terça-feira, 28 de agosto de 2012

A descoberta da Cidade Proibida

Um dos filmes que marcou a minha adolescência (pois eu vi quando ele passava na sessão da tarde!) foi o  "O último Imperador", de Bertolucci. Lembro que eu ficava fascinada com toda aquela vermelhidão e ouro da Cidade Proibida, sem contar em detalhes políticos que só fui entender mais tarde.
A vista do lado de fora de suas muralhas que atingem de 7 a 10 metros de altura.

São praticamente mil prédios! Conta a lenda que a cidade contava com 9999 cômodos, já que apenas a divindades poderiam construir um palácio com 10 mil cômodos. 
Mas aparentemente o último estudo contou "apenas" 8700!!!



Então, no nosso quarto dia em Pequim saímos cedinho do hotel para chegarmos na Cidade Proibida no momento da abertura. Não sei se o clima poderia ter sido pior, pois o calor se aproximava dos 45 graus, tempo nublado e pesado, um verdadeiro "mormaço" mil vezes pior que o que já vivenciei em Porto Alegre (no dia seguinte a chuva veio para valer em uma tempestade que durou vários dias e alagou a cidade!). Eu parada esperando abrirem os portões e o suor escorria pelo corpo... 

Realmente achei que iria desmaiar em muitos momentos, mas na verdade eu já sabia que em julho o sol quase nunca aparece entre as nuvens, escondido nessa bruma de calor e umidade (se a poluição é uma das razões, pelo menos nós não sentimos nada diretamente em nenhum momento da viagem). Sem contar a multidão de turistas chineses! (eu até brincaca que se o local foi tantos séculos "proibido" aos chineses normais, agora eles aproveitavam e invadiam de vez!!!)

Mas de vez em quando conseguíamos escapar da multidão de aproveitar a magia desse local único!!!


 A Cidade Proibida (Forbidden City para os turistas estrangeiros ou Gugong para os chineses) foi a antiga residência imperial: durante 5 séculos foi o centro político da China. Construída entre 1407 e 1420 e seu plano corresponde ao das moradas tradicionais chinesas (siheyuan), mas em outra escala. A "cidade" se dividia em duas partes: numa delas milhares de pessoas trabalhavam mas não moravam, e na outra parte se localizavam os escritórios e residências (imperador, imperatriz, concubinas, toda a corte). Ou seja, é enorme, com caminhos para todos os lados e foram necessárias várias horas para visitá-la.


 A nossa visita era mais lenta que a dos grupos de turistas que seguiam um guia, primeiro pois incomoda aquele barulho dos alto-falantes dos guias, segundo pois era impossível ver qualquer coisa no meio de um grupo, e terceiro pois nos detemos em cada detalhezinho e somos bem mais lerdinhos do que a maioria!!!




Esses grandes caldeirões eram cheios de água, pois um dos principais receios dos soberamos que ali viviam era que a cidade se incendiasse. Como uma grande parte é de madeira, a mesma se incendia e se consome facilmente (trata-se do maior conjunto de construções de madeira do mundo).




A Cidade Proibida conserva o acervo imperial e conta com uma coleção imensa de séculos de civilização chinesa, incluindo pinturas, bronzes, cerâmicas, instrumentos de música, dentre outros.

 Se o interior dos prédios não são visitáveis (exceções para as alas que hoje são museus), é possível dar uma espiadinha pelas frestas de portas e janelas. 


Na nossa opinião não tem muita coisa no interior, então o mais interessante é caminhar ao redor dos prédios, praticamente um labirinto!!!



Nem preciso dizer que é visita obrigatória dos turistas que viajam à China!
Ao interior da "cidade" temos um acesso separado (ingresso suplementar) aos antigos apartamentos do imperador Qianlong. Se os prédios continuam de mesmo estilo, todos vermelhinhos, o que mais chama a atenção é o enorme Muro dos 9 Dragões (Jiulong bi) em cerâmica, que servia para proteger o soberano dos maus espíritos. Contam que teria funcionado, já que ele reinou durante 60 anos!!! Os 9 dragões estão todos na horizontal, mas aqui fotografei cada um cedes e fiz essa montagem para apresentar melhor.

Se eu fizer uma parede dessas na minha casa, será que o meu "reinado" durará mais 60 anos?


P.S.1: E haja pernas!!! Nesse dia no qual visitamos a Cidade Proibida, a praça Tian'anmen, seguimos até o Templo do Céu e terminamos no Wangfujing Xiaichijie, fizemos meros 25km cotados no nosso marcador.

