quinta-feira, 21 de junho de 2012

Museu Gustave Moreau, atelier e casa do artista


Gustave Moreau foi um artista não apenas francês, mas parisiense do século XIX. Se a sua obra resta talvez relativamente desconhecida no Brasil, vale lembrar que ele foi igualmente professor na escola de Belas Artes de Paris e teve como alunos outros artistas que se tornaram celébres, como Matisse

Gustave Moreau é filho de pai arquiteto e aprendeu com esse a história clássica e a mitologia, tão presente na sua obra. De saúde frágil quando criança, foi muito protegido pela mãe e desde muito cedo desenhar era o seu principal lazer. Como muitos artistas de seu tempo, sua obra é romântica, acadêmica, com uma pintada de "italianismo" (desde cedo ele visitou a Itália, de onde voltou apaixonado), mas acima de tudo eclética. Ele não tinha como objetivo reproduzir a realidade em suas obras. Mas é muito difícil colocar o seu trabalho em uma só categoria, até hoje aparentemente ninguém conseguiu fazê-lo.

Ele fazia parte da alta burguesia da época e frequentava os grandes salões de condes e duquesas. Sua hora era muito admirada por personagens literários, dentre eles Oscar Wilde e Marcel Proust. Ou seja, era mais admirado pelos intelectuais do que pelo "povão". 

A casa que ele adquiriu em 1852 e na qual viveu primeiro com seus pais e mais tarde sozinho (após o falecimento deles) tinha um atelier, e ele desde cedo se preocupava em relação ao fim que seria dado aos seus trabalhos. Então aparentemente ele sempre quis que a casa se tornasse um museu, e preferiu conservar a maior parte do seu trabalho, que ele queria que fosse apresentado junto, para que as pessoas pudessem ter uma idéia de como ele era em vida. Pouco antes da sua morte a casa passou por importantes reformas, conservando o primeiro andar, mas o segundo e o terceiro foram transformados em grandes salas luminosas e espaçosas para acolher o seu trabalho.
Ele então "morava" no primeiro andar, considerado o seu apartamento:


 Seu quarto
Boudoir
Mas o segundo andar é fabuloso com centenas de trabalhos do artista, de todos os tamanhos e de todos os tipos: pinturas, desenhos, gravuras e mesmo esculturas.



Essa bela escada leva ao terceiro andar:
Apesar do Museu ser relativamente pequeno, é necessário no mínimo uma hora para admirar tudo, pois cada peça é realmente repleta de lembranças e obras do artista. Para se ter uma idéia, grandes móveis abrigam gavetas com centenas e centenas de pequenas pinturas ou desenhos de Moreau. 

No total, são cerca de 850 pinturas (incluindo aquarelas e cartons) e cerca de 15 mil desenhos.

Fiquei impressionadíssima com a quantidade de coisas que ele fez durante a sua vida!!!
Queria poder realizar a metade!

Museu Nacional Gustave Moreau
14 rue de La Rochefoucauld
75009 PARIS
Metrô trinité ou Saint Georges
http://www.musee-moreau.fr/

terça-feira, 19 de junho de 2012

A catedral de Bourges

A catedral Saint-Etienne (São Estevão) de Bourges começou a ser construída no final do século XII. Em puro estilo gótico, suas dimensões são excepcionais: 118 metros de comprimento, 41 de largura e 37 de altura. Para quem pensa que todas essas catedrais em estilo gótico são parecidas, essa não possui transepto, as 5 naves correspondem aos 5 portais externos e ela comporta um duplo deambulatório.
Majestosa, ela domina a cidade de onde estivermos.
Ela é única na sua concepção, e por isso é inscrita no patrimônio mundial da Unesco desde 1992.
Se ela demonstra a potência do cristianismo na França medieval, ainda hoje essa tradição parece se perpeturar por lá: sábado pela manhã o acesso à visitação estava suspenso devido à primeira comunhão que estava acontecendo ali. Vimos quando os "fiéis" sairam da catedral, eram centenas de crianças comunhando pela primeira vez, e com as famílias o grupo facilmente ultrapassava mil pessoas.




 Alguns dos vitrais datam dos séculos XIII e XV.
Uma das capelas apresenta a policromia típida da época.

