguidades, onde podemos encontrar de tudo, desde móveis de diferentes épocas (normalmente em excelente estado), esculturas, telas, molduras, bibelôs, jóias... De tudo para decorar a casa e as pessoas de gostos tão diferentes, mas com dinheiro no bolso, já que comprar coisas de outras épocas não é nada barato.

Os comerciantes do setor comentam que as novas gerações não gostam de nada que seja "antigo", não se interessam pelo trabalho artesanal, a qualidade das matérias-primas, e preferem uma decoração clean e moderna estilo IKEA, mas que felizmente eles encontram uma clientela internacional que aprecia esses objetos repletos de história e frutos de muito trabalho e criação, como alguns povos asiáticos, do Oriente Médio e alguns americanos, russos e brasileiros afortunados.

A outra parte é a feira ao ar livre que na verdade é um grande camelódromo e cos "vendedores" ambulantes de falsificações de grandes marcas.

Qual delas eu adoro?
Acertou quem pensou na primeira opção. Na verdade são 15 mercados reagrupados no mesmo bairro: Serpette (o mais seletivo, referência internacional em antiguidades "preciosas"),  Vernaison (o mais antigo, onde tudo começou), Paul Bert, Antica, Biron, Cambo, Dauphine, Django Reinhardt, Jules Vallès, le Passage, Malassis, Malik, l'Entrepôt, des Rues et Brocantes  et L'Usine & Lécuyer (somente para professionais, trabalha com exportações em grande quantidade). Ou seja, são centenas e centenas de lojas et stands. Adoro passear por esse ambiente único que reúne antiquários, criadores, artistas, artesãos, restauradores et marchands, conversar com eles, encher os olhos, pois comprar já não quer dizer que eu possa, primeiro porque falta o dindim e segundo porque temos que escolher bem, já que o nosso apartamento é pequeno e não dá para ficar enchendo de coisas! 

Acabamos encontrando uma vendedora de antiguidades que fez questão de nos mostrar mais de 100 peças da sua coleção de estampas japonesas, explicando cada detalhe e acabamos sucumbindo a uma peça de 1891 do artista Chikanobu.
Depois fomos almoçar em um restaurante branché que fica ao lado da entrada do marché Serpette: Ma Cocotte, do qual eu já tinha falado aqui.

Ambiente sempre agradável, clientela e funcionários com ares alegres e sorridentes e desta vez optamos pelo Fish & Chips, já que estávamos com um espírito Notting Hill.

Deixamos para comer a sobremesa mais tarde, no meu "sorveteiro" preferido: Berthillon, na Île de Saint Louis, do qual também já falei aqui. Os sorvetes são de fabricação artesanal, sem colorantes nem conservantes e os sabores mudam de acordo com as estações... Não resisto ao chatilly caseiro, seja ele normal ou de morango.
Essa foto foi da penúltiva vez, hoje começou a derreter e não tive tempo de fotografar!

Acabei não resisti e dei uma passadinha na loja "Première Pression Provence", que vende excelentes azeites de oliva do sul da França e diversos outros produtos da região, tudo de qualidade de primeiríssima! Há anos sou fã da marca e fui me reabastecer em vinagre de framboesa. As saladas ficam fabulosas! 
 Vou testar também o de figo e depois conto para vocês!

Precisei dar uma passadinha nas redondezas do Opéra Garnier e acabei entrando na lojinha (podemos ver uma parte do "Opera" da loja). Se o Opera Garnier foi construído mais tarde (1875), a sua Escola de Dança foi criada na época do rei Luís XIV e comemora agora em 2013 seus 300 anos, sendo a mais antiga escola de dança do mundo ocidental.

 Não danço nada mas sou fascinada por esse universo e se um dia tiver uma filha, gostaria muito que ela tivesse aulas de ballet. Mas é claro que o mundo também precisa de bons dançarinOs.

 As crianças que ali iniciam seus primeiros passos são chamadas de "petits rats de l'Opéra", que quer literalmente dizer "ratinhos". 


Dali lembramos que tínhamos que comprr um presente para um bebê e pensamos direto na loja Nature & Decouvertes. Difícil explicar o conceito da loja, mas ali encontramos diversos artigos para o bem estar, tudo de qualidade, respeitando a natureza. Eles tem toda uma linha fofa para bebês e crianças para despertar os sentidos, ensinar e tudo é muito fofo. Dúvida cruel entre essas duas ovelhinhas:
Impossível tomar uma decisão e tivemos que apelar aos universitários ao vendedor. Qual deles vocês me aconselhariam?

