sexta-feira, 13 de julho de 2012

Barneville-Carteret

No final de junho estive mais uma vez na Normandia, essa região que tanto gosto pela sua proximidade com o mar e o ambiente calmo! Uma mistura de praia e "interior", com seus campos, plantações e fazendas.

Desta vez aproveitei para revisitar a cidadezinha de Barneville-Carteret, uma estação balneárea muito apreciada pelos ingleses, formada por três villages: Carteret, com seu porto de pesca e de lazer, o bourg  (uma espécie de centrinho com uma igreja e comércios) de Barneville e a praia de Barneville.

Igreja Saint-Germain d'Auxerre de Barneville, cuja construção é de 1140, ainda época romana. A Torre faz parte do processo de fortificação que a região vivenciou no século XV.

Centrinho (bourg) da cidade com a sua feirinha de sábado. A temporada de verão não tendo ainda começado, e com o frio que ronda essa região mesmo nessa época do ano, a cidade ainda estava bem calma!

Cachorro, o amigo inseparável dos franceses, ainda mais dos mais idosos. Nessas pequenas cidades grande parte da população é idosa, já que os empregos são poucos, e os bons empregos ainda mais raros. Os mais jovens geralmente vão estudar e trabalhar nas cidades maiores. Ou seja, ciclo migratório normal do interior para a cidade grande.


Muita gente que passeia ou mora na França acaba conhecendo bem mais as cidades grandes, dentre elas Paris e então pensa que quem faz o trabalho duro e pesado são apenas os estrangeiros... Isso acontece sim, mas como eu disse nas cidades grandes. Desde que nos aventuramos pelo interior, os trabalhos mesmo mais difíceis são feitos por franceses mesmo, já que ainda são poucos os estrangeiros (que se concentram nas cidades maiores com maiores chances de emprego).
Nas cidades menores também é possivel morar e viver confortavelmente com um salário modesto, o que em Paris é impossivel com todas as dificuldades da penúria de habitações e os preços astronômicos.

O que eu tenho na mão é um "merengue" (suspiro para alguns brasileiros) enorme! Juro que era um "presente" para alguém, não era para mim!

A região é muito ventosa e a temperatura da água não tem nada a ver com as praias do nordeste brasileiros. As fotos abaixo tirei em outra ocasião, no inverno.
Acima o Cap de Carteret. Nessa foto não podemos ver, mas ali "pertinho" encontram-se as Ilhas anglo-normandas, como Jersey e Guernesey. Existe um porto com barcos que propõe o transporte diário às ilhas de abril a outubro, dependendo das condições climaticas.
Moradores e veranistas adoram passear pelos antigos caminhos que levam do alto da falésia até o mar (chemin des douaniers) principalmente em dias de vento ou chuva, em silêncio, em uma completa sintonia com a natureza. Podemos nos repousar nos vestigios da ainda mais velha igreja, lembrança da antiga cidadezinha recoberta pela areia. A praia ali é ainda selvagem.
Tomando um certo cuidado, pois para mim a maré sobre ou desce muito rapido e podemos ficar ilhados se não consultarmos corretamente as informações.

Na foto acima, bem no alto à esquerda podemos avistar a ilha anglo-normanda de Jersey.
Adultos e crianças adoram!
(minha afilhadinha já está com 2 anos e meio, como o tempo passa!)
Informações práticas:
Infelizmente não existe um trem que leve até la. Eh necessário ir de carro até Valognes ou Carentan e de lá se deslocar em carro!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Hugh Laurie in Concert!

Uma das vantagens para mim de morar aqui a 5 minutos de Paris é ter toda uma infinidade de atrações de todos os tipos! Talvez seja frustração de gaúcha, já que a maioria dos eventos não "descem" do eixo Rio-São Paulo, mas mesmo assim não tem como comparar a quantidade de espetáculos, exposições e shows dessas grandes cidades com Paris. Só de salas são mais de 100, com mais de 300 espetáculos por semana! Ou seja, mesmo que eu fosse uma desocupada e endinheirada, não conseguira estar presente a tudo!

E eu sou muito eclética, não é tão difícil entrar em uma programação... Desta vez fui conferir o show do Hugh Laurie, vulgo Dr. House!!!

Muita gente não sabe, mas o Hugh (depois de ficar assim tão pertinho até me sinto íntima!) tem um grande talento como cantor e pianista! Ele fazia (ou faz?) parte de uma banda, mas no ano passado saiu seu primeiro album solo (Let Them Talk) que fez um grande sucesso na França.

Obvio que eu não podia perder!!!
Aqui algumas imagens que consegui registrar:


 Uma noite de muito boa música e de emoção! Adorei! Ele é muito simpático, fez várias frases em frances, falava inglês calmamente e pronunciava muito bem, para o deleite o público, que saiu de lá nas nuvens!!!
 Cansadinho no final do show... A gente vê o famoso assim "pessoalmente" e vê que na tv os artistas sempre parecem mais jovens... Não sou só eu que envelheço!

