segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Montanhas Huangshan (The Yellow Mountains)


A cerca de 400km de Shanghai, na província do Anhui, essas montanhas míticas da China inspiraram caligrafistas e pintores ao longo dos séculos (como o famoso poeta do século VIII Li Bai) e atraem um milhão de turistas todos os anos. 

O massivo está inscrito na lista de patrimônio da Unesco pela sua natureza única. A paisagem nunca é a mesma pois ela muda dezenas e dezenas de vezes ao longo do dia, de acordo com os ventos, formando uma multiplicidade de paisagens diferentes. Muda tão rápido que se o tempo está encoberto basta aguardar alguns mitutos que o seu aparece azul de uma limpeza inacreditável. Ela incarna tudo o que há de mais constante e profundo no imaginário chinês: sábios e artistas de outrora buscaram uma comunhão absoluta com a montanha. 

Se atualmente os turistas (chineses a praticamente 99%) querem admirar essas belas paisagens, o local resta uma aliança entre o Céu e a Terra e confere, de acordo com o as crenças taoístas, a Imortalidade. Antes de tudo, a ascenção das Montanhas Huangshan representa uma forma de se unir às forças vitais do Universo. Simples assim, não?


Acordamos bem cedo (5h), e caminhamos até o ponto do ônibus turístico que deixa em uma das entradas do parque. A subida já é impressionante e a cidade vai ficando lá longe, lá embaixo. Compramos nosso ingresso e devidamente carregados com água mineral e alimentos (carne seca, banana desidratada, amendoins e chips, foi o que encontramos para levar), começamos a nossa subida às 6h30 da manhã,  pelo caminho considerado mais "fácil". Esse "fácil" que já começava com 7,5km até o Cloud Valley Temple, mais 6km até o Pico Two Cats Catching a Mouse, mais um pouco até o Pico White Goose Ridge, mais alguns quilômetros ate o pico do Lótus, Pico da Tartaruga, mais 3,5 km até o Pico de Jade

São subidas e descidas, pois muitas vezes para chegar em um pico é necessário  contornar um outro... E terminamos com mais 6 km de descida íngreme pelo lado mais difícil... Devo ter esquecido de relatar algumas voltas para avistar outros picos, mas foi mais ou menos isso, então dá para ter idéia que é necessário ter um certo preparo físico e não ter problemas de joelho, pois eles doem mesmo, principalmente na descida final, que parece não acabar mais!!! Quando estávamos planejando a viagem,  Sylvain queria absolutamente subir os milhares de degraus para chegar ao topo, e eu já imaginava o calvário, mas topei o desafio. 
Conseguem ver os degraus no meio das rochas?

Somente para atingir o pico de Lótus são mais de 4 mil degraus... Existe um teleférico que permite se aproximar do percurso, mas os corajosos e aventureiros (ou loucos) preferem subir a pé mesmo cada um desses degraus! Apesar dos picos serem numerosos, eles não são extremamente altos: 77 ultrapassam os mil metros de altitude e 3 deles são acima de 1800 metros, sendo que o mais alto e famoso é o Pico de Lótus (1864m). 

Eu não quis tirar uma foto no ponto mais alta pois estava totalmente descabelada e suada, mas juro que estava ali e fui eu quem fotografou o esportista:



 Ok, por essa passarela eu não passei e não passo de jeito nenhum!!!

E vocês me perguntam:  "E todo esse esforço vale a pena?"
Eu respondo mil vezes: VALE!!!









Todos esses inumeráveis picos de granito repletos de coníferas se tornam ainda mais belos com as nuvens que pousam ao redor. Todos querem observá-los no meio de toda essa neblina. Se eu já tinha visto as tradicionais pinturas chinesas em fotos ou em cópias, a natureza é ainda mais exuberante! Um dos momentos mais incríveis da minha vida, até hoje ao rever as fotos tenho a impressão de ter vivido um sonho!


