terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Monastério Suspenso de Xuankong

À primeira vista essa imagem nos causa um certo estranhamento, para dizer o mínimo. Esse Monastério (Xuankong Si) colado contra a falésia e de frente para a montanha Hengshan (2017m, uma das cinco montangas sagradas da China) nos passa a impressão de estar suspenso no vazio...

Passado esse primeiro minuto de estranhamento, ele é bem real, apesar de cerca de 50 metros acima das nossas cabeças!
Não cansamos de admirá-lo e fotografá-lo
 De todos os ângulos possíveis.
O Monastério Suspenso de Xuankong é uma visita obrigatória para quem vem a Datong em busca de suas riquezas arqueológicas e paisagens atraentes, principalmente nessa região dedicada aos templos e monastérios.
Fundado no século VI, sua última renovação foi realizada na dinastia Qing. Ou seja, ele está lá há mais de 1400 anos!!! Trata-se de um santuário onde se misturam divindades taoístas, budistas e confuncianas.


As salas tem como paredes as rochas, e o restante é de madeira. 

 O espaço é pequeno e estreitinho, é necessário subir por escadinhas e passagens estreitas, no meio de muita madeira antiga e alguns podem até sentir uma certa vertigem!





Alguns visitantes podem achar que a visita não é justificada (130 yuans) quando podemos vê-lo tão bem do lado de fora, mas nós adoramos a sensação de estar pisando nesso local misteriosos que não se sabe exatamente como se mantêm, mas que se mantém por enquanto sem riscos! Além disso, a nada menos que 75km de Datong, ir até lá e não entrar para economizar algum dinheirinho seria praticamente um crime!!!

 Será que cai ou não cai? 
Infelizmente deve "cair" um dia, deixando, aí sim, um grande vazio nessas montanhas... 
Como se ali ele fosse "naturalmente" o seu lugar...

Saindo da cidade de Datong, a cerca de 50km, começa a aparecer uma cadeia de pequenas montanhas que vão aumentando de tamanho até chegar à montanha Hengshan. Podemos observar as grandes plantações, um projeto que exige enormes esforços para minimizar o grave problema da erosão que ameaça o "coração" da China. 

São muitas as surpresas que a China nos reserva e o Monastério Suspenso de Xuankong, perto de Datong, foi apenas uma delas!

Informações práticas: 
Fizemos a visita logo após as Grutas de Yungang, com o mesmo taxista que ficou a nossa disposição até o final do passeio. Existem outras formas de acesso, mas a dificuldade de comunicação, o desconhecimento dos transportes  da cidade e a comodidade nos fizeram optar por esse meio de transporte. Negociamos o preço desde o início e ele foi muito correto do início ao fim, apesar do inglês muito limitado.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

As inesquecíveis Grutas de Yungang

Nosso destino após Pequim foi a cidade de Da Tong (que merece um post só para ela, mas isso fica para mais tarde!) através de um trem noturno que nos deixou na cidade por volta das 5h30 da manhã. Levemente cansados de uma noite passada sentados no trem (já que os vagões leitos estavam completos), mas felizes da vida com o céu azul sem nenhuma nuvem, descemos na estação de trem, compramos as passagens para o nosso próximo destino, um taxista nos encontrou e negociamos um preço razoável para que ele nos levasse para realizar os passeios ao redor da cidade. Geralmente preferimos os transportes públicos, mas o cansaço, a falta de interlocutores que falem ou entendam uma das línguas que a gente fala e a cidade grande, decidimos optar pela comodidade. O taxista nos levou ao albergue (desta vez ficamos em um!) onde conseguimos tomar um banho e deixar as mochilas. Partimos para a primeira etapa da viagem: as famosas grutas de Yungang!!!
Atravessamos a cidade e cerca de 16km dali encontram-se as cavernas, em um sítio excepcional!!! São mais de 50 mil imagens budistas esculpidas nas rochas. Algumas delas fazem parte do acervo das esculturas de pedra mais antigas da China, a maioria datando dos anos entre 460 e 494. Um deles atinge 17 metros de altura!

