terça-feira, 3 de julho de 2012

Noites ilumidadas de Bourges

Comer bem faz parte das minhas prioridades em viagens. Então assim que tenho um destino em vista, vou pesquisar o que existe lá em especialidades locais. Infelizmente Bourges não conta com nenhuma especialidade "típica", como puderam nos informar no serviço de turismo e nos livros. Mas na sua base era uma cozinha simples que sofreu influências de toda a região. Escolhemos o restaurante Le Sénat para o nosso jantar, considerado "tradicional" e de boa qualidade, já que o outro que nos indicaram eu não gostei muito da cara: os nomes dos pratos do cardápio tinham sido transformados em nomes, para mim, um tanto quando vulgares, então peguei implicância!
Como entrada, pedi cuisses de grenouille (coxas de rã), que apesar de não ser exatamente uma especialidade local, sempre quis provar e então aproveitei a ocasião! Achei uma delícia!

 Apesar dos franceses serem "reputados" por comerem rã e são até chamados de "frogs" no exterior, não é todo mundo não que come! Assim como o escargot!
 O prato sim era uma especialidade da região, o coq en barbouille (um galo flambado). Para mim que adoro o coq au vin (galo ao vinho), aprovei! Mas um detalhe: fazendo pesquisas para o blog, descobri que a diferença entre os dois pratos é que nesse galo em barbouille (também se pode utilizar um frango!) vai o sangue também! Eu que achava um pouco nogento, tive que me render à evidência: o prato é muito saboroso!
 Como sobremesa, as peras ao vinho, outra especialidade da região, com as suas variantes.

Com a fome devidamente saciada, fomos aproveitar a "noite iluminada de Bourges", que consite em um projeto de iluminação da cidade, com imagens e sons. Todo um percurso é previsto, basta seguir as luzes azuis no chão. Telões também contam a história. 
 O ponto de partida fica nos jardins da catedral, com um filme projetado que conta a história da cidade desde a época galo-romana até a história recente.
 A cidade outrora completamente fortificada.
Depois seguimos ao nosso ritmo e visitamos os nossos pontos de interessa, já que tinha muita coisa para ver e estavámos levemente cansados. Parada obrigatóra na catedral, que fica aberta até tarde da noite nesses dias de evento.
 Antiga grange aux dîmes, onde se recolhia o dízimo, atualmente sede da paróquia.
 O magnífico Palais Jacques-Coeur

 Hôtel Lallemant, onde fuciona o Museu de Artes Decorativas.

Hôtel des Echevins, onde se localiza o Museu Estève, com obras do pintor Maurice Estève (1904-2001)

O percurso incluía outros prédios históricos, mas decidimos que já tinhamos aproveitado bastante e fomos recarregar as energias para o dia seguinte!

Les Nuits Lumières de Bourges
Todos as quintas, sextas e sábados em maio, junho e setembro. Em julho e agosto, todas as noites.
Acesso gratuito, início ao cair da noite e dura cerca de 2 horas.

sábado, 30 de junho de 2012

Museu Freud em Viena

Se o motivo principal e manifesto da nossa viagem a Viena era ver de perto as obras de Klimt e aproveitar os eventos dos 150 anos do seu nascimento, o principal motivo oculto era visitar essa cidade na qual Freud foi morar com a sua família aos 3 anos de idade e onde permaneceu até o ano anterior a sua morte.
Então posso dizer que tendo lido algumas das biografias desse personagem ícone da psinalálise (principalmente as escritas por Ernest Jones e Irving Stone) eu sentia como se já tivesse caminhado pelas ruas de Viena muitas vezes da minha vida! Mas nem por isso a emoção foi menor!

 A casa em que Freud viveu 47 anos da sua vida e onde se localizada seu consultório foi emocionante para mim que conheço bem a obra dele. Imagino que para os leigos talvez não seja assim tão interessante. 
Apenas poucas peças da casa contém objetos e móveis de origem, já que todo o resto foi transportado quando ele se mudou para Londres em 1938 para escapar do nazismo que tinha chegado com tudo em Viena, no dia seguinte à prisão de sua filha Anna Freud durante um dia para interrogatórios. Ele sentiu então que o nazismo poderia causar muitos estragos para os seus próximos e aceitou de partir, deixando para trás a cidade que ele tanto amou e odiou ao mesmo tempo.
A sua sacola de viagem com as suas iniciais estão lá, a mesma que tantas viagens o acompanhou pela Europa, já que ele adorava conhecer novos lugares e revisitar os mesmos.
Freud adquiriu ao longo dos anos uma bela coleção de antiguidades, nada menos do que 2 mil peças, de origem principalmente egípcia, grega e romana. Com a ajuda de seus amigos ele consegiu inventariar tudo e levar para LOndres, onde se encontra atualmente grande parte da sua coleção. Apenas umas 60 peças estão em Viena, diação de sua filha para a abertura do museu.


