terça-feira, 19 de junho de 2012

A catedral de Bourges

A catedral Saint-Etienne (São Estevão) de Bourges começou a ser construída no final do século XII. Em puro estilo gótico, suas dimensões são excepcionais: 118 metros de comprimento, 41 de largura e 37 de altura. Para quem pensa que todas essas catedrais em estilo gótico são parecidas, essa não possui transepto, as 5 naves correspondem aos 5 portais externos e ela comporta um duplo deambulatório.
Majestosa, ela domina a cidade de onde estivermos.
Ela é única na sua concepção, e por isso é inscrita no patrimônio mundial da Unesco desde 1992.
Se ela demonstra a potência do cristianismo na França medieval, ainda hoje essa tradição parece se perpeturar por lá: sábado pela manhã o acesso à visitação estava suspenso devido à primeira comunhão que estava acontecendo ali. Vimos quando os "fiéis" sairam da catedral, eram centenas de crianças comunhando pela primeira vez, e com as famílias o grupo facilmente ultrapassava mil pessoas.




 Alguns dos vitrais datam dos séculos XIII e XV.
Uma das capelas apresenta a policromia típida da época.

 Acima a porta e a entrada da cripta, que desta vez optamos por visitar a cripta, que na verdade não é uma verdadeira "cripta" já que esse termo significa uma capela subterrânea, e essa não é enterrada, mas servia como estrutura e para cobrir o desnível do terreno, já que entre a frente e a parte de trás da catedral há 6 metros de diferença! A catedral foi construída (como geralmente acontece aqui na Europa) sobre uma antiga igreja romana. A visita da cripta não é livre, é necessário acompanhar umas das visitas guiadas. 
Muito interessante essa descoberta!
 A "cripta" serviu como atelier para os trabalhadores que talhavam a pedra, e podemos ver no chão as marcas das grandes peças que foram esculpidas ali, como a grande "rosa" da catedral. Marcas que estão ali há mais de 8 séculos!
 Ali também podemos ver o que restou do jubé (do latim jube domine benedicere) da catedral, uma espéce de portal de 18 metros e largura pour 6,5 de altura, todo em arcos e inteiramente esculpido, construído no século XIII e infelizmente destruído em 1562 durante o cerco da cidade pelos protestantes. 

Esse conjunto abaixo de esculturas foi encontrado muito mais tarde, escondido atrás de uma parece falsa. 
A cor é de origem e o estado é excelente!
 Reparem o "tecido", as dobras parecem tão reais!

 Após essa relativa descida à cripta, descidimos subir até o alto da torre Norte... nada mais do que 398 degraus!!! A torre literalmente desabou em 1506 e teve que ser reconstruída.
Até que se montava fácil, o problema é que a minha cabeça começou a rodar...
E a cada passo nos deparávamos com essas criaturinhas que nos vigiavam...
Apesar do tempo chuvoso, valeu a pena!
 Essa foi a torre na qual subimos... Mas a melhor parte foi curtir um solzinho ao redor da catedral!!!
Os jardins de l'Archevêché (do "arcebispado"), desenhado em torno de 1730, mas infelizmente o tempo não estava bom quando passamos por ali, e depois já era noite, então ad fotos não ficaram boas :(

sábado, 16 de junho de 2012

Um final de semana romântico em Bourges


Para quem estava curioso sobre o final de semana planejado por Sylvain ou simplesmente deseja conhecer um pouco mais da França, passamos um final de semana muito agradável na cidade de Bourges! Bourges fica a cerca de 2 horas de trem de Paris (parece que tudo fica há duas horas de Paris, de uma forma ou outra!), no departamente chamado Cher, pertinho dos castelos de la Loire, de grandes domínios vinícolas (como a região onde é produzido o vinho Sancerre) e de cidades como Orléans e Tours. 

Uma das particularidades de Bourges é o seu centro medieval e ela é orgulhosa de contar com 430 casas em pan de bois (com essas madeiras que vocês podem ver abaixo! Se alguém souber o nome correto em português, me avise, por gentileza), construídas na maior parte no final do século XV. 

 Se existem mesmo 430 eu não sei, mas acho que devo ter passado por mais de 200!!!

 Geralmente a colombagem é em forma de losango ou cruz de Santo André.
 Na sua origem, as casas eram divididas da seguinte forma: um comércio no térreo, com uma cozinha da parte traseira, e nos demais andares as peças de moradia.
Essa é a rue Bourbonnoux, que fica do lado de fora dos antigos muros da época gallo-romana e que foi urbanizada no século XIII (as casas foram reconstruídas após um grande incêndio em 1487).
Sem sombra de dúvidas é uma das ruas mais chamosas de lá!
 


 Nessa livraria muito simpática encontrei por 1 euro um exemplar do livro "Os Cisnes Selvagens", de Jung Chang, que estava querendo ler há muito tempo!
Muitas dessas passagens estreitinhas datam dos séculos XVI (em algumas podemos ver a data). 
A cidade é bem calma, mas deveria ser meio amendrontador na época!

