quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Impressionismo e a Moda*

(*do francês "L'impressionnisme et la Mode")

A semana que passou foi bem corrida e aproveitamos para fazer uma maratona de exposições que estavam na nossa lista e que terminam em janeiro. Como dezembro é um mês muito corrido para mim (e imagino que para todo mundo), resolvi não deixar para a última hora...

Uma delas foi sobre o Impressionismo e a Moda, no Museu d'Orsay, em Paris.

Pode parecer um assunto de mulher, mas não é. Ou é, mas muitos homens se interessaram pela assunto. Os artistas impressionistas muito retrataram a moda de seu tempo, um legado inestimável sobre os usos e costumes da época. Vale lembrar que o início do movimento impressionista concidiu com toda uma torbulência em Paris, já que a cidade estava sendo completamente remodelada em uma Paris "moderna", imaginada por Napoleão III e o prefeito Haussman. Nesse tipo de pintura, além das paisagens, muito se pintou personagens (principalmente mulheres), na cidade ou no campo, na sua vida quotidiana ou em festas. Fica fácil entender porque as parisienses são sinônimo de elegância e moda pelo mundo afora!!!

A coleção apresentada conta com obras de Monet, Manet, Renoir, Cézanne, Corot, Berthe Morisot (sim, uma mulher!), dentre outros. 

A gente acha que é difícil andar na moda hoje em dia, mas basta entender um pouquinho os costumes da época para percebermos o quanto era difícil ser mulher e de boa sociedade naquela época, pois era necessário mudar de roupa várias vezes por dia, começando por um peignoir pela manhã, passando logo após a um vestido de manhã. O vestido da tarde tinha que ser mais elegante, mas menos que o vestido de noite, cuja elegância e modelos variavam de acordo com a ocasião (jantar, baile, opéra, etc). Braços nus e decotes só eram possíveis em ocasiões de gala, e sair de casa sem chapéu, luvas e sombinha, nem pensar!!! Ah, e para as escapadas em meio à na natureza, o vestido tinha que ser específico para a ocasião!

  Manet à esquerda com a sua Femme au Perroquet (1866) e à esquerda Prospérie (Perie), pintada por seu marido Albert Bartholomé (quase desconhecido como pintor). 

Gostei muito das pinturas de James Tissot, esse francês que viveu metade de sua vida na Inglaterra, e suas pinturas são bem diferentes das que eram feitas na França na mesma época, com um toque bem inglês!!!


James Tissot gostava tanto desse vestido branco (que fazia parte da sua coleção) que pintou diversas modelos com o mesmo!!!

Outra particularidade da exposição são os vestidos e demais objetos de moda que são expostos para ilustrar a moda que foi retratada pelos impressionistas. Inclusive o vestido com o qual posou Prospérie para a tela mais acima está presente! Esse lado bem colorido e lúdico agradou algumas amigas que geralmente não gostam muito de museus pois acham chatos.

Sem contar a importância dos catálogos de moda que eram enviados aos milhares para as casas das possíveis clientes, na França ou no exterior. Um grande evento ocorreu em 1884 com a abertura das lojas Printemps. Muito mais fácil acompanhar as tendências!



Informações Práticas:

L'impressionnisme et la Mode
no Musée d'Orsay, até o dia 20 de janeiro de 2013.
Ingressos: 12€ (9,50e a tarifa reduzida). Gratuito para os menores de 18 anos e para todos no primeiro domingo do mês (no caso, 6 de janeiro).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Auvers-sur-Oise: em busca de Van Gogh

Essa simpática cidadezinha perto de Paris ficou imortalizada pelos pintores paisagistas e sobretudo os impressionistas que por ali passaram no final do séclo XIX. 

Porém o morador mais ilustre foi Vincent Van Gogh, que pintou ali cerca de 70 telas nos últimos 70 dias de sua vida. 

