segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Le Mans, 1700 anos de arquitetura e história

Não é a primeira vez que visito a cidade francesa de Le Mans. Aproveito as reuniões familiares para conhecer melhor as suas ruas, arquitetura e gastronomia. 

Desta vez fui explorar melhor uma parte da Cité Plantagenêt, que da última vez não foi possível fotografar pois a disposição do sol não ajudou. 
 Como é a parte mais antiga de Le Mans (medieval), reagrupando mais de 1700 anos de história e arquitetura, é a minha preferida!!!
 A muralha do período galo-romano é construída nesses tons de vermelho, e no século XVII fez dela uma das 4 "cidades vermelhas" do reino na França, junto com Bourges, Lyon e Limoges (que já visitei e ainda não consegui mostrar para vocês).


A cidade antiga fica em uma "colina" às margens do rio Sarthe
 Melhor levar um relógio para não perder a noção do tempo... Ou esqueça, justamente para perder a noção do tempo! 


 A Cité Plantagenêt é formada de ruelas, muitas delas classificadas como monumento histórico.
Esse desenho é de 1854... e pouca coisa mudou nesse cenário desde então.

 São mais de 100 casas de "pans de bois" (com essas estruturas de madeira), sendo as mais antigas do final do século XIV. Trata-se de uma herança dos gauleses, que construíam de forma semelhante. Mas no meio de tudo isso, os traços ou arquiteturas da Renascença não passam desapercebidos, já que floresceu muito na cidade.

Desta vez aproveitei para visitar o Jardim de Plantas, composto do jardim francês (mais "organizado" e simétrico) e o jardim inglês (uma natureza mais na sua forma selvagem). Mas não tivemos sorte e o mesmo estava em reformas, então não estava muito "bonito", com exceção de algumas partes isoladas.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

La Marée, restaurante de frutos do mar em Paris

O restaurante La Marée é muito reputado na capital francesa no que diz respeito a frutos do mar. A decoração é refinada e cosy, os pratos bem frescos e de qualidade.

Os preços variam muito, mas o restaurante é de uma forma geral considerado caro para os parisienses. Desta forma, a clientela é gente que vive em um outro patamar de luxo, diferente do meu, e algumas pessoas podem achá-los um pouco esnobes e pedantes. O restaurante fica não muito longe do Arco do Triunfo, então pode atrair uma clientela de estrangeiros, mas não exatamente o turista que anda de tênis e pega metrô com uma câmera fotográfica pendurada no pescoço. 

Bom, nossa carteira não estava tão recheada para pedirmos lagosta e outros pratos custosos, então optamos por um cardápio básico. Vale lembrar que os produtos são frescos e as opções podem mudar diariamente, de acordo com os produtos encontrados no dia.

Pelo que percebemos a maioria dos clientes pedia ostras como entrada, mas nem Sylvain nem eu curtimos. Eu fiquei com as sardinhas e ele preferiu a sopa de peixe, um clássico da culinária francesa que ele nunca tinha tido a oportunidade de me fazer descobrir.



Como prato, ambos escolhemos um peixe que em francês se chama "rascasse" (scorpion fish), relativamente raro e caro nos restaurantes daqui. Boa parte dos clientes optava pelo Saint Pierre (John Dorry fish), pelo Homard (lobster, da família da lagosta), mas o Bar (seabass), o Turbot e a Sole também faziam sucesso.

Em relação à sobremesa não podemos avaliar a qualidade, pois eu não estava com vontade de comer doces e optei por um assortimento de queijos (que esqueci de fotografar) e Sylvain me surpreendeu pedindo abacaxi fresco (?!?). Ele disse que já tinha comido muito doce naquele dia e que queria terminar a refeição de forma mais leve.
 Sobre os vinhos, já comentei muitas vezes que meu marido não bebe nada alcoólico, então quando vamos apenas os dois ao restaurante não pedimos vinho, já que seria um disperdício (eu que bebo uma módica taça), mas segundo os comentários, os vinhos seriam de boa qualidade, porém caros. Ficamos com nossa água mineral preferida e nunca nos decepcionamos!

Restaurante La Marée
Situado no ângulo das ruas: 258 rue du faubourg Saint-Honoré et 1 rue Daru, 75008 PARIS
Metro : Linha 1 "Etoile" ou Linha 2 "Ternes" - www.lamaree.fr


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Inverno no Sul do Brasil

Você pensa em visitar o sul do Brasil em julho ou agosto? 
Esqueça!  
Quero dizer, Esqueça os vestidinhos, a bermudas, as havaianas... e por aí vai!

Você faz realmente questão de ir nessa época do ano? Então aqui seguem algumas dicas de sobrevivência:

- "polaire", roupas de tecido sintético muito quentinho podem ser encontradas nas sessões de neve e montanha das principais lojas de esporte (da Europa, quero dizer), de todos os preços, desde as grandes marcas caras até os preços minúsculos e máxima eficácia. Esse tecido tecnológico tem a propriedade de ser extremamente quente. oriundo da petroquímica, ele é ecológico pois exige muito pouco material para ser fabricado e é reciclado infinitamente, além de poder atualmente ser fabricado a partir de garrafas de plástico.