P.S.: Um segundo filme que vale muito a pena para mergulhar no clima é o chinês "A cidade Proibida", com a brilhante Gong Li, a queridinha dos chineses! Apesar da história se passar muito antes, o filme se passa na ali.

sábado, 25 de agosto de 2012

Escapadinha em Etretat para fugir do calor


Se por um lado Etretat atraiu pintores impressionistas como Monet, não é necessário ser artista para se apaixonar por essa cidadezinha litonânea francesa. Eu estive lá no ano passado, essa semana novamente para fugir do calor de Paris, e se puder volto a qualquer momento!
Vista da janela do meu quarto de hotel
Se a cidade é minúscula e em um dia a gente consegue dar uma olhada geral, ela não se esgota em dois dias, em uma semana, e a cada novo olhar, uma nova descoberta! Foi isso que tanto encantou esses artistas: a paisagem muda ao ritmo das marés e as cores mudam radicalmente ao longo do dia. Sem contar o barulho do mar batendo nas falésias, o som dos pássaros e a natureza exuberante.

Atividades? Não vai faltar!

- O passeio sobre as falésias (contar uma hora e meia para o lado esquerdo e o mesmo tempo para o lado direito).



- O passeio pela praia e ao ladinho das falésias (prever bons calçados, pois as pedras de tamanho considerável não facilitam a tarefa)


Com a maré baixa, podemos nos aventurar em lugares inimagináveis quando a maré está alta!

- Lagartear pela praia e por que não um pique-nique? Apesar de temperaturas amenas e água gelada para quem está acostumado com o nordeste brasileiro, a localidade é abrigada do vento (então o solzinho ali é uma delicia!)

E se você acha que sou louca eu não era a única:

- Aventura

- Provar a gastronomia da região, tudo com muitos frutos do mar, mexilhões sendo o prato mais vendido. E a verdadeira cidra é a cidra da Normandia! Essa bebida a base de maçãs que eu particularmente adoro!



- Pela cidade podemos admirar lindas villas:


- A igreja Notre-Dame dos séculos XII-XIII com o seu cemitério que acolhe tumbas de heróis ingleses da primeira guerra.


- Sem contar outras localidades e praias encantadoras ao redor, acessível de carro, ônibus (conferir os horários, eles funcionam bem, mas são limitados), ou à pé.

Nada melhor do que o contato com a natureza e o mar para quem vive na "cidade grande". 
Os parisienses adoram!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Comidinhas "estranhas" de Pequim - Wangfujing Xiaochijie

Se tinha muita coisa boa para comer em Beijing, também tinha muita coisa "esquisita"!!!

Em todos os cantos da cidade vendiam pés e pescoço de frango (ou outro animal parecido) e era algo que as pessoas comiam tranquilamente voltando do trabalho! Ok, tem muito brasileiro que come, mas nunca vi venderem isso no Brasil em restaurante ou como street food.


Vimos diversos pratos com bicho-de-seda nos cardápios de restaurantes de Pequim, assim como outros miúdos inimagináveis para mim até então.

E cachorro, alguém come? Não vimos em lugar nenhum (Sylvain tinha visto quando visitou outros países da Asia), mas nos explicaram que se trata de um prato extremamente caro e calórico, ainda consumido (cada vez menos), mas apenas no inverno. Ou seja, são poucos os chineses que comem ou mesmo que já comeram. Atualmente os chineses adoram cachorros como animal de companhia, para todos os cantos eles passeiam com o bichinho no cestinho da bicicleta ou na moto. Vimos muito cachorro acompanhada do dono pelas cidades chinesaspor onde passamos(nunca tinha visto tanto, nem na França que tem uma concentração enorme!), numa relação de muito afeto, assim como eu gosto! Vale lembrar que por muito tempo era proibido ter qualquer animal de estimação. 

E o tal espetinho de escorpião? Se os chineses já comeram outrora por falta de opção, hoje é mais algo para "turista ver". Não falo só de turista ocidental, que é minoria absoluta na China, mas do próprio turista chinês visitanto e descobrindo o próprio país.

O melhor lugar para ver tudo isso é em uma ruela estilo tradicional perpendicular à grande rua Wangfujing (metrô do mesmo nome) e paralela (ao sul) à rua Donhuamen, onde à noite também funciona uma feira de "comidinhas". Esse local é chamado Wangfujing Xiaichijie e prepare-se para encontrar uma multidão!


Atenção, pois as imagens abaixo são fortes e podem chocar a sensibilidade dos leitores mais suscetíveis:






Alguém encara?

Sylvain fez um vídeo caseiro sem pretenções jornalísticas mas que ilustra bem o ambiente da rua e os produtos ali vendidos... Sugiro ver até o final para saber se a gente encarou essa aventura culinária ou não! Ou mesmo para ver toda a variedade do que tempor ali!



O que você comeria ou não comeria de jeito nenhum? Até onde você acha que iria (ou não) se passasse realmente por um período de fome extrema?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Comidinhas deliciosas em Pequim

Sempre me interessei pela culinária chinesa e pelo povo chinês que ao longo da história não teve muita frescura e sempre comeu de tudo, sem colocar impecílios de qualquer ordem. Ou seja, em tempos de fome e de guerra, tudo poderia se tornar uma refeição.

