segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fécamp: antiga cidade pesqueira

Uma das desvantagens de planejar uma viagem ou passeio com antecedência é que a meteorologia pode não ser lá muito favorável... Ainda mais aqui na Europa, onde pode chover ou esfriar na primavera ou verão!!! Acostumada com essas reviravoltas climáticas, não é uma chuvinha qualquer ou tempinho feio que vão me desanimar!

Um dos passeios muito agradáveis pela França é a visita das falésias de Etretat. Nunca tive tempo de escrever da cidade em que ficamos quando visitamos as falésias. Trata-se de Fécamp, uma cidadezinha de pescadores na sua origem (grande porto de pesca do harengue e do bacalhau até os anos 70), localizada em uma região muito bonita chamada Côte d'Albâtre, ainda na Normandia
Como praticamente todas as cidades a beira do mar, praticamente tudo gira em torno do seu Port de Plaisance (foto acima). Uma feirinha muito animada ocorre sábados o dia inteiro, vendendo roupas, especialidades e antiguidades, tudo entre a Avenue Gambetta, no Boulevard de la République e nas ruazinhas ao redor da Igreja São estevão (St-Etienne). 


O vento cortante e a chuva torrencial nos pegou totalmente desprevenidos que acabamos ficando sem boas fotos da Capela do Precioso Sangue (Chapelle du Précieux-Sang) e da Abbatiale de la Sainte Trinité.,ambas ao redor do centro da cidade e acessíveis à pé.
Fécamp poderia ter ficado esquecida no tempo no meio de tantas outras cidadezinhas de charme, porém anônimas, mas tornou-se famosa no mundo todo pelo seu licor/digestivo Bénédictine
Se a bebida perdeu muito do seu prestígio atualmente, o palácio construído no século XIX como fábrica e museu merece a visita!
Conta a lenda que em 1510 um monge da ordem dos beneditinos teria criado um elixir secreto... Em 1863, Alexandre Le Grand (O Grande), um comerciante e colecionador de arte teria descoberto a receita!!! Não é preciso dizer que a comercialização dessa bebida trouxe riqueza e poder a esse comerciante e à região!

Construído por um arquiteto especialista no estilo gótido (tardio). Inaugurado em 1888, em 1892 ele foi praticamente todo destruído por um incêndio criminoso... Mas Alexandre decidiu tudo reconstruir, ainda mais bonito e luxuoso, incluindo uma mistura de estilo Renascença! Porém ele morre antes da reinauguração. 

 Maquete do Palais Bénédictine


 O Palácio abriga igualmente uma coleção remarcável de objetos de arte tendo pertencido à família Le Grand. A coleçéao enriqueceu-se com peças vindas da Abadia de Fécamp e de doadores. exposiçéoes temporárias de qualidade são igualmente propostas em ocasiões pontuais.
 A esquerda o monge criador da receita e à direita Alexandre, o comerciante!
 Uma visita guiada permite de visitar as caves e ouvir as explicações dessa bebida cuja receita continua secreta até hoje. Ficamos sabendo apenas que ela é composta de 27 plantas e especiarias.

 O perfume é bem agradável, essa mistura de tantas especiarias diferentes! Mas já o gosto... 
Ok, não sou parâmetro em termos de bebidas alcoólicas!
 Logo após uma paradinha em um restaurante simples (infelizmente não guardei o nome) porém bem agradável de frente ao porto.
No cardápio, mexilhões (moules): ao Camembert (queijo especialidade da região) para mim e aos lardons (bacon) para Sylvain.

Preferi esse restaurante de decoração mais "calorosa" ao que fizemos na noite anterior, que apesar de ter uma vista linda para o mar e o por-do-sol, para mim era muito "modernoso" e até a comida era muito moderna para o meu gosto, como vocês podem conferir abaixo:

Devidamente saciados, decidimos atravessar o porto e subir a colina pela trilha gallo-romana:
Dá para perceber o quanto o tempo estava (en)coberto e o caminho que percorremos, já que o porto estava bem pequenininho lá embaixo!!! A súbida é íngreme, ainda mais com a chuva, a terra fica escorregadia...
Chegamos à Capela Notre-Dame de Salut, com a sua Viergem dourada ao alto, protetora dos marinheiros.

 Nesse ponto estamos sobre uma das mais altas falésias da região. O Cap Fagnet fica a 110 metros acima do nível do mar nos proporciona uma vista incrível. Tanto podemos enxergar por quilômetros (quando o tempo está bom, o que não foi o nosso caso) que os alemães escolheram essa região para instalar seus centros de observação durante a Segunda Guerra Mundial. Os vestígios estão todos lá: os antigos Blockhaus:
 O conjunto de blockhaus abrigou o mais  importante poste de radar. Havia também um hospital militar encravado nas falésias. Um ambiente "sinistro"!


