segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Rafael, seus últimos anos - exposição no Louvre

Assim que foi lançada, fui conferir no Louvre a exposição que reune as principais obras do artista da Renascença Italiana Rafael durante seus últimos 7 anos de vida, período em que ele viveu e trabalhou em Roma.
 Há anos fascinada por esse personagem sem igual, a exposição só fez aumentar a minha admiração! 

Dos 30 aos 37 anos ele viveu no centro desse movimento que hoje conhecemos como Renascença Italiana e foi um de seus atores principais. Artista de incrível talento, nessa época foi convidado para pintar os apartamentos do Papa no Vaticano, mas nem por isso deixou de lado suas outras encomendas e trabalhos. 

Além de artista conceituado, era um verdadeiro lider, gerenciando e supervisionando seu atelier que contava com cerca de 50 colaboradores. As peças mais belas são sem dúvida as que foram pintadas pela mão dele mesmo, ou pelo menos retocadas. Algumas obras ali expostas nunca antes foram apresentadas ao público*.

Filho de um artista, perdeu o pai muito cedo e foi aprendiz de outro pintor renomado, "O Perugin". Mas aos 17 anos já é considerado um "mestre" na sua arte, com direito a possuir um atelier e ensinar!

Já desde a entrada me emocionei com dois pequenos quadros, de uma delicadeza e riqueza incomparáveis. Um deles é São Jorge e o Dragão, para mim repleto de simbolismo:

 Os temas religiosos sendo as encomendas mais correntes, esse São Miguel se destaca:

Mas sem dúvida ficamos boquiabertos diante dessas pinceladas:
Não se trata de Rafael, mas de um riquíssimo banqueiro.

Rafael era esse à esquerda, pintado por ele mesmo com um amigo:
 E essa teria sido a mulher que ele amou...

Gostou? 
A exposição acontece até o dia 14 de janeiro de 2013
Todos os dias, com exceção das terças (quando fecha o Louvre inteiro).

Ingressos: 12€ apenas para a exposição, 15€ incluindo as coleções permanentes do Louvre.
*Essa exposição em conjunto com o Museu do Prado, na Espanha, foi apresentada recentemente em Madrid.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Um bilhão de amigos*

Além de conhecer lugares incríveis e mergulhar em uma cultura diferente da minha, algo que adoro é o contato com as pessoas. E para isso, a China é um prato cheio!!! Apesar da barreira da lígua, viajar pela China atual é uma excelente oportunidade de encontrar pessoas agradáveis e fazer amizades. Se o país por muitas décadas esteve fechado e o povo poderia ir para a prisão por falar com estrangeiros, atualmente eles fazem tudo o que podem para que a nossa estadia seja a mais agradável possível.*


- Mesmo em cidades grandes e turísticas, como Pequim e Shanghai, metrô lotado, quando alguém se levantava para descer, me seguravam pela mão para me "dar" o lugar.

- Em Pequim, estávamos em um Bank of China para trocar euros por yuans, nossa senha era um número lá na frente, um rapaz trocou conosco e fomos atendidos em 5 minutos!!! 

- Ainda em Pequim, no nosso hotel que era bem simples tinha um serviço de turismo e o rapaz que trabalhava ali, além de ser superagilizado, trabalhador e sorridente (começava cedo e meia-noite ainda estava ali!), nos deu dicas preciosas que nos ajudou a viagem inteira. Muito além do trabalho dele, que afinal usamos muito pouco!

- Cada vez que negociamos um preço, mesmo se a gente desse uma nota alta no final para pagar, o troco sempre foi correto. Nunca ninguém tentou nos enrolar no troco ou nos fazer pagar um preço mais alto do que o negociado.

- Em Datong, pegamos um taxi até a estação, no hotel nos informaram que o preço era em torno de 20yuans. Quando o taxista chegou, mostramos o bilhete de 20 dizendo que pagaríamos isso pela corrida. Ele insistia que não, que o preço seria o afichado no taximetro. No final, a corrida foi de 9 yuans!!!

- Em Pingyao, assim que chegamos fomos comprar nossa passagem de trem para Xi'an, eu com a minha plaquinha com o nome escrito em ideogramas chineses, e uma jovem chinesa me disse que poderia me ajudar. Fiquei ao lado e ela falou com a atendente, paguei direto à atendente o preço correto que estava afichado na telinha do computador. Quis agradecer a menina, então ofereci um produto francês que tinha levado para presentear pessoas queridas na viagem. Ela ficou muito sem jeito. Na mesma noite, ela me encontrou no centro de Pingyao, disse que estava me procurando e me presenteou com um par de brincos! Puxa, ela me ajuda e ainda por cima me oferece um presente?


