terça-feira, 27 de novembro de 2012

1789 - Les Amants de la Bastille


Todos os anos aqui na França é lançado um espetáculo musical, e eu caí de amores por eles! 
Eh fácil se encantar com a produção, músicas, figurinos, cenários... E ainda tem o lado popular e de fácil apreciação ao grande público.

E o espetáculo dessa temporada 2012-2013 se chama "1789, Les Amants de la Bastille"(os amantes da Bastilha) e fala dos últimos dias da Monarquia de Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta, de uma França mergulhada em dívidas e vivendo no luxo de Versailles, e fala do povo na miséria enquanto a corte fazia despesas exorbitantes. Fala da Revolução Francesa, passando por personagens importantes que estudamos na escola como Robespierre, Danton, Desmoulins, Marat.

Como pano de fundo o encontro (fictício) de um jovem camponês revolucionário e uma dama de companhia fiel à rainha. Ou seja, um amor impossível naquela época! O romance é para dar ainda mais sentimento à história, mas posso dizer que apesar do lado "espetáculo e ficção, foi bem instrutivo. Bem mais simples "visualizar" através da interpretação a importância desse momento histórico para França e para a humanidade.

Algumas fotos (fotos sem flash eram permitidas, assim como vídeos, mas não era fácil fotografar em movimento e eu estava com pouca memória para vídeos!)
 O luxo em que viviam os soberanos em Versailles
 Enquanto em Paris e povo era massacrado e morria de fome



Amor impossível

Gostei muito do espetáculo, mas confesso que esperava mais da coreografia, que na maior parte do tempo era bem "parada", mesmo nas músicas mais agitadas. Porém o lado positivo é que tinham muitos diálogos e interpretação. 

Adorei a cena que se passa na Basílica de São Denis (um dia tenho que escrever um artigo sobre ela!) e do "fim" de Maria Antonieta, de muita sensibilidade e rico de simbolismos... E a partir desse momento tudo foi perfeito: a emocionante queda da prisão da Bastilha e a Declaração dos Direitos dos Homens e Cidadãos que proclama a igualdade diante da lei e liberdades universais, como se realmente estivesse vivendo esse momento.





A música final

Quem nunca sonhou em mudar a história?

Gostou? Les amants de la bastille pode ser visto até o dia 13 de janeiro 2013 em Paris e a partir de fevereiro em tournée pela França.

sábado, 24 de novembro de 2012

Museus de Madri

Quem acompanha o blog sabe que não consigo viajar sem visitar os principais museus. E para quem curte, Madri possui um grande acervo, seja em quantidade ou qualidade! Uma das vantagens, na minha opinião, é que geralmente eles ficam abertos até às 20. Visitei 3 dessa vez, mas acredito que são os mais importantes da cidade:

1. Museo del Prado
Como ir a Madri e não visitar o Prado? Só mesmo para quem tem horror a museus, pois mesmo para os leigos é um local incontornável. Trata-se de um dos museus mais ricos do mundo, apresentando coleções que os reis da espanha começaram a colecionar desde o período de Charles Quint. Infelizmente nada pode ser fotografado (o que me fez ter que garimpar pela internet as minhas obras preferidas), o que eu não entendo, já que são obras muito antigas cujo direito de autor expirou, mas consegui entender ao final, pois podemos escolher QUALQUER obra do museu, cuja cópia é impressa em tela ou papel, e podemos receber em casa. Interdição puramente econômica. Dommage.

Confesso que ficamos (chéri e eu) um pouco decepcionados com o museu, do qual esperávamos muito mais. Nos quesitos diversidade, qualidade de obras apresentadas e beleza dos locais, consideramos o Louvre imbatível, seguido pela National Gallery de Londres, pelo Hermitage de São Petersburgo. Sem esquecer a Alte Pinakothek de Munique. Mas ele vale a pena por ser a residência permanente de algumas obras imperdíveis:

- O Jardim das Delícias, de Bosch (que eles chamam El Bosco), uma pintura flamenga do século XV. Para quem não conhece o artista e sua obra, ele consegue retratar com um simbolismo incrível as agonias da época medieval. Podemos dizer que foi "O" percursor do surrealismo. A gente acha que os filmes de terror ou suspense sobre o céu e o inferno, os monstros e tudo o mais são invençéoes modernas? Nada disso, Bosh já tinha desenhado tudo isso há 6 séculos!!!

