quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Théatre de l'Epée de Bois

Já comentei que Paris conta com centenas de salas de teatro, o que quer dizer diversas peças em cartaz ao mesmo tempo. Tem sempre uma que nos interessa. O problema é que geralmente existem dezenas que me interessam, e não dá para ver tudo, pois além de faltar tempo, financeiramente ficaria inviável!

Desta vez foi Sylvain quem escolheu a data e a peça, e como geralmente ele não propõe nada me deixa escolher a programação, não vou reclamar, não é mesmo?

Mas no dia D a gente se encontra após o trabalho em Paris e ele estava um pouco preocupado pois não tinha encontrado o endereço no mapa! Acabamos descobrindo que mesmo que no endereço estivesse escrito paris, na verdade geograficamente ficava em Vincennes, uma cidadezinha ao lado de Paris muito charmosa, onde fica o Castelo de Vincennes, o Parc Floral e o Bosque de Vincennes. E não é que o nosso teatro ficava justamente DENTRO do bosque? E o pior, o metrô não chegava até lá, estava chovendo e estávamos sem guarda-chuva... Ok, não é por isso que vamos desistir, e descobrimos facilmente que havia um ônibus que nos deixava na porta do teatro. Chegando lá, impossível cntinuar com o mal humor em um espaço tão agradável. Uma excelente surpresa!


E para acrescentar, a peça "Mozart, père et fils" (Mozart, pai e filho) a partir da correspondência completa de Mozart estava linda! A ambição da mesma era mostrar Mozart na sua posição de filho, e não simplesmente de grande compositor que a gente conhece. Para representar o pai e o filho,  Jean-Claude e Renaud Drouot, pai e filho na vida real. Um lê, o outro canta, e um piano ao fundo... 
Como previsto, os papeis de confundem entre esses dois personagens tão ligados, Leopold (o pai) e Amadeus (o filho).
Foto trabalhada a partir do original encontrado na internet, já que não podemos fotografar durante o espetáculo.

Recomendo para quem se interessa por Mozart ou simplesmente quer conhecer  um pouco mais sobre esse personagem excepcional. Mas não esperem que a peça seja muito dinâmica, pois se apoia justamente nas correspondências, e é necessário ter um bom domínio do idioma para entender tudo e seguir todas as passagens.

A peça continua em cartaz até o dia 12 de fevereiro de 2012.
Mozart, père et fils
Endereço: Théatre de l'Epée de Bois (Cartoucherie)
Acesso: estação Château de Vincennes (linha 1), depois ônibus 112, descer na Cartoucherie. A frequência de ônibus é muito boa, não esperamos praticamente nada, e ainda tem um transporte disponível gratuitamente geralmente após as representações.

E eu que no início não queria ir, já estou pensando em voltar para assistir a peça "Ainsi Parla Zarathoustra", a partir da obra de Nietzche, que estréia em breve no mesmo local! Entrei em uma fase Nietzche agora que enfim consegui começar a compreender um pouco a sua obra!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Gastronomia e Cultura em Lyon

Bouchon lyonnais

Um "bouchon" (nesse contexto) é um pequeno restaurante convivial e com preços acessíveis. Ao menos tradicionalmente era assim, pois agora, com o fluxo de turistas, os preços podem subir, é claro. Neles podemos provar a cozinha tradicional de Lyon, repleta de pratos a base de pedaços menos valorizados dos animais, como tripas, pés de carneiro, andouillette... Eu não gosto muito, então prefiro procurar no cardápio uma outra parte dos bichinhos!!! Tudo regado com um bom vinho Côtes-du-rhône ou um Beaujolais (um primo pobre, que na França não é muito valorizado, mas dizem que os brasileiros gostam porque é mais docinho...)
A cozinha francesa é bem diferenciada e varia muito de região para região. Pode-se comer de tudo e existe praticamente todo tipo de prato! 

Para o almoço de sábado escolhemos algo bem rápido e um local que está "na moda" em Lyon, "L'Epicerie". Parece que sempre está lotado (foi o caso nesse dia). A decoração faz um pouco anos 50, mesas grandes (onde todo mundo se mistura) ou pequenas, serviço rápido e tudo bem feito, apesar de simples. A especialidade da casa são as "tartines", esses sanduíches abertos, frios ou quentes e as sopas. As sobremesas também são ótimas!