- Chegamos em Xi'an e não conseguíamos achar nosso hotel de jeito nenhum. Fui perguntar a uma senhora que passeava com o seu cachorrinho, ela não sabia mas fez toda a volta do bairro comigo (enquanto Sylvain esperava com as mochilas pesadas). Ela me falava em chinês e eu sorria, pois não entendia nada! Então ela pediu ajuda a um jovem "zelador" daqueles prédios, que falava comigo em chinês, eu não sabia o que responder, então ele pegou o celular e ligou para o número indicado na reserva. Com as devidas informações, ele me levou até o hotel, que era no 6º andar. Desci com ele para buscar meu marido, quis dar uma gorjeta para agradecer, ele não aceitou, ofendidíssimo!

- No dia seguinte, ainda em Xi'an, procurávamos um templo sem sucesso, o bairro era um labirinto, até que encontramos uma jovem acompanhada de sua mãe. Perguntamos o caminho, elas nos acompanharam até uma parte, e a jovem disse que poderia nos acompanhar se a gente quisesse. Ela falava um pouco inglês e passou o dia conosco! Ela nos mostrou diversos lugares, nos falou um pouco sobre a vida dela, sobre a vida na China e estava muito curiosa em relação à nós. Nós a convidamos par almoçar, mas quando no separamos na metade da tarde, ela nos comprou algumas especialidades locais para nos agradecer!


- Em Tangkou, uma cidade pequena de passagem para quem quer visitar as míticas montanhas Huangshan, era praticamente impossível encontrar um cardápio em inglês! Alguns chineses, clientes também, nos ajudaram a traduzir o cardápio. Porém o mais difícil era comer essas massas (cozidas e escorregadias!) com os pauzinhos. Um chinês veio nos ensinar e Sylvain que não leva jeito para a coisa foi o que se saiu melhor! Eu fiz calo no dedo!


- Em Hangzhou, queríamos fazer um passeio de barco, mas achamos o preço afichado um pouco caro. Um casal de chineses propôs de dividirmos, já que o preço era o mesmo independente se uma ou 5 pessoas entravam na embarcação.


Eu poderia ficar aqui listando todas as nossas experiências positivas, mas creio que deu para ilustrar a minha impressão dos chineses como um povo simpático, sorridente e que recebe os turistas de braços abertos!
Encontramos She em Badaling (uma parte da Muralha da China), ela é chinesa mas estuda na França e estava de férias visitando a família. Ela estava muito contente de nos apresentar à sua mãe, e a mãe muito orgulhosa da filha! Nossa amizade perdura mesmo com o retorno das férias, já que com os demais, a barreira da língua é mais difícil e não conseguimos manter um contato tão profundo por e-mail.

*A China conta com mais de 1 bilhão e 300 milhães de habitantes, então essa foi a minha estatística pessoal: potencialmente, 1 bilhão vai tentar nos ajudar, os outros 300 milhões incluem as pessoas que vão nos ignorar e (para quem tem muito azar) aquelas que vão tentar tirar vantagem. Proporcionalmente, achei um excelente negócio!!!

domingo, 14 de outubro de 2012

Museu Guimet: artes asiáticas em Paris

Para quem gosta ou quer descobrir um pouco das artes asiáticas, podemos encontrar em Paris importantes coleções no Museu Guimet. Fui há alguns anos e quis retornar recentemente, após minha viagem à China, agora que estou ainda mais interessada pelos países asiáticos. Aproveito para contar tudinho aqui no blog!!!

Primeiramente, o museu é espaçoso e mesmo no dia em que é gratuito (primeiro domingo de cada mês), não tinha fila para entrar e a visita era fluida e agradável. As salas são separadas por países e tudo é muito bem explicadinho:

Cambodja

Uma vasta coleção



Tailândia:


Bem menos impressionante, do meu ponto de vista. Em comparação com os outros países asiáticos, as esculturas tailandesas nunca me impressionaram.