 Acima a porta e a entrada da cripta, que desta vez optamos por visitar a cripta, que na verdade não é uma verdadeira "cripta" já que esse termo significa uma capela subterrânea, e essa não é enterrada, mas servia como estrutura e para cobrir o desnível do terreno, já que entre a frente e a parte de trás da catedral há 6 metros de diferença! A catedral foi construída (como geralmente acontece aqui na Europa) sobre uma antiga igreja romana. A visita da cripta não é livre, é necessário acompanhar umas das visitas guiadas. 
Muito interessante essa descoberta!
 A "cripta" serviu como atelier para os trabalhadores que talhavam a pedra, e podemos ver no chão as marcas das grandes peças que foram esculpidas ali, como a grande "rosa" da catedral. Marcas que estão ali há mais de 8 séculos!
 Ali também podemos ver o que restou do jubé (do latim jube domine benedicere) da catedral, uma espéce de portal de 18 metros e largura pour 6,5 de altura, todo em arcos e inteiramente esculpido, construído no século XIII e infelizmente destruído em 1562 durante o cerco da cidade pelos protestantes. 

Esse conjunto abaixo de esculturas foi encontrado muito mais tarde, escondido atrás de uma parece falsa. 
A cor é de origem e o estado é excelente!
 Reparem o "tecido", as dobras parecem tão reais!

 Após essa relativa descida à cripta, descidimos subir até o alto da torre Norte... nada mais do que 398 degraus!!! A torre literalmente desabou em 1506 e teve que ser reconstruída.
Até que se montava fácil, o problema é que a minha cabeça começou a rodar...
E a cada passo nos deparávamos com essas criaturinhas que nos vigiavam...
Apesar do tempo chuvoso, valeu a pena!
 Essa foi a torre na qual subimos... Mas a melhor parte foi curtir um solzinho ao redor da catedral!!!
Os jardins de l'Archevêché (do "arcebispado"), desenhado em torno de 1730, mas infelizmente o tempo não estava bom quando passamos por ali, e depois já era noite, então ad fotos não ficaram boas :(

sábado, 16 de junho de 2012

Um final de semana romântico em Bourges


Para quem estava curioso sobre o final de semana planejado por Sylvain ou simplesmente deseja conhecer um pouco mais da França, passamos um final de semana muito agradável na cidade de Bourges! Bourges fica a cerca de 2 horas de trem de Paris (parece que tudo fica há duas horas de Paris, de uma forma ou outra!), no departamente chamado Cher, pertinho dos castelos de la Loire, de grandes domínios vinícolas (como a região onde é produzido o vinho Sancerre) e de cidades como Orléans e Tours. 

Uma das particularidades de Bourges é o seu centro medieval e ela é orgulhosa de contar com 430 casas em pan de bois (com essas madeiras que vocês podem ver abaixo! Se alguém souber o nome correto em português, me avise, por gentileza), construídas na maior parte no final do século XV. 

 Se existem mesmo 430 eu não sei, mas acho que devo ter passado por mais de 200!!!

 Geralmente a colombagem é em forma de losango ou cruz de Santo André.
 Na sua origem, as casas eram divididas da seguinte forma: um comércio no térreo, com uma cozinha da parte traseira, e nos demais andares as peças de moradia.
Essa é a rue Bourbonnoux, que fica do lado de fora dos antigos muros da época gallo-romana e que foi urbanizada no século XIII (as casas foram reconstruídas após um grande incêndio em 1487).
Sem sombra de dúvidas é uma das ruas mais chamosas de lá!
 


 Nessa livraria muito simpática encontrei por 1 euro um exemplar do livro "Os Cisnes Selvagens", de Jung Chang, que estava querendo ler há muito tempo!
Muitas dessas passagens estreitinhas datam dos séculos XVI (em algumas podemos ver a data). 
A cidade é bem calma, mas deveria ser meio amendrontador na época!

  Mas se engana quem pensa que Bourges é apenas um aglomerado de casas antigas!
Uns de seus cartões postais é a catedral, o Palácio Jacques-Coeur e o pântano que fica há 10 minutos à pé do centro da cidade!!! Também comemos muito bem e fizemos algumas visitas culturais. 
Mas tudo isso são cenas dos próximos capítulos...
Deseja conhecer um pouco mais sobre outras cidades francesas? Talvez você encontre seu próximo destino nos posts abaixo sobre: 
Aix-en-ProvenceAnnecyAvignonBesançonBiarritzDeauvilleDijonEtretatFécampLa-Haye-du-PuitsLe Mont Saint-Michel (ok, não é uma "cidade"), Le TouquetLilleLyonProvinsReimsRouenStrasbourg.