quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Comidinhas de Madri

Quem conhece a minha paixão por provar a gastronomia local não vai achar uma heresia se eu disser que Madri me prendeu pelo estômago... Comidas para todos os lados e de todos os tipos... Tenho certeza que vocês vão encontrar alguma coisa apetitosa!

1. Uma das vantagens é que quase tudo fica exposto em "vitrines", assim é mais fácil escolher com os olhos e apontar, caso falhe o espanhol!!!







 2. Na maioria dos lugares se come em pé, no bar... Claro que tem rstaurante em que todo mundo fica sentadinho, mas pelo menos em Madri, quem ia nesse tipo de restaurante eram mais turistas mesmos. Faltou um bom endereço para testarmos. Mas mesmo esses bares "a tapas" muitas vezes tem uma decoração caprichada!

 3. Sempre me diziam que a comida era barata na Espanha. Talvez por ser a capital, achei que os preços não eram lá tão atraentes...

 Comentei com algumas pessoas que apesar da Espanha estar vivendo uma crise avassaladora, nos bares de Madri não vimos nada disso. Tudo lotado a todas as horas do dia e as pessoas comendo, bebendo, até não poderem mais... E a conta? A gente via notinha de 60€ para todos os lados, apenas uns tapas e umas bebidas para duas pessoas. 

3. E a paella??? Imagino que a melhor deve ser aquela que é comida na casa de alguém... Os restaurantes ou outros lugares que vimos (tem uns 20 em cada esquina) pareciam um pouco armadilhas para turistas). Provei duas e gostei, mas nada de diferente do que já comi antes.


 Porém esse arroz preto nunca tinha visto antes!!! Realmente original!
 5. E os doces? 


Sylvain fez esse sacrifício em nome do blog e provou os churros com chocolate quente que parece que é imperdível em Madri. ele aprovou. Eu, muito religiosa que sou, resolvi entrar no clima da festa religiosa de Almudena (em novembro) e provei todos os doces comercializados nesse dia:


Em algumas confeitarias a multidão era tanta que só era possível provar com os olhos, do lado de fora.

Ok, confesso que todas as manhãs o nosso café da manhã era em uma confeitaria. Por cerca de 5€ tínhamos duas bebidas e dois doces (ou salgados). Basta escolher nas vitrines e comer ali mesmo no meio do povo, no maior clima de descontração.


6. Os presuntos:


7. E para acompanhar tudo isso?

Minha conclusão? Que Madri é um risco para quem está de dieta... mas uma vez só, de vez em quando, que mal tem?

domingo, 20 de janeiro de 2013

Chartres, sua Catedral e muito além dela

A cidade de Chartres é conhecida principalmente por sua catedral, uma obra-prima gótica do século XIII e inscrita no patrimônio mundial da UNESCO desde 1979. Entretanto sua arquitetura foi evoluindo e sofrendo transformações até o século XVI. No que constiste ao teto atual de cobre, ele foi instalado no século XVIII para substituir o antigo destruído por um incêndio.

 Vocês podem ver que quando estive lá a luminosidade não era a ideal para boas fotos, faltou equipamento. Mas vamos tentar nos virar com o que tenho!
 Na catedral também podemos admirar o maior conjunto de vitrais dos séculos XII e XIII, e três grandes portais esculpidos, todos eles com trabalhos de excelente qualidade!





Além da catedral, Chartres é uma cidade muito agradável para passear, mesmo em um dia frio e cinzento! O   serviço de turismo também disponibiliza uma sugestão muito interessante de percurso a pé pelos principais pontos históricos, incluindo os canais.
Vale lembrar que a "Maison Picassiette" não abre no inverno (então não conseguimos visitá-la) e os museus fecham às terças. Comércios e muitos restaurantes não abrem aos domingos, como na maioria das cidadezinhas francesas.




 A cidade inteira é um charme. Apesar de ter sido fortemente destruída durantes 3 grandes bombardeamentos (um durante a 1ª Guerra Mundial e dois durante a 2ª), a partir dos anos 50 foi realizado um grande esforço para a reconstrução da cidade, que não perdeu em nada o seu charme medieval.


