sexta-feira, 11 de maio de 2012

Encontros de alma e paladar

O que eu não gosto de telefone, amo a internet! Tudo está ali disponível a um clic!

Tantas coisas que podemos aprender, viver com a ajuda de um computador e da internet! Sinceramente, não sei como faria todas as minhas pesquisas de passeios, reservas de hotéis e até de preços de passagens, pois sem todas essas ferramentas tudo seria mais trabalhoso, mais lento e provavelmente mais caro.

Quem não pode viajar por uma razão ou outra, pode viajar através dos sites e blogs de viagens sem realmente deixar o conforto do seu lar.

Então, sabendo usar, a internet pode ser uma grande aliada, eu sempre defendo isso! E se muita gente já usou a utilizou para encontrar o amor da sua vida, por que não para fazer amigos ???

Desde que cheguei na França a internet foi meu melhor aliado para conhecer pessoas e fazer amigos. Conheci dezenas e dezenas, nunca tive uma experiência negativa. As vezes simplesmente aconteceu de nunca mais rever a pessoa, mas sempre passei um bom momento. Outros se tornaram amigos "reais" com quem mantenho contato há anos e que tento ver sempre que posso.

Desta vez tive o imenso prazer de conhecer o blogueiro carioca Jorge Fortunato que ama Paris e aqui esteve pela 8ª vez! O blog do Jorge, Acabou o Caviar? é muito agradável, cheio de dicas e relatos de suas viagens, mas sem esquecer o nosso Brasil e tudo o que se passa no seu Rio de Janeiro. Eu leio regularmente (comecei quando buscava informações sobre Praga) e recomendo! Jorge voltou essa semana ao Brasil após a sua viagem de um mês pela França e Itália, então tenho certeza que ele tem muita coisa para contar e saberá cativá-los!

E nada melhor do que um encontro gastronômico em Paris! Optamos pelo restaurante Le Relais Gascon (Gascogne é uma região da França) em Paris, um local que adoro pelo seu ambiente simples, descontraído e sem frescura. Localizado no bairro Montmartre, a especialidade é a cozinha do sudoeste da França, mas o local é muito mais reputado pelas suas saladas gigantes!

Eu sempre vou pelas saladas, que de salada tem apenas o nome e não tem nada de light... Elas são acompanhadas de batatas cortadas em finas rodelas e fritas ao alho. Uma delícia! 
Desta vez escolhi a salada com salmão, mas as saladas de presunto seco também são maravilhosas.
Não é mais novidade para ninguém que passa regularmente aqui no blog que Sylvain não é muito chegado em uma salada. No Relais gascon ele geralmente pede o frango assado temperado com ervas, como na foto acima, igualmente com as batatas ao alho à moda da casa. As porções são muito generosas, dispensando a entrada, e os pratos custam em torno de 12€. 

Ou então Sylvain pede o Cassoulet, que é como se fosse a Feijoada Francesa (eu sei que alguns brasileiros orgulhosos vão me matar!), mas com feijão branco. Vou contar tudo, o Jorge provou o Cassoulet (que ele já conhecia de outras viagens pela França) desse restaurante e adorou!
 Foto emprestada pelo Jorge
Após essa refeição copieuse (abundante) eu dispenso a sobremesa, mas não os rapazes! 
Sylvain escolheu profiteroles (foto) para me agradar e me deixou 'ciscar' um pouco no seu prato. 
Jorge (foto dele) preferiu tarte tatin, com maçãs, geralmente servido morno e com sorvete de baunilha.

Tem coisa melhor do que um bom papo entre amigos ao redor de uma boa mesa?

Le relais Gascon
6, rue des Abesses
75018 Paris
Metrô Abesses

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Paris e eu

Tem horas que cansa levar a minha vidinha em uma das cidades mais turísticas do mundo.

Lá estava eu no metrô pensando na morte da bezerra e nem percebi quando subiu um grupinho de turistas (são tantos todos os dias que a gente nem repara mais). 

Saí de sobressalto do meu estado de concentração com o flash da máquina fotográfica de um deles, a uns 2 metros de mim, comigo bem em primeiro plano na foto! Olhei com uma cara feia, mas nem isso dissuadiu o paparazzi de plantão, que queria clicar todos os detalhes do metrô parisiense, e de quebra sem se preocupar com a privacidade dos passageiros.

Para evitar os próximos flashs importunos e aparecer o mínimo possível nas fotos de férias do grupinho, enfiei a cara no meu livro exagerando mesmo para que talvez eles percebessem que fotografar os outros sem autorização pode incomodar!

Foi aí que escutei em um idioma bem familiar, no bom e velho português do Brasil:

- "Como esses franceses são antipáticos e rabugentos! Olha essa aí, nem 'tava lendo e agora decidiu fazer de conta só para evitar qualquer contato visual!"

