domingo, 20 de maio de 2012

Grand Palais e Noite dos Museus

Ontem foi a noite européia dos museus (la nuit européenne des musées), um evento que ocorre todos os anos na Europa. E sendo Paris uma cidade repleta de atividades culturais, a lista de opções todos os anos é extensa e de qualidade.

O princípio é que os museus ficam abertos até tarde da noite, alguns até 1 hora da manhã, e as entradas são gratuitas. Melhor olhar a programação pois nem todas as exposições temporárias abrem ou são gratuitas, e os horários podem variar.

Apesar da chuva, vestimos um impermeável, tiramos o guarda-chuva do armário e fomos mesmo assim. Levei um livro fino na bolsa, pois sei que nesses eventos sempre encontraremos muita fila, uma barra de cereais e uma garrafinha de água (não saio de casa sem água!).

Nosso destino foi o Grand Palais de Paris, esse edifício construído para a Exposição Universal de 1900 em estilo Art Nouveau, aliando pedra, aço e vidro. Seu teto de mais de 200 metros de largura é de vidro, elevando-se até 45 metros do solo, o que confere uma luminosidade incrível.

Palco de muitas exposições temporárias (várias ao mesmo tempo, em cada uma de suas salas), o Grand Palais acolhe todos os anos multidões. 

Começamos pela exposição EXCENTRIQUE(S) do francês Daniel Buren para aproveitar o restinho da luz natural:

Daniel Buren é muito conhecido sobre o seu trabalho sobre as linhas (quase todo mundo conhece as "colunas" em preto e branco que ele fez para o Palais Royal de Paris), mas desta vez ele decidiu trabalhar com círculos coloridos!!!

A particularida dessa exposição é que o Grand Palais já apresenta um teto, um "alto" magnífico, não tem como ele fazer melhor do que o que já foi feito, mas por outro lado o que o local tem de feio é o solo, em "contrapiso". Com o jogo de cores e luzes (naturais ou não) que ele criou, ele pode transformar o solo! Mágico, não??? Por que eu não pensei nisso antes???

A idéia dele é de transformar o espaço visualmente. E o que deu?
 São 13.500m2 de espaço, além dos 45 metros de altura que podem ser utilizados pelo artista.
 Outra particularide de Buren é que cada uma de suas obras nasce DO espaço no qual ele vai ser inscrito. Quer dizer que ele pensa cada uma de acordo com o espaço em que ela vai ser apresentada.
 A luz é outro conceito importante na obra de Buren, que brinca com certos materiais, refletindo ou fazendo sombra, por exemplo, transformando a obra cada instante.
 Aqui encontramos as suas linhas em preto e branco.
Sem contar o aspecto lúdico de poder interagir com a obra, o que geralmente agrada crianças e pessoas que não gostam de visitar "museus" tradicionais.
(desculpem as fotos, que foram tiradas com o celular!)

Dali seguimos para a Exposição "Beauté Animale" (Beleza Animal), igualmente no Grand Palais. Como são espaço distintos, ali sim tivemos que enfrentar uma fila de 1 hora para entrar, mas não chovia, pude avançar na minha leitura, falar um pouco com as pessoas ao redor e o que mais gosto de fazer, escutar as conversas e observar os outros!
Para a nossa agradável surpresa, dentro da exposição não tinha nenhuma multidão, os organizadores preferiam deixar o público esperar do lado de fora e manter um conforto do lado de dentro para que os visitantes pudessem realmente aproveitar. Acho certíssimo até pela segurança.
 Cartaz da exposição, com a bela leoa de Géricault em destaque.

A exposição explora, através de grandes obras desde o século XVI até os nossos dias, a relação de grandes pintores e escultores com os animais. São 120 peças expostas.

A mais antiga é o rinoceronte de Dürer:
Sabemos que um rinoceronte não é assim, mas na época de Dürer não se via rinocerontes pela Europa. Ele por exemplo, nunca viu um!!!

A exposição nos questiona igualmente por que alguns animais são visto como belos e outros feios? Todo mundo considera um cavalo um símbolo de beleza animal, mas por que não um sapo ou um morcego?

Géricault foi um apaixonado por cavalos e encontramos entre as suas obras uma das mais fortes expressões do cavalo.
Nessa aqui ele conseguiu tranformar o animal em praticamente um ser humano.

