sábado, 7 de julho de 2012

Paris vista através do Rio Sena

Para mim o Sena é um dos rios mais belos da Europa... Além disso, ao longo dele encontram-se umas das mais belas imagens de Paris. E não é por menos que existem centenas de passeios de barco todos os dias, proporcionando aos turistas e mesmo aos locais uma visão privilegiada da capital francesa.

Pode parecer piegas, mas eu recomendo sim uma visão de Paris através de um passeio fluvial! 

Sempre recomendo um passeio à noite, pois a cidade luz fica ainda mais bela com todas as suas luzes! Mas e então, como escolher? 

Existem vários tipos, dentre eles, apenas o passeio, com ou sem informações turísticas, que entra na categoria mais acessível:

Bateaux Parisiens
Preferi esse, pois além dos comentários tudo é acompanhado com músicas francesas... Para quem quer a versão completa!!!
Eles também possuem barcos com opção de almoço ou jantar.

Vedettes du Pont Neuf
Sai da frente da Notre-Dame, tem comentários, mas fiquei decepcionada pois não tinha música :(

O passeio tem praticamente a mesma duração nos dois (cerca de 1 hora), e o preço é o mesmo (em torno de 12€, mas pelos sites é possível encontrar promoções).

Mas e quem gostaria de jantar apreciando essa vista única? Tem para todos os gostos e bolsos!

Gostei muito do Calife, que sai igualmente perto da Notre-Dame (na verdade quase embaixo do Pont des Arts). Da primeira vez que fui não falava francês direito e fiz a reserva pela internet! O barco é pequeno, mas com toda uma magia ao cair da noite! O ambiente é calmo, a comida deliciosa, e ele se descoca lentamente para que os passageiros possam aproveitar tranquilamente a paisagem e o jantar! Como eu tinha comentado no e-mail que era aniversário do Sylvain, eles fizeram a surpresa trazendo um bolo e cantando parabéns! Adoramos o serviço!

 Como vocês podem perceber, o barco é todo de vidro, inclusive o teto. Nesse dia estava chovendo um pouquinho e estava muito frio (fevereiro), mas não atrapalhou em nada o passeio!

Mas recentemente fomos testar com amigos o Paris en Scène... Foi muita decepção! O barco era bonitinho e novo, enorme, mas para começar não adiantou nada ter reservado, os lugares eram distribuídos por ordem de chegada. Não existem mesas, mas poltronas com uma mesinha individual, quase como as de avião (ok, é mais chiquezinho), e a gente fica de frente para a paisagem, não existindo uma mesa de verdade. E os lugares são mais para a cada 2 pessoas. Nós eramos um grupo de 6, então 4 ficaram na frente e 2 atrás, não dava para estabelecer um diálogo. Além disso nesse dia tinha um grupo meio vulgar, com meninas semi-nuas em vestidos ultra-colantes dançando "descendo até o chão" no meio no barco, rindo e falando alto! Podem me chamar de preconceituosa, mas talvez esteja um pouco velha e essa não é bem a minha definição de "passar uma noite agradável" em companhia de amigos explorando a mais bela cidade do mundo (na minha opinião, que fique claro!)
E a comida? Vocês tem certeza que querem saber? Tinhamos escolhido a opção entrada, prato e sobremesa, com uma garrafa de champagne. Quem quiser água (a água da torneira potável é disponibilizada de graça em todos os restaurantes franceses) vai ter que pagar 7€ por uma garrafinha de 500ml de Evian, que custa alguns centavos no supermercado! Sem contar que o barco se locomovia em alta velocidade! Quando a gente via, a paisagem já tinha passado e estava lá atrás (o objetivo é fazer o máximo possível de viagens por dia).
(a gente até pode se decepcionar, mas não perde o sorriso!)
A entrada era para ser chique, para "turista ver", servindo o "tradicional" fois gras. Eu achei bom, não tenho todo esse refinamento, mas não tinha nada a ver com o fois gras de verdadeEra outra coisa.

