terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Filmes de 2012

Percebi que em 2012 fui realmente pouco ao cinema. Mas como quantidade não quer dizer qualidade, posso dizer que praticamente todos os filmes que vi esse ano gostei muito. Provavelmente porque escolho bem! Ou então vejo os trailers e tenho que assistir absolutamente, e nesses casos é raro me decepcionar.

Talvez eu tenha esquecido algum filme, mas fora os que já falei por aqui, os últimos vistos foram:


L'Odissée de Pi (Life of Pi)

Quando vi o trailer pela primeira vez há alguns meses fiquei fascinada pelas imagens e comecei a contar os dias para a estréia do filme, que aqui na França foi no 19 de dezembro. Realmente o filme é lindo em todos os sentidos!!! Um oceano no qual reflete um céu magnífico, um barco minúsculo, uma tradução perfeita da solidão de Pi, que sentimos na pele. O filme é sem dúvida um blockbuster, mas do ponto de vista artístico o filme não deixa nada a desejar. Um conto macabro, uma experiência visual ou um tratado de filosofia? Tem de tudo e para todos os gostos!!!



OO7 Skyfall
Sou suspeita para falar pois desde o início da minha adolescência fui fã dos antigos filmes de James Bond, principalmente com o Sean Connery. Mas esse novo 007 fez um verdadeiro sucesso aqui na França (foi o filme mais visto no cinema em 2012) e levou muitos espectadores às salas escuras que nunca antes se interessaram pelo herói-espião. Nesse filme Daniel Craig estava perfeito, e isso que ele já é perfeito por natureza! Uma forte presença em cena, e nesse filme bem humano. 


Jason Bourne: Héritage
Não posso negar que adoro filmes de ação, um gosto que passou de mãe para filha, já que a minha mãe sempre assistiu filmes de ação que geralmente agradam muito mais aos homens! Ontem mesmo estava comentando com amigos que a minha mãe adorava os filmes com o Bolo Yeung como vilão e quase não acreditaram, acharam que eu estava me confundindo de ator (para quem não conhece, ele foi o vilão em filmes com Bruce Lee, Van Damme, dentre outros)! Mas voltando ao filme acima, apesar de não ter Matt Damon, mas o ator jemery Renner não deixou nada a desejar! Mas é claro que quem espera uma relação mais próxima de Matt Damon ou mesmo o seu retorno, só vai se decepcionar!



L'Homme qui rit
Baseado na obra prima literária de Victor Hugo, o filme nos transporta em um universo estranho, que faz uma antitese entre a beleza da alma e a feiúra física. Fala da pobreza material e a seduçéao da riqueza e do poder... Do diabólico e do angélico, do amor e do desejo. Violento e delicado ao mesmo tempo. Ah, se a vida fosse menos complicada!!!
Porém, infelizmente o filme está sendo muito boicotado pela imprensa e pelos espectadores devido à forte polêmica em volta do ator Gérard Depardieu. Uma pena!!!
Além disso, a trilha sonora é de arrepiar!


A Royal Affair
Esse filme dinamarquês acabei assistindo por acaso e adorei! A história se passa em 1770 na Dinamarca e fala da relação triangular entre o rei Christian VII, sua esposa, a inglesa Caroline, e o médico do rei, o alemão Struensee. Dessa relação, fortemente influenciada pelas idéias iluministas de Voltaire e Rousseau, resultaram fortes transformações sociais a anunciaram as revoluções 20 anos mais tarde na Europa. Quem se interessa por esse tipo de filme histórico, não pode perder!!!





Dans la Maison
Um professor de francês (literatura) decepcionado com o interesse dos alunos e a qualidade da escrita dos jovens, se depara com um aluno com um grande potencial literário. Começa uma relação um tanto estranha entre os personagens, uma relação de manipulação e que incomoda, mas todos queremos saber o que se passa "na casa" (título do filme). Um filme que fala deliteratura, e quem aprecia os clássicos franceses estará bem servido!!!