Após sua hospitalização psiquiátrica que durou um ano e durante a qual ele teve três crises importantes, Van Gogh foi morar em Auvers-sur-Oise para estar próximo do Dr. Gachet, que além de médico é colecionador de obras de arte e ele mesmo pintor amador.

 Albergue onde Van Gogh alugou um quarto e viveu suas últimas semanas. Ele comia praticamente todos os dias no restaurante, que é aberto até hoje. 
Também é possível visitar o quarto do artista, mas atenção aos horários.

Ele pintou vários retratos da filha do dono o albergue, Adelina Ravoux.

 O artista representado pelo escultor Zadkine (cujo atelier pode ser visitado em Paris).

 Acima a paisagem, abaixo à tela que foi inspirada por ela.



 A Igreja da cidade possui uma atmosfera incrível, como se o tempo tivesse parado por lá. A alma do artista parecia tão presente que cheguei a ficar arrepiada, como se fosse encontrá-lo a qualquer momento.
 A escadarias da igreja são consideradas patrimônico histórico.
E essa era a forma como Van Gogh representou essa igreja. Uma imagem famosa no mundo inteiro e que fascina pelas suas cores, pinceladas e deformação.

 Na parte mais alta da cidade ficam os campos (perto de onde ele atirou uma bala em si mesmo), não tenho fotos pois nessa época do ano escurece muito cedo. Ali Van Gogh pintou essa paisagem de chuva.

Mas ainda conseguimos chegar ao cemitério onde ele repousa em companhia de seu irmão Théo, de quem era muito próximo. 

Tanto talento, tanta força criadora e uma vida tão conturbada que terminou de forma tão trágica e triste.

Para quem aprecia o artista e/ou sua obra, a visita de Auvers-sur-Oise  é cheia de magia e nostalgia. Um ponto de encontro COM o artista. Mas os pontos de encontro com A OBRA do artista são sem dúvida principalmente o Museu Van Gogh em Amsterdam e o Museu d'Orsay, em Paris.

Interessado na vida de outros artistas? Não perca:

- A casa de jardins de Claude Monet, em Ginerny
- Atelier de Paul Cézanne, em Aix-en-Provence
- Atelier e casa de Gustave Moreau, em Paris
- Casa do escritor Victor Hugo, em Paris
- Casa de Freud, em Viena
- Casa de Charles Dickens, em Londres

Informações práticas:
- De abril a outubro existe trem direto de Paris até Auvers-sur-Oise, mas no restante do ano, é necessário fazer uma troca de trem. Apesar de barato, o trajeto pode ser longo, apesar de não ser longe de Paris, pois os trens são lentos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Montanhas Huangshan - Bastidores