Como prato, podíamos escolher entre salmão e frango. Ambos servidos com arroz. Escolhi o peixe, que estava muito longe de ser fresco e o molho mais industrializado impossível... Enfim, comida de bandeijão! Quanto ao frango, provei o do Sylvain, com um molho shoyu, uma tentativa frustrada de agradar os clientes asiáticos, tenho a impressão...

E a sobremesa? Praticamente uns biscoitinhos que encontramos no supermercado, que são bons, mas para doce de supermercado!!! Não tirei foto, achei que não valia a pena... Depois fico pensando que muita gente que vem para Paris e janta (ou almoça) em um "restaurante" desses acaba pensando que está provando a verdadeira gastronomia francesa! Imagino a decepção, deve ser ainda mais que a minha, que já imaginava que era uma armadilha para turista.
Mas tirando todos esses pontos negativos, eles são reputados por serem os mais baratos e o que vale a pena é a vista!!!!

 Na torre o barco até que demorou mais tempo.

E que tal dormir sobre as águas do Sena?
Sim, é possível! estive no Vip-Paris, um barco que propõe jantar (o barco se movimenta lentamente durante o jantar), depois dormimos ancorados, e no dia seguinte existe uma excelente opção de café da manhã!

 A nossa cabine era uma dessas ali atrás, com água corrente, chuveiro, tudo pequeno mas funcional.
  Um ambiente bem agradável, equipe e clientes simpáticos, refeição de qualidade.
Estivemos antes de uma reforma completa nas instalações, os comentários são ainda melhores atualmente.

Vontade de navegar? Não esqueça de levar um casaquinho mesmo no verão, uma écharpe para proteger o pescoço e algo para cobrir a cabeça dos menos bem-servidos em termos de capilares... E bom passeio!

Informações úteis:

Le Calife
http://www.calife.com/

Vip Paris
http://www.le-vip-paris.com/fr/pages/yacht-hotel-paris-nuit-romantique-insolite/1/

Bateaux Parisiens
http://www.bateauxparisiens.com/

Vedettes du Pont Neuf
http://www.vedettesdupontneuf.fr/

terça-feira, 3 de julho de 2012

Noites ilumidadas de Bourges

Comer bem faz parte das minhas prioridades em viagens. Então assim que tenho um destino em vista, vou pesquisar o que existe lá em especialidades locais. Infelizmente Bourges não conta com nenhuma especialidade "típica", como puderam nos informar no serviço de turismo e nos livros. Mas na sua base era uma cozinha simples que sofreu influências de toda a região. Escolhemos o restaurante Le Sénat para o nosso jantar, considerado "tradicional" e de boa qualidade, já que o outro que nos indicaram eu não gostei muito da cara: os nomes dos pratos do cardápio tinham sido transformados em nomes, para mim, um tanto quando vulgares, então peguei implicância!
Como entrada, pedi cuisses de grenouille (coxas de rã), que apesar de não ser exatamente uma especialidade local, sempre quis provar e então aproveitei a ocasião! Achei uma delícia!

 Apesar dos franceses serem "reputados" por comerem rã e são até chamados de "frogs" no exterior, não é todo mundo não que come! Assim como o escargot!
 O prato sim era uma especialidade da região, o coq en barbouille (um galo flambado). Para mim que adoro o coq au vin (galo ao vinho), aprovei! Mas um detalhe: fazendo pesquisas para o blog, descobri que a diferença entre os dois pratos é que nesse galo em barbouille (também se pode utilizar um frango!) vai o sangue também! Eu que achava um pouco nogento, tive que me render à evidência: o prato é muito saboroso!
 Como sobremesa, as peras ao vinho, outra especialidade da região, com as suas variantes.

Com a fome devidamente saciada, fomos aproveitar a "noite iluminada de Bourges", que consite em um projeto de iluminação da cidade, com imagens e sons. Todo um percurso é previsto, basta seguir as luzes azuis no chão. Telões também contam a história. 
 O ponto de partida fica nos jardins da catedral, com um filme projetado que conta a história da cidade desde a época galo-romana até a história recente.
 A cidade outrora completamente fortificada.
Depois seguimos ao nosso ritmo e visitamos os nossos pontos de interessa, já que tinha muita coisa para ver e estavámos levemente cansados. Parada obrigatóra na catedral, que fica aberta até tarde da noite nesses dias de evento.
 Antiga grange aux dîmes, onde se recolhia o dízimo, atualmente sede da paróquia.
 O magnífico Palais Jacques-Coeur

 Hôtel Lallemant, onde fuciona o Museu de Artes Decorativas.