Le Prénom

Vincent, que será pai em breve vai jantar na casa da irmã e cunhado, em presença de um amigo de infância. Enquanto sua esposa grávida não chega, brincadeiras de família tomam conta do ambiente, muita risada, até que ele anuncia o nome que eles pretendem dar ao bebê... Tudo sai dos eixos após esse momento e o filme passa por uma verdadeira reviravolta. O típico filme francês, com histórias de família complicadas... Em alguns momentos "pesado", e o filme pode ser um pouco agoniante, pois tudo se desenrola durante o tempo desse jantar.



Espero que 2013 nos traga bons filmes para assistir! Já tenho dois na minha listinha!!!

Quer mais dicas de filmes? Veja aquiaqui ou ainda aqui.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Natal 2012

Meu Natal foi em família... não a minha, que está lá no Brasil... E quando participo de algum evento com a família do Sylvain, não é pouca coisa não, pois agora ela conta com 23 membros!!!
Trabalhamos no dia 24 e saímos direto do trabalho para a estação de trem. Tudo lotado, a maior loucura, todo mundo correndo para encontrar família e amigos para a ceia de natal. Chegamos para a ceia e quase tudo estava pronto, apenas esperando os retardatários.



 Entradinhas preparadas com carinho pelo irmão cozinheiro.
Esse fruto do mar se chama Saint-Jacques, é delicioso e um prato de ocasiões especiais, como festas de final de ano.
 Adoro escargots!!!
 O prato foi o chapon assado (uma espécie de galo castrado para que a carne seja mais macia e sem gordura)
 Servido com um gratin dauphinois, batatas gratinadas ao forno com um molho bechamel.
 Inovação na sobremesa de Natal com os cupcakes de diversos sabores

A tradicional "bûche de Noël" não podia faltar.

Porém o momento mais aguardado da festa foi a passagem do Papai Noel... Será que dá para reconhecer quem encarou essa missão?
 Tive um ataque de risos, pois foi realmente muito engraçado ver o maridão nesse papel!!!
 Feliz Natal!!!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Viver em Paris

Li recentemente em um livro que provavelmente um casal que almoça junto durante a semana... não é exatamente um casal "oficial"! Achei muito engraçado, pois é verdade que poucos casais têm a oportunidade de almoçar juntos (fora) durante a semana, mas tenho a sorte de, de vez em quando, podermos tirar folgas juntos, almoçar e passear como dois adolescentes matando aula!!!

Não posso reclamar de estar com alguém que adora sair, ver e descobrir coisas novas. Nesta última sexta-feira ele e eu só trabalhamos até às 11h30, então nos encontramos em Paris no metrô Bourse para almoçar em um restaurante estilo cantina japonesa que eu já tinha ido com uma amiga. Na saída do metrô nos deparamos com uma feirinha bem simpática. O que me chamou a atenção foi um stand que vendia botas, luvas e roupas em peles de ovelha... Mas o engraçado foi que o vendedor, estava vestido de um colete que era uma pele de ovelha inteira! Ou seja, ele parecia uma ovelha!!! (desculpem a falta de fotos e a baixa qualidade das poucas, mas estava sem bateria e tive que fotografar com o celular, que não é muito bom para fotos)

Caminhamos em direção ao restaurante, observando a arquitetura que é bem bonita, e uma senhora, parisiense moradora do bairro, nos pergunta se estamos procurando algum endereço e se ela pode nos ajudar. Na verdade não estávamos perdidos, mas dissemos o nome da rua onde iríamos e ela nos indicou de forma bem agradável (segunda vez essa semana que somos abordados por parisienses moradores locais nos oferecendo informações). Para quem acha que os franceses (e parisienses principalmente) são todos mal-humorados!.

O restaurante se chama Hokkaido e é simples e serve uma comida deliciosa, o tipo de refeição que os japoneses comem diariamente no Japão. Foi o que me disseram, pois ainda não tive oportunidade de conhecer o Japão. Mas não deixa de ser exótica para nós ocidentais. Sempre lotado, principalmente ao meio dia, onde o mesmo é pego de assalto pelos trabalhadores dos escritórios e domínio das finanças, muito presentes ali. A cozinha é aberta estilo americana e podemos ver os cozinheiros trabalhando!