Uma idéia de como era o seu consultório na época, com todas essas peças expostas em todos os cantos!!!
A sua famosa sala de espera, onde ele recebeu milhares e milhares de pacientes, alguns deles que por sua vez se tornaram famosos devido aos seus escritos.
Se muita coisa mudou de lá para cá, a escadaria que leva ao apartamento é a mesma. Uma viagem no tempo e na história (não apenas da psicanálise!)

Ainda quero visitar a casa dele aos arredores de Londres da próxima vez em que atravessar o canal da Mancha!

Sigmund-Freud-Museum
Berggasse 19 (em Viena)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Blogs protegidos

Sei que muita gente anda sofrendo assédio moral na internet e por essa e outras razões acaba protegendo o blog...
Mas vai aqui o meu desabafo: acho muito chato quando vou visitar um blog que gostava muito, no qual sempre comentei e nunca fui desagradável, e encontro o mesmo bloqueado... Detalhe: ninguém lembrou de me convidar para entrar!!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Île de Saint-Louis em Paris

Quem já veio a Paris ou leu um pouquinho a respeito sabe que a cidade é cortada pelo Rio Sena. Porém, bem no meio no "mapa de Paris", o Sena se divide em dois cursos d'água, com duas ilhas naturais no meio. A maior delas é a Île de la Cité, onde está situada a Catedral de Notre-Dame e onde antes ficava concentrada a cidade. Hoje é um local administrativo (prefeitura de polícia, palácio da Justiça e hospital) e sobretudo turístico.

Mas "atrás" da Notre-Dame fica localizada uma ilha ainda menorzinha, bem calma e encantadora! Estou falando da Île de Saint-Louis. Trata-se de um dos metro-quadrados mais caros de Paris (uma média de 20 mil euros o metro quadrado) e dizem que Chico Buarque possui um apartamento ali, que ocupa alguns meses por ano.

Um projeto de urbanização do século XVI possibilitou que casas e prédios fossem construídos. Algumas construções datam nos anos 1640, como essa aí de 1645.
A Ilha tinha uma destinação exclusivamente residencial e é conhecida igualmente pela sua alta concentração de "hotels particuliers", destinado a pessoas de fortuna, já que era uma grande moradia destinada a uma única família. Muito ao contrário dos outros prédios da cidade, que acolhiam comércios no térreo e várias famílias nos demais andares.

Grande parte das construções ali são obra do arquiteto Louis le Vau, que morou na Ilha e que desenhou o projeto da igreja (construída em 1644). O maior e mais importante desses "hotéis" é o hôtel Lambert* (atualmente completamente em reformas), considerado um dos mais bonitos de Paris e considerado patrimônio histórico desde 1862.
Igreja Saint-Louis en l'Île
Muitas personalidades famosas moraram ali, como o escritor e poeta Baudelaire, a escultora Camille Claudel (e amante do escultor Auguste Rodin), Marie Curie (a física e química, detentora de 2 prêmios Nobel e conhecida pela descoberta da radiação), o ex-presidente francês Georges Pompidou, dentre outros.
 O acesso pode ser feito por 5 pontes que nos deixam na Ilha, e a rua principal é a Rue Saint-Louis en l'Ile, com seus comércios, galerias e lindos prédios!



Aqui também podemos encontrar os sorvetes Berthillon, considerados os melhores de Paris (5º melhor do mundo) e de fabricação artesanal. Os sorvetes utilizam somente ingredientes naturais, excluem os conservantes químicos, edulcorantes e acidifiantes. Alguns sabores são muito originais, como rosas!

No nº 31 da rua citada acima fica a loja oficial, mas atenção aos dias de fechamento (segunda e terça) e às longas férias de verão (da metade de julho à metade de agosto, dedicadas à fabricação dos sorvetes). Mas para quem quiser provar, na rua existem muitos outros distribuidores, basta prestar atenção nesse nome Berthillon. Diversos restaurantes e bistrots de Paris também servem esse sorvete.

 Ali também podemos encontrar restaurantes agradáveis, e comércios de bairro, de qualidade mas com preço bem salgadinho, como esse açougue muito prestigiado:


 Para quem acha que "presunto não é carne", já viram como é feito? Se uma peça inteira de pernil de porco não é carne então não sei o que é...