Hôtel des Echevins, onde se localiza o Museu Estève, com obras do pintor Maurice Estève (1904-2001)

O percurso incluía outros prédios históricos, mas decidimos que já tinhamos aproveitado bastante e fomos recarregar as energias para o dia seguinte!

Les Nuits Lumières de Bourges
Todos as quintas, sextas e sábados em maio, junho e setembro. Em julho e agosto, todas as noites.
Acesso gratuito, início ao cair da noite e dura cerca de 2 horas.

sábado, 30 de junho de 2012

Museu Freud em Viena

Se o motivo principal e manifesto da nossa viagem a Viena era ver de perto as obras de Klimt e aproveitar os eventos dos 150 anos do seu nascimento, o principal motivo oculto era visitar essa cidade na qual Freud foi morar com a sua família aos 3 anos de idade e onde permaneceu até o ano anterior a sua morte.
Então posso dizer que tendo lido algumas das biografias desse personagem ícone da psinalálise (principalmente as escritas por Ernest Jones e Irving Stone) eu sentia como se já tivesse caminhado pelas ruas de Viena muitas vezes da minha vida! Mas nem por isso a emoção foi menor!

 A casa em que Freud viveu 47 anos da sua vida e onde se localizada seu consultório foi emocionante para mim que conheço bem a obra dele. Imagino que para os leigos talvez não seja assim tão interessante. 
Apenas poucas peças da casa contém objetos e móveis de origem, já que todo o resto foi transportado quando ele se mudou para Londres em 1938 para escapar do nazismo que tinha chegado com tudo em Viena, no dia seguinte à prisão de sua filha Anna Freud durante um dia para interrogatórios. Ele sentiu então que o nazismo poderia causar muitos estragos para os seus próximos e aceitou de partir, deixando para trás a cidade que ele tanto amou e odiou ao mesmo tempo.
A sua sacola de viagem com as suas iniciais estão lá, a mesma que tantas viagens o acompanhou pela Europa, já que ele adorava conhecer novos lugares e revisitar os mesmos.
Freud adquiriu ao longo dos anos uma bela coleção de antiguidades, nada menos do que 2 mil peças, de origem principalmente egípcia, grega e romana. Com a ajuda de seus amigos ele consegiu inventariar tudo e levar para LOndres, onde se encontra atualmente grande parte da sua coleção. Apenas umas 60 peças estão em Viena, diação de sua filha para a abertura do museu.


Uma idéia de como era o seu consultório na época, com todas essas peças expostas em todos os cantos!!!
A sua famosa sala de espera, onde ele recebeu milhares e milhares de pacientes, alguns deles que por sua vez se tornaram famosos devido aos seus escritos.
Se muita coisa mudou de lá para cá, a escadaria que leva ao apartamento é a mesma. Uma viagem no tempo e na história (não apenas da psicanálise!)

Ainda quero visitar a casa dele aos arredores de Londres da próxima vez em que atravessar o canal da Mancha!

Sigmund-Freud-Museum
Berggasse 19 (em Viena)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Blogs protegidos

Sei que muita gente anda sofrendo assédio moral na internet e por essa e outras razões acaba protegendo o blog...
Mas vai aqui o meu desabafo: acho muito chato quando vou visitar um blog que gostava muito, no qual sempre comentei e nunca fui desagradável, e encontro o mesmo bloqueado... Detalhe: ninguém lembrou de me convidar para entrar!!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Île de Saint-Louis em Paris

Quem já veio a Paris ou leu um pouquinho a respeito sabe que a cidade é cortada pelo Rio Sena. Porém, bem no meio no "mapa de Paris", o Sena se divide em dois cursos d'água, com duas ilhas naturais no meio. A maior delas é a Île de la Cité, onde está situada a Catedral de Notre-Dame e onde antes ficava concentrada a cidade. Hoje é um local administrativo (prefeitura de polícia, palácio da Justiça e hospital) e sobretudo turístico.