A visita começa por esse caminho que leva ao mais recente monastério:








Tenho certeza que mesmo os viajantes mais indiferentes e cansados de visitar templos budistas, experienciarão um momento de grande descoberta e espiritualidade

Aconselho reservar no mínimo 2 horas de visita para os mais apressadinhos, nós passamos a manhã inteira explorando cada "caverna". 
O budismo entrou na China por volta do primeiro século da nossa era pela Rota da Seda, que todos estudamos na escola mas pouco lembramos, tão distantes nos parecem esses países asiáticos. 
São 21 grotas principais, dessas em que podemos entrar e com caminhos internos, mas no total são 251. Elas são todas numeradas e as mais antigas levam entre os números 16 e 20. 
Importante: observar cada escultura tanto de perto quanto de longe... O efeito é bem diferente e impressiona!

Nos locais mais abrigados ainda estão presentes traços de policromia menos ou mais intensos.
E mesmo alguns monastérios foram construídos parte da rocha. 

Algumas estátuas se encontram no interior das cavernas, outras ao exterior (devido a antigos desmoromamentos), expostas a todos os tipos de desgastos do tempo.
 Algumas estão em excelente estado de conservação, outras infelizmente estão muito deterioradas.
 O local é bem turístico mas nada de lotado, permitindo passar um momento em sintonia com o ambiente. Turistas europeus são raros (nesse dia não cruzamos nenhum, mas faz parte dos roteiros tradicionais), e o preço é levemente indigesto: 150 yuans, cerca de 20 euros por pessoa!

Visitar as grutas de Yungang é um verdadeiro momento de paz e de bem-estar. Mas acima de tudo vemos desenrolar diante de nós a história das religiões da China Antiga. Fica mais fácil entender as correntes budistas e percebemos influência hindu, as armas persas e bizantinas, o tridente grego. O toque chinês fica por conta de bodisatvas representados de forma robusta, os dragões e as criaturas celestes.


Essa visita foi mais um momento inesquecível na nossa viagem!

Recomendo a quem puder ir à China e se interessa ou admira nem que seja um pouquinho o budismo!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Decepções de viagem

Volta e meia me perguntam: "mas você sempre gosta dos lugares que conhece?"

Eu diria que gostar de um lugar ou cidade é algo bem subjetivo e vai depender de nossos interesses, expectativas, além do humor, da companhia e mesmo do clima naquele dia.

Como meu principal interesse é conhecer lugares novos para mim, onde já se passou muita coisa antes (que geralmente aprendi através dos livros), nesse ponto nunca fiquei decepcionada. Por exemplo, nunca achei uma cidade "feia", já que me detenho aos detalhes e sempre me surpreendo com tantos pontos positivos!

Porém de vez em quando nos deparamos com algumas coisinhas das quais não gostamos e então vou tentar colocar aqui as minhas impressões:

- Paris: algo que me decepciona muito na cidade é que ela está longe de ser todo esse glamour que a gente ouve falar... Basta fugir dos pontos mais importantes e encontramos toda a miséria do mundo ali reunida, e tenho a impressão que as autoridades não fazem nada. Já comentei que detesto a Champs Elysées. A avenida é muito bonita com o Arco do Triunfo de um lado, passando pelo Grand Palais e a Place de la Concorde do outro lado, mas para mim ela não tem nada de glamour, mas de decadência. A rua está lotada de trombadinhas, mendigos e espertinhos. Sentar para beber alguma coisa ou almoçar é pedir para pagar caro sem qualidade, serviço ruim, e ainda ter que dar esmola ou se recusar de dar esmola a cada 2 minutos! Que me perdoem, mas pagar 10€ por uma água mineral só por estar sentado ali na Champs Elysées e ser lembrada a todo minuto de todas as misérias do mundo, estou fora!!!
A Place de la concore é muito bonita e merece sem dúvida mais atenção!

