Se uma viagem à China exige muita flexibilidade entre as pessoas que viajam juntas para planejar as atividades, não tivemos nenhum problema quanto aos Guerreiros de Terracota, um dos interesses principais da nossa viagem.
Esse sítio arqueológico incomparável no mundo se encontra no Centro da China e foi descoberto em 1974. Desde então as descobertas não param de serem anunciadas! Até então, 3 hangares foram construídos nos lugares exatos das descobertas e mais um museu, o que permite a visitação da multidão que chega em massa diariamente para visitação.
E não é para menos, pois no ano 221 a.C. o imperador do reinos dos Qin (Yin Zeng) conquistou os outros reinos ao redor do seu domínio, "unificando" tudo em um só reino e se tornando o Primeiro Grande Imperador da China. Parece que a construção do exército começou quando ele se tornou rei, aos 13 anos. Era costume da época começar a construir a tumba desde o momento a ascenção ao trono. Porém, desde a sua morte o povo se revolta contra a fome provocada pelos trabalhos megalomaníacos e pilham o repouso eterno do imperador: durante 36 anos, 1/4 da população adulta (700 mil pessoas) foi mobilizada, dentre elas camponeses que tiveram que deixar de lado a agricultura.
Seguimos as dicas dos livros de turismo que nos aconselham deixar a visita do hangar número 1 (o principal e mais conhecido) para o final, pois por ser o mais impressionante, podemos nos decepcionar com os outros. Mas é nesse primeiro galpão de dimensões extraordinárias que vemos as principais estátuas! Trata-se do Exército do Imperador Qing em ordem de batalha. Mais de mil estátuas foram aqui descobertas, e ela esconde outras 5 mil.
Os cavalos também impressionam: os músculos são tensos, orelhas em estado de alerta. Boca e nariz grandes revelam a resistência da raça Taohe, uma das mais famosas da China.
Eles medem entre 1,75m e 1,96m. Mesmo que cada aparência seja única, os corpos são compostos de peças moldadas, replicadas e "assadas" separadamente. Tudo é oco, apenas os pés e pernas não são. Os artesões possuíam uma coleção de detalhes, como bigodes, que eles combinavam para criar todos esses rostos. Alguns soldados seriam uma réplica de verdadeiros.
O penteado depende do status social e posição hierárquica
E cada soldado era também "colorido". Infelizmente os traços de policromia vão desaparecendo com a exposição ao ar e luz. Algumas traças ainda são visíveis e deixam margem à imaginação!
Arqueólogos e pesquisadores trabalham arduamente todos os dias para reconstruir esse quebra-cabeça gigantesco, pois é bom precisar que nenhuma das estátuas saiu da terra intacta.
O hangar húmero 3 é o mais deteriorado (é o menor e o mais profundo), mas nem por isso menos impressionante! Por quê? Pois é possível utilizar a imaginação e tentar imaginar como tudo aquilo ali era há mais de 2200 anos, quando foi construído, ou como será um dia, após restauração! Acredita-se que se trata do posto de comando do Exército.
O hangar número 2 foi pilhado 4 anos após a morte do Imperador Qin para que as armas, que eram bem reais, fossem recuperadas. Então podemos observar as estátuas todas desporvidas de armas!
Sem contar alguns guerreiros que são expostos em vitrines para que possamos melhor observar os detalhes:
Acesso:
Chegamos à Xi'an de trem noturno, mas existe um aeroporto moderno, além de rodoviárias que ligam a diversas outras cidades da China.
O Exército Enterrado do Primeiro Imperador Qin (Bingmayong em chinês e Terracota Warriors en inglês) fica a cerca de 42 km da cidade de Xi'an. Fomos de transporte público. Os ônibus partem do lado leste da esplanada da Estação ferroviária e o trajeto custa somente 7 ou 8 yuans, dependendo do ônibus escolhido. Os números são dos ônibus são: 5, 304, 306, 914 e 915. O 5 é o de fila quilométrica, o mais conhecido. Fomos de 306 que era o que estava saindo e não tinha fila (!) e voltamos com o primeiro que passou, que era o 914.
A visita do sítio arqueológico custava 150 Yuans.