 Passamos apenas um dia em Chatres e é verdade que o tempo passa muito rápido. Para quem deseja aproveitar com calma esse passeio histórico, passar um bom momento em um restaurante e uma pausa gourmande, melhor prever dois dias.


 Não deixe de tomar um café ou chocolate quente com esses deliciosos "cochelins" de Chartres! Uma tradição que remonta à Idade Média, mas eles séao dificilmente encontrados fora da época de Natal.

Chartres fica a cerca de 88 km de Paris e o trajeto de trem dura cerca de 1 hora. Uma excelente opção de bate-e-volta para quem está buscando algo para ver fora de Paris. Ela fica tambem no centro do Cosmetic Valley, e em Chatres mesmo se encontram fábricas de grandes perfumes, dentre elas Guerlain, Nina Ricci, Paco Rabanne.

Você também gosta de uma linda catedral? Conheça também as catedrais francesas:
- de Bourges
- de Reims

sábado, 19 de janeiro de 2013

Dicas de leitura: escritores chineses

Em termos literários, 2012 foi basicamente um ano que dediquei a ler muito sobre a China, e grande parte das minhas leituras tinham esse objetivo preparatório. Ou "pós-operatório", pois continuei fascinada pelo tema e buscando respostas após o meu retorno para tudo o que vi e senti nesse país tão contraditório, complexo e talvez por isso mesmo fascinante.

Na biblioteca em frente à minha casa me aconselharam a escritora WANG Anyi, que faz muito sucesso na China. 

Esse livro, "Le chant des regrets éternels" (não vou me aventurar a escrever em chinês e não sei com que nome foi eventualmente traduzido no Brasil), recebeu um dos mais importantes prêmios da literatura chinesa.  Nele, o principal personagem é a cidade de Shanghai, começando pelo final dos anos 30, passando pela promulgação da República Popular da China, a Revolução Cultural, e a retomada e abertura econômica dos anos 80. Mas fala igualmente da consição feminina, tema preferido da autora e que faz dela uma verdadeira sensação entre as chinesas, que se reconhecem de uma forma ou de outra em seus personagens. Realmente gostei muito do livro, que começa como um ensaio, mas é verdade que algumas passagens do livro me irritavam, creio que era porque a forma de pensar dos chineses é muito diferentes da nossa! Uma excelente descoberta!


Esse livro "Les Lumières de Hong-Kong" já se situa principalmente em Hong Kong como o próprio nome diz. Fala desses chineses que vão tentar a vida em Hong Kong, em busca de fortuna, de luxo, ou simplesmente de liberdade ou uma outra forma de viver. Fala dos descendentes de chineses que, mesmo nascidos em outro país, para os outros serão sempre chineses, mas para os chineses não o são mais... E fala sobre uma relação de amor e ódio para com essa cidade. 
Não fui até lá, mas fiquei com muita vontade de mergulhar nessa atmosfera!!!

Eu já tinha falado de QIU Xiaolong, muito conhecido por suas histórias policiais. Normalmente vamos encontrar em sua escritura uma China e principalmente uma Shanghai (que ele conhecia como a palma da sua mão) de antes dos anos 1990, quando ele imigrou para os EUA. Por exemplo, o bairro moderno de Pudong, com seus arranha-céus, não existia ainda na sua época, apesar se já ser um país em forte transformação.

Porém esse livro é muito diferente: são dezenas de histórias bem curtinhas que se passam nesse conjunto habitacional popular de Shanghai que desafiou as diferentes épocas, e principalmente de seus moradores, que souberam sobreviver e se adaptar a tudo. De 1949 aos dias atuais, as histórias falam de personagens de diversas categorias sociais, mas cada uma mais tocante do que a outra, sempre em relação direta com eventos importantes da história recente do país. Um recito fácil de ler sobre as transformações sociais na China! Um olhar sobre uma China não muito conhecida e nem compreendida.



