domingo, 11 de dezembro de 2011

Seleção de filmes

(nas telonas)
The Lady
Uma produção franco-inglesa com a assinatura do renomado Luc Besson que conta a história da militante birmanesa Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 1991 e que ficou mais de 10 anos prisioneira na sua própria casa na Birmania. Confesso que nunca antes tinha ouvido falar dela ou de sua luta (será que zapei ou simplesmente esse assunto praticamente não foi discutido no Brasil?), e parece que aqui na França todo mundo conhece a sua história.
Mas na minha opinião o filme é muito "romanesco", focando muito mais na história de amor entre ela e seu marido inglês. Em prol de seu povo, ela sacrifica seu casamento e sua vida de família, deixando na Inglaterra o marido e os dois filhos... No início os mesmos a visitam na Birmânia, mas com o passar do tempo o governo recusa todos os pedidos de visto de sua família e ela se vê prisioneira em seu próprio país (sem poder sair de casa). Ela poderia retomar a sua "liberdade" deixando o país, mas então seria uma decisão definitiva, sem possibilidades de retorno.
Gostei muito de assistir a esse filme para entender um pouco dessa conjuntura que até então era desconhecida para mim. Mas por outro lado, o filme me deixou com uma grande sensação de tristeza, pois sinceramente (de acordo com o filme), todo o seu sacrifício serviu para quê? As mudanças foram tão lentas e extremamente pequenas, praticamente invisíveis... E ganhar o prêmio Nobel da Paz e o apoio internacional serviu para quê? Ninguém quis interferir nos problemas da Birmania! E quando vejo toda essa violência interna presente em muitos países, acho realmente um comportamente bárbaro (no verdadeiro sentido da palavra) e mesmo primitivo. Claro, alguns vão dizer que o Brasil é um país violento, mas para mim não é o mesmo tipo de violência, em que as forças de ordem assasinam e uns matam os outros por diferenças etnicas, religiosas ou políticas (mesmo no nosso período de ditadura não chegou a esse ponto).
Remarcável interpretação de Michelle Yeoh no papel de Aung San Suu Kyi.

Les aventures de Tintin : le secret de la licorne



Novo filme de Spielberg, ou melhor, animação, baseado nas aventuras do personagem de história em quadrinhos Tintin, do belga Hergé, um verdadeiro sucesso aqui na França. A primeira história apareceu em 1929. Tintin é um jovem reporter sempre acompanhado de seu cachorrinho branco Milou. juntos, eles desvendam mistérios e crimes!

Muita gente crítica Tintin por uma visão estereotipada dos países emergentes, mas não podemos esquecer que trata-se de uma outra época, e o olhar era um olhar colonizador em relação aos outros povos. Mas ao mesmo tempo as aventuras de Tintin representam o gosto pelas viagens e pelo exotismo, presente em muitos franceses que cresceram com essas histórias. São pessoas que amam visitar lugares distantes como Tibet, México, China, etc... e aprender sobre as outras civilizações, sem levar ao pé da letra passagens que podem ser classificadas no original como racistas.
Eu li as 24 histórias (acho que são todas!), que se passam em lugares como as montanhas do Himalaia, o deserto do Saara, floresta amazônica, Africa e Escócia (o que me ajudou muito com o idioma!) e me apaixonei pelas aventuras. Parace que Spielberg também, pois li que desde seu primeiro Indiana Jones ele ouviu comparações com Tintin e sem conhecer, resolveu ler tudo a respeito, vindo daí a idéia de fazer o filme! Eh possivel visitar o museu Hergé na Belgica (perto de Bruxelas), e na França o Château de Cheverny, no vale de La Loire, que inspirou o château de Moulinsart que aparece em várias aventuras de Tintin. Já visitei esse castelo e ele é realmente lindo! Assim que der colocarei aqui para vocês!