Lembro deter lido certa vez um livro onde uma das especialidades de uma cidade do Sul da China era a água-viva em vinagrete... Sim, tem muita coisa esquisita para comer na China, mas hoje vou falar daquelas que comiou que poderia ter comido!

De uma forma geral se fala de 4 grandes tradições culinánias na China: Sichuan, com a sua comida bem apimentada, Pequim, Xangai e Guangzhou (no sul). A cozinha do norte é baseado no trigo, enquanto a do sul no arroz. Atualmente, é possível encontrar de tudo, principalmente nas grandes cidades. 

As opções de restaurantes tradicionais, bancas de rua e redes de fast food chinesas são enormes, ou seja, comida é o que não falta na China e ela é barata (exceções para grandes restaurantes "da moda", onde apenas uma elite ou turistas podem ir). Como provamos muita coisa nessas 3 semanas, seria impossível mostrar tudo em um só post, então vou falar apenas de Pequim nesse momento.
Uma excelente experiência foi o almoço com um grupo de turistas europeusno nosso segunda dia de viagem, pois conseguimos comer praticamente como se come os grupos de chinenes: encomenda-se vários prats diferentes e cada um vai provando um pouco de cada prato. Eh realmente muita comida!Não me perguntem os nomes dos pratos, mas tinha comida do Sichuan em uma veréao menos apimentada que agrada mais aos chineses de Pequim, tinhaum prato detofu com tomates (que vimos em vários restaurantes,bem saudável), tinha pratos a base de frango, peixe, carne de gado e de porco, e muitos legumes!





Todos os pratos estavam deliciosos e fresquinhos!

Eu queria muito comer o Pato Laqueado de Pequim e a nossa amiga alemã (quase chinesa!) nos levou em seu restaurante preferido, perto da rua Qiammen, no coração da cidade antiga, nesse restaurante muito antigo:
 No nosso caso o pato já chegou na mesa assim fatiadinho, pronto para o consumo! E que delícia!!!
 Ele é saboreado nessas massinhas como se fosse um crepe, com legumes e o molhinho. geralmente o pato é um prato que é caro comparado aos outros, mas na verdade não é uma porção por pessoa, mas sim uma grande porção que pode ser consumida por todos à mesa! Ou seja, pedimos apenas uma porção de pato (conselho dela, pois se estivessemos sozinhos teriamos pedido 2 porçéoes apenaspara nós dois!) e as 5 pessoas presentes comeram. 
Outro dia decidimos comer na rua Dongzhimennei Dajie, chamada"rua dos fantasmas (Guijie) pois os restaurantes ficam abertos dia e noite. Podemos identificá-los pelo céu de lanternas vermelhas, lindo de ver. A melhor forma de escolher o restaurante é pela afluência de clientes. Mas olhando o cardápio (existe uma versão em inglês e com fotos) chega a dar medo, pois muitos patos esquisitos são servidos, como pratos de bicho-da-seda e outras coisas estranhas... Confesso que fiquei com um certo "medinho", pois como tudo é feito na mesma cozinha, vai que um bichinho se escape no meu prato?

Escolhemos um restaurante com menos pratos estranhos e que, apesar do cardápio em inglês, ninguém falava inglês ali...
Nessa rua podemos encontrar duas especialidades:
Esses "camarões" à pimenta do Sichuan e a"fondue chinesa" (huoguo)
Pedi esse prato abase defrango, que estava muito bom e leve, nada gorduroso, mas que era gigante! Um verdadeiro desperdício... E também, para a minha surpresa todos os pedaços do frango estavam ali, mesmo os pés e opescoço.

Sylvain com medo de errar, fica no clássico franguinho com amendoin!!!
Também fizemos muito restaurante rápido chinês, e esse foi o nosso preferido:

 O nome da rede é esse que podemos ver na embagalemdos palitinhos, mas não me peçam para profunciar nem escrever! Exsite em muits cantos da cidade, as salas são limpas e sempre foram muito simpáticos e sorridentes, apesar de não encontrarmos ninguém que se aventure no inglês.
Porém essa "pelanca" do últimoprato Sylvain não conseguiu comer. ele comeu a carne e deixou a "pelanca", parao olhar surpreso dosclientes chineses que comiam aparte deles como se fosse a melhor coisa do mundo! Esse ovo decor estranha é o que eles chamam de "ovo dos cem anos", mas que na verdade fica bem menos que 100 anos cozinhando!!! Para muitos ocidentais pode parecer um pouco nojento, mas garanto queo gosto é bem normal, em quase nada diferente de um ovo cozido normal!

Em todos os cantos da cidade vendiam iogurte, os chineses sendo grandes consumidores, mas com aquele calor não tivemos vontade de provar, ainda mais pensamos na convervação do produto com aquele calor.
Mas consumíamos frutas o dia inteiro!
Em resumo, não podemos dizer que comemos mal na China, apenas diferente... E de vez em quando era difícil comunicar o que queríamos e entender o cardápio, por isso muitas vezes o que chegaria no nosso prato era uma surpresa! Faz parte das aventuras de viagem!