Desdo o planejamento inicial da viagem à China, sabíamos que as Montanhas Huangshan tinham que fazer parte do roteiro. Porém apesar de consultarmos diversos guias de viagens, sites e blogs, as informações eram mínimas e incompletas. Por isso, muitas coisas decidimos organizar ao chegar na China mesmo.
A forma mais fácil de chegar à região dessas montanhas é de ônibus ou trem de quem vem de Shangai ou cidades próximas de Shangai. Porém nós estaríamos em Xi'an. Já em Pingyao começamos a nos preocupar com o trajeto e poucas pessoas sabiam nos informar. Em uma mini agência de turismo de lá, a pessoa que era bem competente e com excelente inglês pesquisou para nós e não tinha trem direto, o que resultaria em um total de cerca de 19 horas em 2 trens lento. A melhor alternativa seria o avião, ou então ir direto para Shangai e de lá fazer um trajeto de ida e volta até as montanhas. Resolvemos pensar um pouco e decidimos ir de avião (apenas 2 horas!) e compramos as passagens por nossa conta mesmo utilisando a internet do hotel.
Tudo foi bem simples, no aeroporto de Xi'an tudo era muito eficaz, vôo na hora e serviço correto. Apesar de termos comprado as passagens com 3 dias de antecedência. Porém só havia um vôo por dia que fazia esse trajeto, e ele fazia escala do aeroporto de Tunxi (ou também nomeado Huangshan) e depois partia para uma outra cidade cujo nome não lembro.
Chegamos no aeroporto de Tunxi pouco antes das 16h. Porém, meu marido que sempre é o último a descer do avião (ele diz que não vai empurrar as pessoas ou passar na frente), tinha esquecido que o avião fazia apenas uma escala e também fiquei ali esperando. Só lembramos quando vimos pessoas entrando no avião! Tinhamos despachado uma das mochilas, já que vínhamos acumulando um certo peso desde o início da viagem, e quando chegamos à esteira, a mochila estava ali rodando sozinha. Sylvain ainda inventou de ir ao banheiro (é a primeira coisa que ele faz quando desce do avião e isso me irrita!) e depois resolveu trocar algumas coisas de mochila para facilar o transporte...
Resultado: quando saímos da zona de chegada, o aeroporto estava completamente vazio e estavam mesmo apagando as luzes! Ninguém para nos informar, todos os balcões vazios... Surreal! E nós ali perdidos no meio de um aeroporto vazio no meio do nada...
Até que enfim conseguimos encontrar uma moça que chamou uma outra que falava um pouco inglês e que nos disse que tínhamos perdido o último ônibus que sai coordenado com o último vôo do dia, que por acaso era o nosso...
A única solução era um taxi... Não houve negociação possível, tivemos que pagar os 200 yuans pelos 70km de trajeto até Tangkou, a cidade ao pé da entrada das Montanhas. Os taxistas sabem que não podeemos fazer o trajeto a pé!!! Fiquei meio chateada com essa situação e por termos que nos submeter a isso, mas o erro foi nosso, melhor aguentar as conseqüêencias. Para piorar, queríamos que ele nos deixasse no restaurante do Senhor Chen, de quem tínhamos ouvido falar através de blogs e relatos de viagem, mas o taxista que não falava uma palavra de inglês nos "confiou" ao Senhor Hu, um concorrente do Senhor Chen e com quem provavelmente ele tinha um acordo.
Mas se tudo tinha começado não lá muito bem, o Senhor Hu era uma pessoa simples e muito simpático! Ele possui um hotel cujo preço estava bem de acordo com o nosso orçamento e nos passou todas as informações necessárias. Com ele também compramos as nossas passagens para ir embora.
Já sabíamos que a cidade era sem interesse, mas fomos explorá-la ainda assim e encontrar um restaurante para comer.

 A cidade é apenas uma rua principal com algumas ruazinhas perpendiculares sem saída que terminam em uma montanha! Na rua principal encontramos restaurantes, hotéis, lojas de chá e mercados.

 O problema é que tudo era escrito em chinês...
Inclusive o cardápio dos restaurantes!!!
Apesar da quantidade de restaurantes, não foi fácil escolher um. Eles queriam muito nos servir, mas pedíamos para olhar o cardápio, tudo em chinês, não entendíamos nada!!! Tentamos uns 5 ou 6. Raramente tinha a foto dos pratos, e quando tinha, tinha uma fotinho de tartaruga, por exemplo... Não, obrigada!
Até que encontramos um restaurate onde uma boa alma foi buscar uma semi-tradução em inglês aproximativo.

Sem saber muito o que nos esperava, Sylvain pediu um prato a base de frango e eu um de beringelas, com uma porção de arroz. Ambos estavam ótimos, porções bem generosas, mas o frango vinha com todos os tipos de pedaços, inclusive pescoço.


Nos restaurantes da China (os simples nos quais estivemos), geralmente os utensilhos chegam embalados, para provar que foi bem higienizado.