Infelizmente para viver em uma das cidades mais bonitas do mundo tenho que conviver com alguns turistas que estão entre os mais chatos do mundo!

terça-feira, 8 de maio de 2012

As mais belas igrejas de São Petersburgo

Hoje acordei com vontade de rever as minhas fotos de São Petersburdo e percebi que não escrevi nem mostrei tudo o que gostaria!
Algo que impressiona são as igrejas e suas construções, tão diferentes das que vemos no Brasil ou na Europa. Além da Igreja do Sangue Derramado, que é a mais famosa, muitas outras impressionam pela sua beleza ou excentricidade. Difícil ficar indiferente aos cantos ortodoxos russos, ao ouro nas igrejas e aos ícones. Emblema da religião ortodoxa, ícone é uma imagem santa pintada geralmente sobre um painél de madeira; existem diversas escolas de ícones russos, e existem regras precisas: cada cor tem uma significação precisa (a Virgem Maria é sempre representada vestida de azul (céu), Jesus adulto é sempre representado em vermelho (sangue), os corpos são alongados e o fundo é geralmente dourado, as vezes coberto de uma placa de prata e predras preciosas. A Virgem Maria é o tema preferido, representada de 3 formas: mãos elevadas em sinal de oração ("Virgem do sinal"), mostrando o filho em seu braço esquerdo ("Virgem condutora"), ou rosto contra o rosto de seu filho em seu braço direito ("Virgem do carinho").

 (alguns dos mais famosos da Rússia)

A Igreja São Nicolau dos Marinheiros é bela em tudo: sua cor azul (não por acaso, já que representa os trabalhadores do mar) que se confunde com o céu e o branco com a neve, seu estilo barroco sem nenhuma sombra de dúvida e seu interior ricamente decorado em dourado. 
Como a maioria das igrejas ortodoxas russas, o exterior é generoso em tamanho, mas desde que entramos tudo parece menor e muito carregado de decoração dourada, dezenas, senão centenas de ícones religiosos dourados, e não conseguimos ter uma idéia da grandeza do prédio. Nessa igreja, o acesso é livre ao térreo durante todo o dia, mas o local de culto é no segundo andar (prática que se repete em quase todas). E o local de culto só é acessível durante o culto. 
Por acaso chegamos às 18h, hora de início do culto nessa igreja e aproveitamos. Vale lembrar que os homens descobrem a cabeça para entrar e as mulheres COBREM a cabeça. Algumas colocam um lenço sobre o cabelo, outras colocam um chapéu ou um gorro. Com o frio que estava fazendo fiz como a maioria que estava de gorro e consegui me misturar na multidão. Sim, pois se a Rússia por muitos anos foi um país "sem religião" e onde a prática da mesma era fortemente punida, o que observamos atualmente é um retorno dos jovens às instituições religiosas (um forte aumento dos casamentos religiosos e presença nos cultos). Então é realmente uma multidão que frequenta as igrejas, jovens, idosos e crianças, todas as idades. Não existem cadeiras ou bancos, e as pessoas participam do culto em pé, curvando o corpo diversas vezes e fazendo o sinal da cruz ao mesmo tempo, todo mundo pronunciando (rezando, imagino) de uma forma bem fervorosa. Apesar de não entender uma única palavra, é emocionante, como se toda essa fé fosse contagiante. Saí de lá sentindo uma leveza e uma paz interior enorme. Como os cultos podem durar horas e horas, ninguém é obrigado a permanecer todo o tempo, nem chegar na hora.
Entretanto, as fotos internas, ainda mais durante o culto são proibidas, não custa nada respeitar.

Se a Igreja São Nicolau dos Marinheiros se destaca na paisagem pelos seus domos dourados, de lá vimos não muito distante a cúpola azul decorada de estrelas da catedral da Santa Trinidade. Corremos já que o sol estava se pondo e tivemos sorte, pois a mesma fica aberta até às 20h. Se é necessário pagar para visíta-la durante o dia, chegamos no horário do culto e a entrada era gratuita. Ela é uma das mais importantes da cidade, e aqui o fervor era ainda mais palpável.  
Em estilo clássico, a diferença é que por dentro ela era enorme em apenas um andar. Parecia estar em reformas e as centenas de ícones religiosos dourados de excelente qualidade estavam dispostos um pouco "de qualquer jeito", em todas as paredes e em suportes de madeira. Como sempre, as pessoas participam em pé, mais de um religioso realiza o ofício e eles se misturam aos fiéis, locomovendo-se de um canto a outro.
 O que era esse céu azul???
Em outro momento da viagem atravessamos o rio Neva em direção à Ilha de Vassilievski e o sol brilhava no alto de mais uma igreja com suas cúpulas em forma de cebolas douradas.
Chegando mais perto, não poderíamos estar mais contentes com essa descoberta que nem estava no guia de viagem! Pelo que pesquisamos se trata da Catedral Nossa Senhora da Assunção
 Ela estava com algumas torres em reformas que conseguimos evitar nas fotos, e o interior completamente em reformas. Como era domingo pela manhã, mais uma vez nos deparamos com o culto e igreja lotada. Posso dizer que voltamos nos sentindo purificados!