Picasso conseguiu transformar o sapo em um animal bonitinho e engraçado!!!
 Ou esse morcego de Van Gogh!
 E esse do escultor Cesar. Com a luz, a sombra do "animal" era impressionante!
Vários livros antigos emprestados pelo Museu de História Natural (Paris), da época em que os desenhos dos livros eram desenhados a mão, ou então gravados (sem cor) ou gravados e pintados a mão. Uma fineza de detalhes!!!

Sem contar nossos amiguinhos caninos, como esse de François André Vincent (século XVIII). Encontramos uma senhora diante dessa obra que nos disse que possui cachorros dessa raça e que eles adoram posar durante horas e horas, os artistas adoram, e ela empresta os seus para aulas de arte!

Ou essa escultura em madeira de Jeff Koons (1991):
Esse cachorro não tem mais nada de "natural", ele segue os padrões de beleza atuais! 
Adoro poodle, é meu cachorro preferido, mas aqui na França é uma raça fora de moda e todo mundo ri de quem tem um poodle ou sai na rua com um!!!

Mas se o cachorro é o melhor amigo do homem, já não se pode dizer que o gato teve o mesmo privilégio na história...

Gato em bronze de Giacometti. Foto daqui.

Se você como eu conhece o Bugatti do automóvel, talvez como eu não saiba (até ontem) que seu irmão Rembrandt Bugatti foi um grande escultor. Apaixonado pela fauna e após ter trabalhado em Paris, ele parte ao zoológico de Anvers (Bélgica), considerado o mais importante da sua época. Os animais selvagens eram seus amigos de todos os dias. Porém com a chegada da Primeira Guerra, todos os animais do zoológico foram mortos, ele se engaja na Cruz Vermelha, é contaminado pela tuberculose, retorna à Itália onde se alista. Com as galerias de artes fechando, não recebe mais encomendas nem dinheiro... Reformado, retorna a Paris, vivendo da ajuda financeira do irmão, que ele também está em dificuldades. Ele se suicida em 1916.

E é claro que não podemos falar em animais no mundo da arte sem lembrar do grande escultor Barye com essa obra que o tornou famoso:
Ou o seu leão:
Foto tirada no Louvre.


E não podemos esquecer de Pompon:
Quem não conhece o famoso urso branco de Pompon? 
(fonte aqui)

Gostaram?
Recomendo as duas exposições e recomendo a próxima Noite dos Museus (em maio de 2013, fiquem atentos)!!! Apesar das filas, é uma oportunidade incrível de fazer parte das atividades culturais da cidade. Se o objetivo é economizar, melhor escolher atrações que normalmente são pagas, já que algumas já são gratuitas sempre, como os museus municipais de Paris. Além disso, recomendo lugares realmente espaçosos, como o Grand Palais, Louvre ou Pompidou, que podem acolher muitos visitantes sem ficar desconfortável.

Informações práticas:

Beauté animale
Até 16 de julho de 2012 no Grand Palais, em Paris
Aberto das 10h às 20h. Quartas até às 22h. Fechado às terças.
Ingresso: 11€, gratuito para menores de 13 anos.

Excentrique(s) de Daniel Buren
Até 21 de junho de 2012, no Grand Palais, em Paris
Aberto das 10h às 19h segundas e quartas, de quinta à domingo até meia-noite. Fechado às terças.
Ingresso: 5€ (2,50€ tarifa reduzida)

Precisões: a exposição Buren podia ser fotografada, já Beauté Animale não. A maioria das fotos foram do site http://www.photo.rmn.fr/ ou então a fonte está abaixo. Confesso que não resisti e fotografei os dois cachorros. As esculturas de Barye eu tinha no meu acervo pessoal, de outras visitas.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Museu de Belas Artes de Viena

Uma das mais belas visitas de Viena para quem gosta do mundo da arte! Vale lembrar que o Kunsthistorisches Museum está entre os 10 mais importantes do mundo pela importância da sua coleção. Chegamos pouco antes da abertura para sermos um dos primeiros a entrar, às10h.
Mesmo para quem não entra, vale a pena passear pelos seus belos jardins e admirar a sua arquitetura.
Mas ele também  impressiona pela riqueza e suntuosidade na sua decoração.


 Costumo sempre visitar os museus com um livro-guia que explica sobre as principais obras, assim geralmente eu já sei as minhas prioridades de visita, não perco uma obra importante porque pulei uma sala. Os folhetos distribuidos nas entradas dos museus são sempre incompletos.
A Vitória de Teseu sobre o Minotauro, de Canova, recebe os visitantes todos os dias na escadaria.