No dia seguinte acordamos muito cedo e passamos o dia inteiro percorrendo as montanhas. Muitas pessoas optam por passar a noite na montanha e chegam a caminhar 3 dias inteiros, mas já estávamos com nosso tempo esgotado e para a "esportista" que eu sou, estava no meu limite físico. Voltamos para o hotel e fomos jantar no mesmo restaurante.
Desta vez não tive a mesma sorte! Pedi um prato a base de vegetables e carne de porco, mas olha o que eles chamam de vegetais:

 E eu tenho verdadeiro horror a esse tipo champignon!!!
 Felizmente a massa que pedimos como acompanhamento e o prato de Sylvain a base de frango estavam deliciosos e foram o suficiente para duas pessoas, então acabei não precisando pedir outra coisa.
 O mais difícil foi comer a massa com os palitinhos. Até me viro bem com sushis e outros alimentos em "pedaços", contudo a massa molhadinha em água ou molho não era muito fácil e eu demorava 5 vezes mais para comer e no final ainda desistia. Tentamos pedir um garfo, mas eles desconheciam ali esse utensilho, e a colher disponível não ajuda muito para comer esses pratos escorregadios.
Uma alma caridosa veio até a nossa mesa e nos deu uma aula rápida... 
Sylvain aprendeu alguma coisa, mas  confesso que terminei o dia com calo nos dedos!!!

E em relação às Montanhas:

- Como escrevi no outro artigo, levamos nosso pique-nique para não comprar nada lá! E tivemos razão, pois os preços sobrem de acordo com a altitude... Se vocês pensam que é uma forma de se aproveitar do pobre turista que esqueceu de levar água ou lanchinho, até pode ser, mas pensando em como é difícil subir qualquer coisa e o esforço necessário, estranho seria se vendessem tudo baratinho!!!

Vocês podem ficar chocados com a foto, como eu fiquei com essas cenas que se repetiam o dia inteiro. Mas conversando com alguns chineses, quando dizíamos "coitados" se referindo a esses trabalhadores, eles respondiam que a gente não tinha consciência que o país conta com mais de 1 bilhão de pessoas e que é importante conservar todos os empregos, que "coitado" seria se ele não tivesse trabalho!

- Se você não tiver traços asiáticos e se for branquinho (ou rosa) de olhos claros, maior a sua chance de ser pararicado! Sylvain era presenteado a todo momento com frutas e outros artigos de sobrevivência! 

- Impressiona a quantidade de turistas (chineses, na maioria) que invadem o local. Em alguns momentos é o silêncio, mas em outros é uma verdadeira multidão, com seus guias em alto-falante!!! Só mesmo subindo o mais alto e longe possível para fugir deles (que adoro, mas tudo que é muito cansa, não?) e encontrar um momento de paz. Mas às vezes era assim:



- E como não me canso de repetir, na China, o mais complicado é a comunicação.
Nesse caso era fácil, todas as setas indicavam a mesma direção, mas e quando cada uma indica um caminho diferente???

- Testei e funciona até mesmo na China: sorriso gera sorriso, e gentileza gera gentileza!!!
Difícil era manter o sorriso após horas e horas de caminhada árdua!!!
Mas o sorriso vem facilmente quando a gente percebe que está vivendo um dos momentos mais incríveis da nossa vida!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

1789 - Les Amants de la Bastille


Todos os anos aqui na França é lançado um espetáculo musical, e eu caí de amores por eles! 
Eh fácil se encantar com a produção, músicas, figurinos, cenários... E ainda tem o lado popular e de fácil apreciação ao grande público.

E o espetáculo dessa temporada 2012-2013 se chama "1789, Les Amants de la Bastille"(os amantes da Bastilha) e fala dos últimos dias da Monarquia de Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta, de uma França mergulhada em dívidas e vivendo no luxo de Versailles, e fala do povo na miséria enquanto a corte fazia despesas exorbitantes. Fala da Revolução Francesa, passando por personagens importantes que estudamos na escola como Robespierre, Danton, Desmoulins, Marat.

