quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Le Mans e seu museu a céu aberto

Le Mans é muito mais do que a sua corrida de carro que dura 24h e as rillettes (um tipo de patê mega gorduroso). A cidade e seus moradores se orgulham de um centro histórico muito bem preservado, um dos lugares preferidos dos cineastas para ilustrar cenas de outrora.

Posso dizer para vocês que é uma delícia se perder por essas ruelas medievais...

Se vocês tiverem sorte, o urso amigo vai estar abanando pela janela!

 Um enorme trabalho de resnovação foi realizado nas últimas décadas, e os turistas não se cansam de flanar por essa parte da cidade atualmente branchée, mas que até uns 30 ou 40 anos atrás era um local a evitar.



 Essa é uma das mais elegantes moradias antigas, tendo pertencido a Scarron, um poeta feio mas considerado brillhante. Ela data do século XII mas foi remanejada no século XVI.
A visita do centro histórico se completa pela Catedral São Juliano, um dos mais belos edifícios religisosos franceses, contando a história entre os séculos XI e XV, período que durou a sua construção.


 O interior é ainda mais interessante, com um destaque a uma das capelas com pinturas no teto representando os anjos músicos, uma obra de arte do século XIV! 47 instrumentos de música foram identificados!
Infelizmente nos faltou tempo para visitar o que restou do período gallo-romano, mas saímos um pouco do centro de de bondinho fomos visitar a abadia de l'Epau (abbaye de l'Epau), fundada em 1229 pela rainha Bérengère, viúva de Ricardo Coração de Leão. O local representa uma das últimas construções cistercianas (muito comum na velha Inglaterra).
 Um lugar muito calmo, mas não tivemos muita sorte pois justamente nesse final de semana ocorria no local um evento de gastronomia! O povo afamado tinha invadido a abadia!
 O gisant (escultura dos mortos) da rainha Bérangère repousa ali, nessa sala com belas colunas.

Um final de semana é suficiente para visitar os pontos principais, e vale lembrar que o trajeto em TGV é de apenas 50 minutos de Paris.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Restaurante em Le Mans

Quem estiver pela França e der uma passadinha em Le Mans (50 minutos de TGV de Paris), além de visitar a parte antiga da cidade, não pode deixar de reservar uma refeição no restaurante Auberge des 7 Plats.

 Estratégicamente localizado no centro histórico da cidade e não muito longe da catedral, a comida é deliciosa e o ambiente aconchegante. Apesar do prédio antigo, todo o interior foi refeito em estilo mais moderno.

O que fez a fama do restaurante é a proposição de 7 pratos a escolher no menu principal. Pode parecer estranho, mas aqui na França o assunto é sério: geralmente quanto menos opções no cardápio, melhor a qualidade. Significa que tudo é feito na hora e com produtos frescos e de qualidade. Então, melhor desconfiar dos restaurantes que propõe infinitas escolhas!

Porém, nesse restaurante o chef propõe aos clientes 7 pratos saborosos e de qualidade (sem contar as saladas, por exemplo, uma opção aos vegetarianos), 7 entradas e 12 sobremesas.

Como bons carnívoros e sendo a especialidade da casa, optamos pela carne de gado. A mesma era muito macia e suculenta, realmente de excelente qualidade e muito bem preparada. Esse era o tipo "Rossini", cozido ao Porto.
 O acompanhamento era purê de batadas, cogumelos e topinambour (da mesma família da batata, considerado um "legume" antigo)
 O acompanhamento, assim como o pão e a água foram repostos espontaneamente à nossa mesa.

Escolhemos a fórmula prato e sobremesa, sem entrada, já que tínhamos pouco tempo para visitar a cidade, e confesso que foi uma excelente escolha: eu que sou comilona não poderia ter comido mais.
 Como sempre Sylvain escolheu uma sobremesa com chocolate.
 Eu escolhi essa sobremesa em forma de sorvete, mas com uma textura de suflê, feito com a bebida alcoólica muito utilizada em gastronomia, o Grand Marnier.

Com a sobremesa, foram servidos igualmente gratuitamente essas guimauves (que eu nem toquei, não gosto) e um digestivo de cereja, esse sim uma delícia!

Também gostei dos banheiros modernos, perfumados, com flores naturais e música ambiente!

Gostou? Recomendo reservar pois esse restaurante tem uma boa reputação e está sempre lotado para o almoço e jantar. Vale lembrar que os restaurantes que não são especialmente turísticos atendem em horários relativamente organizados, como às 12 às 14h (mas geralmente não recebem clientes a partir das 13h30) e das 19h/19h30 até 22h/22h30 (mas melhor não chegar depois das 21h30, com risco da cozinha estar fechando ou fechada!) Aqui na França, locais que servem refeições non-stop quase sempre não são restaurantes de qualidade. Em Paris até é possível encontrar alguns bons (como o Relais Gascon), mas nas demais cidades é raro. Quer comer bem? Tente fugir dos restaurantes "non-stop" e prefira comer em horários "normais".

