domingo, 7 de outubro de 2012

A cidade antiga de PingYao



Em ordem cronológica, a nossa viagem à China teve uma parada na cidade antiga de Pingyao. Fomos mais uma vez de trem, mais de 7 horas de Datong, mais uma vez "sentados", todos os vagões leitos já estavam completos. Não seria isso que iria nos desanimar, principalmente tão motivados que estávamos com as visitas que tínhamo feito das Grutas de Yungang e do Monastério Suspenso de Xuankong.

Pingyao fica bem no meio de uma região ainda bem tradicional e rural, mas os visitantes ali chegam em busca de 6 séculos de história e tradição chinesas. Se no centro e duas ruas mais turísticas as casas em estilo tradicional (siheyuan) abrigam lojas e pensões, basta se afastar um pouco para encontrar cantos bem autênticos, com seus artesões e vendedores ambulantes e partidas de mah jong.

Apesar de muito turística, o que mais sentimos em Pingyao foi tranquilidade e simplicidade, como se tivessemos voltado no tempo...





Foi no século XVI que o imperador Ming deu a cidade a sua aparência atual. De 1824 até o início do século XX ela foi capital financeira do país. Porém a pobreza e a decadência chegou um pouco mais tarde, e foi o que a protegeu das destruições em massa dos anos 60. Hoje ela é classificada como patrimônio histórico da humanidade.


Mas o que fazer nessa cidade tão pequena?


Um ingresso único de 150 yuans, válido por 3 dias, permite visitar todos os lugares turísticos pagos (são 19), mas não é obrigatório, pois o melhor é "se perder" pela cidade caminhando pelas suas ruazinhas calmas (apesar dos turistas) e cheias de charme. Outros templos, museus e monumentos são gratuitos ou de preço irrisório.



Porém o ingresso permite subir nos famosos muros da cidade e ter uma vista privilegiada. Em seus 6 km de comprimento, 10 metros de altura, são 72 torres de guarda e 3 mil "dentes" representam os 72 sábios e 3 mil discípulos de Confúcio.


Impossível não se admirar com as casas. São 3800 recenseadas, sendo que mais de 400 estão em seu estado original. Todos os hotéis ou pensões ocupam esses tipos de casas, com um comércio como restaurante ou casa de chá com vista e entrada pela rua, e um pátio interno, onde se localizam os quartos.

Esse foi o hotel que escolhemos, um dos primeiros que vimos, agradável, preço bom, e o jovem filho do proprietário muito querido!

Sem esquecer, é claro, os templos. Não visitamos todos, e para os meus olhos inexperientes no final eles começavam todos a se parecer uns com os outros! Visitamos uns 6 ou 7 mais importantes ou simplesmente porque passamos na frente, não lembro do nome de todos.
O que mais gostei foi o Templo de Confúcio (fotos abaixo). São várias construções e algunas datam da dinastia Song (960-1279). São os únicos da cidade que pertencem a essa época.

Podemos subir a uma das torres e observar a cidade:

Posso dizer que vivi momentos maravilhos em Pingyao, e a viagem não estava ainda nem na metade!!!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Le Mans e seu museu a céu aberto

Le Mans é muito mais do que a sua corrida de carro que dura 24h e as rillettes (um tipo de patê mega gorduroso). A cidade e seus moradores se orgulham de um centro histórico muito bem preservado, um dos lugares preferidos dos cineastas para ilustrar cenas de outrora.

Posso dizer para vocês que é uma delícia se perder por essas ruelas medievais...

Se vocês tiverem sorte, o urso amigo vai estar abanando pela janela!

 Um enorme trabalho de resnovação foi realizado nas últimas décadas, e os turistas não se cansam de flanar por essa parte da cidade atualmente branchée, mas que até uns 30 ou 40 anos atrás era um local a evitar.



 Essa é uma das mais elegantes moradias antigas, tendo pertencido a Scarron, um poeta feio mas considerado brillhante. Ela data do século XII mas foi remanejada no século XVI.
A visita do centro histórico se completa pela Catedral São Juliano, um dos mais belos edifícios religisosos franceses, contando a história entre os séculos XI e XV, período que durou a sua construção.