Saímos e fomos dar uma voltinha na Bibliothèque Nationale de France, que fica a dois passos dali. Eh possível estudar e consultar gratuitamente documentos raros, além de visitar as exposições em curso (pagas). Atualmente uma das exposições é sobre a famosa Família Rothschild, que fez fortuna na Europa através do setor de Finanças. James de Rothschild chegou aos 19 anos na França, em 1811 e seu talento para os negócios e finanças foi logo reconhecido. Branqueiros de toda a Europa chegam à Paris e fazem dela uma cidade importante nesse setor, adquirindo igualmente seu lugar ao sol na revolução industrial. 

Em frente à Biblioteca (depende de qual "frente, estou falando da entrada principal atual, já que ela está em reformas) encontra-se a Galerie Vivianne, uma charmosa passagem coberta de Paris, muito na moda no século XIX (inaugurada em 1826).

Ao lado da Galerie (colado a ela) nos deparamos com um comércio um tanto curioso! Apesar de venderem alguns livros do lado de fora bem baratinhos, a especialidade são gravuras antigas!!! Como há tempos estamos procurando um mapa antigo do Brasil, resolvemos entrar.

Vou avisando que o proprietário é uma pessoa muito esquisita, para dizer o mínimo! Passamos muito tempo na loja e observamos muitas coisas esquisitas, a começar pela atitude dele com as pessoas! 

Mas ele nos mostrou duas gigantes pastas com dezenas e dezenas de gravuras antigas, porém nos disse que do Brasil é raro, pois além de existir poucas, o tema é muito procurado, principalmente por colecionadores brasileiros! Sem contar que custa um pouco caro, contar no mínimo uns 300€. Mas eu tinha uma idéia precisa do que eu queria, e desse estilo ele sótnha do Peru, não do Brasil. Aproveitamos para perguntar se ele tinha algo sobre moda e ele me apresentou mais duas pastas. Há alguns anos procuro essas gravuras antigas sobre o moda, quase comprei em Notting Hill, e fiquei ainda mais interessada ao assistir a exposição sobre a Moda e o Impressionismo. Foi difícil, mas fiz a minha escolha.


Estávamos sem espécie e a loja não aceita cartão. Sylvain foi retirar dinheiro e eu fiquei ali terminando de escolher. Confesso que só fiquei pois uma funcionária bem atenciosa tinha chegado, pois teria morrido de medo do dono! Não vou entrar em detalhes, mas vocês imaginam um filme que se passa em um casarão bem velho e abandonado, em que um dos habitantes é uma pessoa bem sombria? Pois é, chegou a me dar calafrios! Sem contar que ele é muito focado na sua paixão (essas gravuras), então não aconselho a ir quem vai só para xeretar mesmo, pois ele fareja se a pessoa é realmente interessada no assunto. E melhor saber um pouco o tema do que procuramos, pois são centenas e centenas de "pastas", então ele vai ir buscar uma pasta sobre um assunto específico.

Dali fomos à pé até o Opera Garnier (temos uma carta de transporte, mas não era longe e preferimos caminhar) onde precisei resolver um problema do trabalho. Dali fomos até o Forum les Halles (desta vez de metrô, já que é mais longe), uma espécie de Shopping Center subterrâneo do centrão de Paris. Não gosto muito de ficar ali fechada, mas o frequento muito devido ao cinema (são 22 salas), mas também por ser esse local bem central onde as principais linhas de metrô e de trem periferia passam. Compramos nossa entrada para assistir L'odysée de Pi (Life of Pi, no original), esse filme de Ang Lee que está dando o que falar, e aproveitamos para fazer umas comprinhas de Natal enquanto esperávamos a hora da sessão. 

Depois voltamos felizes da vida para casa, pois o mundo não tinha acabado e ainda poderíamos aproveitar tantos outros dias como esse nas nossas vidas!!! Em Paris ou qualquer outro lugar do mundo...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

(in)Justiças Sociais

O assunto que tem rolado em todos os meios de comunicações franceses é a partida do ator francês Gérard Depardieu para a Bélgica, uma atitude devido à elevada carga tributária na França.

Algo que me chateia na sociedade francesa é o quanto ser rico, talentoso, ter "vencido na vida" é considerado negativo. Ainda mais com o governo atual.

