sexta-feira, 18 de maio de 2012

Museu de Belas Artes de Viena

Uma das mais belas visitas de Viena para quem gosta do mundo da arte! Vale lembrar que o Kunsthistorisches Museum está entre os 10 mais importantes do mundo pela importância da sua coleção. Chegamos pouco antes da abertura para sermos um dos primeiros a entrar, às10h.
Mesmo para quem não entra, vale a pena passear pelos seus belos jardins e admirar a sua arquitetura.
Mas ele também  impressiona pela riqueza e suntuosidade na sua decoração.


 Costumo sempre visitar os museus com um livro-guia que explica sobre as principais obras, assim geralmente eu já sei as minhas prioridades de visita, não perco uma obra importante porque pulei uma sala. Os folhetos distribuidos nas entradas dos museus são sempre incompletos.
A Vitória de Teseu sobre o Minotauro, de Canova, recebe os visitantes todos os dias na escadaria.

O grande evento do momento era a exposição Klimt, com os 13 painéis monumentais que ele pintou para decorar as paredes altas da escadaria principal do museu. Os painéis estão sempre ali disponíveis, já que não podem ser deslocados, mas a diferença foi que como eles ficam realmente a muitos e muitos metros de distância do público, bem lá no alto, desta vez foram instalados andaimes e os visitantes podiam observar de perto cada detalhe (abaixo alguns dos 13 painéis de Klimt, clicar por ampliar as imagens)

 Uma grande sala conta a história da preparação dos painéis, com os desenhos preparatórios.

Continuamos pela pintura italiana, representada muito bem por Ticiano, Bellini, Veronese, Tintoretto, Bassano, entre outros. Destaque para essa Virgem Maria de Rafael (para quem ainda não sabe, um dos meus artistas preferidos!). Havia um Dragão igualmente de Rafael, mas realmente amedrontador, não fotografei.
 Um outro artista muito curioso foi o italiano Arcimboldo (1527-1593), que foi artista oficial da corte de Habsbourg (Viena) durante 25 anos, a serviço do rei Maximiliano e mais tarde Rodolfo. Aqui duas pinturas da sua série "os quatro elementos".
 Terra e Agua
No lado oposto às dezenas de salas dedicadas às pinturas italianas, espanholas e francesas, entramos em uma outra galeria dedicada aos primitivos flamencos, escola alemã e holandesa.
Entre os alemães, Lucas Cranach, do qual já falei um pouco quando visitei Munich ou a exposição dedicada a ele em Paris, não passa despercebido.




A esquerda ainda Cranach com uma Judith de ares inocentes contrastando com a cabeça ainda fresca do infeliz decapitado. A direita um retrato do imperador Maximiliano I, pelas mãos do alemão Albrecht Dürer.

Fascinante "atelier do pintor", do holandês Johannes Vermeer.

Um dos momentos mais esperados da visita é a grande sala com nada menos que 12 telas do holandês Pieter Bruegel (pai), das 45 conservados no mundo. Certa vez falei sobre ele aqui no blog e percebi que muita gente nunca tinha ouvido falar (eu não conhecia especialmente até alguns anos atrás), mas acredito que se o nome não diz nada a muito dos meus leitores, essa imagem diz tudo!!!
Quem nunca viu essa imagem da Torre de Babel??? 
Pois é, é de Bruegel (diversas escrituras possíveis para o seu nome)

Esse artista anônimo estava realizando uma cópia dessa obra acima de Bruegel. Muito simpático, troquei algumas palavras com ele, que me explicou que uma cópia desse tipo leva de 1 a 3 meses para ficar pronta (dependendo da dificuldade, é claro), trabalhando 5 dias inteiros por semana. Podemos ter uma idéia da complexidade da tarefa. Se para uma cópia imóvel todo esse tempo e trabalho árduo são necessários, vocês imaginam para criar uma obra??? São detalhes que nós que não fazemos parte desse mundo nem nos damos conta!!!
Abaixo um outro "copista" se dedicava a uma obra de Bellini.
 Cansados de horas e horas admirando uma obra mais enigmática e detalhista do que a outra, voltamos ao térreo e visitamos as coleções de antiguidades gregas, romanas e etruscas:



Sem esquecer as salas dedicadas ao Egito Antigo, outra das minhas paixões.

 As salas são muito belas, com uma atmosfera e luzes toda em particular... Se um dia tiver um filho, ele vai ter que amar o Egito e quero uma decoração do quarto (muros e teto) assim:

Esse hipopótamo azul datando do Egito Antigo é uma figurinha muito popular pelo mundo afora! 
Quem não conhece esse simpático personagem?


Informações práticas:

Kunsthistorisches Museum, aberto de terças a domingos, das 10 às 18h (todos os dias em julho e agosto)
Nas quintas a galeria de pintura abres até às 21h.
Ingresso: 12€, incluindo os museus da Neue Burg. Não tivemos tempo de aproveitar e também não nos interessava muito: um museu de instrumentos de música aparentemente em lindas dependências em estilo Renascença, um museu de armas e armaduras e uma grande coleção de peças arqueológicas encontradas no sítio Ephese e outros locais da Asia Menor e Ilhas Gregas. Se tivessemos tido mais tempo na cidade, certamente teríamos visitado, pelo menos rapidamente!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Viena em um piscar de olhos

Continuamos nossa caminhada pelas ruas de Viena em direção ao Belvedere, o antigo palácio de verão do príncipe Eugênio de Savóia, que na sua origem ficava na periferia de Viena. São duas grandes construções: Oberes Belverede (Belvedere Superior), destinado à habitação, e Unteres Belvedere (Berlvedere Inferior), destinado às recepções. Atualmente abrigam três grandes museus de arte austríaca. 
Com a morte do príncipe, a residência foi comprada pelos Habsbourg, que nunca moraram ali. Uma única noite marca a residência: o grande baile de máscara com 16 mil convidados para a ocasião do casamento de Maria-Antonieta (futura rainha da França, mas austríaca) com o futuro rei da França Luís XVI.
 Belvedere inferior visto de frente e de fundos.


