terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Blogagem Coletiva – 12 Posts Especiais de 2012

O ano de 2012 está chegando ao fim e é o momento de repensar nas coisas boas que aconteceram durante esses 12 últimos meses! As boas, claro, pois as ruins a gente esquece!

Esse post faz parte da idéia das meninas do blog Aprendiz de Viajante que sugeriram uma blogagem coletiva  fazendo uma retrospectiva dos 12 posts mais legais do ano. Não foi fácil escolher, já que foram 149 artigos publicados, sobre temas diversos envolvendo principalmente a Vida na França, Viagens e Cultura.

Quem costuma vir aqui com frequência deve ter se deparado com alguns dos selecionados, mas para os novos leitores ou os menos assíduos, é uma oportunidade de se inteirar sobre tudo o que eu quis comprartilhar com vocês esse ano!

1. Viver Plenamente Munique: eu que já sou apaixonada pela Alemanha, adorei essa cidade cheia de energia, diversão e cultura! Passei o reveillon por lá, o que rendeu vários posts.

2. London: in the snow: todo ano é sagrado, temos que dar uma escapadinha em Londres, onde tem sempre tanta coisa acontecendo. Então fevereiro foi a época que escolhemos para curtir a cidade... abaixo de neve!!!

3. As mais belas pontes de São Petersburgo: Em março não estava fazendo frio suficiente em Paris e decidimos curtir o fim do inverno em São Petersburgo. Surreal!!!

4. Château de Fontainebleau: em abril os dias ensolarados geralmente voltam à Europa e fui à descoberta de mais uma moradia real, não muito longe, na própria região parisiense.

5. Primeiros passos em Viena: como não se encantar com a cidade de Viena? Ela sente e respira música. Em cada canto uma nota, uma poesia, uma história.

6. Um final de semana romântico em Bourges: nada melhor do que fugir de vez em quando da correria da cidade grande e descobrir mais um pouco do patrimônio histórico e arquitetural francês.

7. Paris vista através do Rio Sena. Julho foi um mês em que estive a maior parte do tempo fora, realizando uma grande e inesquecível viagem, mas tive tempo de navegar mais uma vez sobre o Rio Sena e contar um pouco da minha experiência!

8. Visitar a Grande Muralha da China!!! De retorno da China, óbvio que tive que compartilhar com vocês um dos meus sonhos, que enfim consegui realizar. 

9. Um dos mais belos vilarejos da França: e que tal fugir dos destinos mais turísticos? A França conta com uma  quande quantitade de pequenos lugarejos fantásticos.

10. Os impressionantes guerreiros de Terracota: o tempo foi passando, mas ainda assim me emocionei ao escrever sobre essa visita fascinante.

11. Um pouco de Madri. Novembro para mim é um dos meses mais trsites e cinzas na Europa, mas tentei quebrar essa monotonia indo passear em Madri!

12. Auvers-sur-Oise: em busca de Van Gogh. E dezembro ainda não terminou, mas já no comecinho conheci a simpática cidadezinha de Auvers-sur-Oise, o último refúgio de Van Gogh. 

Foram tantos posts legais de escrever e de viver (pois antes de escrever, eu vivo), mas se eu tivesse que escolher o que mais gostei de escrever, acredito que foi aquele sobre a China e a Moda. Não sei explicar exatamente a razão, vai ver foi meu mado mulherzinha que falou mais forte! Sem mais explicações mirabolantes!

Ainda pretendo postar por aqui em 2012, então espero vê-los antes da virada!!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Questão de pontos de vista

Hoje cheguei na academia e uma mulher estava comentando com outra que não foi malhar ontem pois seu filho, que mora na China, tinha chegado de viagem. Uma outra interrompe a conversa para perguntar onde ele morava. Em Shanghai. E ela diz:
- Meus filhos gêmeos foram visitar um amigo expatriado em Shanghai e odiaram a China! Os chineses são de uma vulgaridade!!!
- Sim, sim, são muito vulgares! Meus filhos são loiros de olhos claros e eram apontados nas ruas, todos queriam fotografá-los! Sem contar que os chineses cospem nas ruas!!!
- Mas é necessario conhecer a cultura e entender o contexto.
- Não me interesso por essa cultura e não quero colocar os meus pés lá!

Essa mulher que não amava a China (e que tem todo o direito!!!) continuou largando o seu veneno, enquanto a outra passou a ignorá-la completamente e continuou a conversa com a amiga do início. Ainda ouvi que seu filho vem à França 4 vezes por ano e a cada vez ele diz que não troca a China por nada, que adora o povo, que é acolhedor e sorridente. Ela esteve várias vezes na China ao longo desses ultimos anos e também comentou o quanto ela gosta de observar as pessoas dançando à noite nas praças ou praticando Qi Kong pela manhã.

Durante todo o tempo fiquei me coçando e quis entrar na conversa, mas fiquei só escutando. O objetivo não é falar da China, mas exemplificar o que para mim é muito importante: viajar exige uma grande abertura de espírito. Ainda mais se for para visitar locais com costumes e culturas tão diversificadas!!!