 Ela fica nesse endereço aqui:  

domingo, 6 de maio de 2012

Santa Ana, a última obra-prima de Leonardo da Vinci


Hoje decidimos ir mais uma vez ao Louvre, mas desta vez para visitar a exposição sobre a última obra de Leonardo da Vinci, a Santa Ana, que foi meticulosamente restaurada (falam de "a restauração do século") e está sendo apresentada juntamente com documentos histórios e desenhos preparatórios. Foi um trabalho que teria durado quase 20 anos, e ainda assim Leonardo o deixou inacabado. 

A exposição está muito bem organizada e tudo está ali explicadinho (em francês, para quem não lê francês a única alternativa é o audioguia), de fácil compreensão, na minha opinião, mesmo para os leigos e que não conhecem tão bem as obras do artista, sua via, ou as referências religiosas. 

A qualidade da exposição se sente pela qualidade das obras ali reunidas, muitas delas vindas da Inglaterra (da coleção pessoal da rainha Elizabeth ou dos museus do país), Itália, Espanha, dentre outros grandes museus ou coleções particulares espalhadas pelo mundo.

Começamos com o tema da Santa Ana como era representado antes de Leonardo. Santa Ana era a mãe de Maria, ou seja, avó de Jesus. De acordo com os textos bíblicos ela já era falecida no nascimento de Jesus, mas existe toda uma simbologia no fato dos três personagens serem representados juntos.

Em seguida começam os desenhos preparatórios sobre o tema, mostrando cada detalhe da composição. São apresentados pinturas de seus alunos, realizadas no período, a partir de seus desenhos. Podemos observar  pequenos carnês de Leonardo e um de seus manuscritos sobre a incidência da luz sobre um corpo opaco (análise das sombras e luzes). Podemos admirar sua escritura invertida, que não tem nada de lenda: é bem real.

Depois o quadro da Santa Ana com a Virgem Maria e o Menino Jesus é apresentado ao lado do carton emprestado pela National Gallery de Londres. 

Eh verdade que o Louvre apresenta uma coleção invejável com as mais importantes obras de da Vinci e muita gente não sabe porque... Mas em 1517 o artista, já idoso, aceitou o convite do rei François 1º para ser  seu protegido na corte francesa. Ele se instalou na cidade de Amboise (linda, ainda não tive tempo de falar dela) e morou em uma residência fornecida pelo rei que se chama Le Clos Lucé. Ele veio da Itália no lombo de um asno, tendo na sua bagagem com certeza essas 3 obras, que aperfeiçoou mais tarde: La Gioconda (Mona Lisa), São João Batista e esse da Santa Ana. Uma paralisia da mão o impedia de ter a mesma fineza de movimentos nos desenhos e pinturas, mas o que ele mais fez nessa época era trabalhar nas suas invenções, estudar a geometria e se repousar. Ele faleceu 2 anos mais tarde, legando suas últimas obras ao seu mecenas.

São João Batista, obra espetacular do artista, assim como a Madona ao Rochedo, ambas pertencentes ao Louvre e presentes nessa exposição.

Uma curiosidade da exposição é a Gioconda realizada pelos alunos do atelier de Leonardo da Vinci na mesma época da original do mestre, propriedade do Museu do Prado, na Espanha:
Ela foi recentemente restaurada e a grande descoberta foi a paisagem do fundo, inexistente aos olhos do público e especialistas até então! Havia uma camada de pintura preta ao redor do personagem, aparentemente datando do século XVIII. As cores ficaram lindas, mas essa pintura não tem nada a ver com a delicadeza da mão do mestre italiano...

Para completar a exposição, a Santa Anna de Leonardo inspirou artistas como Michelangelo e Rafael, e obras de ambos são ali apresentadas.

Para terminar influências mais modernas e curiosidades: os franceses Degas e Delacroix foram "copistas" do Louvre, quer dizer que por muito tempo tinham o hábito de admirar as obras do museu e copia-lás, e tanto um quanto o outro foram fascinados por essa última obra do grande mestre. Freud também se deixou sucumbir, escreveu uma interpretação de uma das lembranças de infância de Leonardo e por sua vez inspirou o artista surrealista Max Ernst na sua obra "O beijo".