- Interior da França: quando saímos dos grandes eixos, o transporte público é bem precário, não existe taxi disponível nas ruas de pequenas cidades e nos domingos e feriados quase tudo fecha (o jeito é reservar esses dias para visitar museus e castelos, por exemplo, ou visitar parques, quando o clima ajuda!)

- Roma/Veneza: tivemos experiências muito desagradáveis no atendimento na Itália, pelo menos nessas duas grandes cidades turísticas. Em muitos restaurantes, além do preço afichado, tinha suplemento para tudo: serviço (nem sempre estava escrito a porcentagem, então a gente nunca sabia quanto iriam nos cobrar a mais), um extra pelo pão e queijo (certa vez agradecemos e dissemos que não precisávamos, ainda assim cobraram 5€ por pessoa e colocaram o mesmo pão e queijo na mesa ao lado!!!), preços das bebidas nem sempre visíveis (pagamos 7€ por cada prato de massa, no cardápio só tinha o preço da água e dos vinhos, pedimos 2 Cocas e na hora de pagar cada COPO de refrigerante nos custou 8€!!!). Sem contar que a gente olhava ao lado o prato dos italianos e pedíamos a mesma coisa, mas o nosso prato chegava com metade do conteúdo...
Na volta comentamos com outros turistas que estavam no trem conosco e eles tinham vivenciado a mesma coisa, e uma francesa que tinha sido casada durante 30 anos com um italiano e morou todo esse tempo na Itália (atualmente viúva) nos disse: "assim são os italianos..."
Encomendar uma pizza era a única certeza de que a quantidade seria razoável, mas já a qualidade... Depende

Que saudade na "minha" França em que a gente vai ao restaurante e paga exatamente o preço afichado... Mas lá em Roma, se o prato de massa custava 10€ a gente podia sair com uma conta de 60€ no final para duas pessoas!
(20€ de pratos, 10€ de couvert, 16€ de refrigerante e incluir o serviço. Isso sem contar a gorjeta!)

Em Veneza também fiquei chocada com os vendedores ambulantes de falsificações bem diante dos policiais e autoridades!!! Inclusive em um dia, eles estavam todos com as bolsas expostas sobre um tecido no chão, bem ao lado do Palacio Ducal, eles recolhem pois a polícia chega, assim que a polícia passava, eles estendiam o tecido e realinhavam as bolsas, à menos de 10 passos NAS COSTAS dos policiais!!! E assim um atrás do outro! Será que esses policiais nunca aprenderam a olhar para trás? Mas a gente percebe que não há um interesse real das autoridades em acabar com isso. E o pior é que Sylvain viu esse mesmo tipo de vendedores um domingo na Champs Elysées... 

- Viena: os museus são absurdamente caros. A cada vez era 12€ daqui, 12€ dali... Se não gastamos muito em transporte, alimentação e hospedagem, o rombo no orçamento para o turista é realmente as visitas. Também não existem restaurantes e opções para todos os lados!

- Londres: essa é uma opinião bem pessoal, mas eu acho a cidade tão grande e austera que para ver as imagens  de "cartão postal", as imagens que eu queria ver de Londres, cada ponto ficava muito longe um do outro. Tudo é longe de tudo! O metrô também não deixa lá muito perto dos lugares de visita (além de ser caríssimo!). Então, se a gente decide "flanar" o dia inteiro, acabamos passando muito mais por lugares "feios" (na minha opinião, pois o que é a beleza?) do que bonitos. O jeito é entender o funcionamento dos ônibus e tentar se virar intercalando ônibus e metrô. Diferente na minha opinião de Paris, em que a gente pode caminhar o dia todo e cada construção nos impressiona... 