O ator sempre pagou impostos (na França) durante os seus 45 anos de carreira. Foram 145 milhões de euros, de acordo com o que ele divulgou. Sem contar as obras caritativas, doações. Uma parte da população e o governo vê a decisão dele como mesquinha, como se ele se recusasse a pagar impostos e ajudar o seu país. Mas eu faço parte do outro grupo que acredita que temos que pagar impostos SIM, mas não 75% do salário em impostos, como prevê a nova medida que foi colocada em prática pelo novo governo socialista.

Aqui na França se paga já muito imposto! Mas a maioria dos franceses nunca se queixam de pagar, pois se sentem "devedores ". Cada cheque ao fisco é visto como um reconhecimento à pátria-mãe. Pode ser que alguns não "gostem" de pagar, mas disso eles nunca falam, é tabu, é "feio". Bom cidadão paga direirinho sem nunca se revoltar.

Mas com 2 mil euros por mês somos vistos pelo partido socialista como "ricos" (o presidente mesmo falou isso durante a sua campanha, quando perguntaram quem seria rico para ele), quando com esse salário fica até difícil pagar um aluguel em Paris.

Mas para quem faz parte dos ricos de verdade, o imposto de renda sobre a 75%!!! Vocês acham mesmo justo trabalhar e ver no final do mês (ou do ano) "apenas" 25% da cor do dinheiro?

Sem contar que não é apenas imposto de renda que se paga:

- Quem mora de aluguel ou é proprietário tem que pagar a taxa de habitação (taxe d'habitation), que no meu caso esse ano foi de mais ou menos 1200€. Quanto mais caro o valor do imóvel e a renda, mais caro esse imposto. E com esse imposto vem uma taxa pelo uso da televisão (contribution à l'audiovisuel public), que esse ano foi de 125€. Mas me expliquem, se as emissoras de TV já ganham fortumas com as publicidades, ainda precisam tirar dinheiro do telespectador?

- Quem é proprietário, além dessa taxa acima, deve pagar uma segunda, a taxe foncière, que no meu caso também foi de cerca de 1300€ esse ano, mas que aumenta progressivamente de acordo com o valor do ou dos imóveis.

- E quem é rico, como Gérard Depardieu, além de pagar 75% de imposto de renda, uma fortuna de taxe d'habitation, de taxe foncière, também tem que pagar o ISF, que é o imposto sobre a fortuna! Esse imposto é calculado sobre o patrimônio e começa a partir de um patrimônio de 1,3 milhões de euros (o que diga-se de passagem mal dá para comprar um apartamento de 3 quartos em um bairro "correto" de Paris!!!)

Quem acha que sempre exagero, aqui vai um anúncio de um apartamento de 1 quarto... Você não leu mal, o preço para a compra é de 1 milhão e 180 mil euros. Sem contar que além desse valor, 7,50% devem ser pagos ao notário no momento da entrega da escritura!!!

E o assunto é controverso. Mas eu particularmente acho que se um estrangeiro tem o direito de chegar aqui em busca de condições melhores de vida, esse cidadão tem o direito igualmente de fixar residência em um outro país que oferece melhores condições. Ainda mais no caso da Europa, que abriu as suas fronteiras há anos e que qualquer europeu pode atravessá-la para comprar cigarro, combustível ou fazer compras no país vizinho que é mais barato, e pode mesmo circular e morar em qualquer país de faz parte da União Européia.

Todos os dias empresas francesas estão fechando suas fábricas na França para abrir em países como  Filipinas, Indonésia, China, Brasil (hello!), dentre outras localidades onde obterão maior lucro e nem por isso o governo ou a população as critica assim abertamente!

Na minha opinião o excesso de impostos desencoraja a trabalhar, economizar e investir. Para que trabalhar para ganhar mais se sem trabalhar o Estado oferece gratuitamente (ou quase) tudo o que a gente teria que financiar pelo nosso trabalho? Para que sair de casa cedo para trabalhar para ganhar mil euros por mês (salário mínimo francês líquido para 35h trabalhadas), se ficando em casa a pessoa tem um "salário" garantido todos os meses (RSA), ajudas com aluguel e tudo que você possa imaginar como ajudas financeiras, até mesmo férias financiadas pelo governo. Enquanto um mortal normal que trabalha, as vezes precisa abrir mão de férias, quem não trabalha tem férias financiadas pelo sistema... Aqui na França também não existe 13º salário previsto em lei (algumas empresas oferecem como benefício, mas restam raras), mas pessoas consideradas pobres recebem um bônus no Natal...