O grande evento do momento era a exposição Klimt, com os 13 painéis monumentais que ele pintou para decorar as paredes altas da escadaria principal do museu. Os painéis estão sempre ali disponíveis, já que não podem ser deslocados, mas a diferença foi que como eles ficam realmente a muitos e muitos metros de distância do público, bem lá no alto, desta vez foram instalados andaimes e os visitantes podiam observar de perto cada detalhe (abaixo alguns dos 13 painéis de Klimt, clicar por ampliar as imagens)

 Uma grande sala conta a história da preparação dos painéis, com os desenhos preparatórios.

Continuamos pela pintura italiana, representada muito bem por Ticiano, Bellini, Veronese, Tintoretto, Bassano, entre outros. Destaque para essa Virgem Maria de Rafael (para quem ainda não sabe, um dos meus artistas preferidos!). Havia um Dragão igualmente de Rafael, mas realmente amedrontador, não fotografei.
 Um outro artista muito curioso foi o italiano Arcimboldo (1527-1593), que foi artista oficial da corte de Habsbourg (Viena) durante 25 anos, a serviço do rei Maximiliano e mais tarde Rodolfo. Aqui duas pinturas da sua série "os quatro elementos".
 Terra e Agua
No lado oposto às dezenas de salas dedicadas às pinturas italianas, espanholas e francesas, entramos em uma outra galeria dedicada aos primitivos flamencos, escola alemã e holandesa.
Entre os alemães, Lucas Cranach, do qual já falei um pouco quando visitei Munich ou a exposição dedicada a ele em Paris, não passa despercebido.




A esquerda ainda Cranach com uma Judith de ares inocentes contrastando com a cabeça ainda fresca do infeliz decapitado. A direita um retrato do imperador Maximiliano I, pelas mãos do alemão Albrecht Dürer.

Fascinante "atelier do pintor", do holandês Johannes Vermeer.

Um dos momentos mais esperados da visita é a grande sala com nada menos que 12 telas do holandês Pieter Bruegel (pai), das 45 conservados no mundo. Certa vez falei sobre ele aqui no blog e percebi que muita gente nunca tinha ouvido falar (eu não conhecia especialmente até alguns anos atrás), mas acredito que se o nome não diz nada a muito dos meus leitores, essa imagem diz tudo!!!
Quem nunca viu essa imagem da Torre de Babel??? 
Pois é, é de Bruegel (diversas escrituras possíveis para o seu nome)

Esse artista anônimo estava realizando uma cópia dessa obra acima de Bruegel. Muito simpático, troquei algumas palavras com ele, que me explicou que uma cópia desse tipo leva de 1 a 3 meses para ficar pronta (dependendo da dificuldade, é claro), trabalhando 5 dias inteiros por semana. Podemos ter uma idéia da complexidade da tarefa. Se para uma cópia imóvel todo esse tempo e trabalho árduo são necessários, vocês imaginam para criar uma obra??? São detalhes que nós que não fazemos parte desse mundo nem nos damos conta!!!
Abaixo um outro "copista" se dedicava a uma obra de Bellini.
 Cansados de horas e horas admirando uma obra mais enigmática e detalhista do que a outra, voltamos ao térreo e visitamos as coleções de antiguidades gregas, romanas e etruscas:



Sem esquecer as salas dedicadas ao Egito Antigo, outra das minhas paixões.

 As salas são muito belas, com uma atmosfera e luzes toda em particular... Se um dia tiver um filho, ele vai ter que amar o Egito e quero uma decoração do quarto (muros e teto) assim:

Esse hipopótamo azul datando do Egito Antigo é uma figurinha muito popular pelo mundo afora! 
Quem não conhece esse simpático personagem?


Informações práticas:

Kunsthistorisches Museum, aberto de terças a domingos, das 10 às 18h (todos os dias em julho e agosto)
Nas quintas a galeria de pintura abres até às 21h.
Ingresso: 12€, incluindo os museus da Neue Burg. Não tivemos tempo de aproveitar e também não nos interessava muito: um museu de instrumentos de música aparentemente em lindas dependências em estilo Renascença, um museu de armas e armaduras e uma grande coleção de peças arqueológicas encontradas no sítio Ephese e outros locais da Asia Menor e Ilhas Gregas. Se tivessemos tido mais tempo na cidade, certamente teríamos visitado, pelo menos rapidamente!