Também gostei muito dessa escritora Zhang Xinxin, muito conhecida (e lida) na China dos anos 80. Em seu livro "Sob a mesma linha do horizonte", ela fala da juventude atual chinesa e fala PARA essa nova geração: a história banal de um casal, seus encontros e desencontros. A cada capítudo eles vão alternando o papel de narrador, e vamos entrando na intimidade desses dois. Seus sonhos e ambições não são lá muito diferentes dos nossos, mas a forma como eles vivem, ah, isso é um pouco diferente sim! 



Também li esse outro livro dela (ambos bem fininhos e de leitura fluida), porém esse último é bem intrigante: uma história um pouco fantástica, irreal, inspirada livremente de uma verdadeira "febre" que houve na China nos anos 80, quando algumas pessoas pensavam que podiam enriquecer cultivando uma variedade muito especial de orquídeas. Surpreende! Mas fica a mensagem do quanto as vidas podem mudar quando o que mais importa é o dinheiro... vale lembrar que para um povo que não podia comprar o que queria durante décadas, nem vestir ou comer o que queria (quanto menos morar onde desejasse!), quando eles vêem essas possibilidades praticamente ilimitadas do dinheiro, eles ficam um pouco perdidos... 

(Como se a corrida pelo dinheiro e poder fosse um tema puramente chinês e não deturpasse bem outras sociedades mais próximas de nós...)

 Cisnes selvagens
A escritora Jung Chan conta a história de sua avó, nascida em 1909 em plena China Feodal, dada em concubinato a um "Senhor da Guerra", muito comum naquela época. Com a chegada do comunismo, essas e outras práticas foram abolidas (como o horrível costume de impedir que os pés das meninas cresçam através de métodos extremamente dolorosos, fazendo com que elas tenham pés defomados e atrofiados!) passando pela história de sua mãe, pertencente à juventude comunista e seu pai, um um revolucionário comunista do grupo dos intelectuais. No início elite desse sistema, durante a revolução cultural eles são denunciados e vão sofrer o exílio, a separação e os trabalhos forçados. Ela mesma (a escritora), no início fervente defensora do regime do do presidente Mao, aos poucos vai se revoltando contra o sistema. Mais tarde ela consegue retomar seus estudos e imigrar para a Europa, onde transforma essas lembranças de família em um livro de repercussão mundial. As transformações políticas, culturais e econômicas são bem marcantes a partir da vida dessas três mulheres. Incrível como o mais simples indivíduo viu a sua vida fortemente influenciada por cada uma dessas mudanças. 

Croquants de Chine são duas histórias. A primeira é um pouco humorística até: um camponês vai até a cidade grande visitar e ajudar o irmão. Mas ele não entende nada desses códigos sociais da "cidade", se sente completamente perdido, mais aos poucos vai fazendo seu aprendizado. mas o que reina na cidade é o poder do dinheiro e os prazeres da carne... Quase uma história de vender a sua alma ao diabo... Em uma linguagem crua e cortante. 
Porém a segunda história foi realmente triste e chocante para mim. Fala de uma realidade nas províncias mais afastadas que é o comércio de mulheres. Quando mais longe da civilização é a localidade, maior a disproporção entre o número de homens e mulheres. E os homens são capazes de pagar o que podem e o que não podem para se casarem!!! Algumas dessas uniões são vividas de forma muito satisfatória por ambas as partes, história de unir o útil ao agradável, mas quando uma jovem é sequestrada, violentada das piores formas possíveis, humilhada, depois vendida e finalmente recuperada por seu pai, sua vida nunca mais será a mesma... um caminho sem volta em direção a um dos piores fins. 
Lembro que na época fiquei muito tocada pelo tema, não conseguia dormir com aquelas imagens horríveis na minha memória. Muito triste saber  que as mulheres sofrem as piores violências em todos os cantos do mundo e não poder fazer nada...

Outra escritora imperdível para quem se interessa pelo país: Xinran. Imperdível!


Então, gostou das dicas? Interessou-se por algum desses livros ou temas? 
E o que você mais gostou de ler em 2012?