- Auto-retrato (ano 1500), do alemão Albrecht Dürer, de quem eu já tinha falado anteriormente. Essa pintura o retrata no auge dos seus 26 anos e ricamente vestido, mostrando que a pintura era uma nobre arte. Sublime.

- A Anunciação, de Fra Angelico, uma transição entre o Gótido tardio (utilização de ouro, senso do detalhe  e técnica da miniatura) e a Renascença (tratamento da perspectiva e arquitetura).

- O Cardeal, de Rafael, com seu rosto enigmático (inspirado da forma como Leonardo da Vinci gostava de pintar seus persogens). A imagem da internet não condiz com a pintura: o olhar é penetrante, o vermelho e detalhes da roupa são impressionantes. O museu possui outras obras do artista, sendo a mais bela de lá a Sagrada Família, mas que está nesse momento sendo apresentada no Louvre.
- A grande estrela do Prado é sem dúvida o pintor espanol Velazquez, com uma enorme sala dedicada somente (sem contar as outras salas) a ele e com dezenas de obras ali expostas, dentre elas a sua mais famosa: As Meninas.

A tela é enorme, e nela o artista joga com o espaço e a luminosidade. Ele consegue nos transportar para a tela e nos sentimos parte da obra. Os personagens parecem nos olhar, mas na verdade, estão observando o casal real que está sendo pintado por Velazquez! Complicado? Nem tanto, pois a resposta está no espelho ao fundo (com a imagem do casal). O artista se representa ele mesmo na cena, portando a cruz de Santiago que faz dele parte da nobreza. Os críticos também analisam que a sua pose séria e reflexiva quer mostrar que o seu trabalho e mais de ordem intelectual que manual. Interessante, não?
Outras atrações do museu realmente confirmaram que não admiro em nada outros artistas espanhóis como El Greco (com seus personagens alongados e de cores vivas) e o mais recente Goya (até mesmo seus croquis são horríveis!), cuja obra não me atrai em nenhum sentido. Gosto é gosto!!!

2. Museo Thyssen-Bornemisza
Uma das grandes surpresas!!! O museu é muito agradável de visitar e as obras ali representadas séao de uma qualidade impressionante. Quase todos os movimentos do mundo da arte estão ali representados, o que pode ser uma vantagem para os não especialistas, já que desta forma podemos ver de tudo um pouco em ordem cronológica e não se torna tão cansativo. Podemos observar os primitivos italianos e arte medieval, o ciclo do Renascimento e do Classicismo, até a pintura veneziana dos séculos XVII e XVIII. Pintura flamenga, alemã, espanhola, italiana e holandesa. Depois vem a pintura Impressionista e pós-Impressionista, a pintura norte-americana do século XIX e o Expressionismo alemão. Para finalizar, pinturas do século XX desde o Cubismo e os movimentos de vanguarda  até o Pop Art. 
Caravaggio (1508)
Canaletto (1723-24)
Salvador Dali (1944, à esquerda) e Francis Bacon (1968, à direita)

Roy Lichtenstein(1963). Parece uma impressão, mas são muilhares de pontinhos feitos com o pincel!
Hopper (1944), cuja exposição em Paris (Grand Palais) nesse momento está fazendo um imenso sucesso

3. Museo Centro de Arte Reina Sofia
A obra momumental de Picasso, Guernica, já justifica por si só a visita. Detalhe incompreensível: nesse museu se pode fotografar sem flash... Menos na sala da Guernica! Ali ficam sentados dois funcionários, um de cada lado da obra, somente para impedir as fotos "roubadas"! 

Uma das obras mais famosas de Picasso. Em 1937, durante a Guerra da Espanha, a cidade de Guernica foi bombardeada pela aviação alemã fazendo mais de 2 mil vítimas civis e se tornou um dos símbolos da crueldade, violência e repressão da ditadura Franquista. Hoje representa o horror da guerra de uma forma geral. Podemos observar os rostos torturados, e os tons cinzas e preto aumentam ainda mais o sentimento de sofrimento e dor. Mas a obra representa igualmente a esperança (a luz e a florzinha discreta). Uma emoção muito grande. Uma boa coleção de peças de Miró e Kandinsky. Infelizmente as grandes obras de Dalí não estavam ali, pois já tinham vindo para a grande exposição que começou essa semana em Paris (e que verei, com certeza!)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Montanhas Huangshan (The Yellow Mountains)


A cerca de 400km de Shanghai, na província do Anhui, essas montanhas míticas da China inspiraram caligrafistas e pintores ao longo dos séculos (como o famoso poeta do século VIII Li Bai) e atraem um milhão de turistas todos os anos. 

