Quem já veio a Paris ou leu um pouquinho a respeito sabe que a cidade é cortada pelo Rio Sena. Porém, bem no meio no "mapa de Paris", o Sena se divide em dois cursos d'água, com duas ilhas naturais no meio. A maior delas é a Île de la Cité, onde está situada a Catedral de Notre-Dame e onde antes ficava concentrada a cidade. Hoje é um local administrativo (prefeitura de polícia, palácio da Justiça e hospital) e sobretudo turístico.
Mas "atrás" da Notre-Dame fica localizada uma ilha ainda menorzinha, bem calma e encantadora! Estou falando da Île de Saint-Louis. Trata-se de um dos metro-quadrados mais caros de Paris (uma média de 20 mil euros o metro quadrado) e dizem que Chico Buarque possui um apartamento ali, que ocupa alguns meses por ano.
Um projeto de urbanização do século XVI possibilitou que casas e prédios fossem construídos. Algumas construções datam nos anos 1640, como essa aí de 1645.
A Ilha tinha uma destinação exclusivamente residencial e é conhecida igualmente pela sua alta concentração de "hotels particuliers", destinado a pessoas de fortuna, já que era uma grande moradia destinada a uma única família. Muito ao contrário dos outros prédios da cidade, que acolhiam comércios no térreo e várias famílias nos demais andares.
Grande parte das construções ali são obra do arquiteto Louis le Vau, que morou na Ilha e que desenhou o projeto da igreja (construída em 1644). O maior e mais importante desses "hotéis" é o hôtel Lambert* (atualmente completamente em reformas), considerado um dos mais bonitos de Paris e considerado patrimônio histórico desde 1862.
Grande parte das construções ali são obra do arquiteto Louis le Vau, que morou na Ilha e que desenhou o projeto da igreja (construída em 1644). O maior e mais importante desses "hotéis" é o hôtel Lambert* (atualmente completamente em reformas), considerado um dos mais bonitos de Paris e considerado patrimônio histórico desde 1862.
Igreja Saint-Louis en l'Île
Muitas personalidades famosas moraram ali, como o escritor e poeta Baudelaire, a escultora Camille Claudel (e amante do escultor Auguste Rodin), Marie Curie (a física e química, detentora de 2 prêmios Nobel e conhecida pela descoberta da radiação), o ex-presidente francês Georges Pompidou, dentre outros.
O acesso pode ser feito por 5 pontes que nos deixam na Ilha, e a rua principal é a Rue Saint-Louis en l'Ile, com seus comércios, galerias e lindos prédios!Aqui também podemos encontrar os sorvetes Berthillon, considerados os melhores de Paris (5º melhor do mundo) e de fabricação artesanal. Os sorvetes utilizam somente ingredientes naturais, excluem os conservantes químicos, edulcorantes e acidifiantes. Alguns sabores são muito originais, como rosas!
No nº 31 da rua citada acima fica a loja oficial, mas atenção aos dias de fechamento (segunda e terça) e às longas férias de verão (da metade de julho à metade de agosto, dedicadas à fabricação dos sorvetes). Mas para quem quiser provar, na rua existem muitos outros distribuidores, basta prestar atenção nesse nome Berthillon. Diversos restaurantes e bistrots de Paris também servem esse sorvete.
Ali também podemos encontrar restaurantes agradáveis, e comércios de bairro, de qualidade mas com preço bem salgadinho, como esse açougue muito prestigiado:
Para quem acha que "presunto não é carne", já viram como é feito? Se uma peça inteira de pernil de porco não é carne então não sei o que é...
Antigamente a rua (foto à direita) se chamava Rue de la Femme Sans Teste, em referência à cabeça da estátua que estava faltando (hoje falta mais que a cabeça!). Isso no francês antigo, pois não se diz mais "teste", mas "tête" no francês moderno (o es foi substituído por ê, como em fête=festa).
No final da ilha encontramos um jardim bem agradável (pena que esse dia estava chuvoso), uma homenagem ao escultor Barye, especialista em animais.
Umas balas e bombons, tudo bem doce e açucarado! (Sylvain adora)
Artigos em plástico. Eu acho tudo bem bonitinho, Sylvain acha tudo brega!
Ou quem sabe você prefere comprar um apartamento de 44m2 pela bagatela de 1 milhão e 50 mil euros???
* O Hôtel Lambert infelizmente sofreu um grande incêndio em 2013, durante suas reformas.