 Os sphinx, figuras enigmáticas, com seu corpo de leão e cabeça de mulher, simbolizam a união da força e da inteligência.
 Na parte superior dos jardins encontra-se o Belvedere Superior, com as suas influências orientais.
 O Belvedere Superior é um exemplo finíssimo de arquitetura barroca. O teto inspirado das tendas otomanas evoca as vitórias do príncipe Eugênio.
 Além da sua suntuosa capela e da grande sala de mármore, abriga uma remarcável coleção de pinturas e esculturas, da época medieval até a época contemporânea, passando pelo barroco.  
 Aqui duas lindas pinturas dos jardins do Belvedere imortalizadas pelo pintor Canaletto (Kunst Historisches Museum de Viena), famoso pelas suas cenas "fotográficas" de Veneza no século XVIII.

A principal atração é sem dúvida essa obra "O beijo" (1902), de Gustav Klimt. As dimensões são são impressionantes e a fusão dos personagens, sem contar as suas pinceladas e as cores. A foto é das imagens da internet, pois tinha um funcionário todo o tempo ao lado da pintura para evitar fotos ou outros comportamentos proibidos. Ou tras obras do artista fazem parte da coleção do museu.

Judith I é um outro personagem emblemático do artista, que reinterpreta o personagem bíblico como uma vienense estilo "mulher fatal".

 Tive a oportunidade de ver de perto a obra do excêntrico artista Franz Xaver Messerschmidt (1736-1783)que fazia caretas diante de um espelho para a sua coleção de "Cabeças de caracter". Ele fazia um grande sucesso na corte e soube captar como ninguém as expressões humanas. Ninguém fez nada de comparável na história da arte, e ele dominava como ninguém a sua técnica.

 Ali perto um momumento pela liberação de Viena pelos Russos. Porém os agradecimentos ao exército vermelho duraram pouco...

Ali pertinho podemos visitar a Karlsplatz, com a Karlskirche como principal (mas não a única!) atração.
 Como vocês podem perceber pela mudança das cores do céu, uma pancada de chuva realmente impressionante estava para cair sobre as nossas cabeças...
 As duas colunas são como as de Trajano, em Roma.Para a nossa tristeza, fechadas ao público.
 Sua graciosa cúpula domina a fachada barroca desta igreja

Informações práticas:

Para visitar o Belvedere:
- Os jardins são gratuitos, mas o bilhete para os 3 museus custa 14€, ou 11€ apenas para o Belvedere Superior, o mais interessante na minha opinião.

Karlskirche:
- Infelizmente é paga (6€). Quem quer muito economizar, o jeito é assistir a missa das 18h ou de domingo às 11h.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Primeiros passos em Viena

No final de abril consegui um final de semana prolongado na ocasião em que Sylvain também "não tinha escola" (falando assim até parece uma criança!) e fomos conhecer Viena, essa cidade austríaca que sempre quis visitar. Tudo começou como mais uma surpresa a ele, que só soube da nossa destinação quando chegamos ao aeroporto e fizemos check in.
Motivo principal? A cidade está em festa pelos 150 anos de nascimento do artista vienense Gustav Klimt, ocasião de descobrir esse pintor genial e uma das cidades mais bonitas do mundo.
O vôo Paris-Viena foi rápido e chegamos pela manhã no nosso destino. Muito fácil localizar o transporte público que por 3.60€ nos deixava na estação Wien-Mitte em menos de 30 minutos. A compra pode ser realizada pelo guichet automático em cartão de crédito, notas de euro ou moedas. Informações em inglês e francês, além de alemão, claro.
De lá fomos à pé ao hotel, mas o mesmo bilhete ainda poderia ser utilizado dentro da cidade até completar 1 hora de trajeto. Devidamente livres das nossas mochilas conseguimos enfim começar admirar a cidade:

Nossa primeira parada foi na Dominikanerkirche (igreja dos dominicanos), praticamente ao lado do nosso hotel. Trata-se de uma igreja barroca com interior extremamente exagerado construída em 1631 no local onde antes se situava uma igreja gótica, vítima da invasão dos trucos em 1529.
 O dia estando luminoso e agradável, atravessamos o Stadtpark, um parque emblemático da cidade e onde podemos encontrar o maior número de estátuas de Viena! Não são poucas!!!
 Mas ele é conhecido mesmo pela estátua do grande compositor Johann Strauss: o personagem é inteiramente em dourado e ao redor um lindo monumento em mármore. O conjunto foi inaugurado em 1921.  


 Não podemos esquecer de um outro compositor, Schubert!!!


 Enfim, um lindo local para passear e se repousar, esquecer do tempo e da vida...


O que podemos querer mais?