Por isso sempre aconselho uma boa preparação antes da viagem, através de leituras (livros, guias de turismo, blogs, etc) e conversas com pessoas que moram ou estiveram lá, para termos uma idéia de que terreno estaremos pisando. Evita muitos mal-entendidos!

Meu marido recebeu uma colega em formação, e quando ele disse que era casado com uma brasileira, ela disse que teve uma relação de 3 anos com um brasileiro, que esteve no Brasil e odiou as pessoas! Ele, muito surpreso, tentou descobrir a razão, já que a imagem que se tem é dos brasileiros como um povo muito agradável! Mas para ela, os brasileiros eram MUITO sorridentes, MUITO simpáticos e tentando agradar, que na cabeça dela era tudo falso!!! Ela achava que não era normal que brasileiros que ela via pela primeira vez já a abraçassem demoradamente, dissessem "você é linda", e "a casa é sua" (ela fala português)

E sobre os chineses, realmente viajei pensando que encontraria pessoas cuspindo para todos os lados, mas para a minha surpresa eram poucos que faziam isso, geralmente pessoas que víamos que não eram "da cidade", mas de origem camponesa. São hábitos que aos poucos vão se perdendo. E por falar nisso, aqui na França vejo muitos estrangeiros (não chineses) de origem mais humilde fazendo isso, sem contar que também vi esse mesmo comportamente em todas as cidades brasileiras que tive a oportunidade de visitar a trabalho, estudo ou lazer. Quem nunca viu e acha que é um comportamento exclusivo dos nossos amigos asiáticos, provavelmente nunca saiu da sua bolha!!!

#pronto#falei#

Mas como eu disse, são pontos de vistas diferentes. Uma mesma experiência pode ser vivida e sentida de formas diferentes para cada um dos envolvidos. Enquanto os tais dois loirinhos se sentiam muito mal com os olhares e holofotes sobre eles, nós levamos tudo numa boa e jogamos o jogo, sorrindo, fotografando, trocando palavras ou gestos. 


E posso dizer que aprendi muito com essa experiência, que foi uma das mais enriquecedoras da minha vida.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Museu Oscar Niemeyer em Curitiba

O falecimento de Oscar Niemeyer não passou despercebido aqui na França, terra onde ele foi e é muito admirado e respeitado. Vale lembrar também que ele foi exilado político aqui nos anos 70. 
Algumas palavras que os jornais têm escrito sobre ele: "estrela da arquitetura", "lirismo e sensualidade de seus prédios de concreto". Só elogios.

Brasília, a cidade moderna que foi erguida a partir do nada e "no nada" nos anos 50 também suscita a curiosidade dos franceses e europeus com um pouco mais de cultura e conhecimentos do Brasil que vão além da "pobreza-favelas-criminalidade". 

Não podemos ignorar o fato que ele deixa mais de 600 obras espalhadas pelo mundo, um feito que não é por qualquer um!!!

E a minha homenagem a esse gênio da arquitetura moderna fica por conta do museu que visitei em 2009 em Curitiba: imponente e futurista.

 O museu abre às 10horas, e não à meia noite, como deixa a entender a placa!
Túnel que nos dá uma impressão de estar fora da realidade tangível. 
Uma pena que o local seja tão pouco visitado (na época, espero que agora seja mais frequentado!)

Dei uma olhadinha no site e diversas exposições interessantes estão em cartaz atualmente, e a entrada é bem baratinha: somente 4 reais (2reais a meia-entrada)
Pessoal, vamos prestigiar a cultura do nosso país também!!! Quem for a Curitiba, não perca! E se motivos falta, a cidade é realmente linda!!!

Site do Museu Oscar Niemeyer: http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/exposicoes

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Impressionismo e a Moda*

(*do francês "L'impressionnisme et la Mode")

A semana que passou foi bem corrida e aproveitamos para fazer uma maratona de exposições que estavam na nossa lista e que terminam em janeiro. Como dezembro é um mês muito corrido para mim (e imagino que para todo mundo), resolvi não deixar para a última hora...

Uma delas foi sobre o Impressionismo e a Moda, no Museu d'Orsay, em Paris.

Pode parecer um assunto de mulher, mas não é. Ou é, mas muitos homens se interessaram pela assunto. Os artistas impressionistas muito retrataram a moda de seu tempo, um legado inestimável sobre os usos e costumes da época. Vale lembrar que o início do movimento impressionista concidiu com toda uma torbulência em Paris, já que a cidade estava sendo completamente remodelada em uma Paris "moderna", imaginada por Napoleão III e o prefeito Haussman. Nesse tipo de pintura, além das paisagens, muito se pintou personagens (principalmente mulheres), na cidade ou no campo, na sua vida quotidiana ou em festas. Fica fácil entender porque as parisienses são sinônimo de elegância e moda pelo mundo afora!!!

A coleção apresentada conta com obras de Monet, Manet, Renoir, Cézanne, Corot, Berthe Morisot (sim, uma mulher!), dentre outros. 