Um lugar a não ser esquecido jamais!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Prefiro a hipocrisia...

Sei que muitas pessoas não vão concordar comigo, mas entre a agressão direta e opiniões muito sinceras de quem não pedi, eu prefiro a hipocrisia.
Alguns chamam de hipocrisia, mas eu digo sobretudo "diplomacia". Vivemos em sociedade e em muitos casos do dia a dia não podemos escolher nossas relações, como colegas de trabalho, chefe, clientes e família do marido...

Acho que na vida não precisamos dar nossa opinião sincera sobre tudo quando não somos convidados a fazê-lo. Por exemplo, a colega chega com um casaco que você acha horrível, você diz na cara dela: "Que casaco horrível! Onde você comprou essa coisa tão feia?" Sim, tem gente que diz. Mas a situação é ainda mais delicada quando ela pergunta: o que você achou do meu casaco novo?
O que dizer?
Eu tento ser sincera mas sem ofender a pessoa. Se ela não pediu a minha opinião na hora de comprar, agora que já comprou não adianta nada eu tentar mudar a sua opinião. Eu diria: prefiro teus outros casacos (o preto, marrom, vermelho, etc), esse não te valoriza como os outros.

Mas meu marido diz que as pessoas são assim e que eu que tenho mania de perseguição. Mas seria mania de perseguição pessoas que a cada vez que me encontram, sabendo que sou psicóloga encontram sempre uma forma de falar mal dos psicólogos? Ou sabendo que sou estrangeira, dão um jeito de falar mal dos estrangeiros na minha frente? Ou a pessoa não se toca mesmo (o que eu acho difícil, quando a situação está sempre se repetindo com a mesma pessoa, e fora do contexto), ou ela faz para provocar... Não vejo outra resposta.

Outro dia, no meio de um jantar, assuntos diversos e nada a ver com psicólogo, uma pessoa decide me falar: "psicólogos são todos desequilibrados; uma vez conheci uma psicóloga que era alcoólatra".
Hein???

Ou outro dia, o tema era gravidez e adoção, uma outra pessoa me sai com essa pérola: "psicólogos não deveriam ser autorizados a ter filhos".

Só da minha turma éramos mais de 40 alunos de psicologia e hoje psicólogos, nenhum foi internado por problemas psiquiátricos, nenhum cometeu um crime e/ou está na prisão...

Ou então quando começam a me falar dos estrangeiros que chegam aqui para "roubar" empregos... Não é possível que tenham esquecido justamente nessa hora que sou estrangeira, ou que pendem que esse tipo de comentário não vai me tocar.

Então, prefiro a hipocrisia, prefiram que não façam referência negativas a estrangeiros, ao Brasil, brasileiros, e aos psicólogos na minha frente. Que guardem para si tantos pensamentos negativos!

Ah, e ninguém precisa também me dizer: "puxa, como você engordou!" kkk

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Um pouco de Madri

Ainda não sei dizer se gostei ou não de Madri, onde estive recentemente pela primeira vez. Talvez tenha sido o meu estado de espírito (várias coisas estavam dando errado, tinha levantado com o pé esquerdo!) e o clima. O tempo conta muito para mim, ainda mais em uma viagem à Espanha, que para os europeus representa Sol e temperaturas mais agradáveis. Não sou européia mas queria escapar dos dias cinzas da capital francesa no mês de novembro...
Mas o que posso dizer é que guardo de Madri a imagem de uma cidade LINDA, com muitas coisas para ver e visitar, muitas atividades culturais e muita animação (uma vida norturna invejável!).

 O famoso Parque Del Retiro e Back Swan, lindo no outono
 O Palacio Real visto sob a chuva ou com sol... 

