quinta-feira, 27 de setembro de 2012

As chinesas e a moda

Sempre ouvi falar que as chinesas se vestiam muito mal, que estavam sempre cobertas da cabeça aos pés, mesmo no verão, e eu quis ver de perto como elas se vestiam no dia a dia, a trabalho ou de férias. Confesso que fiquei impressionada!!!

Durante décadas as chinesas não tiveram direito nenhum à moda, já que durante os períodos mais difíceis do comunismo elas não tinham direito à vaidade e tinham que respeitar códigos vestimentários bem rígidos e de muita austeridade. 

Hoje em dia não é mais assim. Com a abertura econômica da China, uma boa parte do povo que vive nas grandes cidades fez fortuna e busca referenciais de moda em países com tradição nesse assunto, como países da Europa, principalmente. Quem não tem acesso aos produtos de marca ou qualidade, veste-se em lojas mais baratinhas que oferece muitas opções lindas (infelizmente apenas para magras, não pude me servir) e pode recorrer (ou não) as cópias de grandes marcas, presentes em grandes cidades como Shanghai e Beijing. 

Então, como essa preocupação em "seguir a moda" é um fenômeno bem recente no país, eu entendo que muitas vezes as misturas talvez não estejam lá 100% de acordo com as fashionistas de plantão, mas quem não erra com freqëncia? Mesmo uma famosa pode se vestir de uma forma e ser criticada, aí vem a Kate Moss e se veste igualzinho e todo mundo acha perfeito...

Como o País é muito grande e muito populoso, vamos encontrar de tudo. Porém algumas coisas me chamaram à atenção e decidimos registrar:

1. Look bem feminino, romântico, geralmente usando e abusando de tons pastéis:




 2. Ao contrário do que sempre me disseram, em pleno verão asiático a moda é perninha de fora!!! Desde a jovem de férias em Shanghai até a menina no seu dia a dia em Suzhou. Algumas usam meia-calça (mas pela minha observação não é a maioria).


3. Contudo, elas se protegem do sol (que é forte mesmo, voltei com um "bronzeado" digno de férias o dia todo na praia!) abusando de chapéus e sombrinhas:



4. Algumas arriscam um look bem mais moderninho


5. Caso vocês ainda não perceberam pelas fotos acima, as chinesas são MAGRAS. Durante toda a viagem talvez eu tenha visto umas 3 ou quadro "cheinhas". Obesa não vi nenhuma, mesmo procurando muito.
Como eu disse acima, eu não entrava nas roupas "normais" que eram vendidas lá. Descobri que na China meu tamanho é XXL. Sylvain, que quem já viu em foto é magrinho (aqui na França ele usa S ou P), lá ele só entrava em roupas XL!!!


6. Elas também gostam de tecnologia (celulares modernos, tabletes, câmeras fotográficas, etc)


7. Muita gente vê as asiáticas como todas iguais, mas fiquei impressionada pela diversidade! Vale lembrar que a China é composta por dezenas e dezenas e etnias diferentes, e a gente vê as diferenças claramente, basta observar um pouquinho! Porém ao contrário das ocidentais, elas não parecem se importar se a amiga se veste igual ou parecido!


8. As grandes cidades são repletas de grifes famosas (dizem que em Hong Kong, por exemplo, podemos encontrar TUDO que encontramos em outros países do mundo, em termos de produtos de consumo) que algumas podem se permitir a comprar. Outras preferem uma cópia e ainda outras se contentam com produtos "sem marca" ou de marcas modestas. Normal, nada de diferente de outros países, usando como exemplo a França e o Brasil, que conheço melhor.

9. Se uma roupa legal conta muito na hora de preparar o look, um acessório geralmente importante para as mulheres é... o seu par perfeito! Na minha humilde opinião, em comparação com as chinesas, os chineses precisam desenvolver melhor a relação deles com a moda!



