terça-feira, 17 de abril de 2012

Carolus Thermen, em Aachen

(abre parênteses)
Já andei comentando por aqui que sou uma pessoa muito estressada, mas a verdade é que boa parte da culpa está em mim mesma, já que sou uma pessoa que acaba tomando todas as responsabilidades para si.
E semana passado foi bem estressante no trabalho. A semana já tinha começado difícil, a chefe em seminário regional com o seu chefe e todas as peças mais altas da hierarquia, e eu no "batente", estava impossível chegar aos resultados desejados.
Para piorar, na quinta-feira cheguei para trabalhar e os computadores não funcionavam! Uma hora no telefone com o serviço de informática (que fica no sul da França) e chegamos à conclusão que o que não funcionava era um certo transformador. Ficaram de nos enviar mas não chegaria antes do dia seguinte.
Enquanto isso o trabalho atrasando, sem poder avançar muito, e tudo que eu e a minha colega fazíamos teria que ser repassado no dia seguinte nos computadores "oficiais", pois é necessário um sistema específico interno ou a intranet.
Mas como nada acontece sozinho, ainda recebi a visita de 2 técnicos (estava esperando há mais de 2 semanas!) para uma manutenção elétrica!
E ao mesmo tempo chegam outros dois técnicos (sem marcar hora) para a manutenção do ar condicionado! Os quatro ficaram ali praticamente a tarde toda, no maior clima de camaradagem e piadinhas entre homens, como se estivessem na casa deles! Vê se pode?
Na sexta (somente à tarde!) chegou a tal peça que eu instalei (pois eu já tinha comentado que por aqui a gente tem que fazer mesmo o que não está no contrato), e felizmente tudo funcionou! Consegui assim terminar o trabalho de quinta e fiquei até às 22h para avançar o máximo possível o que tinha ficado faltando.
(Fecha parênteses)
E no sábado o programa era acordar às 4h30 para pegar o trem das 6h para passar o final de semana em Aachen, na Alemanha. Juro que se as passagem pudessem ser remarcadas ou reembolsadas, teria feito! Mas como detesto perder dinheiro fomos mesmo assim e não poderia ter sido a melhor decisão!

Além de passear pela cidade, visitar alguns museus e aproveitar da culinária local (o que sempre incluímos em nossos roteiros), desta vez fizemos uma paradinha relaxamento no Carolus Thermen.

Aachen é uma cidade conhecida pelas suas águas termais, onde os imperadores romanos já vinham pelas águas. Carlos Magno provavelmente escolheu o local pela mesma razão.
O interessante das Termas Carolus é que existem muitas opções para aproveitar o local, e os preços são incrivelmente acessíveis!
No final de semana, até 2h30 custa somente 12€! O dia inteiro fica em 16€. Para quem quer curtir as diversas saunas, acrescenta-se outros 12€ por 2h30 até 16€ para o dia inteiro. Queríamos testar as saunas, mas quando vimos que era necessário entrar sem traje de banho e vi um homem saindo com a toalha mal enrolada e mostrando tudo o que tinha para mostrar, não tivemos coragem desta vez!
Achei muito curioso, pois imaginei encontrar muitas pessoas idosas, mas na verdade nesse dia o que mais tinha eram jovens casais. Poucas crianças e o ambiente era calmo, nada a ver com o barulho dos parques aquáticos! Também fiquei com uma outra impressão dos alemães, já que entre casais eles pareciam bem carinhosos e brincalhões, diferente do que sempre me disseram, que alemão não beija em público nem manisfesta afeto (isso falam de todos os europeus, não só dos alemães).

Sylvain que não gosta de piscina e que foi porque eu estava precisando mesmo só para me agradar, não queria mais sair daquelas águas quentinhas (as quentes iam de 32 à 38ºC) e ainda queria voltar no dia seguinte! Ele até aceitou testar as piscinas externas apesar do frio na faixa dos 5ºC que fazia lá fora. Tudinho com águas termais de Aachen!
 (duas fotos do site, já que não entrei com aparelho fotográfico)

E não é que algumas horas naquelas piscinas quentes acabam com qualquer estresse? 

Voltei calminha, calminha...
O que mais posso querer da vida?