Para se deliciar entre uma refeição e outra, por que não  se deixar seduzir pelos doces a base de pralines rosas, muito comum nos doces de Lyon?
Infelizmente não tenho uma foto da tradicional "tarte aux pralines roses de Lyon", mas só de ver já e uma tentação!
O jantar foi  com amigos apaixonados pelo México e sua culinária tradicional (longe do que conhecemos dos restaurantes Mex-Mex muito comuns aqui na França) no Restaurante Cazuela Y el Tequila, um ambiente pequeno porém bem simpátipo, acolhedor, uma viagem ao México!  
Foto emprestada da Cécile... Só cortei para proteger a imagem das demais pessoas.

E basta passar pela rua Mercière, que não vai faltar opções para todos os gostos e budgets. Do tradicional ao exótico, da gastronomia francesa à internacional. Não fui ao restaurante do grande chef francês Paul Bocuse, não estou podendo não, mas quem quiser viver a experiência nem que seja pela internet, pode visitar o post da Mirele que foi, contou e fotografou tudinho!!!

Museu de Belas-Artes de Lyon

Fica em um antigo convento da ordem dos beneditinos. O local é realmente lindo, e mesmo para quem não quer pagar para entrar, vale a pena visitar o pátio interno, acessível à todos gratuitamente.


Podemos encontrar uma importante coleção de esculturas, pinturas, e mesmo salas do Egito da época dos faraós.

O pintor Janmot, de Lyon mesmo, que eu ainda não conhecia (ou não lembrava) me impressionou muito! Eu considero a sua obra como fazendo parte do romantismo, mas especialistas a situam como uma transição do romantismo para o simbolismo.
 Louis Janmot, Fleur des Champs, do século XIX.
Adorei a sala apenas com as obras dele que compõem "Le Poème de l'âme" (poema da alma) e que o ocupou durante  45 anos de sua vida (de 1835 a 1880). No toral são 18 pinturas e 16 desenhos:
Aqui uma das pinturas do "poema" de Janmot, Rayons de Soleil (raios de sol).

Enfim, muitas atividades gastronômicas e culturais em Lyon... 
Não dá para fazer tudo em apenas um final de semana!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Lyon e seus outros encantos

Lyon é cortada pelos rios Rhône e Saône, o que significa muitas pontes para atravessar e lindas paisagens de um lado ou de outro de cada margem!

Além da parte antiga da cidade, existe é claro a parte "nova" (em comparação com a antiga, pois não tem nada a ver com uma arquitetura moderna):

 Uma das várias charmosas galerias comerciais da cidade!

 A rua comercial na qual encontramos quase todas as marcas de preços "corretos". 
Pelo que percebi, as marcas "de luxo" ficam em uma rua paralela a essa.
Sábado a noite a cidade é superanimada, consumidores realizando as últimas compras da semana, encontrando os amigos, sentados em um bar ou café... Uma  cidade bem "viva". Porém eu que já não gosto domingo, achei Lyon bem "parada". Com exceção de alguns turistas no centro histórico e rua de restaurantes, no meio da tarde foi difícil encontrar um local aberto para beber um café com amigos... E como jantaríamos na casa de outros amigos (convite de última hora), tivemos que chegar de mãos "abanando" pois não conseguimos encontrar nem um mercadinho aberto, também não vi nenhuma floricultura aberta, nada.

Les murs peints (paredes pintadas)

Há algumas décadas Lyon se tornou conhecida por suas paredes pintadas. os semanas são geralmente ligados à história do bairro e de seus moradores, ou de forma mais geral a história da cidade. Quase todos os anos novas paredes pintadas aparecem! Mas temos que olhar com atenção, pois muitas vezes, no meio de todos os outros prédios, essa técnica de "trompe l'oeil" ( para "enganar a vista", agora não sei o nome exato em português) é realmente eficaz e não percebemos à primeira vista que se trata se uma "falsa" fachada!



Guignol
Se inicialmente era um personagem específico criado por um operário da seda (canut) de Lyon, o nome se propagou e atualmente chamamos guignol ao conjunto desses marionetes. Eu tenho verdadeiro pavor, morro de medo deles, não me convidem para assistir a um teatro de guignol nem a visiter o museu do guignol!!! Mas faz parte da tradição de Lyon e ainda hoje, na França inteira, faz a alegria de pequenos e grandes!!! 

Place des Terreaux
Muito linda, sobretudo à noite, com sua linda iluminação.
 E não muito longe dali a Salle Rameau, uma sala de eventos, concertos, meeting, etc, pertencente à mairie (prefeitura) e em estilo Art Nouveau.

Igreja Saint-Nizier, belíssima em estilo gótico, não tem motivos para ter ciúmes da Catedral!