10. Independente do seu estilo, você encontra todos na China:



Nota: Antes que alguns levem para o lado negativo da invasão de privacidade, tivemos essa idéia quando percebemos que éramos fotografados umas 50 vezes por minuto (em um dos dias da Muralha da China, um jovem chinês pediu que eu o fotografasse com Sylvain e sem querer apertei em um botão do celular dele e vi que ele tinha mais de uma centena de fotografias nossas! Em certo momento, Sylvain me dá um beijinho e nos sentimos em uma conferência de imprensa com todos os flashs sobre nós). Geralmente éramos bem discretos, mas se elas nos viam até faziam pose! (não justifica, mas explica!)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Saint-Céneri-le-Gérei, um dos mais belos vilarejos franceses

O que pode fazer com que um povoado de 150 habitantes faça parte da classificação dos mais bonitos vilarejos franceses?

Esse final de semana eu estava em Le Mans (famosa pela "corrida" de 24 horas) e aproveitei para conhecer Saint-Céneri le Gérei, a cerca de 50 minutos de carro de lá, cidadezinha que faz parte da região natural chamada Alpes-Mancelles, no vale do rio Sarthe.
Um recanto de paz e de verde atualmente ocupado por artistas que se inspiram com essas paisagens, como outrora Corot e Courbet, dentre outros.

Ideal para um pique-nique em família, um percurso interessante aos esportistas e um local tranquilo para os apaixonados. Independente da sua categoria, a cidadezinha encanta!
Saint-Céneri le Gérei foi cenário de violentos combates durante a Guerra dos Cem Anos

Suas ruas que parecem paradas e perdidas do tempo
Vontade de me perder...
Mas impossível pelo tamanho e placas indicativas, não se preocupem!


 Do alto da colina, a Igreja Saint-Céneri vela pelos moradores e passantes.

 Ela está lá há mais de 8 séculos

A capela, data de um pouco mais tarde (final do século XIV e início do século XV).


Até ontem eu nem sabia que esse lugar encantador existia... Mas adorei a descoberta. e você?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Casa de Victor Hugo em Paris

Enquanto ainda não pude visitar a grande morada de Victor Hugo na Ilha de Guernesey, onde ele viveu seu exílio de 1856 à 1870, contento-me com a sua moraria parisiense!

Mas vocês conhecem Victor Hugo?
 Essas são as imagens que mais conhecemos dele, barbudo e já não tão jovem.

Victor Hugo é um dos maiores escritores de língua francesa, uma das personalidades da literatura que adquiriu uma celebridade enorme mesmo em vida e que vivia (muito bem, de passagem) de seus escritos. Suas obras mais conhecidas são:
1. Notre-Dame de Paris, no Brasil conhecida por "O corcunda de Notre-Dame", que conta a história da cigana Esmeralda e no corcunda, tendo como palco a cidade de Paris e a sua catedral medieval.
2. Les Misérables, no Brasil "Os Miseráveis", um romance histórico, social e filosófico que se passa na França do século XIX e que segue os passos de Jean Valjean. Igualmente realista, ele retrata como nenhum outro até então o universo dos franceses mais humildes. Até perdi a conta de quantos adaptações para o cinema foram feitas!!!

Se ele adquiriu a popularidade (entende-se "sucesso popular") com essas obras acima, foi um grande intelectual e personalidade política, combatendo, principalmente, a pena de morte e denunciando os problemas sociais. Victor Hugo faleceu em 1885 e uma multidão invadiu as ruas de paris para acompanhar o cortejo. Seu corpo foi exposto no Arco de Triunfo para receber as últimas homenagens, e por fim eme repousa em Paz no Phanteon de Paris.

Entre 1832 e 1848 esse grande escritor francês morou nessa residência parisiene com a sua família, em plena Place de Vosges, um dos endereços mais atraentes da cidade, em pleno bairro do Marais e não muito longe da Bastilha:
Vista da janela do seu apartamento

A visita é gratuita, fazendo parte dos museus municipais. Entrar em sua antiga morada é adentrar em seu universo. Podemos ver a escrivaninha alta, já que ele preferia escrever em pé.

 Os móveis eram quase todos concebidos por ele. Muita coisa ele realizava sozinho, para outras contava com a ajuda de profissionais, mas sempre supervisionado por ele.
Contam que Victor Hugo era uma personalidade muito forte e seguro de si, para não se dizer um tanto pretencioso. Alguns detalhes na sua casa mostram o quanto ele era centrado em si mesmo, como as suas inciais em todos os cantos da decoração (para não dizer as iniciais da sua amante!)