- botas quentinhas: as oficiais são da marca australiana UGG e custam uma pequena fortuna (mais de 100€), mas é possível encontrar as genéricas bem mais em conta.

- xale russo pura lã, bem leve e estiloso, aprovado até mesmo no inverno russo!!! Para usar enrolado no pescoço, não exatamente sobre as costas.

- jaqueta forradinha (down jackets): essas da Uniqlo são excelentes, leves, extra-quentes e praticamente não engordam. Na foto acima era está enroladinho na sua embalagem, não pesa, não ocupa espaço e não amassa!
Se eu pareço gordinha na foto não é a jaqueta, sou eu mesma.

Outros acessórios indispensáveis para enfrentar todo esse frio são o calor da família e amigos, muita comidinha gostosa, um chimarrão para esquentar e por que não uma balada?

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Casamento na França

Existem muitas formas de se "casar" na França e comemorar esse momento. Gostaria de compartilhar o que tenho experienciado por aqui nesses últimos anos. Não é a única forma de festejar, pode variar de acordo com a região do país, tradições de família e outros detalhes, mas algumas coisas se repetem, ou seja, podemos falar de tendências.

Um casamento completo é geralmente composto por: casamento no civil, seguido pelo casamento religioso, vin d'honneur, uma pequena pausa relax e depois o jantar com a festa. Em partes:

Na França o casamento geralmente começa no início da tarde ou no final da manhã do sábado. 
Nós e a minha afilhada sábado passado

Cerimônia Civil:
No último casamento para o qual fui convidada, o casamento civil estava marcado para as 14h. Na França, o casamento civil é realizado na mairie, o nosso equivalente no Brasil à Prefeitura e é realizado pelo prefeito ou seu substituto. Não existe cartório na França e nem nada parecido na minha opinião. Para registrar os filhos também se deve ir à mairie, assim como para fazer a identidade francesa ou passaporte francês. 
Pode ser mais ou menos longo, mas na minha opinião é mais interessante que o casamento no cartório no Brasil. Existe geralmente uma sala específica para casamentos, espaço para vários convidados. O prefeito lê os artigos pertinentes do código civil que diz respeito ao casamento, a vida de casal e a criação dos filhos.
No meu casamento (que foi só no civil), teve música para a entrada dos noivos (marcha nupcial), troca de alianças e tempo para fotos.
Quando o prefeito nos declara casados, recebemos o livret de famille (livro de família), que é como um caderninho, com as informações de estado civil sobre os conjuges e é nesse livro que são registrados os filhos.

Quando o casal não quer fazer grandes festas e não vai casar no religioso, pode optar pelo ato civil no final da manhã e receber os convidados para um almoço.

Casamento Religioso:
Acredito que seja como no Brasil, tudo vai depender da religião. Porém vale lembrar que a França "tradicional" é católica. Os judeus estão presentes há tempos no país mas sempre foram minoria. Protestantes também fazem parte de uma pequena minoria. Com a imigração intensa da Africa do Norte existem muitos casamentos muçulmanos. Porém, mesmo se tradicionalmente a França é (ou foi) católica, uma parte considerável da população atualmente se declara sem religião. 

Vin d'honneur:
Tia do meu marido, grande amiga de facebook!

Os convidados são recebidos para um brinde, com bebidas e algumas coisas para beliscar. O brinde dura horas e horas, os convidados geralmente ficam em pé e existe uma boa interação. Pelo que percebi nas festas francesas, os convidados têm a "obrigação" de cumprimentar e se apresentar para todo mundo, caso contrário é visto como muita falta de educação. Mesmo se a gente chega para uma recepção de 100 convidados, é necessário se apresentar e cumprimentar os 100 e se despedir dos 100, mesmo pessoas que a gente nunca mais vai ver na vida...

Carreata:
Quando as pessoas começam a ficar dispersas, geralmente tem uma carreata... Os noivos saem na frente, com um carro geralmente decorado de flores, seguido pelos demais convidados (que receberam decorações discretas para decorar os espelhos ou antenas), e quem finaliza a carreata é o carro "vassoura".

O carro "vassoura" (voiture balai) é normalmente decorado de forma bem brega, com vassouras e imagens que representam os noivos.

Pausa: 
Se ainda é muito cedo para o aperitivo, costuma-se ir a um lugar bonito para tirar fotos e/ou fazer uma caminhada. Adoro caminhar, mas confesso que detesto essa parte de subir colina de salto alto!!!
Começamos o passeio lá embaixo do rechedo e fizemos toda a volta.

Jantar e festa propriamente dita:
No convite de casamento geralmente chega um anexo somente para quem está convidado para a festa, a elite, pois os demais mortais só são convidados para o vin d'honneur. Sempre me juraram que quem não é convidado para o jantar aceita tranquilamente, que ninguém fica brabinho ou "de cara".