- Suiça: Sylvain não gosta da Suiça, para ele as pessoas que aborrecem na Suiça, ele diz que não tem nada para fazer lá (francês costuma dizer que na Suiça só tem montanhar e vacas!)! Não concordo 100% mas tenho que concordar que Zurique e Genebra não me pareceram cidades lá muito animadas... As lojas fecham cedo e se não é verão a gente não encontra mais ninguém na rua (ao contrário da Alemanha com seus bares e animação garantida e São Petersburgo em que as pessoas passeiam até de madrugada sob a neve!!!). Encontrar um restaurante também é um desafio: se a gente não reserva um dos poucos restaurantes, provavelmente fica sem lugar, e o jeito vai ser se contentar com uma cafeteria ou fast-food. Na Suiça tudo também é absurdamente caro, mesmo para quem ganha em euros... Uma lembrancinha como um chaveirinho vai custar cerca de 10€!!!
 Ok, não vou exagerar, na Suiça tem fondue, chocolate e São Bernardo, não posso reclamar!!!

- China:
A pior lembrança da China foi o trânsito louco (você tenta atravessar uma rua e vem uma moto não-sei-lá-de-onde e na contramão!!! Mesmo olhando várias vezes antes de atravessar, Sylvain estava com o coração na mão, ele que já odeia trânsito e carros (reclama da poluição, acha que todo mundo deveria utilizar os transportes públicos e proibir carros, motos e assemelhados nas cidades), achava que eu seria atropelada a cada 5 minutos. Quase fiquei louca (não sei se mais com o trânsito ou com ele)! E essa mania de chinês de buzinar a cada 5 metros?!? Se já era ruim essa buzinada toda enquanto pedrestre (cada sobressalto, poderia ter tido uma crise cardíaca!), era ainda pior como passageira! Para mim era impossível pregar o olho apesar do cansaço.
Além disso, muita gente nos locais turísticos. Se isso por si só mais me interessou que incomodou, o problema eram os grupos de turistas com guias e alto-falantes! Vocês imaginam, em pleno lugar que deveria ser de magia e tranquilidade, esses guias falando alto no alto-falante e uns 50 seguidores de cada vez amontoados? O jeito era aguardar que eles passassem (pois a visita deles era bem corrida, felizmente!) e aproveitar antes da chegada do próximo grupo!

domingo, 2 de setembro de 2012

Restaurante em Etretat

Em Etretat reservamos o restaurante La Salamandre. Entre o serviço das 19h30 e o das 21h, optamos pelo segundo, já que faríamos o passeio até Yport. E foi bom, pois mal tivemos tempo de chegar ao hotel para nos trocarmos e ainda assim chegamos 5 minutos atrasados! Restaurante lotado, apenas a nossa mesa vazia, à nossa espera.

A comida foi deliciosa do início ao fim, tudo fresquinho e "bio", produtos da agricultura da região e cultivados por pequenos produtores, ou então pescados pelos pescadores dali mesmo. Sem muita frescura mas com um sabor autêntico!

 Para começar pedi escargots cultivados em uma fazenda da região, deliciosos.

 Sylvain hesitou muito, mas como sempre optou pela carne, uma peça de tamanho considerável da raça charolaise, que se não é de origem "normanda" é muito apreciada pela carne macia e de cor viva, e por isso a criação desse tipo de bovinos é feita praticamente nos 6 cantos da França! (por ter a forma d eum hexágono, podemos dizer que o país tem 6 cantos!)
 Eu escolhi um peixe que estava uma delícia com essas ervas de um perfume intenso... Mas foram as batatas que para mim nunca antes tiveram tanto sabor!!! 
E como sobremesa esse moelleux au chocolat! Molinho no interior na medida certa e 

Algumas pessoas reclamam do preço, mas pela qualidade e porções achamos correto.

Ponto negativo: serviço muito lento e longa espera pelos pratos. Então, não dá para vir com pressa!!! Mas em nenhum momento posso reclamar das pessoas que ali trabalham, que estavam sempre sorridentes. Como diz Sylvain tudo é válido se tiver um pedido de desculpas e um sorriso sincero!

E ainda por cima o Manoir de la Salamandre é um local cheio de histórias! Construído no século XIV na cidade normanda de Lisieux (famosa pela sua catedral), ele foi inteiramente desmontado e remontado em Etretat em 1912, o que permitiu que escapasse das destruições causadas pela II Guerra Mundial em Lisieux. Apesar de ter sido reformado em 2004, continua sendo uma testemunha da arquitetura medieval na Normandia.