Sua imagem menos conhecida, ainda jovem:

Uma visita apaixonante para os amantes da literatura.
Atenção: Não abre segundas e feriados.

Informações práticas:
6 Place des Vosges  75004 Paris
Metrô Bastille, Saint-Paul ou Chemin-Vert.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Datong: Contrastes e Renascimento dessa Cidade Chinesa

A cidade de Datong fica a meio caminho entre Pequim e Xi'an (famosa por seus guerreiros de terracota), no centro da China, na província do Shanxi. Ela conta com mais de 2 milhões de habitantes e é o ponto de partida para quem deseja visitar as famosas grutas de Yungang e o Monastério Suspenso de Xuankong.

Se colocar os pés na China já foi um imenso choque cultural, foi em Datong nosso primeiro encontro com o que realmente eu imaginava da China.

Nos guias de turismo que utilizamos para preparar a viagem, como Lonely Planet e Le Routard, Datong era descrita como completamente sem interesse. Como viajamos a noite inteira de trem, sentados (vagão leito completo) e passamos o dia inteiro nas visitas ao redor da cidade, optamos por passar uma noite ali, recarregar as baterias e partir do dia seguinte.

Porém, para nossa surpresa, ela não tinha nada de feia e sem interesse como diziam os livros de turismo!

OK, "feio" e "sem interesse" é muito relativo, mas para mim foi uma surpresa muito agradável descobrir um pouquinho de Datong.


Saímos da estação e nos deparamos com uma cidade fortificada, obra recente da reorganização urbana, uma tentativa do governo de resgate histórico, retomando os antigos modelos arquiteturais. Tudo novinho em folha e muito bem cuidado!

Nosso hostel (na verdade um novo albergue da juventude) ficava em uma nova rua que tinha sido completamente reformada.

 Pela manhã a rua estava completamente vazia, apenas alguns idosos praticando esportes. Dizem que na China as primeiras horas da manhã pertence aos velhinhos!!!
Quando voltamos já era tarde, cerca de 21h, a rua tinha se transformado em uma feira muito animada. Até aí tudo bem, mas quem diz que conseguíamos encontrar o hostel??? Percorremos a rua umas 15 vezes e eu já estava entrando em pânico! Pela manhã, ele ficava em uma porta de vidro, o térreo estava vazio e subimos até o segundo andar. A noite, para a nossa surpresa, o térreo tinha se transformado em uma loja de roupas!!! Tivemos que entrar na loja, atravessá-la e subir as escadas para encontrar o nosso alojamento!!! Mudanças do dia para a noite que só devem acontecer mesmo na China... (na manhã seguinte a loja tinha desaparecido mais uma vez!)

Sem contar que essa cidade mineira (que por séculos sobreviveu através de suas minas) que sempre foi descrita como extremamente popuída e cinza se apresentou para nós com um céu muito claro e uma qualidade de ar invejável para outras cidades grandes pelo mundo afora. 

O que mais nos impressionou foi o rítmo desenfreado da construção civil por ali. Eu diria que a cidade é dividida em 3 partes: a primeira com seus prédios altos e modernos, a segunda com seus prédios novinhos construídos em estilo antigo, e a terceira a confusão e o vazio de tudo que está sendo destruído para deixar espaço ao novo.






Sei que muitas pessoas criticam esse "renascimento", mas quando vemos o estado dos prédios que estão sendo destruídos, a gente se pergunta como alguém podia viver ali nesses alojamentos completamente insalubres. Muitas construções datam dos primeiros anos do comunismo, quando tudo foi construído rapidamente, sem qualidade e sem estética, já que moradias bonitas, lindas praças e parques eram vistos como um "modo de vida ocidental e burguês".


Muita gente também critica esse retorno ao passado de parte de um governo que por décadas quis acabar com as lembranças históricas. Acontece que muito do que está sendo reconstruído justamente tinha sido destruído pelas autoridades ou em nome dela.

Não sou especialista no assunto, mas algumas coisas até que precisavam ser mudadas, pois em pleno início do século XX a China ainda possuía um sistema feudal (com todos os pontos negativos que isso pode acarretar, não vejo nenhum positivo), a condição feminina melhorou bastante, mesmo ainda estando longe do ideal (práticas como a "bandagem" dos pés foram proibidas, assim como o sistema de "concubinas"). Claro que para nós com esse olhar ocidental e capitalista, eles fizeram tudo errado, tudo atravessado. Então mais uma razão para eu ficar contente com esse projetode tentar  (a)pagar alguns erros do passado.