Mas "atrás" da Notre-Dame fica localizada uma ilha ainda menorzinha, bem calma e encantadora! Estou falando da Île de Saint-Louis. Trata-se de um dos metro-quadrados mais caros de Paris (uma média de 20 mil euros o metro quadrado) e dizem que Chico Buarque possui um apartamento ali, que ocupa alguns meses por ano.

Um projeto de urbanização do século XVI possibilitou que casas e prédios fossem construídos. Algumas construções datam nos anos 1640, como essa aí de 1645.
A Ilha tinha uma destinação exclusivamente residencial e é conhecida igualmente pela sua alta concentração de "hotels particuliers", destinado a pessoas de fortuna, já que era uma grande moradia destinada a uma única família. Muito ao contrário dos outros prédios da cidade, que acolhiam comércios no térreo e várias famílias nos demais andares.

Grande parte das construções ali são obra do arquiteto Louis le Vau, que morou na Ilha e que desenhou o projeto da igreja (construída em 1644). O maior e mais importante desses "hotéis" é o hôtel Lambert* (atualmente completamente em reformas), considerado um dos mais bonitos de Paris e considerado patrimônio histórico desde 1862.
Igreja Saint-Louis en l'Île
Muitas personalidades famosas moraram ali, como o escritor e poeta Baudelaire, a escultora Camille Claudel (e amante do escultor Auguste Rodin), Marie Curie (a física e química, detentora de 2 prêmios Nobel e conhecida pela descoberta da radiação), o ex-presidente francês Georges Pompidou, dentre outros.
 O acesso pode ser feito por 5 pontes que nos deixam na Ilha, e a rua principal é a Rue Saint-Louis en l'Ile, com seus comércios, galerias e lindos prédios!



Aqui também podemos encontrar os sorvetes Berthillon, considerados os melhores de Paris (5º melhor do mundo) e de fabricação artesanal. Os sorvetes utilizam somente ingredientes naturais, excluem os conservantes químicos, edulcorantes e acidifiantes. Alguns sabores são muito originais, como rosas!

No nº 31 da rua citada acima fica a loja oficial, mas atenção aos dias de fechamento (segunda e terça) e às longas férias de verão (da metade de julho à metade de agosto, dedicadas à fabricação dos sorvetes). Mas para quem quiser provar, na rua existem muitos outros distribuidores, basta prestar atenção nesse nome Berthillon. Diversos restaurantes e bistrots de Paris também servem esse sorvete.

 Ali também podemos encontrar restaurantes agradáveis, e comércios de bairro, de qualidade mas com preço bem salgadinho, como esse açougue muito prestigiado:


 Para quem acha que "presunto não é carne", já viram como é feito? Se uma peça inteira de pernil de porco não é carne então não sei o que é...




Também podemos encontrar "vestígios" das ruas antigas, com os nomes antigos, e o contraste com o moderno:
 Antigamente a rua (foto à direita) se chamava Rue de la Femme Sans Teste, em referência à cabeça da estátua que estava faltando (hoje falta mais que a cabeça!). Isso no francês antigo, pois não se diz mais "teste", mas "tête" no francês moderno (o es foi substituído por ê, como em fête=festa).

No final da ilha encontramos um jardim bem agradável (pena que esse dia estava chuvoso), uma homenagem ao escultor Barye, especialista em animais.

Essas lojas abaixo atraem muitos turistas e locais, apesar de serem redes (encontramos por toda a cidade):

 Umas balas e bombons, tudo bem doce e açucarado! (Sylvain adora)
 Artigos em plástico. Eu acho tudo bem bonitinho, Sylvain acha tudo brega!

Então, que tal um passeio pela Île de Saint-Louis na sua próxima passadinha por Paris?

Ou quem sabe você prefere comprar um apartamento de 44m2 pela bagatela de 1 milhão e 50 mil euros???


* O Hôtel Lambert infelizmente sofreu um grande incêndio em 2013, durante suas reformas.