L'Or Noir (black gold)
Novo filme de Jean-Jacques Annaud com Antonio Banderas. Uma produção Quatar-França, mas dialogado em inglês. O filme foi por aqui um verdadeiro fracasso de bilheterias!
Eu achei um filme médio, mas não tão ruim assim! Fala da descoberta do petróleo no oriente médio, a disputa e as diferenças de opiniões sobre o mesmo. Entre as tradições e a necessidade de dinheiro, em terras que não produzem nada e onde faltava riqueza, o que escolher?
Além disso, o filme também conta com lindas paisagens desérticas.

(nas telinhas)
La fille sur le Pont (1999), com Vanessa Paradis (queridinha da França, esposa de Johnny Deep, a "Angélica" francesa, a música "Vou de Taxi" vem da original francesa "Joe le taxi", gravada por Vanessa Paradis em 1987) e Daniel Auteuil.

Adèle (Vanessa) nunca fez nada certo na vida e uma noite decide de se jogar no Sena (rio que atravessa Paris) e acabar de vez com a sua existência, mas é abordada por Daniel Auteuil, um lançador de facas em circos e outros eventos desse tipo, que busca um alvo. Sem ter nada a perder ela aceita. O filme fala de sorte e de amor... Lindo em preto e branco e trilha sonora de arrepiar! Destaque para "Who will take my dreams away?" (Marianne Faithfull) e "I'm sorry" (Brenda Lee)

Un coeur simple (2008), inspirado em um conto de Gustave Flaubert (o mesmo que escreveu Madame Bovary). Félicité é uma mulher simples que viveu uma infância miserável no interior da Normandia. Jovem, apaixonou-se por um homem que aproveitou-se de sua ingenuidade e que a largou em seguida, para se casar com uma mulher rica. Então muda de cidade e acaba trabalhando na casa de uma jovem e difícil viúva mãe de um menino e de uma menina. O filme/livro fala de sua necessidade de afeto e as frustrações resultantes da falta dele, primeiro por esse jovem homem, após com a filha de sua patroa, de quem era impedida de ter uma relação mais carinhosa (abraçar, beijar, ou seja, qualquer manifestação de afeto), depois com seu sobrinho, que acabou morrendo jovem, e mais tarde por um papagaio! Ela vivia em seu mundo interior, e durante a sua vida tudo fez pelos outros, sem pensar em si mesma. Uma história muito tocante!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Morena de olhos castanhos

Já perdi as contas de quantas nacionalidades já me deram... 
Ressalto que não tenho NADA contra as mexicanas ou peruanas, mas falando francês não tenho nem sotaque hispânico... e fisicamente não vejo nada de parecido com minhas amigas e conhecidas da mesma nacionalidade... nada é exagero, pois sou morena de olhos castanhos...
Ou então, quem vem do norte da áfrica acha que venho da mesma região... O que já me causou muitos embaraços, já que muitas vezes fui agredida verbalmente na rua por não estar cobrindo o cabelo ou estar mostrando os braços...

Mas aí, cada vez que enfim as pessoas sabem que sou brasileira, a primeira associação que fazem, como se "tivesse caido a ficha" é com o personagem Pocahontas!

Tá certo que - mais uma vez - sou morena de olhos castanhos com muito orgulho, mas será que não tenho razão de refusar essa "semelhança"? 

Gosto muito da cor do meu cabelo (ainda natural) castanho escuro... Para mim nada a ver com o preto "reluzente", e ainda por cima ele só fica assim liso após muito sacrifício! E a forma dos olhos?

Engraçado que cada vez que vou me maquiar ou comprar uma base, na hora de escolher a cor, se a pessoa sabe que sou brasileria, ela vem logo de cara me propor uma cor para peles "latinas"... E o resultado é que fico parecendo uma cenoura! E aí ela termina por me propor um outro tom (atualmente uso o Teint Miracle da Lâncome nº 4 e o Teint Radiance YSL  nº 7 1/2 quando estou bronzeada).