O massivo está inscrito na lista de patrimônio da Unesco pela sua natureza única. A paisagem nunca é a mesma pois ela muda dezenas e dezenas de vezes ao longo do dia, de acordo com os ventos, formando uma multiplicidade de paisagens diferentes. Muda tão rápido que se o tempo está encoberto basta aguardar alguns mitutos que o seu aparece azul de uma limpeza inacreditável. Ela incarna tudo o que há de mais constante e profundo no imaginário chinês: sábios e artistas de outrora buscaram uma comunhão absoluta com a montanha. 

Se atualmente os turistas (chineses a praticamente 99%) querem admirar essas belas paisagens, o local resta uma aliança entre o Céu e a Terra e confere, de acordo com o as crenças taoístas, a Imortalidade. Antes de tudo, a ascenção das Montanhas Huangshan representa uma forma de se unir às forças vitais do Universo. Simples assim, não?


Acordamos bem cedo (5h), e caminhamos até o ponto do ônibus turístico que deixa em uma das entradas do parque. A subida já é impressionante e a cidade vai ficando lá longe, lá embaixo. Compramos nosso ingresso e devidamente carregados com água mineral e alimentos (carne seca, banana desidratada, amendoins e chips, foi o que encontramos para levar), começamos a nossa subida às 6h30 da manhã,  pelo caminho considerado mais "fácil". Esse "fácil" que já começava com 7,5km até o Cloud Valley Temple, mais 6km até o Pico Two Cats Catching a Mouse, mais um pouco até o Pico White Goose Ridge, mais alguns quilômetros ate o pico do Lótus, Pico da Tartaruga, mais 3,5 km até o Pico de Jade

São subidas e descidas, pois muitas vezes para chegar em um pico é necessário  contornar um outro... E terminamos com mais 6 km de descida íngreme pelo lado mais difícil... Devo ter esquecido de relatar algumas voltas para avistar outros picos, mas foi mais ou menos isso, então dá para ter idéia que é necessário ter um certo preparo físico e não ter problemas de joelho, pois eles doem mesmo, principalmente na descida final, que parece não acabar mais!!! Quando estávamos planejando a viagem,  Sylvain queria absolutamente subir os milhares de degraus para chegar ao topo, e eu já imaginava o calvário, mas topei o desafio. 
Conseguem ver os degraus no meio das rochas?

Somente para atingir o pico de Lótus são mais de 4 mil degraus... Existe um teleférico que permite se aproximar do percurso, mas os corajosos e aventureiros (ou loucos) preferem subir a pé mesmo cada um desses degraus! Apesar dos picos serem numerosos, eles não são extremamente altos: 77 ultrapassam os mil metros de altitude e 3 deles são acima de 1800 metros, sendo que o mais alto e famoso é o Pico de Lótus (1864m). 

Eu não quis tirar uma foto no ponto mais alta pois estava totalmente descabelada e suada, mas juro que estava ali e fui eu quem fotografou o esportista:



 Ok, por essa passarela eu não passei e não passo de jeito nenhum!!!

E vocês me perguntam:  "E todo esse esforço vale a pena?"
Eu respondo mil vezes: VALE!!!









Todos esses inumeráveis picos de granito repletos de coníferas se tornam ainda mais belos com as nuvens que pousam ao redor. Todos querem observá-los no meio de toda essa neblina. Se eu já tinha visto as tradicionais pinturas chinesas em fotos ou em cópias, a natureza é ainda mais exuberante! Um dos momentos mais incríveis da minha vida, até hoje ao rever as fotos tenho a impressão de ter vivido um sonho!


Um lugar a não ser esquecido jamais!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Prefiro a hipocrisia...

Sei que muitas pessoas não vão concordar comigo, mas entre a agressão direta e opiniões muito sinceras de quem não pedi, eu prefiro a hipocrisia.
Alguns chamam de hipocrisia, mas eu digo sobretudo "diplomacia". Vivemos em sociedade e em muitos casos do dia a dia não podemos escolher nossas relações, como colegas de trabalho, chefe, clientes e família do marido...