 O interior é ainda mais interessante, com um destaque a uma das capelas com pinturas no teto representando os anjos músicos, uma obra de arte do século XIV! 47 instrumentos de música foram identificados!
Infelizmente nos faltou tempo para visitar o que restou do período gallo-romano, mas saímos um pouco do centro de de bondinho fomos visitar a abadia de l'Epau (abbaye de l'Epau), fundada em 1229 pela rainha Bérengère, viúva de Ricardo Coração de Leão. O local representa uma das últimas construções cistercianas (muito comum na velha Inglaterra).
 Um lugar muito calmo, mas não tivemos muita sorte pois justamente nesse final de semana ocorria no local um evento de gastronomia! O povo afamado tinha invadido a abadia!
 O gisant (escultura dos mortos) da rainha Bérangère repousa ali, nessa sala com belas colunas.

Um final de semana é suficiente para visitar os pontos principais, e vale lembrar que o trajeto em TGV é de apenas 50 minutos de Paris.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Restaurante em Le Mans

Quem estiver pela França e der uma passadinha em Le Mans (50 minutos de TGV de Paris), além de visitar a parte antiga da cidade, não pode deixar de reservar uma refeição no restaurante Auberge des 7 Plats.

 Estratégicamente localizado no centro histórico da cidade e não muito longe da catedral, a comida é deliciosa e o ambiente aconchegante. Apesar do prédio antigo, todo o interior foi refeito em estilo mais moderno.

O que fez a fama do restaurante é a proposição de 7 pratos a escolher no menu principal. Pode parecer estranho, mas aqui na França o assunto é sério: geralmente quanto menos opções no cardápio, melhor a qualidade. Significa que tudo é feito na hora e com produtos frescos e de qualidade. Então, melhor desconfiar dos restaurantes que propõe infinitas escolhas!

Porém, nesse restaurante o chef propõe aos clientes 7 pratos saborosos e de qualidade (sem contar as saladas, por exemplo, uma opção aos vegetarianos), 7 entradas e 12 sobremesas.

Como bons carnívoros e sendo a especialidade da casa, optamos pela carne de gado. A mesma era muito macia e suculenta, realmente de excelente qualidade e muito bem preparada. Esse era o tipo "Rossini", cozido ao Porto.
 O acompanhamento era purê de batadas, cogumelos e topinambour (da mesma família da batata, considerado um "legume" antigo)
 O acompanhamento, assim como o pão e a água foram repostos espontaneamente à nossa mesa.

Escolhemos a fórmula prato e sobremesa, sem entrada, já que tínhamos pouco tempo para visitar a cidade, e confesso que foi uma excelente escolha: eu que sou comilona não poderia ter comido mais.
 Como sempre Sylvain escolheu uma sobremesa com chocolate.
 Eu escolhi essa sobremesa em forma de sorvete, mas com uma textura de suflê, feito com a bebida alcoólica muito utilizada em gastronomia, o Grand Marnier.

Com a sobremesa, foram servidos igualmente gratuitamente essas guimauves (que eu nem toquei, não gosto) e um digestivo de cereja, esse sim uma delícia!

Também gostei dos banheiros modernos, perfumados, com flores naturais e música ambiente!

Gostou? Recomendo reservar pois esse restaurante tem uma boa reputação e está sempre lotado para o almoço e jantar. Vale lembrar que os restaurantes que não são especialmente turísticos atendem em horários relativamente organizados, como às 12 às 14h (mas geralmente não recebem clientes a partir das 13h30) e das 19h/19h30 até 22h/22h30 (mas melhor não chegar depois das 21h30, com risco da cozinha estar fechando ou fechada!) Aqui na França, locais que servem refeições non-stop quase sempre não são restaurantes de qualidade. Em Paris até é possível encontrar alguns bons (como o Relais Gascon), mas nas demais cidades é raro. Quer comer bem? Tente fugir dos restaurantes "non-stop" e prefira comer em horários "normais".

Endereço: 79, Grande Rue, Le Mans.