Imagino que uma das mulheres mais ricas da França (herdeira da fortuna L'Oreal), apesar de morena de olhos escuros, não precisa ficar ouvindo o dia inteiro que ela é parecida com a Pocahontas!!!

Françoise Bettencourt-Meyres, google imagens

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O que fazer em um domingo chuvoso em Paris - parte 2


Após uma exposição, que tal sentar em um lugar bonito e deliciar-se com um verdadeiro  chocolate quente?

Um endereço imperdível, ainda mais se você estiver nos arredores do Museu do Louvre, é o Angelina. Esse "salon de thé" (salão de chá) fundado em 1903 é uma marca de luxo que representa a forma de viver à la française (à francesa). Desde a sua fundação foi considerado um local refinado para encontrar os amigos ao redor de uma xícara de chocolate quente e degustar uma das maravilhosas pâtisseries (doces) que os franceses sabem fazer tão bem. Foi ponto de encontro dos grandes estilistas, dentre eles Coco Chanel, e escritores.

Se atualmente o local é igualmente muito frequentado por turistas (a fama exige!), nem por isso deixamos de encontrar franceses que são clientes habituais ou alguns ocasionais, que chegam igualmente pela reputação do Angelina. E nem por isso perde o seu charme... 


Angelina é mundialmente conhecido pelo seu chocolate quente que, dizem, é fabricado da mesma forma desde 1903! Muito cremoso, uma delícia! Mas eu não consigo terminar a minha parte (não sou muito de doce, como apenas em pequenas porções), pois ele é bem servido e deve ter umas 3 mil calorias!!! Quem deseja pode levar essa maravilha para casa:

10 € a garrafa.
Outra especialidade é o Mont Blanc:

Não quis provar pois por dentro ele tem uma camada de merengue, chantilly e creme de marrons (castanhas), e como eu não gosto de merengue... 
Contam que a receita é guardada em segredo desde a sua criação!

Eh possível comprar na lojinha para comer em casa, na rua, ou para presentear, porém o charme é fazer parte desse ambiente da belle epoque... Mas para viver esse momento mágico, claro que os preços no salon são mais caros do que na lojinha, e ainda é necessário enfrentar uma fila básica.

A fila pode assustar, mas sempre que estive lá o tempo de espera não foi absurdo... Uma meia hora desta última vez, um domingo realmente muito feio, horário de fechamento do Louvre... O tempo realmente pedia um chocolate quente! Estive outras vezes durante a semana com colegas e a fila era bem mais mais rápida.

Escolhi o éclair au chocolat, que estava uma delícia, mas confesso que da próxima vez ficarei apenas na bebida mesmo, pois é muito doce para mim, realmente não gosto... Coitadinho do marido, teve que se sacrificar e terminar os meus restos... (ele não ficou nem um pouco bravo!)

Muita gente acha que os doces franceses não são doces... Eu discordo, acho quase tudo extremamente doce! Pode ser devido à minha vivência antes de chegar aqui, pois na minha família não se exagerava no açucar como outras brasileiras contam que era o caso na região de onde vinham.

Nunca consigo terminar sozinha a minha sobremesa aqui na França, a não ser que opte por alguma menos doce, como uma crème brulée ou algo envolvendo frutas vermelhas... Mas uma mousse au chocolat, un fondant au chocolat, por exemplo, isso vai ser sempre muito doce!!!

E para finalizar, o local ainda conserva seus ares sofisticados na decoração, na apresentação impecável dos empregados, na qualidade dos produtos... e na nota! Na minha opinião vale a pena, mas aqui em casa não podemos nos dar ao luxo de fazer isso todos os dias... 

Angelina
226 rue de Rivoli
75001 PARIS

domingo, 4 de dezembro de 2011

O que fazer em um domingo chuvoso em Paris - parte 1

Ainda mais se for no primeiro domingo do mês? Sem pensar duas vezes, a minha resposta é visitar um dos museus que é gratuito nesse dia!