Acho que na vida não precisamos dar nossa opinião sincera sobre tudo quando não somos convidados a fazê-lo. Por exemplo, a colega chega com um casaco que você acha horrível, você diz na cara dela: "Que casaco horrível! Onde você comprou essa coisa tão feia?" Sim, tem gente que diz. Mas a situação é ainda mais delicada quando ela pergunta: o que você achou do meu casaco novo?
O que dizer?
Eu tento ser sincera mas sem ofender a pessoa. Se ela não pediu a minha opinião na hora de comprar, agora que já comprou não adianta nada eu tentar mudar a sua opinião. Eu diria: prefiro teus outros casacos (o preto, marrom, vermelho, etc), esse não te valoriza como os outros.

Mas meu marido diz que as pessoas são assim e que eu que tenho mania de perseguição. Mas seria mania de perseguição pessoas que a cada vez que me encontram, sabendo que sou psicóloga encontram sempre uma forma de falar mal dos psicólogos? Ou sabendo que sou estrangeira, dão um jeito de falar mal dos estrangeiros na minha frente? Ou a pessoa não se toca mesmo (o que eu acho difícil, quando a situação está sempre se repetindo com a mesma pessoa, e fora do contexto), ou ela faz para provocar... Não vejo outra resposta.

Outro dia, no meio de um jantar, assuntos diversos e nada a ver com psicólogo, uma pessoa decide me falar: "psicólogos são todos desequilibrados; uma vez conheci uma psicóloga que era alcoólatra".
Hein???

Ou outro dia, o tema era gravidez e adoção, uma outra pessoa me sai com essa pérola: "psicólogos não deveriam ser autorizados a ter filhos".

Só da minha turma éramos mais de 40 alunos de psicologia e hoje psicólogos, nenhum foi internado por problemas psiquiátricos, nenhum cometeu um crime e/ou está na prisão...

Ou então quando começam a me falar dos estrangeiros que chegam aqui para "roubar" empregos... Não é possível que tenham esquecido justamente nessa hora que sou estrangeira, ou que pendem que esse tipo de comentário não vai me tocar.

Então, prefiro a hipocrisia, prefiram que não façam referência negativas a estrangeiros, ao Brasil, brasileiros, e aos psicólogos na minha frente. Que guardem para si tantos pensamentos negativos!

Ah, e ninguém precisa também me dizer: "puxa, como você engordou!" kkk

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Um pouco de Madri

Ainda não sei dizer se gostei ou não de Madri, onde estive recentemente pela primeira vez. Talvez tenha sido o meu estado de espírito (várias coisas estavam dando errado, tinha levantado com o pé esquerdo!) e o clima. O tempo conta muito para mim, ainda mais em uma viagem à Espanha, que para os europeus representa Sol e temperaturas mais agradáveis. Não sou européia mas queria escapar dos dias cinzas da capital francesa no mês de novembro...
Mas o que posso dizer é que guardo de Madri a imagem de uma cidade LINDA, com muitas coisas para ver e visitar, muitas atividades culturais e muita animação (uma vida norturna invejável!).

 O famoso Parque Del Retiro e Back Swan, lindo no outono
 O Palacio Real visto sob a chuva ou com sol... 

Nuestra Señora de la Almudena, surpreendente por fora e completamente sem graça por dentro. 
Por acaso era a festa da padroeira em um dos dias da nossa estadia.
 Plaza de la Villa, com todos os estilos arquitetônicos de Madrid ali representados.
 Não lembro o nome, mas adorei  arquitetura e as cores.
 Palacio de Comunicaciones
 Igreja San Manuel y San Benito
 Plaza de Toros de Las Ventas
Onde tem livros é comigo mesmo! E adorei essa livraria a céu aberto!
 Um dos bares da animada Calle de la Cava Baja (não sou eu na foto)
Mercado San Miguel, lotado dia e noite apesar do preço um pouco elevado dos seus tapas e demais produtos da gastronomia local. 

Deixo vocês com essas imagens e vou aqui assimilando tudo o que vi e aprendi, volto em breve com mais detalhes dessa cidade que me surpreendeu em todos os sentidos (bons ou ruins).