Também podemos encontrar "vestígios" das ruas antigas, com os nomes antigos, e o contraste com o moderno:
 Antigamente a rua (foto à direita) se chamava Rue de la Femme Sans Teste, em referência à cabeça da estátua que estava faltando (hoje falta mais que a cabeça!). Isso no francês antigo, pois não se diz mais "teste", mas "tête" no francês moderno (o es foi substituído por ê, como em fête=festa).

No final da ilha encontramos um jardim bem agradável (pena que esse dia estava chuvoso), uma homenagem ao escultor Barye, especialista em animais.

Essas lojas abaixo atraem muitos turistas e locais, apesar de serem redes (encontramos por toda a cidade):

 Umas balas e bombons, tudo bem doce e açucarado! (Sylvain adora)
 Artigos em plástico. Eu acho tudo bem bonitinho, Sylvain acha tudo brega!

Então, que tal um passeio pela Île de Saint-Louis na sua próxima passadinha por Paris?

Ou quem sabe você prefere comprar um apartamento de 44m2 pela bagatela de 1 milhão e 50 mil euros???


* O Hôtel Lambert infelizmente sofreu um grande incêndio em 2013, durante suas reformas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pavio curto

Muito trabalho nessas últimas semanas, fui promovida da noite para o dia, minha chefe trocou de setor da noite para o dia e a minha colega ficou doente (não exatamente da noite para o dia, pois eu imaginava que um dia ou outro ela entraria em atestado) e eu tive que tocar o barco praticamente sozinha... Tantas mudanças profissionais assim de uma hora para a outra sem que eu pudesse me organizar! Nem dormir direito eu conseguia nas últimas semanas pensando nos novos desafios, além de estar na reta final antes das tão sonhadas férias que se aproximam, mas que exigem uma enorme dose de planejamento. Sem contar a minha vida pessoal que anda de pernas para o ar. Há tempos queremos encomendar uma nova cozinha, mas quem diz que sobra tempo ou ânimo para a maratona de lojas e orçamentos? Não tenho paciência! Tudo isso tem me feito perder os cabelos e comer demais.

Mas agora tudo parece que está entrando nos eixos! Só a minha paciência que anda cada vez mais curta... Como talvez vocês tenham notado pelo post anterior

Já comentei aqui no blog que adoro internet e que devo ser mesmo viciada... usava muito orkut, agora uso facebook e adoro o meu blog (twitter nunca tive, não quero mais "sarna para me coçar"). Atualizo meu facebook, mas pelo menos eu acho que não fico poluindo o facebook dos meus amigos. Já há algum tempo ando me irritando com pessoas que postam 30 mensagens por dia (sabem aquelas fotos com mensagens escritas?). Isso mesmo, tem gente que posta 30 atualizações, umas após as outras, 15 vídeos, sem contar aquelas fotos de crianças sem braços ou sem pernas... Mas tudo bem, eu tento filtrar e vou me saindo mais ou menos...

Mas outra coisa que me incomoda são as pessoas próximas que ao invés de pegar o telefone e ligar para falar algo importante, ou enviar um SMS, ou mesmo um e-mail pessoal (já que eu não gosto de telefone prefiro uma dessas fórmulas), preferem lançar a bomba no facebook! A última foi uma pessoa muito próxima (da família do meu marido) que colocou no facebook que estava grávida. Ela tinha contado à algumas pessoas da família, tinha falado com ele alguns dias antes pelo telefone, ele ainda fez um comentário do tipo "para quando o próximo bebê?", a pessoa esconde e depois coloca no facebook... Olha, posso ser meio quadrada mas para mim foi uma falta de consideração imensa (com ele, eu não tenho nada a ver com essa história). Depois vem aqueles comentários "Fulano curtiu o comentário, mas Beltrano não". Fica aquela obrigação de ter que "curtir" tudo o que a pessoa coloca, se não vira fofoca. Em resumo, não "curti", sabendo que haveria represálias. Quanta guerrinha boba, heim?

Outro tipo de mensagem que me deixa P. da vida é quando alguém coloca uma foto de jantar, festa, encontro, com a seguinte legenda: "todo mundo presente, pena que a Milena não pôde vir..." Uma vez eu respondi: "se eu tivesse tido convidada talvez tivesse ido"!
Não me entendam mal, cada um tem o direito de convidar quem quiser e não tenho a pretensão de ser convidada e nem o tempo de ir a todos os encontros, mas o que mata é essa frase ridícula...

Ou então aquelas pessoas que adoram fotografar os piores momentos de seus amigos (alguém acordando toda descabelada e com remelas nos olhos, por exemplo), e postar no facebook...

Sei que tenho pavio curto, mas será que só eu não me divirto com esse tipo de coisa?