A China está mudando, e muito rápido, mesmo nas cidades desse interiorzão, mas o que mais encontramos eram pessoas que nos recebiam com grandes sorrisos, como esse vendedor de churrasquinho (desculpem a foto, deem um desconto pelo cansaço e nesse momento já era umas 18 horas e não tínhamos comigo nada desde à noite anterior!), feliz da vida em ter sido o nosso escolhido. Estava tão bom que voltamos!
 Delícia! (só não deu para encarar a caveça de frango!!!)





Se a cidade é toda fake ou não, não me importa. Quem não gosta de viver em uma cidade bonita, limpa e arborizada, e em moradias mais confortáveis? Sem contar o grande trabalho que está sendo feito para reduzir a poluição e seus efeitos, esforços esses que são sentidos no ar e visto pelos olhos (mesmo que ainda sejam considerados muito pequenos em comparação com o que é necessário para preservar o planeta).
Quem adivinha nosso próximo destino?

P.S: Não vou entrar em detalhes das expropriações, pois esse é um tema muito complexo. Certamente muitas pessoas acabam sofrendo em ter que abandonar moradias que tanto representam emocionalmente para elas, mesmo que elas estejam em estado lastimável, representando riscos para elas e para os outros.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sessão Nostalgia

Quando a gente menos espera essa sensação entra no nosso dia e toma conta de nossas sentimentos.

Basta abrir uma gaveta no trabalho e se deparar com um inusitado arroz parboilizado*. Para muitas pessoas esse arroz não teria sentido nenhum, mas para mim ele traz recordações gravadas a ferro e fogo na minha memória. Ele me lembra os melhores momentos da minha juventude e alguns dos mais difíceis também. Pois dos meus 18 anos 25 anos vivi uma linda história de amor. Nós nos víamos todos os dias, eu já acordava feliz da vida pensando no dia que me esperava. Esse encontro já começava pela manhã, continuava durante o almoço e estendia-se pela tarde e início da noite. 

Confesso que até voltava tristinha para casa, não queria me separar de jeito nenhum...

Foi ela que me ajudou a aperfeiçoar o meu inglês e com ela tive meu primeiro contato com a língua francesa. através dela conheci pessoas que foram e ainda são tão importantes para mim. Foi por ela que li muitos livros, que entrei em pesquisa e que fiz extensão.

Em 2005 foi o começo do fim. Eu prometi que nunca a abandonaria, mas terminei a minha graduação e já não tinha tanto tempo para ela. Minhas visitas se tornaram mais espaçadas. Continuamos praticando o inglês, mas a minha cabeça no final das contas foi parar na França e eu já não conseguia mais me concentrar como antes na nossa relação. 

Quando "visitei" o Brasil pela primeira vez, ocasião esta acompanhada do meu marido, fiz questão de apresentá-los. Acho que ele nunca entendeu como a UFRGS** foi importante para mim e o espaço que ela ocupa ainda hoje na minha vida, mesmo assim distante e sem praticamente mais nenhum contato.

Melhor assim, desta forma ele nem se dá conta que seu principal concorrente no meu coração não é nenhum outro homem, nenhuma outra pessoa, mas um conjunto de prédios onde pessoas constroem e transmitem conhecimentos.
Hoje eu daria qualquer coisa para comer aquele arroz parboilizado com feijão no bandejão do RU.
Só hoje, amanhã deve doer menos.
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Essa é uma homenagem aos meus colegas da Psicologia, da Matemática (sem nem citar todos os outros da Farmácia, Medicina, Odonto, Nutrição, Enfermagem, Engenharias, Letras, Pedagogia...) que cruzaram o meu caminho), da PROREXT (e principalmente do Unisaúde), do SOP, do Hospital de Clínicas... 

* O arroz parboilizado era um clássico da gastronomia do(s) restaurante(s) universitário(s) da UFRGS. Nunca comi em outro lugar.
** UFRGS= Universidade Federal do Rio Grande do Sul.