Os dias por aqui passam rápido, levamos uma vida normal, só muda o endereço.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Le Mans, 1700 anos de arquitetura e história

Não é a primeira vez que visito a cidade francesa de Le Mans. Aproveito as reuniões familiares para conhecer melhor as suas ruas, arquitetura e gastronomia. 

Desta vez fui explorar melhor uma parte da Cité Plantagenêt, que da última vez não foi possível fotografar pois a disposição do sol não ajudou. 
 Como é a parte mais antiga de Le Mans (medieval), reagrupando mais de 1700 anos de história e arquitetura, é a minha preferida!!!
 A muralha do período galo-romano é construída nesses tons de vermelho, e no século XVII fez dela uma das 4 "cidades vermelhas" do reino na França, junto com Bourges, Lyon e Limoges (que já visitei e ainda não consegui mostrar para vocês).


A cidade antiga fica em uma "colina" às margens do rio Sarthe
 Melhor levar um relógio para não perder a noção do tempo... Ou esqueça, justamente para perder a noção do tempo! 


 A Cité Plantagenêt é formada de ruelas, muitas delas classificadas como monumento histórico.
Esse desenho é de 1854... e pouca coisa mudou nesse cenário desde então.

 São mais de 100 casas de "pans de bois" (com essas estruturas de madeira), sendo as mais antigas do final do século XIV. Trata-se de uma herança dos gauleses, que construíam de forma semelhante. Mas no meio de tudo isso, os traços ou arquiteturas da Renascença não passam desapercebidos, já que floresceu muito na cidade.

Desta vez aproveitei para visitar o Jardim de Plantas, composto do jardim francês (mais "organizado" e simétrico) e o jardim inglês (uma natureza mais na sua forma selvagem). Mas não tivemos sorte e o mesmo estava em reformas, então não estava muito "bonito", com exceção de algumas partes isoladas.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

La Marée, restaurante de frutos do mar em Paris

O restaurante La Marée é muito reputado na capital francesa no que diz respeito a frutos do mar. A decoração é refinada e cosy, os pratos bem frescos e de qualidade.

Os preços variam muito, mas o restaurante é de uma forma geral considerado caro para os parisienses. Desta forma, a clientela é gente que vive em um outro patamar de luxo, diferente do meu, e algumas pessoas podem achá-los um pouco esnobes e pedantes. O restaurante fica não muito longe do Arco do Triunfo, então pode atrair uma clientela de estrangeiros, mas não exatamente o turista que anda de tênis e pega metrô com uma câmera fotográfica pendurada no pescoço. 

Bom, nossa carteira não estava tão recheada para pedirmos lagosta e outros pratos custosos, então optamos por um cardápio básico. Vale lembrar que os produtos são frescos e as opções podem mudar diariamente, de acordo com os produtos encontrados no dia.

Pelo que percebemos a maioria dos clientes pedia ostras como entrada, mas nem Sylvain nem eu curtimos. Eu fiquei com as sardinhas e ele preferiu a sopa de peixe, um clássico da culinária francesa que ele nunca tinha tido a oportunidade de me fazer descobrir.



Como prato, ambos escolhemos um peixe que em francês se chama "rascasse" (scorpion fish), relativamente raro e caro nos restaurantes daqui. Boa parte dos clientes optava pelo Saint Pierre (John Dorry fish), pelo Homard (lobster, da família da lagosta), mas o Bar (seabass), o Turbot e a Sole também faziam sucesso.

Em relação à sobremesa não podemos avaliar a qualidade, pois eu não estava com vontade de comer doces e optei por um assortimento de queijos (que esqueci de fotografar) e Sylvain me surpreendeu pedindo abacaxi fresco (?!?). Ele disse que já tinha comido muito doce naquele dia e que queria terminar a refeição de forma mais leve.
 Sobre os vinhos, já comentei muitas vezes que meu marido não bebe nada alcoólico, então quando vamos apenas os dois ao restaurante não pedimos vinho, já que seria um disperdício (eu que bebo uma módica taça), mas segundo os comentários, os vinhos seriam de boa qualidade, porém caros. Ficamos com nossa água mineral preferida e nunca nos decepcionamos!

Restaurante La Marée
Situado no ângulo das ruas: 258 rue du faubourg Saint-Honoré et 1 rue Daru, 75008 PARIS
Metro : Linha 1 "Etoile" ou Linha 2 "Ternes" - www.lamaree.fr