India:

China:



Tibete:




Japão:
 


Coréia:

E para finalizar, a maravilhosa biblioteca de Emile Guimet, o milionário de Lyon que idealizou o museu:
Em 1876, esse insdustrial e intelectual fez uma volta ao mundo onde aumentou sua coleção pessoal, já oriunda de outras viagens, e manifestou o desejo de construir o museu. Seu sonho foi realizado, e o museu Guimet foi inaugurado em 1889, quando o fundador ainda estava em vida. 

Informações práticas:
Aberto das 10h às 18h. fechado às terças.
Preço: 7.50€ para as coleções permanentes (gratuito no primeiro domingo de cada mês)
Acesso: 6, place d'Iéna, metrô linha 9, estação Iéna.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Comidinhas de Pingyao

Após ter comido MUITO bem em Pequim, apesar de tantos quitutes um tanto quanto estranhos para o nosso paladar ocidental, foi em Pingyao onde comemos melhor!!! Cheguei na cidade morta de fome ao final de mais de 7 horas de trem e me deparei com esses "pães". Deliciosos e o preço absurdamente barato!

 Não me perguntem os nomes, tem em todos os cantos, impossível não encontrar.
 O problema era quando o vendedor tinha mais de uma variedade, ele me perguntava alguma coisa que eu deduzia que era qual o que eu queria, mas eu não sabia o que tinha dentro! Eu apontava para um deles ao acaso e todos eram bons!!!
Só não devorei uns 5 ou 6 porque tinha um restaurante recomendado no guia de turismo que eu queria testar! Esse restaurante possui cardápio traduzido em inglês e francês aproximativo.

Como ele estava no guia em que é utilizado por 99.9% dos viajantes franceses, encontramos dois casais franceses ali, que elogiaram muito! Uma das mulheres me aconselhou o prato com berinjelas picantes. Até agora sinto o gosto!!! (que saber fazer!)

Seu esposo recomendou a carne seca, especialidade de Pingyao, e Sylvain nem pensou duas vezes, carnívoro como ele é.


Pensamos que precisaríamos de acompanhamento, e pedidos essa massa.
Sem contar que tínhamos começado com as chips feitas em casa, que se não são "chinesas", são apreciadas por todos, desde chineses, japoneses, até os mais exigentes ocidentais.
Posso dizer que praticamente saímos de lá não apenas satisfeitos, mas completamentes presos pela barriga! Eu já estava até em dúvida entre o que pedir na refeição seguinte!

Tudo fresquinho e um sabor incrível! Apesar de não falarem francês e muito pouco inglês, os funcionários e o cozinheiro são muito atenciosos. As meninas até vinham olhar conosco as nossas fotos e riam muito das nossas fotos ou vídeos de palhaçada! Esse é o típico restaurante "turístico" em que o turista se sente bem e come bem. Os preços são corretos para a cidade e bem em conta para os padrões europeus. Mas é possível comer pagando muito menos, como nos "restarantes" de rua:
 São grandes mesas com tudo que é tipo de comida, basta escolher e comer ali sentado mesmo. Muitas especialidades tinham a cara ótima!
Mas voltamos ao nosso "Petit Resto". Sylvain mais uma vez pediu a carne (chatinho, não quis mudar para a foto!), mas trocou de massa, e essa era ainda melhor:
E eu quis testar uma outra forma de berinjelas. Estavam boas, mas eram fritas, e preferi a primeira.

Sylvain quis deixar uma recordação ao restaurante, que realmente apreciamos e indicamos a todos que passarem por Pingyao.
Passamos ali novamente e eles queriam nos mostrar o desenho em um local de destaque.
Como falei acima, uma das especialidades da cidade é a carne seca (Pingyao niuru), reputada na China inteira. Algumas lojas vendem dezenas e dezenas de variedades, e os chineses pareciam adorar e compravam mesmo, chegavam a fazer fila! Provamos, gostamos e compramos. Foi o nosso lanche e café da manhã no nosso próximo trajeto de trem.

Porém, antes de ir embora eu nem estava com fome mas quis comprar esses "pastéis" vendidos igualmente em todos os cantos. Como eu poderia ir embora sem provar? Porém, tenho que confesar que não gostei. A massa tem ums consistência parecida com um plástico... E o recheio, pelo que percebi era de carne de carneiro, que realmente não gosto. Foi o único ponto negativo, e como era de carne, ainda era mais caro!
E então, você encararia algumas dessas especialidades?