O Show foi no Grand Rex (1bd Poissonnière, Paris 2ème) uma sala muito bonita e muito confortável! Ele foi inaugurado em 1932, pode acolher 2700 pessoas e está inscrito nos monumentos históricos da cidade. 
A particularidade da sala é que temos a impressão de estarmos ao ar livre sob um céu estrelado, quando na verdade existe um telo mais alto! Parece que esse tipo de decoração foi muito comum nos EUA. E essa grande sala é decorada em estilo mediterrânio-antigo, restituindo o ambiente Arc Déco das villas da  Riviera francesa. 
 Infelizmente as fotos néao fazem justiça à beleza da sala, mas podemos ter uma idéia!


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Preguiça mental

Eu sou chatinha mesmo e tem muita coisa que me irrita e que eu não gosto, mas se tem algo que me tira do sério mesmo é a preguiça! Preguiça em todas as suas formas, mas principalmente: preguiça mental, preguiça de pensar, preguiça de aprender, de procurar, de buscar...
Tem gente que eu diria que tem até preguiça de viver!!!

Não tenho paciência! Pronto, falei!

sábado, 7 de julho de 2012

Paris vista através do Rio Sena

Para mim o Sena é um dos rios mais belos da Europa... Além disso, ao longo dele encontram-se umas das mais belas imagens de Paris. E não é por menos que existem centenas de passeios de barco todos os dias, proporcionando aos turistas e mesmo aos locais uma visão privilegiada da capital francesa.

Pode parecer piegas, mas eu recomendo sim uma visão de Paris através de um passeio fluvial! 

Sempre recomendo um passeio à noite, pois a cidade luz fica ainda mais bela com todas as suas luzes! Mas e então, como escolher? 

Existem vários tipos, dentre eles, apenas o passeio, com ou sem informações turísticas, que entra na categoria mais acessível:

Bateaux Parisiens
Preferi esse, pois além dos comentários tudo é acompanhado com músicas francesas... Para quem quer a versão completa!!!
Eles também possuem barcos com opção de almoço ou jantar.

Vedettes du Pont Neuf
Sai da frente da Notre-Dame, tem comentários, mas fiquei decepcionada pois não tinha música :(

O passeio tem praticamente a mesma duração nos dois (cerca de 1 hora), e o preço é o mesmo (em torno de 12€, mas pelos sites é possível encontrar promoções).

Mas e quem gostaria de jantar apreciando essa vista única? Tem para todos os gostos e bolsos!

Gostei muito do Calife, que sai igualmente perto da Notre-Dame (na verdade quase embaixo do Pont des Arts). Da primeira vez que fui não falava francês direito e fiz a reserva pela internet! O barco é pequeno, mas com toda uma magia ao cair da noite! O ambiente é calmo, a comida deliciosa, e ele se descoca lentamente para que os passageiros possam aproveitar tranquilamente a paisagem e o jantar! Como eu tinha comentado no e-mail que era aniversário do Sylvain, eles fizeram a surpresa trazendo um bolo e cantando parabéns! Adoramos o serviço!

 Como vocês podem perceber, o barco é todo de vidro, inclusive o teto. Nesse dia estava chovendo um pouquinho e estava muito frio (fevereiro), mas não atrapalhou em nada o passeio!

Mas recentemente fomos testar com amigos o Paris en Scène... Foi muita decepção! O barco era bonitinho e novo, enorme, mas para começar não adiantou nada ter reservado, os lugares eram distribuídos por ordem de chegada. Não existem mesas, mas poltronas com uma mesinha individual, quase como as de avião (ok, é mais chiquezinho), e a gente fica de frente para a paisagem, não existindo uma mesa de verdade. E os lugares são mais para a cada 2 pessoas. Nós eramos um grupo de 6, então 4 ficaram na frente e 2 atrás, não dava para estabelecer um diálogo. Além disso nesse dia tinha um grupo meio vulgar, com meninas semi-nuas em vestidos ultra-colantes dançando "descendo até o chão" no meio no barco, rindo e falando alto! Podem me chamar de preconceituosa, mas talvez esteja um pouco velha e essa não é bem a minha definição de "passar uma noite agradável" em companhia de amigos explorando a mais bela cidade do mundo (na minha opinião, que fique claro!)
E a comida? Vocês tem certeza que querem saber? Tinhamos escolhido a opção entrada, prato e sobremesa, com uma garrafa de champagne. Quem quiser água (a água da torneira potável é disponibilizada de graça em todos os restaurantes franceses) vai ter que pagar 7€ por uma garrafinha de 500ml de Evian, que custa alguns centavos no supermercado! Sem contar que o barco se locomovia em alta velocidade! Quando a gente via, a paisagem já tinha passado e estava lá atrás (o objetivo é fazer o máximo possível de viagens por dia).
(a gente até pode se decepcionar, mas não perde o sorriso!)
A entrada era para ser chique, para "turista ver", servindo o "tradicional" fois gras. Eu achei bom, não tenho todo esse refinamento, mas não tinha nada a ver com o fois gras de verdadeEra outra coisa.