Foi muito agradável passear pelas ruas, atravessar pontes e subir colinas para apreciar as belezas de Lyon!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As desaventuras de estar casada com um homem popular

Eu nunca gostei de homens populares. Sabem aqueles que chegam nas festas e conhecem todo mundo, ou se não conhecem falam com todo mundo sem problemas, dançam sem problemas? Sempre detestei! Preferia os mais tímidos, com poucos amigos, e que ficavam num cantinho.

E acabei me casando com um homem popular!

Dessas ironias do destino...

E para agravar a história, ele ainda trabalha em um meio feminino (escola + artes + hospital), então toda essa popularidade dele... é entre mulheres!!!

Semana passada eles estava em formação e me fala do grupo, as mulheres que queriam ficar no grupo dele, etc, até que perguntei:

- Imagino que a maioria era mulher.

- De 15 inscritos, apenas dois eram homens. 

- E o outro, por que ninguém queria ficar no grupo dele? Ele é gay?

- Não ele é moche* (uma forma popular de dizer feio em francês!)

Além de ter um marido popular, o que eu não tenho de jeito nenhum é um marido modesto!!!

E ontem ele começou uma outra formação de 4 dias, então ele me mostra a lista, dos 15 nomes, mais uma vez 13 era femininos. E ele não conhecia ninguém da lista. Quando chego no final da formação, vejo um grupinho e me aproximo... Lá estava ele no centro e 13 ao redor!!! E um pouco afastado, o décimo quinto elemento, que na minha opinião não era moche, mas que por essas incompreensões do destino, não conseguia ser popular!
* Não dá para definir a beleza e a feiúra, mas nesse caso acima era mais uma brincadeira para se referir a alguém que "ne dégage rien", uma pessoa "sem vida", meio apática, mole, e que nem mesmo simpática é... Uma pessoa que acaba afastando os outros ao invés de atraí-los... 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Visitando Praga e descobrindo seus personagens ilustres

Já escrevi um pouco sobre Praga, mas além de Mozart, ainda não tinha conseguido falar de algumas personalidades que marcaram a cidade.


Um dos cidadãos de Praga mais ilustres, conhecido mundialmente, foi indiscutivelmente Franz Kafka (1983-1924). Não vou entrar nos detalhes da sua obra e vida pessoal, ambos muito complexos e dos quais eu não saberia falar com propriedade. Na cidade, é possível seguir os seus passos, os locais em que viveu, visitar o museu Kafka e mesmo seu túmulo no novo cemitério judeu. Mas para mim a visita mais agradável em torno desse personagem foi a "ruela de ouro", dentro dos muros do castelo de Praga, e onde ele viveu na casinha de número 22 em 1916 e 1917. Teria ele se inspirado nessa experiência para escrever sua obra "O castelo"? Quando ele fala das minúsculas casinhas? 


 Um local mágico e cheio de charme, infelizmente tomado pelos turistas durante o dia, e calmo e sereno, deserto mesmo, ao cair da noite! Imperdível!

Quem passa por Praga certamente não irá embora sem ter ouvido falar de Alfons Mucha (1860-1939), um dos maiores ilustradores da Europa. Seus trabalhos atravessaram, é claro, a fronteira do seu país; ele foi muito apreciado na França, onde viveu e trabalhou durante anos, desenhando cartazes para publicidade e peças de teatro, trabalhando principalmente com a grande atriz francesa Sarah Bernhardt.

 Seu museu em Praga apresenta uma coleção bem completa, explicando as diversas fases do seu trabalho e da sua vida.


Mucha foi um ícole do movimento "Art Nouveau". Para mim ele representa a feminilidade e a beleza como ninguém... Suas obras são facilmente reconhecidas por suas belas modelos, das quais ele consegue imortalizar o máximo de beleza. Bem que eu queria que ele tivesse me desenhado!!!

Também podemos ver sua obra no centro da cidade:
 E na catedral São Vito:

Um outro personagem que reconheci imediatamente (lembrando das minhas aulas de matemática na universidade) foi Johannes Kepler. Ele refugiou-se em Praga entre 1600 e 1612, perseguido por suas convicções religiosas. Para quem não lembra, Kepler foi um astrônomo alemão que estudou a hipótese de Copérnico de que é a Terra que gira em torno do Sol (um avanço para a época, e motivo de muitas cabeças terem rolado!). Ele também demonstrou que os planetas giram em torno do Sol realizando movimentos elípticos, e não um círculo perfeito como se pensava. 

Sua estátua pode ser vista perto do Mosteiro de Strahovsky, em companhia do astrônomo dinamarquês Tycho Brahe que o convidou a ir à Praga.