Na minha cidade, até Champagne oferecem às pessoas de baixa renda no final de ano... Tudo isso com o dinheiro do contribuinte... Eu preferiria que o dinheiro dos meus impostos fossem aplicados no que é de fato necessário... esse ano nem Champagne vou comprar, vou ficar no espumante mesmo (mais barato), mas o dinheiro dos meus impostos vai servir para pagar o Champagne dos outros...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Das coisas que me tiram do sério...

Existem muitas coisas que eu detesto na vida (teria uma para cada dia do ano, no mínimo!), mas uma delas é quando acham que devo "conhecer", manter relações ou ir falar com alguém simplesmente porque a pessoa é brasileira ou porque eu sou brasileira.

Não me entendam mal: adoro conhecer pessoas e adoro contato com brasileiros! Mas não é todo brasileiro que vai se tornar meu amigo de verdade e odeio é o tipo de apresentação: "eu te apresento Milena, que é brasileira..." Pois aí a conversa já fica meio que direcionada: falar sobre o Brasil!

E o pior é quando esse raciocínio vem do meu marido!!! Ele está sempre me "armando" dessas.
A última vez foi um vernissage para o qual fomos convidados. Desde que pode ele foi me apresentar a uma brasileira que ele conhece: "essa é minha esposa Milena, que também é brasileira. Ela é psicóloga, mas no Brasil trabalhava em RH e aqui na França ainda não conseguiu fazer as equivalências".

Será que precisava mesmo uma introdução dessas? O que resta para eu falar após tudo isso? E então, ao invés de falar sobre o assunto que EU QUERIA FALAR, que era sobre arte (lembrando que estávamos em um vernissage), ou o fato de estarmos no local que por quase 20 anos foi o atelier de Picasso e onde ele pintou sua obra maior, Guernica, o tema da conversa foi sobre o Brasil, minha adaptação na França, minha corrida pelas equivalências e minhas dificuldades... E ainda por cima não tenho vontade nenhuma de chamar a atenção sobre mim falando em uma outra língua, em um evento desses, onde os presentes são em sua maioria franceses de origem francesa. Prefiro me misturar à multidão e não me sobressair dela.

E ainda por cima perdi a paciência no segundo minuto da conversa. A pessoa me perguntou para que empresas eu tinha trabalhado no Brasil, quando falei que minha experiência principal tinha sido para o setor de informática (nem usei o termi TI, que pode ser complicado para alguns) e empresas como HP e Dell, ela disse que não conhecia, afinal tinha ido embora do Brasil há muitos anos. Hein? Desde quando essas empresas são recentes, e ainda mais brasileiras? Ainda tentei explicar que, dentre outras coisas, são empresas que produzem computadores e existem muitos computadores e artigos de informática dessa marca. tentei a pronúncia que usamos no Brasil e usada na França. Mas nenhuma reação do outro lado.

Depois ainda tive que aguentar as reações do marido, do tipo: "nunca mais te apresento ninguém, você é mesmo antissocial*"

* como ele, muita gente utiliza discriminadamente a palavra antissocial para descrever uma pessoa tímida, introvertidas ou reservadas, quieta-no-seu-canto e que não vai muito falar com os outros se as pessoas néao vêem falar com elas. Porém, fica aqui a informação: antissocial é um tipo de transtorno de personalidade, também conhecido como psicopatia ou sociopatia e o sentido é bem mais negativo, já que os "sintomas" são não respeitar regras da sociedade, não ter empatia e manifestar desrespeito e desprezo para com o bem-estar dos outros, manipular e prejudicar, sem remorsos. O objetivo não é uma explanação sobre o assunto, que exigiria uma abordagem e linguagem mais profissionais sobre o assunto, o que não vem ao caso nos objetivos do blog.