Como pano de fundo o encontro (fictício) de um jovem camponês revolucionário e uma dama de companhia fiel à rainha. Ou seja, um amor impossível naquela época! O romance é para dar ainda mais sentimento à história, mas posso dizer que apesar do lado "espetáculo e ficção, foi bem instrutivo. Bem mais simples "visualizar" através da interpretação a importância desse momento histórico para França e para a humanidade.

Algumas fotos (fotos sem flash eram permitidas, assim como vídeos, mas não era fácil fotografar em movimento e eu estava com pouca memória para vídeos!)
 O luxo em que viviam os soberanos em Versailles
 Enquanto em Paris e povo era massacrado e morria de fome



Amor impossível

Gostei muito do espetáculo, mas confesso que esperava mais da coreografia, que na maior parte do tempo era bem "parada", mesmo nas músicas mais agitadas. Porém o lado positivo é que tinham muitos diálogos e interpretação. 

Adorei a cena que se passa na Basílica de São Denis (um dia tenho que escrever um artigo sobre ela!) e do "fim" de Maria Antonieta, de muita sensibilidade e rico de simbolismos... E a partir desse momento tudo foi perfeito: a emocionante queda da prisão da Bastilha e a Declaração dos Direitos dos Homens e Cidadãos que proclama a igualdade diante da lei e liberdades universais, como se realmente estivesse vivendo esse momento.





A música final

Quem nunca sonhou em mudar a história?

Gostou? Les amants de la bastille pode ser visto até o dia 13 de janeiro 2013 em Paris e a partir de fevereiro em tournée pela França.

sábado, 24 de novembro de 2012

Museus de Madri

Quem acompanha o blog sabe que não consigo viajar sem visitar os principais museus. E para quem curte, Madri possui um grande acervo, seja em quantidade ou qualidade! Uma das vantagens, na minha opinião, é que geralmente eles ficam abertos até às 20. Visitei 3 dessa vez, mas acredito que são os mais importantes da cidade:

1. Museo del Prado
Como ir a Madri e não visitar o Prado? Só mesmo para quem tem horror a museus, pois mesmo para os leigos é um local incontornável. Trata-se de um dos museus mais ricos do mundo, apresentando coleções que os reis da espanha começaram a colecionar desde o período de Charles Quint. Infelizmente nada pode ser fotografado (o que me fez ter que garimpar pela internet as minhas obras preferidas), o que eu não entendo, já que são obras muito antigas cujo direito de autor expirou, mas consegui entender ao final, pois podemos escolher QUALQUER obra do museu, cuja cópia é impressa em tela ou papel, e podemos receber em casa. Interdição puramente econômica. Dommage.

Confesso que ficamos (chéri e eu) um pouco decepcionados com o museu, do qual esperávamos muito mais. Nos quesitos diversidade, qualidade de obras apresentadas e beleza dos locais, consideramos o Louvre imbatível, seguido pela National Gallery de Londres, pelo Hermitage de São Petersburgo. Sem esquecer a Alte Pinakothek de Munique. Mas ele vale a pena por ser a residência permanente de algumas obras imperdíveis:

- O Jardim das Delícias, de Bosch (que eles chamam El Bosco), uma pintura flamenga do século XV. Para quem não conhece o artista e sua obra, ele consegue retratar com um simbolismo incrível as agonias da época medieval. Podemos dizer que foi "O" percursor do surrealismo. A gente acha que os filmes de terror ou suspense sobre o céu e o inferno, os monstros e tudo o mais são invençéoes modernas? Nada disso, Bosh já tinha desenhado tudo isso há 6 séculos!!!

- Auto-retrato (ano 1500), do alemão Albrecht Dürer, de quem eu já tinha falado anteriormente. Essa pintura o retrata no auge dos seus 26 anos e ricamente vestido, mostrando que a pintura era uma nobre arte. Sublime.

- A Anunciação, de Fra Angelico, uma transição entre o Gótido tardio (utilização de ouro, senso do detalhe  e técnica da miniatura) e a Renascença (tratamento da perspectiva e arquitetura).