Nuestra Señora de la Almudena, surpreendente por fora e completamente sem graça por dentro. 
Por acaso era a festa da padroeira em um dos dias da nossa estadia.
 Plaza de la Villa, com todos os estilos arquitetônicos de Madrid ali representados.
 Não lembro o nome, mas adorei  arquitetura e as cores.
 Palacio de Comunicaciones
 Igreja San Manuel y San Benito
 Plaza de Toros de Las Ventas
Onde tem livros é comigo mesmo! E adorei essa livraria a céu aberto!
 Um dos bares da animada Calle de la Cava Baja (não sou eu na foto)
Mercado San Miguel, lotado dia e noite apesar do preço um pouco elevado dos seus tapas e demais produtos da gastronomia local. 

Deixo vocês com essas imagens e vou aqui assimilando tudo o que vi e aprendi, volto em breve com mais detalhes dessa cidade que me surpreendeu em todos os sentidos (bons ou ruins).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Xi'an: Viagem pelo Centro da China

Xi'an é uma cidade de cerca de 8 milhões de habitantes em pleno centro da China. Se atualmente ela atrai multidões de turistas pelos seus fabulosos Guerreiros de Terracota, foi ponto de partida da Rota da Seda que estudamos na escola e é considerada o berço da China. Durante a Dinastia Tang (618 a 907) ela chegou a ter um milhão de habitantes, sendo uma das cidades pais povoadas do mundo. Seus muros impressionantes marcam esses tempos gloriosos.

E como um ponto importante da Rota da Seda, viajantes de praticamente todos os cantos ali circularam mesmo em épocas tão antigas, e já existia uma variedade imensa de religiões, a começar pelas várias correntes do budismo (grande ou pequeno veículo, indiano ou tibetano), seitas persas, a Igreja Cristã Nestoriana e mesmo o Islamismo.

 Bell Tower (Torre do Sino), o coração efervescente da cidade, onde se cruzam as quatro principais avenidas. Do século XIV, foi reconstruída nos séculos XVI e XVIII em todo o seu esplendor
 Acabamos ficando um dia a mais do que o previsto na cidade, e ao contrário da maioria dos turistas ocidentais que muitas vezes chegam e vão embora no mesmo dia, tivemos tempo de passear bastante pelas ruas e nos apaixonamos por Xi'an e seus habitantes! Inclusive fomos entrevistados por um jovem estudante de jornalismo que queria as nossas impressões sobre a cidade!

O Bairro Hui é outro local bem movimentado. Os Hui são uma etnia muçulmana chinesa, de tradição eles são comerciantes, que se instalaram ali há muitos séculos.  A rua principal, chamada Beiyuanmen é bem animada com seu comércio que abre até bem tarde da noite. Nos arredores está situada a Grande Mesquita.

 Muita comida tradicional


E esse delicioso Roujiamo, uma das especialidades: uns pães recheados com carne de gado ou carneiro. Xi'an apresenta uma grande diversidade de xiaochi, ou seja, espécies de "lanches".

Fora dos muros, contamos com a ajuda de uma simpática moradora que nos acompanhou até o Templo dos Oito Imortais, um templo taoísta habitado por monges com coques tradicionais. 
 E ao Parque Xingqing, que data da Dinastia Tang:
Infelizmente não tivemos tempo para visitar a "Floresta das Estelas". Também não subimos na muralha pois tínhamos feito esse tipo de passeio em Pingyao, mas é uma das atrações.

No Bairro de Shuyuanmen, perto do lado sul dos muros que cercam a cidade, encontramos um simpático mercado ao ar livre e lojinhas de pinéis, artigos de caligrafia e pintura. Um verdadeiro paraíso para os amadores!


 



 Reparem nas lojas sem nenhuma escritura que a gente entenda... O jeito era entrar para conferir o que vendiam, tentar entender o preço e talvez tentar comprar...

Adoramos nossa passagem por Xi'an, que consistiu em duas noites. Chegamos em um trem noturno e partimos de avião... 
Alguém advinha a próxima etapa da nossa viagem?