Endereço: 79, Grande Rue, Le Mans.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

As chinesas e a moda

Sempre ouvi falar que as chinesas se vestiam muito mal, que estavam sempre cobertas da cabeça aos pés, mesmo no verão, e eu quis ver de perto como elas se vestiam no dia a dia, a trabalho ou de férias. Confesso que fiquei impressionada!!!

Durante décadas as chinesas não tiveram direito nenhum à moda, já que durante os períodos mais difíceis do comunismo elas não tinham direito à vaidade e tinham que respeitar códigos vestimentários bem rígidos e de muita austeridade. 

Hoje em dia não é mais assim. Com a abertura econômica da China, uma boa parte do povo que vive nas grandes cidades fez fortuna e busca referenciais de moda em países com tradição nesse assunto, como países da Europa, principalmente. Quem não tem acesso aos produtos de marca ou qualidade, veste-se em lojas mais baratinhas que oferece muitas opções lindas (infelizmente apenas para magras, não pude me servir) e pode recorrer (ou não) as cópias de grandes marcas, presentes em grandes cidades como Shanghai e Beijing. 

Então, como essa preocupação em "seguir a moda" é um fenômeno bem recente no país, eu entendo que muitas vezes as misturas talvez não estejam lá 100% de acordo com as fashionistas de plantão, mas quem não erra com freqëncia? Mesmo uma famosa pode se vestir de uma forma e ser criticada, aí vem a Kate Moss e se veste igualzinho e todo mundo acha perfeito...

Como o País é muito grande e muito populoso, vamos encontrar de tudo. Porém algumas coisas me chamaram à atenção e decidimos registrar:

1. Look bem feminino, romântico, geralmente usando e abusando de tons pastéis:




 2. Ao contrário do que sempre me disseram, em pleno verão asiático a moda é perninha de fora!!! Desde a jovem de férias em Shanghai até a menina no seu dia a dia em Suzhou. Algumas usam meia-calça (mas pela minha observação não é a maioria).


3. Contudo, elas se protegem do sol (que é forte mesmo, voltei com um "bronzeado" digno de férias o dia todo na praia!) abusando de chapéus e sombrinhas:



4. Algumas arriscam um look bem mais moderninho


5. Caso vocês ainda não perceberam pelas fotos acima, as chinesas são MAGRAS. Durante toda a viagem talvez eu tenha visto umas 3 ou quadro "cheinhas". Obesa não vi nenhuma, mesmo procurando muito.
Como eu disse acima, eu não entrava nas roupas "normais" que eram vendidas lá. Descobri que na China meu tamanho é XXL. Sylvain, que quem já viu em foto é magrinho (aqui na França ele usa S ou P), lá ele só entrava em roupas XL!!!


6. Elas também gostam de tecnologia (celulares modernos, tabletes, câmeras fotográficas, etc)


7. Muita gente vê as asiáticas como todas iguais, mas fiquei impressionada pela diversidade! Vale lembrar que a China é composta por dezenas e dezenas e etnias diferentes, e a gente vê as diferenças claramente, basta observar um pouquinho! Porém ao contrário das ocidentais, elas não parecem se importar se a amiga se veste igual ou parecido!


8. As grandes cidades são repletas de grifes famosas (dizem que em Hong Kong, por exemplo, podemos encontrar TUDO que encontramos em outros países do mundo, em termos de produtos de consumo) que algumas podem se permitir a comprar. Outras preferem uma cópia e ainda outras se contentam com produtos "sem marca" ou de marcas modestas. Normal, nada de diferente de outros países, usando como exemplo a França e o Brasil, que conheço melhor.

9. Se uma roupa legal conta muito na hora de preparar o look, um acessório geralmente importante para as mulheres é... o seu par perfeito! Na minha humilde opinião, em comparação com as chinesas, os chineses precisam desenvolver melhor a relação deles com a moda!



10. Independente do seu estilo, você encontra todos na China:



Nota: Antes que alguns levem para o lado negativo da invasão de privacidade, tivemos essa idéia quando percebemos que éramos fotografados umas 50 vezes por minuto (em um dos dias da Muralha da China, um jovem chinês pediu que eu o fotografasse com Sylvain e sem querer apertei em um botão do celular dele e vi que ele tinha mais de uma centena de fotografias nossas! Em certo momento, Sylvain me dá um beijinho e nos sentimos em uma conferência de imprensa com todos os flashs sobre nós). Geralmente éramos bem discretos, mas se elas nos viam até faziam pose! (não justifica, mas explica!)