A gente acha que é difícil andar na moda hoje em dia, mas basta entender um pouquinho os costumes da época para percebermos o quanto era difícil ser mulher e de boa sociedade naquela época, pois era necessário mudar de roupa várias vezes por dia, começando por um peignoir pela manhã, passando logo após a um vestido de manhã. O vestido da tarde tinha que ser mais elegante, mas menos que o vestido de noite, cuja elegância e modelos variavam de acordo com a ocasião (jantar, baile, opéra, etc). Braços nus e decotes só eram possíveis em ocasiões de gala, e sair de casa sem chapéu, luvas e sombinha, nem pensar!!! Ah, e para as escapadas em meio à na natureza, o vestido tinha que ser específico para a ocasião!

  Manet à esquerda com a sua Femme au Perroquet (1866) e à esquerda Prospérie (Perie), pintada por seu marido Albert Bartholomé (quase desconhecido como pintor). 

Gostei muito das pinturas de James Tissot, esse francês que viveu metade de sua vida na Inglaterra, e suas pinturas são bem diferentes das que eram feitas na França na mesma época, com um toque bem inglês!!!


James Tissot gostava tanto desse vestido branco (que fazia parte da sua coleção) que pintou diversas modelos com o mesmo!!!

Outra particularidade da exposição são os vestidos e demais objetos de moda que são expostos para ilustrar a moda que foi retratada pelos impressionistas. Inclusive o vestido com o qual posou Prospérie para a tela mais acima está presente! Esse lado bem colorido e lúdico agradou algumas amigas que geralmente não gostam muito de museus pois acham chatos.

Sem contar a importância dos catálogos de moda que eram enviados aos milhares para as casas das possíveis clientes, na França ou no exterior. Um grande evento ocorreu em 1884 com a abertura das lojas Printemps. Muito mais fácil acompanhar as tendências!



Informações Práticas:

L'impressionnisme et la Mode
no Musée d'Orsay, até o dia 20 de janeiro de 2013.
Ingressos: 12€ (9,50e a tarifa reduzida). Gratuito para os menores de 18 anos e para todos no primeiro domingo do mês (no caso, 6 de janeiro).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Auvers-sur-Oise: em busca de Van Gogh

Essa simpática cidadezinha perto de Paris ficou imortalizada pelos pintores paisagistas e sobretudo os impressionistas que por ali passaram no final do séclo XIX. 

Porém o morador mais ilustre foi Vincent Van Gogh, que pintou ali cerca de 70 telas nos últimos 70 dias de sua vida. 

Após sua hospitalização psiquiátrica que durou um ano e durante a qual ele teve três crises importantes, Van Gogh foi morar em Auvers-sur-Oise para estar próximo do Dr. Gachet, que além de médico é colecionador de obras de arte e ele mesmo pintor amador.

 Albergue onde Van Gogh alugou um quarto e viveu suas últimas semanas. Ele comia praticamente todos os dias no restaurante, que é aberto até hoje. 
Também é possível visitar o quarto do artista, mas atenção aos horários.

Ele pintou vários retratos da filha do dono o albergue, Adelina Ravoux.

 O artista representado pelo escultor Zadkine (cujo atelier pode ser visitado em Paris).

 Acima a paisagem, abaixo à tela que foi inspirada por ela.



 A Igreja da cidade possui uma atmosfera incrível, como se o tempo tivesse parado por lá. A alma do artista parecia tão presente que cheguei a ficar arrepiada, como se fosse encontrá-lo a qualquer momento.
 A escadarias da igreja são consideradas patrimônico histórico.
E essa era a forma como Van Gogh representou essa igreja. Uma imagem famosa no mundo inteiro e que fascina pelas suas cores, pinceladas e deformação.

 Na parte mais alta da cidade ficam os campos (perto de onde ele atirou uma bala em si mesmo), não tenho fotos pois nessa época do ano escurece muito cedo. Ali Van Gogh pintou essa paisagem de chuva.

Mas ainda conseguimos chegar ao cemitério onde ele repousa em companhia de seu irmão Théo, de quem era muito próximo. 

Tanto talento, tanta força criadora e uma vida tão conturbada que terminou de forma tão trágica e triste.

Para quem aprecia o artista e/ou sua obra, a visita de Auvers-sur-Oise  é cheia de magia e nostalgia. Um ponto de encontro COM o artista. Mas os pontos de encontro com A OBRA do artista são sem dúvida principalmente o Museu Van Gogh em Amsterdam e o Museu d'Orsay, em Paris.

Interessado na vida de outros artistas? Não perca:

- A casa de jardins de Claude Monet, em Ginerny
- Atelier de Paul Cézanne, em Aix-en-Provence
- Atelier e casa de Gustave Moreau, em Paris
- Casa do escritor Victor Hugo, em Paris
- Casa de Freud, em Viena
- Casa de Charles Dickens, em Londres

Informações práticas:
- De abril a outubro existe trem direto de Paris até Auvers-sur-Oise, mas no restante do ano, é necessário fazer uma troca de trem. Apesar de barato, o trajeto pode ser longo, apesar de não ser longe de Paris, pois os trens são lentos.