A recepção começa com o aperitivo, onde mais uma vez os convidados bebem, comem e interagem em pé... durante horas. 
As vezes não aguento mais, não tenho mais vontade de falar com ninguém, quero sentar (os pés me matando após subir a colina), mas ninguém senta... Desta vez comentei com uma cunhada que concordou comigo que aperitivo de casamento era muito longo e que mesmo se ninguém se sentava eu poderia ir para o meu lugar e sentar (jamais sentar no lugar marcado de um outro!). Ela acrescentou que as pessoas ficam em pé pois o jantar mais tarde é sempre interminável e ficamos sentados por horas.

Alguns casamentos podem até propor lista de presentes em alguma loja, mas o que é mais comum é que o convidado deixe seu presente na forma de um cheque com uma mensagem em um envelope.

As classes médias francesas não costumam se endividar para festejar o casamento nem gastam fortunas. cada um com o seu budget, tem gente que aluga uma propriedade (mesmo um château, tem para todos os bolsos), outros reservam um salão de festas. Na França a decoração de qualquer jantarzinho é importante e para um casamento não é diferente, mas mais uma vez nas classes médias eles não gastam fortunas em decoração e privilegiam tudo que é feito por eles mesmos, em todos os detalhes.

Nesse exemplo os noivos escolheram bordô e prata na decoração.

Enfim os convidados são convidados a se sentar e são servidas as entradas. 

Nas festas de tradição normanda geralmente é servido um sorvete de maça com um digestivo em opção (Calvados) entre uma etapa e outra da refeição.
O "trou normand"
Após é servido o prato.

Seguido pelos queijos e a salada. Tudo está escrito no cardápio que os convidados têm à disposição, pois francês não come se não souber o que está comendo... Terminando pela sobremesa, o bolo de casamento que não é como nos casamentos no Brasil.
Nesse caso os noivos escolheram um fraisier (que vem de fraise=morango), uma sobremesa leve que combina com o verão e que dificilmente alguém não gosta aqui na França.

Depois o casal abre o "baile" com uma música a dançar à dois. Em seguida as músicas são mais agitadas, mas inicialmente meio bregas para o meu gosto, mas vai se animando conforme as horas vão avançando, e às 5 horas da manhã temos direito até a Gustavo Lima e Michel Teló.

Fim de festa é com direito à tradicional sopa de cebola.

Os convidados têm direito à algumas horas de sono, mas geralmente estão convidados para o almoço do dia seguinte... Que começa com o aperitivo, seguido pelo almoço propriamente dito (entrada, prato, queijos e sobremesa)... E termina passado das 18 horas...

E onde você mora, como são os casamentos?

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Museus de Torino


São muitos museus em Turim e muitas atividades culturais, mas quando lá estivemos em junho, sabiamos que não poderíamos perder o Museu Egípcio e conhecidos italianos da região diziam que não poderíamos deixar de ver o Museu do Cinema. 
Conseguimos conferir os dois!

Museo Egizio
Muita gente não sabe, mas trata-se de um dos mais importantes do mundo sobre o Egito. Uma importante coleção foi comprada pela Inglaterra e hoje está no British Museum, duas importantes coleções foram compradas pela França e há bastante tempo pode ser vista no Louvre, mas a Italia também adquiriu uma grande e importante coleção, que está nesse museu de Turim. Existe muita controvérsia sobre o assunto, muitos acreditam que esses países devem devolver ao Egito o que a ele pertence, mas como já comentei em um texto sobre o Egito, naquela época (e ainda mais tarde e ainda hoje!) muita coisa estava sendo destruída pois o país não dava nenhuma importância ao seu patrimônio, então o roubo e venda de milhares e milhares de peças arqueológicas serviu pelo menos para que hoje elas estejam preservadas e bem cuidadas.
Tem realmente muita coisa para ver, uma vasta amostragem da cultura do Egito Antigo, em particular da vida quotidiana. Podemos ver uma bela coleção de sarcófagos que permite de compreender 4 mil anos de evolução.



Essa foi minha sala preferida, com a luminosidade certa para colocar em valor o mistério das obras.

Museo del Cinema
Encontra-se no mítico prédio chamado Mole Antonelliana, com o seu elevador panorâmico que nos leva até a vista mais alta e privilegiada da cidade. Esse edifício que mesura 167,5m é um pouco como a Torre Eiffel: uma construção sem funcionalidade inicialmente e que se tornou o símbolo da cidade. 


Foi concebido em 1863 para ser uma sinagoga, mas devido a falta de fundos acabou sendo comprado pela cidade em 1878 para ser um museu (um outro, pois o do Cinema foi instalado bem mais tarde, no ano 2000). 
O museu é realmente muito grande, aparentemente o maior da Europa sobre a Sétima Arte e muito bem dividido: comeca pela história e primórdios do cinema, com vários objetos e "testes" para os visitantes, ou seja, bem interativo. Essa foi a minha parte preferida. Na grande sala principal, várias pequenas salas dedicadas aos diversos gêneros de filmes. 


 
Lembra desse figurino?

O acervo é mesmo impressionante, e mesmo eu, que não sou fascinada pelo cinema adorei a visita.
Adorei ter tido a oportunidade de visitar essas duas grandes atrações da cidade e sem dúvida recomendo!!!