Ufa, acho que consegui sintetizar tudo o que aprendi hoje e nos últimos tempos sobre o tema!
Considero essa exposição atual um complemento da que teve em Londres nesse inverno e motivo pela qual enfrentei frio e neve em fevereiro, que era mais ampla, envolvendo todo o período em que o artista foi pintor na corte de Milão. Na época eu tinha ficado surpresa com a quantidade de desenhos originais dele em possessão da Rainha da Inglaterra (não sei ainda como eles foram parar lá), alguns desses desenhos expostos pela primeira vez ao público. Infelizmente tinha achado as salas com uma estrutura muito precária para acolher o público: muito pequenas, abafadas e LOTADAS, sendo que os ingressos estavam esgotados há meses, então quer dizer que não deveriam ter vendido mais ingressos do que a capacidade do local.
 A exposição de Londres

Informações Práticas:
La Sainte Anne, l'ultime chef-d'oeuvre de Léonard de Vinci
Até o dia 25 de Junho de 2012, no Museu do Louvre.
Preços: 11€ ou 14€ junto com a coleção permanente do museu.

Créditos: as imagens das obras foram copiadas do site www.photo-rmn.fr, que reúne as imagens dos museus nacionais da França, e disponíveis ao uso de todos.

(vídeo em francês com legenda em inglês, mas muito ilustrativo mesmo para quem não domina nenhum dos idiomas!)

sábado, 5 de maio de 2012

Goumard, restaurante de frutos do mar em Paris

Sem viajar nos últimos dias tinha decidido dar uma controlada na alimentação, o que para mim sozinha não é fácil, ainda mais quando o marido decide me fazer uma surpresa e me levar a um restaurante especial!!!


Ele escolheu um restaurante especializado em frutos do mar, que adoro, e com uma excelente reputação.
Infelizmente não tive coragem de fotografar muito, desta vez fiquei meio envergonhada... Ambiente moderno e chique. Normalmente decoração moderna não é muito o que eu prefiro, mas adorei a história do restaurante e as misturas. Primeiro porque toda a decoração interna é com peças da grande marca Lalique (lustres, luminárias, esculturas em vidro, etc). Além disso, diversas esculturas (algumas em bronze) da artista Mina Feingold espalhadas pelo ambiente. 
Antigamente o local era decorado em estilo Art Nouveau, mas foi totalmente renovado. Quem quiser entrar um pouco mais no ambiente, recomendo visitar o site, que está listado no final!
Grandes salas, muitas mesas, clientes chiques e garçons muito educados. Clientes franceses, mas igualmente alguns estrangeiros que pareciam homens e mulheres de negócios. Não é o tipo de local em que o turista vai de bermuda e havaianas.

 Enquanto olhavamos o cardápio nos trouxeram esses "amuse-bouche" a base de peixe.
(a diferença da França e de outros países, como a Italia, por exemplo, é que se nos trazem algo para beliscar, não pagaremos nada a mais por isso, é o restaurante que oferece).
 Sylvain sempre escolhe como entrada o Fois Gras, uma das paixões dos franceses e que não se come todos os dias devido a ser um tipo de "patê" relativamente caro. Atualmente tem se tornado mais popular, mas antigamente era só em datas especiais mesmo!
 Eu escolhi escargots, que adoro. esses ainda vieram sem o caramujo, bem mais prático!!!
 O restaurante era de peixes mas serve uma excelente carne de raça irlandesa para os carnívoros. Sylvain hesitou bastante mas optou pela carne mesmo, pois os acompanhamentos dos demais pratos a base de peixe eram geralmente legumes, dos quais ele não é muito fã...
 Mas eu escolhi uma cocotte de Bar, um peixe que gosto muito.
O restaurante serve lindos pratos de frutos do mar, com lagostas, lagostinhas, camarões e um tipo de caranguejo, mas eu não estava com muita vontade de comer "frio", além disso não me sinto a vontade em restaurante com esses pratos que se come com as mãos!!!
Como sobremesa realmente eu tento evitar, afinal já tinha cometido muitos excessos, então passei. Sylvain me deixou provar a sua. 

Depois de tudo isso fui dar uma voltinha no banheiro, decorado no seu estilo original. Um charme à parte!!!

Na entrada do restaurante existe um serviço de venda de pratos de frutos para quem quer comer em casa ou para receber os amigos.

Foi uma excelente experiência e soirée, mas eu não sei quando repetirei pois o restaurante exige um certo budget que aqui em casa é reservado apenas para as ocasiões especiais!!! Quem sabe se eu ganhar na loteria viro uma cliente assídua???

Restaurant Le Goumard
9 rue Duphot - 75001 Paris
Metrô Madeleine
http://www.goumard.com/