- O Cardeal, de Rafael, com seu rosto enigmático (inspirado da forma como Leonardo da Vinci gostava de pintar seus persogens). A imagem da internet não condiz com a pintura: o olhar é penetrante, o vermelho e detalhes da roupa são impressionantes. O museu possui outras obras do artista, sendo a mais bela de lá a Sagrada Família, mas que está nesse momento sendo apresentada no Louvre.
- A grande estrela do Prado é sem dúvida o pintor espanol Velazquez, com uma enorme sala dedicada somente (sem contar as outras salas) a ele e com dezenas de obras ali expostas, dentre elas a sua mais famosa: As Meninas.

A tela é enorme, e nela o artista joga com o espaço e a luminosidade. Ele consegue nos transportar para a tela e nos sentimos parte da obra. Os personagens parecem nos olhar, mas na verdade, estão observando o casal real que está sendo pintado por Velazquez! Complicado? Nem tanto, pois a resposta está no espelho ao fundo (com a imagem do casal). O artista se representa ele mesmo na cena, portando a cruz de Santiago que faz dele parte da nobreza. Os críticos também analisam que a sua pose séria e reflexiva quer mostrar que o seu trabalho e mais de ordem intelectual que manual. Interessante, não?
Outras atrações do museu realmente confirmaram que não admiro em nada outros artistas espanhóis como El Greco (com seus personagens alongados e de cores vivas) e o mais recente Goya (até mesmo seus croquis são horríveis!), cuja obra não me atrai em nenhum sentido. Gosto é gosto!!!

2. Museo Thyssen-Bornemisza
Uma das grandes surpresas!!! O museu é muito agradável de visitar e as obras ali representadas séao de uma qualidade impressionante. Quase todos os movimentos do mundo da arte estão ali representados, o que pode ser uma vantagem para os não especialistas, já que desta forma podemos ver de tudo um pouco em ordem cronológica e não se torna tão cansativo. Podemos observar os primitivos italianos e arte medieval, o ciclo do Renascimento e do Classicismo, até a pintura veneziana dos séculos XVII e XVIII. Pintura flamenga, alemã, espanhola, italiana e holandesa. Depois vem a pintura Impressionista e pós-Impressionista, a pintura norte-americana do século XIX e o Expressionismo alemão. Para finalizar, pinturas do século XX desde o Cubismo e os movimentos de vanguarda  até o Pop Art. 
Caravaggio (1508)
Canaletto (1723-24)
Salvador Dali (1944, à esquerda) e Francis Bacon (1968, à direita)

Roy Lichtenstein(1963). Parece uma impressão, mas são muilhares de pontinhos feitos com o pincel!
Hopper (1944), cuja exposição em Paris (Grand Palais) nesse momento está fazendo um imenso sucesso

3. Museo Centro de Arte Reina Sofia
A obra momumental de Picasso, Guernica, já justifica por si só a visita. Detalhe incompreensível: nesse museu se pode fotografar sem flash... Menos na sala da Guernica! Ali ficam sentados dois funcionários, um de cada lado da obra, somente para impedir as fotos "roubadas"! 

Uma das obras mais famosas de Picasso. Em 1937, durante a Guerra da Espanha, a cidade de Guernica foi bombardeada pela aviação alemã fazendo mais de 2 mil vítimas civis e se tornou um dos símbolos da crueldade, violência e repressão da ditadura Franquista. Hoje representa o horror da guerra de uma forma geral. Podemos observar os rostos torturados, e os tons cinzas e preto aumentam ainda mais o sentimento de sofrimento e dor. Mas a obra representa igualmente a esperança (a luz e a florzinha discreta). Uma emoção muito grande. Uma boa coleção de peças de Miró e Kandinsky. Infelizmente as grandes obras de Dalí não estavam ali, pois já tinham vindo para a grande exposição que começou essa semana em Paris (e que verei, com certeza!)