Nas margens oeste de Luxor se encontra a antiga necrópole ("cidade dos mortos", ou um tipo de cemitério) de Tebas: a última moradia dos faraós do Novo Império do Egito. Durante 500 anos, faraós e nobres construíram ali as suas tumbas nessas montanhas sagradas e desérticas ao lado de uma natureza verdejante. São muitos sítios arqueológicos por ali e preferimos visitar o Vale dos Reis e deixar para uma outra ocasião o Vale dos Nobres, das Rainhas, dos Artesãos e o Templo de Hatchepsout (onde houve um massacre de turistas há poucos anos).
Se os primeiros faraós preferiam construções como pirâmides, seus sucessores preferiam uma certa discreção para evitar a pilhagem. Porém não adiantou muito, já que a maioria foi pilhada pouco tempo após a morte do defunto...
Infelizmentes fotos são proibidas e as câmeras fotográficas devem ser deixadas na entrada. Preferimos não arriscar e deixamos os aparelhos e celulares no ônibus.
Aqui é a foto da casa de
Howard Carter (quem descobriu a tumba de Toutankhamon), no alto de uma montanha, antes da entrada propriamente dita.
O caminho que leva à necrópole.
De um lado a paisagem era como essa acima, e do outro como essa abaixo.
São 63 tumbas até então descobertas (numeradas de acordo com a sua ordem de descoberta), mas apenas umas 15 são abertas a cada dia. O bilhete de entrada permite visitar apenas 3, quem quiser visitar outras terá que comprar ingressos complementares. Vale salientar que a tumba de Toutankhamon tem um preço separado, mais cara a ela sódo que para visitar 3 outras e a visita não vale a pena, não tem nada interessante a ver, apenas pelo contexto mesmo. Muitas outras ainda estão esperando serem descobertas, e equipes de arqueólogos de diversos cantos do mundo trabalham na região.
Nesse dia escolhemos visitar 3 das tumbas que nos pareciam mais interessantes dentre as que estavam abertas:
- Ramsés IV (2): Esse faraó reinou apenas 7 anos (lá pelos anos 1170a.C). Com cerca de 90 metros de comprimento, essa tumba foi descoberta e era visitada desde a Antiguidade (podemos ver os grafites da época em grego e latim!). Champollion, que decifrou os hieróglifos egípcios "acampou" ali quando esteve no local. A decoração dessa tumba é em grande parte inspirada do Livro dos Mortos. As paredes são cobertas de textos sagrados
Mérenptah (8): essa tumba do 13º filho de Ramsés II, apesar de grande em superfície (só o corredor eentrada mede 135m, todo decorado), relativamente simples em comparação com as mais suntuosas.
Ramsés III (11): uma das mais visitadas do vale, e a únicacom vidros de proteçéao para evitar que os turistas (e empregados!) toquem nessas riquezas da história.
Templo de Ramsés III (
Medinet Habu)
Os gigantescos pilones são comuns nas entradas dos templos egípcios, mas em Medinet Habu a façada é de uma variação que lembra mais a arquitetura síria (com andares)
O templo estava ainda mais deserto e conseguimos aproveitar cada detalhe desse local que está muito bem conservado. Dedicado à glória do faraó Ramsés III, por isso toda a decoração guerreira, cenas e combates violentos. Nas partes cobertas, impressionantes traços de policromia (cores) da época dão uma idéia de como deveria ser na época.
O interior é composto de dois grandes pátios, mas nas salas "hipostilas" só sobraram as bases das grandes colunas..
Primeiro pátio
Segundo pátio
Primeira sala hipostila
Vista das "brechas" do templo.
Terminamos a visita com uma passagem rápida (e a única gratuita) pelos colossos de Memnon. Pode não parecer, mas eles medem 19,5 metros! As estátuas representam o faraó Amenophis III sentado, nessa posição que é o símbolo da eternidade. Uma pena que estejam nesse estado (devido às cruas do rio Nilo e terremotos)!
Impensável fazer um passeio desses pelo deserto sem um chapéu, óculos de sol e protetor solar!