  Mas se engana quem pensa que Bourges é apenas um aglomerado de casas antigas!
Uns de seus cartões postais é a catedral, o Palácio Jacques-Coeur e o pântano que fica há 10 minutos à pé do centro da cidade!!! Também comemos muito bem e fizemos algumas visitas culturais. 
Mas tudo isso são cenas dos próximos capítulos...
Deseja conhecer um pouco mais sobre outras cidades francesas? Talvez você encontre seu próximo destino nos posts abaixo sobre: 
Aix-en-ProvenceAnnecyAvignonBesançonBiarritzDeauvilleDijonEtretatFécampLa-Haye-du-PuitsLe Mont Saint-Michel (ok, não é uma "cidade"), Le TouquetLilleLyonProvinsReimsRouenStrasbourg.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que comer em São Petersburgo?

O tempo foi passando e não tive tempo de escrever sobre a parte gastronômica da Rússia. Eh verdade também que não fizemos muitas aventuras gastronômicas já que a nossa estadia pela cidade foi bem curta e não queríamos perder tempo. 
Mas eu até tinha vontade de provar muitos pratos, mas tenho que reconhecer que Sylvain não estava no mesmo clima, mas ele estava tão excitado pela descoberta da cidade que nem pensava em comer!

Nosso único restaurante de verdade foi um que ficava no subsolo da Nevski prospekt (muitos restaurantes e outros comércios podem estar situados tanto no subsolo quanto em outros andares do mesmo prédio!). Não entendíamos nada da carta, conversamos um pouco com a atendente e escolhemos esses pratos:

 Bev Stroganof para Sylvain sem erros! Provei o prato dele, que achei uma delícia e cujo gosto é realmente muito parecido com o nosso strogonoff.
Não lembro de jeito nenhum o nome do meu prato! Estava bom, mas eu preferia alguma coisa com molho...
O engraçado é que tinha dominós e outros jogos disponíveis sobre as mesas e as pessoas aguardavam os pratos jogando!  Foi o dia em que choveu e no qual passamos inteirinho no Museu do Hermitage. Foi meu aniversário também.

Nos demais dias optamos por um sistema muito prático que encontramos pela cidade, que são as "cafeterias" que servem como se fosse um buffet a quilo. Gostei muito da idéia, pois assim podíamos ver "a cara" dos alimentos e escolher o que tínhamos vontade. Porém o acesso não é direto, os alimentos ficam atrás de uma vitrine e temos que fazer o nosso pedido à atendente e depois pagar no caixa. Outra vantagem é que muitos desses lugares são abertos 24h! Isso mesmo, em São Petersburgo o comércio fica aberto até muito tarde e muitos restaurantes e cafés abrem a noite toda. Aqui alguns dos meus pratos: 

 As saladinhas eram sempre ótimas, e as comidas achei com gostinho de comida caseira. Gostei muito de comer assim simples, que foge um pouco dos restaurantes franceses.
 A conta nesses locais eram sempre bem camaradas, mas a gente nunca sabia quanto iria pagar, já que os preços estavam afichados, mas a gente não sabia qual deles correspondia as nossas escolhas!
 A decoração era geralmente simples, com velhos cartazes e jornais. Mas sempre muito animado, com muitos jovens, provavelmente estudantes. 

Também comíamos muita coisa na rua, nesses quiosques:

 O blini é um lanche muito comum e encontrado em qualquer lugar da cidade. Eh como se fosse uma crepe ou panqueca.


Não provamos muitos doces, mas fomos ao Café Singer, que fica em um fabuloso prédio em estilo Art Nouveau, na Nevski prospekt bem na esquina com o canal da Igreja do Sangue Derramado e de frente para a Igreja Nossa senhora de Kazan.



O chocolate era tão cremoso, quase "sólido" e o único jeito era comer com a colher! Muito bom, mas o preço bem salgadinho... Depois descobrimos que é o café mais reputado da cidade. Muito agradável, fica no andar de cima de uma grande livraria!

Sabemos que os russos bebem muito chá e vimos muitas variedades pelas lojas especializadas e mercados da cidade. Mas quem fala em Rússia pensa logo em...
 E é claro que elas estão lá, em grande variedade, vários preços, mas na maior parte preços bem "camaradas".
Apesar da vodka ser a bebida nacional e facilmente encontrada, não vimos em nenhum momento pessoas bebendo pelas ruas, nem vimos bêbados pelas ruas. Talvez há alguns anos fosse mais comum encontrar esse tipo de cena, mas eu sou bem observadora nas minhas viagens e não vi mesmo desta vez, mesmo caminhando tarde pelas ruas e com o frio que estava fazendo!!! 

Quero muito voltar para, além de visitar, provar tudo o que não consegui! Como os pratos da Geórgia e Armênia, os famosos "raviolis" de origem siberiana! Mas deu para perceber que se come muita batata, pão preto (pesado e amarguinho, eu adoro!), e tudo muito temperado com aneth. Também vi muito repolho e pepino. Os sorvetes também são muito bons e os russos bebem sorvete a qualquer hora do dia e independente do clima! Eu que sempre adorei sorvete no inverno, praticamente me senti em casa!