Quando o tempo está meio curto que não consigo chegar cedo ao museu, sempre opto pelo Louvre, pois devido ao tamanho (enorme!), pode ter uma fila básica, mas que anda! Então a fila pode ser gigante, mas em 15 minutos sempre conseguimos entrar, e uma vez lá dentro, a multidão se dispersa nas diversas galerias, e se você abrir mão de ver a Monalisa, então provavelmente não será perturbado pela multidão. E como o Louvre é gigante, com suas galerias que, contam, podem atingir 24km, sempre existe algo para ver que não conseguimos ver nas vezes precedentes.

Desta vez decidimos fazer a ala Richelieu, com as suas maravilhosas esculturas. Coloquei na minha cabeça que hoje procuraria os cães em esculturas... Nada difícil!


 Mas como sou fascinada pelas figuras mitológicas, dentre elas o centauro, desviei-me do meu objetivo principal com essa obra magnífica:


Apaixonada pelos animais, não poderia deixar de apreciar Louis Barye, uma referência em escultura de animais. Toda uma grande sala do Louvre é decicada às suas obras:


Eu já tinha ficado muito impressionada com esse famoso Leão do escultor, cuja "cópia-molde" tinha visto recentemente no museu de Belas Artes de Lyon, mas essa versão em bronze é ainda mais "forte"!

E para finalizar, não sei como me deparei com o famoso código de Hammurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis jamais encontrados, e em excelente estado de conservação! Hammurabi foi um soberano que reinou na Babilônia entre os anos 1792 e 1750 antes da era de Cristo! Essa pedra inteiramente gravada é de uma importância imensa para o entendimento e estudo dos povos mesopotâmicos! Lembram da Mesopotâmia das aulas de História? Incrível como tudo era tão abstrato para mim, e agora vendo de tão perto obras dessa civilização tão antiga e complexa, tudo fica mais fácil!

 A pedra contendo as "leis" atinge 2.25m de altura...

Esse código fala tanto de "eqüidade", mas quando a gente lê o parágrafo 129 entende que o poder dos homens sobre as mulheres é bem antigo... e acredito que ainda não está perto de desaparecer por completo!


§ 129 "Se a esposa de um homem é surpreendida "dormindo" com um outro macho (poderia ser um animal também?), eles serão amarrados e jogados na água. Si o proprietário da esposa lhe permete de viver, então o rei dará a graça ao seu servidor" (tradução livre).
Mas se for o marido que trai a mulher, então é normal, não?

E vocês, o que gostam de fazer em um domingo feio e chuvoso?

sábado, 3 de dezembro de 2011

Shéhérazade: As 1001 noites

Ontem estive na mítica sala do teatro musical "Folies-Bergère" em Paris para conferir o novo espetáculo sobre a obra "As 1001 Noites", com ênfase no personagem feminino Shéhérazade

Apesar de um pouco kitsch (algo entre démodé e brega, "popular"), estava lindo! Não são um pouco "bregas" todas as histórias de amor e contos de fadas? Uma história de amor, o malvado e o bonzinho... Mas não podemos negar que os Contos das 1001 Noites, de origens persa e indiana, fazem parte da cultura popular e considero importantíssimo continuar passando de geração em geração.

O espetáculo conta com excelentes dançarinos (as), dança do ventre (belas dançarinas!). Inclusive uma cena muito bonita com as dançarinas dançando com enormes candelabros na cabeça!

Recomendo para quem deseja mergulhar nessa atmosfera das 1001 noites e nos mistérios do oriente!


Nada mal esse sultão! 

 Eu já tinha estado no Folies-Bergère no ano passado para assistir "Zorro" (com músicas do Gipsy Kings) e realmente é um teatro cuja beleza nos tira o fôlego! Desde a "belle époque" até os "années folles" simbolizou a vida parisiense, com seus espetáculos. Porém, se a decoração da entrada está em excelente estado de conservação, na minha opinião os assentos precisam de uma restauração!