Informações práticas:
- Não pagamos nada na entrada, apenas na saída de acordo com o que consumimos/utilizamos e o tempo.
- Na entrada nos entregam uma fichina amarela e um ticket. Quem diz que sabíamos o que fazer com elas? Seguimos os demais usuários.
 Na verdade existem esses cofrinhos para os objetos mais importantes como carteira, documentos, telefone. Basta escolher qualquer um, fechar com a chafe e recuperá-la. A mesma está presa em uma pulseirinha de plástico com um espaço para colocar a fichina amarela.
Então entramos em uma dessas cabines para colocarmos a roupa de banho e saímos do outro lado, onde existem os armários para os demais pertences (roupas, por exemplo), mas desta vez temo que localizar exatamente o mesmo número do primeiro cofre/puseira.
Depois existem as duchas separadas em masculinas e fenininas e podemos nos dirigir às piscinas, hamman, saunas e demais atividades, incluindo loja e restaurante.
Para sair o esquema é o mesmo, mas ao inverso. Na saída, de acordo com o que foi incluído na ficha, efetuamos o pagamento. Nenhuma surpresa desagradável!

Site oficial: http://www.carolus-thermen.de/

domingo, 15 de abril de 2012

Comidinhas de Frankfurt

Não escondo de ninguém que sou um pouquinho "gourmande" e que viajar e conhecer novas culturas e lugares também passa pelo estômago! 

Antes de chegar em Frankfurt eu tinha lido que uma das bebidas que fazia um sucesso localmente era o Apfelwein, uma espece de cidra (a base de maça) servido frio ou quente (Além desse nome, também vi Äbbelwoi ou Ebbelwoi, agora não sei qual a diferença ou o nome correto). Chegamos a uma feirinha de comidas e bebidas, todo mundo com um copo na mão, e eu tive que provar! Fui logo no quente, com o friozinho que fazia (e seguindo a maioria dos clientes):

Já viram o que eu pensei! :(
Conta-se que os copos com esses motivos em relevo servem de função anti-derrapante! 
A comida sendo reputada por ser "levemente" gordurosa, evita que o copo escorregue da mão!

Mas adorei essa guloseima servida na mesma feirinha (não lembro o nome, se alguém souber avise!). Mas teria pedido sem a geléia, cujo gosto era completamente desconhecido do meu paladar!

Assim que chegamos no sábado pela manhã, nos deparamos com uma outra feirinha, principalmente de antiguidades, mas com muitas opções de comida, bem às margens do rio Main, perto dos museus. Não resistimos e almoçamos por ali mesmo! 
Repararam na variedade de linguiças? 

E por falar nelas, as linguiças/salsichas estão por toda parte!

E para fechar com chave de ouro:

sexta-feira, 13 de abril de 2012

As muitas faces de Frankfurt

Até então adorei todas as vezes em que estive na Alemanha, apesar de ter postado muito pouco sobre os lugares visitados. Na véspera de mais um final de semana conhecendo um pouco mais desse país que tanto me intriga e apaixona, resolvi resgatar meu passeio em Frankfurt!

Saindo de Paris, é possível chegar de trem em 3h45mim, já dentro da cidade. Chegamos na estação central e vimos ali ao lado existe um grande fluxo rodoviários com ônibus para todos os lugares imagináveis dos países do leste europeu. Quem sabe pode ser uma idéia para uma próxima viagem?

Nosso hotel ficava não muito longe da estação e dos pontos principais (fizemos tudo à pé, nem utilizamos transporte), limpinho, apenas 35€ por noite com café da manhã. Não poderíamos  ter esperado melhor!
Pertinho do nosso hotel um complexo de prédios com essa arquitetura e cores dava um colorido todo à paisagem.
A catedral e seus arredores logo após a destruição da cidade, e agora:
Kaiserdom (reconstruída em apenas 4 anos)
Frankfurt é uma cidade contraditória. Ela foi 80% destruída durante a Segunda Guerra Mundial, foi totalmente reconstruída nos anos 50. Atualmente é uma cidade moderna com seus arranha-céus, um centro econômico e financeiro, animada, mas ao mesmo tempo com um lado caloroso, com seu "centro antigo" que mais parece uma cidadezinha de outrora. Uma cidade que ao mesmo tempo parece ter conservado suas tradições.


