quarta-feira, 28 de março de 2012

Museu do Hermitage: além da descoberta

O museu do Hermitage é realmente impressionante, sem contar tudo que é dedicado à arte russa e as partes do palácio que continuam decoradas no estilo da época. Realmente fascina, um luxo só! Raramente vimos tamanha beleza reunida. Nossa opinião é que o Museu do Louvre é imbatível em termos de qualidade das obras, além de ser belíssimo por fora, mas o Hermitage ganha em decoração interna! 
E olha que já visitamos muitos museus por aí... Seria um pouco como se o Louvre ficasse dentro do Castelo de Versailles, será que vocês entendem o que quero dizer?




Então é verdade que toda essa beleza "ofusca" um pouco as obras, a gente não sabe se olha para as paredes (pinturas e/ou decoração), para o teto (lustres, dourados, pinturas, etc) ou para o chão (um solo magnífico!), sem contar as portas, cada detalhe... Chega um momento em que o olhar pode ficar um pouco saturado e aí podemos deixar "escapar" alguma coisa importante!

Tudo, é claro, do melhor estilo muito exagerado que reinava na época da rainha Catarina.

França


Cerca de 20 salas com pinturas e esculturas francesas dos séculos XV ao XVIII. Uma sala inteira é dedicada à Poussin, e podemos encontrar todos os outros nomes da pintura francesa: os irmãos Le Nain, Claude Le Lorrain, Fragonard, Jacques Louis David, Delacroix e Jean Léon Gêrome.
Essa é uma famosa obra de Gêrome, apresentada pela primeira vez em 1857. Nesta tela, ele abandona as cenas de inspiração grego-romana que o cansagraram e escolhe um tema de sua época, mesmo se os personagens eram inspirados da Commedia dell'Arte. Essa é a segunda versão, a primeira pode ser vista no museu do Castelo de Chantilly

Holanda

Uma linda coleção de cerca de 20 obras de Rembrandt, dentre elas:
 Essa pintura representa uma cena da mitologia clássica: Danaé, filha de Acrisios, foi fechada pelo pai em uma torre de bronze, pois uma profecia dizia que seu filho mataria o avô. Mas Jupiter amava Danaé e conseguiu engravidá-la através de uma chuva de ouro. Dessa união nasce Perseu, que, conforme a profecia, mata acidentalmente o avô! O mais incrível é que radiografias indicam que o rosto inicial de Danaé era o de Saskia, esposa de Rembrandt, que o modificou após a morte dela. E provavelmente nessa mesma época ele incluiu os efeitos de luz, que fazem a importância da obra, quase tão importante quando a sua "Ronda Noturna" (1642). Trata-se de um dos raros nus de Rembrandt, que durante toda a sua carreira teve que se submeter à rígida moral calvinista que regia a Holanda na sua época.
Sua esposa Saskia, como Flora.
Inglaterra

Poucas salas representam a arte na Inglaterra, e essa pintura de Thomas Gainsborough é considerada a mais importante da arte britânica nesse museu.
 Essa bela desconhecida encarna a moda e a definição de beleza correntes na Inglaterra do fim do século XVIII.
Espanha

Igualmente apenas duas salas, mas repletas de obras de artistas como Murillo, Greco, Velasquez e Jose de Ribera.


O terceiro andar é dedicado as obras a partir do século XIX (vai ter que ficar para um outro post!).

Aqui seguem algumas dicas para quem quiser aproveitar melhor a visita do Hermitage:
- Chegar cedo
- Levar alguma coisa na bolsa (água e algo para beliscar, em caso de fatiga aguda)
- Calçados confortáveis: além de quilômetros de galerias, o solo é tão trabalhado que saltos são proibidos (infelizmente ninguém controla e tinha gente com salto barulhento!), e acho um sinal de respeito para preservar esse patrimônio único no mundo.
- Um mapinha ou guia (livro) que oriente onde fica cada setor do museu, pois o mesmo é realmente um labirinto! Assim, quem deseja ver algo em específico não perde tempo!
- As fotos são permitidas para quem pagou
Acho o cúmulo as pessoas que não pagam e depois ficam fotografando com o iphone!!! Quer fotografar, siga as regras, quer economizar, boa parte das fotos são disponíveis pela internet e livros sobre o assunto. Depois não adianta reclamar que recebeu uma bronca dos funcionários do museu!
- As exposições temporárias não autorizam fotos (como em praticamente todos os museus do mundo), então também melhor respeitar... Um desenho universal indica onde não pode, basta um pouquinho de atenção!




terça-feira, 27 de março de 2012

Que tal um brunch em Paris?

O que fazer domingo em Paris? 