 Informações práticas:

O acesso à Fécamp pode ser realizado de ônibus a partir da estação de de trem Bréauté-Beuzeville (diversos horários partindo de Paris St-Lazare). Mas para quem quer explorar bem a região, o melhor mesmo é se locomover de carro, já que existem poucas opções e horários de transportes públicos nessa região da Normandia.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Leopold Museum em Viena

Quando saímos do Kunsthistorisches Museum queríamos ver a exposição Klimt no Leopold Museum, cujos cartazes estavam espalhados por todos os cantos da cidade!
Mas a fome era grande e decidimos dar uma passadinha do Naschmarkt para ver os stands e almoçar por ali! Além de ser uma enorme feira de frutas, legumes, flores, etc, existem vários "mini-restaurantes" onde os vienenses (e turistas, por que não?) adoram se encontrar para um almoço tardio, um happy hour ou jantar. 
 
 Era justamente um sábado, dia de maior movimentação, e realmente era difícil escolher um lugar para comer. restaurantes de frutos do mar, tradicional austríaco, orientais, asiáticos, indianos. Infelizmente a fome era tanta (ainda mais com todos aqueles cheiros e vendo tanta gente comer) e tinha tanta gente que nem fizemos fotos dos restaurantes e acabamos escolhendo um vietnamita. O Naschmarkt é uma experiência única, realmente recomendo!
Devidamente ressaciados, nos dirigimos ao Leopold Museum, que fica no MuseumsQuartier (bairro dos museus), um dos 10 mais vastos complexos culturais do mundo.
 O Leopold é considerado um dos grandes museus da Austria, com a sua coleção de cerca de 5 mil peças dos séculos XIX e XX tendo pertencido ao Dr. Rudolf Leopold e adquiridas pelo Estado em 1994. O dr. leopold tinha uma preferência pelas obras de Egon Schiele, mas colecionou igualmente obras de Klimt e Oskar Kokoschka

Em relação à Klimt, a exposição temporária tratava principalmente da relação do artista com Emile Flöge (foto abaixo), sua musa e amante, em particular a correspondência trocada entre eles durante anos.

 A morte e a vida, uma obra muito conhecida.
 A árvore da vida, outra obra emblemática.
 Essa é mais do início da sua carreira, quando ele printava de uma forma parecida com o impressionismo e com certas pinceladas lembrando Van Gogh.
Porém, foi tanta informação que terei que ler a sua biografia para tentar entender um pouco a vida dele...

O museu Leopold, que abriga uma coleção remarcável de arte austríaca, mostrando uma evolução do Judendstill ao expressionismo (sem deixar de lado a Secessão), é conhecido mundialmente pela sua coleção de obras de Egon Schiele, considerada a coleção privada mais importante do mundo. 
O trabalho desse jovem artista, falecido aos 28 anos de gripe espanhola, não nos deixa indiferentes.
Vale lembrar que os austríacos sofreram muito durante a primeira guerra mundial e em 1918, ao final, Viena (para não dizer a Austria inteira) sofria enormemente de dificuldades financeiras, o que ocasiounou um período de fome. O dinheiro não valia maos nada, quase não se tinha mais nada para comprar para comer, e mesmo muitos ricos ou pessoas que tinham economizado a vida inteira perderam tudo. 

 Esposa de Schiele, falecida no mesmo ano (1918) de gripe espanhola, grávida de 6 meses do primeiro filho do casal.
 O artista em um de suas centenas de auto-retratos

Infelizmente a parte Schiele do museu Leopold foi uma imensa decepção para o Sylvain que admira muito a obra do artista e sonhava em conhecer esse local. Apenas umas 20 pinturas são apresentadas de cada vez. Perguntamos aos funcionários e eles nos explicaram que o museu possui mais de 400 pinturas e desenhos de Schiele, mas apresenta no máximo umas 20 de cada vez! Muitas das mais importantes pinturas são apresentadas somente em ocasiões MUITO especiais, e algumas nunca nem foram apresentadas!!! Mesmo as pinturas que aparecem na capa dos livros do museu não são apresentadas, como essa aqui, com um dos auto-retratos mais conhecidos dele:
Posso dizer que na caixinha de sugestões e reclamações deixamos algumas mensagens indignadas sobre isso, que nos sentimos enganados, já que o museu vende essa imagem das 400 obras do artista, com um catálogo completo, mas chegando lá nos deparamos com duas dezenas de obras de menor importância. Escrevemos em inglês, francês e português as mensagens, deixamos contato por e-mail, e até hoje nunca recebemos uma resposta!!!

Informações práticas:
Leopold Museum
Aberto das 10 às 18h, quintas até às 21h. fechados às terças. 
Ingresso: 12 euros.