Ao mesmo tempo, dizem que 30% da população da cidade é estrangeira, onde convivem mais de 180 nacionalidades. 
 Sua charmosíssima Praça de Römerberg, com prédios na maior parte renovados em 1983 a partir de croquis da Idade Média. Ao centro, uma fonte da "Justiça", de 1611.
 Rathaus (prefeitura)
Paulskirche (Igreja de Paulo)
Como eu disse é possível visitar a cidade à pé, mesmo se ela tem um eficaz sistema transportes públicos e se ela parece grande. Eh muito fácil se orientar em Frankfurt.
A cidade é cortada pelo rio Main. Acima onde coloquei o dedo fica o centro histórico (Altstadt), e as ruas de comércio. As lojas são lindas, ilumidadas e coloridas... E não fecham tão cedo!
A noite é realmente iluminada e mesmo no inverno (quando estivemos lá) as pessoas caminhavam pelas ruas até relativamente tarde. Não tão tarde quanto em São Petersbugo, isso é verdade!
A gente percebe que é uma cidade qui aime le fric (que ama o dinheiro), mas apesar disso, achamos os custos para os turistas bem "em conta", muito mais barato que muitas outras cidades européias. Ou seja, é possível passear pela Alemanha sem fazer um rombo no orçamento!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Fim do blog?

Pessoal, estou muito triste...

Queria postar com fotos, mas aparece uma mensagem que diz que já esgotei a minha cota de 1giga!
E que se eu quiser continuar postando, preciso comprar mais memória, que começa de 5 doláres por ano até preços absurdamente caros...
Isso já aconteceu com vocês? Eh normal? Vejo gente que tem blog há anos, com centenas e centenas de artigos! Todo mundo que tem blog acaba contratando essa opção?
Se eu decidir comprar mais memória, será que o pagamento é seguro? Posso resiliar quando quiser?

Se alguém tiver alguma dica ou palavrinha amida, estou aceitando...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cemitério de Praga e outras leituras

Estava sem conseguir postar sobre os livros, mas realmente ando sem tempo para nada, nem para ler... Ainda por cima acabei escolhendo umas leituras mais complicadinhas, aí já viram, não dá para começar e terminar rapidinho, exige muita concentração!

Cemitério de Praga, de Umberto Eco

Enfim chegou na biblioteca! Eu tinha sugerido como nova aquisição, e não é que eles compraram???
Um livro muito complexo e que acredito que não é para qualquer leitor! Fica clara a erudição do escritor e o grande trabalho de pesquisa, para resgatar momentos que marcaram a história européia, envolvendo maçonaria, anti-semitismo e intrigas políticas, mas que provavelmente são desconhecidos para a maior parte dos brasileiros.
A história se passa no século XIX (da metade ao fim) em alguns pontos da Italia e em Paris, com uma passagem rápida por Munique, mas não chega em Praga (para quem esperava encontrar algo alem do cemitério dessa cidade)! 
Eu gostei muito das intrigas, dos fatos históricos, da descrição de Paris do século XIX (com as ruazinhas que frequento ainda hoje, como a rue de la Bûcherie, perto da Notre-Dame), o diálogo do personagem principal com o seu duplo... Mas confesso que o livro fica um pouco repetitivo e cansativo em muitos momentos. Contente e aliviada de ter chegado ao fim!

O Farol, de Virginia Woolf

Uma história simples: uma família e amigos em uma casa de praia na Escócia.
O tempo que passa, o retorno ao ponto de partida, mas nada mais é como era, nem será.
Mas o brilhantismo está na forma como Virgínia Woolf descreve os sentimentos e pensamentos dos personagens, ou seja na sua narrativa. Ela consegue esmiuçar e descrever com perfeição o processo de construção do pensamento. 

Acredito que quem busca ler as obras dessa autora será, assim como eu, muito mais pelo estilo da sua narrativa do que pela história.