Como prato, podíamos escolher entre salmão e frango. Ambos servidos com arroz. Escolhi o peixe, que estava muito longe de ser fresco e o molho mais industrializado impossível... Enfim, comida de bandeijão! Quanto ao frango, provei o do Sylvain, com um molho shoyu, uma tentativa frustrada de agradar os clientes asiáticos, tenho a impressão...

E a sobremesa? Praticamente uns biscoitinhos que encontramos no supermercado, que são bons, mas para doce de supermercado!!! Não tirei foto, achei que não valia a pena... Depois fico pensando que muita gente que vem para Paris e janta (ou almoça) em um "restaurante" desses acaba pensando que está provando a verdadeira gastronomia francesa! Imagino a decepção, deve ser ainda mais que a minha, que já imaginava que era uma armadilha para turista.
Mas tirando todos esses pontos negativos, eles são reputados por serem os mais baratos e o que vale a pena é a vista!!!!

 Na torre o barco até que demorou mais tempo.

E que tal dormir sobre as águas do Sena?
Sim, é possível! estive no Vip-Paris, um barco que propõe jantar (o barco se movimenta lentamente durante o jantar), depois dormimos ancorados, e no dia seguinte existe uma excelente opção de café da manhã!

 A nossa cabine era uma dessas ali atrás, com água corrente, chuveiro, tudo pequeno mas funcional.
  Um ambiente bem agradável, equipe e clientes simpáticos, refeição de qualidade.
Estivemos antes de uma reforma completa nas instalações, os comentários são ainda melhores atualmente.

Vontade de navegar? Não esqueça de levar um casaquinho mesmo no verão, uma écharpe para proteger o pescoço e algo para cobrir a cabeça dos menos bem-servidos em termos de capilares... E bom passeio!

Informações úteis:

Le Calife
http://www.calife.com/

Vip Paris
http://www.le-vip-paris.com/fr/pages/yacht-hotel-paris-nuit-romantique-insolite/1/

Bateaux Parisiens
http://www.bateauxparisiens.com/

Vedettes du Pont Neuf
http://www.vedettesdupontneuf.fr/

terça-feira, 3 de julho de 2012

Noites ilumidadas de Bourges

Comer bem faz parte das minhas prioridades em viagens. Então assim que tenho um destino em vista, vou pesquisar o que existe lá em especialidades locais. Infelizmente Bourges não conta com nenhuma especialidade "típica", como puderam nos informar no serviço de turismo e nos livros. Mas na sua base era uma cozinha simples que sofreu influências de toda a região. Escolhemos o restaurante Le Sénat para o nosso jantar, considerado "tradicional" e de boa qualidade, já que o outro que nos indicaram eu não gostei muito da cara: os nomes dos pratos do cardápio tinham sido transformados em nomes, para mim, um tanto quando vulgares, então peguei implicância!
Como entrada, pedi cuisses de grenouille (coxas de rã), que apesar de não ser exatamente uma especialidade local, sempre quis provar e então aproveitei a ocasião! Achei uma delícia!

 Apesar dos franceses serem "reputados" por comerem rã e são até chamados de "frogs" no exterior, não é todo mundo não que come! Assim como o escargot!
 O prato sim era uma especialidade da região, o coq en barbouille (um galo flambado). Para mim que adoro o coq au vin (galo ao vinho), aprovei! Mas um detalhe: fazendo pesquisas para o blog, descobri que a diferença entre os dois pratos é que nesse galo em barbouille (também se pode utilizar um frango!) vai o sangue também! Eu que achava um pouco nogento, tive que me render à evidência: o prato é muito saboroso!
 Como sobremesa, as peras ao vinho, outra especialidade da região, com as suas variantes.

Com a fome devidamente saciada, fomos aproveitar a "noite iluminada de Bourges", que consite em um projeto de iluminação da cidade, com imagens e sons. Todo um percurso é previsto, basta seguir as luzes azuis no chão. Telões também contam a história. 
 O ponto de partida fica nos jardins da catedral, com um filme projetado que conta a história da cidade desde a época galo-romana até a história recente.
 A cidade outrora completamente fortificada.
Depois seguimos ao nosso ritmo e visitamos os nossos pontos de interessa, já que tinha muita coisa para ver e estavámos levemente cansados. Parada obrigatóra na catedral, que fica aberta até tarde da noite nesses dias de evento.
 Antiga grange aux dîmes, onde se recolhia o dízimo, atualmente sede da paróquia.
 O magnífico Palais Jacques-Coeur

 Hôtel Lallemant, onde fuciona o Museu de Artes Decorativas.

Hôtel des Echevins, onde se localiza o Museu Estève, com obras do pintor Maurice Estève (1904-2001)

O percurso incluía outros prédios históricos, mas decidimos que já tinhamos aproveitado bastante e fomos recarregar as energias para o dia seguinte!

Les Nuits Lumières de Bourges
Todos as quintas, sextas e sábados em maio, junho e setembro. Em julho e agosto, todas as noites.
Acesso gratuito, início ao cair da noite e dura cerca de 2 horas.