Acho que nunca falei aqui, mas detesto domingo! Acho um dia "parado", preguiçoso e geralmente tudo fica fechado e, para mim, desanimado. Quando o tempo está bom, ok, Paris inteira passa o dia nos jardins, mas fora isso tenho horror da fórmula básica de Champs Elysées no domingo (já não sou fã da Champs Elysées, que considero suja e meio decadente) e cinema! Não suporto ficar trancada em cinema quando o dia está lindo lá fora! Sou insuportável, não é? Eu não poderia morar em uma cidade em que domingo tudo está fechado.

Mas então, estou sempre procurando uma forma de alegrar os meus domingos... Desta vez tinha reservado um brunch em um restaurante do XVI arrondissement de Paris (uma zona nobre da cidade). Maridão meio de cara feia (o que raramente acontece!) pois ele tem um certo preconceito contra os ricos e bairros ricos, achou que seria um bairro entediante (ainda mais no domingo!) e sem graça. Eu que já tinha trabalhado nesse quartier chamado Passy, adoro!

Descemos na estação de metrô La Muette e é claro que a beleza da arquitetura das ruas impressiona... Muitas lojas bonitas (abertas de segunda a sábado), com vitrines lindas de marcas que não vemos muito pelo resto da cidade. 

Nosso restaurante fica na Rue de l'Annonciation, que para a nossa surpresa é uma rua bem animada no domingo! Lojinhas abertas, produtos de alimentação, feirinha... Tudo um charme! E o nosso restaurante,  de decoração simples, conta com um excelente ambiente, atendimento e cardápio!

Nosso brunch incluía bebida quente, suco de laranja natural, pães, geléia e manteiga (para começar)
Prato a escolher (foi difícil tomar uma decisão, tinha muita opção e eu queria provar tudo!!!)
 O meu foi esse sanduíche bagel de salmão com mil-folhas de berinjela (camadas de queijo e berinjela). Adorei também o molhinho ao centro, sobre a salada ficou uma delícia! E a porção era grande mesmo!
Chéri optou pelo prato com menos legumes: espetinho de carne de gado com um gratin de batatas (bem tradicional aqui, são batatas cortadas em rodelas finas que vão ao forno em camadas, cobertas de creme de leite, temperadas a gosto, e pode ser acrescentado queijo ralado para "gratinar") e champignons. No meio um molho de queijo para a carne.

Como sobremesa 3 miniaturas em um pratinho "descoberta"

Tortinha de pera, bolo de chocolate e sorvete de caramelo.

Maridão ficou supercontente do início ao fim, além disso teve que reconhecer que os demais clientes também eram bem cortezes, todos chegavam e diziam bom dia, os que estavam próximos puxavam conversa conosco falando do bairro, do restaurante dos pratos, diziam "bom apetite" e se despediam... nada de nariz empinado ou "eu sou melhor do que você". Percebemos que é um local muito apreciado pelos "locais" e não vimos turistas (com exceção de nós que estávamos turistando por ali!)

Então, além de recomendar um brunch no domingo, recomendo esse do Family Café!!!
Ainda é possível perambular pela feira coberta, lojas e comércios de alimentos, como a loja de ostras que fica bem em frente e que estava lotada! Encontramos também uma loja de produtos italianos com muita variedade e que parecia ser de muito boa qualidade... pena que o preço era MUITO proporcional à qualidade e ao bairro...

35 rue de l'Annonciation
75016
Metrô La Muette

O preço do brunch (servido apenas aos domingos) estava afichado em 23€ por pessoa. Também é possível apreciar os pratos individualmente fora do brunch. As opções de sobremesa eram bem apetitosas e as porções generosas.

sábado, 24 de março de 2012

As mais belas pontes de São Petersburgo

Quem acompanha as minhas fotos desde que vim morar na Europa sabe que sou chegada em uma ponte! A maioria das cidades européias (pelo menos as que tenho visitado) são cortadas por cursos d'água, e se Paris é ainda mais linda com o rio Sena, outras cidades famosas por suas pontes são Amsterdam e Veneza. Inspirado pela topografia de Amsterdam, Pedro o Grande ordenou a canalização de inumeros cursos d'água para "secar" o terreno pantanoso de São Petersburgo, que é organizada ao redor de uma rede de canais e rios, o que faz com que estejamos sempre perto da água e sentimos a sua presença. Quando estivemos lá, no final do inverno, as águas estavam ainda congeladas e uma bruma nos dava uma impressão quase sobrenatural...

E todos esses canais e rios são repletos de pontes ornamentadas de decorações e esculturas, umas mais belas do que as outras! Os livros indicam um passeio de barco para apreciá-los, mas com o frio e o gelo os barcos de turismos não estavam circulando. Desta forma optamos por sair em busca das mais belas pontes de São Petersburgo a pé. Uma verdadeira caça ao tesouro, onde a gente sempre sai ganhando!
 Ponte do Tenente Schmitt
Reconstruida entre 1936 e 1938, ela conservou o parapeito com seus ornamentos em forma de cavalos-marinhos.
 Ponte aos Leões
Uma das mais antigas pontes suspensas da modernidade, construída em 1825-26 (quando começou a febre na Europa), cujos cabos são mantidos por 4 leões.