A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

Para mim ainda mais do que Virgínia Wool, Milan Kundera é capaz de descrever a complexidade do espírito humano. O estilo na narrativa é poético e belo. 
Já tinha lido há muitos anos, mas confesso que não me lembrava de todas essas subtilidades, e apenas hoje, mais madura e tendo adquirido outros conhecimentos , consegui captar toda a beleza do romance.
Desta vez o que mais me marcou (e o que mais apreciei) foram as reflexões históricas e filosóficas, tendo como pano de fundo a primavera de Praga. Além de fazer uma análise do comunismo, no final ele fala do capitalismo. 
Ainda consegui entrar mais profundamente na história, tendo conhecido um pouco Praga, Zurique, Genebra e Paris, cidades em que se passa praticamente toda a história. ele também faz uma breve mas fascinante descrição de Amsterdam. Outros momentos me marcaram, como quando os personagens vão embora de Praga e se instalam na Suiça. fala da identidade e identificação de acda um com seu país, e o que o mesmo significava para cada um. Não fui embora do Brasil por motivos políticos, mas me identifiquei com muitas passagens! Depois houve o retorno e a readaptação ao país invadido Outra passagem que me fez mesmo chorar foi quando o personagem, médico, neurocirurgião conceituado, torna-se lavador de vidros! Não desci tanto assim na escala social, simplesmente não trabalho mais como "psicóloga" (mas a identidade de psicóloga nunca perdi), mas a forma como ele vive essa nova condição é emocionante... Poderiamos imaginar que ele se tornaria o homem mais infeliz do mundo deixando de lado uma carreira que para ele era como se fosse uma missão, algo sem o qual ele não se imaginava antes. Mas não, não é nada disso o que acontece.
O leitor pode ficar em muitos momentos desestabilizado, pois o autor vem para quebrar com as nossas certezas. Ao mesmo tempo, não nos traz respostas (resta no questionamento).
Também apreciei a forma como ele conta a história, a partir do ponto de vista de cada um dos personagens (o mesmo momento é revisto, mas sob uma outra ótica). A visão política está lá nua e crua para quem quer ver (ou ler, assim como eu gosto), mas acima de tudo se trata do sentido da vida, ou seja, muito mais filosófico do que político, sem ser, é claro, uma obra de filosofia!
Quem ler somente procurando uma história provavelmente vai se decepcionar, pois pode acabar classificando alguns personagens em frívolos e perdidos nas suas reflexões. Para mim, eles são todos ambivalentes diante da existência. Em nenhum momento são julgados pelo narrador (alguns leitores provavelmente julgarão seus comportamentos). Humanos, enfim, como cada um de nós.

Um livro que ficará para sempre guardado no meu coração e que provavelmente relerei em alguns anos!

L'amour dans le sang, de Charlotte de Valandrey
Esse livro foi bem fácil de ler em relação ao estilo da narrativa e assimilação do conteúdo. Eu tenho lá as minhas manias de ler tudo que cai na minha mão e nem sabia de quem se tratava. Na verdade a escritora é um atriz francesa que foi descoberta aos 15 anos e recompensava no mesmo ano no Festival de Berlim pela sua participação no filme Rouge Baiser. Na evrdade o livro apareceu em 2005 e nessa autobiografia a atriz conta a sua vida a partir do seu ponto de vista e revela ao público que é portadora do vírus HIV desde seus 18 anos! Uma história (real, infelizmente) muito triste de alguém que para os meus conceitos poderia ter tido "tudo na vida", mas que fez as escolhas e atos errados e colocou tudo a perder! Inconseqüencia? provavelmente... Não dizem que todos os jovens são inconseqüentes e se consideram imortais? O livro me fez pensar mais ainda que somos frutos de nossas escolhas e atos, e que infelizmente não podemos voltar atrás em muitas das nossas decisões (ou não-decisões).
Vejo muitos pais que educam seus filhos em um total "laissez-faire" e que dizem que os mesmos devem quebrar a cara por si mesmos, que assim eles vão aprender, mas quando uma jovem de 18 anos, com talento, beleza e todo um futuro pela frenta descobre que é soropositiva, o que ela pode fazer? Claro, felizmente existem tratamentos que aumentaram a qualidade e o tempo de vida dos pacientes, mas não venham me dizer que é uma vida "normal" como a minha e a sua (viver com dezenas e dezenas e comprimidos por dia?)... Papéis que foram recusados pois a seguradora não queria assegurá-la, amores impossíveis pois, convenhamos, não deve ser fácil encontrar alguém que aceite correr o risco. Ainda por cima ela teve problemas cardíacos e aos 35 anos sofreu um transplante de coração. Ao final, sem carreira e sem dinheiro.
Não é fácil e não desejaria um desenrolar assim nem para o meu pior inimigo (se eu tivesse!). Mas reforçou a minha convicção de que as crianças precisam ser criadas com amor, sim, mas igualmente com limites.