 Ponte do Banco
Contruída na mesma época e pelos mesmos arquitetos que a ponte aos Leões. Para mim aqui são ainda leões, mas com asas! Seu nome se deve ao antigo banco que se situa ali em frente, e que pelo que entendi hoje seria a faculdade de economia  e finanças.
 Ponte do Palácio
A mais central, que liga a ilha Vassilevski ao continente.

Ponte da Trinidade (1897-1903)
Com seus 10 arcos, é célebre pelos seus lampiões (postes de iluminação publica).

Fotanka é um rio natural que nasce e deságua na Neva, fazendo toda uma volta pela cidade de quase 7km! Ele costeia o "jardim de verão", que infelizmente estava fechado para reformas (deve abrir nesse verão 2012).
Ponte Panteleïmon, com suas águias douradas bicéfalas (símbolo do poder imperial), no melhor estilo império russo! Ali pertinho fica a igreja São Panteleïmon, uma das mais antigas da cidade, realizada pelo mesmo arquiteto da Fortaleza Pedro e Paulo (ainda não pude escrever sobre), em estilo barroco alemão.

Outras não são pontes, mas são importantes do ponto de vista aquático, como as duas Colunas "rostrales", pintadas de vermelho serviam como farol. Em cada uma existem duas estatuas seguindo o modelo da antiguidade, personificando 4 grandes rios russos: a Neva, a Volga, o Dniepr e o Volkhov.

Ou do ponto de vista puramente arquitetônico, como os dois imposantes Sphinx diante da Academia de Belas-Artes, de frente para a Neva, na Ilha Vassilevski.

(ainda na Ponte do Banco)
Infelizmente não consigo recordar o nome de todas as pontes e nem pude visitar todas que gostaria...
Algumas ficaram para a próxima viagem!



quinta-feira, 22 de março de 2012

Nota pessoal

Fanatismo
Intolerância
Morte
Tristeza

Eh inadmissível que em uma república democrática, em um país dito de liberdade, igualdade e fraternidade, esses três preceitos não sejam respeitados por alguns e inocentes continuem sendo assassinados por suas conviccões religiosas e/ou seus engajamentos na defesa dos ideais do país.

(Muita tristeza pela morte de 7 pessoas inocentes assassinadas a total sangue frio e de uma oitava entre a vida e a morte. Do nono e principal responsável não tenho nenhuma pena, muito pelo contrário, seu "desaparecimento"* me traz um profundo alívio).

Eh só isso que tenho a dizer hoje.

* existem muitas palavras em francês para falar da morte, e uma delas é o nosso equivalente francês do verbo desaparecer em todas as suas conjugações e variantes.

sábado, 17 de março de 2012

Envie de soufflé ?*


Uma amiga apaixonada por Paris e que dá uma passadinha por aqui sempre que pode já tinha me falado desse restaurante, uma verdadeira instituição francesa na arte do savoir-faire soufflés!

Em duas outras ocasiões ela queria ir, mas o restaurante estava lotado. Então desta vez, com viagem programada, ela sugeriu o restaurante e reservamos para sexta-feira (ontem).

La Cigale Récamier se localiza no coração do 7º arrondissement de Paris, pertinho do Bon Marché (que é lindo mas de "bon marché" não tem nada!) e do metrô Sèvres-Babylone. Um bairro bonito, calmo e chique. A clientela do restaurante (assim como a conta) segue a mesma tendência. A média de idade era acima da minha, pessoas bem-vestidas, de bom gosto e que aparentemente apreciam uma boa gastronomia.

Nossa reserva era para às 20h, e quando saímos o restaurante estava LOTADO e tinha fila esperando na porta. Nem por isso os funcionácios nos apressaram em partir, o atendimento foi bem correto.  

Os soufflés são lindos e sabororos, tem o tradicional de queijo, mas uma infinidade de escolhas entre entrada, prato e sobremesa. Nunca vi tantos tipos diferentes!!! Escolhi como prato um de queijo com um molho de mostarda e frango. Ele mantém a sua consistência, sem murchar, durante toda a refeição. 

Como sobremesa a escolha foi de um soufflé ao chocolate (fiquei em dúvida entre o de caramel au beurre salé) e dividi com Sylvain, pois era realmente enorme!

Quem não quer ficar só nos soufflés, o cardápio conta com outras opções de legumes, carnes e peixes.

Obrigada Judith pela excelente companhia e por me propor essa excelente descoberta!

* Vontade de (comer um) suflê ?

Endereço:
La Cigale Récamier
75007 Paris